CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASTecnologia

A internet e o submundo internacional*

Na década de 1960 os estadunidenses iniciaram estudos de um sistema de comunicação em rede, inicialmente para fins militares e comunicação do governo. Com o passar dos anos, os britânicos e franceses passaram a atuar no financiamento e desenvolvimento dessa tecnologia e, na década de 1980, a soma de vários estudos e sistemas de rede resultaram no sistema global de rede de computadores ou, simplificando, a Internet. Na época, ainda era algo bem restrito e foi ganhando popularidade conforme a tecnologia e a inclusão de computadores pessoais foram se desenvolvendo e sendo distribuídos em alguns países.

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICASTecnologia

Amazon versus Amazônia: a disputa pelo domínio “.amazon”

De acordo com nota publicada pelo Itamaraty, o Conselho Diretor da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN) limitou até o dia 7 de abril para que os países da região amazônica e a empresa Amazon cheguem a um acordo sobre o registro do domínio “.amazon”.

Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA

Desde 2012, por intermédio do Itamaraty, o Brasil, em coordenação com os demais países amazônicos, opõe-se firmemente à atribuição do “.amazon” à empresa norte-americana Amazon em regime de exclusividade. O argumento brasileiro indica que “devido a sua indissociável relação semântica com a Amazônia, aquele domínio não deve, de modo algum, ser o monopólio de uma empresa”.

O Itamaraty defende ainda que os países da região devem “participar da gestão e uso do domínio, com vistas a defender e promover o patrimônio natural, cultural e simbólico da região amazônica, bem como fomentar a economia regional e a inclusão digital das populações ali residentes”.

.Africa

Em outro caso, no ano de 2017, o domínio “.africa” foi considerado de nível superior continental para uso de organizações, empresas e indivíduos com orientação de agências africanas responsáveis pela governança da internet na região. A campanha por este registro foi liderada por uma empresa sul-africana ZA Central Registry (ZACR), que agora é responsável por registrar os nomes “.africa” e gerencia os registros, podendo distribuí-los a quem solicita, e não apenas a uma empresa que se atribuiria a condição de detentora exclusiva deste domínio.

Mapa Patagônia

Outro exemplo similar foi com relação a empresa de roupas de esportes de inverno Patagônia que solicitou o registro do domínio “.patagonia. A empresa acabou retirando sua candidatura após pressão da Argentina e do Chile que levantaram o temor de que tal ação prejudicaria a região da Patagônia que se estende por parte da América do Sul.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Amazon” (Fonte): https://pixabay.com/illustrations/shop-amazon-mobile-phone-smartphone-1908580/

Imagem 2Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais estão mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Amaz%C3%B4nia#/media/File:Amazon_rainforest.jpg

Imagem 3 .Africa” (Fonte): https://tech-ish.com/2017/09/12/dotafrica-domains/

Imagem 4 Mapa Patagônia” (Fonte): https://domaingang.com/domain-news/patagonia-inc-rushes-in-last-minute-comments-in-support-of-dot-patagonia/

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

Guerra Espacial muda competição estratégica da Guerra Cibernética

A guerra cibernética, que agora envolve também a militarização do espaço,  ganhou nova ênfase em 19 de fevereiro de 2019, quando o governo dos EUA assinou a Diretiva de Políticas  Espaciais-4 (SPD-4), centralizando todas as funções deste segmento sob uma nova Força Espacial, o Comando Espacial do EUA, que estabelece o sexto ramo das Forças Armadas Americanas* e o oitavo Serviço Americano Uniformizado**.

As principais diretivas envolvem questões pertinentes à Guerra Espacial, financiamento, às operações espaciais globais, domínio espacial, domínio terrestre, o espectro eletromagnético, a inteligência nacional e o Comando Unificado de Combate. Entre os principais objetivos, ressalta-se o de defender o país das tentativas russas e chinesas de interferir nos satélites norte-americanos, dos quais as Forças Armadas e o comércio dependem. Da mesma forma, também defender os seus aliados.

A Diretiva de Políticas Espaciais-4 (SPD-4), assinada pelo governo americano em 19 de janeiro de 2019, lançou novo ânimo na corrida espacial, acentuando a competição estratégica pelo domínio do espaço, principalmente em relação às doutrinas, políticas centradas, estratégias e sistemas e capacidades operacionais adotadas por Rússia e China, seus principais concorrentes globais.

A nova abordagem vem em resposta à utilização do espaço e do ciberespaço para fins militares e civis, diante do desenvolvimento de novos mercados, novas tecnologias de comunicação e informação, implantação de infraestrutura crítica, inteligência nacional, e da guerra cibernética, como consequência convergente.

Emblema da Força Aeroespacial Russa

A Rússia reformulou o seu programa em 1º de agosto de 2015, quando a Força Aérea Russa e as Forças de Defesa Aeroespaciais da Rússia foram fundidas para formar as Forças Aeroespaciais da Rússia. A Força de Apoio Estratégico do Exército Popular de Libertação da China foi criada em 2016 para consolidar as operações espaciais e cibernéticas chinesas, que incluirá operações de alta tecnologia, abarcando operações de espaço, ciberespaço e guerra eletrônica, sendo independente de outros ramos das Forças Armadas. Estas iniciativas reconfiguram o objetivo destas nações na busca de um protagonismo mundial, concebido para geração de novas tecnologias sensíveis, novos ambientes e oportunidades de negócios.

Como reflexo desta competição estratégica, o ciberespaço ganha novas dimensões e características de mercado global e a economia cibernética lucra muito com estes negócios. Somente no setor de segurança e defesa cibernética, a guerra cibernética expõe números que impressionam.  

Relatórios publicados pela Cybersecurity Ventures apontam que os custos de danos por cibercrimes e suas variantes atinjam US$ 6 trilhões por ano até 2021 (aproximadamente, 23,2 trilhões de reais, de acordo com a cotação e 8 de março de 2019) que os gastos com segurança cibernética excederão US$ 1 trilhão de 2017 a 2021 (em torno de 3,86 trilhões de reais, também conforme a cotação e 8 de março de 2019), que o cibercrime terá mais do que o triplo do número de postos de trabalho de cibersegurança não preenchidas, o qual está previsto chegar a 3,5 milhões até 202, e que a superfície de ataque a humanos para atingir 6 bilhões de pessoas até 2022.

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Nota:

* Os outros cinco ramos são: 1. United States Army (Exército dos Estados Unidos); 2. United States Marine Corps (Fuzileiros Navais); 3. United States Navy (Marinha dos Estados Unidos); 4. United States Air Force (Força Aérea dos Estados Unidos); 5. United States Coast Guard (Guarda Costeira dos Estados Unidos).

** Os outros sete são: 1. United States Army (Exército dos Estados Unidos); 2. United States Marine Corps (Fuzileiros Navais); 3. United States Navy (Marinha dos Estados Unidos); 4. United States Air Force (Força Aérea dos Estados Unidos); 5. United States Coast Guard (Guarda Costeira dos Estados Unidos); 6. United States Public Health Service Commissioned Corps (Corpo comissionado do Serviço Público de Saúde); 7. National Oceanic and Atmospheric Administration Commissioned Officer Corps (Corpo de oficiais Comissionados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O presidente Donald Trump” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

 Imagem 2Emblema da Força Aeroespacial Russa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_Aerospace_Forces#/media/File:Russian_aerospace_forces_emblem.svg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

As deepfakes e seus perigos para a Democracia

As deepfakes podem ser entendidas como manipulações digitais de áudio e de vídeo altamente realistas e, por conseguinte, difíceis de serem detectadas. Associadas ao contexto da crescente relevância política de fenômenos como as fake news e a noção de pós-verdade, essas manipulações de mídia geralmente são concebidas como o próximo estágio no aprofundamento das possibilidades de deturpação da realidade por meio de iniciativas de desinformação.

Ainda que as deepfakes possam ser utilizadas em diferentes áreas e situações, analistas afirmam que são nos âmbitos da política e das relações internacionais que essas manifestações podem se mostrar mais assustadoras, podendo ser responsáveis por incitar a violência, corromper as instituições, difamar os governantes e, até mesmo, alterar os resultados de eleições.

Hany Farid, professor de ciências da computação na Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, afirma que, com essas manipulações, torna-se possível fazer qualquer pessoa aparecer em um vídeo falando exatamente aquilo que o criador desse conteúdo deseja.

As Raízes das Fake News

Por sua vez, Matt Turek, chefe do programa de computação forense da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, assevera que

manipulações que exigiam recursos em nível de Estado, o trabalho conjunto de várias pessoas e recursos financeiros significativos agora podem ser feitas em casa”, e por “um único indivíduo”.

Vídeo criado por um partido político belga no qual o
presidente norte-americano Donald Trump
advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris

Essa proliferação tecnológica fez com que, em 2018, algumas manipulações ganhassem repercussão, ainda que amadoras, como o vídeo criado por um partido político belga no qual o presidente norte-americano Donald Trump advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris. Ainda que os criadores do vídeo tenham acreditado que a precariedade do mesmo faria com que a audiência não fosse ludibriada, o fato de que algumas pessoas acreditaram na manipulação suscitou o debate de que as deepfakes não precisam ser indetectáveis ou mesmo convincentes para serem legitimadas e causarem algum tipo de dano.

Nesse sentido, especialistas afirmam que essa proliferação tecnológica será particularmente útil para atores não estatais, como agrupamentos terroristas e grupos insurgentes, que, historicamente, encontram dificuldades para custear a produção e a disseminação de conteúdo falso em larga escala.

Deve-se destacar, por fim, que os analistas reconhecem que um dos principais perigos das deepfakes é o que tem sido chamado de “lucro do farsante”, ou seja, com o aumento da descrença generalizada devido a essas manipulações de mídia, torna-se mais provável que, mesmo acontecimentos verídicos passem a ser desacreditados por parte dos envolvidos, prejudicando, assim, a transparência e, por conseguinte, as próprias instituições democráticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Repórteres com vários tipos de notícias falsas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 As Raízes das Fake News”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_roots_of_%27fake_news%27.png

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICASTecnologia

Baidu participa de grupo de Inteligência Artificial liderado por empresas dos EUA

A empresa se torna a primeira firma chinesa a participar do grupo

No dia 17 de outubro de 2018, a empresa Baidu se tornou a primeira companhia chinesa a integrar o grupo Parceria em Inteligência Artificial (PAI, sigla em português). A PAI é composta por 80 corporações e instituições de pesquisa de 13 países destinos. Participam do grupo gigantes da tecnologia como Apple, Facebook, Amazon, Google, IBM e Microsoft. De acordo com o site oficial, o objetivo da organização é “desenvolver e compartilhar métodos e boas-práticas no âmbito de testes,pesquisas e aplicações de Inteligência Artificial (IA)”.

Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI

A Baidu, por sua vez, opera o maior servidor de buscas da China e está na vanguarda em pesquisas no setor de Inteligência Artificial. Segundo a Associação de Patentes da China, a companhia foi líder na aplicação de patentes nesta área em 2018, na frente de empresas como Google e Microsoft. Nesse sentido,destaca-se o Projeto Apollo, o qual objetiva comercializar automóveis com direção autônoma até 2020 no mercado chinês.

Presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante encontro do G20, em julho de 2017

A integração do Baidu ao PAI ocorre em uma conjuntura de incertezas acerca do futuro das relações bilaterais entre os Estados Unidos e a República Popular da China. No dia 2 de dezembro de 2018, durante jantar em Buenos Aires, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordaram com uma trégua de 90 dias na guerra tarifária iniciada em fevereiro de 2018. No entanto, especialistas indicam fragilidades no acordo, na medida em que não foram apresentadas soluções para contenciosos considerados centrais pelas duas nações.

Conforme argumentou-se em análises anteriores, a competição entre EUA e China ultrapassa o âmbito comercial.De fato, se refere fundamentalmente a uma disputa pela liderança no processo de inovação tecnológica na esfera internacional. Nesse contexto, fóruns de cooperação entre empresas privadas chinesas e estadunidenses são iniciativas que podem colaborar para construção de normas que balizem a coexistência pacífica entre os dois países. Assim, nas palavras de Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI,“a admissão da Baidu representa o início da entrada da PAI na China. Continuaremos a adicionar novos membros chineses e de todo o mundo à medida que crescemos”.

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 Fontes das Imagens:

Imagem 1Sede da Baidu em Beijing”(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f6/Baidu_Campus.jpg

Imagem 2Terah Lyons, Diretora Executiva da PAI” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/1/943/41228066835_6827cf8ca8_b.jpg

Imagem 3Presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante encontro do G20, em julho de 2017” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20%2C_July_8%2C_2017.jpg/800px-President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20%2C_July_8%2C_2017.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Estudo defende ação global contra as botnets

Em publicação recente, os pesquisadores Jason Healey e Robert Knake defendem a necessidade da implementação de uma ação global contra as botnets. Em relação ao seu conceito, no âmbito da cibersegurança, o termo bots é concebido como uma abreviação de robot, nesse sentido, “os criminosos distribuem um software mal-intencionado (também conhecido como malware) que pode transformar seu computador em um bot (também conhecido como zumbi). Quando isso ocorre, o computador pode executar tarefas automatizadas via Internet sem que você saiba”.

Representação de uma botnet

Por sua vez, em relação às botnets, “os criminosos costumam usar bots para infectar grandes quantidades de computadores. Esses computadores formam uma rede, ou uma botnet. Os criminosos usam botnets para enviar mensagens de spam, disseminar vírus, atacar computadores e servidores e cometer outros tipos de crimes e fraudes. Se o seu computador se tornar parte de um botnet, ele poderá ficar lento e você talvez esteja ajudando tais criminosos sem que o saiba”.

Os pesquisadores afirmam que, no âmbito da política internacional, a infecção dessas redes pode ser instrumentalizada por agentes governamentais com o objetivo de controlar a liberdade de expressão ao redor do mundo, por meio, por exemplo, de ataques de negação de serviço, impossibilitando, dessa forma, o acesso a determinados sites ou até mesmo ao sistema de redes de comunicação de um determinado país.

Os estudiosos destacam que, ao longo de 2017, os principais Estados atacados por bots ao redor do mundo foram: China, Índia, Brasil, Irã, Vietnã e Rússia. Por sua vez, as principais fontes identificadas desses ataques foram: Alemanha, China, Estados Unidos, Egito, Índia e Turquia. 

Devido ao seu alcance global, conforme Healey e Knake, a comunidade internacional precisa adotar duas medidas fundamentais. A primeira consiste em estabelecer uma meta ambiciosa, ainda que a mesma seja quase impossível de ser cumprida, como reconhecem os próprios pesquisadores. Essa meta consistirá na iniciativa de zerar por completo a atividade dos bots e, por conseguinte, das redes criadas por esses softwares.

A segunda ação, conforme defendem os pesquisadores, consistiria em aumentar o espaço de ação e a responsabilidade de as empresas privadas combaterem esses elementos de desestabilização da internet ao redor do mundo. Nesse sentido, Healey e Knake asseveram que “as empresas privadas, que têm maior a probabilidade de serem vítimas dessas ações, são as mais adequadas para combatê-las. Embora caiba ao governo a responsabilidade de prender os criminosos, a maioria das ações necessárias para remover as botnets e limpar o ecossistema que as sustenta podem ser desempenhadas pelos atores privados”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da rede de cabos submarinos ao redor da Terra” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet#/media/File:Submarine_cable_map_umap.png

Imagem 2 Representação de uma botnet” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Botnet#/media/File:Botnet.svg