NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reaparição de al-Baghdadi e o futuro do Estado Islâmico

Depois de haver sido considerado morto, Abu Bakr Al-Bagdadhi, o líder supremo do Estado Islâmico (EI – ou Daesh, ou ISIS como também é nomeado), reapareceu para o público em um vídeo divulgado através da rede Al-Furqan, mecanismo mediático da organização, no dia 29 de abril.

Políticos e especialistas interessados no Oriente Médio buscam compreender o significado de sua repentina reaparição. Al-Baghdadi não havia se manifestado desde 2018, data da divulgação dos últimos áudios atribuídos a ele, já que setores das Forças Armadas russas haviam afirmado a possibilidade de o líder terrorista haver sido eliminado já em 2017.

Sua última aparição pública registrada em vídeo ocorreu em junho de 2014, quando discursou na Grande Mesquita al-Nuri, após a tomada da cidade de Mosul. Neste momento, al-Baghdadi aparecia como autoproclamado Califa, em território na Síria e Iraque, com extensão semelhante à do Reino Unido.

Na aparição recente, uma figura mais envelhecida abandona a postura clerical, posando em trajes militares junto a um fuzil. Em sua mensagem, agradece o apoio de militantes no Mali e Burkina Faso, bem como louva o sacrifício de combatentes das mais distintas nacionalidades na Síria. Lista recentes atos terroristas, como uma forma de vingança a ser perseguida pelas perdas que a organização sofreu nos últimos anos.

A mudança em sua postura poderia indicar para alguns uma alteração em relação ao público com quem o ISIS busca dialogar. Para o Primeiro-Ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, o vídeo foi uma “tentativa de motivar militantes e que o Daesh buscará novos ataques”.

O Estado Islâmico é hoje um problema difícil de caracterizar dentro da dinâmica política do Oriente Médio. Outrora detentor de uma pujante organização militar, com um exército que tomava cidade após cidade na região, atualmente, seus combatentes vêm sendo encurralados em combates, detidos ou mortos pelas forças de segurança dos governos locais.

Combatentes do Estado Islâmico desfilam após a tomada da cidade de Raqqa, no norte da Síria, em 2014. O grupo declarou a cidade como sua capital no mesmo ano

O ISIS não possui mais uma base física desde que as forças do governo da Síria em conjunto com SDF (Syrian Democratic Forces, grupo curdo que atua na região) expulsaram-no da cidade de Baghouz, na Síria. Ainda assim, muitos não consideram que seja uma ameaça desprezível, sobretudo pela capacidade de suscitar ações desestabilizadoras em distintos lugares.

Em sua breve aparição, o líder supremo da organização fez menções aos ataques ocorridos no Sri Lanka* e à batalha por Baghouz. Segundo reportou a Al-Jazeera, Baghdadi salienta o que os  “irmãos no Sri Lanka acalentaram os corações dos monoteístas, porque seus atentados sacudiram as camas dos cruzados durante a páscoa, para a vingança dos irmãos em Baghouz”**.

A alusão aos dois eventos do passado próximo representa para alguns analistas a determinação de que o vídeo é de fato recente. Além disso, pode indicar um incentivo à outra forma de ação, migrando de recrutar combatentes estrangeiros para uma disputa territorial, para uma ação terrorista transnacional, através de células adormecidas da organização.

Para além de suscitar o debate sobre a possibilidade de uma nova ascensão do Estado Islâmico, ou uma transformação nas atividades do grupo, a divulgação do vídeo no final do mês passado (Abril) produziu uma mobilização de alerta. O Reino Unido esclareceu que tropas da Real Força Área começaram imediatamente ações na Líbia, visando capturar o líder insurgente.

Também foi reafirmado pelo governo do Iraque que a organização permanece sendo uma “poderosa ameaça ao mundo”. Quanto à localidade do vídeo, somente foi afirmado que ele foi gravado em “uma localidade remota”, como um deserto. Especialistas em segurança divergem quanto as possibilidades. Hisham al-Hashemi, especialista em segurança para o governo do Iraque, afirma que o mais provável é que o outrora proclamado Califa encontre-se em um deserto na Síria ou no Iraque, localidades onde há ação de grupos de seus seguidores.

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Notas:

* Referência aos ataques do dia 21 de abril de 2019 (domingo de Páscoa), cuja autoria foi assumida pelo ISIS. Uma série de ataques à bomba em hotéis e igrejas cristãs na cidade de Colombo, capital do Sri Lanka, deixou 257 mortos e mais de 500 feridos.

** No contexto da mensagem, os “Monoteístas” são os seguidores do ISIS, enquanto os identificados como “cruzados” são os cristãos vitimados pelos ataques na Páscoa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O estandarte negro que foi proclamado como bandeira do Estado Islâmico” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_State_of_Iraq_and_the_Levant#/media/File:AQMI_Flag_asymmetric.svg

Imagem 2Combatentes do Estado Islâmico desfilam após a tomada da cidade de Raqqa, no norte da Síria, em 2014. O grupo declarou a cidade como sua capital no mesmo ano” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/ISIS_enters_Rakka.jpg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Defesa como pauta em Cabo Verde

A temática de Defesa, por diversas razões, tem elevada relevância nas políticas de Cabo Verde. A característica geopolítica do arquipélago se relaciona com as questões marítimas e sua posição no globo. Além dos fatores que englobam segurança, no tocante à insularidade, os aspectos internos também são privilegiados, como é o caso da estrutura das Instituições militares.

Neste contexto, o planejamento da condução militar de Cabo Verde contará com as perspectivas do Governo a partir de 2020. Foi aprovado, em maio de 2019, o Projeto de Lei que habilita o Conselho de Ministros a participar na reformulação do Estatuto dos Militares. A proposta tem como objetivo impulsionar a melhoria dos setores que compõem as Forças Militares. Com a reedição do Estatuto pretende-se reestruturar pontos específicos da organização institucional, compreendendo também a revisão salarial e o plano de carreira.

Soldados do Exército Popular de Libertação da China

De modo complementar, o intento para o aprimoramento das Forças cabo-verdianas ainda perpassa a esfera das relações exteriores, por meio da Cooperação Internacional. As relações estabelecidas com a República Popular da China no âmbito militar exemplificam o intento de Cabo Verde de desenvolver suas capacidades na esfera da Defesa Nacional.

O Acordo bilateral foi assinado no final do ano de 2018 com o objetivo de vigorar até 2021. De caráter financeiro, a cooperação chinesa se dará pela transferência de 10 milhões de dólares (aproximadamente 39 milhões de reais, de acordo com a cotação de 13 de maio de 2019) para a aquisição e modernização de equipamentos. Na perspectiva do então Ministro da Defesa cabo-verdiano, Luiz Filipe Tavares, a modernização dos setores que compõem a esfera militar visa fortalecer a atuação da Guarda Costeira de Cabo Verde.

Forças Armadas dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Inserido nas dinâmicas das Instituições Internacionais, a título de intercâmbio de experiências no que se refere à Defesa, pode-se considerar a Operação Felino da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Organizada em encontros anuais, a Operação tem como objetivo capacitar e treinar de forma coordenada as Forças Armadas dos Estados membros (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste).

Importante observar que no quadro de membros desta Organização se encontra a contribuição angolana, brasileira, portuguesa em Missões de Paz das Nações Unidas, e, no caso de Angola, na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês). Deste modo, atividades conjuntas, como a Operação Felino, poderiam contribuir para o almejado fortalecimento das estâncias militares cabo-verdianas. Consequentemente, a revisão interna das atribuições dos militares do arquipélago por parte do Estatuto, e a melhoria das condições de trabalho, tornam-se fundamentais para o desenvolvimento integral das Forças Armadas do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Componente naval das Forças Armadas” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_armadas#/media/File:NRP_Corte-Real_(F332)and_TCG_Gelibolu(F-493)_-_2008.jpg

Imagem 2 Soldados do Exército Popular de Libertação da China” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ex%C3%A9rcito_Popular_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_(China)#/media/File:Honor_guard_of_the_People%27s_Liberation_Army.jpg

Imagem 3 Forças Armadas dos Estadosmembros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (Fonte): https://www.cplp.org/admin/public/getimage.aspx?&Image=/Files/Billeder/cplp/CPLP_Felino_niuz.jpg&Resolution=75&Compression=80&Width=459&Crop=5&AlternateImage=files/templates/designs/PORTAL/images/alternativeImage.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil e México adicionam arroz e feijão à lista de comércio

No último sábado (dia 11 de maio), o Governo brasileiro, representado pela Ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o México, na figura do Secretário da Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Victor M. Villalobos, anunciaram com satisfação um novo acordo comercial. A partir de agora, o Brasil passará a exportar arroz beneficiado para o México e, em contrapartida, o país importará o feijão mexicano.

Preparando o feijão, conhecido como frijol no México

O acordo foi celebrado em Niigata, no Japão, durante a Reunião dos Ministros da Agricultura do G20. Arroz e feijão são ingredientes essenciais para as cozinhas dos dois países. “Receberemos feijão mexicano para completar nosso prato principal no Brasil, que é arroz e feijão”, disse a Ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina Dias, em um vídeo postado no Twitter.

Arroz, feijão, carne e batata. Prato principal do brasileiro

A medida foi tomada após a aprovação recíproca dos requisitos fitossanitários para o arroz beneficiado brasileiro e o feijão do México, negociados coordenadamente entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério das Relações Exteriores, pelo lado brasileiro, e a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México.

A decisão reforça a posição do Brasil como um dos dez principais exportadores mundiais de arroz e representa um passo importante para a diversificação das relações comerciais com o México, país com mais de 120 milhões de habitantes e que importa cerca de 80% do arroz consumido no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plantação de Arroz, Rio do Sul, Santa Catarina, Brasil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Arroz_097.jpg

Imagem 2Preparando o feijão, conhecido como frijol no México” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Phaseolus_vulgaris

Imagem 3Arroz, feijão, carne e batata. Prato principal do brasileiro” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Arroz_com_feij%C3%A3o

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia comemora o Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica*

Desde 1995, a Federação Russa realiza anualmente no dia 9 de maio paradas militares para relembrar a vitória do povo soviético contra a Alemanha nazista, em 1945. As comemorações ocorrem principalmente em Moscou, na Praça Vermelha, mas elas se estendem até outros países** que outrora faziam parte do bloco da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

As celebrações do Dia da Vitória deste ano (2019) tiveram a participação de 35 bandas militares marchantes e mais de 130 unidades de equipamentos militares modernos. O desfile foi prestigiado por Vladimir Putin, Presidente da Rússia; Dmitry Medvedev, Primeiro-Ministro da Rússia; e pelo convidado de honra, o Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

Durante o Evento, Putin realizou um discurso para destacar a importância das comemorações do dia 9 de maio e também para prestar homenagem a todos os antepassados que lutaram para proteger o país na Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Presidente, “o inimigo foi derrotado não apenas pela força dos equipamentos de combate e pelo poder militar. O importante é que as armas esmagadoras estavam nas mãos daqueles unidos em defender seus parentes e suas famílias (…). Todo o nosso povo honra e agradece a geração de vitoriosos. O caminho heroico deles não é distante para nós, é parte de nossas vidas, de nosso núcleo moral e uma medida de aspirações e intenções, de ações e feitos”.

Parada militar do Dia da Vitória em Moscou, na Praça Vermelha

O discurso também destacou a importância de manter a lembrança da Grande Guerra Patriótica intacta. Segundo Putin, em muitos países não é contada a verdadeira história para as gerações mais novas e isso é como se estivessem traindo seus ancestrais. Para o Presidente, “a memória sobre a Grande Guerra Patriótica, sobre a sua verdade, é a nossa consciência e a nossa responsabilidade. Hoje vemos como em alguns países eles estão deliberadamente distorcendo os eventos da guerra, como eles estão fazendo ídolos daqueles que se esqueceram de sua honra e dignidade humana e serviram aos nazistas”.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Marcha do Regimento Imortal

Além da Parada do Dia da Vitória na Praça Vermelha, também ocorreu no mesmo dia (9 de maio 2019) a Marcha do Regimento Imortal em Moscou, a qual celebra especificamente aqueles que lutaram e deram suas vidas pela proteção da antiga União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse Movimento, Putin participou andando pela Praça Vermelha segurando o retrato de seu pai, veterano da Grande Guerra Patriótica.

A Marcha não ocorre apenas na Federação Russa. Neste ano (2019), foi realizado em mais de 110 países e em 500 cidades pelo mundo o Movimento para relembrar os soldados da Segunda Guerra Mundial. Alguns exemplos de locais onde foi realizado as Comemorações foram: Argentina, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Hong Kong, Itália e Japão,

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Notas:

* A Grande Guerra Patriótica é o nome dado pelos soviéticos ao conflito militar travado no Leste da Europa durante a Segunda Guerra Mundial e, às vezes, também se refere aos embates contra o Japão Imperial em 1945.

** Os países que comemoram o mesmo Dia da Vitória que a Rússia são: Armênia, Azerbaijão, Belarus, Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Estônia, Geórgia, Israel, Cazaquistão, Quirquistão, Letônia, Lituânia, Moldova, Mongólia, Montenegro, Polônia, Sérvia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Discurso do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Parada da Vitória que comemora o 74º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/oaZ6BOttOqCARNhn2260ATquY6vAaadW.JPG

Imagem 2 Parada militar do Dia da Vitória em Moscou, na Praça Vermelha” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/e9L2TFinoqoNGgs25n73THPFEbyYWYq4.JPG

Imagem 3 Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Marcha do Regimento Imortal” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/zTlJTZY68DIoo0amdpfHANmnOCuvPH5B.JPG

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Colômbia inaugura 1º centro latino-americano da indústria 4.0

Foi inaugurado em 30 de abril de 2019 o Centro para a Quarta Revolução Industrial (em inglês, Center for Fourth Industrial Revolution, ou C4IR), na cidade de Medellín, com a presença de Ivan Duque, Presidente da Colômbia. A primeira instituição latino-americana dessa natureza trabalhará em projetos relacionados a Inteligência Artificial, internet das coisas, robótica, cidades inteligentes, aprendizagem automática e blockchain

O Presidente havia proposto, em 2018, abrigar o primeiro centro em país de língua espanhola. Em janeiro de 2019, a ideia foi acatada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e o anúncio foi feito pelo próprio mandatário colombiano, em conferência de imprensa realizada no evento, em 23 de janeiro de 2019.

O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum, ou WEF, em inglês) é uma organização internacional, sem fins lucrativos, criada em 1971, com sede em Genebra, Suiça, e busca engajar políticos, empresários e lideranças para elaboração de agenda global, local e industrial. O WEF se autodenomina como uma instituição “independente, imparcial e não vinculada a interesse específico”. As críticas ao WEF fizeram nascer o Fórum Social Mundial, como um contraponto de ideias e o slogan “um outro mundo é possível”.

Os Centros para a Quarta Revolução Industrial (C4IR) são espaços que reúnem diversos stakeholders para elaborarem políticas e estabelecerem acordos de colaboração que permitam superar entraves e acelerar os benefícios da ciência e da tecnologia. O primeiro C4IR foi estabelecido em março de 2017, em San Francisco, Estados Unidos; em 2018 foi a vez da Índia, China e Japão. Em 2019 foram abertas as unidades dos Emirados Árabes Unidos (28 de abril), da Colômbia (30 de abril) e a rede de C4IRs em breve contará com unidades na África do Sul e Israel.

Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google

Duque, que tem buscado colocar seu país na vanguarda da indústria 4.0, ou  quarta revolução industrial, esteve nos Estados Unidos, nos dias 8 e 9 de maio de 2019,  onde cumpriu agenda de visitas a  megaempresas da área tecnológica. No primeiro dia, no Vale do Silício, ele esteve acompanhado de 14 empreendedores colombianos que tiveram a oportunidade de apresentar seus negócios e casos de sucesso. A aceleradora de empreendimentos 500 Startups interessou-se em apoiar os jovens empresários.

A Apple manifestou interesse em participar do C4IR de Medellín, apoiar na área de educação e em políticas ambientais. Com a Cisco foi assinado um acordo para modernização das instituições públicas, dentre outras coisas. Ivan Duque pediu à Google apoio para estender o acesso à internet a lugares remotos e que identificasse empreendedores nativos que possam colaborar no trabalho.

Segundo ele, a Microsoft prometeu investir quase 10 bilhões de pesos (cerca de 12 milhões de reais à taxa de 10 de maio de 2019) em conectividade para atender em torno de 150 mil pessoas, cujo acesso à tecnologia é precário. Na Amazon, o Presidente encontrou colombianos que trabalham na empresa e iniciou conversações para o estabelecimento de uma parceria.

Em Medellín já existe o centro de inovações e negócios Ruta N, em cujo complexo está também sediado o C4IR e, além disso, funciona em Bogotá o Innpulsa, instituição de gestão do crescimento empresarial do governo federal.  Embora criada em 2012, na gestão de Juan Manuel Santos, antecessor de Duque, a organização tem como objetivos atuais levar a Colômbia a ser uma das 3 economias mais inovadoras até 2025, e uma das mais competitivas da América Latina até 2032.

Além das instituições existentes no país e dos investimentos que estão sendo feitos, Ivan Duque aposta na indústria criativa, também conhecida como economia laranja. Duque é coautor do manual “A Economia Laranja: uma oportunidade infinita”, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e disponível para download em quatro idiomas. Ao final das visitas ele declarou que tem como meta que a Colômbia seja vista como protagonista na América Latina, atraindo investimentos e obtendo êxito no setor tecnológico e de indústrias criativas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Complexo Ruta N, onde funciona o C4IR de Medellín” (Fonte): https://www.rutanmedellin.org/images/rutan/edificio/arutan.jpg

Imagem 2 Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google” (Fonte): https://id.presidencia.gov.co/Galeria_Fotografica/190508-Google-1800.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Discurso de Xi Jinping enfatiza a sustentabilidade ao longo da Nova Rota da Seda

Ocorreu no final de abril (2019) o II Fórum da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) em Pequim, na China. O comunicado conjunto do evento reuniu 37 Estados, apontando crescimento em relação aos 29 países que estiveram presentes na primeira edição do evento que ocorreu em 2017. Neste ano (2019), foram fechados 283 acordos, totalizando US$ 64 bilhões* em investimentos anunciados. 

Os investimentos estrangeiros diretos da China em 56 dos países que compõem a Belt and Road Initiative cresceram 8,9% em 2018, se comparados ao ano de 2017. Estima-se que entre 2014-2017 mais de US$ 120 bilhões** tenham sido efetivamente destinados pela China no arcabouço da BRI. Os projetos na área de energia compõem 44% do montante, seguidos pelo setor de transporte que compõe 30% do total. Estima-se que existam mais de US$ 3,6 trilhões*** de investimentos anunciados e/ou planejados ao longo da Nova Rota da Seda.

Xi Jinping, mandatário da China

A China visa promover a BRI como uma ampla visão para a integração internacional, promovendo valores como a cooperação para ganhos mútuos (win-win), o estímulo aos fluxos de comércio e finanças, a coordenação de políticas econômicas e a construção de infraestrutura como via de desenvolvimento para os países emergentes. O discurso de Xi Jinping durante o evento enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável e de energias renováveis como metas para a Belt and Road Inititative (BRI) nas próximas décadas.

Além disto, o mandatário abordou cinco principais pontos na sua fala: 1) aumentar a abertura do mercado chinês para empresas estrangeiras; 2) fortalecer os mecanismos de cooperação internacional para a proteção dos direitos de propriedade intelectual; 3) expandir a importação de produtos estrangeiros; 4) expandir o engajamento da China na coordenação de políticas macroeconômicas de acordo com os padrões internacionais; 5) aprofundar o processo de reformas e abertura da economia chinesa.

Países membros da Belt and Road Initiative

Desde o lançamento da Iniciativa no ano de 2013, a falta de clareza quanto aos projetos envolvidos e às diretrizes necessárias para que os diferentes empreendimentos pudessem ser considerados como parte da BRI levantou suspeitas a nível internacional. Os chineses parecem ter ouvido algumas das principais críticas realizadas por observadores internacionais, haja vista o discurso de Xi Jinping enfatizar a transparência e a necessidade de se cumprir acordos e seguir as normas do direito internacional. O endividamento dos países que contraem empréstimos chineses através da BRI é uma questão comumente apontada por analistas internacionais.

Um recente estudo lançado pelo Rhodium Group analisou quarenta (40) casos de renegociação de dívidas contraídas através da BRI entre os anos de 2013-2017. Os principais resultados afirmam que a renegociação das dívidas tem sido frequente, o que pode levar a China a ser mais cautelosa com os seus empréstimos no futuro. A apreensão de bens e infraestrutura, como foi o caso da aquisição do porto de Hanbantota no Sri Lanka, após o país não ter podido saldar o compromisso com a dívida, ocorreu em raríssimos casos. Por fim, embora existam assimetrias de poder e recursos entre a China e os países receptores de financiamento, o Reino do Meio tem tido dificuldades em conduzir a renegociação dos termos dos empréstimos ao seu favor. Apontam-se ainda os casos mais extremos de risco, como é a Venezuela, que recebeu US$ 62 bilhões de dólares em investimentos chineses**** na última década e atualmente se encontra em uma situação de grande instabilidade política e econômica.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030

Foi lançada neste mês (maio) uma plataforma junto à UNCTAD para catalogar os projetos ligados à BRI, o que é um avanço importante. Antes disto, a compilação de projetos de infraestrutura ligados ao plano era feita de maneira informal por think tanks e diferentes centros de pesquisa, na ausência de uma base de dados oficial.

Em diversos pronunciamentos, a China se mostra engajada com os objetivos do desenvolvimento sustentável lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2030. Entretanto, a ênfase na sustentabilidade anunciada por Xi Jinping entra em conflito com a realidade da BRI: mais de 90% dos projetos de energia envolvidos na Nova Rota da Seda concentram-se em torno do setor de combustíveis fósseis. A exemplo dos esforços domésticos empreendidos pelo país para a mudança gradual da sua matriz energética, é possível que a BRI se torne cada vez mais verde e sustentável, a questão é saber o tempo que isso demorará para efetivamente acontecer. O ponto positivo é que parece haver vontade política para promover tal mudança.

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Notas:

* Aproximadamente, 253,14 bilhões de reais, conforme cotação de 10 de maio de 2019.

** Em torno de 474,64 bilhões de reais, conforme a mesma cotação.

*** Próximos de 14,24 trilhões de reais, ainda de acordo com a cotação de 10 de maio de 2019.

**** Aproximadamente, 245,23 bilhões de reais, pela mesma cotação de 10 de maio de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Energias renováveis” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Renewable_Energy_on_the_Grid.jpg

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Xi_Jinping_2016.jpg

Imagem 3 Países membros da Belt and Road Initiative” (Fonte): https://www.silkroadbriefing.com/news/2019/04/29/2019-belt-road-forum-xi-jinping-actually-said-terms-belt-road-development-china-market-access/

Imagem 4 Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Sustainable_Development_Goals.jpg