AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Primeiras-Damas latinas criam aliança internacional de cooperação

As Primeiras-Damas de treze países ibero-americanos estiveram reunidas por videoconferência no dia 6 de agosto de 2019. Comprometeram-se a promover projetos sociais voltados à mulher e à infância, no encontro que foi considerado a primeira reunião da Alianza de Primeiras-Damas (ALMA).

Participaram da reunião virtual as esposas – ou seus representantes – dos Chefes de Estado dos seguintes países: Argentina,  Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e República Dominicana. A coordenação da ALMA estará a cargo do Paraguay até 2020, razão pela qual o site da instituição tem o domínio gov.py. A conferência virtual e a criação da ALMA foi noticiada por diversos organismos da mídia, segundo consta no próprio site da entidade.

Marca da ALMA

A ideia de formação da Aliança surgiu em recente Assembleia Geral das Nações Unidas, por iniciativa da Srª Silvana Abdo, Primeira-Dama do Paraguai, e  prevê a cooperação com agências das ONU tais como Cepal, ONU Mulheres, Unesco, Unicef e a participação de mulheres que dirigem tais instituições.

Ana García de Hernández e Patricia Marroquín de Morales, respectivamente esposas dos Presidentes de Honduras e da Guatemala, relataram visita ao Equador, onde fizeram benchmarking de projetos sociais. O encontro que durou quase duas horas deu origem a uma declaração que reúne desejos e inquietações das participantes.

As participantes compartilharam boas práticas de ação social e, ao final, a Srª Rocío de Moreno, do Equador, propôs que, em setembro,  na 74ª Assembleia Geral da ONU, cada uma das Primeiras-Damas apresente um projeto do qual está participando. A sugestão foi acatada pelas suas contrapartes, que organizarão uma reunião para apresentar um projeto de cada país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeirasDamas da América Latina” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-pantalla-2019-08-06-a-las-20.07.27.png

Imagem 2 Marca da ALMA” (Fonte): http://www.alma.gov.py/application/files/cache/0a4c0fe7e73c2e70a605a7f65ef095f6.png

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministros de Negócios Estrangeiros da China, Japão e Coreia do Sul se encontrarão em meio a tensões

Os Ministros de Negócios Estrangeiros Taro Kono, do Japão, e Kang Kyung-wha, da Coreia do Sul, se encontrarão com o seu congênere chinês, Wang Yi, em Pequim, entre terça-feira e quinta-feira (dias 20 a 22 de agosto de 2019). O último encontro desse tipo ocorreu em 2016, informa o jornal South China Morning Post.

Espera-se que Kang e Kono se encontrem reservadamente durante o evento, pela primeira vez desde que o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, pediu que os dois países dialoguem para que reparem suas relações, que se encontram tensionadas devido às suas diferenças em relação a comércio e ao período da ocupação japonesa na Península Coreana entre 1910 e 1945.

Bandeiras da Coreia do Sul e do Japão

As relações nipo-coreanas estão acumulando tensões desde 2018, quando a Suprema Corte da Coreia do Sul ordenou que as empresas japonesas compensem alguns trabalhadores coreanos que foram escravizados durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, Tóquio não acatou à decisão e afirma que esta questão já foi resolvida no Tratado de 1965 que normalizou as relações entre os dois países.

Além disso, ambas as nações atingiram um ponto delicado no início deste mês (agosto de 2019), quando o Japão decidiu acabar com o status de “parceiro comercial favorecido” da Coreia do Sul, alegando que o país estava vazando, não-intencionalmente, informações sensíveis para a Coreia do Norte. Seul negou as acusações e alertou que consideraria terminar o pacto de compartilhamento de inteligência que possui com o Japão e que é renovado anualmente no dia 24 de agosto.

O encontro entre os Ministros de Negócios Estrangeiros da China, Japão e Coreia do Sul ocorre desde 2008 e possui o intuito de promover a cooperação regional. O Ministério de Negócios Estrangeiros da China declarou: “Nós esperamos que encontro ajude a reforçar a institucionalização e a substanciar as fundações do mecanismo cooperativo tripartite”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapas em destaque da China, Japão e da Coreia do Sul” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=20&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&search=japan+china+south+korea&advancedSearch-current={}#/media/File:China-Japan-South_Korea_trilateral_meeting.png

Imagem 2 Bandeiras da Coreia do Sul e do Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=japan+south+korea&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=b011stx6lflos90bbdqp4pl33#%2Fmedia%2FFile%3AFlag_of_Japan_and_South_Korea.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

CEPAL divulga dados do Investimento Estrangeiro Direto na América Latina em 2018

Na última quarta-feira, 14 de agosto de 2019, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe lançou em Santiago (Chile) seu relatório anual sobre Investimento Estrangeiro Direto na região. No documento, há uma análise sobre a evolução das entradas desse tipo de investimento, bem como sobre a contribuição desses fluxos para os processos de desenvolvimento produtivo.

Diferentemente da perspectiva reducionista, após cinco anos, houve o registro positivo de entradas em 13,2% em 2018 em comparação com 2017, totalizando 184,3 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 747 bilhões de reais). Portanto, conclui-se que o cenário econômico mundial pautado pelas disputas entre Estados Unidos e China não afetou substancialmente os fluxos de capital no local.

Com base nas informações do estudo, o discurso da Secretária-Executiva – Alicia Bárcena (CEPAL), sinaliza que “ao analisar os diferentes componentes do IED, observa-se que a recuperação do dinamismo em 2018 não se baseou na entrada de aumentos de capital, que seria a fonte mais representativa do interesse renovado das empresas para se estabelecerem nos países da região, mas no crescimento do reinvestimento dos lucros e dos empréstimos entre empresas”.

Em linhas gerais, 16 países apresentaram aumento das entradas em comparação com 2017 e, em 15 países, ocorreu o oposto. A maior parte do crescimento em 2018 é explicada pela ingestão estrangeira de recursos na economia do Brasil (88,3 bilhões de dólares, em torno de 357 bilhões de reais, 48% do total regional) e do México (36,9 bilhões de dólares, aproximadamente, 149 bilhões de reais, 20% do total).

Relatório da CEPAL avalia oscilações do investimento estrangeiro direto na América Latina e Caribe – Foto: PEXELS

Sobre a situação apresentada na América Central, houve saldo positivo de 9,4% em relação a 2017 devido ao impulso do Panamá. No Caribe, as entradas diminuíram 11,4%, devido aos menores investimentos na República Dominicana (-29%), o principal receptor nessa sub-região.

Em se tratando dos setores que captaram estes recursos, 47% das entradas de IED direcionaram-se para a indústria manufatureira, 35% para serviços e 17% para recursos naturais. Assim, os principais investidores são oriundos da Europa (que tem uma maior presença no Cone Sul) e Estados Unidos (principal investidor no México e na América Central).

Por fim, a atuação de países asiáticos, a China, por sua vez, perdeu participação em fusões e aquisições na América Latina e no Caribe. No mesmo período, a República da Coreia destacou-se com a modalidade de novos projetos de investimento (greenfield) e tem apoiado o desenvolvimento de manufaturas de alto valor agregado na região, especialmente na indústria automobilística do México e do Brasil. 

Para maiores informações o texto pode ser lido na íntegra neste link (em espanhol).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Alicia Bárcena, SecretáriaExecutiva da CEPAL, apresentou o relatório no Santiago do ChileFoto: Jesús Inostroza/CEPAL”(Fonte): https://www.cepal.org/pt-br/comunicados/o-investimento-estrangeiro-direto-america-latina-caribe-aumentou-132-2018-revertendo

Imagem 2Relatório da CEPAL avalia oscilações do investimento estrangeiro direto na América Latina e CaribeFoto: PEXELS”(Fonte): https://nacoesunidas.org/onu-divulga-relatorio-sobre-investimento-estrangeiro-direto-na-america-latina/

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Participação da mulher moçambicana na política

O sufrágio feminino foi um avanço significativo na participação das mulheres nas tomadas de decisão no espaço democrático em que vivem. Contemporaneamente, a atuação feminina em cargos de poder tornou-se uma pauta amplamente discutida na sociedade civil, como mais um passo para a inserção da mulher no cenário político.

Em termos de compreensão a nível global, de acordo com o programa das Nações Unidas para as igualdades de gênero e empoderamento feminino, UN Women, até junho de 2019 apenas 11 mulheres eram Chefes de Estado, e 12 estavam no cargo de Chefe de Governo. No que tange a representatividade em Parlamentos, em 27 Estados analisados pelo programa, menos de 10% destes possuem mulheres parlamentares.

Logo da agência UN Women

Em perspectiva à situação apresentada por Moçambique, as dinâmicas eleitorais em um sistema multipartidário são relativamente recentes, sendo realizadas as primeiras eleições presidenciais e legislativas neste regime em 1994. Entretanto, há desafios que se mantém em tal cenário, como destacou a investigação realizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Econômicos (IESE) de Moçambique sobre as abstenções de voto, a partir de dados coletados nas eleições de 2014.

Neste tocante, pode-se notar que tal fenômeno pode ser identificado entre diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade e politização. Contudo, a diferença na participação no sufrágio também se identifica entre homens e mulheres, de forma que a abstenção é maior a nível nacional entre as mulheres (22%) do que entre homens (18%).

Faz-se importante destacar que, no que se refere à abstenção e ocupação profissional, os trabalhadores informais e desempregados, estudantes e os trabalhadores rurais configuram a maior porcentagem, ou seja, 24%, 21% e 19%, respectivamente. Para tanto, cabe observar que a força de trabalho no campo em Moçambique é realizada majoritariamente por mulheres (87,3%), apesar de não configurarem a maior porcentagem no que se refere à posse de terras cultivadas, como destaca o UN Women, onde apenas 25% são proprietárias.

Alice Mabota, Presidente da Liga de Direitos Humanos de Moçambique

Dada a proximidade das eleições presidenciais, a ser realizada em 15 de outubro de 2019, o país já passou a movimentar-se para o pleito. Mais recentemente, no mês de agosto deste mesmo ano ocorreram manifestações relacionadas ao baixo engajamento das mulheres no processo decisório democrático, incentivando a mudança na postura do eleitorado feminino.

Concomitante a esta nova abordagem adotada pela sociedade civil, a pré-candidatura de Alice Mabota também representou uma mudança nas perspectivas de voto, tendo em vista que a ativista de direitos humanos seria, até então, a primeira mulher a concorrer ao cargo de Presidente, pelo partido Coligação Aliança Democrática. Entretanto, a sua candidatura foi recusada pelo Conselho Constitucional por não atingir os atributos legais para tornar-se elegível.

Apesar de não estar na corrida à Presidência, a presença feminina, mesmo que no período pré-eleitoral, representa um passo importante para o reconhecimento das mulheres na política. Igualmente, aliada a políticas públicas de incentivo à participação feminina no sufrágio, a maior participação no processo decisório seria beneficiada pela presença de candidatas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique” (Fonte): https://www.facebook.com/cne.org.mz/photos/a.893567724041551/893567754041548/?type=3&theater

Imagem 2Logo da agência UN Women” (Fonte): https://www.unwomen.org/https://www.unwomen.org/-/media/un%20women%20logos/un-women-logo-social-media-1024×512-en.png?vs=2759

Imagem 3Alice Mabota, Presidente da Liga de Direitos Humanos de Moçambique” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Alice_Mabota#/media/File:Alice_Mabota_VOA.png

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A militarização do estreito de Hormuz

O Estreito de Hormuz, faixa oceânica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, tornou-se tema de acaloradas discussões nos últimos meses. Especificamente nas últimas semanas, os Estados Unidos apresentaram a proposta de aumentar a presença militar na região, visando proteger o tráfego de navios comerciais na área. 

A passagem é de importância econômica reconhecida pelo mundo inteiro e as tensões preocupam vários países. Pelo Estreito de Hormuz passam diariamente 21 milhões de barris de petróleo. Em 2018, de acordo com Agência de Informação sobre Energia (EIA, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos, a quantidade de combustível cruzando a região representou 21% do total consumido no mundo.

Mapa do Estreito de Hormuz, incluindo a divisão territorial

Segundo os Estados Unidos, os aliados são conclamados a somar esforços para pressionar o Irã e mitigar o que o Secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, classificou como “um comportamento desestabilizador”. A proposta foi estendida a cerca de 30 países, dos quais somente o Reino Unido e Israel garantiram participação. A Alemanha e o Japão recusaram a participação, temendo um possível desequilíbrio.  

Desde julho de 2019 uma escalada de agressividade militar tem tomado lugar na região: a Guarda Revolucionária do Irã derrubou um Veículo Aéreo Não-Tripulado que sobrevoava o que o governo iraniano informou ser seu espaço aéreo sobre a região; os Estados Unidos afirmam ter derrubado um VANT iraniano também sobre o Estreito de Hormuz, ainda que Teerã não reconheça a perda; e a Marinha do Irã alega haver interceptado três cargueiros, incluindo um navio-tanque britânico transportando petróleo.

Navios Velayat-90, da Marinha Iraniana, realizam exercício naval

Em recente conferência realizada no Turcomenistão, o vice-presidente iraniano Eshaq Jahangiri afirmou que “a segurança da região somente pode, e deve, ser estabilizada pelos países da região”. Segundo Jahangiri, o Estreito de Hormuz é “uma linha vermelha” para o Irã e , de acordo com ele, as ações estadunidenses são “provocativas”.

Por hora, as ações militares não são claras. Somente o Reino Unido afirmou que destacará dois navios de guerra para a região. O Irã afirmou através do Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores que o envio de navios de guerra israelenses para esta iniciativa será considerada como uma ameaça à sua soberania, e que este elemento sozinho pode “desencadear uma crise”.

O destroier USS Jason Dunham realiza exercício naval no Egito

Outros países na área apressaram-se em expressar uma veemente negativa. O Ministro das Relações Exteriores do Iraque, Mohammed Ali al-Hakim, afirmou em suas redes sociais que a presença israelense no Golfo Pérsico é “inaceitável”.

Em recente declaração sobre o momento político que vive a região, o Ministro de Indústria e Comércio de Singapura, Koh Pon Koon, afirmou que Estados Unidos e Irã devem buscar entendimento em sua projeção de disputa, no interesse de manter “as linhas de comunicação marítimas abertas, livres e seguras”. Um potencial conflito poderia ter efeitos sensíveis no abastecimento energético global.

De acordo com a EIA, a inaptidão ao trânsito em um gargalo central como Hormuz, ainda que temporária, resultaria em severos atrasos, bem como aumento nos custos de transporte e energia no geral.

Há uma capacidade limitada para contornar uma possível interrupção do trânsito no Estreito. Somente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem uma rede de oleodutos capazes de entregar óleo bruto contornando a rota de Hormuz. A capacidade conjunta das redes nos dois países é de 6,5 milhões de barris por dia.

Em 2018, ambos transportaram uma média de 2,7 milhões de barris por dia, contando, portanto com uma capacidade ociosa de 3,8 milhões barris ao dia, distante de suprir o transporte dos 21 milhões que cruzam o Estreito diariamente, em uma eventual emergência.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Comboio da Marinha dos Estados Unidos atravessa o Estreito de Hormuz em 2016”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Strait_of_Hormuz#/media/File:CVN_69_transits_the_Strait_of_Hormuz_(28465403076).jpg

Imagem 2Mapa do Estreito de Hormuz, incluindo a divisão territorial” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Strait_of_Hormuz#/media/File:Strait_of_hormuz_full.jpg

Imagem 3Navios Velayat90, da Marinha Iraniana, realizam exercício naval” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_Republic_of_Iran_Navy#/media/File:Iranian_Velayat-90_Naval_Exercise_by_IRIN_(5).jpg

Imagem 4O destroier USS Jason Dunham realiza exercício naval no Egito”(FonteEspecialista em Comunicação Massiva 3a Classe Jonathan Clay/Marinha dos Estados Unidos): https://www.dvidshub.net/image/4532965/us-navy-photo-mass-communication-specialist-3rd-class-jonathan-clay-released

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Observadores apontam que explosão em base militar na Rússia apresenta caráter nuclear

No dia 8 de agosto (2019), ocorreu uma explosão em uma base militar na Rússia em Nyonoksa, localizada ao norte do país, no Mar Branco. A companhia nuclear estatal russa, Rosatom, logo emitiu um comunicado afirmando que ocorreu um acidente durante testes com um motor de foguete de propelente líquido, o qual ocasionou um incêndio a bordo de um navio atracado no porto. Ainda segundo a declaração, duas pessoas teriam morrido por conta da casualidade e outras 6 teriam sido feridas.

Entretanto, a informação começou a ser contestada quando autoridades de Severodvinsk, cidade localizada a 30km da base militar, divulgaram em site oficial que os níveis de radiação tinham se alterado levemente após a explosão. Tal informe causou agitação entre os moradores, os quais saíram em busca de iodo nas farmácias locais, substância conhecida por minimizar os efeitos da radiação no organismo. A publicação no website da cidade acabou sendo apagada e o governo russo seguiu negando o caráter nuclear do acidente.

Entretanto, o posicionamento das autoridades não acalmou a população e nem os observadores internacionais. Primeiramente, de acordo com especialistas, testes que envolvem mecânica de mísseis não envolve material atômico, então, é instigante que os níveis radioativos da cidade tenham indicado uma alta. Houve também muita movimentação de paramédicos em trajes especiais de proteção contra radiação ao transportar os feridos para um hospital em Moscou. O porto da Baía Dvina, onde localiza-se a base militar, fechou-se ao recebimento de embarcações por um mês e um quebra-gelo nuclear responsável por coletar e armazenar lixo líquido atômico atracou na região do acidente.

Logo da Corporação Estatal de Energia Nuclear Rosatom

Após essas constatações, no sábado, dia 10 de agosto (2019), a Rosatom informou que além das duas mortes confirmadas, outros cinco funcionários faleceram devido a um acidente causado por testes que envolviam fontes de energia isotópicas. Isto é, houve de fato vazamento de material radioativo, porém, não informaram o que foi detonado, nem que tipo de experimento estava sendo realizado, ou o quanto de radiação foi exposta.

A mídia ocidental especula que a explosão ocorreu durante o experimento de um novo míssil de longo alcance que seria abastecido por um reator nuclear. Ano passado (2018), o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que estaria testando um novo míssil chamado de 9M730 Burevestnik, conhecido pela OTAN por SSC-X-9 Skyfall. Tal armamento foi apresentado sob a possibilidade de alcançar qualquer canto do planeta por utilizar energia atômica, e suas características específicas também impedem que o Skyfall seja percebido ou até mesmo abatido pelos mais atuais sistemas antimísseis pelo mundo.

Acidente Nuclear em Chernobyl em 1986

O acidente ocorrido em Nyonoksa estabelece mais um patamar na tensão entre Rússia e Estados Unidos após o término do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês). Sem esse Acordo, testes e utilização desse tipo de armamento não estão sob os auspícios de nenhuma agência de controle, o que escalona uma corrida armamentista entre os dois Estados.

Além disso, apontam observadores que ocultamento das autoridades russas sobre o que realmente aconteceu na última semana assemelha-se ao acidente em Chernobyl, em 1986. Na época, ainda União Soviética, não foi divulgado o grau do acidente, o que causou um grande aumento de vítimas intoxicadas e afetadas pela radiação. O acontecimento em Nyonoksa, especula-se, foi em uma escala bem menor, mas pode ser um dos piores acidentes nucleares desde Chernobyl.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Nuvem de cogumelo causada pela explosão da bomba nuclear na cidade de Nagasaki, no Japão, em 9 de agosto de 1945” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e0/Nagasakibomb.jpg/800px-Nagasakibomb.jpg

Imagem 2Logo da Corporação Estatal de Energia Nuclear Rosatom” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/a/ab/Rosatom_logo.png

Imagem 3Acidente Nuclear em Chernobyl em 1986” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/1/1b/Chernobyl_Disaster.jpg