NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Samsung e outras empresas do setor de tecnologia criam consórcio para Internet das Coisas

Na última terça-feira, dia 8 de julho, a empresa coreana Samsung Electronics anunciou a criação de um Consórcio com outras grandes empresas do setor de tecnologia para o estabelecimento de padrões de conectividade em Internet das Coisas.

De maneira simplificada, a Internet das Coisas é um conceito em que objetos físicos e dispositivos eletrônicos, conectados à Internet e entre si, são capazes de trocar dados e, com isso, otimizar a vida das pessoas e das organizações[1].

Além da Samsung, o Open Interconnect Consortium (OIC) conta com a participação da Intel, da Broadcom, da Atmel, da Dell e da Wind River Systems. Inicialmente, o Consórcio prevê o desenvolvimento de uma linguagem comum, um código open source com foco em objetos residenciais inteligentes e soluções para negócios. No futuro, o objetivo do Consórcio é expandir uma linguagem comum para setores mais robustos, tais como o de saúde e o automotivo[2]

Nas palavras do gerente geral em software e serviços da Intel, Doug Fischer, “Se não houver alinhamento em padrões (de conectividade), haverá uma demora na adoção (da Internet das Coisas) e atrasará as indústrias a participarem e tirarem proveito de suas potencialidades[3].

Espera-se que novos membros entrem no Consórcio nos próximos meses. O OIC surge meses após a criação de outro Consórcio, a AllSeen Alliance, iniciado pela empresa fabricante de chips,Qualcomm. Hoje a AllSeenconta com mais de 50 membros, incluindo LG, Panasonic, e a entrada recente da Microsoft ocorrida na semana passada. A participação de uma empresa em um dos consórcios não a impede de participar em outro[4].

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Imagem (Fonte):

http://androidspin.com/wp-content/uploads/2013/05/samsung-hq.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://english.yonhapnews.co.kr/business/2014/07/08/0503000000AEN20140708005500320.html

[2] Ver:

http://english.yonhapnews.co.kr/business/2014/07/08/0503000000AEN20140708005500320.html

[3] Ver:

http://www.cnet.com/news/intel-samsung-create-internet-of-things-group/

[4] Ver:

http://www.cnet.com/news/intel-samsung-create-internet-of-things-group/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Descoberto grupo de hackers baseados no Irã que espionavam os Estados Unidos e Israel

Um Relatório da empresa de cybersegurança americana Isight Partners divulgado na última quinta-feira, dia 29 de maio, desvenda a ação de um grupo de hackers baseado no Irã que tentava espiar líderes políticos e militares de diversos países desde 2011[1]. Segundo o Relatório, os piratas criaram um site de notícias – NewsOnAir.org – e usavam reportagens de veículos reais e perfis falsos em redes sociais para legitimar seus falsos jornalistas. 

A ação, denominada Newscaster, tinha como alvo mais de 2.000 pessoas, incluindo membros do Congresso norte-americano, jornalistas, diplomatas e legisladores nos Estados Unidos, Afeganistão, Inglaterra, Iraque, Israel, Arábia Saudita e Síria. O objetivo era roubar credenciais para obter acesso a redes governamentais e empresariais, bem como sistemas de inteligência em armamentos e negociações diplomáticas[2].

Ao todo, o grupo tinha 14 perfis falsos em redes sociais com os quais adicionavam  familiares e conhecidos dos alvos, antes de tentar ficar amigos dos próprios. Depois de ganhar a confiança da pessoa, os hackers usavam técnicas de phishingpara roubar senhas, emails, informações e identidades[3].  

A empresa não informou quais informações haviam sido roubadas ou quem havia sido vítima do golpe, mas afirma que, para durar três anos, a ação dos hackers deve ter sido bem sucedida[4]

Um porta-voz do Facebook Inc., Jay Nancarrow, afirmou que sua companhia havia descoberto a ação dos piratas ao analisar pedidos de amizade suspeitos na rede e confirma que a empresa desativou todos os perfis associados ao site NewsOnAir.org[5].  

Apesar dos perfis terem sido usados durante o horário comercial iraniano, de o servidor do site ser também do país, de, segundo analistas, o programa de espionagem ter características e alvos típicos da ação iraniana (como partes do código de programação em Persa, bem comolobistas pró-israel) não há certeza de que os envolvidos são de fato nacionais do país. O Relatório afirma, no entanto, que, devido à alta complexidade da operação, um Governo pode estar por trás da tentativa de espionagem[6]

Segundo o Isight, hackers iranianos ficaram mais agressivos após o vírus Stuxnet, um cyberataque suspeito de ter sido lançado em 2010 pelos Estados Unidos e Israel, o qual danificou o sistema nuclear do país[7]. Resta saber se a resposta norte-americana à descoberta será tão dura quanto a dada à China, a 10 dias, quando os EUA afirmaram que levariam militares chineses pela primeira vez à Corte norte-americana sob acusação de espionagem à companhias do país[8]; ou se terá alguma influência nas negociações nucleares no Irã[9]

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Imagem (Fontescreenshot do site newsonair.org retirado de: http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/iranian-hackers-conducted-3-year-cyber-campaign-trying-to-friend-us-politicians-on-facebook-9455180.html):

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.isightpartners.com/2014/05/newscaster-iranian-threat-inside-social-media/

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/05/29/us-iran-hackers-idUSKBN0E90A220140529

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/05/30/world/meast/iran-hacking-report/

[4] Ver:

http://rt.com/news/162424-iran-hack-bolton-linkedin/

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/05/29/us-iran-hackers-idUSKBN0E90A220140529

[6] Ver:

http://rt.com/news/162424-iran-hack-bolton-linkedin/ 

[7] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/national-security/stuxnet-was-work-of-us-and-israeli-experts-officials-say/2012/06/01/gJQAlnEy6U_story.html

[8] Ver:

http://www.theguardian.com/technology/2014/may/19/us-chinese-military-officials-cyber-espionage

[9] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/iran/10862771/Iran-hackers-use-fake-Facebook-profiles-to-spy-on-US-and-Britain.html 

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

China lança Missão Chang’e-3 para a Lua

Seis meses depois do sucesso da “Missão Tripulada Shenzhou 10” ao Espaço[1], nesta segunda-feira (2 de dezembro) a China lançou a sua primeira sonda espacial para a Lua a partir do CLS (“Centro de Lançamento de Satélites de Xichang”, na “Província de Sichuan”, no Sudoeste do país). Apelidada de Chang’e-3 (em honra à Chang’e, “Deusa da Lua”, na mitologia chinesa), a missão visa efetuar análises da estrutura geológica e das substâncias da superfície da Lua e pesquisar recursos naturais[2].

Pouco tempo depois da sonda entrar em órbita, o diretor do “CLS de Xichang”, Zhang Zhenzhong, disse que o lançamento tinha ocorrido com sucesso. E, muito satisfeito, ele acrescentou: “Faremos o possível para que o nosso Sonho Espacial [seja também o] Sonho Chinês de Rejuvenescimento Nacional[2].

Na verdade, é a terceira vez que o “Programa Lunar Chinês Chang’e”, iniciado em 2004, manda à Lua uma missão não tripulada. A primeira, Chang’e-1, aconteceu em 2007 e a segunda, Chang’e-2, em 2010. A missão à volta da Lua da Chang’e-1 durou 494 dias. Ela permitiu aos cientistas chineses que tivessem uma composição completa do satélite terrestre. Por sua vez, a Chang’e-2 não só verificou algumas tecnologias cruciais para a Chang’e-3 como também fez o reconhecimento da área de alunissagem (que deverá ocorrer na “Baía do Arco-Íris”). A segunda missão também fez a primeira imagem holográfica lunar do mundo, com uma resolução de 7 metros[2].

Neste momento, a Chang’e-2 situa-se a uma distância de 60 milhões de Km da Terra e espera-se que vá mais longe, até 300 milhões de Km, o que se constituirá na nave espacial chinesa que mais viajou pelo Espaço. É o primeiro asteróide artificial da China[2].

Segundo os especialistas internacionais em Astronomia, o processo do lançamento da Chang’e-3 prova que oPrograma Lunar da Chinaé consistente e demonstra que este país fará mais avanços e descobertas importantes nesta área, os quais permitirão evidentemente que o gigante asiático faça parte do grupo muitíssimo restrito dos países que exploram o Espaço, em que os “Estados Unidos da América” (EUA) e a Rússia lideram. Se a “Missão Chang’e-3 correr como programado, a China será a terceira nação no mundo a desembarcar um veículo na Lua, depois dos EUA e Rússia. Também será o primeiro país a cometer tal proeza no século XXI, pois isso não acontece desde 1976, quando a “Ex-União Soviética” mandou a sua missão não tripulada à Lua[3].

Fontes chinesas e não chinesas mostram que o “Programa Lunar da China” é composto por várias fases. Depois das missões de averiguação em 2007 e 2010, a “Missão Chang’e-3” constitui a segunda fase, que é pesquisar o solo e o subsolo da lua. A terceira etapa (Chang’e-4) pode ter lugar em 2017 e basicamente consistirá na alunissagem da sonda na Lua que libertará o veículo lunar motorizado e, depois, a sonda retornará à Terra[1]. Acredita-se que entre 2025 e 2030 a China já terá criado todas as condições para mandar à Lua o seu primeiro astronauta[4].  

A alunissagem da sonda na “Baía do Arco-Íris” (uma área no norte da Lua) acontecerá nos meados deste mês de dezembro. Seguir-se-á depois o processo da libertação do veículo lunar motorizado com 140 Kg que se chama Coelho de Jade”*. Mas os maiores desafios serão, dentre outros, ser capaz de fazer a alunissagem “suave” (“soft landing”, em inglês), poder sobreviver na Lua e fazer funcionar a controle remoto.

Estes avanços acontecem numa altura em que a China vem exibindo a sua musculatura militar na região. Por exemplo, recentemente, ao estabelecer a “Zona de Identificação de Defesa Aérea” junto ao “Mar da China do Leste”, Pequim antagoniza os vizinhas Tóquio, Seoul, Taipei (Taiwan) e as distantes Camberra (Austrália) e Washington. Por isso, o lançamento da Chang’e-3,  além de levar o país a expandir e melhorar a sua capacidade tecnológica e o desejo de aproveitar os recursos naturais que provavelmente abundam na Lua, vem também impulsionar o prestígio nacional chinês no mundo. 

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* Yutu, em chinês, sendo este nome escolhido por cerca de 650.000 internautas entre setembro e outubro deste ano[5], em honra ao nome do coelho que Chang’e teria levado com ela para a lua.

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Imagem (Fonte):

http://www.globaltimes.cn/SPECIALCOVERAGE/Change3.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/a-china-lanca-a-quinta-missao-espacial-tripulada/

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013shenzhoux/2013-12/02/content_17143654.htm

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/25141597

[4] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/2009-05/24/content_11425131.htm

[5] Ver:

http://english.cri.cn/6909/2013/11/26/2701s800495.htm

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

Programa do “Google Earth” disponibiliza mapa de alta resolução do desmatamento global

A empresa norte-americana Google, em parceria com pesquisadores da “Universidade de Maryland”, NASA e o “US Geological Survey” (USGS), apresentou o primeiro mapa de alta resolução do desmatamento mundial, disponível através do aplicativo “Google Earth”.  O Projeto, chamado “The project”, foi estabelecido a partir do uso de imagens do Landsat e permite que elas possam ser utilizadas pelo público, por ONGs e por governos de todo o mundo.

Esta nova ferramenta de pesquisa de mapas, que é considerada revolucionária por apresentar em escala mundial e em alta resolução (escalonamento a até 30 metros) a atual situação das florestas do Planeta, somente foi possível a partir do uso e análise de 654.178 imagens do Landsat. A condensação das imagens demandou altíssima tecnologia e permite observar os efeitos locais e no contexto global do desmatamento.

É possível, através deste novo aplicativo, verificar as causas do desmatamento em circunstâncias bastante específicas, tais como a derrubada da floresta para o estabelecimento de fazendas e desmatamentos causados por desastres naturais, como tornados e incêndios. 

Mapa_google_americadosul

Screan Capture: Cobertura florestal na América do Sul e desmatamento entre os anos 2000 – 2012

Além do desmatamento explicitado por país, que traz uma média de crescimento do desmatamento de aproximadamente 2.101 Km2 por ano, a ferramenta do Google também informa os progressos para o combate ao desmatamento ilegal e o aumento da área desmatada em países como o Brasil

Os idealizadores do Projeto esperam que com essa ferramenta seja possível prever as tendências de desmatamento e das mudanças climáticas e, assim, permitir que governos e outras organizações possam estabelecer políticas de proteção às florestas.  Tal ferramenta é especialmente importante para os países que não detém recursos de identificação da atual situação do desmatamento local.

Evidentemente, os esforços da Google e seus parceiros em implementar uma ferramenta de verificação da atual situação do desmatamento internacional é uma ação louvável, especialmente importante para as regiões sobre as quais se tem poucos dados disponíveis para a consulta.  Entretanto, é importante verificar os diferentes estágios de cada país, inclusive a nível subnacional. 

No Brasil, por exemplo, alguns estados amazônicos implementaram políticas públicas significativas, que merecem ser explicitadas no novo aplicativo do Google.  Assim, a dinâmica política e as mudanças na cobertura vegetal devem estar “up to date” e ser embaladas em dados que possam ser monitoráveis, reportáveis e verificáveis.

Vale a pena reforçar que se a ferramenta do Google não for atualizada periodicamente, os esforços da empresa americana e de seus parceiros terá perdido o principal objetivo da sua  criação.

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Imagens (Fontes):

Imagem 1 Cobertura florestal no mundo e desmatamento entre os anos 2000 – 2012”:

GoogleScrean Capture

Imagem 2 Cobertura florestal na América do Sul e desmatamento entre os anos 2000 – 2012”:

GoogleScrean Capture

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Fonte consultada:

A ferramenta do Google está disponível no link:

http://earthenginepartners.appspot.com/science-2013-global-forest

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Amazônia x Amazon: duelo de titãs no ciberespaço

Após a última reunião da “Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números” (ICANN, na sigla em inglês)*, realizada entre 7 e 12 de abril de 2013, em “Pequim” (China) foi lançada uma campanha transnacional contra o pedido da “Amazon Incorporation”, com sede nos “Estados Unidos”, de registro do domínio “.amazon” junto à ICANN, inclusive em suas versões em japonês e chinês**[1].

Brasil e Peru formalizaram inicialmente a oposição ao pedido durante essa reunião da ICANN, ao qual se juntaram os demais países amazônicos, mediante a realização, em 3 de maio de 2013, da “XII Reunião de Ministros das Relações Exteriores dos Países Membros” da “Organização do Tratado de Cooperação Amazônica” (OTCA).

A oposição foi formalizada através da campanha “Nossa Amazônia – Contra a Privatização do Nome Amazônia”, liderada pelo Brasil e lançada em junho, através de seu “Comitê Gestor de Internet” (CGI) ***. Além desse, somaram-se os esforços de representantes do “Grupo de Trabalho Amazônico” (GTA) do “Senado Federal” e de senadores da região, além do apoio de embaixadores dos países-membros do Tratado****.

A posição dos governos amazônicos é a de que a posse do domínio “.amazon” poderia impedir a sua utilização para fins de proteção ambiental, promoção dos direitos indígenas e outros usos de interesse público[2].

A campanha já ganhou o apoio, inclusive, de outros países sul-americanos, a exemplo da Argentina, que junto aos governos amazônicos subscreveu a resolução de contestação apresentada, em 20 de novembro de 2012, pelos países-membros da OTCA, à ICANN para que o pedido da Amazon não seja aprovado[3]. O assunto ainda será debatido na próxima reunião da ICANN em julho, na cidade de “Durban” (África do Sul).

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* O organismo é responsável pela coordenação global do sistema de identificadores exclusivos da Internet.

** A solicitação é para que o nome “.amazon” seja convertido em um “domínio de nível superior genérico” (gTLD), ou seja, através  desse modelo de registro a empresa de origem norte-americana teria exclusividades sobre sua utilização. Caso aprovado, qualquer organização dos países amazônicos que deseje registrar um site com o final “.amazon” terá de pedir autorização prévia da empresa detentora do domínio. Atualmente a Amazon conta com um domínio gTLD.com”. A exemplo dos novos gTLDs que surgiram nos últimos meses tem-se aquele dos cidadãos nova-iorquinos (Estados Unidos) que poderão utilizar o nome “.nyc” (por extenso: New York City) em seus web sites e outros endereços eletrônicos.

***A posição do CGI é a de que o processo de solicitação de novos domínios deveria restringir o uso de nomes referentes a regiões geográficas, não sendo permitida sua utilização sem prévia autorização de seus respectivos governos.

**** Já foram realizadas reuniões entre os membros do “Comitê Governamental Assessor” (CGA) da ICANN constituído por Peru e Brasil com a empresa, entre elas, uma na sede da OTCA, em Brasília (Brasil), e outra durante a última reunião do organismo, em abril, porém não houve acordo pela retirada do pedido.

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Imagem Disputa pelo domínio .amazon” (Fonte):

http://www.sxc.hu/photo/360590

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.guardian.co.uk/environment/2013/apr/25/amazon-domain-name-battle-brazil

[2] Ver:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed752_a_geografia_da_internet

[3] Ver:

https://gacweb.icann.org/download/attachments/27131927/Amazon-BR-PE-58086.pdf?version=1&modificationDate=1353452622000&api=v2

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Apoio dos “Internautas Chineses” a Edward Snowden

Ao saberem que Edward Snowden havia escolhido a “Região Administrativa Especial de Hong Kong” para se esconder, os internautas chineses anteciparam-se ao governo de Pequim apoiando-o pelo seu heroísmo e, mesmo agora que está fora da China, continuam a dar o seu apoio moral para que não caia nas mãos da justiça norte-americana.

Usando uma série de plataformas da Internet como o popular Weibo (alternativo do Twitter na China), além de o desejarem boas-vindas à China, os usuários também aplaudiram Snowden por ter vazado os programas de vigilância dos EUA (Estados Unidos da América). Há ainda aqueles que haviam apelado à China e “Hong Kong” para recusarem a sua extradição para os EUA[1]. Acreditava-se que isso contribuiria para melhorar a imagem da China no mundo.    

Na China usa-se a Internet não só como fonte para se aceder e-mail e notícias, estudar, fazer jogos ou compras online, mas igualmente se proíbe, através de censores sofisticados, que aí se discuta ou opina sobre “assuntos quentes”. Por isso, a bravura de Edward Snowden e o papel da mídia ocidental na divulgação são apreciados pelos internautas chineses porque sabem que nada similar pode ser imaginado no seu país. Em realidade, conforme circulam informações, o cidadão sabe que o governo chinês sempre vigia a Internet e grampeia as chamadas telefônicas, em nome de segurança pública. Porém, há anônimos que sugerem que a China também devia produzir  pessoas como Snowden[2].      

Além de ser o país com o maior número de pessoas com acesso à Internet, estima-se que em 2013 chegue aos 718 milhões (cerca de 52,7% da população total), a China também goza o estatuto de ter uma cultura cibernética muito dinâmica[3]. Mesmo censurando temas sensíveis, o Governo chinês promove a cultura de boa governança e de combate à corrupção através do estabelecimento de mecanismos online de controle e de denúncia popular de práticas corruptas dos oficiais doPartido Comunista Chinêse do Governo[4]. Desde que foi eleito “Presidente do Partido”, em novembro de 2012, e Presidente do país, Xi Jinping tem lançado campanhas vigorosas contra a corrupção no aparelho do Estado e pessoas anônimas usam a Internet para exporem figuras ligadas ao poder político.      

Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas têm confiado na Internet para mobilizar o apoio do povo em momentos de crise interna ou externa, principalmente em questões territoriais com os países vizinhos. Como exemplo ilustrativo, há o caso das manifestações populares em muitas cidades do país, em setembro de 2012, contra o Japão, depois de Tóquio nacionalizar as disputadas Ilhas Diaoyu/Senkaku[5]. Por essa razão se diz que os internautas chineses fazem parte daqueles que moldam a política externa do país.    

No entanto, se de um lado a Internet fortalece o nacionalismo chinês, de outro o governo impõe limites ao uso das tecnologias de informação e comunicação, daí que se estabeleceu o sistema “a Grande Muralha da China” para filtrar conteúdos e sites. É neste contexto que sites sociais e de notícias estrangeiros como Facebook, Twitter, Youtube, Google+, “The New York Times” ou sites de pornografia são banidos na China. Pode-se compreender que o objetivo de Pequim é de que a Internet não seja um instrumento que “force introdução de reformas políticas e de liberdade de expressão” ou “derrube do governo comunista” no poder desde 1949, como há duas décadas observadores e dissidentes locais haviam vaticinado quando da introdução da Internet na China.     

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Imagem (Fonte):

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/06/26/world/snowden-files-stoke-u-s-security-concerns/#.UctgbfkwcqM

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://blogs.wsj.com/chinarealtime/2013/06/10/mixed-emotions-online-as-hero-snowden-shows-up-in-hong-kong/?mod=djemChinaRTR_h

[2] Ver:

http://qz.com/92632/chinese-internet-users-edward-snowden-nsa-prism-surveillance/

[3] Ver:

http://www.chinatelecomusa.com/content.asp?contentid=790&id=&indexid=0

[4] Ver:

http://english.gov.cn/2010-06/08/content_1622956_4.htm

[5] Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10000872396390443720204578000092842756154.html