NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Putin rebate as alegações de que hackers russos agiram nas eleições dos EUA e França

Em uma entrevista com diferentes membros da imprensa, ocorrida na manhã da última quinta-feira, dia 1º de junho, o presidente russo Vladmir Putin rebateu as acusações de que hackers russos teriam invadido e extraído informações do Comitê Nacional Democrata (DNC) para minar a campanha de Hillary Clinton e favorecer seu adversário, Donald Trump. Algo que vem sendo investigado a respeito de possíveis ligações com o Kremlin.

Putin afirmou que o Governo russo nunca realizou ataques cibernéticos contra as eleições norte-americanas. Porém, argumentou e reconheceu a hipótese de que alguns hackers russos “patrióticos” poderiam, sim, ter realizado tais ações contra os EUA, diante da tensão nas relações da Rússia com os norte-americanos.

De acordo com o Mandatário russo, “Os hackers são pessoas livres. Assim como artistas que acordam de manhã de bom humor e começam a pintar, os hackers são os mesmos, eles acordam, leem sobre algo acontecendo nas relações interestatais e, se eles têm inclinações patrióticas, eles podem tentar adicionar sua contribuição para a luta contra aqueles que falam mal sobre a Rússia”. Ele ainda levantou a hipótese de que os ataques cibernéticos teriam sido realizados por terceiros e estavam sendo usados para culpar os russos, adicionando à atual “histeria russofóbica” que vêm se espalhando pelos EUA.

O Presidente também negou o envolvimento russo nas eleições da França. Após Putin demonstrar simpatia por Marine Le Pen, opositora do agora eleito Emmanuel Macrón, os responsáveis da campanha deste alegaram que hackers russos teriam invadido os computadores da campanha do candidato francês e teriam vazado informações privadas de Macrón.

Putin ressaltou que não acreditava que hackers, independente de sua origem, poderiam manipular eleições. Declarou: “(e)stou profundamente convencido de que nenhum hacker pode influenciar radicalmente a campanha eleitoral de outro país. Nenhum hacker pode influenciar campanhas eleitorais em qualquer país da Europa, Ásia ou América”.

Captura de Tela de um do relatório da NSA

Porém, no dia 5 de junho, o site The Intercept obteve e divulgou um relatório secreto da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA). O relatório é datado de 5 de maio de 2017 e é fruto das investigações do envolvimento russo nas eleições estadunidenses ocorridas em novembro do ano passado (2016).

Nele se alega que a Diretoria de Inteligência Principal do Estado-Maior Russo (GRU) teria realizado ataques cibernéticos contra um fornecedor de software para as eleições e contra mais de 100 representantes eleitorais. De acordo com o relatório, “Os atores da Diretoria de Inteligência Principal do Estado-Maior Russa… executaram operações de ciberespionagem contra uma empresa americana nomeada em agosto de 2016, evidentemente para obter informações sobre soluções de software e hardware relacionadas a eleições. (…). Os atores provavelmente usaram dados obtidos dessa operação para (…) lançar uma campanha de lança-phishing*, com registro de eleitores, dirigida às organizações de governo local dos Estados Unidos”.

Trata-se de um relatório final que não apresenta como a NSA conseguiu provas para essas alegações, no entanto, o documento foi autenticado e um oficial de inteligência norte-americano, que não quis ser identificado, alertou ao The Intercept para que não se tirassem conclusões definitivas, já que uma única análise não é necessariamente a última.

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* Lança-phishing: método usado por hackers onde enviam e-mails se passando por serviços e pessoas conhecidas, em uma tentativa de extrair informações dos alvos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vladmir Putin” (Fonte By Kremlin.ru, CC BY 4.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=40763566

Imagem 2Captura de Tela de um do relatório da NSA” ( Fonte):

https://www.documentcloud.org/documents/3766950-NSA-Report-on-Russia-Spearphishing.html#document/p1

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

O Futuro Incerto da Indústria de TI na Índia

O setor de Tecnologia da Informação (TI) se consolidou na Índia desde os anos 1990, tornando-se uma das principais fontes de geração de renda e de presença no exterior. Empresas do país se colocaram entre as principais fornecedoras desses serviços, se internacionalizando, e, associado ao fenômeno da fuga de cérebros, centenas de milhares de indianos graduados migraram para o mundo desenvolvido para trabalhar. Nos últimos anos, porém, as empresas estão começando processos de demissão em massa. Fatores estruturais e conjunturais indicam que o futuro do setor de TI indiano é cada vez mais incerto.

Donald Trump, Presidente dos EUA

O fator conjuntural que nas últimas semanas repercutiu na mídia interna são as reformas nas políticas migratórias dos países desenvolvidos, que protegem os mercados e diminuem a possibilidade de migrações de trabalhadores da Índia. O foco principal é a Ordem Executiva de Donald Trump, do último dia 18 de abril, onde ele afirma que as diretrizes relacionadas à emissão de vistos H-1B serão remodeladas. Os vistos H-1B são destinados a trabalhadores estrangeiros temporários de alta qualificação com propostas de emprego de empresas situadas nos EUA, e 70% de suas emissões são para trabalhadores indianos. Outros países desenvolvidos procurados por esses profissionais seguiram essa mesma tendência, como a Austrália, que revogou o programa de vistos mais utilizado pelos indianos; o Reino Unido, que enrijeceu a política de salários para trabalhadores estrangeiros; e Singapura, onde as empresas agora são obrigadas a propagandear as suas ofertas de trabalho internamente antes de procurar trabalhadores estrangeiros.

Essas medidas não só diminuem a oferta de trabalho para os indianos fora de seu país –  o que coloca grande pressão no mercado de trabalho interno, visto que a Índia é um dos países mais populosos do mundo – mas também vai contra o modelo de negócio do setor de TI indiano. A promoção desse setor na Índia é um projeto estatal com suas raízes nos primeiros anos pós-independência do país, quando o Governo estimulou a educação, entre outros meios, a partir da criação de institutos de pesquisa voltados à engenharia e à tecnologia de ponta. Medidas de proteção à indústria de TI, como preferências cambiais e controles à entrada de empresas estrangeiras, foram, de acordo com economista Samira Schatzmann[1], fundamentais para o sucesso do setor a partir dos anos 1990.

Setor de TI na Índia

Após a consolidação de empresas de TI internamente, as corporações indianas como a Tata Consultancy Services e a Infosy se expandiram internacionalmente, construindo sedes pelo mundo desenvolvido, principalmente nos EUA, onde estão a maioria de seus clientes. Com a contratação de indianos nas suas sedes no território norte-americano, através dos vistos H-1B, as empresas indianas diminuem seus custos com salários e se tornam, assim, mais competitivas nos mercados internacionais. A possibilidade de impedimentos a esta estratégia, através das políticas de Trump, levou a respostas do Governo indiano e da Nasscom, lobby de empresas do setor de TI, com ambos atores indicando que irão iniciar diálogos nos próximos meses com o Governo estadunidense para tentar impedir limitações à emissão desses vistos.

Esse é apenas um problema conjuntural enfrentado pelas empresas indianas de TI, ainda que possa ter efeitos de longo prazo. Estruturalmente, as corporações e os trabalhadores indianos estão começando a apresentar dificuldades em migrar para as novas fronteiras tecnológicas, como  a digitalização, os serviços de nuvens, a Internet das Coisas e a robótica. Além disso, a quantidade de mão-de-obra necessária para realizar seus serviços está diminuindo, a partir de um maior processo de automação, o que gera impactos em toda economia da Índia. Nesse sentido, reiniciar o processo de catch up, isto é, reaproximar-se dos países desenvolvidos em termos de inovações tecnológicas, é um desafio que requer um plano de ação muito mais complexo do que este que o atual governo está atualmente propondo, o qual basicamente trata como inexistentes as dificuldades atuais dos setores de TI na Índia.

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[1] Samira Schatzmann. Inserção Internacional e Desenvolvimento Econômico em Países Emergentes: O Caso da Índia. Dissertação de mestrado. Disponível em: http://hdl.handle.net/10183/25815.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Sedes da Tata Consultancy Services em Ohio” (Fonte):

https://www.glassdoor.com/Photos/Tata-Consultancy-Services-Office-Photos-IMG463893.htm

Imagem 2Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_Pentagon_2017.jpg

Imagem 3Setor de TI na Índia(Fonte):

http://www.livemint.com/Opinion/1ySi8jbeybHPp4IBVtziZJ/Indias-IT-sector-needs-risk-preference-of-a-young-person.html

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

Governo Brasileiro busca cooperação para Base de Alcântara

No dia 31 de maio, quarta-feira passada, o Ministro da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, anunciou que o presidente brasileiro Michel Temer apresentará projeto ao Congresso Nacional com vistas a permitir a utilização internacional do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Estado do Maranhão, nordeste do país. Segundo Jungmann, Estados Unidos, Rússia, França e Israel têm interesse em parcerias. A proximidade da Base com a linha do Equador permite colocar satélites em órbita com menos combustível e menor custo, tornando-a financeiramente interessante.

A utilização internacional do Centro de Lançamento, especialmente pelos Estados Unidos, é uma proposta antiga e já gerou intenso debate nacional. Há duas questões principais: a de que a parceria poderia trazer vantagens financeiras ao país; mas, também, há a preocupação com as restrições colocadas pelos EUA. As negociações de um acordo bilateral ocorreram durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e foram retiradas de pauta no início do Governo Lula (2003-2010).

Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

O ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral (2003-20014), defende que o Acordo não era interessante ao Brasil porque não gerava transferência de tecnologia e impossibilitava a cooperação com outros parceiros. Os EUA exigiam um acordo de salvaguarda de tecnologia, que foi assinado, mas não ratificado. Isso gerou polêmica, especialmente porque o Brasil teria que ceder o controle sobre a Base. Para os críticos, tal ponto choca-se com o princípio de soberania. Após o arquivamento das negociações com os norte-americanos, o Governo Lula firmou um acordo sobre cooperação espacial com a Ucrânia, que não vingou e foi denunciado unilateralmente pelo Brasil, em 2016.

Com o início do governo de Michel Temer, os Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa do país retomaram as discussões para um Tratado com os Estados Unidos sobre a utilização comercial do Centro de Lançamento. A retomada dos diálogos é motivada pelas dificuldades que houve na parceria com a Ucrânia e por um movimento mais amplo de aproximação bilateral. As relações com norte-americanos ficaram mais distantes em 2013, quando foi divulgado que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos estava espionando o Governo brasileiro. Posteriormente, Dilma Rousseff cancelou uma visita ao país e a normalização das relações bilaterais foi iniciada apenas no seu segundo mandato, quando visitou os EUA em 2015, e está sendo intensificada no governo de Michel Temer.

Cerimônia pela posse do ministro Raul Jungmann

Em abril deste ano (2017), Jungmann visitou a Base e demonstrou vontade política em reativá-la, bem como em firmar acordos de salvaguarda com os países interessados.  Segundo o Ministro, será criado um Conselho Nacional sobre o tema do espaço. Além disso, a iniciativa privada nacional será envolvida, especificamente a Embraer, empresa do setor aéreo. O Ministro ressaltou ainda que o tema é relacionado com a Defesa nacional e que a soberania será respeitada.

Cabe ressaltar que o principal argumento em favor do uso internacional da base de lançamento refere-se aos recursos financeiros que poderiam ser trazidos ao programa espacial brasileiro, o que é urgente para reavivá-lo. Contudo, conforme apresentam especialistas na área, tão importante quanto recursos são a transferência de tecnologia e o investimento em pesquisa para gerar capacidade de produção própria, tanto que o fio condutor dos projetos da Marinha do Brasil (em especial o PROSUB – o Programa de Submarinos), e o da Força Aérea Brasileira (o Projeto FX-2, para aquisição de caças) teve como condição de aprovação a transferência de tecnologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mockup de testes do VLS1” (FonteForça Aérea Brasileira/FAB):

https://es.m.wikipedia.org/wiki/Archivo:Macri_Awada_Reyes.jpg

Imagem 2Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_Lan%C3%A7amento_de_Alc%C3%A2ntara

Imagem 3 Cerimônia pela posse do ministro Raul Jungmann”  (FonteMinistério da Defesa/MD):

https://www.flickr.com/photos/ministreiodadefesa/26455866543

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Cabos submarinos ligarão Angola, Brasil e Estados Unidos

O Banco de Desenvolvimento da Angola (BDA), Instituição Financeira Pública, investiu USD 130 milhões na construção de cabos submarinos de fibra ótica. O projeto visa conectar Brasil, Angola e Estados Unidos e será operacionalizado pela empresa Angola Cable.

Denominada Sistema de Cabo do Atlântico Sul (SACS), a conexão submarina se dará entre as cidades de Fortaleza e Luanda. A capacidade de transmissão de dados do SACS será de 40Tbps (terabits por segundo) e se estenderá por 6 mil quilômetros. O denominado Cabo das Américas (CA), interligará Santos, Fortaleza e Boca Raton, com extensão de 10.556 quilômetros e capacidade de 64 Tbps.

A Angola Cable está na área de telecomunicações há oito anos e suas ações são detidas majoritariamente pela empresa pública Angola Telecom. Os projetos SACS e CA serão desenvolvidos em consórcio com as empresas Algar Telecom (Brasil), Antel (Uruguai) e a Google (Estados Unidos).

Nelson Manuel Cosme, Embaixador de Angola no Brasil. Fonte: Wikipedia

Também é previsto ampliar o investimento no Brasil. Até o mês de abril, a Angola Cable havia aplicado US$ 10 milhões nos projetos em território brasileiro e estima-se uma alocação de recursos de US$ 50 milhões até o final do ano (2017). Dentre os projetos sendo empreendidos destacam-se a conclusão do Sistema Monet (cabo submarino entre Santos e Miami) e a construção do data center em Fortaleza, com finalização prevista para o primeiro semestre de 2018.

Nelson Manuel Cosme, Embaixador de Angola no Brasil, salientou que o projeto representa um ponto relevante na história das relações entre os dois países. Complementou ressaltando que essa iniciativa contribuirá para os demais processos de cooperação existentes entre os Estados. Compete destacar que a instalação dos cabos ampliará o tráfego de informações, contribuindo para o aprimoramento de serviços fornecidos e de setores da sociedade, de forma eficiente e menos onerosa*.

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Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Para maiores esclarecimentos, ver:

http://penta2.ufrgs.br/tp951/2_fibras_submarinas.html

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa de cabos submarinos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fibra_%C3%B3ptica#/media/File:Submarine_cable_map_umap.png

Imagem 2Nelson Manuel Cosme, Embaixador de Angola no Brasil” (Fonte):

http://www.governo.gov.ao/thumbnails.aspx?id=10069&w=240&h=240

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Manifesto do partido conservador britânico pede a regulação da Internet

Decorrente da saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o Partido Conservador britânico, liderado pela primeira-ministra Theresa May, publicou o seu Manifesto “Forward, Together”, no qual são declaradas as intenções e desejos que servirão de norte para a política britânica pós Brexit. Dentre as reformas propostas, a mais ambiciosa talvez seja o posicionamento em relação à Internet.

O manifesto expressa o objetivo do governo de Theresa May em regular o uso da Internet, redes sociais, resultados de sites de busca e bloquear sites pornográficos. A intenção intervencionista fica evidente na seguinte passagem do manifesto: “Algumas pessoas dizem que não é para o governo regular quando se trata de tecnologia e da internet… Nós discordamos”.

O manifesto do Partido Conservador almeja a mudança em como a Internet funciona em um nível fundamental. A proposta é tirar a regulação e governança da Internet de empresas privadas e serviços provedores de Internet, passando essa governança para o Governo britânico, o qual, por sua vez, teria palavra final no que pode ou não ser usado, procurado, acessado e/ou dito.

Dentre as medidas, seriam criadas leis para proteger o público de conteúdo abusivo ou violento, daria o direito a maiores de idade de apagar o que foi postado e/ou publicado por eles quando menores, e iria requerer que companhias de Internet promovessem campanhas publicitárias antiterrorismo. Outra proposta é de criar novas regras para que empresas dificultem o acesso a imagens pornográficas ou violentas, onde os criadores de conteúdo teriam que justificar suas políticas para o governo.

Vale ressaltar que essas medidas são pontuais, no entanto, o que está perigosamente ausente é a maneira e até que ponto as redes sociais e a atividade da população seria regulada, tendo em vista que a ausência de clareza poderia facilmente ser adaptada às intenções dos governantes.

O manifesto deixa claro a posição intervencionista e reguladora que a administração de Theresa May vem assumindo em relação à Internet. Exemplos anteriores foram anteriormente publicados aqui, quando a Mandatária liderou o projeto da Lei de Poderes Investigativos, que promoveu a expansão das capacidades de monitoramento britânicas no ciberespaço e, mais recentemente, após o atentado na capital inglesa, quando a  Secretária de Assuntos Internos do Reino Unido, Amber Rudd, pediu a abertura da criptografia do WhatsApp, argumentando que o aplicativo estaria sendo usado para planejar ataques terroristas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifesto Conservador Forward, Together” (Fonte):

https://s3.eu-west-2.amazonaws.com/manifesto2017/Manifesto2017.pdf

Imagem 2 “Primeira-Ministra Theresa May” (Fonte – By Controller of Her Majesty’s Stationery Office: https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/588948/The_United_Kingdoms_exit_from_and_partnership_with_the_EU_Web.pdf, OGL 3):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=55774957

NOTAS ANALÍTICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Wannacry e o ataque cibernético global[:]

[:pt]

Nas últimas horas de sexta feira, 12 de maio, o mundo foi pego de surpresa e sofreu com um ataque cibernético global, o qual afetou mais de 200.000 computadores, em 150 países, de acordo com Rob Wainwright, Diretor da Europol. O malware se espalhou rapidamente pela Internet, procurando por computadores que não haviam sido atualizados para corrigir uma vulnerabilidade no Windows, sistema operacional da Microsoft e o mais comum no mundo. Computadores de grandes empresas e serviços por todo o globo foram afetados e, conforme as pessoas voltam ao trabalho, é possível que o malware contamine outros computadores.

Dentre os afetados estão o serviço de saúde da Inglaterra; a Telefonica, gigante de telecomunicações de origem espanhola; o serviço de entregas norte-americano FedEx; redes elétricas na Índia; bem como o sistema de ferrovias, o Banco Central, e o Ministério do Interior Russo. No Brasil, computadores do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), do Ministério Público de São Paulo, do INSS, da Petrobrás e do IBGE foram atingidos. Por precaução, computadores de Tribunais de Justiça de diferentes estados foram desligados.

O ataque cibernético consistia em um ransomware, um tipo de malware específico que invade o computador e criptografa os arquivos, exigindo da vítima um resgate em dinheiro para que os sequestradores devolvam o acesso às vítimas. O ataque só foi interrompido quando especialistas acionaram uma “killswitch (chave mestra), ao registrarem um dos domínios que o malware estava usando para se espalhar. Porém, após essa solução, uma segunda versão do WannaCry voltou a atingir computadores na segunda-feira (dia 15 de maio), porém ele não vêm se espalhando, de acordo com especialistas, devido à um erro no código do programa.

Dado o grande número de computadores afetados, envolvendo órgãos e infraestruturas estratégicas de diferentes países, questões obviamente estão sendo levantadas, além de uma maior preocupação em segurança e em manter os dispositivos eletrônicos atualizados, por parte de usuários. Por enquanto, pouco se sabe da origem da ação, mas, segundo empresas de segurança cibernética, o malware foi desenvolvido a partir de ferramentas previamente utilizadas pela Agência de Segurança Nacional Norte-Americana (NSA) e recentemente postas em leilão online por um grupo conhecido como “ShadowBrokers”, como foi previamente publicado aqui.

Na terça-feira de manhã (dai 16), duas empresas de segurança, Kaspersky e Symantec, apontam que o malware pode ter sido criado pelo grupo de hackers com ligação ao Governo norte-coreano, conhecido como “Lazarus”. Segundo as empresas, uma das versões mais antigas do código do WannaCry tinha as mesmas linhas de código utilizadas pelo grupo quando hackearam o estúdio cinematográfico Sony Pictures, em represália pela divulgação de um filme no qual o líder norte-coreano, Kim Jong-un, era assassinado. No entanto, outro grupo de hackers pode ter facilmente se apropriado do código do grupo norte-coreano, com a intenção de gerar falsas suspeitas, porém, como o código foi excluído em versões mais recentes do malware, é pouco provável que isso tenha acontecido.

O WannaCry representa as consequências do mal-uso e práticas negligentes com o espaço cibernético, com os danos tendo sido financeiros, em sua maior parte. Porém, se as práticas não mudarem e o espaço cibernético não for levado à sério em sua totalidade (de redes de supercomputadores à dispositivos inteligentes), não haverá garantia de que, da próxima vez, sistemas de mísseis, hospitais e usinas termonucleares não serão os alvos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mensagem do malware pedindo o resgate dos arquivos criptografados” (FonteBy WannaCryhttps://securelist.com/blog/incidents/78351/wannacry-ransomware-used-in-widespread-attacks-all-over-the-world/, Public Domain):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=58846200

Imagem 2 Mapa dos países incialmente afetados” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/WannaCry_ransomware_attack

Imagem 3Pesquisador aponta semelhanças no código do WannaCry e do grupo Lazarus” (Fonte):

https://twitter.com/msuiche/status/864179805402607623/photo/1

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