NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Africanos ainda não usufruem totalmente dos potenciais comunicativos propiciados pela internet

Mais do que acelerar a circulação de mercadorias e de capital, a internet é um potente instrumento à disposição da sociedade civil para a articulação de críticas, pontos de vista e anseios por reformas políticas. Principalmente através da comunicação transnacional, agentes podem conectar-se com a sociedade civil internacional a fim de reforçar a sua causa local. Este processo é conhecido como a Advocacia Transnacional.

Intelectuais têm visto a Advocacia Transnacional com bons olhos, identificando este processo, que se fez possível graças aos avanços tecnológicos durante a era da globalização, como um instrumento que reforça a democracia. Não à toa, autoridades, acadêmicos e a própria sociedade civil observam com atenção a formulação de marcos regulatórios da internet, a fim de manter este espaço virtual o mais aberto possível às diferentes opiniões e pontos de vista.

No entanto, se nos países desenvolvidos a regulação de um instrumento do século XXI é um dos principais objetos de debate público, a maioria das nações do mundo ainda utiliza majoritariamente os meios de comunicação do século passado[1], pois o alto custo da infraestrutura digital, somado aos baixos indicadores de renda e as restrições políticas aparecem como as principais barreiras para o estabelecimento da internet nos países em desenvolvimento.

No continente africano, por exemplo, há poucos países que apresentam altas taxas no número de usuários da internet. África do Sul, Quênia e Nigéria, justamente por serem as principais economias do continente, evoluíram consideravelmente no número de pessoas que acessam a rede. Por sua vez, nações como Angola, Gana, Zâmbia e Zimbábue, por exemplo, pouco evoluíram desde o início do terceiro milênio no número de acessos[1].

Gráfico 1: Usuários da internet a cada 100 mil habitantes. Fonte: Banco Mundial, 2015.

Tendo em vista solucionar este problema, empresas privadas, agências bilaterais, multilaterais e a própria sociedade civil internacional se uniram com o intuito de levar a internet aos quatros cantos do mundo. Uma das principais uniões atuantes na África Subsaariana é a A4AI (Alliance for Affordable Internet), que atua em Gana, em Moçambique e na Nigéria[2].

A A4AI reúne importantes agentes da internet, desde empresas privadas como o Google e o Facebook, passando por agências internacionais de doações e suporte como a USAID e a UKAID, até importantes atores da sociedade civil, como o criador da web, Sir Tim BernersLee[3]. Segundo a instituição, o principal objetivo é “alcançar a meta estabelecida pela Comissão de Banda Larga das Nações Unidas de 5% da renda mensal para o uso dos serviços de banda larga, permitindo o acesso de bilhões de pessoas à internet[2].

Iniciativas como estas, juntamente com esforços públicos que propiciem a conectividade, tendem a estabelecer a internet como importante meio de comunicação em todas as partes do mundo. Este cenário seria uma verdadeira revolução na história da democracia: se outrora cafés e jornais eram locais onde a sociedade civil se reunia, provavelmente veremos ao longo do século XXI a internet tornar-se o verdadeiro espaço público, abrigando críticas e clamores de proporções globais, a serem lidadas também por instituições globais.

————————————————————————————————

Imagem (FonteIEE Spectrum):

http://spectrum.ieee.org/telecom/internet/how-bad-is-africas-internet

————————————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] Ver Banco Mundial estatísticas”:

http://data.worldbank.org/indicator/IT.NET.USER.P2

[2] VerA4AI”:

http://a4ai.org/visionand-strategy/

[3] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/technology/2013/oct/07/google-berners-lee-alliance-broadband-africa

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Pagamentos digitais avançam na África

No mês de maio, em Joanesburgo, inúmeros empresários africanos e internacionais voltaram para seus países cheios de esperanças, mas com muitas peças ainda espalhadas para finalizar um complexo quebra cabeça. O “6th Mobile Money & Digital Payments”, sediado na cidade sul-africana, é um marco no que diz respeito ao avanço dos pagamentos digitais na África[1].

Os pagamentos eletrônicos são mais um passo de um longo processo que remodelou a geografia, o cotidiano e a política africana nos últimos anos: o desenvolvimento econômico. Para continuar neste caminho, empresários e autoridades políticas veem os pagamentos digitais como etapa crucial para o crescimento econômico e, principalmente, o empoderamento das mulheres africanas[2].

Em um relatório da empresa Better than Cash, financiado pela Bill & Melinda Gates Foundation e de autoria do Banco Mundial (BM), publicado na semana passada, relata-se que significativa parte significativa do montante de 2,5 bilhões de pessoas sem nenhum tipo de conta bancária no mundo encontra-se na África[3].

Claramente, a concessão de financiamentos e a participação formal no setor bancário é etapa importante para o desenvolvimento econômico e social, haja vista os resultados positivos das políticas de microcrédito em pequenas comunidades no sudeste asiático[4].

Ao contrário do baixo número de contas bancárias abertas, a presença de telefones celulares entre os africanos é expressiva: cerca de 65% da população africana possui um aparelho móvel[2]. Dessa forma, a expansão do serviço de pagamento digital é a grande ferramenta existente para os formuladores de políticas trabalharem na expansão do crédito, bem como para facilitar as transações financeiras e aumentar a segurança destas[2][3].

Contudo, especialistas e empresários apontam uma série de questões que devem ser abordadas a fim de criar um ambiente favorável ao crescimento desta atividade. Entre os principais desafios destaca-se a criação de um marco regulatório seguro e a superação da desigualdade na posse de telefones celulares: segundo o relatório citado anteriormente, ao redor do mundo os homens possuem 300 milhões de celulares a mais do que as mulheres[3].

No âmbito privado, a estruturação destas atividades não será levada a cabo por companhias africanas, mas sim por grandes organizações americanas e europeias. Uma das principais, a título de exemplo, é a Emerging Markets Payments, filial da companhia britânica de private-equity Actis[5]. A princípio, o vasto contingente populacional africano e o incremento de renda nos últimos anos servem como indicador de uma latente demanda para este tipo de serviço no continente[5].

A companhia canadense Telepin Software, as americanas Fiserv listada na bolsa americana Nasdaq e Amdocs e a sueca Ericsson também estão presentes na região: elas serão os principais patrocinadores da “7th Mobile Money & Digital Payments”, em maio do ano que vem (2015), quando serão apurados os primeiros resultados sobre a estruturação dos pagamentos digitais na África[1].

—————————————————————————

Imagem (Fonte – Retail-digital):

http://www.retail-digital.com/retail_technology/validsoft-joins-electronic-transactions-association-mobile-payments-committee

—————————————————————————

Fontes consultadas:

[1] Ver6th Mobile Money & Digital Payments”:

http://www.mobile-money-africa.com/Content/2014-Agenda/3_15/

[2] VerBanco Mundial”:

http://www.worldbank.org/en/news/press-release/2014/08/28/world-bank-report-digital-payments-economic-growth

[3] VerBill & Melinda Gates Foundation”:

http://www.gatesfoundation.org/~/media/GFO/Documents/What%20We%20Do/G20%20Report_Final.pdf

[4] VerBanco Mundial”:

http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/COUNTRIES/SOUTHASIAEXT/0,,contentMDK:21404284~pagePK:146736~piPK:146830~theSitePK:223547,00.html

[5] VerThe Economist”:

http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21586309-paul-edwards-took-pay-tv-and-mobile-phones-africa-now-its-e-payments-cash-be

 

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Samsung e outras empresas do setor de tecnologia criam consórcio para Internet das Coisas

Na última terça-feira, dia 8 de julho, a empresa coreana Samsung Electronics anunciou a criação de um Consórcio com outras grandes empresas do setor de tecnologia para o estabelecimento de padrões de conectividade em Internet das Coisas.

De maneira simplificada, a Internet das Coisas é um conceito em que objetos físicos e dispositivos eletrônicos, conectados à Internet e entre si, são capazes de trocar dados e, com isso, otimizar a vida das pessoas e das organizações[1].

Além da Samsung, o Open Interconnect Consortium (OIC) conta com a participação da Intel, da Broadcom, da Atmel, da Dell e da Wind River Systems. Inicialmente, o Consórcio prevê o desenvolvimento de uma linguagem comum, um código open source com foco em objetos residenciais inteligentes e soluções para negócios. No futuro, o objetivo do Consórcio é expandir uma linguagem comum para setores mais robustos, tais como o de saúde e o automotivo[2]

Nas palavras do gerente geral em software e serviços da Intel, Doug Fischer, “Se não houver alinhamento em padrões (de conectividade), haverá uma demora na adoção (da Internet das Coisas) e atrasará as indústrias a participarem e tirarem proveito de suas potencialidades[3].

Espera-se que novos membros entrem no Consórcio nos próximos meses. O OIC surge meses após a criação de outro Consórcio, a AllSeen Alliance, iniciado pela empresa fabricante de chips,Qualcomm. Hoje a AllSeenconta com mais de 50 membros, incluindo LG, Panasonic, e a entrada recente da Microsoft ocorrida na semana passada. A participação de uma empresa em um dos consórcios não a impede de participar em outro[4].

———————————————————

Imagem (Fonte):

http://androidspin.com/wp-content/uploads/2013/05/samsung-hq.jpg

———————————————————

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://english.yonhapnews.co.kr/business/2014/07/08/0503000000AEN20140708005500320.html

[2] Ver:

http://english.yonhapnews.co.kr/business/2014/07/08/0503000000AEN20140708005500320.html

[3] Ver:

http://www.cnet.com/news/intel-samsung-create-internet-of-things-group/

[4] Ver:

http://www.cnet.com/news/intel-samsung-create-internet-of-things-group/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Descoberto grupo de hackers baseados no Irã que espionavam os Estados Unidos e Israel

Um Relatório da empresa de cybersegurança americana Isight Partners divulgado na última quinta-feira, dia 29 de maio, desvenda a ação de um grupo de hackers baseado no Irã que tentava espiar líderes políticos e militares de diversos países desde 2011[1]. Segundo o Relatório, os piratas criaram um site de notícias – NewsOnAir.org – e usavam reportagens de veículos reais e perfis falsos em redes sociais para legitimar seus falsos jornalistas. 

A ação, denominada Newscaster, tinha como alvo mais de 2.000 pessoas, incluindo membros do Congresso norte-americano, jornalistas, diplomatas e legisladores nos Estados Unidos, Afeganistão, Inglaterra, Iraque, Israel, Arábia Saudita e Síria. O objetivo era roubar credenciais para obter acesso a redes governamentais e empresariais, bem como sistemas de inteligência em armamentos e negociações diplomáticas[2].

Ao todo, o grupo tinha 14 perfis falsos em redes sociais com os quais adicionavam  familiares e conhecidos dos alvos, antes de tentar ficar amigos dos próprios. Depois de ganhar a confiança da pessoa, os hackers usavam técnicas de phishingpara roubar senhas, emails, informações e identidades[3].  

A empresa não informou quais informações haviam sido roubadas ou quem havia sido vítima do golpe, mas afirma que, para durar três anos, a ação dos hackers deve ter sido bem sucedida[4]

Um porta-voz do Facebook Inc., Jay Nancarrow, afirmou que sua companhia havia descoberto a ação dos piratas ao analisar pedidos de amizade suspeitos na rede e confirma que a empresa desativou todos os perfis associados ao site NewsOnAir.org[5].  

Apesar dos perfis terem sido usados durante o horário comercial iraniano, de o servidor do site ser também do país, de, segundo analistas, o programa de espionagem ter características e alvos típicos da ação iraniana (como partes do código de programação em Persa, bem comolobistas pró-israel) não há certeza de que os envolvidos são de fato nacionais do país. O Relatório afirma, no entanto, que, devido à alta complexidade da operação, um Governo pode estar por trás da tentativa de espionagem[6]

Segundo o Isight, hackers iranianos ficaram mais agressivos após o vírus Stuxnet, um cyberataque suspeito de ter sido lançado em 2010 pelos Estados Unidos e Israel, o qual danificou o sistema nuclear do país[7]. Resta saber se a resposta norte-americana à descoberta será tão dura quanto a dada à China, a 10 dias, quando os EUA afirmaram que levariam militares chineses pela primeira vez à Corte norte-americana sob acusação de espionagem à companhias do país[8]; ou se terá alguma influência nas negociações nucleares no Irã[9]

——————————————–

Imagem (Fontescreenshot do site newsonair.org retirado de: http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/iranian-hackers-conducted-3-year-cyber-campaign-trying-to-friend-us-politicians-on-facebook-9455180.html):

——————————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.isightpartners.com/2014/05/newscaster-iranian-threat-inside-social-media/

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/05/29/us-iran-hackers-idUSKBN0E90A220140529

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/05/30/world/meast/iran-hacking-report/

[4] Ver:

http://rt.com/news/162424-iran-hack-bolton-linkedin/

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/05/29/us-iran-hackers-idUSKBN0E90A220140529

[6] Ver:

http://rt.com/news/162424-iran-hack-bolton-linkedin/ 

[7] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/national-security/stuxnet-was-work-of-us-and-israeli-experts-officials-say/2012/06/01/gJQAlnEy6U_story.html

[8] Ver:

http://www.theguardian.com/technology/2014/may/19/us-chinese-military-officials-cyber-espionage

[9] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/iran/10862771/Iran-hackers-use-fake-Facebook-profiles-to-spy-on-US-and-Britain.html 

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

China lança Missão Chang’e-3 para a Lua

Seis meses depois do sucesso da “Missão Tripulada Shenzhou 10” ao Espaço[1], nesta segunda-feira (2 de dezembro) a China lançou a sua primeira sonda espacial para a Lua a partir do CLS (“Centro de Lançamento de Satélites de Xichang”, na “Província de Sichuan”, no Sudoeste do país). Apelidada de Chang’e-3 (em honra à Chang’e, “Deusa da Lua”, na mitologia chinesa), a missão visa efetuar análises da estrutura geológica e das substâncias da superfície da Lua e pesquisar recursos naturais[2].

Pouco tempo depois da sonda entrar em órbita, o diretor do “CLS de Xichang”, Zhang Zhenzhong, disse que o lançamento tinha ocorrido com sucesso. E, muito satisfeito, ele acrescentou: “Faremos o possível para que o nosso Sonho Espacial [seja também o] Sonho Chinês de Rejuvenescimento Nacional[2].

Na verdade, é a terceira vez que o “Programa Lunar Chinês Chang’e”, iniciado em 2004, manda à Lua uma missão não tripulada. A primeira, Chang’e-1, aconteceu em 2007 e a segunda, Chang’e-2, em 2010. A missão à volta da Lua da Chang’e-1 durou 494 dias. Ela permitiu aos cientistas chineses que tivessem uma composição completa do satélite terrestre. Por sua vez, a Chang’e-2 não só verificou algumas tecnologias cruciais para a Chang’e-3 como também fez o reconhecimento da área de alunissagem (que deverá ocorrer na “Baía do Arco-Íris”). A segunda missão também fez a primeira imagem holográfica lunar do mundo, com uma resolução de 7 metros[2].

Neste momento, a Chang’e-2 situa-se a uma distância de 60 milhões de Km da Terra e espera-se que vá mais longe, até 300 milhões de Km, o que se constituirá na nave espacial chinesa que mais viajou pelo Espaço. É o primeiro asteróide artificial da China[2].

Segundo os especialistas internacionais em Astronomia, o processo do lançamento da Chang’e-3 prova que oPrograma Lunar da Chinaé consistente e demonstra que este país fará mais avanços e descobertas importantes nesta área, os quais permitirão evidentemente que o gigante asiático faça parte do grupo muitíssimo restrito dos países que exploram o Espaço, em que os “Estados Unidos da América” (EUA) e a Rússia lideram. Se a “Missão Chang’e-3 correr como programado, a China será a terceira nação no mundo a desembarcar um veículo na Lua, depois dos EUA e Rússia. Também será o primeiro país a cometer tal proeza no século XXI, pois isso não acontece desde 1976, quando a “Ex-União Soviética” mandou a sua missão não tripulada à Lua[3].

Fontes chinesas e não chinesas mostram que o “Programa Lunar da China” é composto por várias fases. Depois das missões de averiguação em 2007 e 2010, a “Missão Chang’e-3” constitui a segunda fase, que é pesquisar o solo e o subsolo da lua. A terceira etapa (Chang’e-4) pode ter lugar em 2017 e basicamente consistirá na alunissagem da sonda na Lua que libertará o veículo lunar motorizado e, depois, a sonda retornará à Terra[1]. Acredita-se que entre 2025 e 2030 a China já terá criado todas as condições para mandar à Lua o seu primeiro astronauta[4].  

A alunissagem da sonda na “Baía do Arco-Íris” (uma área no norte da Lua) acontecerá nos meados deste mês de dezembro. Seguir-se-á depois o processo da libertação do veículo lunar motorizado com 140 Kg que se chama Coelho de Jade”*. Mas os maiores desafios serão, dentre outros, ser capaz de fazer a alunissagem “suave” (“soft landing”, em inglês), poder sobreviver na Lua e fazer funcionar a controle remoto.

Estes avanços acontecem numa altura em que a China vem exibindo a sua musculatura militar na região. Por exemplo, recentemente, ao estabelecer a “Zona de Identificação de Defesa Aérea” junto ao “Mar da China do Leste”, Pequim antagoniza os vizinhas Tóquio, Seoul, Taipei (Taiwan) e as distantes Camberra (Austrália) e Washington. Por isso, o lançamento da Chang’e-3,  além de levar o país a expandir e melhorar a sua capacidade tecnológica e o desejo de aproveitar os recursos naturais que provavelmente abundam na Lua, vem também impulsionar o prestígio nacional chinês no mundo. 

—————————–

* Yutu, em chinês, sendo este nome escolhido por cerca de 650.000 internautas entre setembro e outubro deste ano[5], em honra ao nome do coelho que Chang’e teria levado com ela para a lua.

—————————–

Imagem (Fonte):

http://www.globaltimes.cn/SPECIALCOVERAGE/Change3.aspx

—————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/a-china-lanca-a-quinta-missao-espacial-tripulada/

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013shenzhoux/2013-12/02/content_17143654.htm

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/25141597

[4] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/2009-05/24/content_11425131.htm

[5] Ver:

http://english.cri.cn/6909/2013/11/26/2701s800495.htm

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

Programa do “Google Earth” disponibiliza mapa de alta resolução do desmatamento global

A empresa norte-americana Google, em parceria com pesquisadores da “Universidade de Maryland”, NASA e o “US Geological Survey” (USGS), apresentou o primeiro mapa de alta resolução do desmatamento mundial, disponível através do aplicativo “Google Earth”.  O Projeto, chamado “The project”, foi estabelecido a partir do uso de imagens do Landsat e permite que elas possam ser utilizadas pelo público, por ONGs e por governos de todo o mundo.

Esta nova ferramenta de pesquisa de mapas, que é considerada revolucionária por apresentar em escala mundial e em alta resolução (escalonamento a até 30 metros) a atual situação das florestas do Planeta, somente foi possível a partir do uso e análise de 654.178 imagens do Landsat. A condensação das imagens demandou altíssima tecnologia e permite observar os efeitos locais e no contexto global do desmatamento.

É possível, através deste novo aplicativo, verificar as causas do desmatamento em circunstâncias bastante específicas, tais como a derrubada da floresta para o estabelecimento de fazendas e desmatamentos causados por desastres naturais, como tornados e incêndios. 

Mapa_google_americadosul

Screan Capture: Cobertura florestal na América do Sul e desmatamento entre os anos 2000 – 2012

Além do desmatamento explicitado por país, que traz uma média de crescimento do desmatamento de aproximadamente 2.101 Km2 por ano, a ferramenta do Google também informa os progressos para o combate ao desmatamento ilegal e o aumento da área desmatada em países como o Brasil

Os idealizadores do Projeto esperam que com essa ferramenta seja possível prever as tendências de desmatamento e das mudanças climáticas e, assim, permitir que governos e outras organizações possam estabelecer políticas de proteção às florestas.  Tal ferramenta é especialmente importante para os países que não detém recursos de identificação da atual situação do desmatamento local.

Evidentemente, os esforços da Google e seus parceiros em implementar uma ferramenta de verificação da atual situação do desmatamento internacional é uma ação louvável, especialmente importante para as regiões sobre as quais se tem poucos dados disponíveis para a consulta.  Entretanto, é importante verificar os diferentes estágios de cada país, inclusive a nível subnacional. 

No Brasil, por exemplo, alguns estados amazônicos implementaram políticas públicas significativas, que merecem ser explicitadas no novo aplicativo do Google.  Assim, a dinâmica política e as mudanças na cobertura vegetal devem estar “up to date” e ser embaladas em dados que possam ser monitoráveis, reportáveis e verificáveis.

Vale a pena reforçar que se a ferramenta do Google não for atualizada periodicamente, os esforços da empresa americana e de seus parceiros terá perdido o principal objetivo da sua  criação.

—————————–

Imagens (Fontes):

Imagem 1 Cobertura florestal no mundo e desmatamento entre os anos 2000 – 2012”:

GoogleScrean Capture

Imagem 2 Cobertura florestal na América do Sul e desmatamento entre os anos 2000 – 2012”:

GoogleScrean Capture

—————————–

Fonte consultada:

A ferramenta do Google está disponível no link:

http://earthenginepartners.appspot.com/science-2013-global-forest