NOTAS ANALÍTICASTecnologia

EUA pressionam aliados contra multinacional chinesa Huawei

De acordo com analistas, o governo norte-americano iniciou uma campanha com o objetivo de persuadir países aliados para que esses Estados evitem utilizar equipamentos de telecomunicações fornecidos pela empresa chinesa Huawei. Funcionários estadunidenses teriam se reunido com agentes dos governos de países como Alemanha, Itália e Japão para avisá-los dos riscos à segurança nacional que a multinacional chinesa poderia representar para essas nações.

Ainda conforme essas fontes, o governo norte-americano estaria considerando apoiar financeiramente projetos de desenvolvimento de infraestrutura de telecomunicações nos países em desenvolvimento que se recusassem a utilizar tecnologia proveniente de empresas chinesas.

Logo da Tecnologia 5G

Especialistas apontam uma tendência no aumento de tensões entre os Estados Unidos e a China na busca por controlar os avanços tecnológicos em um mundo cada vez mais interconectado e, portanto, crescentemente suscetível a ataques cibernéticos. A rivalidade tecnológica entre as empresas chinesas, as multinacionais norte-americanas e seus respectivos governos está associada ao processo de implementação de infraestruturas que tornem possíveis a conexão por meio da tecnologia 5G, a nova geração de conectividade móvel, mais eficiente que as atuais 3G e 4G.Empresas chinesas como a Huawei e a ZTE estão entre as pioneiras no desenvolvimento dessa tecnologia e almejam conquistar mercados globalmente.

Além da competição por mercados, os Governos ocidentais têm se preocupado pela proximidade que as empresas chinesas possuem em relação ao governo do país, podendo, assim, atuar em consonância com os interesses geopolíticos do Governo chinês, uma vez que essas multinacionais teriam uma maior possibilidade de espionar e de sabotar o sistema de redes dos Estados que utilizassem a tecnologia desenvolvida e implementada por elas.    

Além dos Estados Unidos, países como Austrália e Reino Unido já vetaram a possibilidade de a Huawei participar na construção das redes de infraestrutura 5G neles. O Japão parece propenso a adotar medidas similares. Alegando que a empresa chinesa representava um risco significativo à segurança, a Nova Zelândia também impediu a Huawei de atuar na rede de telecomunicações de 5G daquele país. Por outro lado, o governo de Papua-NovaGuiné rejeitou a pressão ocidental e decidiu manter a empresa como a principal responsável por desenvolver a infraestrutura de telecomunicações daquela nação.   

Servidores da Huawei

A partir de um relatório publicado pelos serviços de inteligência britânicos, no âmbito do qual identificaram vulnerabilidades de cibersegurança nos sistemas desenvolvidos pela Huawei, a empresa anunciou medidas para melhorar as suas capacidades de defesa. No entanto, parece pouco provável que a desconfiança dos países ocidentais seja mitigada com essas iniciativas, uma vez que a maior desconfiança consiste na provável relação de proximidade entre a empresa e o governo chinês, acusação que, até o momento, a Huawei apenas se dispôs a negar.

Parece certo que a tensão entre a multinacional chinesa e, principalmente, os Estados Unidos tende a aumentar, uma vez que,recentemente, Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, foi detida no Canadá – a pedido dos Estados Unidos –, acusada de violar sanções impostas pelo governo norte-americano ao Irã. Especialistas asseveram, no entanto, que a prisão da executiva faz parte da atual e crescente disputa tecnológica que envolve Estados Unidos e China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Huawei em Shenzhen, na China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Huawei#/media/File:Huawei_1.JPG

Imagem 2 Logo da Tecnologia 5G” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/5G#/media/File:5th_generation_mobile_network_(5G)_logo.jpg

Imagem 3 Servidores da Huawei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Huawei#/media/File:HuaweiRH2288HV2.JPG

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICASTecnologia

Baidu participa de grupo de Inteligência Artificial liderado por empresas dos EUA

A empresa se torna a primeira firma chinesa a participar do grupo

No dia 17 de outubro de 2018, a empresa Baidu se tornou a primeira companhia chinesa a integrar o grupo Parceria em Inteligência Artificial (PAI, sigla em português). A PAI é composta por 80 corporações e instituições de pesquisa de 13 países destinos. Participam do grupo gigantes da tecnologia como Apple, Facebook, Amazon, Google, IBM e Microsoft. De acordo com o site oficial, o objetivo da organização é “desenvolver e compartilhar métodos e boas-práticas no âmbito de testes,pesquisas e aplicações de Inteligência Artificial (IA)”.

Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI

A Baidu, por sua vez, opera o maior servidor de buscas da China e está na vanguarda em pesquisas no setor de Inteligência Artificial. Segundo a Associação de Patentes da China, a companhia foi líder na aplicação de patentes nesta área em 2018, na frente de empresas como Google e Microsoft. Nesse sentido,destaca-se o Projeto Apollo, o qual objetiva comercializar automóveis com direção autônoma até 2020 no mercado chinês.

Presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante encontro do G20, em julho de 2017

A integração do Baidu ao PAI ocorre em uma conjuntura de incertezas acerca do futuro das relações bilaterais entre os Estados Unidos e a República Popular da China. No dia 2 de dezembro de 2018, durante jantar em Buenos Aires, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordaram com uma trégua de 90 dias na guerra tarifária iniciada em fevereiro de 2018. No entanto, especialistas indicam fragilidades no acordo, na medida em que não foram apresentadas soluções para contenciosos considerados centrais pelas duas nações.

Conforme argumentou-se em análises anteriores, a competição entre EUA e China ultrapassa o âmbito comercial.De fato, se refere fundamentalmente a uma disputa pela liderança no processo de inovação tecnológica na esfera internacional. Nesse contexto, fóruns de cooperação entre empresas privadas chinesas e estadunidenses são iniciativas que podem colaborar para construção de normas que balizem a coexistência pacífica entre os dois países. Assim, nas palavras de Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI,“a admissão da Baidu representa o início da entrada da PAI na China. Continuaremos a adicionar novos membros chineses e de todo o mundo à medida que crescemos”.

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 Fontes das Imagens:

Imagem 1Sede da Baidu em Beijing”(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f6/Baidu_Campus.jpg

Imagem 2Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/1/943/41228066835_6827cf8ca8_b.jpg

Imagem 3Presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante encontro do G20, em julho de 2017” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20%2C_July_8%2C_2017.jpg/800px-President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20%2C_July_8%2C_2017.jpg

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Supercolisor russo recriará primeiros momentos do Universo e estimula parcerias internacionais

Com o objetivo de implementar melhores processos para pesquisas avançadas em física de alta energia, o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear* (JINR – Joint Institute for Nuclear Research) vem construindo, desde 2013, um enorme complexo para pesquisas científicas que abrigará o supercolisor de partículas NICA (Nuclotron-based  Ion  Collider fAcility), que tem como objetivo o estudo avançado sobre as características e o comportamento da matéria nos primeiros momentos da criação do Universo, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos, segundo considerações da ciência moderna.

Nuclotron – supercondutor de íons pesados

Baseada na cidade de Dubna, cerca de 100 quilômetros ao norte de Moscou, a construção das instalações está sob responsabilidade da construtora austríaca STRABAG, quem vem trabalhando sob um forte esquema de segurança por parte das autoridades russas, devido ao alto grau de importância do projeto, que, de antemão, já apresentou algumas das características do programa, tais como as paredes dos túneis que abrigarão o colisor que têm espessura entre 1,5 e 4 metros, para “garantir a segurança dos trabalhadores, mas também para proteger o NICA de ameaças como o impacto direto de um míssil”, explicou o chefe da obra.

Programado para ter seu comissionamento em 2020, centenas de cientistas e engenheiros aguardam ansiosamente para poder operar o colisor russo que, em seu vasto campo de atuação, deverá, a princípio, demonstrar resultados nas pesquisas sobre o estado da matéria no início da existência do Universo, quando, segundo teorias científicas, as elevadíssimas temperaturas e densidades da matéria nos primeiros microssegundos desse nascimento fizeram manifestar um estado especial de comportamento nos chamados tijolos formadores da matéria (Quarks e Gluons), que são a estrutura central de prótons e nêutrons, os quais, por sua vez, são elementos estruturais do átomo.

A infraestrutura complexa do NICA permitirá o uso para atividades inovadoras e tecnológicas em todas as áreas indicadas pelo Governo russo estabelecendo três zonas de pesquisa, as zonas de baixa, média e alta energia, permitindo que os experimentalistas realizem pesquisas sobre ciência dos materiais, nanotecnologia e picotecnologia, medicina, biologia, eletrônica, além de programas para a agência aeroespacial da Rússia – ROSCOSMOS. Considerado como um projeto internacional, 30 países já estão interessados em seus trabalhos de pesquisa e participando ativamente de sua implementação. 

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Nota:

* O Instituto Conjunto para Pesquisa Nuclear é uma organização internacional intergovernamental de pesquisa científica na cidade científica de Dubna, na região de Moscou. A JINR tem atualmente 18 Estados-Membros: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Bulgária, Cuba, República Checa, Geórgia, Cazaquistão, República da Coreia, Moldávia, Mongólia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia, Ucrânia, Uzbequistão e Vietnã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Acelerador linear de íon de luz LU20” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/lu20.jpg

Imagem 2 Nuclotron supercondutor de íons pesados” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/nuclotron.jpg

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Assembleia Geral da ONU aprova resoluções sobre a atuação estatal no ciberespaço

No dia 8 de novembro, o Comitê sobre Desarmamento e Segurança Internacional da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou duas Resoluções que objetivam estabelecer regras gerais para a atuação estatal responsável no ciberespaço. De acordo com Ion Jinga, presidente do Comitê, ao comentar a responsabilidade dos Estados participantes nesse tema, “o desarmamento e a segurança internacional estão nas suas mãos e as suas ações como Estados-Membros resultam em consequências que todos devemos enfrentar”.

Ion Jinga, Presidente do Primeiro Comitê da AGNU

Uma das Resoluções, patrocinada pelo governo dos Estados Unidos, cria um Grupo de Peritos Governamentais, a ser estabelecido em 2019, cujo objetivo consiste em promover entendimentos e padrões de comportamento responsáveis para os Estados no ambiente virtual. Ademais, esse grupo de especialistas deverá estudar como os Estados podem aplicar o direito internacional para regulamentar o uso das tecnologias da informação e da comunicação ao redor do mundo.

a segunda Resolução, apoiada pelo governo russo, cria um grupo de trabalho no âmbito da Assembleia Geral para que sejam revisadas as normas já elaboradas, contidas nos relatórios do existente Grupo de Peritos Governamentais sobre Desenvolvimentos no Campo da Informação e Telecomunicações no Contexto da Segurança Internacional. Essa nova equipe, criada pela Resolução recém-aprovada, também deverá analisar a possibilidade de se estabelecer um diálogo institucional regular, no âmbito da ONU, sobre atividades relacionadas ao ciberespaço.

Ainda que, aparentemente, as duas medidas tenham objetivos semelhantes, a maioria dos países na Assembleia Geral optou por aprovar ambas, com votações expressivas. De acordo com especialistas, no entanto, a criação de dois grupos distintos para lidar com questões relacionadas ao ciberespaço pode dividir a atenção da ONU sobre o tema.

Nesse sentido, conforme Alex Grigsby, pesquisador associado ao Council on Foreign Relations, “o debate internacional sobre normas cibernéticas sempre foi bastante desordenado, na medida em que países, organizações regionais, entidades do setor privado e organizações sem fins lucrativos promovem suas normas e abordagens preferidas (…). Dividir o trabalho da Assembleia Geral da ONU em dois pode fazer com que esse debate de normas fique ainda mais confuso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assembleia Geral das Nações Unidas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Geral_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas#/media/File:UN_General_Assembly_hall.jpg

Imagem 2 Ion Jinga, Presidente do Primeiro Comitê da AGNU” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ion_Jinga#/media/File:HE_Dr_Ion_Jinga.jpg

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Tencent planeja incorporar realidade virtual ao WeChat

No dia 7 de novembro de 2018, durante a Conferência Internacional de Internet realizada na China, Ma Huateng, CEO da companhia Tencent, anunciou que considera incorporar a função realidade virtual (RV) nas próximas versões do WeChat. Segundo especialistas, o WeChat é utilizado por mais de um bilhão de indivíduos, e opera como bate-papo, rede social, plataforma de jogos e meio de pagamento. O empresário chinês também afirmou que “certamente no próximo ano [2019] a conferência apresentará um número maior de aparelhos com a função RV”.

Xi Jinping, Presidente da China, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos

A capacidade de inovação no setor das tecnologias digitais é considerada estratégica no plano “Made in China 2025”, publicado pelo governo chinês em 2015. Tal percepção foi reiterada em abril de 2018 durante 1º Cúpula Digital da China. Na ocasião, o presidente Xi Jinping ressaltou que a digitalização desempenhará papel cada vez maior na modernização dos sistemas de governança do país. No mesmo evento, Ma Huateng respondeu que a Tencent está pronta para atuar como “assistente digital” da nação asiática.

Assim, pode-se inferir que a Tencent se constitui não apenas uma organização privada, mas também como instrumento da política externa e interna do governo da China. Fundada em 1998, ela é atualmente a nona maior companhia de tecnologia do mundo em valor de mercado. Além disso, a empresa possui importantes parcerias internacionais como, por exemplo, com as firmas Tesla, Spotfy, Blizzard e SnapChat. No Brasil, realizou seu primeiro investimento na startup financeira NuBank, em outubro de 2018.

No âmbito da função RV, a Tencent ainda enfrenta o obstáculo da ausência de tecnologia 5G nos aparelhos celulares na China. No entanto, caso essa barreira seja superada, ela ampliará ainda mais seu potencial de crescimento internacional, bem como sua dimensão estratégica no plano de desenvolvimento do governo chinês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ma Huateng, CEO da Tencent e o homem mais rico da China, segundo a Forbes” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/techcrunch/6296765381

Imagem 2Xi Jinping, Presidente da China, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/worldeconomicforum/32215282852

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Liberdade da internet no mundo diminui pelo oitavo ano consecutivo

Em relatório publicado no dia 1o de novembro, a organização norte-americana Freedom House assevera que, em linhas gerais, o aumento do autoritarismo digital levou a uma redução, pelo oitavo ano consecutivo, da liberdade da internet no mundo.

Província de Xinjiang, na China

De acordo com o estudo, que engloba a análise de atividades ocorridas no período entre junho de 2017 e maio de 2018, as principais ameaças à liberdade na internet consistem na disseminação de desinformação e de propaganda no ambiente público, na coleta indiscriminada de informações e no aumento do autoritarismo digital praticado por alguns Estados que, progressivamente, estão passando a adotar o modelo chinês de censura e de vigilância automatizada.

O estudo examinou a liberdade na internet em 65 países de acordo com três categorias principais: obstáculos ao acesso à rede; limitação de conteúdo; violação dos direitos dos usuários. De acordo com a pontuação de cada Estado, eles foram classificados em “livres” (entre 0 e 30 pontos), “parcialmente livres” (entre 31 e 60 pontos) e “não livres” (entre 61 e 100 pontos).

Conforme essa metodologia, China (88 pontos), Irã (85 pontos), Síria (83 pontos), Etiópia (83 pontos) e Cuba (79 pontos) são os países que mais restringem a atuação de seus nacionais na rede. Por outro lado, Estônia (6 pontos), Islândia (6 pontos), Canadá (15 pontos), Alemanha (19 pontos) e Austrália (21 pontos) são os Estados analisados onde há maior liberdade na internet.

O relatório assevera que, no período analisado, o controle no ciberespaço realizado pelo governo chinês alcançou novos extremos devido à implementação de uma Lei de Cibersegurança mais severa e da atualização das tecnologias de segurança adotadas no país. O estudo aponta que, entre junho de 2017 e maio de 2018, um dos principais acontecimentos na China foi o uso da tecnologia de reconhecimento facial e outras ferramentas avançadas para monitorar e controlar a minoria Uigur, na região de Xinjiang. Ademais, outro desenvolvimento na área de controle da população consistiu na implementação progressiva do Sistema de Crédito Social, que classifica o grau de confiabilidade dos cidadãos chineses de acordo com o seu comportamento online e offline.

Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015

Seguindo a diretriz do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar a China em uma “superpotência cibernética, o estudo destaca que cada vez mais o sistema de monitoramento do país tem sido disseminado para diferentes partes do mundo, seja por meio de conferências realizadas na própria China para autoridades de outros Estados, seja no aumento do controle por parte do governo chinês em empresas internacionais que atuam em seu território, ou ainda na instalação de infraestrutura com capital, tecnologia ou participação das empresas estatais chinesas, em iniciativas como a Rota da Seda Digital.

Dentre os nove países do continente americano analisados pelo estudo, o Brasil, juntamente com a Colômbia, ocupa a quarta posição com 31 pontos, sendo classificado, portanto, como “parcialmente livre”. Houve uma melhora em relação ao ano anterior, uma vez que, no período analisado no atual estudo, o país não mais restringiu o acesso ao Whatsapp, como havia feito em 2015 e 2016, por determinação da justiça. No entanto, o relatório afirma que pesa contra o país o uso da violência contra jornalistas e blogueiros independentes e as tentativas de restrição à liberdade de expressão na rede devido, principalmente, à preocupação com a disseminação de notícias falsas no contexto eleitoral.

Com base nas práticas dos Estados classificados como “livres”, o estudo recomenda que a sociedade civil realize parcerias com o setor privado local para evitar a disseminação de notícias falsas, trabalhando, inclusive, com especialistas para identificar de que forma ocorre a desinformação e os motivos de os usuários compartilharem informações inverídicas. Ademais, a sociedade civil deve monitorar a colaboração entre o governo local e empresas chinesas, além de continuar a aumentar a conscientização sobre possíveis esforços governamentais de censura e de aumento da vigilância da população.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visualização dos caminhos de roteamento da internet” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_rights#/media/File:Internet_map_1024_-_transparent,_inverted.png

Imagem 2 Província de Xinjiang, na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_de_Xinjiang#/media/File:Xinjiang_in_China_(de-facto).svg

Imagem 3 Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping#/media/File:%E6%8A%97%E6%88%98%E8%83%9C%E5%88%A970%E5%91%A8%E5%B9%B4%E9%98%85%E5%85%B5%E6%BC%94%E7%BB%83.jpg