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[:pt]Incubadoras e aceleradoras de negócios movimentam o cenário da inovação na China[:]

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A visão da China como um país que fabrica produtos manufaturados de baixa qualidade e não possui inovação era um cenário comum na década de 1990 e no início dos anos 2000. No entanto, este panorama vem mudando rapidamente. A China possui planos estatais para o desenvolvimento de tecnologia com intenso índice de conteúdo nacional, além de utilizar a estratégia de obtenção de tecnologia advinda da aquisição de empresas estrangeiras e, atualmente, o país realiza rápidos avanços em setores de ponta.

Neste sentido, cabe abordar o caso das incubadoras e aceleradoras de negócios que atuam no país. As incubadoras de negócios são empresas que buscam auxiliar startups em suas fases iniciais, havendo foco no processo de inovação e na transformação de boas ideias em negócios viáveis e competitivos. Já as aceleradoras de negócios buscam aumentar a escala de uma empresa já existente, ajudando-a na sua expansão através da oferta de capital e conhecimento gerencial (know how). As aceleradoras costumam atuar com um tempo delimitado e em ações específicas, ao passo que as incubadoras possuem uma atuação menos estruturada, a depender da situação da empresa.

Exemplos de aceleradoras incluem a Microsoft Accelerator Beijing, sediada em Pequim, que auxilia grandes startups a aumentar a escala dos seus negócios, e a Innosprings, sediada em Shangai, que auxilia as empresas que buscam expandir seus negócios através de processos de internacionalização. Exemplos de incubadoras incluem a Sinovation Ventures, sediada em Pequim, que foca em empresas que busquem atuar em setores de ponta, como conexão de dispositivos – Internet of Things (IoT, na sigla em inglês) e ferramentas para desenvolvimento web. Outro exemplo de incubadora é a Startup Leadership, sediada em Shangai, que consiste na sede chinesa de uma empresa que é uma renomada incubadora global.

No que diz respeito à participação do Governo chinês no processo de inovação, aponta-se que o capital para financiamento de aceleradoras e incubadoras de negócios na China provém majoritariamente do Governo, que contribui com 28,4% do financiamento, sendo que 22,8% do capital é oriundo de empresas e investidores privados e 17,7% vem das universidades. As fontes apontam que os outros 33% são advindos de recursos de fontes mistas.

Os gastos do Governo com pesquisa e desenvolvimento da China passaram de 0,9% do PIB no ano 2000 para 2% do PIB no ano de 2015 e estão projetados para alcançar 2,5% até o ano de 2020. A crítica que se faz ao modelo de inovação do Governo chinês é que o foco dos seus planejamentos consiste em produção quantitativa de tecnologia (tendo metas para aumentar o número de depósitos de patentes, por exemplo), e menor preocupação com a qualidade do que é produzido. Analistas apontam que a China ainda realiza inovação que consiste na adaptação de produtos estrangeiros para o seu mercado doméstico, mas possui certas dificuldades em produzir tecnologia inteiramente inovadora ou que rompa com o estado da arte. Não obstante, este cenário parece estar mudando.

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Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a tecnologia” (Fonte):

https://cdn.pixabay.com/photo/2017/02/20/14/18/technology-2082642_960_720.jpg

Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a inovação” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/6/5004/5351622529_5d4c782817_z.jpg

Imagem 3 Gráfico demonstrando os passos do processo de inovação estratégica ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/e/ea/Slide_2-Bandrowski-Strategic-Innovation-Process.jpg

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BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

A Europa na era do Espaço 4.0

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No último trimestre de 2016, a política espacial europeia registrou dois avanços substanciais. O primeiro foi no campo político, com o lançamento da Estratégia Espacial Europeia, e o segundo deu-se no âmbito técnico, com o aguardado início do ciclo operacional do Programa Galileo*.

Estas duas conquistas impulsionaram o Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (AEE), na reunião realizada em dezembro, a encampar o conceito de Espaço 4.0i. Isto é, uma nova era na qual o espaço gradualmente deixa de ser um campo acessível somente a poucas nações, tornando-se uma arena com maior número de atores – inclusive não estatais.

As sociedades e os indivíduos, consequentemente, passarão a ter influência mais ativa nesta seara, ao mesmo tempo em que ampliarão no dia a dia o seu acesso a dados e serviços oriundos do setor espacial. O objetivo europeu é intensificar a sua cooperação espacial, guiado pelo mote “inovar, inspirar, informar e interagir” para disseminar em maior escala dados e serviços para toda a sociedade.

O foco no impacto sobre a vida cotidiana do cidadão fica evidente no tratamento dado à divulgação do início do ciclo operacional do Programa Galileo, por exemplo. A Comissão Europeia destacou que entre as principais contribuições deste programa estão: i. navegação com maior precisão para os cidadãos; e ii. melhor sincronização temporal das infraestruturas críticas (tornado serviços financeiros, bancários e de telecomunicações mais eficientes).

A mesma linha de argumentação, focando no impacto para o cidadão e no desenvolvimento econômico, também pode ser verificada no Programa Copernicus** – outro programa espacial emblemático europeu. O satélite Sentinel-2B, quinto a operar no âmbito desta iniciativa, foi lançado no último dia 7 de março e reduziu de dez para cinco o número de dias que o Copernicus precisa para cobrir todo o planeta.

Neste caso, os benefícios levantados pela Comissão Europeia vão desde a redução de custos das atividades de agricultura de precisão e o aumento da produtividade da piscicultura, até o apoio à definição de rotas comerciais marítimas mais eficientes (que gastam menos combustível e, por conseguinte, poluem menos).

Ao longo do discurso europeu, observa-se um esforço significativo para dar mais escala às tecnologias e aos serviços oriundos do seu programa espacial. Esta é uma forma de incrementar a base industrial europeia relacionada com o setor espacial e correlacioná-la com os setores mais dinâmicos da “nova economia”. Outro ponto que merece destaque é o potencial dual que o programa espacial apresenta, pois contempla, ainda que tacitamente, as atividades de segurança e defesa europeias, com o diferencial de que os recentes avanços europeus neste campo favorecem a sua independência tecnológica.

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Sistema global de navegação por satélite da Europa. Oferece uma série de serviços de posicionamento, navegação e cronometria de topo de gama aos utilizadores em todo o mundo. O Galileo é totalmente interoperável com o GPS, mas oferecerá um posicionamento mais preciso e fiável aos utilizadores finais. De momento, a constelação Galileo é constituída por 18 satélites já todos em órbita. Prevê-se que, quando estiver concluída em 2020, a constelação terá 30 satélites.

** Programa de observação da Terra. Trata-se de um conjunto de sistemas complexos que recolhem dados sobre a Terra por intermédio de satélites e sensores situados na superfície terrestre, no céu e no mar. Os dados do programa Copernicus têm muitas outras aplicações, entre as quais: planeamento urbano, proteção da natureza, agricultura e silvicultura, saúde, resposta a catástrofes, transportes e turismo.

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Imagem 1 Imagem representativa do conceito Espaço 4.0i da Agência Espacial Europeia

(Fonte):

http://www.esa.int/spaceinimages/Images/2016/10/Space_4.0i

Imagem 2 Imagem da Capa do documento European Space Policy: Historical perspective, specific aspects and key challenges” (Fonte):

http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/IDAN/2017/595917/EPRS_IDA%282017%29595917_EN.pdf

Imagem 3 Imagem da cidade de Brindisi, Itália. Uma das primeiras imagens processadas pelo satélite Sentinel2B, lançado no dia 7 de março de 2017” (Fonte):

http://www.esa.int/spaceinimages/Images/2017/03/Brindisi_Italy

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

Empresa de segurança identifica ataques cibernéticos da CIA em 16 países

Começam a surgir primeiros desdobramentos das revelações do Wikileaks, conhecidas como “Vault 7”, pelas quais foram evidenciadas diferentes metodologias e táticas usadas pela Agência Central de Inteligência (CIA) para contaminar computadores e dispositivos eletrônicos ao…

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AMÉRICA DO NORTEDEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]O mascaramento de ataques cibernéticos como sendo feitos por outras nações[:]

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Em uma trova de documentos denominada “Marble”, publicados pelo Wikileaks, em 31 de março, estão expostas diferentes táticas e técnicas utilizadas pela Agência Central de Inteligência norte americana (CIA) para contaminar computadores e dispositivos ao redor do mundo.  Dentre as ferramentas utilizadas, estão vírus, Trojans, e diferentes softwares.

A informação mais pertinente está nos documentos que evidenciam como o Marble Framework funciona. De acordo com os documentos, o Marble Framework é uma ferramenta utilizada pela CIA para mascarar as linhas de código de um software como sendo de outro país ou instituição. Isso era feito com o objetivo de ludibriar qualquer levantamento forense em computadores e dispositivos infectados. 

É comum, no meio das telecomunicações e softwares, a existência de bugs e brechas de segurança. É do interesse das empresas que fazem os softwares acabar com esses riscos, a fim de garantir a segurança de seus usuários. É por isso que estamos constantemente atualizando nossos aplicativos, sistemas operacionais etc. Muitas vezes, empresas especializadas ajudam nessa empreitada. 

O Marble Framework consistia na substituição da linguagem dos códigos-fonte dos vírus e trojans, do inglês para o russo, chinês, coreano, ou árabe. Dessa forma, caso o malware da CIA fosse detectado, a empresa que estava investigando a falha de segurança erroneamente a atribuía a quem a CIA deseja-se incriminar. 

Segundo o comunicado do Wikileaks: “O código-fonte mostra que Marble tem exemplos de teste não apenas em inglês, mas também em chinês, russo, coreano, árabe e persa. Isso permitiria um duplo jogo de atribuição forense, por exemplo, fingindo que a linguagem falada do criador de malware não era Inglês americano, mas chinês, mas depois mostrando tentativas de esconder o uso do chinês, levando investigadores forenses ainda mais fortemente para a conclusão errada, — mas há outras possibilidades, como ocultar falsas mensagens de erro”. 

A prática mostra a faceta da espionagem tradicional da Agência – mascarar a sua identidade e incriminar seus adversários – aplicada à espionagem cibernética e leva ao questionamento de outros ataques cibernéticos, nos quais a CIA e a comunidade de inteligência apontaram outras nações como culpadas. Não foi divulgado se outras agências e países atuam da mesma forma.

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Imagem 1Anúncio da publicação da trova de documentos Marble” (Fonte):

https://twitter.com/wikileaks/status/847749901010124800

Imagem 2Insígnia do Centro de Operações Informacionais da CIA” (Fonte):

https://wikileaks.org/ciav7p1/logo.png

Imagem 3Logo do Wikileaks” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AWikileaks_logo.svg

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]A China anuncia a construção de uma zona econômica três vezes maior que a área de Nova York[:]

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A criação de zonas econômicas especiais é um fator estratégico no modelo de desenvolvimento da China, tendo sido largamente utilizado durante a abertura econômica iniciada no Governo de Deng Xiaoping (1978-1989), período que impulsionou as reformas e a maior integração do país à economia global. A cidade de Shenzhen é um exemplo emblemático desta estratégia.

Shenzhen se tornou uma zona econômica especial nos anos 1980 e é atualmente considerada como o Vale do Silício da China no que diz respeito à produção de hardware, tendo se tornado um polo de inovação. Destaca-se que a cidade apresentou um crescimento do PIB de 9% no ano de 2016, um ritmo mais acelerado do que a média nacional e mais intenso do que o que se verificou em Pequim e em Shangai.

Baseado no exemplo de Shenzhen, o Governo chinês anunciou neste ano (2017) a criação de uma zona econômica especial localizada no distrito de Xiongan, com uma extensão de 2000 quilômetros quadrados, o que corresponde a uma área três vezes maior que o território de Nova York. Este território será articulado em um triângulo de integração urbana compreendendo Pequim-Tianjin-Hebei, província na qual está localizado o distrito de Xiongan. Espera-se que a nova região assuma algumas das atividades econômicas de Pequim, sobretudo no que tange a produção de bens intermediários e atividades subsidiárias, visando a redução de custos na capital.

Paralelamente a isto, observa-se o desenvolvimento de polos de inovação, tais como o que se estende na cidade de Cantão (Guangzhou), centrados na produção de software para smartphones e Big Data. Guangzhou é a terceira maior cidade da China, cuja tradição em comércio remete aos antigos trajetos da Rota da Seda. No período recente, a cidade ganhou proeminência por ser atrativa para empresas estrangeiras e possuir vantagens logísticas ligadas a um porto altamente desenvolvido. No momento, a cidade vive uma transformação que é simbólica do estado da economia chinesa como um todo. Centros de pesquisa e desenvolvimento passaram a emergir, transformando o caráter econômico deste espaço urbano.

Estes fatos remetem à discussão acerca da dimensão espacial do desenvolvimento. A proximidade física e a integração entre empresas, fornecedores, produtores intermediários, instituições de pesquisa e universidades podem suscitar externalidades positivas para novos negócios, tais como ideias, inovação e diversificação produtiva. Se bem conduzido, este processo pode dar início à formação de um cluster ou aglomerado industrial, possibilitando a formação de economias de escala e a condução de estratégias empresariais (mesmo de internacionalização), que não poderiam ser realizadas se as empresas agissem individualmente.

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Imagem 1 Imagem estilizada simbolizando a indústria chinesa” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/4/3677/11286011483_9a9a3a1a14_b.jpg

Imagem 2 Cidade de Shenzhen” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Shenzhen_CBD_and_River.jpg

Imagem 3 Província de Hebei” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg/2000px-Hebei_in_China_%28%2Ball_claims_hatched%29.svg.png

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China pode gerar efeito econômico de US$ 2,1 trilhões[:]

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Em 27 de março de 2017, foi realizado em Hong Kong o “Fórum Estratégico Marítimo da China” para lançar o Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China. De acordo com o Presidente do Conselho de Administração do fundo de investimentos off-shore, Jin Kun, esse é o primeiro fundo de investimento estratégico marítimo e vai agregar vários fundos, com destaque para o Dubai Elyseum (Erie Zem).

Os investimentos serão ativados ainda em 2017, podendo afetar 65 países e com previsão de geração de US$ 2,1 trilhões de efeito econômico “ao longo do caminho”. Considerando o atual volume de mercadorias que passou a circular no Oceano Pacífico com o crescimento da China nos últimos 10 anos, essa perspectiva parece plausível.

Os chineses já tinham criado o “Fundo Rota da Seda” de operações on-shore, em 2014, que levantou US$ 10 bilhões e liderou a criação do Banco de Investimento Asiático, em 2015, para incluir 57 estados membros. O capital inicial foi de US$ 100 bilhões.

O país quer adequar melhor seus investimentos às regras do comércio internacional, daí a escolha pelo fundo em sociedade de economia mista de Hong Kong, e se aproximar de investidores da Bolsa de Valores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, holding criada em 2007 a partir da fusão entre as bolsas Dubai Financial Market (DFM) e NASDAQ Dubai.

Essa ação estratégica faz parte da iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”, do presidente Xi Jinping, que o primeiro-ministro Li Keqiang fez eco ao pedir a construção de uma rota marítima da seda ligando a China e os países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) com o objetivo de estimular o desenvolvimento do interior.

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Imagem 1 Chairman do Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China, Jin Kun, durante o Fórum Nacional Estratégico OffShore da China” (Fonte):

http://www.ishipoffshore.com/html/2/2017-03-27/3990.htm

Imagem 2 Bolsa de Valores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos” (Fonte):

http://forex-brazil.com/showthread.php?14354-Emirados-%C3%81rabes-Unidos-Bolsa-de-valores-de-Dubai

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ÁSIADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Doutrina Nuclear Indiana: o posicionamento indiano sob observação[:]

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Nas últimas semanas, surgiu uma polêmica acerca da veracidade da doutrina nuclear indiana de somente retaliação, instituída pelas Forças Armadas indianas desde seu primeiro posicionamento oficial sobre a questão, em 1999. A discussão foi lançada por Vipin Narang, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e especialista em estratégia nuclear do Sul Asiático, na Conferência Internacional de Política Nuclear de Carnegie, no último dia 20 de março. Para Narang, existem evidências crescentes que apontam que a Índia não vai permitir ao Paquistão usar suas armas nucleares primeiro e somente então retaliar nuclearmente. O professor utiliza como evidências as falas de três políticos indianos importantes: um ex-comandante das forças estratégicas, General BS Nagal; um ex-Ministro da Defesa, Manohar Parrikar; e um ex-Assessor de Segurança Nacional, Shivshankar Menon.

No atual cenário, as relações Índia-Paquistão permanecem estáveis, no que concerne a questão nuclear, desde que o Paquistão fez o seu primeiro teste em 1999 e conseguiu obter capacidade dissuasória em relação à Índia. Em relação às doutrinas nucleares, o Paquistão proclama utilizar seu arsenal como meio de contrabalançar sua inferioridade de meios militares tradicionais – afirmando, assim, que poderia retaliar nuclearmente um ataque convencional massivo indiano. A Índia, por outro lado, postula uma política de somente retaliação, onde se compromete a retaliar nuclearmente apenas um ataque nuclear propagado por outra potência atômica no território indiano, ou em forças indianas pelo mundo. Montou-se, assim, um cenário onde, apesar de conflitos regionalmente localizados entre os dois países terem ocorrido nas últimas décadas, não houve um escalonamento para grandes confrontações convencionais ou para o uso de armas nucleares.

Intelectuais e a mídia indiana mostraram-se prontos para criticar a fala do americano. As frases de efeito propagadas pelos políticos supracitados, como, por exemplo, que a Índia não declarará se seguirá sua doutrina nuclear defensiva, proclamada por Manohar Parrikar, são utilizadas para explicitamente trazer ambiguidade, necessária para manter o temor sobre a postura indiana, escreve para o jornal Hidustan Times, Bharat Karnad, um dos escritores da doutrina nuclear indiana. Karnad também afirma que os laços de dependência mútua, políticos, econômicos e sociais, entre os dois países impedem conflitos armados de maior escala. De fato, os posicionamentos individuais de políticos que não ocupam mais seus cargos não são suficientes para minar uma doutrina nuclear já consolidada no pensamento militar indiano.

Isso não significa, porém, que esse debate é uma simples tentativa de polemizar um assunto sobre o qual não cabe discussão. Ele reflete mudanças fundamentais nas doutrinas militares paquistanesas e indianas que estão certamente levando a maiores reflexões dos políticos indianos sobre sua doutrina nuclear. O Paquistão, por um lado, está aumentando exponencialmente seu estoque nuclear e investindo em armas nucleares táticas, que são muito mais plausíveis de serem utilizadas em um contexto de guerra convencional e trazem dificuldades à doutrina nuclear indiana, que prega a retaliação massiva a qualquer ataque nuclear. A Índia, por outro lado, confirmou sua tríade nuclear de entrega, ao colocar em funcionamento o submarino nuclear INS Arihant, de produção própria, e está avançando rapidamente em prol da construção de seu escudo de defesa de mísseis balísticos, ambas estratégias que, ao diminuírem o poder de retaliação nuclear paquistanês, promovem instabilidade à dissuasão nuclear regional.

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Imagem 1Amostra de míssil nuclear indiano em desfile das Forças Armadas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/India_and_weapons_of_mass_destruction#/media/File:Agni-II_missile_(Republic_Day_Parade_2004).jpeg

Imagem 2 Vipin Narang na Conferência Internacional de Política Nuclear de Carnegie” (Fonte):

https://www.youtube.com/watch?time_continue=1107&v=ChdTSSRlXB8

Imagem 3Desenho conceitual do INS Airhant” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/INS_Arihant#/media/File:Arihant_1.jpg

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