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[:pt]A China sediará pela primeira vez a reunião de Chefes de Estado do G20[:]

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No mês de setembro deste ano (2016), a China sediará, pela primeira vez, a reunião de Chefes de Estado dos países membros do G20. Este evento representa uma oportunidade para que possa ela capitalizar o encontro, em uma tentativa de reforçar sua liderança no campo do desenvolvimento internacional.

A China sediou outras reuniões do G20 ainda neste ano, com destaque para a reunião de Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais dos países membros, que ocorreu na cidade de Chengdu, nos dias 23 e 24 de julho. Entre os assuntos discutidos na pauta podem ser citados: os desafios para o crescimento global, incluindo aspectos ligados a investimentos em infraestrutura; a arquitetura financeira internacional; as reformas no setor de serviços; a criação de impostos internacionais e o financiamento para projetos sustentáveis.

A declaração oficial do Evento afirma que a turbulência global e as incertezas decorrentes da crise econômica de 2008 prejudicam as condições para o desenvolvimento sustentável a nível global. Mais do que isto, afirma-se que o padrão de baixo crescimento dos últimos anos e o acirramento da desigualdade são as causas chaves de diversos problemas sociais visíveis no cenário internacional. Mencionam-se as instabilidades advindas de tensões geopolíticas, fluxos migratórios e, de forma um pouco mais substancial, é abordada a questão da ameaça representada pelo terrorismo. A recomendação exposta, no entanto, propõe mais do mesmo: que serão utilizadas todas as ferramentas macroeconômicas possíveis para promover o crescimento inclusivo e sustentável e que deve ser mantido o firme apoio à globalização e à liberalização comercial e financeira.

A reunião dos Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais tem um caráter mais técnico na composição de seus membros e nos assuntos discutidos. A reunião dos Chefes de Estado do G20 deverá apresentar maiores repercussões de cunho político. Espera-se que o encontro apresente um caráter propositivo diferente do modelo tradicional de liberalização. Em uma conjuntura de grandes desafios à globalização, a liderança chinesa para o desenvolvimento dependerá da capacidade do país de promover um modelo de desenvolvimento diferente do receituário ortodoxo. É importante que sejam abordadas questões que são importantes deficiências para os países em desenvolvimento, tais como: a necessidade de infraestrutura e financiamento; a transferência de conhecimento e tecnologia; além da capacitação de mão de obra.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/G20-2016-China.jpg

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AMÉRICA LATINAFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Segurança Cidadã” ganha espaço na agenda política da “América Latina” e Caribe

Às vésperas do lançamento de um relatório sobre a insegurança cidadã na “América Latina” e Caribe, pela “Organização das Nações Unidas” (ONU), governos latino-americanos anunciaram uma série de medidas preventivas ao problema em seus países[1].

Muitas lideranças regionais expressaram suas intenções de combater a violência na área, seja ela intrafamiliar, sexual, de gênero, de jovens, nas ruas etc. A Nicarágua, por exemplo, fez um acordo de financiamento com a “União Europeia” (UE) de um projeto que tem como objetivo realizar ações de prevenção e controle do crime organizado e tráfico de drogas ilegais para o fortalecimento da segurança de seus cidadãos[2].

Outros países também anunciaram algumas ações. O governo colombiano, representado pelo seuMinistro da Defesa”, Juan Carlos Pinzón, realizou uma série de viagens na região promovendo sua diplomacia para a segurança”. Segundo o Ministro, o país já contribui nessa matéria há muitos anos com Paraguai, Honduras e México, no entanto, ele pretende abrir novas vias de cooperação com empresas do setor de Defesa de outros Estados[3].

O Equador, por sua vez, lançou, em 7 de outubro, um “Departamento Nacional de crimes contra a vida, mortes violentas, desaparecimentos, extorsão e sequestro[4], ligado ao “Ministério do Interior[4]. Na última semana, em 24 de outubro, foi anunciada a criação de um projeto de segurança cidadã, denominado “ECU 911”, em parceria com as empresas estatais chinesas CEIEC e “CAM Engenharia”. O projeto contempla a construção de 15 centros de informação integrados para o monitoramento e assistência a denúncias que envolvam violência contra a população equatoriana[5].

Não somente esses, também outros países da região intensificaram suas ações de prevenção ou combate à insegurança cidadã, tais como, Bolívia, Peru e Guatemala, tendo contado, ainda, com parcerias internacionais para essas tarefas. O cenário que se projeta é que cada vez mais os governos latino-americanos e caribenhos estarão mais articulados em torno desse problema comum.

No campo acadêmico, o tema já tem recebido maior atenção por parte de especialistas. Em 2012, a “Corporação Latinobarômetro[6] divulgou uma pesquisa na qual a questão aparecia como a principal preocupação da opinião pública de países como Peru, Equador, Colômbia, Chile, Honduras, Nicarágua, entre outros. Se, de um lado, os dados demonstraram a diminuição da pobreza, por outro, expressaram que os países latino-americanos são alguns dos mais violentos do mundo.

Da mesma forma, o “Centro Norueguês de Consolidação de Recursos para a Paz” lançou em julho e outubro de 2013, dois relatórios em que analisaram, primeiramente, as consequências da intensificação “dos níveis epidêmicos de violência organizada e interpessoal[7] na área, apontando possíveis caminhos para consolidação de um tipo de governança a nível doméstico e internacional, que, de fato, combata esse problema. Em seguida, realizaram o mapeamento das respostas já existentes, identificando os principais agentes responsáveis por essas iniciativas[8].

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* O conceito de segurança cidadã marca uma diferenciação entre as políticas de segurança pública desenvolvidas durante os regimes autoritários, em oposição às políticas de segurança interna e de segurança nacional, e também marca aquelas políticas surgidas após a transição para a Democracia.

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Imagem Segurança cidadã” (Fonte):

http://www.sxc.hu/photo/1100296

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/violencia-na-america-latina-deve-ser-contida-com-acordos-locais-diz-onu.html

[2] Ver:

http://www.americaeconomia.com/node/102409

[3] Ver:

http://www.laprensa.hn/inicio/391609-96/colombia-promueve-en-latinoamerica-la-diplomacia-para-la-seguridad

[4] Ver:

http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&idioma=1&id=1931981&Itemid=1

[5] Ver:

http://espanol.cri.cn/782/2013/10/24/1s293032.htm

[6] Ver:

http://www.latinobarometro.org/latino/LATContenidos.jsp

[7] Ver:

http://igarape.org.br/citizen-security-rising-new-approaches-to-addressing-drugs-guns-and-violence-in-latin-america/

[8] Ver:

http://igarape.org.br/mapping-citizen-securityinterventions-in-latin-americareviewing-the-evidence/

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