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[:pt]China pretende construir uma fazenda de geração de energia solar, nas cinzas de Chernobyl[:]

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O desastre de Chernobyl, que ocorreu no ano de 1986, na Ucrânia, é considerado o pior acidente nuclear que já ocorreu, tendo matado diretamente 50 pessoas e estima-se que 4.000 outras morreram ao longo dos anos devido à exposição à radiação. Atualmente, duas empresas chinesas anunciaram o projeto para a construção de uma fazenda de geração de energia solar em Chernobyl, fato que atraiu investidores internacionais, sobretudo da Alemanha.

As empresas envolvidas são a GCL Tecnologia e Integração de Sistemas Ltd. e a Companhia Nacional de Engenharia da China, visando a construção de uma fazenda solar capaz de gerar um Giga Watt de energia, o que equivale a capacidade de geração de um reator nuclear moderno. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD, na sigla em inglês) indicou que estaria disposto a cofinanciar projetos que envolvam a geração de energia sustentável no local. Ressalte-se que o EBRD já aportou mais de US$ 500 milhões para a criação de uma instalação de aço visando conter a radiação do reator de Chernobyl.

A área útil é de aproximadamente 6.000 hectares e o local possui ampla exposição solar, além de ser um terreno de baixíssimo preço de mercado, fatores que viabilizam a realização do projeto. Treze investidores internacionais e mais de 39 grupos empresariais de menor porte, oriundos sobretudo da Alemanha, estão buscando permissão para criar parques solares em Chernobyl, em escala menor do que o projeto chinês. Permanecem as dúvidas acerca da segurança para os trabalhadores que atuarão na construção e manutenção destes parques solares.

O projeto chinês deverá se estender pelos próximos dois anos. Conseguir revitalizar a área de um desastre de tamanha proporção, gerando energia advinda de fontes renováveis, seria um significativo gesto político acerca das intenções da China em despontar como um país que defende o desenvolvimento sustentável e a agenda de combate às mudanças climáticas. Além disto, este fato remete à discussão acerca dos limites ambientais do capitalismo, evidenciando os perigos e desafios de prover energia para uma população global em ritmo crescente, além de uma população chinesa que aumenta o seu padrão de consumo.

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Imagem 1 Placa com o símbolo nuclear, localizada em Chernobyl ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/16/VOA_Markosian_-_Chernobyl02.jpg

Imagem 2 Mapa com as zonas afetadas pela radiação do desastre de Chernobyl” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5c/Chernobyl_radiation_map_1996-lt.svg/2000px-Chernobyl_radiation_map_1996-lt.svg.png

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ÁSIADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Aumentam as tensões entre China e Coréia do Sul, no ciberespaço[:]

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Em resposta aos recentes testes de mísseis pela Coréia do Norte, a Coréia do Sul implementou o sistema anti-mísseis conhecido como Defesa Terminal Aérea de Alta Altitude (THAAD, na sigla em inglês). No entanto, oficiais do Governo chinês expressaram a preocupação de que os sensores altamente precisos do THAAD alcançariam grandes partes do território chinês e, portanto, poderiam ser usados pela Coréia do Sul para espionar a China.

Em fevereiro, após a declaração de que os sul-coreanos iriam implementar o sistemas anti-mísseis, a empresa de segurança cibernética norte-americana FireEye detectou um aumento exponencial em ataques cibernéticos originados da China, tendo como alvo sistemas de computadores na Coréia do Sul.

Segundo a FireEye, alvos mais específicos foram as organizações envolvidas com o desenvolvimento do THAAD, onde e-mails com malware anexados eram enviados e páginas frequentadas por oficias militares, da indústria e governamentais eram exploradas para baixar malware nos dispositivos que se conectassem à elas. Outra ocorrência foi um ataque de Dados (onde se direciona um grande tráfego para sobrecarregar os servidores de um alvo específico) que desabilitou o site do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano e, segundo oficiais do Governo, o ataque também teve origem chinesa.

De acordo com John Hultquist, diretor de análise de ciber-espionagem da FireEye, em entrevista ao Wall Street Journal, um erro possibilitou que os analistas da empresa identificassem a origem dos ataques, os quais foram realizados por dois grupos de hackers associados ao Governo chinês, um deles foi responsável por ataques cibernéticos direcionados à um grande número de empresas norte-americanas, o outro opera da mesma região onde hackers norte-coreanos costumam operar. Além dos grupos ligados ao Governo chinês, existem indícios do envolvimento de dois outros grupos independentes, porém não foi divulgado muito a respeito.

De acordo com a reportagem do Wall Street Journal, a empresa de segurança cibernética Kaspersky Lab ZAO, de origem russa, também detectou um aumento de ataques contra alvos sul-coreanos, a partir de fevereiro deste ano (2017). 

A resposta da Coreia do Sul, por enquanto, se limitou à declaração de um porta-voz, o qual afirmou que “medidas defensivas imediatas” impediram a efetividade dos ataques chineses, e que foi implementado um “sistema de serviço de emergência” para repelir futuros ataques.

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Imagem 1Sistema anti-mísseis THAAD” (Fonte U.S. Army Ralph Scott/Missile Defense Agency/U.S. Department of Defense Successful Mission, Public Domain):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=29114493

Imagem 2Logo da empresa FireEye” (Fonte):

https://www.fireeye.com

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Incubadoras e aceleradoras de negócios movimentam o cenário da inovação na China[:]

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A visão da China como um país que fabrica produtos manufaturados de baixa qualidade e não possui inovação era um cenário comum na década de 1990 e no início dos anos 2000. No entanto, este panorama vem mudando rapidamente. A China possui planos estatais para o desenvolvimento de tecnologia com intenso índice de conteúdo nacional, além de utilizar a estratégia de obtenção de tecnologia advinda da aquisição de empresas estrangeiras e, atualmente, o país realiza rápidos avanços em setores de ponta.

Neste sentido, cabe abordar o caso das incubadoras e aceleradoras de negócios que atuam no país. As incubadoras de negócios são empresas que buscam auxiliar startups em suas fases iniciais, havendo foco no processo de inovação e na transformação de boas ideias em negócios viáveis e competitivos. Já as aceleradoras de negócios buscam aumentar a escala de uma empresa já existente, ajudando-a na sua expansão através da oferta de capital e conhecimento gerencial (know how). As aceleradoras costumam atuar com um tempo delimitado e em ações específicas, ao passo que as incubadoras possuem uma atuação menos estruturada, a depender da situação da empresa.

Exemplos de aceleradoras incluem a Microsoft Accelerator Beijing, sediada em Pequim, que auxilia grandes startups a aumentar a escala dos seus negócios, e a Innosprings, sediada em Shangai, que auxilia as empresas que buscam expandir seus negócios através de processos de internacionalização. Exemplos de incubadoras incluem a Sinovation Ventures, sediada em Pequim, que foca em empresas que busquem atuar em setores de ponta, como conexão de dispositivos – Internet of Things (IoT, na sigla em inglês) e ferramentas para desenvolvimento web. Outro exemplo de incubadora é a Startup Leadership, sediada em Shangai, que consiste na sede chinesa de uma empresa que é uma renomada incubadora global.

No que diz respeito à participação do Governo chinês no processo de inovação, aponta-se que o capital para financiamento de aceleradoras e incubadoras de negócios na China provém majoritariamente do Governo, que contribui com 28,4% do financiamento, sendo que 22,8% do capital é oriundo de empresas e investidores privados e 17,7% vem das universidades. As fontes apontam que os outros 33% são advindos de recursos de fontes mistas.

Os gastos do Governo com pesquisa e desenvolvimento da China passaram de 0,9% do PIB no ano 2000 para 2% do PIB no ano de 2015 e estão projetados para alcançar 2,5% até o ano de 2020. A crítica que se faz ao modelo de inovação do Governo chinês é que o foco dos seus planejamentos consiste em produção quantitativa de tecnologia (tendo metas para aumentar o número de depósitos de patentes, por exemplo), e menor preocupação com a qualidade do que é produzido. Analistas apontam que a China ainda realiza inovação que consiste na adaptação de produtos estrangeiros para o seu mercado doméstico, mas possui certas dificuldades em produzir tecnologia inteiramente inovadora ou que rompa com o estado da arte. Não obstante, este cenário parece estar mudando.

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Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a tecnologia” (Fonte):

https://cdn.pixabay.com/photo/2017/02/20/14/18/technology-2082642_960_720.jpg

Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a inovação” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/6/5004/5351622529_5d4c782817_z.jpg

Imagem 3 Gráfico demonstrando os passos do processo de inovação estratégica ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/e/ea/Slide_2-Bandrowski-Strategic-Innovation-Process.jpg

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BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

A Europa na era do Espaço 4.0

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No último trimestre de 2016, a política espacial europeia registrou dois avanços substanciais. O primeiro foi no campo político, com o lançamento da Estratégia Espacial Europeia, e o segundo deu-se no âmbito técnico, com o aguardado início do ciclo operacional do Programa Galileo*.

Estas duas conquistas impulsionaram o Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (AEE), na reunião realizada em dezembro, a encampar o conceito de Espaço 4.0i. Isto é, uma nova era na qual o espaço gradualmente deixa de ser um campo acessível somente a poucas nações, tornando-se uma arena com maior número de atores – inclusive não estatais.

As sociedades e os indivíduos, consequentemente, passarão a ter influência mais ativa nesta seara, ao mesmo tempo em que ampliarão no dia a dia o seu acesso a dados e serviços oriundos do setor espacial. O objetivo europeu é intensificar a sua cooperação espacial, guiado pelo mote “inovar, inspirar, informar e interagir” para disseminar em maior escala dados e serviços para toda a sociedade.

O foco no impacto sobre a vida cotidiana do cidadão fica evidente no tratamento dado à divulgação do início do ciclo operacional do Programa Galileo, por exemplo. A Comissão Europeia destacou que entre as principais contribuições deste programa estão: i. navegação com maior precisão para os cidadãos; e ii. melhor sincronização temporal das infraestruturas críticas (tornado serviços financeiros, bancários e de telecomunicações mais eficientes).

A mesma linha de argumentação, focando no impacto para o cidadão e no desenvolvimento econômico, também pode ser verificada no Programa Copernicus** – outro programa espacial emblemático europeu. O satélite Sentinel-2B, quinto a operar no âmbito desta iniciativa, foi lançado no último dia 7 de março e reduziu de dez para cinco o número de dias que o Copernicus precisa para cobrir todo o planeta.

Neste caso, os benefícios levantados pela Comissão Europeia vão desde a redução de custos das atividades de agricultura de precisão e o aumento da produtividade da piscicultura, até o apoio à definição de rotas comerciais marítimas mais eficientes (que gastam menos combustível e, por conseguinte, poluem menos).

Ao longo do discurso europeu, observa-se um esforço significativo para dar mais escala às tecnologias e aos serviços oriundos do seu programa espacial. Esta é uma forma de incrementar a base industrial europeia relacionada com o setor espacial e correlacioná-la com os setores mais dinâmicos da “nova economia”. Outro ponto que merece destaque é o potencial dual que o programa espacial apresenta, pois contempla, ainda que tacitamente, as atividades de segurança e defesa europeias, com o diferencial de que os recentes avanços europeus neste campo favorecem a sua independência tecnológica.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Sistema global de navegação por satélite da Europa. Oferece uma série de serviços de posicionamento, navegação e cronometria de topo de gama aos utilizadores em todo o mundo. O Galileo é totalmente interoperável com o GPS, mas oferecerá um posicionamento mais preciso e fiável aos utilizadores finais. De momento, a constelação Galileo é constituída por 18 satélites já todos em órbita. Prevê-se que, quando estiver concluída em 2020, a constelação terá 30 satélites.

** Programa de observação da Terra. Trata-se de um conjunto de sistemas complexos que recolhem dados sobre a Terra por intermédio de satélites e sensores situados na superfície terrestre, no céu e no mar. Os dados do programa Copernicus têm muitas outras aplicações, entre as quais: planeamento urbano, proteção da natureza, agricultura e silvicultura, saúde, resposta a catástrofes, transportes e turismo.

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Imagem 1 Imagem representativa do conceito Espaço 4.0i da Agência Espacial Europeia

(Fonte):

http://www.esa.int/spaceinimages/Images/2016/10/Space_4.0i

Imagem 2 Imagem da Capa do documento European Space Policy: Historical perspective, specific aspects and key challenges” (Fonte):

http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/IDAN/2017/595917/EPRS_IDA%282017%29595917_EN.pdf

Imagem 3 Imagem da cidade de Brindisi, Itália. Uma das primeiras imagens processadas pelo satélite Sentinel2B, lançado no dia 7 de março de 2017” (Fonte):

http://www.esa.int/spaceinimages/Images/2017/03/Brindisi_Italy

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

Empresa de segurança identifica ataques cibernéticos da CIA em 16 países

Começam a surgir primeiros desdobramentos das revelações do Wikileaks, conhecidas como “Vault 7”, pelas quais foram evidenciadas diferentes metodologias e táticas usadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) para contaminar computadores e dispositivos eletrônicos ao…

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AMÉRICA DO NORTEDEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]O mascaramento de ataques cibernéticos como sendo feitos por outras nações[:]

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Em uma trova de documentos denominada “Marble”, publicados pelo Wikileaks, em 31 de março, estão expostas diferentes táticas e técnicas utilizadas pela Agência Central de Inteligência norte americana (CIA) para contaminar computadores e dispositivos ao redor do mundo.  Dentre as ferramentas utilizadas, estão vírus, Trojans, e diferentes softwares.

A informação mais pertinente está nos documentos que evidenciam como o Marble Framework funciona. De acordo com os documentos, o Marble Framework é uma ferramenta utilizada pela CIA para mascarar as linhas de código de um software como sendo de outro país ou instituição. Isso era feito com o objetivo de ludibriar qualquer levantamento forense em computadores e dispositivos infectados. 

É comum, no meio das telecomunicações e softwares, a existência de bugs e brechas de segurança. É do interesse das empresas que fazem os softwares acabar com esses riscos, a fim de garantir a segurança de seus usuários. É por isso que estamos constantemente atualizando nossos aplicativos, sistemas operacionais etc. Muitas vezes, empresas especializadas ajudam nessa empreitada. 

O Marble Framework consistia na substituição da linguagem dos códigos-fonte dos vírus e trojans, do inglês para o russo, chinês, coreano, ou árabe. Dessa forma, caso o malware da CIA fosse detectado, a empresa que estava investigando a falha de segurança erroneamente a atribuía a quem a CIA deseja-se incriminar. 

Segundo o comunicado do Wikileaks: “O código-fonte mostra que Marble tem exemplos de teste não apenas em inglês, mas também em chinês, russo, coreano, árabe e persa. Isso permitiria um duplo jogo de atribuição forense, por exemplo, fingindo que a linguagem falada do criador de malware não era Inglês americano, mas chinês, mas depois mostrando tentativas de esconder o uso do chinês, levando investigadores forenses ainda mais fortemente para a conclusão errada, — mas há outras possibilidades, como ocultar falsas mensagens de erro”. 

A prática mostra a faceta da espionagem tradicional da Agência – mascarar a sua identidade e incriminar seus adversários – aplicada à espionagem cibernética e leva ao questionamento de outros ataques cibernéticos, nos quais a CIA e a comunidade de inteligência apontaram outras nações como culpadas. Não foi divulgado se outras agências e países atuam da mesma forma.

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Imagem 1Anúncio da publicação da trova de documentos Marble” (Fonte):

https://twitter.com/wikileaks/status/847749901010124800

Imagem 2Insígnia do Centro de Operações Informacionais da CIA” (Fonte):

https://wikileaks.org/ciav7p1/logo.png

Imagem 3Logo do Wikileaks” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AWikileaks_logo.svg

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]A China anuncia a construção de uma zona econômica três vezes maior que a área de Nova York[:]

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A criação de zonas econômicas especiais é um fator estratégico no modelo de desenvolvimento da China, tendo sido largamente utilizado durante a abertura econômica iniciada no Governo de Deng Xiaoping (1978-1989), período que impulsionou as reformas e a maior integração do país à economia global. A cidade de Shenzhen é um exemplo emblemático desta estratégia.

Shenzhen se tornou uma zona econômica especial nos anos 1980 e é atualmente considerada como o Vale do Silício da China no que diz respeito à produção de hardware, tendo se tornado um polo de inovação. Destaca-se que a cidade apresentou um crescimento do PIB de 9% no ano de 2016, um ritmo mais acelerado do que a média nacional e mais intenso do que o que se verificou em Pequim e em Shangai.

Baseado no exemplo de Shenzhen, o Governo chinês anunciou neste ano (2017) a criação de uma zona econômica especial localizada no distrito de Xiongan, com uma extensão de 2000 quilômetros quadrados, o que corresponde a uma área três vezes maior que o território de Nova York. Este território será articulado em um triângulo de integração urbana compreendendo Pequim-Tianjin-Hebei, província na qual está localizado o distrito de Xiongan. Espera-se que a nova região assuma algumas das atividades econômicas de Pequim, sobretudo no que tange a produção de bens intermediários e atividades subsidiárias, visando a redução de custos na capital.

Paralelamente a isto, observa-se o desenvolvimento de polos de inovação, tais como o que se estende na cidade de Cantão (Guangzhou), centrados na produção de software para smartphones e Big Data. Guangzhou é a terceira maior cidade da China, cuja tradição em comércio remete aos antigos trajetos da Rota da Seda. No período recente, a cidade ganhou proeminência por ser atrativa para empresas estrangeiras e possuir vantagens logísticas ligadas a um porto altamente desenvolvido. No momento, a cidade vive uma transformação que é simbólica do estado da economia chinesa como um todo. Centros de pesquisa e desenvolvimento passaram a emergir, transformando o caráter econômico deste espaço urbano.

Estes fatos remetem à discussão acerca da dimensão espacial do desenvolvimento. A proximidade física e a integração entre empresas, fornecedores, produtores intermediários, instituições de pesquisa e universidades podem suscitar externalidades positivas para novos negócios, tais como ideias, inovação e diversificação produtiva. Se bem conduzido, este processo pode dar início à formação de um cluster ou aglomerado industrial, possibilitando a formação de economias de escala e a condução de estratégias empresariais (mesmo de internacionalização), que não poderiam ser realizadas se as empresas agissem individualmente.

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Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a indústria chinesa” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/4/3677/11286011483_9a9a3a1a14_b.jpg

Imagem 2 Cidade de Shenzhen” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Shenzhen_CBD_and_River.jpg

Imagem 3 Província de Hebei” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg/2000px-Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg.png

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