NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Repressão à greve de professores aumenta preocupação com repressão na Jordânia

O governo da Jordânia vem sendo objeto de recorrentes críticas de associações de direitos humanos pela maneira como vem lidando com a greve de professores no país. As denúncias incluem recorrente repressão policial, até o desligamento da internet e redes sociais em distintas regiões do país para evitar que os protestos ganhem visibilidade.

As manifestações começaram após uma decisão do governo local de congelar os gastos públicos em abril. Com esta medida, não foi possível cumprir um acordo estabelecido em 2014 com o Sindicato dos Professores da Jordânia, que previa um aumento salarial de 50% para toda a categoria ao longo do ano de 2020.

Fundada em 2011, a Associação dos Professores da Jordânia possui hoje mais de 100 mil membros em todo o país e é considerada por muitos observadores internacionais como uma das poucas organizações sindicais independentes a operar na Jordânia. O sindicato é notoriamente bem articulado e foi responsável por organizar a maior paralisação do setor público na história jordaniana, em outubro de 2019.

No dia 25 de julho, após a instauração de um processo contra o dirigente sindical Nasser Nawasreh por incitar um discurso contra o governo, a polícia executou mandados de busca e apreensão por todo o país, resultando na prisão de Nawasreh e outros 12 dirigentes sindicais. A pedido do Advogado-Geral do Reino da Jordânia, Hassan Abdallat, o sindicato também foi proibido de operar no país por dois anos em consequência das acusações.

Nawasreh e os demais dirigentes foram liberados no dia 23 de agosto, após completar quase um mês de detenção sem julgamento ou fiança. A decisão que revoga o direito de o sindicato operar permanece vigente, apesar da pressão do governo que levou à retomada de parte das aulas presenciais na rede pública no dia 1º de setembro.

Policiais bloqueiam rua durante protesto dos professores na cidade de Irbid, Jordânia – Página oficial da Human Rights Watch

As prisões levaram a um aumento dos protestos, que passaram a envolver não somente professores, mas também outros cidadãos que se manifestaram contra a repressão do governo. Uma investigação estima que quase mil professores e pelo menos dois jornalistas foram presos durante as manifestações que sucederam a proibição do sindicato.

O governo local reagiu impondo mais restrições aos protestos e sua divulgação. Uma ordem do Procurador Geral da Jordânia proibiu a difusão de informações sobre a greve em veículos de notícias locais.

Muitas medidas aprovadas durante o surto de infecções causadas pelo novo coronavírus também passaram a ser utilizadas pelo governo jordaniano para proibir protestos e como fundamento para a repressão policial. A escalada dos meios repressivos tem gerado preocupação em distintos observadores internacionais.

O Porta-Voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Rupert Colville, declarou que os recentes eventos são evidências “de um padrão crescente de supressão das liberdades públicas e da restrição do espaço cívico e democrático pelo governo jordaniano, inclusive contra ativistas dos direitos trabalhistas, defensores dos direitos humanos, jornalistas e aqueles que criticaram”.

O diretor adjunto da organização para o Oriente Médio, Michael Page, declarou que o fechamento do sindicato dos professores “levanta sérias preocupações quanto ao respeito do governo pela lei” e que “a falta de transparência e a proibição da discussão deste incidente em redes sociais somente reforça conclusão de que as autoridades estão violando direitos dos cidadãos”.

Por meio de distintas redes sociais os manifestantes têm denunciado tanto a violência policial quanto cerceamentos à liberdade de expressão no país. Denúncias indicam que houve restrições de acesso a internet e a certas plataformas. A Netblocks denunciou que o serviço de transmissão ao vivo do Facebook foi derrubado durante os protestos dos professores no país.

A Jordânia sempre foi reconhecida em meio à comunidade internacional por manter respeito a certas liberdades civis, ainda mais em comparação com outros vizinhos. Entretanto, a escalada da repressão e o uso de mecanismos estatais tanto para diminuir a ação de entidades da sociedade civil quanto do debate público tem gerado preocupação quanto a uma possível escalada autoritária no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestantes se reúnem em frente a sede da Associação dos Professores da Jordânia na cidade de IrbidPágina oficial da Human Rights Watch” (Fonte):

https://www.hrw.org/news/2020/08/27/jordan-arrests-forced-dispersal-teacher-protests

Imagem 2Policiais bloqueiam rua durante protesto dos professores na cidade de Irbid, JordâniaPágina oficial da Human Rights Watch” (Fonte):

https://www.hrw.org/news/2020/08/27/jordan-arrests-forced-dispersal-teacher-protests

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China promete fornecer mais tropas para as operações de paz das Nações Unidas

Pequim prometeu aumentar o número de soldados que fornece para as missões de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU), já que o Exército de Libertação Popular (ELP) completa 30 anos de envolvimento em tais operações, informa o jornal South China Morning Post.

O governo chinês afirmou que o ELP iria “continuar a construir a força de manutenção de paz de 8.000 soldados e manter um alto nível de preparação”. Também indicou que o ELP fornecerá navios, unidades de resposta rápida e outros equipamentos, se necessário.

Em 2015, o Presidente da China, Xi Jinping, prometeu criar uma força de reserva de 8.000 peacekeepers, dos quais cerca de 2.500 estão atualmente em atividade. A China fornece mais tropas de paz para a organização internacional do que qualquer outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e também é o segundo maior contribuinte em termos financeiros.

Missões de manutenção de paz das Nações Unidas. Em azul-escuro: Atuais. Em azul-claro: Passadas

Desde 1990, mais de 40.000 soldados do ELP participaram de dezenas de missões de paz da ONU em mais de 20 países, incluindo Camboja, Libéria, Sudão, Líbano, Chipre, Mali e República Centro-Africana. As Forças Armadas chinesas também cooperaram em missões de manutenção da paz com mais de 90 países e 10 organizações internacionais e regionais.

O primeiro envolvimento do ELP em uma missão de paz da ONU foi quando enviou cinco observadores militares para a Organização de Supervisão de Trégua da ONU, no Oriente Médio, em 1990. Dos 2.521 oficiais que agora servem em missões da ONU e na sede das Nações Unidas, 13 ocupam cargos de destaque, incluindo Comandante da Força, Vice-Comandante da Força, Comandante de Setor e Vice-Comandante de Setor.

Richard Gowan, analista do think tank americano International Crisis Group, disse que Pequim tinha muitos motivos para trabalhar com a ONU. “O mais simples é uma boa publicidade: a mídia e as autoridades chinesas retratam essas implantações como prova do compromisso do país com o multilateralismo”, apontou Gowan.

O analista americano também indicou: “Os destacamentos da ONU permitem que os soldados do Exército de Libertação Popular tenham a oportunidade de adquirir experiência operacional no exterior, e também podem dar ao ELP oportunidades de reunir informações sobre outras unidades da ONU e os países onde estão atuando”.Porém, alerta que “as forças de paz chinesas também são alvos em potencial para os serviços de inteligência de outras potências que teriam dificuldade de ver o ELP de perto em circunstâncias normais”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Peacekeeper chinês durante cerimônia de outorga de medalhas, em Bukavu, na República Democrática do Congo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_Chinese_peacekeeper_attends_a_medal_parade_ceremony_in_Bukavu,_South_Kivu_(10761340676).jpg

Imagem 2 Missões de manutenção de paz das Nações Unidas. Em azulescuro: Atuais. Em azulclaro: Passadas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:United_Nations_peacekeeping_missions.PNG

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Inundações na região Leste da África e suas implicações

O fenômeno ambiental das chuvas sazonais na região do leste africano se distribui em diferentes intensidades ao longo dos anos. Porém, a maior intensidade pluvial e a reincidência de inundações realçam as implicações sociais que a elevação do nível dos rios pode causar. A maior quantidade de chuvas registradas na região está associada com o fenômeno meteorológico que se forma no Oceano Índico e ocasiona aumento da umidade na costa africana.

Durante os meses de março a maio e de outubro a dezembro, os países que cercam a região dos Grandes Lagos são os mais atingidos (Malaui, Moçambique, Quênia, Uganda e partes da Zâmbia). Na sub-região do Chifre da África, que abarca os países como Djibouti, Etiópia, Eritreia, Sudão, Sudão do Sul, o período que marca o maior conjunto de tempestades é entre junho e setembro.

Entretanto, na primeira metade do ano de 2020 a vultosa quantidade de chuvas resultou em inundações, decorrentes da elevação dos níveis do Lago Vitória. Como destaca a parceira intergovernamental Nile Basin Initiative, no mês de maio o Lago atingiu 13,42 metros, ultrapassando a maior elevação registrada até então, que ocorreu em maio de 1964. Cabe salientar a importância socioeconômica que o Lago Vitória representa para a manutenção das populações que habitam em seu entorno, que utiliza os recursos fornecidos em diversos setores. Dentre estes recursos menciona-se a pesca; a utilização da água para fins industriais e comerciais; transporte e geração de energia.

Rio Nilo

Na confluência do Rio Nilo, mais especificamente entre os Rios Nilo Branco e Azul no Sudão, o período de chuvas também causou danos à população sudanesa e etíope durante os meses de julho e agosto de 2020. Como pode ser observado no relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários sobre a situação do Sudão, ao final do mês de agosto, o cenário de emergência em decorrência da inundação causou danos a propriedades, fatalidades e pessoas desaparecidas. Como resultado das chuvas torrenciais na Etiópia, o Rio Nilo atingiu 17,43 metros, o que representou a maior elevação em 100 anos.

Além das perdas materiais causadas por este fenômeno natural, o ambiente de emergência humanitária se torna mais evidente. Soma-se aos deslocados internos pelas inundações a acentuação da vulnerabilidade dos refugiados, principalmente na parte leste do Sudão. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que cerca de 125 mil refugiados e deslocados no Sudão necessitem assistência.

Inundação Sudão, agosto 2020

Pesquisa realizada pela Universidade do Texas, divulgada em julho, considera que nas próximas décadas se espera o aumento de chuvas e inundações na região em virtude da emissão de gases poluentes. Os pesquisadores salientam que, até o final do século, a quantidade de chuvas pode duplicar, resultando em inundações e na maior ocorrência de infestações de gafanhotos.

A degradação ambiental resultado da atividade humana também é mencionada pelo Ministro da Água e Meio Ambiente de Uganda, Alfredo Okot Okidi, como um dos potencializadores das consequências devastadoras das inundações no Lago Vitória. Segundo o Ministro, a combinação da devastação das matas ciliares, práticas não sustentáveis do uso da terra e dos recursos hídricos e a urbanização comprometem a capacidade de absorção da água e a sobrecarga do sistema de escoamento.

Neste sentido, as políticas voltadas para a gestão ambiental devem levar em conta o espectro de efeitos que os incidentes ambientais e as alterações climáticas podem causar para as populações. Como visto com as inundações experienciadas no leste africano, tal fenômeno pode agravar a questão sanitária e a proliferação de doenças relacionadas ao contato com a água, do mesmo modo que a insegurança sanitária também se torna um fator que dificulta o controle da disseminação da Covid-19.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Lago Vitória” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Vit%C3%B3ria#/media/Ficheiro:Lake_victoria_NASA.jpg

Imagem 2Rio Nilo” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nile#/media/File:Evening,_Nile_River,_Uganda.jpg

Imagem 3Inundação Sudão, agosto 2020” (Fonte):

https://floodlist.com/wp-content/uploads/2013/08/floods-sudan-august-343×187.jpg

NOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Assembleia Geral da ONU celebra 75ª Sessão em meio à Pandemia

Como em todos os anos, desde 1946, ocorre neste mês de setembro, a partir do dia 15, no Salão da Assembleia Geral na Sede em Nova York, a Sessão Ordinária deste órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta 75ª Sessão, os debates entre Estados Membros seguirão orientação adequada à crise global de saúde que o mundo atravessa.

Por causa da pandemia, os Estados cujos líderes não puderem comparecer pessoalmente enviarão vídeos pré-gravados de seus discursos, que serão transmitidos “ao vivo”, uma vez apresentados por um representante do Estado que esteja sediado em Nova York e que estará fisicamente presente.

Salão da Assembleia Geral da ONU

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que um evento na sede da ONU em 21 de setembro, um dia antes do início do Debate Geral da Assembléia Geral, celebrará o aniversário de 75 anos da Organização – que também acontecerá online e remotamente. O evento terá como objetivo “gerar um apoio renovado para o multilateralismo”, uma questão que tem se tornado cada vez mais urgente à medida que o mundo enfrenta a pandemia, informa a página virtual da ONU. Espera-se que o Secretário-Geral fale pessoalmente nesta ocasião, que ocorrerá na sala de sessões da Assembléia Geral.

Katalin Bogyay, Representante Permanente da Hungria nas Nações Unidas, prepara suas cédulas durante as eleições na Assembleia Geral – Foto ONU / Eskinder Debebe

Nesta 75ª edição da Assembléia Geral, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio (ODS) serão destacados durante a “primeira transmissão global de 30 minutos”, criada pelo escritor e diretor, e defensor dos ODS, Richard Curtis, “em uma exploração dinâmica dos tempos em que vivemos, os múltiplos pontos de inflexão que nosso planeta enfrenta e as intervenções que poderiam transformar nosso mundo” até 2030, quando, espera-se, estes objetivos deverão ser alcançados. A pandemia, segundo aponta, demonstra a importância destas 17 metas, como a saúde, o fim da pobreza, dentre outras que são voltadas para a qualidade de vida no planeta.

Outro ponto de destaque nesta reunião anual será o progresso da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres, que foram severamente afetados pelo COVID-19, declarou o Secretário Geral da ONU. Em 1º de outubro, a igualdade de gênero será tema de debate  em razão do 25º aniversário da Plataforma de Ação de Pequim, acordada internacionalmente, que é amplamente reconhecida como o plano mais abrangente e voltado para o futuro para a promoção dos direitos das mulheres e meninas.

Outros pontos altos da agenda desta reunião anual incluem a Cúpula da Biodiversidade, no dia 30 de setembro de 2020, e a Reunião plenária de alto nível para comemorar e promover o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, em 2 de outubro de 2020. A Assembléia Geral é um dos órgãos principais da ONU e sua função é comparada a um poder legislativo no âmbito desta Organização, onde todos os Estados membros estão representados de forma igualitária.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emblema e pódio da ONU no Salão da Assembleia Geral UN Photo / Cia Pak” (Fonte):

https://www.un.org/en/ga/

Imagem 2Salão da Assembléia Geral da ONU”(Fonte):

https://www.un.org/sites/www.un.org/files/2015/12/11/general-assembly.jpg

Imagem 3Katalin Bogyay, Representante Permanente da Hungria nas Nações Unidas, prepara suas cédulas durante as eleições na Assembleia Geral Foto ONU / Eskinder Debebe” (Fonte):

https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/Libraries/Production+Library/02-09-2020_NICA-842959_GA-ballot.jpg/image1170x530cropped.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel e Emirados Árabes Unidos dão primeiro passo na aproximação

A recente negociação entre Israel e os Emirados Árabes Unidos ganhou espaço internacionalmente nos meios de comunicação. A aproximação entre os países acontece em meio a uma crescente tensão entre Israel e os vizinhos árabes pelo projeto de incorporação de territórios da Cisjordânia.

Também representa transformações mais amplas e uma maior complexidade da dinâmica política da região. Os Emirados se tornaram com este ato o terceiro país árabe a reconhecer a existência do Estado de Israel, após o Egito em 1979 e o reino da Jordânia em 1994.

Depois de uma série de negociações, o governo dos Emirados apresentou um Decreto no sábado, 29 de agosto, suspendendo o embargo econômico aos israelenses, referente à lei existente desde 1972 – quando da unificação dos Emirados e surgimento do país – que refletia a política de consenso entre os países árabes.

Como um efeito representativo do fim do embargo, se concretizou o estabelecimento de voos entre Abu Dhabi e Tel Aviv, operados pela Etihad Airways e pela companhia israelense El Al. No dia 31 de agosto, uma aeronave proveniente de Israel aterrissou pela primeira vez no aeroporto internacional de Abu Dhabi

Para a realização do voo foi necessário que a Arábia Saudita suspendesse à proibição de aeronaves israelenses circulando em seu espaço aéreo, ainda que o país não tenha reconhecido oficialmente Israel, e nem levantado outras restrições comerciais.

Painel no aeroporto internacional de Tel Aviv anuncia saída do primeiro voo direto com destino aos Emirados Árabes Unidos / Página oficial do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter – @netanyahu

Em seguida, no dia 1º de setembro, os países assinaram um primeiro acordo que estabelece um grupo de trabalho conjunto para colaborar com serviços financeiros e facilitar investimentos por ambas as partes. O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que uma série de parcerias devem ser anunciadas em breve.

O sucesso das atuais medidas e a possibilidade de futuros acordos são encarados também como um ganho diplomático pelos Estados Unidos. Os primeiros passos para a aproximação foram anunciados em declaração tripartite divulgada em 13 de agosto. Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump e responsável pela articulação política no Oriente Médio, esteve entre os oficiais que viajaram de Tel Aviv para Abu Dhabi no voo inédito da El Al.

Apesar da aproximação, autoridades emiradenses reafirmaram compromissos com os países árabes e salientaram que o acordo fortalece uma série de garantias. Jamal al-Muasharak, alto oficial do Ministérios das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, afirmou em declaração que os Estados Unidos garantiram em um diálogo trilateral” que Israel não prosseguiria com o plano de anexar territórios na Cisjordânia.

Os Estados Unidos e países da região buscam utilizar da aproximação para ampliar o diálogo de outros atores com Israel. Em viagem para a região, conforme já relatado no CEIRI NEWS, em artigo de Natália Nahas, no dia 28 de agosto, o Secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, se reuniu com representantes do Sudão, Bahrein e Omã para discutir acordos semelhantes.

Nas próximas semanas, para além das novas etapas da aproximação entre ambos, serão demonstradas possibilidades de aproximação entre países da área e sobre o futuro das relações entre distintos Estados da região.

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Fonte das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Israel é hasteada em Abu Dhabi, entre as bandeiras dos Emirados Árabes Unidos e dos Estados Unidos da América, para marcar a realização do primeiro voo direto provindo de Tel Aviv / Página oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter @netanyahu” (Fonte): https://twitter.com/netanyahu/status/1300430295246811136

Imagem 2Painel no aeroporto internacional de Tel Aviv anuncia saída do primeiro voo direto com destino aos Emirados Árabes Unidos / Página oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter – @netanyahu” (Fonte): https://twitter.com/netanyahu/status/1300319842222907392

NOTAS ANALÍTICAS

Brasil recebe estudos sobre a vacina russa Sputnik V

Na corrida contra o tempo no combate a COVID-19, a Federação Russa se tornou o primeiro país do mundo a registrar uma vacina contra o coronavírus, que foi batizada de Sputnik V, alegadamente em alusão ao lançamento bem-sucedido do primeiro satélite espacial realizado pela União Soviética, em 1957, e que foi o gatilho para a intensificação da pesquisa espacial em todo o mundo.

Registrada em 11 de agosto (2020) pelo Ministério da Saúde da Rússia e, posteriormente, apresentada à comunidade global pelo presidente russo Vladimir Putin, a vacina foi alvo de desconfiança por vários países devido ao imunizante, pois, segundo especialistas, não obedecia aos padrões farmacêuticos internacionais, tendo o seu registro efetivado antes da conclusão da terceira e última etapa de testes, que é considerada pela comunidade científica como a mais importante para poder ser liberada massivamente.

Logotipo do RDIF

Paralelamente a isso, o Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF, na sigla em inglês) vê um grande interesse pela vacina no mundo e planeja realizar a terceira fase de testes clínicos em vários países, incluindo Arábia Saudita, EAU, Brasil e Filipinas, bem como iniciar a produção em larga escala com parceria dos fundos soberanos desses países, inclusive na Índia e Coreia do Sul. Além disso, estão sendo estudadas as possibilidades de produção na Arábia Saudita, Turquia e Cuba.

Logotipo do Tecpar

O Brasil, por sua vez, já recebeu, através do Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar), todas as informações sobre o desenvolvimento da imunização, além das pesquisas clínicas já realizadas pelo Instituto Gamaleya*, da Rússia. O estudo, com mais de 600 páginas, será verificado pelo Comitê Técnico Interinstitucional de Cooperação para Pesquisa, Desenvolvimento, Testagem, Fabricação e Distribuição de Vacina contra Sars-CoV-2 (COVID-19), instituído pelo governador paranaense, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), e coordenado pela Casa Civil, que será responsável por desenvolver a pesquisa com a Sputnik V, mas, momentaneamente, não divulgará dados para a comunidade científica brasileira devido a um memorando de intenções de parceria entre a Tecpar e Gamaleya, onde foi acertado um termo de confidencialidade, a partir do qual todas as informações foram compartilhadas para que o Tecpar elabore seu protocolo de validação para a realização da fase 3 da pesquisa clínica no estado brasileiro.

De acordo com o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado, o estudo tem indicativos bastante positivos com os quais se permitiu iniciar a elaboração do protocolo de validação para a fase 3 de estudos clínicos da vacina russa no país, onde o Governo do Paraná deverá submetê-lo à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dentro dos próximos trinta dias, além de também submetê-lo à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Só depois da aprovação dos protocolos por parte da Anvisa é que poderão ser iniciados os processos de importação das doses provindas do Instituto Gamaleya e, paralelamente, começará a triagem dos voluntários para os testes. Segundo Callado, os testes serão realizados nos hospitais universitários da rede pública. Num primeiro momento serão selecionados voluntários dentro dos profissionais de saúde que estão atuando diretamente no enfrentamento da pandemia. Na sequência, será expandido para outras pessoas no grupo de risco, sendo que a amostragem inicial envolverá cerca de 10 mil voluntários.

Caso a efetividade da vacina na fase 3 seja comprovada, se buscará o registro do medicamento em território brasileiro e a distribuição possivelmente será realizada pelo Ministério da Saúde do Brasil. O estado do Paraná, como pioneiro nos testes, poderá estruturar um processo produtivo local, tanto com investimento federal como também com investimento por parte do Fundo de Investimento Direto da Rússia, além do compromisso da transferência de tecnologia.

Atualmente, segundo fontes de pesquisa, existem cerca de 165 vacinas diferentes que estão sendo desenvolvidas em todo o mundo contra a COVID-19. Os principais tipos incluem: as baseadas em vetores virais; as baseadas em vírus; as baseadas em ácidos nucleicos e proteínas. A princípio, mesmo com a confidencialidade dos dados da Sputnik V, o que se tem conhecimento é que a vacina russa se baseia em vetor de adenovírus, que essencialmente são portadores que podem “entregar” material genético de um outro vírus para uma célula.

Esquema de vacina de dois vetores de coronavírus

As vacinas de vetores de adenovírus funcionam da seguinte forma:

–  O material genético do adenovírus que causa a infecção é removido e o material com um código de proteína de outro vírus, neste caso de um coronavírus, é inserido;

– O elemento inserido ajuda o sistema imunológico a responder e produzir anticorpos que protegem contra infecções;

A plataforma tecnológica de vetores baseados em adenovírus torna mais fácil e rápido criar novas vacinas por meio da modificação do vetor transportador inicial com material genético de novos vírus emergentes. Os adenovírus humanos são considerados os mais fáceis de modificar, razão pela qual se tornaram muito populares como vetores.

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Nota:

* O Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia, nomeado em homenagem ao acadêmico honorário N.F. Gamaleya, é uma instituição de pesquisa líder no mundo em seu campo. O centro foi fundado em 1891 como um laboratório privado. Em 1949 recebeu o nome de Nikolai Gamaleya, pioneiro da pesquisa russa em microbiologia. Nikolai Gamaleya estudou no laboratório do biólogo francês Louis Pasteur em Paris e abriu a segunda estação de vacinação contra a raiva do mundo, na Rússia, em 1886. No século 20, Gamaleya, tornando-se um dos líderes do centro, lutou contra epidemias de cólera, difteria e febre tifóide e foi um dos organizadores de campanhas de vacinação em massa na URSS.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vacina Sputnik V” (Fonte):

https://sputnikvaccine.com/upload/iblock/8bd/8bd2349d736c14accd649abe0ec84ba8.jpg

Imagem 2Logotipo do RDIF” (Fonte):

https://rdif.ru/Eng_Index/

Imagem 3 Logotipo do Tecpar” (Fonte):

http://www.tecpar.br/

Imagem 4 Esquema de vacina de dois vetores de coronavírus” (Fonte):

https://sputnikvaccine.com/ajax/get-webp.php?path=/local/templates/sputnik/img/infographics/prt.png&crc=f2ef65439f4460ba1c846fbaede75dc0