ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação InternacionalORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a agenda de pesquisa em Relações Internacionais[:]

[:pt] Apesar do grande impacto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) nas agendas locais, nacionais e internacional, estranha-se a baixa quantidade de trabalhos acadêmicos em periódicos especializados em Relações Internacionais que tenham tratado do…

Read more
AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

[:pt]FARC afirmam não ter vinculação com facções criminosas brasileiras[:]

[:pt]

O ano de 2017 foi iniciado com a “explosão” de uma tragédia que já estava sendo anunciada e deixou mais de 50 mortos: a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), o maior presídio do Estado do Amazonas, localizado em Manaus.

O estopim do motim foi o conflito das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), que é proveniente do Estado de São Paulo, e a Família do Norte (FDN), oriunda do próprio Estado do Amazonas. A maioria dos mortos pertencia ao Primeiro Comando da Capital e, conforme divulgado pelo Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, “esse é mais um capítulo da guerra silenciosa que o narcotráfico mergulhou o país”.

Vale ressaltar que o COMPAJ, tem capacidade para 592 presos e, no momento do desastre, abrigava cerca de 1224 detentos, situação que é a realidade da maioria dos presídios brasileiros e culminou no agravamento da crise do sistema penitenciário no país. O “massacre” no presídio de Manaus, conforme vem sendo amplamente divulgado pela imprensa, foi o segundo maior motim letal na história do Brasil, ficando atrás apenas do “Massacre do Carandiru”, ocorrido em São Paulo no ano de 1992, no qual foram mortos 111 presos, tendo como acusados pelo desfecho as tropas da Polícia Militar de São Paulo.

Cumpre destacar que, da mesma forma que a mídia nacional, a imprensa internacional repercutiu largamente o que ocorreu no presídio brasileiro de Manaus, sendo notícia no mundo inteiro. As informações veiculadas nos principais jornais mundiais foram no tom de crítica feroz à situação do sistema prisional no Brasil e a de seus detentos.

O Papa Francisco expressou preocupação em relação ao assunto e, durante uma audiência geral no Vaticano, declarou: “Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nela”. Completou sua manifestação afirmando que gostaria de renovar seu apelo paras que as instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos. É importante salientar que Francisco já recebeu detidos no Vaticano e muitas vezes visitou prisões em suas viagens ao exterior.

Entretanto, como afirmou o Secretário amazonense, Sérgio Fontes, parece que o narcotráfico está vencendo essa batalha e afundando o país em uma crise nacional, já que os demais Estados da Federação já vêm tomando medidas no intuito de evitar consequências irreversíveis.

A “ponta do novelo” foi no Amazonas, já que a região norte é fundamental para o tráfico internacional, uma vez que as principais rotas de drogas passam por suas fronteiras e os Estados da área fazem divisas com grandes países produtores de cocaína, como o Peru, a Bolívia e a Colômbia, além da Venezuela, famosa pela permissividade no seu espaço fronteiriço.

Dessa forma, o grupo guerrilheiro FARC antecipou-se para divulgar em seu site oficial um comunicado onde nega as acusações de vínculo com “organizações mafiosas vinculadas ao narcotráfico” no Brasil. No texto, assinado pelo Secretariado Nacional das Farc, o grupo diz que, “baseados em uma mentira, (os meios de comunicação) agora querem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre de 56 pessoas.

Ocorre que o Ministério Público Federal brasileiro acusa as Farc de ter relações com a FDN, verificado no âmbito da denominada Operação La Muralla. Os investigadores detalham que há, sim, conexão entre a Família do Norte e fornecedores de drogas envolvidos com as Farc e confirmam que este vínculo facilitou o acesso da facção às drogas e a armas oriundas da região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

Na nota publicada pelas FARC, o grupo chama de atitude de “má fé” e “ignorância” a tentativa de liga-los com o “Massacre de Manaus” por diversos meios de comunicação do Brasil e pede que as autoridades brasileiras apurem as causas da tragédia e quem foram os responsáveis. Por fim, no comunicado, o grupo presta solidariedade às famílias e amigos dos mortos.

Segundo o chefe da secretaria de cooperação internacional do Ministério Público Federal, procurador Vladimir Aras, com a desmobilização das Farc, abre-se espaço para o PCC ou grupos ao Norte entrarem no território colombiano e disputarem as rotas internacionais de tráfico, bem como a cadeia de produção de cocaína.

O ano de 2017 já começou com uma grave crise nacional que terá que ser contida rapidamente pelas autoridades brasileiras. Por conta disso, o Presidente da República Michel Temer reuniu-se com a Presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, para tratarem de ações conjuntas para conter o caos nas prisões brasileiras. Agora é torcer e esperar que as medidas sejam efetivas e possam conter essa crise anunciada.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Bandeira das FARC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Armadas_Revolucionárias_da_Colômbia

Imagem 2Em maio de 2006, ônibus foram queimados durante a maior onda de violência já registrada em São Paulo; ações foram atribuídas ao PCC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_violência_organizada_no_Brasil_em_2006

Imagem 3Os policiais militares eram os principais alvos dos ataques” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_viol%C3%AAncia_organizada_no_Brasil_em_2006#/media/File:A_group_of_police_officers_at_2004_Brazilian_Grand_Prix.JPG

Imagem 4Foto do líder paramilitar colombiano Carlos Castaño com um grupo de combatentes da AUC” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Colombian_conflict

Imagem 5Ministra Cármen Lúcia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cármen_Lúcia

[:]

AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIAEUROPATecnologia

[:pt]Relações Rússia-EUA após o caso do ataque cibernético durante as Eleições Presidenciais norte-americanas de 2016[:]

[:pt]

Em 2016, as Eleições Presidenciais estadunidenses tiveram como característica central a polarização política, e isto configura uma situação que vai além da perspectiva tradicional de embates entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, os quais representam o ápice do sistema eleitoral dos Estados Unidos da América (EUA). Neste embate de 2016, as visões de mundo dos respectivos candidatos chocaram-se em diversos momentos ao longo da campanha e contribuíram para acentuar a polarização da sociedade.

Na disputa observou-se a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, a qual possuiu uma plataforma com ênfase na defesa de direitos de minorias étnicas, sexuais, culturais, religiosas e ambientais.

Do lado Republicano, Donald Trump apresentou uma plataforma voltada à defesa dos direitos da maioria, que, por motivos histórico-culturais é branca, protestante e liberal. O seu discurso abordou valores em que a concepção de liberdade humana não seria arbitrária, e, sim, decorrente da aceitação da existência de uma linguagem universal na esfera político-social e econômica. Após um período de intensos debates e comícios, Donald Trump, como vencedor, assumirá o cargo nesta semana, em 20 de janeiro de 2017.  Porém, em meio à turbulência polarizada das eleições, emergiu o relato de que o Diretor de Campanha do Partido Democrata, John Podesta, foi vítima de um hacker, o qual capturou informações importantes de sua conta de e-mail e estas foram publicadas no site Wikileaks.

Segundo especialistas, o hacker em questão poderia ter feito uso de um e-mail de aparência oficial – “phishing” – com os dados de Podesta e o pedido para baixar ou clicar em um link específico, com a intenção de induzi-lo a digitar a senha, cuja execução transferiu ao hacker a oportunidade de acesso direto aos arquivos de e-mail do Diretor de Campanha.

Fato interessante aconteceu na Secure Works, uma empresa de segurança de informação, quando tiveram acesso a um erro de hackers e conseguiram interceptar uma campanha de larga escala de e-mails spear phishing contra contas do Google com uso de bitly, ou seja, de um encurtador de link o qual se expande em um domínio feito por hackers. Nesta situação, a companhia iniciou colaboração com as agências de segurança dos EUA e conseguiram observar as ações dos hackers e suas táticas de atingimento de 1800 contas do Google pertencentes a pessoas na Rússia, países do leste europeu que fizeram parte da ex-União Soviética, países da Europa e representações governamentais, diplomáticas e militares dos EUA. Ao longo da campanha presidencial, os investigadores identificaram a atuação de hackers durante a campanha de Hillary Clinton, os quais enviaram 213 links de tipo bitly para 108 contas do Google, e 16 links de tipo bitly para 9 contas do Google com resultantes respectivas de 20 cliques para o primeiro e 4 cliques para o segundo.

As notícias de espionagem ampliaram a polêmica em torno da candidatura de Trump, sobretudo com a afirmação das agências de inteligência dos EUA de que os hackers que invadiram e-mails de pessoas da campanha de Clinton seriam membros de serviços de inteligência da Rússia.

Em referência a questão, o Diretor de Inteligência Nacional – James Clapper, o Diretor da CIA – John Brennan, e o Diretor do FBI – James Comey, declararam unânimes em conversa com Trump: “Nós avaliamos que somente os funcionários mais antigos da Rússia poderiam ter autorizado os recentes furtos e divulgações de dados com base nas eleições, com base no escopo e na sensibilidade das metas”. Afirmaram ainda que a Rússia é “uma grande ameaça para o governo dos EUA, para a infraestrutura militar, diplomática, comercial e crítica e para as principais redes de recursos, devido ao seu altamente avançado programa cibernético ofensivo e táticas, técnicas e procedimentos sofisticados”.

Apesar das declarações dos oficiais de inteligência de que a Rússia seria a responsável pelos ataques com hackers, o Presidente eleito, Donald Trump, discorda dos agentes governamentais e entende a situação como uma espécie de perseguição política por ter ganho as eleições, a revés dos democratas, conforme declaração própria: “Eu ganhei mais condados nas eleições do que Ronald Reagan. Eles estão muito envergonhados com isso. Até certo ponto, é uma caça às bruxas. Eles só se concentram nisso”. Trump alega não participação russa em sua vitória e salienta: “Não houve adulteração alguma com máquinas de votação”.

Donald Trump também questiona as ações por trás da afirmação de interferência estrangeira nas eleições e cita sua suspeita na não verificação dos servidores do Partido Democrata, por meio das seguintes indagações: “O DNC não os deixaria ver os servidores. Como você pode ter certeza sobre o hacking quando você não pode chegar aos servidores?”; e “O Comitê Nacional Democrata não permitiria que o FBI estudasse ou visse suas informações de computador depois que foi supostamente hackeado pela Rússia. Então, como e por que eles estão tão certos sobre hacking se eles nunca sequer solicitaram um exame dos servidores de computador? O que está acontecendo?”.

O Presidente eleito demonstrou surpresa com a divulgação de um Relatório de inteligência para a imprensa e novamente insere seu questionamento: “Como a NBC conseguiu ‘um olhar exclusivo sobre o relatório secreto que ele (Obama) foi apresentado?’ Quem lhes deu esse relatório e por quê? Política!”, e por fim sugere que, além da Rússia, terceiros atores poderiam ter feito o ataque, seja a China ou mesmo um adolescente estadunidense: “Quer dizer, poderia ser a Rússia, mas também poderia ser a China. Também poderiam ser muitas outras pessoas. Também poderia ser alguém sentado em sua cama, que pesa 400 quilos, Ok?”.

Em meio a rumores de que a Rússia poderia ter feito uso de hackers para influenciar a decisão das eleições nos EUA, parte dos membros do Partido Republicano observam a questão com um entendimento diferente da opinião de Trump, pois a veem como uma quebra da segurança nacional e até especula-se se isto não seria um ato de guerra, conforme é evidenciado na declaração do Senador Graham (R-Carolina do Sul) sobre a ação de Obama ao expulsar do país 35 diplomatas russos: “O que Obama fez foi jogar um seixo. Estou pronto para jogar uma pedra”. Porém a situação se amenizou um pouco quando James Clapper respondeu ao Senador McCain (R-Arizona) sobre o impacto da suposta ação cibernética russa contra as eleições: “Não temos como avaliar o impacto, certamente a comunidade de inteligência não pode medir o impacto que teve sobre escolhas feitas pelo eleitorado”.

No tocante as afirmações céticas de Trump, referente as declarações dos serviços de inteligência dos EUA, o próprio James Clapper explicitou: “Há uma distinção importante aqui entre o ceticismo saudável, que os formuladores de políticas, para incluir o decisor político número um, deve sempre ter para a inteligência. Mas eu acho que há uma diferença entre ceticismo e depreciação”.

Em conformidade com a atual perspectiva geopolítica no Leste Europeu, faz-se pertinente a apresentação de uma série de eventos necessários para dar maior entendimento da perspectiva da Rússia sobre as ações dos EUA no plano internacional, e o início ocorreu durante a crise ucraniana, cujo desdobramento despertou no Governo russo o anseio de proteção de seus cidadãos na Ucrânia, os quais queixavam-se de discriminações por causa das divergências internas entre desejosos por uma política pró-União Europeia (UE) e os que queriam uma política pró-Rússia, acarretando em guerra civil naquele país.

Após a intensificação dos conflitos, os grupos separatistas apoiaram um referendo de anexação da Península da Criméia ao território russo, a revés da autoridade de Kiev, e a Federação Russa assumiu a responsabilidade pela Península. Com a consumação do fato, diversos Estados europeus começaram a criticar Moscou por suposta violação do Direito Internacional e instituíram sanções econômicas contra a Rússia, porém, de imediato, os Estados Bálticos demonstraram para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e UE sua insatisfação com a segurança regional e afirmaram que a Rússia possuía planos de invasão de seus territórios, à semelhança do que aconteceu com a Criméia. Desta forma, a OTAN reforçou sua estrutura militar e bélica nos países vizinhos da Rússia, cujas resultantes provocaram um azedamento nas relações diplomáticas entre Moscou e a UE.

Ao longo dos últimos anos nenhuma ação bélica ou de invasão ocorreu no Leste Europeu, todavia, diversos países europeus mantiveram suas sanções contra a Rússia e continuaram a fomentar o que os cidadãos russos no exterior chamam de russofobia, a partir de relatos originários do medo. Porém, ao invés de melhoria de relações, os russos sentem-se novamente em tensões e, desta vez, com o foco de acusação repousando na questão da intervenção cibernética nas eleições dos EUA com o objetivo de um suposto favorecimento ao Presidente eleito Donald Trump, mediante o uso de hackers e de guerra de informação (híbrida) contra o Partido Democrata e seus eleitores.

No tocante a situação, o Porta-voz do Presidente Barack Obama, Josh Ernest, disse que uma ação deste porte apenas “deveria ter sido aprovada no mais alto nível”, e salientou: “Seria muito extraordinário se o próprio Putin estivesse entre as pessoas na nossa lista”. Todavia, Ernest comunicou que o Relatório completo da inteligência dos EUA sairá até o dia 20 de janeiro.

Em negação às acusações, na Rússia, o Presidente da Comissão da Duma para assuntos internacionais, Leonid Slutsky, chamou o caso de paranoia, de sem fundamento, e acrescentou: “A histeria em curso da administração dos EUA causa prejuízos significativos às relações EUA-Rússia, ao nível dos quais era menor do que durante a Guerra Fria. No entanto, tudo isso não ajuda a mudar os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos e, em janeiro, o legítimo proprietário da Casa Branca será Donald Trump e espera-se que, com a sua chegada, o diálogo entre a Rússia e os Estados Unidos será realizado em um ambiente político mais saudável”.

Em detrimento da situação, os russos consideram uma insensatez as declarações do Presidente dos EUA, Barack Obama, de retaliação sobre o suposto ataque cibernético, afirmando que “são a resposta necessária e adequada para os esforços que visam causar danos aos interesses dos EUA em violação das normas internacionais de comportamento”.

Para findar, a exposição russa diante da negativa do episódio de ataques cibernéticos aos EUA, cujo ápice provocou um estremecimento na relações entre os dois atores, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, externou que a atribuição de culpa à Rússia pelo Governo Obama remete ao fracasso das próprias iniciativas de política externa de Washington, que acusa a Rússia de todos os problemas, inclusive de interferência a favor de Donald Trump, e, no caso da expulsão dos diplomatas, o Ministro Lavrov expressou: “Nós definitivamente responderemos a essas ações. A reciprocidade é um princípio básico da diplomacia internacional e das relações internacionais. Portanto, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros e colegas de outras agências submeteram uma proposta ao Presidente da Rússia para declarar ‘persona non grata’ 31 diplomatas da Embaixada dos EUA em Moscou e quatro diplomatas do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Petersburgo”.

Observa-se que, para as variáveis centrais presentes na questão de impacto nas relações entre Rússia e Estados Unidos, o ataque cibernético contra a campanha de Hillary Clinton apresenta como foco de investigação duas linhas analíticas destacadas: a política internacional e a política doméstica.

Em primeiro plano, percebe-se que a situação abrange uma disputa pelo poder, manifestada na defesa da soberania e da moral dos EUA e da Rússia diante da sociedade internacional, com ênfase na legitimidade das agências de inteligência e no relacionamento diplomático.

Percebe-se também que existe uma clara preocupação em não deixar declinar o crédito dos serviços de segurança e de espionagem de Washington, os quais tendem a transparecer absolutos no sistema de Estados, porém as declarações de incerteza do Presidente eleito, Donald Trump, estimulam a quebra da coerência discursiva, cujos atos aumentam a sensação de indignação contra ele. Entretanto, são pertinentes as críticas de que é necessária mais explicação, conforme salientou Trump, ao ressaltar a certeza das agências de inteligência e a não verificação dos servidores do Partido Democrata, visto que poderiam ser quaisquer pessoas as responsáveis pelo ataque.

No que diz respeito a Rússia, as próprias agências verificaram o uso de recursos phishing e bitly via e-mails, os quais possuíam como alvos indivíduos na própria Rússia, Europa, e mesmo dos EUA, cujo modo de operação foi semelhante na aplicação do caso dos Democratas. Sendo assim, levantou-se a questão de entender por qual razão a Rússia interviria nas eleições estadunidenses para influenciar o eleitor a votar em Trump. Poderia ser pelo acréscimo de poder? Essa pergunta se ressalta, pois Trump prometeu recuar do apoio dos EUA no mundo e isto afeta diretamente a OTAN, mas emerge outra indagação: se a Rússia, como qualquer outra potência, não poderia conseguir mais poder por outras vias?   

Em segundo plano, observa-se a intensa movimentação social em torno das eleições e o aflorar das paixões políticas, cujo desejo pela vitória poderia acarretar em ações internas de uso de guerra híbrida. Novamente, emergem os questionamentos sobre a culpabilidade de atores, mas é preciso considerar os efeitos das ações políticas, visto que informações de inteligência foram divulgadas para a imprensa, mas, surge nova interrogação: se um Relatório definitivo está em andamento para a conclusão do fato, por qual motivo o Presidente Obama declara 35 diplomatas russos como persona non gratas?

Conclui-se pela necessidade de uma visão de paciência que se espera de qualquer ator global, cujo objetivo visa inteirar-se dos fatos para a tomada de decisões e mesmo novas interpretações, pois, neste caso, o Relatório final de inteligência do Governo dos EUA ainda não teve divulgação. Sendo assim, perspectivas alternativas precisariam de observação mais intensiva e o diálogo é imprescindível para a realização de qualquer ação com finalidade de serem evitados conflitos e tensões desnecessárias.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1 Casa Branca” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/White_House_Washington.JPG

Imagem 2 John Podesta” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/John_Podesta

Imagem 3 James R. Clapper” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_R._Clapper#/media/File:James_R._Clapper_official_portrait.jpg

Imagem 4 John Brennan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/John_O._Brennan#/media/File:John_Brennan_CIA_official_portrait.jpg

Imagem 5 James Comey” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Comey#/media/File:Comey-FBI-Portrait.jpg

Imagem 6 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_August_19,_2015_(cropped).jpg

Imagem 7 Barack Obama e Vladimir Putin” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/Vladimir_Putin_and_Barack_Obama_%282015-09-29%29_01.jpg

Imagem 8 Kremlin” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/Kremlin_27.06.2008_01.jpg

Imagem 9 Ministros da Defesa e das Relações Exteriores da OTAN reunidos na sede da organização em Bruxelas, Bélgica” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_do_Tratado_do_Atlântico_Norte#/media/File:NATO_Ministers_of_Defense_and_of_Foreign_Affairs_meet_at_NATO_headquarters_in_Brussels_2010.jpg

Imagem 10 Presidente da Comissão da Duma para assuntos internacionais, Leonid Slutsky” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Leonid_Slutsky_(politician)#/media/File:Leonid_E_Slutsky_RN_09-2013.jpg

Imagem 11 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:Sergey_Lavrov_17.03.2010.jpeg

Imagem 12 Mundo Conectado” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3b/Un_mundo_conectado.jpg

 

 [:]

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]A Interdependência entre Energia e Água[:]

[:pt]

A produção de energia depende da água, principalmente para o resfriamento de usinas termelétricas, mas também na produção, transporte e processamento de combustíveis fósseis. Além disso, cada vez mais a água é usada na irrigação de culturas para produção de biomassa de uso energético. Por outro lado, a energia é vital para o funcionamento de sistemas que coletam, transportam, distribuem e tratam a água, garantindo seu fornecimento para seus diversos usos.

Tanto a energia como a água são recursos que enfrentam demandas e restrições crescentes em muitas regiões como consequência do crescimento populacional, do desenvolvimento socioeconômico e das mudanças climáticas. Sua interdependência tende, portanto, a amplificar a mútua vulnerabilidade.

Para o setor da energia, as restrições à água podem pôr em causa a confiabilidade das operações das usinas termelétricas existentes, bem como a viabilidade física, econômica e ambiental de futuros projetos. Igualmente importante em termos de riscos relacionados à água enfrentados pelo setor energético, o seu uso para a produção de energia pode afetar os recursos de água doce, tanto na sua quantidade como na sua qualidade. Por outro lado, a dependência dos serviços de abastecimento de água da disponibilidade de energia afetará a capacidade de fornecer água potável e serviços de saneamento às populações.

O World Energy Outlook WEO 2016, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em 16 de novembro de 2016, tem um capítulo dedicado ao nexo entre energia e água e analisa como as complexas interdependências entre esses dois recursos se aprofundarão nas próximas décadas. Esta análise atualiza o trabalho anterior realizado em 2012 e avalia as necessidades atuais e futuras de água doce para a produção de energia, destacando potenciais vulnerabilidades e pontos-chave de estresse. Além disso, pela primeira vez, o WEO 2016 observa a relação energia-água, analisando as necessidades energéticas para diferentes processos no setor de água, incluindo abastecimento, distribuição, tratamento de águas residuais e dessalinização. As principais conclusões foram divulgadas no Global Water Forum, na COP22, em 15 de novembro de 2016.

As interdependências entre energia e água deverão ser intensificadas nos próximos anos, uma vez que as necessidades desta no setor energético e as necessidades energéticas do setor de água crescem simultaneamente. A água é essencial para todas as fases da produção de energia: este setor é responsável por 10% das retiradas mundiais de água, principalmente para o funcionamento das centrais termelétricas, bem como para a produção de combustíveis fósseis e biocombustíveis. Estas necessidades aumentam, especialmente para água que é consumida (isto é, que é retirada, mas não devolvida a uma fonte). No setor de energia há uma mudança para tecnologias avançadas de resfriamento que retiram menos água, mas que, por sua vez, consomem mais.

O crescimento da procura por biocombustíveis aumenta o consumo de água e uma maior utilização da energia nuclear aumenta os níveis de retirada e de consumo. No outro lado da equação energia-água, a análise do WEO 2016 fornece uma primeira estimativa global sistemática da quantidade de energia usada para fornecer água aos consumidores. Em 2014, cerca de 4% do consumo global de energia elétrica foi utilizado para extrair, distribuir e tratar água e esgoto, juntamente com 50 milhões de toneladas de óleo equivalente de energia térmica, principalmente diesel, usado para bombas de irrigação, e gás em usinas de dessalinização.

Durante o período até 2040, a quantidade de energia usada no setor de água é projetada para mais do que o dobro. A capacidade de dessalinização aumenta acentuadamente no Oriente Médio e no Norte da África e a demanda por tratamento de águas residuais (e níveis mais altos de tratamento) cresce especialmente nas economias emergentes. Em 2040, 16% do consumo de eletricidade no Oriente Médio está relacionado ao fornecimento de água.

A gestão das interdependências água-energia é crucial para as perspectivas de realização bem-sucedida de uma série de metas de desenvolvimento e de mitigação das mudanças climáticas. Há várias conexões entre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDG) sobre água limpa e saneamento (SDG 6) e energia limpa e acessível (SDG 7) que, se bem geridos, permitam alcançar os dois conjuntos de metas.

Existem também muitas oportunidades economicamente viáveis para economias de energia e água que podem aliviar as pressões sobre ambos os recursos, se considerados de forma integrada. Os esforços para combater as alterações climáticas podem exacerbar o estresse hídrico ou serem limitados pela disponibilidade de água em alguns casos. Algumas tecnologias de baixas emissões de carbono, como a energia eólica e solar, requerem muito pouca água, mas quanto mais uma via de descarbonização se baseia nos biocombustíveis, concentrando a energia solar, a captura de carbono ou a energia nuclear, mais água é consumida.

Possivelmente, a gestão combinada e harmônica da energia e da água seja o maior desafio para uma efetiva transição para uma economia de baixo carbono, requerida pela mitigação das mudanças climáticas. Tendo em vista que a gestão desses recursos tem um forte componente transnacional, os efeitos geopolíticos dessa transição se tornarão cada vez mais pronunciados.

Note-se, finalmente, que a água do mar é um recurso praticamente inesgotável. Seu efetivo uso, entretanto, depende da disponibilidade de energia abundante e a baixo custo para dessalinização e posterior transporte e distribuição para os locais carentes em água doce. Isto abre um amplo campo para a aplicação da dessalinização em grande escala, para a qual a energia nuclear seria uma alternativa viável.

Com efeito, a energia nuclear já está sendo usada para dessalinização e tem potencial para um uso muito maior. A dessalinização nuclear é muito competitiva em termos de custos e somente os reatores nucleares são capazes de fornecer as copiosas quantidades de energia necessárias para projetos em grande escala no futuro.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Flag of the International Atomic Energy Agency (IAEA), an organization of the United Nations” / “Bandeira da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), uma organização das Nações Unidas” (Tradução Livre) (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_Internacional_de_Energia_Atómica

Imagem 2Capa do Sumário Executivo do World Energy Outlook WEO 2016” (Fonte):

https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/WorldEnergyOutlook2016ExecutiveSummaryEnglish.pdf

Imagem 3Marrakesh COP22” (Fonte):

http://www.cop22-morocco.com

Imagem 4Metas do Desenvolvimento Sustentável” (Fonte):

http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/

Imagem 5Dessalinização Nuclear” (Fonte):

https://www.oecd-nea.org/ndd/workshops/nucogen/presentations/8_Khamis_Overview-nuclear-desalination.pdf

———————————————————————————————–                    

Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

[:]

AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

[:pt]Acordo de Paz na Colômbia é ameaçado por parte dissidente dos guerrilheiros das FARC[:]

[:pt]

O ano de 2016 foi marcado pelas intensas negociações de Paz entre o Governo colombiano e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Entretanto, como diria Mahatma Gandhi, “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. Sendo assim, percebe-se que ainda não há um resultado definitivo neste suposto aperto de mão conclusivo.

O Acordo de Paz assinado no último dia 26 de novembro de 2016 veio para coroar os esforços de ambos os lados em, finalmente, alcançar a Paz que tanto se espera para a região. Foi mais de meio século de intensos combates, conflitos sangrentos e perdas de muitas vidas, provocando a destruição da Colômbia e o atraso do país em relação aos outros países da América Latina. A própria região perdeu muito ao longo do tempo com essa guerra.

Foram mais de quatro anos de negociações que envolveram outros países e líderes políticos e religiosos de todo o mundo para mediarem as conversas. Nesse ínterim, a população rejeitou o Acordo através de um Referendo convocado pelo Governo, algo que foi um duro golpe para quem já celebrava a pacificação da Colômbia, mas o Presidente do país, Juan Manuel Santos, foi o ganhador do Nobel da Paz por ter portado a bandeira pela pacificação do conflito com as Farc, e foi celebrado festivamente pela sua iniciativa. Na ocasião da entrega do Prêmio, ele afirmou inclusive que a guerra entre a Colômbia e as Farc tinha terminado.

Entretanto, alguns dissidentes da Guerrilha vêm ameaçando esse objetivo comum, uma previsão que já havia sido feita e era temida durante as negociações do Acordo. Isso porque cinco líderes de alto e médio escalão do grupo guerrilheiro, juntamente com seus subordinados, deixaram a Organização, e já são cerca de 300 a 400 dissidentes que não aceitaram ser parte do Acordo celebrado.

Essa debandada de alguns guerrilheiros se deu principalmente devido ao enfoque dado no que foi acertado. Segundo o professor Jorge Giraldo Ramírez, da Universidade EAFIT de Medellín, “foram dadas muitas garantias aos altos comandos e aos guerrilheiros comuns, mas não se pensou nos chefes de médio escalão”. Além disso, conforme a análise do professor, o que ocorre é que os dissidentes não poderão entrar facilmente na política porque não são tão conhecidos como os chefes mais graduados e nem começar uma vida nova, pois são pessoas acima de 50 anos que já prestaram mais de 20 anos de suas vidas à Guerrilha.

Os desertores fazem parte da Frente Primeira, que é considerada uma das principais das FARC e tem mais contatos internacionais. O número de desertores chega a 6% do total de integrantes da Força. A própria Guerrilha já tinha declarado que não ia aceitar dissidentes, já que adotaram suas decisões “por maioria” e, como têm cumprimento obrigatório, não é possível “a formação de dissidência de qualquer ordem”, conforme destacou um comunicado difundido pelo Observatório de Paz e Conflito da Universidade Nacional da Colômbia.

A tensão foi sentida quando o Governo colombiano anunciou que esses guerrilheiros fugitivos têm a última chance de se dirigirem às “zonas de segurança”, senão “todo o poder de nossas Forças Armadas se concentrará naqueles que ficarem de fora desse processo”. O Ministro da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, ainda complementou que “aqueles que se declararem em dissidência das Farc, ou simplesmente se tornarem bandidos por ambição (…) serão alvo de alto valor que vamos perseguir”.

O Estado-Maior das Farc está tentando colaborar com o Governo colombiano nesse sentido, já que fez um apelo aos guerrilheiros que estão sob o comando dos cinco dissidentes de médio escalão, anunciando, em comunicado, para que se afastem da equivocada decisão adotada por seus chefes imediatos e regressem às fileiras do grupo, onde serão acolhidos por seus camaradas. Além disso, as Farc acrescentaram que o momento histórico da Colômbia não deve ser bloqueado por um “grupo de insensatos que, ignorando os desejos de paz da imensa maioria do nosso povo, se lança no abismo por ambição pessoal.

É importante frisar que a dissidência de alguns membros se deu também pelo fato de que o Acordo de Paz não alcançou de forma isonômica a todos os membros do grupo. Um exemplo disso é que foi definido um valor considerado muito baixo a ser recebido mensalmente pelos ex-guerrilheiros (cerca de US$ 280). Segundo os especialistas ouvidos pelo Jornal Folha de São Paulo, é um valor muito baixo para quem operava nas áreas de produção e transporte de cocaína. Dessa forma, é mais lucrativo ficar na marginalidade.

Ademais, segundo reportado pelo jornal, houve a demora entre a derrota do “sim”, no plebiscito de 2 de outubro, e a chegada de um novo Acordo, pois esse período configurou-se como uma indefinição jurídica e os guerrilheiros não puderam retornar às atividades ilícitas de extorsão, sequestro e narcotráfico.

O ano de 2017 já se inicia com essa crise entre o Governo colombiano e as FARC, que, por meio de uma minoria que a compõe, pode trazer à tona um passado cruel e sangrento que América Latina, sobretudo a Colômbia, tenta superar para que a tão sonhada Paz se torne realidade.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Bandeira das FARCEP” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_Armadas_Revolucion%C3%A1rias_da_Col%C3%B4mbia

Imagem 2Juan Manuel Santos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Juan_Manuel_Santos8.jpg

Imagem 3Treinamento pessoal do Exército Colombiano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_na_Col%C3%B4mbia

[:]

ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]O julgamento de Ratko Mladic no Tribunal Penal Internacional e sua reta final[:]

[:pt] Vinte um anos após a assinatura dos Acordos de Dayton, que findaram as guerras de dissolução da antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia, o Tribunal Internacional para a Antiga Iugoslávia (ICTY, na sigla em…

Read more
AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Abstenção dos EUA diante de resolução da ONU causa indignação no Estado israelense[:]

[:pt]

Na penúltima sexta-feira, dia 23 de dezembro, foi aprovado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) um projeto de Resolução que visa acabar com a construção de moradias de Israel em territórios tidos como palestinos. Os pontos “chaves” da construção são na Cisjordânia, onde encontram-se cerca de 430 mil israelenses, atualmente, e Jerusalém Oriental, que abriga outros 200 mil, de acordo com a agência de notícias francesa France Presse.

Conforme vem sendo disseminado nas principais mídias internacionais, a ONU alertou a Israel, por diversas vezes, sobre a colonização no território palestino, avisando que isso seria um empecilho para os esforços de paz entre aquele povo e os Israelenses. No entanto, constatou-se que há alguns meses a construção de casas no território palestino aumentou, o que fez as Nações Unidas tomarem novas e mais rígidas medidas, como a Resolução aprovada do dia 23.

Esta proposta de Resolução foi apresentada pelos países: Senegal, Malásia, Venezuela e Nova Zelândia. A princípio incluía também o Egito, mas, por pressão de Israel e do presidente-eleito dos Estados Unidos (EUA), Donaldo Trump, o mesmo recuou, ficando apenas os quatro em questão.

O interesse desta Resolução é encontrar um caminho para a paz entre palestinos e israelenses, pois entendem os requerentes que a colonização por meio de assentamentos – nome dado a construção de moradias – colocava em risco a viabilidade da solução entre os dois Estados, além de impedir a criação do Estado da Palestina. Outro ponto acerca da Resolução diz respeito à reação dos israelenses, em respeito a mesma. O Documento aconselha que Israel tome medidas imediatas para reverter a situação no terreno e assim prevenir atos de violência contra civis.

Para a aprovação da Resolução seria preciso que o maior número de Estados representados no Conselho de Segurança a aprovassem, e que nenhum dos que possuem assentos permanentes vetassem. O número de países que compõem o Conselho são 15 e, dentre estes, 5 são os que possuem assentos permanentes e também o poder de veto, sendo eles: EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha. A Resolução foi aprovada por 14 votos a favor, mas o que chamou atenção e trouxe indignação ao Estado Israelense foi a abstenção dos EUA, que teve a chance de intervir com o poder de veto, mas não o fez.

Israel estimava que EUA interferissem na proposta, como ocorreu em 2011, quando uma Resolução semelhante foi apresentada ao Conselho de Segurança, contudo, o Governo norte-americano alegou ter dúvidas quanto à eficácia da mesma em relação as negociações de paz entre israelenses e palestinos e, por conta disso, usou seu poder de veto e impediu que a proposta fosse adiante.

Após a aprovação, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por meio de seu Gabinete, emitiu um comunicado repudiando tal Resolução e a chamou de “vergonhosa e anti-israel”. Por conta disso, afirmou que “não irá respeitar seus termos”. Referindo-se ao Governo Obama, Netanyahu alegou que, além do mesmo não “proteger Israel contra essa conspiração na ONU”, o Governo do atual Presidente ainda “colaborou nos bastidores”. 

Para além disso, Donald Trump, Presidente-eleito dos EUA, que governará a partir deste ano (2017), também mostrou seu descontentamento com a atitude do Governo de Obama. Segundo publicado no jornal estadunidense The Washington Post, Trump divulgou mensagens em seu twitter na quarta-feira, dia 28 de dezembro, acusando o presidente Obama de prejudicar a relação dos EUA com aquele país, além de demonstrar seu apoio ao Governo de Israel, incentivando-o a “permanecer forte” até dia 20 de janeiro, quando Trump tomará posse.

Para conter as tensões entre Israel e EUA, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se pronunciou, também no dia 28 de dezembro, e afirmou que a decisão estadunidense de se abster foi de acordo com os valores estadunidenses, e que, apesar da boa relação entre ambos os países, isso não significa que os EUA devam aceitar qualquer política. Segundo ele, “Amigos também precisam dizer as coisas difíceis uns para os outros.

Kerry ainda explicou os motivos pelos quais seria necessário interromper os assentamentos, dado as condições do local, onde a violência e o terrorismo cresciam das duas partes e findavam destruindo “as esperanças de paz para ambos os lados”.

Já com relação ao posicionamento da Palestina em relação a proposta de Resolução, seu negociador-chefe, Saeb Erekat, comunicou à imprensa que aquele era um “dia de vitória” também para o direito internacional, que passava a ter, daquele dia em diante, uma linguagem mais civilizada e de negociação, além também de finalmente combater a rejeição total das forças extremistas em Israel.

———————————————————————————————–                     

Imagem 1Cartaz de um movimento pacifista: bandeiras de Israel e da Palestina e a palavra paz em Hebraica e Árabe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_israelo-palestino#/media/File:Israel_and_Palestine_Peace.svg

Imagem 2Câmara do Conselho de Segurança da ONU em Nova Iorque” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Segurança_das_Nações_Unidas

Imagem 3Benjamin Netanyahu” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu

[:]

AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

[:pt]Obama admite responsabilidades na situação da Síria[:]

[:pt]

Na metade do mês de dezembro passado, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), afirmou que seu governo possui responsabilidades na dramática situação em que se encontra a Síria. Durante coletiva de impressa na Casa Branca, provavelmente a última antes da posse de Donald Trump, em janeiro, Obama admitiu responsabilidades no conflito sírio, mas também teceu críticas à atuação do Governo sírio e seus aliados, mais precisamente a Rússia e o Irã, no combate ao Estado Islâmico (EI) e à retomada da cidade de Aleppo, no norte do país, salientando que essa campanha reforçou e estimulou a repressão do Governo sírio sobre os rebeldes.

O conflito sírio eclodiu em março de 2011, em Da’ra, na região sul do país, onde manifestantes pediram “o fim do estado de emergência, a legalização dos partidos políticos e o expurgo de oficiais corruptos do governo” (VIZENTINI, 2012, p. 147)[1]. Cabe pontuar, contudo, que a demanda pela abertura do regime remete ao ano 2000, quando Bashar al-Assad assumiu a Presidência da Síria, após a morte de seu pai e a legitimidade outorgada pelo partido Baas.

Em 2011, diante do agravamento da crise e o seu alastramento para outras regiões da Síria, os EUA e a União Europeia (UE) reforçaram as sanções ao país, que incluía o embargo de armas e o congelamento de ativos de oficiais do Governo. No entanto, as relações entre Estados Unidos e Síria já eram bastante conturbadas durante a presidência de George W. Bush. Por exemplo, a Síria foi incluída no chamado Eixo do Mal, sendo acusada pelos Estados Unidos de desenvolver armas de destruição em massa e por oferecer ajuda a fugitivos iraquianos.

O conflito na Síria já dura quase seis anos, deixou mais de 12 milhões de deslocados e milhares de mortos, no entanto, é impossível estimar um número preciso de vítimas fatais. Em julho de 2015, Ban Ki-moon, Secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que o conflito havia deixado mais de 250 mil mortos. Mais recentemente, em setembro do ano passado (2016), o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) afirmou que o número de vítimas passava de 300 mil, já para o Centro Sírio de Pesquisa Política o número de mortos no conflito chegava a 470 mil, já em fevereiro de 2016, conforme divulgado no The Guardian.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 13,5 milhões de pessoas na Síria necessitam urgentemente de assistência humanitária e, desses, mais de 9 milhões passam fome. Tais números são realmente assustadores e, não por acaso, a ONU e outros atores internacionais apontam que o conflito sírio se tornou a maior crise humanitária do mundo.

No último dia 16 de dezembro, durante seu pronunciamento na Casa Branca, Barack Obama assinalou que apesar das inúmeras reuniões com agentes políticos, militares e atores internacionais, não foi possível encontrar uma solução para atual situação síria. Para o presidente estadunidense, sua decisão foi adequada, até porque não havia apoio internacional para uma ação direta na Síria, que poderia resultar num conflito com a Rússia e o Irã, além disso, também não havia apoio do Congresso dos EUA, haja vista os trilhões de dólares que a guerra no Iraque havia custado ao país. Ainda durante a coletiva de imprensa, Obama declarou que não há um momento desde que assumiu a presidência onde não tenha sentido alguma responsabilidade, assim, todos os dias se questiona sobre suas responsabilidades, se há algo que poderia fazer para salvar vidas ou poupar alguma criança de sofrer.

Embora a administração Obama tenha logrado uma série de progressos, tais como a reaproximação com Cuba, o Acordo Nuclear com o Irã, a redução da taxa de desemprego, alguns analistas afirmam que a catastrófica situação síria deixará uma grande mancha no legado de Barack Obama. Parte das críticas ao Presidente, enfatizam que o maior erro do Governo Obama foi ter negado enfrentar a Síria, após a utilização de armas químicas pelo governo de Assad contra rebeldes, ainda no início do conflito. A Agência Angola Press (ANGOP), por exemplo, ressaltou as palavras usadas há 15 anos por Samanta Power, ex-jornalista e escritora que se tornou embaixadora dos EUA na ONU, apontando a situação de Ruanda e da antiga Iugoslávia, na qual questionava que “Os Estados Unidos tiveram inúmeras oportunidades de evitar um massacre, mas homens e mulheres honestos escolheram, em cada caso, desviar os olhos. Todos temos sido espectadores de um genocídio. A pergunta decisiva é: por quê?”. Nessa ordem de ideia, Rainer Sollich pontuou em sua análise para DW.de que o mundo assiste totalmente inerte o massacre em Aleppo e no resto da Síria.

Para muitos analistas essas palavras cabem bem a atual situação neste país. Nesse sentido, Michael Knigge, articulista da DW, apontava em 2013 que, com a indecisão em relação ao conflito, o presidente Obama não apenas fortaleceu os inimigos e enfraqueceu os apoiadores como também falhou em sua principal missão como líder. Para Knigge, desde que o conflito iniciou o Presidente dos EUA tem hesitado, não tem conduzido uma solução, mas apenas reagido à pressão de seu próprio Gabinete, da oposição e do agravamento do conflito. Ainda segundo o analista, os EUA não tinham, nem de forma genérica, uma estratégia para a Síria.

Outra crítica ao governo Obama refere-se ao programa de ajuda militar supervisionado pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), que, desde meados de 2014, vem fornecendo armas e treinamentos ao que o Governo chama de rebeldes moderados, em conjunto com outros países, tais como a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e a Turquia. Naquele ano, durante a Assembleia Geral da ONU, Obama, defendendo a ação militar promovida pela coalizão internacional formada por aproximadamente 60 países, afirmou que a única linguagem entendida por assassinos como esses é a da força, portanto os EUA iriam trabalhar em conjunto com uma ampla coalizão para desmantelar o grupo jihadista. Enquanto o Governo estadunidense apoiava os “rebeldes moderados”, a Rússia que teve papel importante na mediação para que o governo Assad destruísse estoques de armas químicas em 2013, entrou no conflito em meados de 2015, em apoio ao Governo sírio. Desde então, diversas vezes os EUA e Rússia buscaram estabelecer um cessar-fogo. Em setembro, após mais um colapso das negociações do cessar-fogo, os Estados Unidos viram diante de si o alinhamento de parte dos chamados rebeldes moderados ao ramo sírio da Al-Qaeda. Para Frederic Hof, ex-assessor de Obama na Síria, que no presente está no think tank Conselho Atlântico, a eclosão dessa “bagunça” precisará ser solucionada, mas muito provavelmente perdurará para além do primeiro mandato de Trump.

No final do mês de novembro passado, Recep Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia, afirmou que a administração Obama tem demonstrado uma abordagem pouco assertiva na resolução do conflito sírio. Durante uma entrevista à emissora CBS, conforme ressaltou o  Sputnik, Erdogan teceu críticas ao Governo dos EUA, argumentando que a guerra síria provocou ameaça à segurança nas fronteiras ao sul do país, minou suas capacidades defensivas e resultou em 3 milhões de refugiados sírios em território turco. Ainda em maio do ano passado, o Governo turco assinalava que a estratégia dos Estados Unidos para a solução do conflito na região era no mínimo dúbia.

Naquela ocasião, Mevlüt Cavusoglu, Ministro das Relações Exteriores da Turquia, categorizou a estratégia estadunidense de hipócrita. Isso porque, a agência de notícias AFP (Agence France-Presse) havia fotografado a presença de soldados dos EUA junto a uma milícia curda que combate o EI na região norte da Síria, próxima à fronteira da Turquia.   Essa milícia curda faz parte Unidade de Proteção do Povo (YPG), e é considerada terrorista pela Turquia. O Governo turco acredita que o YPG está ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atua fortemente na região desde 1984 buscando o estabelecimento do Estado Curdo. Em contrapartida, o YPG é considerado pelos EUA como um dos grupos armados mais eficazes para combater em solo o EI. 

Em respostas as críticas, Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, afirmou que é simplesmente ofensivo sugerir que os EUA e o mundo não fizeram nada para solucionar o conflito sírio. No entanto, ressalvou que os Estados Unidos aceitam sua responsabilidade, mas essa é responsabilidade particular, porque é o país mais influente no mundo. Ainda em novembro, durante a reunião da Cúpula de líderes de países da região do Pacífico, Barack Obama já assinalava sua opinião quanto às decisões do seu Gabinete. Naquele momento, salientou que os EUA não possuem base legal para um envolvimento militar no país estrangeiro, argumentando que promover uma intervenção seria um erro, haja vista o esforço empregado na estabilização do Afeganistão e do Iraque. Em seu recente pronunciamento na Casa Branca, o Presidente alegou que as propostas sugeridas não teriam promovido um cenário diferente do atual. Na crítica de Sollich, a vitória de Assad em Aleppo com apoio russo e iraniano pode representar um novo futuro, no qual países como Egito, Iraque e Líbano podem vir a simpatizar com essa nova “Ordem regional”, mas países como Arábia Saudita e seus tradicionais aliados no Golfo Pérsico contestarão, e por sua vez continuarão a armar grupos rebeldes.

Photographs by Ed Thompson

As responsabilidades sobre o agravamento da guerra síria, também foi ressaltada por Ban Ki-moon durante o encontro de emergência do Conselho de Segurança da ONU, ocorrida no último dia 13 de dezembro. Para o secretário-geral da ONU, “a história não nos absolverá facilmente, mas esse fracasso nos obriga a fazer ainda mais para oferecer ao povo de Aleppo nossa solidariedade nesse momento”. Nesse aspecto, o próprio Obama afirmou não haver dúvidas de que continuará a existir forças extremistas nessa região, mas é preciso mudar a maneira como todas as partes pensam o conflito, ou então o mesmo não findará.

Em 2013, alguns analistas apontavam que os ataques aéreos representavam uma nova guinada na política dos EUA no combate ao terrorismo. Hoje, muitas críticas surgem e ressurgem quanto ao posicionamento adotado pelo Governo Obama. Em seu discurso na base da força aérea MacDill, na Flórida, o Presidente estadunidense salientou que, ao invés de organizar invasões e sobrecarregar as tropas terrestres, os Estados Unidos construíram uma rede de parceiros que atuam em conjunto contra o terrorismo. Obama destacou ainda que manter os valores do país e aderir ao Estado de Direito não representa uma fraqueza, mas, sim, representa a maior força dos EUA, no longo prazo. No entanto, assim como ressaltado anteriormente pela nota publicada no CEIRI NEWSPAPER, é válido questionar se as estratégias adotadas até aqui conduzem realmente a estabilização da Síria, ou se, ao contrário, fragmentam e fomentam suas rivalidades, haja vista o cenário no Iraque. Embora esses casos sejam distintos em uma série de aspectos, desde a invasão em 2003, o Iraque vem sofrendo um progressivo processo de desmantelamento do Estado.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Destruição em Aleppo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria#/media/File:Bombed_out_vehicles_Aleppo.jpg

Imagem 2 Obama segurando o prêmio Nobel ao lado de Thorbjørn Jagland, presidente do Comitê do Nobel, em 10 de dezembro de 2009” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

Imagem 3 Mapa da Guerra Civil Síria, em agosto de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria#/media/File:Bombed_out_vehicles_Aleppo.jpg

Imagem 4Aperto de mãos entre Obama e o líder cubano Raúl Castro, em abril de 2015” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama

Imagem 58º SecretárioGeral da ONU” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ban_Ki-moon

———————————————————————————————–                    

Fonte Consultada:

VIZENTINI, Paulo Fagundes. A Primavera Árabe: entre a democracia e a geopolítica do petróleo. Porto Alegre: Leitura XXI, 2012

[:]