NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Supercomputação estimula surgimento de Nações Inteligentes

A Computação de Alto Desempenho, ou HPC (do inglês High-Performance Computing), foi a grande vitrine internacional no mês de fevereiro de 2019. A organização americana Singularity University divulgou no seu portal, dia 25 de março, segunda-feira última, que os EUA preparam a operação do supercomputador Aurora, que fará um quintilhão de contas por segundo. Com previsão para começar a operar em 2021, Aurora é a nova arma americana na “corrida dos supercomputadores”, juntamente com a China, Europa e Japão, que estão presos em uma competição para construir a primeira máquina de exaflops* do mundo.

A corrida para o exascale é uma história de superpoderes e supercomputadores. Estas máquinas serão capazes de operar um quintilhão de contas por segundo e ficará online em 2021, depois que o governo dos EUA entregou à Intel e ao fabricante de supercomputador Cray um contrato para construir um computador exascale, que irá executar AI em escalas sem precedentes. A vantagem real de Aurora virá de sua capacidade de usar a inteligência artificial para guiar seus modelos e simulações.

A China planeja lançar um supercomputador exascale próprio em 2020 e o Japão pretende ter um em funcionamento em 2021. Países europeus tendem a ficar para trás dos EUA, China e Japão, mas a Comissão Europeia comprometeu  € 1 bilhão (aproximadamente, R$ 4,39 bilhões, pela cotação do euro no dia 29 de março 2019), para produzir uma máquina exascale até 2023. A Europa já está construindo sua estratégia. A China, por sua vez, não está na liderança do ranking, mas possui a maior quantidade de supermáquinas. São 227 das 500 melhores do mundo, contra 109 dos Estados Unidos, segundo a lista que contabiliza os supercomputadores

Os benefícios da HPC envolvem uma imensa gama de oportunidades e possibilidades de inovação, requerendo aplicação de importantes políticas estatais e privadas que atendam a interesses nacionais e globais na utilização do espaço cibernético, inclusive os de militarização que estão envolvidos na corrida espacial e no seu entorno de negócios. O esforço frenético dos governos para propagar o aprendizado profundo de tecnologias disruptivas apoia-se na ideia de sustentação, interna e externa no domínio cibernético.

A busca pela supremacia global em questões que envolvem os supercomputadores está inter-relacionada à aplicação em tecnologias destinadas, principalmente, à segurança nacional, ao ciberdesenvolvimento das sociedades, à sua capacidade de resiliência, na manutenção de seus sistemas de governo e nas suas necessidades de ampliação e segurança de suas infraestruturas críticas, como verticais essenciais para participar na onda da transformação digital causada pela internet.

A digitalização crescente de governos e de sociedades alavanca o surgimento de novas economias sustentáveis e a evolução dos padrões de cidadania e bem-estar da população. Esta convergência de novas tecnologias de comunicação e informação, aliadas às tecnologias de automação, está sendo aplicada agora no campo das políticas e estratégias nacionais. As iniciativas para construir as nações inteligentes estão se tornando realidade. Cingapura está partindo na frente para adotar os pilares desta transição. Assim, as nações e as cidades inteligentes serão amplamente beneficiadas com os recursos da supercomputação.

A HPC já está desempenhando um papel fundamental em ajudar nações e cidades a perseguir objetivos de segurança social, no uso eficiente de recursos e alcance de uma qualidade de vida melhor. As cidades inteligentes (Smart Cities, termo em inglês) é um fenômeno global e é, também, um movimento sem precedentes para a história da humanidade. O tamanho global do mercado de cidades inteligentes está previsto para chegar a US$ 2,57 trilhões até 2025 (aproximadamente R$ 10,048 trilhões, conforme cotação de 29 de março de 2019) de acordo com um novo relatório da Grand View Research, Inc..

Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de ‘Nações Inteligentes’

O Índice Global de estratégias cibernéticas inclui estratégias nacionais que abordam a defesa cibernética nacional civil e militar, conteúdo digital, privacidade de dados, proteção de infraestrutura crítica, e-commerce e cibercrime. Isso fornece aos formuladores de políticas e autoridades diplomáticas um banco de dados unificado e imediato de estruturas jurídicas e políticas globais para ajudar a comunidade global a entender, rastrear e harmonizar as regulamentações internacionalmente. Este índice é baseado em fontes disponíveis publicamente e será atualizado conforme necessário. 

Sinteticamente, serão cinco (5) as maneiras iniciais  de como os supercomputadores darão suporte para tornarem as cidades inteligentes: no design e planejamento mais inteligente; na capacitação para pesquisa de energia; na previsão do tempo; na mobilidade urbana e no monitoramento da poluição do ar. Os supercomputadores estão ajudando os planejadores urbanos a realizar simulações, fazer previsões e construir modelos, aproximando o sonho de uma cidade inteligente da realidade. Como ciência de sistemas urbanos, o exascale surge para permitir novos recursos de planejamento para paisagens urbanas em evolução.

Ao desenvolver métodos para acoplar esses modelos com dados operacionais, estes novos recursos estarão disponíveis para as cidades e provedores de serviços públicos, por exemplo, para reduzir os custos de energia e estabilizar a oferta, monitorando as renováveis na rede e prevendo o consumo de energia. Mas, os pesquisadores primeiro precisam desenvolver uma estrutura pela qual esses vários modelos de sistemas urbanos possam trocar dados relevantes.

A HPC estará disponível para a governança eletrônica e o ciberdesenvolvimento das nações inteligentes. A prestação de serviços governamentais por meio de plataformas on-line, pode melhorar os processos de administração, prestação de serviços, prestação de contas do governo e transparência. A Austrália, por exemplo, reconhece o papel transformador que as tecnologias digitais desempenham no aumento da eficiência e eficácia dos serviços governamentais.

Além disso, as tecnologias digitais também fornecem soluções alternativas para os desafios.  Na Integração de mercados globais, outra vantagem está associada à HPC na identificação de novos programas comerciais que permitirá aos indivíduos, empresas e sociedades a sua integração em economias segmentadas, incentivando o crescimento e os seus benefícios nos negócios digitais junto às pequenas empresas, grupos de baixa renda, minorias indígenas, étnicas e religiosas, entre outras.

Ao reduzir os custos de informação, as tecnologias digitais reduzem, consideravelmente, o custo das transações econômicas e sociais para empresas, indivíduos e setor público. Promovem a inovação quando os custos de transação caem para essencialmente zero. Aumentam a eficiência à medida que as atividades e serviços existentes se tornam mais baratos, mais rápidos ou mais convenientes. E eles aumentam a inclusão à medida que as pessoas obtêm acesso a serviços que antes estavam fora de alcance.

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Nota:

* Exaflops: O FLOPS é um termo usado em computação que significa “FLoating-point Operations Per Second” (operações de ponto flutuante por segundo), sendo por isso um acrônimo. Seu uso se aplica para observar o desempenho de um computador, entendido tal desempenho como cálculos por segundo, razão pela qual o S no final do acrônimo significa segundo. As unidades e seus múltiplos são: megaflop/s (Mflop/s), gigaflop/s (Gflop/s), teraflop/s (Tflop/s), petaflop/s (Pflop/s) e exaflop/s (Eflop/s), zettaflop/s (Zflop/s), yottaflop/s (Yflop/s). No caso do Exaflops a grandeza de velocidade de operação é de 1018, conforme a seguinte referência:

megaflop/s        106

gigaflop/s          109

teraflop/s          1012

petaflop/s          1015

exaflop/s           1018

zettaflop/s         1021

yottaflop/s         1024

** Exascale é a referência que se faz aos sistemas de computação que chegam a realizar operações de, ao menos, um exaflops, ou seja, um bilhão de bilhões por segundo (ou seja, um quintilhão, pela notação brasileira).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Supercomputador Aurora. Computação de alto desempenho (High Performance Computing, HPC) que busca promover a liderança dos EUA no desenvolvimento de computação exascale”(Fonte): https://www.anl.gov/article/us-department-of-energy-awards-200-million-for-nextgeneration-supercomputer-at-its-argonne-national

Imagem 2Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de Nações Inteligentes” (Fonte): https://www.secureidnews.com/news-item/singapore-digital-id-key-new-national-smart-nations-plan/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Cyber Security Clusters são centros de construção de IA militares

O caráter hiperconectado e aberto do ciberespaço envolve diferentes contextos ou perspectivas de guerra híbrida. Isso ocorre devido à capacidade daquele de dar suporte ao uso intensivo de tecnologias de comunicação e informação para expansão da economia global, algo que se processa através da criação de redes de comércio internacional, bem como do acesso e compartilhamento à informação e ao conhecimento universal.

A internet também oferece oportunidades sem precedentes para a militarização e suas consequentes adequações para a geração, mitigação e soluções de conflitos de nossas sociedades. Neste ambiente, a arquitetura da transformação da natureza, do poder e da guerra faz com que as ameaças cibernéticas cresçam tanto em número quanto em sofisticação. 

O risco cibernético está agora firmemente no topo da agenda internacional e a Inteligência Artificial (IA) tende a ser o principal ativo neste cenário,  já que governos (seus aliados e adversários), empresas e consumidores reconhecem o potencial impacto destrutivo de ataques maciços de hackers e outras falhas de segurança que venham ou possam vir a comprometer os interesses relativos à soberania do povo, sua estabilidade econômica e seu bem-estar social.

A corrida pelo protagonismo e pelo domínio de aplicações militares baseada em soluções de IA tem refletido nas relações cibernéticas, principalmente entre EUA, Rússia e China. Uma base dos valores envolvidos nos conflitos cibernéticos pode ser retratada na recente decisão da Casa Branca, anunciada na segunda-feira (18/03/2019), em pedir mais de US $ 17,4 bilhões para esforços cibernéticos federais no ano fiscal de 2020 (aproximadamente, 65,88 bilhões de reais, conforme cotação de 22 de maço de 2019).

Para organizar suas doutrinas, políticas e estratégias de segurança nacional competitivas, bem como acompanhar e realizar a manutenção de domínios, ou conquistar novas posições em relação ao uso do ciberespaço, a construção de consórcios entre governos, indústrias, empresas e instituições com habilitações interdisciplinares e confiáveis permite combinar sinergias, resultando, por sua vez, na implementação de Clusters de Segurança Cibernética como estratégia de Defesa Nacional, utilizando a Inteligência Artificial para fins militares. Estes clusters são centros avançados, compostos por sociedades digitais de alta capacidade de resposta à ataques virtuais, os quais, atualmente, estão na vanguarda da segurança cibernética. Mitigar riscos de ataques e proteger sistemas é o foco deles.

Logo da OTAN

A propagação desta abordagem, incentivada fortemente pela OTAN/NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte/North Atlantic Treaty Organization), inclui o novo paradigma do uso sistemático e integrativo de redes que permitem a união entre os Estados membros da Organização*, indústrias, empresas, forças militares, academia, associações e instituições de fomento, agências e laboratórios federais, organizações de apoio à inovação e empreendedorismo, órgãos governamentais estaduais e locais, think tanks e organizações de pesquisa, câmaras de comércio e indústria,  visando incrementar capacidades operacionais e fazer frente à crescente disputa pelo poder cibernético.

Nesse sentido, nos clusters de segurança cibernética os processos de coalizões entre Estados e suas respectivas estruturas de agentes estatais e privados têm como objetivos a proteção de seus próprios sistemas, o compartilhamento de informações sobre ameaças, o reforço da resiliência das redes, a ajuda e prevenção, bem como capacitar a responder e a se recuperar de ataques cibernéticos.

Também se deseja identificar vulnerabilidades, dominar processos de inovações tecnológicas e conhecimentos especializados, os quais são cruciais para o financiamento** e a proteção de seus ativos em infraestrutura crítica e de suas cadeias de abastecimento, protegendo as redes de dados, fomentando novos ambientes de negócios, o desenvolvimento de produtos e serviços baseados em pesquisa e alavancando o crescimento econômico regional, além da competitividade nacional. Além disso, é possível aumentar a conscientização pública sobre as melhores práticas de segurança cibernética.

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Notas:

* A OTAN tem vinte e nove membros, principalmente na Europa e América do Norte. Alguns desses países também têm território em vários continentes, mas a Aliança cobre apenas a região acima Trópico de Câncer. Poucos membros gastam mais do que dois por cento do seu produto interno bruto em Defesa, sendo que os Estados Unidos respondem por três quartos dos gastos de Defesa da Aliança Países Membros da OTAN: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Romênia e Turquia. TURQUIA (1952)

** Os Aliados da OTAN concordaram com os orçamentos civil e militar para 2019. Em uma reunião do Conselho do Atlântico Norte na terça-feira (18 de dezembro de 2018), os Aliados acordaram um orçamento civil de 250,5 milhões de euros (aproximadamente, 1,081 bilhão de reais, de acordo com a cotação de 22 de março de 2019) e um orçamento militar de 1,395 bilhão de euros para 2019 (aproximadamente, 6,017 bilhões de reais, também de acordo com a cotação de 15 de março de 2019). Os países membros contribuem para esses orçamentos de acordo com uma fórmula de partilha de custos acertada com base no Rendimento Nacional Bruto. Isto inclui medidas para: fortalecer as capacidades de inteligência da OTAN; antecipar e planejar desafios cibernéticos e híbridos; melhorar a maneira como a Aliança lida com os dados como um ativo estratégico; aumentar a cooperação em defesa com os parceiros. Para além dos orçamentos civis e militares, o terceiro principal elemento comum financiado pela Aliança é o Programa de Investimento em Segurança da OTAN. Cobrindo grandes investimentos no sistema de construção e comando e controle, o teto de 2019 para a NSIP é de € 700 milhões (aproximadamente, 3,019 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 22 de março de 2019).  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chefes de Estado e de Governo que participam na reunião do Conselho do Atlântico Norte em Bruxelasnos dias 11 e 12 de julho de 2018” (Fonte): https://www.otan.missaoportugal.mne.pt/pt/noticias/declaracao-da-cimeira-de-bruxelas

Imagem 2 Emblema da OTAN/NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte/North Atlantic Treaty Organization)”(Fonte): https://www.nato.int/

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICASTecnologia

Amazon versus Amazônia: a disputa pelo domínio “.amazon”

De acordo com nota publicada pelo Itamaraty, o Conselho Diretor da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN) limitou até o dia 7 de abril para que os países da região amazônica e a empresa Amazon cheguem a um acordo sobre o registro do domínio “.amazon”.

Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA

Desde 2012, por intermédio do Itamaraty, o Brasil, em coordenação com os demais países amazônicos, opõe-se firmemente à atribuição do “.amazon” à empresa norte-americana Amazon em regime de exclusividade. O argumento brasileiro indica que “devido a sua indissociável relação semântica com a Amazônia, aquele domínio não deve, de modo algum, ser o monopólio de uma empresa”.

O Itamaraty defende ainda que os países da região devem “participar da gestão e uso do domínio, com vistas a defender e promover o patrimônio natural, cultural e simbólico da região amazônica, bem como fomentar a economia regional e a inclusão digital das populações ali residentes”.

.Africa

Em outro caso, no ano de 2017, o domínio “.africa” foi considerado de nível superior continental para uso de organizações, empresas e indivíduos com orientação de agências africanas responsáveis pela governança da internet na região. A campanha por este registro foi liderada por uma empresa sul-africana ZA Central Registry (ZACR), que agora é responsável por registrar os nomes “.africa” e gerencia os registros, podendo distribuí-los a quem solicita, e não apenas a uma empresa que se atribuiria a condição de detentora exclusiva deste domínio.

Mapa Patagônia

Outro exemplo similar foi com relação a empresa de roupas de esportes de inverno Patagônia que solicitou o registro do domínio “.patagonia. A empresa acabou retirando sua candidatura após pressão da Argentina e do Chile que levantaram o temor de que tal ação prejudicaria a região da Patagônia que se estende por parte da América do Sul.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Amazon” (Fonte): https://pixabay.com/illustrations/shop-amazon-mobile-phone-smartphone-1908580/

Imagem 2Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia#/media/File:Amazon_rainforest.jpg

Imagem 3 .Africa” (Fonte): https://tech-ish.com/2017/09/12/dotafrica-domains/

Imagem 4 Mapa Patagônia” (Fonte): https://domaingang.com/domain-news/patagonia-inc-rushes-in-last-minute-comments-in-support-of-dot-patagonia/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

JAXA e Toyota se unem para enviar rover à Lua

Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, a JAXA, firmou parceria com a Toyota para uma missão à Lua. A empresa automotiva será responsável pela construção de um rover planetário, veículo de exploração espacial que pode ser, ou não, tripulado. Detalhes sobre esse novo projeto foram dados no simpósio realizado na terça-feira passada, dia 12 de março (2019). O Japão planeja enviar astronautas ao satélite natural da Terra por volta do ano 2029, caso o projeto entre as partes, referente à construção de um rover com cabine pressurizada para tripulação, seja efetuado com sucesso. 

No evento, Hiroshi Yamakawa, Presidente da JAXA, declarou que “Na JAXA, buscamos coordenação internacional e estudos tecnológicos visando à participação japonesa na exploração internacional espacial. Almejamos contribuir por meio de  tecnologias japonesas de ponta, que podem gerar benefícios subsequentes. […] Rovers tripulados, com cabines pressurizadas, são elementos que desempenharão um papel importante na completa exloração e uso da superfície lunar“. O rover terá o comprimento de 2 micro-ônibus, 13m² de área de convivência e capacidade de comportar duas pessoas normalmente, ou quatro em situações emergenciais.

Imagem capturada do asteroide Ryugu, a 6km, por JAXA, Universidade de Tóquio & colaboradores

Dentre os países que realizaram missões lunares com êxito estão a Rússia, China e Estados Unidos. Este ano (2019), inclusive, marca 50 anos do pouso na Lua pela equipe estadunidense da Apollo 11, em 1969. Em fevereiro passado, Israel também enviou sua primeira sonda à Lua.

Kirobo na Estação Espacial Internacional

Outros projetos entre a Agência Espacial e a empresa automotiva envolvem sondas espaciais e mobilidade. A Toyota já desenvolveu um pequeno robô, chamado “Kirobo”, que foi enviado à Estação Espacial Internacional, e depois comercializado no mercado interno. Entretanto, esta será a primeira vez que atuará diretamente com exploração espacial, e pretende se tornar uma empresa de mobilidade, expandindo seus negócios para meios de transportes do futuro, como carros autônomos. A criação da Fundação Toyota de Mobilidade, em agosto de 2014, demonstra tal intenção, com o objetivo de compartilhar a tecnologia da empresa com demais parceiros, no intuito de elaborar inovações.

Pouso da Hayabusa2 em Ryugu

Recentemente, a Agência tem realizado operações com sucesso, sendo a mais repercutida, no momento, o lançamento da Hayabusa2, a primeira sonda a pousar em um asteroide com suas devidas especificidades. Em Ryugu, o asteroide a ser explorado, serão recolhidas amostras para estudar as origens e evolução do sistema solar. Com decolagem realizada em dezembro de 2014, seu retorno está programado para o ano de 2020.

A JAXA também fez um novo acordo de colaboração com a Boeing, em fevereiro deste ano (2019), com fins de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia em aviação. Segundo nota oficial, a parceria, que completa 10 anos, atualmente trabalha no desenvolvimento de um sistema de detecção de turbulência de céu claro (clear-air turbulence), testado no ano passado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da JAXA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%AAncia_Japonesa_de_Explora%C3%A7%C3%A3o_Aeroespacial

Imagem 2 Imagem capturada do asteroide Ryugu, a 6kmpor JAXAUniversidade de Tóquio & colaboradores” (Fonte): http://www.hayabusa2.jaxa.jp/topics/20180725je/index_e.html

Vídeo 1 Pouso da Hayabusa2 em Ryugu” (Fonte): https://www.youtube.com/watch?v=-3hO58HFa1M

Vídeo 2 Kirobo na Estação Espacial Internacional” (Fonte): https://www.youtube.com/watch?v=0foIW2M2S_I

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

As deepfakes e seus perigos para a Democracia

As deepfakes podem ser entendidas como manipulações digitais de áudio e de vídeo altamente realistas e, por conseguinte, difíceis de serem detectadas. Associadas ao contexto da crescente relevância política de fenômenos como as fake news e a noção de pós-verdade, essas manipulações de mídia geralmente são concebidas como o próximo estágio no aprofundamento das possibilidades de deturpação da realidade por meio de iniciativas de desinformação.

Ainda que as deepfakes possam ser utilizadas em diferentes áreas e situações, analistas afirmam que são nos âmbitos da política e das relações internacionais que essas manifestações podem se mostrar mais assustadoras, podendo ser responsáveis por incitar a violência, corromper as instituições, difamar os governantes e, até mesmo, alterar os resultados de eleições.

Hany Farid, professor de ciências da computação na Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, afirma que, com essas manipulações, torna-se possível fazer qualquer pessoa aparecer em um vídeo falando exatamente aquilo que o criador desse conteúdo deseja.

As Raízes das Fake News

Por sua vez, Matt Turek, chefe do programa de computação forense da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, assevera que

manipulações que exigiam recursos em nível de Estado, o trabalho conjunto de várias pessoas e recursos financeiros significativos agora podem ser feitas em casa”, e por “um único indivíduo”.

Vídeo criado por um partido político belga no qual o
presidente norte-americano Donald Trump
advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris

Essa proliferação tecnológica fez com que, em 2018, algumas manipulações ganhassem repercussão, ainda que amadoras, como o vídeo criado por um partido político belga no qual o presidente norte-americano Donald Trump advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris. Ainda que os criadores do vídeo tenham acreditado que a precariedade do mesmo faria com que a audiência não fosse ludibriada, o fato de que algumas pessoas acreditaram na manipulação suscitou o debate de que as deepfakes não precisam ser indetectáveis ou mesmo convincentes para serem legitimadas e causarem algum tipo de dano.

Nesse sentido, especialistas afirmam que essa proliferação tecnológica será particularmente útil para atores não estatais, como agrupamentos terroristas e grupos insurgentes, que, historicamente, encontram dificuldades para custear a produção e a disseminação de conteúdo falso em larga escala.

Deve-se destacar, por fim, que os analistas reconhecem que um dos principais perigos das deepfakes é o que tem sido chamado de “lucro do farsante”, ou seja, com o aumento da descrença generalizada devido a essas manipulações de mídia, torna-se mais provável que, mesmo acontecimentos verídicos passem a ser desacreditados por parte dos envolvidos, prejudicando, assim, a transparência e, por conseguinte, as próprias instituições democráticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Repórteres com vários tipos de notícias falsas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 As Raízes das Fake News”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_roots_of_%27fake_news%27.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

EUA pressionam aliados contra multinacional chinesa Huawei

De acordo com analistas, o governo norte-americano iniciou uma campanha com o objetivo de persuadir países aliados para que esses Estados evitem utilizar equipamentos de telecomunicações fornecidos pela empresa chinesa Huawei. Funcionários estadunidenses teriam se reunido com agentes dos governos de países como Alemanha, Itália e Japão para avisá-los dos riscos à segurança nacional que a multinacional chinesa poderia representar para essas nações.

Ainda conforme essas fontes, o governo norte-americano estaria considerando apoiar financeiramente projetos de desenvolvimento de infraestrutura de telecomunicações nos países em desenvolvimento que se recusassem a utilizar tecnologia proveniente de empresas chinesas.

Logo da Tecnologia 5G

Especialistas apontam uma tendência no aumento de tensões entre os Estados Unidos e a China na busca por controlar os avanços tecnológicos em um mundo cada vez mais interconectado e, portanto, crescentemente suscetível a ataques cibernéticos. A rivalidade tecnológica entre as empresas chinesas, as multinacionais norte-americanas e seus respectivos governos está associada ao processo de implementação de infraestruturas que tornem possíveis a conexão por meio da tecnologia 5G, a nova geração de conectividade móvel, mais eficiente que as atuais 3G e 4G.Empresas chinesas como a Huawei e a ZTE estão entre as pioneiras no desenvolvimento dessa tecnologia e almejam conquistar mercados globalmente.

Além da competição por mercados, os Governos ocidentais têm se preocupado pela proximidade que as empresas chinesas possuem em relação ao governo do país, podendo, assim, atuar em consonância com os interesses geopolíticos do Governo chinês, uma vez que essas multinacionais teriam uma maior possibilidade de espionar e de sabotar o sistema de redes dos Estados que utilizassem a tecnologia desenvolvida e implementada por elas.    

Além dos Estados Unidos, países como Austrália e Reino Unido já vetaram a possibilidade de a Huawei participar na construção das redes de infraestrutura 5G neles. O Japão parece propenso a adotar medidas similares. Alegando que a empresa chinesa representava um risco significativo à segurança, a Nova Zelândia também impediu a Huawei de atuar na rede de telecomunicações de 5G daquele país. Por outro lado, o governo de Papua-NovaGuiné rejeitou a pressão ocidental e decidiu manter a empresa como a principal responsável por desenvolver a infraestrutura de telecomunicações daquela nação.   

Servidores da Huawei

A partir de um relatório publicado pelos serviços de inteligência britânicos, no âmbito do qual identificaram vulnerabilidades de cibersegurança nos sistemas desenvolvidos pela Huawei, a empresa anunciou medidas para melhorar as suas capacidades de defesa. No entanto, parece pouco provável que a desconfiança dos países ocidentais seja mitigada com essas iniciativas, uma vez que a maior desconfiança consiste na provável relação de proximidade entre a empresa e o governo chinês, acusação que, até o momento, a Huawei apenas se dispôs a negar.

Parece certo que a tensão entre a multinacional chinesa e, principalmente, os Estados Unidos tende a aumentar, uma vez que,recentemente, Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, foi detida no Canadá – a pedido dos Estados Unidos –, acusada de violar sanções impostas pelo governo norte-americano ao Irã. Especialistas asseveram, no entanto, que a prisão da executiva faz parte da atual e crescente disputa tecnológica que envolve Estados Unidos e China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Huawei em Shenzhen, na China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Huawei#/media/File:Huawei_1.JPG

Imagem 2 Logo da Tecnologia 5G” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/5G#/media/File:5th_generation_mobile_network_(5G)_logo.jpg

Imagem 3 Servidores da Huawei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Huawei#/media/File:HuaweiRH2288HV2.JPG