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Devido a sanções norte-americanas, Huawei irá ampliar participação na Rússia

Considerada uma gigante global do ramo das telecomunicações e pioneira na criação da tecnologia 5G*, a empresa chinesa Huawei (traduzido do mandarim: flor), desde 2012 vem sendo acusada pelo Governo norte-americano de ser uma “ferramenta” do Estado chinês para executar espionagem de outros governos pelo mundo.

Logotipo da Huawei

Considerada uma ameaça para a segurança global, a Huawei foi colocada numa lista negra, na qual os elencados são impedidos de fazerem negócios com empresas dos EUA e, consequentemente, não poderão receber fornecimento de softwares e componentes para serem instalados em seus aparelhos celulares e tablets, deixando, assim, de ter acesso a alguns serviços do Android** e aos populares aplicativos Gmail e Google Maps.

Outro fator que potencializou o ataque mercadológico contra a Huawei partiu do FCC (Federal Communication Commission), órgão regulador das telecomunicações nos EUA que quer instaurar, em duas etapas, restrições punitivas às operadoras de telecomunicação locais.

Num primeiro momento, o FCC quer impedir que essas empresas utilizem de fundos do órgão que subsidiam serviços em áreas pobres para comprar equipamentos da Huawei e, numa segunda etapa, o órgão irá impor a uma lista de operadoras a remoção de equipamentos que se encontram na lista negra dos EUA, mesmo que já instalados em suas redes, sendo direcionadas a comprarem equipamentos de fornecedores tidos como confiáveis. Por último, quem não acatar as recomendações poderia ter atuação encerrada no país devido ao risco apresentado à segurança nacional.

Ilustração tecnologia 5G

Posto isso, a empresa chinesa busca alternativas para expandir seus negócios e encontrou na Federação Russa um aliado pronto a receber sua tecnologia 5G, quando, em setembro (2019), abriu em Moscou sua primeira zona de testes com a empresa MTS, maior operadora de telecomunicações móveis do país.

Com a nova parceria, a Huawei irá desembolsar cerca de 500 milhões de rublos (aproximadamente R$ 31,5 milhões***) na construção de centros de pesquisa e no treinamento de 10 mil especialistas russos, num período de 5 anos. A Rússia, por sua vez, analisa a inserção tecnológica chinesa em seu território como um marco desenvolvimentista para a plataforma do 5G, onde aspira implantar redes em todas as suas grandes cidades até 2024.

Logotipo do Sistema Operacional russo Aurora

Em detrimento às restrições norte-americanas, a Rússia também está oferecendo à Huawei, em substituição momentânea ao Android, seu sistema operacional Aurora, que poderá ser um trampolim para que a empresa chinesa desenvolva seu próprio sistema.

Segundo especialistas, a aliança entre Federação Russa e China, no tocante a tecnologia 5G, é a implantação de um desafio geopolítico que poderá criar uma frente econômica contra os Estados Unidos, onde o fato de falarem sobre o sistema operacional é realmente uma ameaça política que irá ao encontro de um processo de autonomia em relação ao monopólio americano dos sistemas operacionais de telefonia móvel no mundo.

As duas potências, trabalhando em conjunto para o desenvolvimento da tecnologia 5G, poderão alcançar, em primeira mão, elevados resultados estratégicos no tocante a formatação do ciberespaço, alavancando novos patamares relativos à geração de cidades inteligentes, à cibersegurança, à Internet das Coisas, ao Big Data e a todos os sistemas de processamento de informação, não só econômicos como também militares.

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Notas:

* É a próxima geração de rede de internet móvel, que promete velocidade de download e upload de dados mais rápida (10 a 20 vezes mais rápida do que a do 4G), cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. Trata-se de utilizar melhor o espectro de rádio e permitir que mais dispositivos acessem a internet móvel ao mesmo tempo (Internet das Coisas).

** Android é o sistema operacional móvel do Google. Presente em múltiplos aparelhos de diversas fabricantes, como Samsung, Motorola, LG e Sony, é a plataforma mobile mais popular do mundo. É conhecido por ser baseado no núcleo do Linux, ter um código aberto e uma série de possibilidades de personalização.

*** Cotação de 02/11/2019 (RUB 1 = BRL 0,063).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Capa protetora de celular Huawei com bandeira da Rússia” (Fonte): https://www.fruugo.us/stuff4-casecover-for-huawei-honor-3xg750russiarussianflags/p-5282093-12283310?ac=bing&language=en

Imagem 2 Logotipo da Huawei” (Fonte): https://www.huawei.com/br/

Imagem 3 Ilustração tecnologia 5G” (Fonte): https://carrier.huawei.com/en/spotlight/5g

Imagem 4 Logotipo do Sistema Operacional russo Aurora” (Fonte): https://web.archive.org/web/20100630075322/http://www.auroraos.org/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Ampliação do acesso à internet no continente africano

A internet adquiriu um papel fundamental no cotidiano das populações no mundo. Conforme divulgou a União Internacional de Telecomunicações – agência especializada das Nações Unidas, em 2018, até 51% da população mundial estava conectada à internet.

Segundo a Organização, os países em desenvolvimento registraram aumento no número de pessoas que possuem acesso à rede e este acréscimo ocorreu de forma constante nos últimos anos. Neste caso, o continente africano registrou em 2005 o crescimento de 2,1% do número de usuários, e em 2018 apresentou 24,4%. 

No que tange à disponibilidade de conexão móvel, companhias privadas na África Subsaariana têm investido em infraestrutura e ampliação das capacidades de redes móveis de internet. De acordo com o relatório da companhia GSM Association, tais investimentos significaram o aumento da cobertura para 70% em 2018. Contudo, a pouca infraestrutura nas áreas rurais e remotas ainda se apresenta como um desafio à ampla conectividade.

Sede da Companhia Microsoft em Redmond, Estados Unidos

Neste cenário, a companhia estadunidense Microsoft anunciou, em outubro de 2019, a implementação do programa Airband Initiative na África Subsaariana e América Latina. A iniciativa visa a superação da brecha digital (disparidade entre o acesso à internet entre área urbana e rural). O programa foi criado em 2017 e implantado inicialmente nos Estados Unidos. A internacionalização da iniciativa visa atender 40 milhões de pessoas, fornecendo com banda larga até julho de 2022.

De modo mais detalhado, a iniciativa operará através de parcerias público privadas para a implantação de provedores acessíveis e adaptação das normas regulatórias dos Estados beneficiados. O suporte de Organizações Internacionais Financeiras também possui um papel importante na aplicação dos objetivos do programa, como, por exemplo, na Colômbia, que recepcionou um projeto da Microsoft com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

9º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável: Indústria, Inovação e Infraestrutura

A potencialização do desenvolvimento das comunidades rurais por meio do acesso à internet é o principal benefício apontado pelo Airband Initiative. Como consequência, o fornecimento de banda larga e ampliação das redes móveis de internet poderiam auxiliar nos processos de melhoria na produtividade rural, acesso a novas tecnologias e aprimoramento dos recursos para a educação no campo.

A perspectiva supracitada converge com a meta número 9 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que compreende a relevância das novas tecnologias na contemporaneidade e advoga pela universalização deste recurso de forma acessível e inclusiva até 2020. Entretanto, alguns desafios para a concretização desta meta persistem no continente. Como evidencia o Banco Mundial, a ausência de eletricidade ainda é uma preocupação para cidades distantes das capitais, especificamente em comunidades mais pobres.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Estação terrestre de internet em Gana”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Internet_access#/media/File:Ghana_satellite.jpg

Imagem 2Sede da Companhia Microsoft em Redmond, Estados Unidos” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Microsoft#/media/File:Building92microsoft.jpg

Imagem 39º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável: Indústria, Inovação e Infraestrutura” (Fonte): https://www.un.org/esa/ffd/ffddialogue/images/E_SDG%20goals_icons-individual-rgb-09.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Itália se une ao Reino Unido e Suécia no desenvolvimento de caça de última geração

O Ministério da Defesa Italiano formalizou oficialmente, durante a feira DSEI*, realizada em Londres, a participação no projeto de desenvolvimento do caça Tempest – aeronave de combate militar de nova geração. O país se une ao Reino Unido e à Suécia, que recentemente também aderiu ao projeto (em julho de 2019).  O anúncio marca a entrada dos 3 países na corrida armamentista pela criação de caças de “sexta-geração”, que irão substituir os mais modernos atualmente em produção (ditos de “quinta-geração”).

O caça Tempest será construído através de um consórcio de empresas formadas pelas britânicas BAE Systems e Rolls Royce, a Italiana Leonardo, e a MBDA (empresa multinacional de fabricação de mísseis e faz parte de uma joint-venture que conta com a participação da BAE Systems, Leonardo e Airbus). A Sueca SAAB trabalhará em cooperação no projeto, mas a expectativa é que seu papel possa aumentar consideravelmente no futuro. O projeto promete incluir capabilidades ultramodernas, como o uso de inteligência artificial, o controle remoto da própria aeronave (sem piloto) e a coordenação de ataque com frotas de drones (chamado de drone swarming – enxame de drones”). A Força Aérea Britânica estima que os caças estejam prontos para uso a partir de 2035.

Os três países não são as únicas potências a entrar na corrida pelo desenvolvimento de caças de “sexta-geração”. Os Estados Unidos possuem dois projetos, um capitaneado pela Marinha e outro pela Força Aérea, que possivelmente serão desenvolvidos pelas gigantes Boeing, Lockheed Martin e a Northrop Grumman. Os Russos, que estão próximos de começar a produção do caça de “quinta-geraçãoSukhoi Su-57, já trabalham com o projeto do caça de interceptação de “sexta-geraçãoMikoyan MiG-41. Os Chineses também estão na corrida, e já projetam o substituto de seu caça mais moderno, o Chengdu J-20.

Porém, o concorrente mais polêmico do projeto Tempest é o FCAS (Future Combat Air Systems), dirigido pelos Ministérios da Defesa da Alemanha, França e Espanha, e que está sendo desenvolvido pela francesa Dassault e Airbus (multinacional europeia). Apesar de diálogos para que o Reino Unido se unisse à iniciativa franco-alemã, o país desistiu da parceria e levou à frente a concepção do Tempest. A saída gerou crítica sobre as consequências de uma Europa dividida em relação aos dois projetos. O Ministério da Defesa Britânico declarou em julho (2019) que o país não se associou aos franceses e alemães devido ao fato de o programa não se encaixar aos objetivos estratégicos do país, mas, que, mesmo assim, o plano será de maximizar a interoperabilidade entre os distintos projetos. Vale lembrar que os países envolvidos tanto na concepção do FCAS como do Tempest são aliados estratégicos na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019

Os dois projetos foram lançados em um momento incerto para o futuro da geopolítica europeia, com a saída do Reino Unido da UE. Isso pode gerar uma rivalidade desnecessária entre as potências do continente. Sobre o assunto, o presidente francês Emmanuel Macron declarou em junho, durante a Paris Air Show (Feira Aeronáutica internacional na França), que “a competição entre os Europeus quando ela ‘nos’ enfraquece contra os Americanos, os Chineses, é algo ridículo”. 

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Nota:

* DSEI: Defence and Security Equipment International – Defesa e Equipamentos de Segurança Internacional, é a maior feira da Europa e uma das principais do mundo para a Indústria de Defesa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O caça americano F35 e o chinês J20, exemplos de caças de quinta-geração já em produção” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:F-35A_flight_(cropped).jpg e https://commons.wikimedia.org/wiki/File:J-20_at_Airshow_China_2016.jpg

Imagem 2 “Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SCAF_-_Le_Bourget_2019.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Prefeito de Londres promete banir maior feira de armamentos da Europa

Londres recebeu, entre os dias 10 e 13 de setembro, a DSEI (Defence and Security Equipment International – Defesa e Equipamentos de Segurança Internacional), a maior feira da Europa e uma das principais do mundo para a Indústria de Defesa. Mas, além da participação dos maiores nomes do setor bélico e militares de alto escalão, a DSEI chamou a atenção por ser alvo de uma avalanche de críticas e protestos. 

Entre as críticas, a que mais ganhou destaque da mídia britânica foi a do Prefeito londrino, Sadiq Khan. Em carta aos organizadores, Khan disse “se opor vigorosamente contra o acontecimento deste evento em Londres”. Ele prometeu tomar as medidas cabíveis para que a exposição não ocorra nos próximos anos e foi enfático em afirmar que “Londres é uma cidade global, um lar para indivíduos que fugiram de conflitos e sofreram sequelas pelo uso de armamentos, como estes que são apresentados na DSEI”.

Sadiq Khan em um debate sobre a Cidade de Londres, 2018

Sadiq Khan, membro do Labour Party (Partido Trabalhista), é o atual Prefeito de Londres. Ele foi eleito em 2016, sucedendo Boris Johnson, hoje Primeiro-Ministro, no cargo. Sua eleição ganhou destaque devido ao fato de Khan, filho de imigrantes paquistaneses, ter sido o primeiro Prefeito muçulmano a liderar uma capital em um país membro da União Europeia. Ele recentemente também ganhou notoriedade na imprensa internacional por ter-se envolvido em rusgas com o presidente americano Donald Trump nas mídias sociais.

Manifestantes, incluindo idosos e crianças, protestam nas proximidades do centro de convenções ExCel em Londres

Grupos contrários à DSEI formaram uma rede chamada Stop the Arms Fair (Pare a Feira de Armamentos), responsável por organizar protestos em oposição à realização do evento. A Stop the Arms Fair acusa tanto a DSEI quanto o Governo Britânico de convidarem representantes de “países que enfrentam graves problemas com direitos humanos” para fazerem negócios e comprar armas em Londres. De fato o Governo britânico convidou oficialmente 8 países* que fazem parte de uma lista (criada pelo próprio Governo) de violadores de direitos humanos.

General Sir Mark Carleton-Smith – Comandante do Exército Britânico, palestrando na DSEI 2019 © Crown copyright 2013

Os protestos em geral foram pacíficos, contando com a participação de idosos e crianças. Porém, jornais noticiaram que, no primeiro dia do evento, pelo menos 116 manifestantes foram presos. O gasto com o policiamento da feira também foi bastante criticado. Segundo o jornal The Independent, a segurança da DSEI em 2017 custou pelo menos 1 milhão de libras aos cofres públicos. Os organizadores da feira, porém, se defendem dizendo que 100% do custo é pago pela própria organização.

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A DSEI comemorou 20 anos de sua existência neste ano (2019). Ela é bienalmente organizada pela empresa Clarion Events e conta com o apoio da agência governamental DSO (Defence and Security Organisation – Organização de Defesa e Segurança), que faz parte do Ministério de Comércio Exterior Britânico (Department for International Trade). Gigantes do setor, como a britânica BAE Systems, a sueca SAAB e a italiana Leonardo estiveram presentes em alto destaque no evento. O Brasil também marcou presença, com um estande próprio, organizado pela APEX Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Dentre as empresas brasileiras expositoras estavam a Embraer Defense (aeronáutica), Taurus (armas), a CBC (munições), e a Mac Jee (lançadores de foguetes e outros equipamentos).

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Nota:

* Arábia Saudita, Bahrein, Bangladesh, Colômbia, Egito, Israel e os Territórios Ocupados, Paquistão e Uzbequistão foram os países convidados pelos britânicos para a DSEI 2019. Eles fazem parte da lista dos 30 Human Rights Priority Countries (30 países de alta prioridade sobre os direitos humanos) criada pelo Ministério do Exterior britânico (Foreign and Commonwealth Office). Na lista estão destacados os países que mais apresentam precariedade em relação à defesa dos direitos humanos. (Para a lista completa: https://www.gov.uk/government/publications/human-rights-and-democracy-report-2017/human-rights-and-democracy-the-2017-foreign-and-commonwealth-office-report)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sadiq Khan, Prefeito de Londres” (Fonte): https://images.london.gov.uk/web/78c888d0222c2e87/media-press—headshots/?mediaId=CA8DFFED-3F1B-4068-823EF6C8C028921F

Imagem 2 Sadiq Khan em um debate sobre a Cidade de Londres, 2018” (Fonte): https://images.london.gov.uk/web/5fefb84b3af38a0a/media-press—culture–events-for-london-and-communities/?mediaId=1CB6A857-AC41-4215-9662F2F16F2A4796

Imagem 3 Manifestantes, incluindo idosos e crianças, protestam nas proximidades do centro de convenções ExCel em Londres” – foto do grupo CAAT (Campaign Against Arms Trade – Campanha contra o Comércio de Armas)(Fonte): https://www.flickr.com/photos/campaignagainstarmstrade/48677643863/

Imagem 4 General Sir Mark Carleton-Smith Comandante do Exército Britânico, palestrando na DSEI 2019 © Crown copyright 2013” (Fonte): http://www.defenceimagery.mod.uk/fotoweb/archives/5000-Current%20News/Archive%20(MOD)/MOD/2019/September/RAF_9048-Aj.jpg

Imagem 5 Delegação do Brasil na DSEI, com a presença do Embaixador do Brasil em Londres, Fred Arruda e do almirante Sérgio Ricardo Segovia, chefe da APEXBrasil” (Fonte): https://twitter.com/BrazilEmbassyUK?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

“Síndrome de Kessler” coloca Agência Espacial Russa em alerta

Desde que o homem começou a explorar o espaço sideral, uma enorme quantidade de equipamentos, com as mais variadas finalidades, foi lançada em orbita da Terra para suportar o avanço dessa empreitada tecnológica, o que, com o passar das décadas, gerou uma situação que vem preocupando agências espaciais de vários países, pois, a partir da crescente quantidade de restos orbitais* proveniente desses equipamentos, surgem ameaças que podem comprometer o futuro das viagens espaciais.

Segundo dados, mais de 500.000 pedaços de detritos, ou “lixo espacial”, são rastreados à medida que orbitam nosso planeta, todos eles viajando a velocidades de até 25 mil quilômetros por hora, rápido o suficiente para que um pedaço relativamente pequeno de material possa danificar um satélite, ou uma nave espacial conduzindo astronautas.

Logotipo da ROSCOSMOS – Agência Espacial Russa

O problema se agravou quando nações que fazem pesquisa aeroespacial, principalmente de cunho militar, começaram a realizar testes de armas antissatélite para desativar ou eliminar equipamentos espaciais para fins estratégicos, como foi o caso do teste conduzido pela Índia em março deste ano (2019), denominado Missão Shakti**, que destruiu um satélite desativado na órbita de 300 quilômetros da Terra. O efeito desse teste causou o aumento de detritos orbitais na casa dos milhares de fragmentos e acarretou críticas tanto da NASA (Agência Espacial Norte Americana) quanto da ROSCOSMOS (Agência Espacial Russa) que alertaram sobre o aumento do risco desses fragmentos colidirem com a Estação Espacial Internacional (ISS – International Space Station).

Para o diretor do Instituto de Astronomia Russa de Ciências, Boris Shustov, a quantidade de detritos espaciais já pode ter atingido o limiar da “Síndrome de Kessler, uma teoria desenvolvida na década de 1970, pelo consultor da NASA, Donald J. Kessler, que supõe que o volume de detritos espaciais na órbita baixa da Terra (entre 300 e 2.000 km da superfície terrestre) seria tão alto que objetos como satélites começariam a se chocar com o lixo, produzindo um “efeito dominó”, e gerando, assim, mais lixo.

Lixo espacial encontrado na Arábia Saudita

Essa teoria não foge da realidade quando comparada ao histórico de ocorrências relatadas pela NASA, algumas delas demonstradas a seguir, apresentando a profundidade do problema:

  • 1996 – Um satélite francês foi atingido e danificado por detritos de um foguete de mesma nacionalidade que havia explodido uma década antes;
  • 2007 – A China realiza teste de míssil antissatélite, que destruiu um satélite fora de serviço, acrescentando mais de 3.000 fragmentos na lista de detritos rastreáveis;
  • 2009 – Um satélite russo desativado colidiu e destruiu um satélite comercial de Iridium dos EUA em funcionamento. A colisão acrescentou mais de 2.000 pedaços de detritos rastreáveis para o inventário de lixo espacial.

O problema esta causando uma discussão global sobre a política espacial e a ROSCOSMOS quer propor a abertura de discussões envolvendo as potências espaciais para considerar a proibição de testes de armas antissatélite, para não agravar o problema do acúmulo de lixo, mas, além da questão militar, existem outros pontos que poderão sobrecarregar ainda mais essa questão que seria o aumento das missões espaciais já delineadas por diversas nações. Somente a SpaceX*** recebeu aprovação para lançar 12 mil satélites do seu programa Starlink, com o objetivo de criar uma rede mundial de internet. Conforme vem sendo apontado por especialistas, se nada for feito sobre o problema, as colisões se tornarão cada vez mais prováveis, o que significa que voos espaciais seriam quase impossíveis.

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Notas:

* Restos orbitais é uma referência a qualquer objeto feito pelo homem em órbita sobre a Terra que já não serve a uma função útil. Tais detritos incluem naves espaciais não funcionais, estágios de veículos de lançamento abandonados, detritos relacionados à missões e detritos de fragmentação.

** A missão Shakti foi empreendida para desenvolver armas antissatélite de alta potência (A-SAT). Com isso, a Índia juntou-se a outras três nações – EUA, Rússia e China, capazes de realizar tal operação. Isso dará um grande impulso para enfrentar os desafios de segurança que a Índia enfrenta, especialmente com o Paquistão. Com este míssil A-SAT, a Índia terá a capacidade de interferir com os satélites ou de se envolver em ataques diretos. O míssil A-SAT pode ser aéreo, marítimo ou terrestre. A partir de 1957 até os anos 80, os EUA e a Rússia lançaram testes de mísseis antissatélite, o que foi denominado como violação do tratado da ONU de 1967.

*** Empresa privada que projeta, fabrica e lança foguetes e naves espaciais avançados. Foi fundada em 2002, por Elon Musk, para revolucionar a tecnologia espacial, com o objetivo final de permitir que as pessoas possam viver em outros planetas. A empresa tem mais de 6.000 funcionários em vários locais, incluindo sua sede em Hawthorne, CA; instalações de lançamento na Cape Canaveral Air Force Station, FL; Centro Espacial Kennedy, FL; e a base da força aérea de Vandenberg, CA; um mecanismo de desenvolvimento de foguetes em McGregor, TX; e escritórios em Redmond, WA; Irvine, CA; Houston, TX; De chantilly, VA; e Washington, DC.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Estação Espacial Internacional” (Fonte): http://en.roscosmos.ru/202/

Imagem 2 Logotipo da ROSCOSMOS Agência Espacial Russa” (Fonte): https://www.roscosmos.ru/112/

Imagem 3 Lixo espacial encontrado na Arábia Saudita” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Detrito_espacial#/media/Ficheiro:Debris-star48_3.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Rússia e EUA: a nova corrida espacial

Há 50 anos, o astronauta norte-americano Neil Armstrong dava os primeiros passos na Lua, completando uma etapa do processo exploratório iniciado alguns anos antes, quando EUA e União Soviética entravam numa disputa de capacidades, no intuito de ultrapassar limites, os quais o homem nunca havia alcançado, e que seria a maior aventura humana no século XX, dando início, assim, a chamada “Corrida Espacial”.

Foguete russo Soyuz

Este processo exploratório, segundo especialistas, teve início quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial (1945), imergindo a civilização numa nova ordem global, em que o poder e a influência não se mediriam em termos de esforço humano, mas, sim, de avanços tecnológicos.

Para suplantar essa “vantagem” apresentada pelos norte-americanos, a União Soviética deveria apresentar, de forma bastante rápida, estratégias adequadas que lhes dessem igual ou superior influência internacional. De acordo com historiadores, em apenas quatro anos, os soviéticos desenvolveram sua primeira bomba atômica (1949) e, por esta ser mais pesada que a dos EUA, tiveram também que desenvolver foguetes mais poderosos para poderem transportá-la.

Foguete soviético R7 – Semyorka

O responsável por essa tarefa foi o engenheiro ucraniano Sergei Pavlovich Korolev, que projetou os mais poderosos foguetes, entre eles o R-7 Semyorka*, que era nove vezes mais potente que qualquer outro lançador criado até aquele momento. No entanto, tal dispositivo se mostrou de forma desqualificada para ser utilizado como arma, devido ao enorme tempo dispendido para preparar seu lançamento, sendo, assim, direcionado para a exploração espacial.

Desde então, a União Soviética se empenhou em ultrapassar os EUA na exploração do espaço sideral, quando foram responsáveis pelo lançamento do primeiro satélite orbital transmissor de sinais de rádio, batizado com o nome de Sputnik (Outubro de 1957); pelo lançamento do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika (Novembro de 1957); pelo marco histórico do primeiro ser humano (Yuri Gagarin) a ser lançado em órbita (Abril de 1961) e completar uma volta em torno da  Terra em 1 hora e 48 minutos, deixando para a posteridade a frase “A Terra é azul”; e também pela primeira “caminhada” espacial, que foi realizada pelo cosmonauta russo Alexei Leonov (Março de 1965).

Cosmonauta soviético Yuri Gagarin

Após a série de sucessos soviéticos, os EUA necessitavam de uma façanha ainda maior, levar um homem até a Lua, o que foi realizado em 20 de Julho de 1969, fruto do ímpeto do Governo do Presidente J. F. Kennedy, aliado ao auge da economia norte-americana, que proporcionou o investimento de somas gigantescas no programa aeroespacial da época, ultrapassando, assim, a União Soviética, que direcionou seus esforços para a construção da primeira estação espacial temporal: a Salyut 1 (Abril de 1971).

Décadas se passaram sobre essa “corrida”, trazendo sucessos e fracassos para ambos os lados, mas, que beneficiaram o desenvolvimento tecnológico mundial na área aeroespacial diante de muitas descobertas realizadas pela determinação e coragem de ambas as nações, que estão de volta para uma nova etapa da exploração do espaço.

Atualmente, Rússia e China já iniciaram negociações sobre a expansão da cooperação na indústria espacial, o que dará início a uma aliança capaz de realizar missões tripuladas conjuntas, inclusive para a Lua, onde pretendem criar uma estação lunar tripulada permanente, além de colocar em órbita equipamentos de observação espacial de alta capacidade tecnológica, como o satélite científico russo Spektr-RG, fabricado em parceria com a Alemanha, e que levará ao espaço o telescópio eROSITA**.

O Governo dos EUA, por sua vez, segundo o presidente Donald Trump, determinou que a NASA (Agência Espacial Norte Americana) empenhe esforços não só para voltar a pisar na Lua brevemente, como, também, colocar a bandeira e a pegada norte-americana no solo marciano até 2030, mas, até que o seu novo foguete esteja finalizado para as futuras missões, a NASA tem que pagar 80 milhões de dólares (cerca de R$ 301,87 milhões – cotação de 26/07/19 >> US$1 = R$ 3,7734) para a Agência Espacial Russa para cada astronauta norte-americano que pegar “carona” em seu foguete Soyuz, como foi o caso do lançamento russo realizado no último dia 20 de julho (2019), o qual partiu de Baikonur, localizado no Cazaquistão.

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Notas:

* Inicialmente, o foguete Semyorka foi criado em 1957 como míssil balístico destinado a levar cargas termonucleares a qualquer ponto do globo terrestre. Entretanto, suas possibilidades técnicas eram muito mais amplas do que as exigências em relação à arma balística, algo que o tornou pivot da cosmonáutica soviética. Pertencia à família dos R-7, que apresentou integrantes como o Sputnik 8K71PS (1957), o Vostok 8K72K (1960), o Voskhod 11A57 (1963) e o Soyuz 11A511 (1966), cuja plataforma é utilizada desde então como lançador de satélites e cosmonautas.

** O eROSITA é dotado de sete detectores de raios X. Permitirá observar mais de 100 mil clusters galácticos e obter imagens de milhões de buracos negros, grupos de galáxias e estrelas de nêutrons mortos, marcando “o início de uma nova era na astronomia de raios X”, segundo comunicado do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Munique, que forneceu o instrumento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Astronauta norteamericano Neil Armstrong” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong#/media/Ficheiro:Neil_Armstrong_pose.jpg

Imagem 2 Foguete russo Soyuz” (Fonte): https://archive.org/download/nasahqphoto-7187014046/nasahqphoto-7187014046.jpg

Imagem 3 Foguete soviético R7 Semyorka” (Fonte): http://www.b14643.de/Spacerockets_1/East_Europe_1/Semyorka/Gallery/R-7_1big.jpg

Imagem 4 Cosmonauta soviético Yuri Gagarin” (Fonte): https://incrivelhistoria.com.br/yuri-gagarin-terra-azul-1961/

Imagem 5 Família de foguetes russos R7” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/R-7_(família_de_foguetes)#/media/Ficheiro:Roket_Launcher_R-7.svg