NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A relação do Facebook nas eleições dinamarquesas

Em períodos anteriores a ascensão da internet, as disputas acirradas pelo voto também eram intensas, todavia, nos dias atuais, as mesmas passam a ser objeto de maior preocupação devido a propagação de notícias falsas (fake news).

Diversos grupos e Estados se sentem receosos sobre o potencial que as fake news e demais instrumentos cibernéticos podem ter durante tempos eleitorais. Diante disso, o Facebook e as autoridades dinamarquesas estão se reunindo com o objetivo de combater a difamação e as tentativas de desacreditar os candidatos.

O jornal Copenhaguen Post trouxe a afirmação do Diretor de Assuntos Políticos do Facebook nos países nórdicos e no Benelux*, Martin Ruby, sobre a pauta sensível: “O que aprendemos é que há muitos jogadores por aí que querem abusar de nossa plataforma. Não importa o quanto removamos, não parece ser suficiente, e isso é porque não são apenas terroristas, ou outros bandidos que compartilham coisas, mas também pessoas comuns”.

Internet e rede de cabos submarinos

Apesar dos esforços conjuntos, é notória a dificuldade existente para neutralizar todos os possíveis casos de crimes virtuais, entretanto, também é relevante considerar que hoje a sociedade é mais globalizada, e impedir que as informações circulem pode vir a acarretar prejuízos para a própria sociedade dinamarquesa.

Os analistas compreendem a necessidade de coibir o crime e as tentativas de manipulação eleitoreira, todavia, se ressalta o papel do marketing político como instrumento de influência sobre os cidadãos. De acordo com a interpretação destes especialistas, o marqueteiro não é um criminoso, porém tem a função de “manipular” as massas para ganhar o voto de forma legal. O que se entende é que com ou sem a possibilidade de interferências virtuais nos círculos de pleito, a decisão final cabe ao eleitor dinamarquês para realizar as próprias escolhas.

———————————————————————————————–

Nota:

* Benelux: termo utilizado para descrever o agrupamento de Bélgica, Holanda (Nederland) e Luxemburgo.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hacker” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Cliche_Hacker_and_Binary_Code_%2826614834084%29.jpg

Imagem 2 Internet e rede de cabos submarinos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/89/Submarine_cable_map_umap.png

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Colômbia inaugura 1º centro latino-americano da indústria 4.0

Foi inaugurado em 30 de abril de 2019 o Centro para a Quarta Revolução Industrial (em inglês, Center for Fourth Industrial Revolution, ou C4IR), na cidade de Medellín, com a presença de Ivan Duque, Presidente da Colômbia. A primeira instituição latino-americana dessa natureza trabalhará em projetos relacionados a Inteligência Artificial, internet das coisas, robótica, cidades inteligentes, aprendizagem automática e blockchain

O Presidente havia proposto, em 2018, abrigar o primeiro centro em país de língua espanhola. Em janeiro de 2019, a ideia foi acatada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e o anúncio foi feito pelo próprio mandatário colombiano, em conferência de imprensa realizada no evento, em 23 de janeiro de 2019.

O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum, ou WEF, em inglês) é uma organização internacional, sem fins lucrativos, criada em 1971, com sede em Genebra, Suiça, e busca engajar políticos, empresários e lideranças para elaboração de agenda global, local e industrial. O WEF se autodenomina como uma instituição “independente, imparcial e não vinculada a interesse específico”. As críticas ao WEF fizeram nascer o Fórum Social Mundial, como um contraponto de ideias e o slogan “um outro mundo é possível”.

Os Centros para a Quarta Revolução Industrial (C4IR) são espaços que reúnem diversos stakeholders para elaborarem políticas e estabelecerem acordos de colaboração que permitam superar entraves e acelerar os benefícios da ciência e da tecnologia. O primeiro C4IR foi estabelecido em março de 2017, em San Francisco, Estados Unidos; em 2018 foi a vez da Índia, China e Japão. Em 2019 foram abertas as unidades dos Emirados Árabes Unidos (28 de abril), da Colômbia (30 de abril) e a rede de C4IRs em breve contará com unidades na África do Sul e Israel.

Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google

Duque, que tem buscado colocar seu país na vanguarda da indústria 4.0, ou  quarta revolução industrial, esteve nos Estados Unidos, nos dias 8 e 9 de maio de 2019,  onde cumpriu agenda de visitas a  megaempresas da área tecnológica. No primeiro dia, no Vale do Silício, ele esteve acompanhado de 14 empreendedores colombianos que tiveram a oportunidade de apresentar seus negócios e casos de sucesso. A aceleradora de empreendimentos 500 Startups interessou-se em apoiar os jovens empresários.

A Apple manifestou interesse em participar do C4IR de Medellín, apoiar na área de educação e em políticas ambientais. Com a Cisco foi assinado um acordo para modernização das instituições públicas, dentre outras coisas. Ivan Duque pediu à Google apoio para estender o acesso à internet a lugares remotos e que identificasse empreendedores nativos que possam colaborar no trabalho.

Segundo ele, a Microsoft prometeu investir quase 10 bilhões de pesos (cerca de 12 milhões de reais à taxa de 10 de maio de 2019) em conectividade para atender em torno de 150 mil pessoas, cujo acesso à tecnologia é precário. Na Amazon, o Presidente encontrou colombianos que trabalham na empresa e iniciou conversações para o estabelecimento de uma parceria.

Em Medellín já existe o centro de inovações e negócios Ruta N, em cujo complexo está também sediado o C4IR e, além disso, funciona em Bogotá o Innpulsa, instituição de gestão do crescimento empresarial do governo federal.  Embora criada em 2012, na gestão de Juan Manuel Santos, antecessor de Duque, a organização tem como objetivos atuais levar a Colômbia a ser uma das 3 economias mais inovadoras até 2025, e uma das mais competitivas da América Latina até 2032.

Além das instituições existentes no país e dos investimentos que estão sendo feitos, Ivan Duque aposta na indústria criativa, também conhecida como economia laranja. Duque é coautor do manual “A Economia Laranja: uma oportunidade infinita”, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e disponível para download em quatro idiomas. Ao final das visitas ele declarou que tem como meta que a Colômbia seja vista como protagonista na América Latina, atraindo investimentos e obtendo êxito no setor tecnológico e de indústrias criativas.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Complexo Ruta N, onde funciona o C4IR de Medellín” (Fonte): https://www.rutanmedellin.org/images/rutan/edificio/arutan.jpg

Imagem 2 Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google” (Fonte): https://id.presidencia.gov.co/Galeria_Fotografica/190508-Google-1800.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A Lituânia planeja maior controle sobre as moedas virtuais

Nos últimos anos, a tecnologia revolucionou as formas de comunicação, encurtando distâncias e possibilitando maior interação social. Todavia, em tempos de propagação de e-mail e de redes sociais, o mundo observa a ascensão das moedas virtuais, que chegaram para transformar o mercado financeiro.

Com a valorização monetária, as moedas virtuais alcançaram grande visibilidade e chamaram a atenção de investidores em busca de lucros rápidos, contribuindo para sua expansão no mercado global. Atualmente, diversos Estados ora concordam, ora discordam quanto ao uso do dinheiro virtual, e um desses países é a Lituânia.

Os lituanos querem tornar as regras mais rígidas para as operações de câmbio virtual e de depósitos, visto que almejam se prevenir contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Na prática, a diretriz visa a identificação dos clientes pelas operadoras, caso o valor do serviço exceda 1.000 euros, e fornecer ao Serviço de Investigação de Crimes Financeiros (FCIS – sigla em inglês) informações se a operação equivaler até 15.000 euros.

Criptomoedas

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Diretor do Departamento de Políticas do Mercado Financeiro do Ministério da Fazenda da Lituânia, Sigitas Mitkus, sobre a pauta, o qual declarou: “Queremos criar um ambiente jurídico transparente para trocas de moeda virtual, operadores de carteiras de depósito e iniciadores da OIC (Oferta Inicial de Moedas – sigla em inglês). Também queremos contribuir para garantir melhor proteção ao consumidor. Ao introduzir limites para as operações financeiras, estamos indo além da diretiva da União Europeia (UE) e provavelmente nos tornaremos os primeiros no mundo a implementar as recomendações do GAFI* (Grupo de Ação Financeira) e aplicar os requisitos não apenas à conversão de moeda virtual para os tradicionais e vice-versa, mas também ao converter uma moeda virtual em outra”.

Os analistas salientam que a proposição do Estado lituano é positiva, à medida que estabelece regras claras de atuação no mercado de moedas virtuais daquele país. Outro fator interessante é a preocupação da Lituânia com a transparência das operações financeiras, sobretudo, diante dos postulados pelo GAFI. Todavia, apenas se considera como negativa a possibilidade de redução da circulação das moedas virtuais, assim como de prerrogativas que inflijam na perda de liberdade de escolha dos cidadãos, as quais não são o caso dessa proposta.

———————————————————————————————–

Nota:

* Grupo de Ação Financeira Internacional: é um agrupamento governamental internacional informal, ou seja, que não foi criado por Tratado Internacional, com o objetivo de formular recomendações aos Estados contra a lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e cooperação internacional.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco da Lituânia filial de Kaunas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/01/Lietuvos_bankas_Kaune.JPG/797px-Lietuvos_bankas_Kaune.JPG

Imagem 2 Criptomoedas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg/1280px-Market_capitalizations_of_cryptocurrencies.svg.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Fintechs auxilia as pequenas e médias empresas na China

As companhias que atuam no ramo de tecnologia financeira (fintech) encontraram um novo nicho de mercado na China: os empréstimos às pequenas e médias empresas. Com cerca de 800 milhões de pessoas consumindo produtos através do comércio digital (e-commerce) novas oportunidades surgem rapidamente. Fintech é o termo utilizado para designar a aplicação de tecnologia nos serviços financeiros. Mais de 60% do PIB chinês é gerado por pequenas e médias empresas cujo acesso aos meios de financiamento tradicionais é limitado, haja vista que o sistema financeiro chinês ainda é pouco desenvolvido para o tamanho de sua economia.

O setor bancário tradicional não costuma realizar empréstimos menores de um milhão de yuans (aproximadamente, 585,5 mil reais, de acordo com a cotação e 23 de abril de 2019). Em contrapartida, a média dos créditos requeridos pelas pequenas e médias empresas gira em torno de 10.000 yuans (em torno de 5.855 reais, também de acordo com a mesma cotação). Isto demonstra o amplo espaço existente para a atuação dessas companhias. O Governo chinês normalmente deixa as tecnologias se desenvolverem antes de proceder com a sua regulação. Este foi o caso com as fintechs, que agora são estimuladas a realizar parcerias com os Bancos tradicionais.

Segmentos de atuação das Fintechs

As empresas dominantes neste mercado são a Alibaba (criadora do aplicativo Alipay) e a Tencent (criadora do aplicativo Wechat), dominando quase 80% do mercado nacional. Não obstante, existe um nicho onde se inserem empresas de menor porte, como a CreditEase, que atende clientes em 250 cidades da China. Por outro lado, nas áreas rurais ainda existem dificuldades de acesso para que as parcelas mais pobres da população chinesa tenham acesso às fintechs.

O aplicativo Wechat, por exemplo, permite simultaneamente a transferência de dinheiro entre pessoas, o pagamento de contas, a realização de transações comerciais em restaurantes e lojas, reserva de hotéis e/ou passagens de trem, pedir tele-entregas, além de servir como uma rede social que agrega simultaneamente a funcionalidade do Whatsapp, Facebook e Instagram.

O ecossistema da inovação na China é extremamente competitivo. As empresas líderes na área de comércio digital se desenvolveram em um contexto de intensa concorrência e busca incessante por inovações que permitam captar mais consumidores e/ou aportar um diferencial de qualidade.

Por fim, o e-commerce deverá continuar a se desenvolver na China. Adicionalmente, os fornecedores e toda a cadeia de valor envolvida na produção de um bem ou serviço estão digitalizados, mesmo nas empresas de menor porte. Esta tendência deverá se intensificar e se espalhar por outros países da Ásia e igualmente pelo hemisfério Ocidental. 

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte): http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Segmentos de atuação das Fintechs” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7a/FinTech_Segments.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A batalha pelo 5G e a Guerra Fria da tecnologia

Uma constelação de novas tecnologias está sendo gerada para dar suporte à transformação digital que a humanidade está construindo. Atualmente, a competição entre as superpotências pela supremacia tecnológica no ciberespaço está se delineando para ser centrada entre poucos atores, principalmente entre EUA e China, países com poder econômico e dotados de políticas e estratégias nacionais suficientemente alinhadas e robustas para garantir uma infraestrutura crítica nacional, necessária aos investimentos e à capacidade global de fornecer equipamentos e soluções de convergências e de hiperconectividade.

O caminho para as nações inteligentes (Smart Union, termo em inglês) está sendo traçado e vem se consolidando a passos largos. Dentre as tecnologias impactantes para construção de cenários das nações inteligentes, tanto em aplicações civis quanto militares, as soluções de hardware e software estão voltadas em grande parte para algumas áreas centrais: a corrida espacial, a inteligência artificial – IA, a robótica, as redes de telecomunicações, a computação quântica, a segurança cibernética, a automação, bioengenharia, lasers, armas hipersônicas, a internet das coisas e as tecnologias urbanas sustentáveis.

A cibereconomia é a forma mais transparente para o sucesso decisivo da soberania nacional aplicada ao ciberdesenvolvimento e passa necessariamente pela tecnologia 5G sem fio. Os conflitos de interesses internos e externos dos Estados Unidos e da China  pelo domínio e pela consequente busca da liderança global da tecnologia 5G remetem a um campo de batalha e trazem à tona um cenário de Guerra Fria da tecnologia pela proteção e preservação de seus sistemas políticos e nos  projetos de design de suas sociedades e economias. Nesse sentido, é uma nova era de guerra cibernética intensificada.

Os riscos e oportunidades que envolvem  a tecnologia de quinta geração ou 5G é muito mais do que o futuro das telecomunicações globais e estabelecem questões-chaves para os decisores políticos considerarem, pois os gigantes das telecomunicações que operam na América e na China, entre outros países, também operam redes sob o comando do complexo de inteligência militar.

A China deverá atingir cobertura nacional de 5G no ano que vem (2020), com a Huawei, e os EUA, com a AT&T e Verizon, só começam a lançar 5G, cidade por cidade, no final deste ano (2019). A enorme escala de gastos de capital envolvidos na rápida introdução da tecnologia 5G no mercado para desenvolver e produzir o hardware e o software necessários para fornecer as primeiras capacidades de 5G – US$ 325 bilhões até 2025, aproximadamente, 1,26 trilhão de reais, conforme a cotação de 12 de abril de 2019 – é diferente de qualquer outro projeto de infraestrutura. 

Refletindo seu compromisso nacional com esta tecnologia, quase a metade do investimento mundial no seu desenvolvimento e emprego será feita pela China. O mercado 5G da China será maior que o dos EUA e da Europa combinados. Esse esforço é o projeto de infraestrutura global de US $ 1 trilhão da China (aproximadamente, 3,87 trilhões de reais, conforme a cotação de 12 de abril de 2019) para expandir sua presença econômica e apoiar seus interesses em escala global, pois os governantes veem isso como um passo fundamental para se tornar a principal potência econômica do mundo até 2049, o centésimo aniversário da fundação do Estado comunista.

A tecnologia para ecossistemas 5G é um grande negócio para as Forças Armadas em todo o mundo. E, ressalte-se, a guerra híbrida e os ataques cibernéticos são setores importantes no cenário para construção de redes 5G. Durante a comemoração dos 70 anos das Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, a aliança militar ocidental), os aliados mostraram estar dedicando uma nova atenção a potenciais ameaças de segurança representadas pela China, um desafio para uma aliança cujos membros têm atitudes conflitantes em relação a Pequim.

Muitos países europeus, entre outros aliados dos Estados Unidos, têm abraçado os investimentos chineses. Os EUA vêm chamando atenção dos seus aliados para tais investimentos em infraestrutura na Europa e ao redor do mundo, pressionando para investirem em grande parte em setores críticos em telecomunicações e segurança cibernética em suas políticas e estratégias nacionais, em razão dos temores de que Pequim possa forçar suas companhias a espionar ou interromper sistemas de comunicações.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que critica aliados por não gastarem o suficiente com Defesa, reuniu-se com o Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, antes do encontro dos Ministros de Relações Exteriores dos 29 países membros da aliança, que estão em Washington para celebrar o 70º aniversário da Otan. Ele reiterou a Stoltenberg que gostaria de ver os membros da Otan pagar mais de 2% do PIB em Defesa. No ano passado (2018), ele pediu aos líderes da aliança para elevarem os gastos para 4% do PIB. “Para todos os aliados, a China está se tornando um parceiro comercial mais e mais importante. (…). Precisamos encontrar o equilíbrio na preocupação com a força crescente da China, sem criar problemas”, declarou Jens Stoltenberg. Os aliados estão em estágios avançados de avaliação da ameaça representada pela China, especialmente focada na defesa da Europa, e de que forma deverão responder a estas ameaças.

Jens StoltenbergSecretário Geral da OTAN

O avanço do 5G na China está ligado à sua estratégia nacional de fusão militar-civil. Em novembro de 2018, os principais participantes do setor estabeleceram a Aliança da Indústria de Aplicações de Fusão Militar-Civil da 5G Technology, incluindo a ZTE, a China Unicom e a Corporação de Ciência e Indústria Aeroespacial da China (CASIC). 

Esta nova parceria visa fomentar a colaboração e o desenvolvimento militar e civil integrados, promovendo simultaneamente aplicações de defesa e comerciais. Em particular, a CASIC está se concentrando no uso de 5G no setor aeroespacial. 

Poderia haver algumas sinergias notáveis no desenvolvimento do 5G entre esses e outros jogadores notáveis. Por exemplo, o 5G exigirá equipamentos de comunicação especializados, como certas antenas e equipamentos de micro-ondas, questão em que o CETC (China Electronics Technology Group Corporation), um conglomerado de defesa estatal, estabeleceu uma proficiência específica no desenvolvimento.

As possíveis ameaças são muitas. Alguns aliados temem os planos da China para o Ártico, depois que ela se declarou um Estado “quase ártico” no ano passado (2018). Numa questão mais ampla, os EUA e outros países estão preocupados com o aumento da presença militar chinesa no Mar do Sul da China e o aumento da influência de Pequim por meio de seu plano global de infraestrutura, a Iniciativa do Cinturão e da Rota (BRI, a Nova Rota da Seda), embora essas ações recaiam sobre um terreno que vai além da esfera principal de atuação da Otan.

Coreia do Sul, por sua vez, foi o primeiro país a propor, para todo território nacional, redes 5G e celulares compatíveis, dando um grande passo na corrida tecnológica mundial para revolucionar as comunicações. Os aliados também estão atentos a considerações estratégicas, pois diversas iniciativas apontam para os florescentes laços econômicos e militares entre Moscou e Pequim, o que amplia os seus temores sobre as influências e poder da China no cenário internacional.

Nesse sentido, a OTAN avaliou o perigo potencial do 5G e também estabeleceu um processo de seleção para investimentos estrangeiros, além disso, em áreas críticas como o 5G, está tentando criar padrões mínimos para o bloco, visando a identificação e combate a ameaças à segurança. Além disso, as Forças Armadas dos EUA estão planejando experimentos para ver como as tecnologias sem fio 5G poderiam melhorar as comunicações e evitar riscos civis e militares. 

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunidos em Washington DC na quintafeira (4 de abril de 2019), os Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO acordaram um pacote de medidas para melhorar a consciência situacional da OTAN” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165253.htm

Imagem 2 “Jens StoltenbergSecretário Geral da OTAN”(Fonte): https://www.nato.int/cps/su/natohq/who_is_who_49999.htm

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Supercomputação estimula surgimento de Nações Inteligentes

A Computação de Alto Desempenho, ou HPC (do inglês High-Performance Computing), foi a grande vitrine internacional no mês de fevereiro de 2019. A organização americana Singularity University divulgou no seu portal, dia 25 de março, segunda-feira última, que os EUA preparam a operação do supercomputador Aurora, que fará um quintilhão de contas por segundo. Com previsão para começar a operar em 2021, Aurora é a nova arma americana na “corrida dos supercomputadores”, juntamente com a China, Europa e Japão, que estão presos em uma competição para construir a primeira máquina de exaflops* do mundo.

A corrida para o exascale é uma história de superpoderes e supercomputadores. Estas máquinas serão capazes de operar um quintilhão de contas por segundo e ficará online em 2021, depois que o governo dos EUA entregou à Intel e ao fabricante de supercomputador Cray um contrato para construir um computador exascale, que irá executar AI em escalas sem precedentes. A vantagem real de Aurora virá de sua capacidade de usar a inteligência artificial para guiar seus modelos e simulações.

A China planeja lançar um supercomputador exascale próprio em 2020 e o Japão pretende ter um em funcionamento em 2021. Países europeus tendem a ficar para trás dos EUA, China e Japão, mas a Comissão Europeia comprometeu  € 1 bilhão (aproximadamente, R$ 4,39 bilhões, pela cotação do euro no dia 29 de março 2019), para produzir uma máquina exascale até 2023. A Europa já está construindo sua estratégia. A China, por sua vez, não está na liderança do ranking, mas possui a maior quantidade de supermáquinas. São 227 das 500 melhores do mundo, contra 109 dos Estados Unidos, segundo a lista que contabiliza os supercomputadores

Os benefícios da HPC envolvem uma imensa gama de oportunidades e possibilidades de inovação, requerendo aplicação de importantes políticas estatais e privadas que atendam a interesses nacionais e globais na utilização do espaço cibernético, inclusive os de militarização que estão envolvidos na corrida espacial e no seu entorno de negócios. O esforço frenético dos governos para propagar o aprendizado profundo de tecnologias disruptivas apoia-se na ideia de sustentação, interna e externa no domínio cibernético.

A busca pela supremacia global em questões que envolvem os supercomputadores está inter-relacionada à aplicação em tecnologias destinadas, principalmente, à segurança nacional, ao ciberdesenvolvimento das sociedades, à sua capacidade de resiliência, na manutenção de seus sistemas de governo e nas suas necessidades de ampliação e segurança de suas infraestruturas críticas, como verticais essenciais para participar na onda da transformação digital causada pela internet.

A digitalização crescente de governos e de sociedades alavanca o surgimento de novas economias sustentáveis e a evolução dos padrões de cidadania e bem-estar da população. Esta convergência de novas tecnologias de comunicação e informação, aliadas às tecnologias de automação, está sendo aplicada agora no campo das políticas e estratégias nacionais. As iniciativas para construir as nações inteligentes estão se tornando realidade. Cingapura está partindo na frente para adotar os pilares desta transição. Assim, as nações e as cidades inteligentes serão amplamente beneficiadas com os recursos da supercomputação.

A HPC já está desempenhando um papel fundamental em ajudar nações e cidades a perseguir objetivos de segurança social, no uso eficiente de recursos e alcance de uma qualidade de vida melhor. As cidades inteligentes (Smart Cities, termo em inglês) é um fenômeno global e é, também, um movimento sem precedentes para a história da humanidade. O tamanho global do mercado de cidades inteligentes está previsto para chegar a US$ 2,57 trilhões até 2025 (aproximadamente R$ 10,048 trilhões, conforme cotação de 29 de março de 2019) de acordo com um novo relatório da Grand View Research, Inc..

Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de ‘Nações Inteligentes’

O Índice Global de estratégias cibernéticas inclui estratégias nacionais que abordam a defesa cibernética nacional civil e militar, conteúdo digital, privacidade de dados, proteção de infraestrutura crítica, e-commerce e cibercrime. Isso fornece aos formuladores de políticas e autoridades diplomáticas um banco de dados unificado e imediato de estruturas jurídicas e políticas globais para ajudar a comunidade global a entender, rastrear e harmonizar as regulamentações internacionalmente. Este índice é baseado em fontes disponíveis publicamente e será atualizado conforme necessário. 

Sinteticamente, serão cinco (5) as maneiras iniciais  de como os supercomputadores darão suporte para tornarem as cidades inteligentes: no design e planejamento mais inteligente; na capacitação para pesquisa de energia; na previsão do tempo; na mobilidade urbana e no monitoramento da poluição do ar. Os supercomputadores estão ajudando os planejadores urbanos a realizar simulações, fazer previsões e construir modelos, aproximando o sonho de uma cidade inteligente da realidade. Como ciência de sistemas urbanos, o exascale surge para permitir novos recursos de planejamento para paisagens urbanas em evolução.

Ao desenvolver métodos para acoplar esses modelos com dados operacionais, estes novos recursos estarão disponíveis para as cidades e provedores de serviços públicos, por exemplo, para reduzir os custos de energia e estabilizar a oferta, monitorando as renováveis na rede e prevendo o consumo de energia. Mas, os pesquisadores primeiro precisam desenvolver uma estrutura pela qual esses vários modelos de sistemas urbanos possam trocar dados relevantes.

A HPC estará disponível para a governança eletrônica e o ciberdesenvolvimento das nações inteligentes. A prestação de serviços governamentais por meio de plataformas on-line, pode melhorar os processos de administração, prestação de serviços, prestação de contas do governo e transparência. A Austrália, por exemplo, reconhece o papel transformador que as tecnologias digitais desempenham no aumento da eficiência e eficácia dos serviços governamentais.

Além disso, as tecnologias digitais também fornecem soluções alternativas para os desafios.  Na Integração de mercados globais, outra vantagem está associada à HPC na identificação de novos programas comerciais que permitirá aos indivíduos, empresas e sociedades a sua integração em economias segmentadas, incentivando o crescimento e os seus benefícios nos negócios digitais junto às pequenas empresas, grupos de baixa renda, minorias indígenas, étnicas e religiosas, entre outras.

Ao reduzir os custos de informação, as tecnologias digitais reduzem, consideravelmente, o custo das transações econômicas e sociais para empresas, indivíduos e setor público. Promovem a inovação quando os custos de transação caem para essencialmente zero. Aumentam a eficiência à medida que as atividades e serviços existentes se tornam mais baratos, mais rápidos ou mais convenientes. E eles aumentam a inclusão à medida que as pessoas obtêm acesso a serviços que antes estavam fora de alcance.

———————————————————————————————–

Nota:

* Exaflops: O FLOPS é um termo usado em computação que significa “FLoating-point Operations Per Second” (operações de ponto flutuante por segundo), sendo por isso um acrônimo. Seu uso se aplica para observar o desempenho de um computador, entendido tal desempenho como cálculos por segundo, razão pela qual o S no final do acrônimo significa segundo. As unidades e seus múltiplos são: megaflop/s (Mflop/s), gigaflop/s (Gflop/s), teraflop/s (Tflop/s), petaflop/s (Pflop/s) e exaflop/s (Eflop/s), zettaflop/s (Zflop/s), yottaflop/s (Yflop/s). No caso do Exaflops a grandeza de velocidade de operação é de 1018, conforme a seguinte referência:

megaflop/s        106

gigaflop/s          109

teraflop/s          1012

petaflop/s          1015

exaflop/s           1018

zettaflop/s         1021

yottaflop/s         1024

** Exascale é a referência que se faz aos sistemas de computação que chegam a realizar operações de, ao menos, um exaflops, ou seja, um bilhão de bilhões por segundo (ou seja, um quintilhão, pela notação brasileira).

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Supercomputador Aurora. Computação de alto desempenho (High Performance Computing, HPC) que busca promover a liderança dos EUA no desenvolvimento de computação exascale”(Fonte): https://www.anl.gov/article/us-department-of-energy-awards-200-million-for-nextgeneration-supercomputer-at-its-argonne-national

Imagem 2Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de Nações Inteligentes” (Fonte): https://www.secureidnews.com/news-item/singapore-digital-id-key-new-national-smart-nations-plan/