NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Cibersegurança: o caso entre Holanda e Rússia

No dia 14 de outubro (2018), a Ministra de Defesa holandesa, Ank Bijleveld, deu uma entrevista a uma emissora nacional afirmando que o seu país estaria numa guerra cibernética com a Rússia. Sua afirmação veio após a liberação na imprensa de que, em abril deste ano (2018), quatro agentes da inteligência militar russa foram deportados da Holanda por terem sido acusados de tentar hackear o sistema da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

De acordo com essa nova informação divulgada, no dia 13 de abril (2018), os cidadãos russos foram pegos nas proximidades da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) com a posse de equipamentos capazes de invadir sistemas e redes virtuais. A decisão tomada pelo departamento de inteligência holandesa não foi de prendê-los, mas de deportá-los imediatamente.

Imagem popular em referência à operação de um hacker

Em relação a esse acontecimento, Bijleveld declarou que “o que ocorreu foi bastante perigoso (…). As pessoas tentam interferir de várias formas em nossa vida o tempo todo, para influenciar nossa democracia. Temos que nos livrar da ingenuidade nessa área e tomar as devidas medidas cabíveis”.

Em contrapartida, a Federação Russa nega todas as acusações, alegando que elas não foram comprovadas e que essa é mais uma maneira do Ocidente criar uma propaganda anti-Rússia. Além disso, Moscou apontou que a declaração feita pela Holanda foi bastante oportuna por ela ter coincidido com a 89ª Sessão do Conselho Executivo da OPAQ, algo que daria forças para impulsionar algum tipo de projeto ou iniciativa. Não obstante, na sexta-feira, dia 12 de outubro (2018), o Reino Unido e a Holanda enviaram um memorando aos membros da União Europeia requisitando a atualização das sanções direcionadas a “atividades cibernéticas maliciosas”.

A Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou: “primeiro eles organizaram vazamentos nos meios de comunicação e depois espalharam um escândalo apenas agora, após seis meses de silêncio. Para quê? A Rússia acaba de lançar uma iniciativa para seus parceiros globalmente para elaborar um código de conduta no espaço cibernético. E eles não estão poupando esforços para puxar o nosso tapete, tudo para dizer que deve ser o Ocidente a oferecer ao mundo uma estrutura para elaborar regras comuns de comportamento no espaço cibernético em vez da Rússia”.

A questão cibernética ultrapassa fronteiras e é uma problemática comum do século XXI. Não há consenso entre o Ocidente e a Rússia nesse domínio, há várias acusações e muitas não foram de fato comprovadas. O fato é que isso está se tornando cada vez mais um empecilho na manutenção das boas relações diplomáticas, como é o caso agora da Holanda e da Federação Russa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Imagem popular em referência à operação de um hacker” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Backlit_keyboard.jpg

Imagem 2A Ministra da Defesa da Holanda, Ank Bijleveld” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Ank_Bijleveld_2018_(1).jpg

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Robótica e mineração: as inovações russas para exploração do Ártico

Com o intuito de explorar as maiores reservas de hidrocarbonetos e metais raros do mundo, localizadas no fundo do Oceano Glacial Ártico, e que apresentam difícil acesso por conta da profundidade e da temperatura extremamente baixa, a Federação Russa está lançando um ambicioso projeto de mineração com o emprego de tecnologias nunca antes utilizadas para esse propósito.

Horizonte do Oceano Ártico

Nesse âmbito, a Fundação de Pesquisas Avançadas da Rússia*, criou dentro de sua estrutura o Centro Nacional de Desenvolvimento de Tecnologias e Elementos Básicos de Robótica que, desde 2015, vem desenvolvendo técnicas de exploração mineral com a utilização de submarinos não tripulados em águas profundas, ou mais conhecidos como Veículos Subaquáticos Autônomos (AUV – do inglês Autonomous Underwater Vehicle). Os AUVs são atualmente usados em pequeno número por muitos países e geralmente controlados de perto por operadores, em vez de circularem livremente.

A total autonomia veicular, que será de grande importância para explorar as profundezas do Ártico, é o objetivo da pesquisa que já construiu protótipos para se testar os algoritmos** robóticos e confirmar seu atendimento aos requisitos operacionais e definir a navegabilidade do veículo. Alguns desses protótipos foram testados com elevada margem de sucesso, como são os casos do Klavesin-2R-PM UUV, utilizado em operações de exploração até 6 mil metros de profundidade, juntamente com o Vityaz UUV, veículo totalmente autônomo que terá capacidade exploratória em ambientes com mais de 10 mil metros de profundidade.

Além dos veículos autônomos, o governo russo quer complementar o desenvolvimento das novas tecnologias com a implementação de instalações robóticas no fundo do leito oceânico para prospecção mineral, que, segundo o chefe de projeto da fundação, Viktor Litvinenko, será um trabalho desafiador, pois utilizará tecnologias que essencialmente não existem nos dias atuais e que necessitará de parceiros altamente qualificados para respaldar o projeto, como é o caso da Rosatom, companhia estatal de energia nuclear da Rússia, juntamente com sua subsidiária no campo de exploração de urânio, a JSC Atomredmetzoloto (ARMZ Uranium Holding Co.), que já se prontificaram para serem clientes cooperativos.

Apesar de não ter sido divulgado o tamanho do gasto para o desenvolvimento e a implementação dessas novas tecnologias, o retorno desse enorme investimento é praticamente certo, pois servirá para explorar jazidas de zinco, urânio, ferro e diamantes, além de depósitos de hidrocarbonetos em áreas submersas, com capacidades estimadas em 28 bilhões de barris de petróleo, 31 bilhões de barris de gás natural liquefeito, além dos incríveis 356 bilhões de metros cúbicos de gás, segundo estudos do United States Geological Survey (USGS).

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Notas:

* A FPI (do russo – Fond Perspektivnyh Issledovaniy), foi criada em 2012 para apoiar pesquisas e desenvolvimentos científicos de acordo com os interesses da defesa e segurança da Federação Russa. A organização realiza suas atividades em três direções principais – químico-biológica e médica, físico-técnica e de informação.

** Termo utilizado em MATEMÁTICA: sequência finita de regras, raciocínios ou operações que, aplicada a um número finito de dados, permite solucionar classes semelhantes de problemas. Em INFORMÁTICA: conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos que levam à solução de um problema em um número finito de etapas.

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Imagem 1 Navios quebra-gelo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Three_icebreakers_–_Yamal%2C_St_Laurent%2C_Polar_Sea.jpg

 

Imagem 2 “Horizonte do Oceano Ártico” (Fonte):                                                                                           

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Arctic_Sky_%284371010590%29.jpg

 

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Casa Branca publica primeira estratégia nacional em cibersegurança, em 15 anos

No dia 20 de setembro de 2018, o governo norte-americano divulgou sua primeira estratégia completa na área de segurança cibernética, em 15 anos. O documento está estruturado em quatro pilares principais: fortalecer o povo, a pátria e o estilo de vida norte-americano; promover a prosperidade dos Estados Unidos; preservar a paz, por meio da força; promover a influência internacional estadunidense.

Selo da Presidência dos Estados Unidos

Ao apresentar a estratégia, o presidente Donald Trump afirmou que “Não podemos ignorar os custos da atividade cibernética maliciosa – econômica ou não – direcionada ao governo, às empresas e aos indivíduos da América (…). Informados pela orientação da estratégia, os departamentos e agências federais executarão com mais eficiência suas missões para tornar a América segura no âmbito do ciberespaço”.

Nesse sentido, o projeto apresenta a percepção de que, atualmente, o ciberespaço é um componente inseparável dos âmbitos financeiro, social, político e governamental estadunidenses. Assim, apresenta como áreas prioritárias os setores energético, financeiro, de saúde, de comunicações, de tecnologia da informação e de transporte. 

Em relação aos atores que podem executar ações contra os EUA, o documento identifica a Rússia, o Irã e a Coreia do Norte como principais ameaças à segurança estadunidense e dos seus aliados, devido aos supostos ciberataques realizados por esses países nos últimos anos.

No mesmo sentido, a China também é citada, devido à possível espionagem e ao roubo de propriedade intelectual de ativos pertencentes aos setores público e privado norte-americanos. Ademais, atores não-estatais, como grupos terroristas, são considerados protagonistas hostis por utilizarem o ciberespaço com objetivos de buscar financiamento, de recrutar simpatizantes e de atacar os Estados Unidos e seus aliados internacionais.

John Bolton – Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA

A estratégia enfatiza a relevância de tratar a cibersegurança por meio de uma abordagem baseada no apoio aos valores norte-americanos, como a crença no poder da liberdade individual, da liberdade de expressão, da defesa dos livres mercados e da privacidade dos cidadãos. Nesse sentido, o documento almeja evitar a utilização de uma abordagem puramente tecnocrata, por ser considerada insuficiente para lidar com os desafios no ciberespaço.

A proposta também enfatiza a relevância de a comunidade internacional fortalecer as normas já existentes nessa área, como a Convenção sobre o Cibercrime, conhecida como Convenção de Budapeste, firmada no âmbito do Conselho da Europa em 2001, e que é considerada como o tratado internacional pioneiro para tratar sobre crimes na internet.  

Pode-se considerar que um dos desafios da estratégia de segurança cibernética é o receio de o documento se tornar ultrapassado futuramente, contudo, de acordo com o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, o diplomata John Bolton, uma vez que a segurança cibernética é uma área extremamente dinâmica, o projeto será constantemente atualizado para refletir as ameaças futuras à defesa norte-americana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Segurança Cibernética” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Computer_security#/media/File:Cybersecurity.png

Imagem 2 Selo da Presidência dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Seal_of_the_President_of_the_United_States#/media/File:Seal_of_the_President_of_the_United_States.svg

Imagem 3 John Bolton Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_R._Bolton#/media/File:John_R._Bolton_by_Gage_Skidmore.jpg

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O direito de ser esquecido pode se transformar em uma iniciativa global

Em 2009, ainda que houvesse quitado seus débitos há alguns anos, o espanhol Mario Costeja González se considerava prejudicado em relação às buscas ao seu nome realizadas no Google, pois os principais resultados consistiam em uma pequena nota publicada há mais de dez anos no jornal catalão La Vanguardia sobre a venda de um imóvel em sua propriedade para a quitação de dívidas junto às autoridades espanholas.

Emblema do Tribunal de Justiça da União Europeia

Após ter seu pedido de retirada do artigo negado pelo periódico, em maio 2014, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) concedeu ao espanhol o direito de ter seu nome desvinculado do artigo nas buscas realizadas utilizando o Google.

O caso “Google Spain Vs Mario Costeja González” é considerado o marco para o surgimento do chamado “direito de ser esquecido”, que, conforme a decisão do TJUE, exige que, no âmbito da União Europeia, as ferramentas de busca neguem acesso a informações consideradas “inadequadas, não pertinentes ou já não pertinentes ou excessivas em relação ao objetivo pelo qual foram processadas, tendo em conta o tempo decorrido”.

Conforme relatório publicado pelo Google, entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2018, foram feitas 2,4 milhões de solicitações para que links na rede fossem dissociados dos nomes dos respectivos solicitantes nas buscas realizadas por meio da ferramenta, tendo sido 43% dessas solicitações implementadas e o procedimento, chamado de delisting, realizado. De acordo com o levantamento, a maior quantidade de solicitações consistiu em informações relacionadas a questões profissionais (24%) e foram feitas por pessoas físicas (89%).

Right to be forgotten: transparency report” / “Direito de ser esquecido: relatório de transparência

Atualmente, a controvérsia sobre o direito de ser esquecido está relacionada há um novo caso que está sendo analisado pelo TJUE referente a um pedido da Comissão Nacional de Informática e Liberdade (CNIL), órgão autônomo francês responsável pela proteção e privacidade de informações, para que o direito de ser esquecido seja estendido para buscas realizadas fora dos domínios europeus,  uma vez que, conforme a instituição, é possível utilizar subterfúgios – como esconder o IP para navegar anonimamente –, com o objetivo de contornar as restrições impostas às buscas realizadas dentro dos limites da União Europeia. A decisão do TJUE está prevista para acontecer em 2019.

A proposta do CNIL, no entanto, tem sido condenada pelo Google e por Organizações Não Governamentais, devido, principalmente, ao potencial que uma decisão para ampliar o direito de ser esquecido pode ter no sentido de ameaçar a liberdade de expressão, como afirma Thomas Hughes, diretor da ONG Artigo 19, organização que defende a liberdade de expressão e de informação: “reguladores de dados europeus não devem ser autorizados a decidir o que os usuários da internet ao redor do mundo encontram quando usam uma ferramenta de busca. O [Tribunal] deve limitar a atuação do direito a ser esquecido, a fim de proteger o direito dos usuários da internet ao redor do mundo”.

Ademais, conforme Hughes, há um receio de que, caso seja implementado internacionalmente, alguns países utilizem o direito de ser esquecido como uma justificativa para impor medidas de censura: “se os reguladores europeus podem dizer ao Google para remover todas as referências a um site, então será apenas uma questão de tempo antes que países como China, Rússia e Arábia Saudita comecem a fazer o mesmo. O [TJUE] deve proteger a liberdade de expressão, não estabelecer um precedente global de censura”.

No mesmo sentido, o Google também defende que uma decisão favorável ao pleito da CNIL tem a possibilidade de “encorajar outros países, incluindo regimes menos democráticos, a tentar impor os seus valores aos cidadãos do resto do mundo”.

Deve-se destacar, contudo, que já há um precedente em relação à utilização do procedimento do delist além das jurisdições nacionais. Em junho de 2017, em um caso envolvendo o Google e a empresa Equustek, a Suprema Corte do Canadá determinou que os tribunais canadenses estão aptos a obrigar a empresa do Vale do Silício a remover links internacionalmente, uma vez que, conforme a decisão da Corte, “a internet não possui fronteiras, seu habitat natural é global”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Botão de Deletar” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/77/Delete_key1.jpg

Imagem 2 Emblema do Tribunal de Justiça da União Europeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/European_Court_of_Justice#/media/File:European_Court_of_Justice.png

Imagem 3 Right to be forgotten: transparency report” / “Direito de ser esquecido: relatório de transparência” (Fonte):

https://www.blog.google/around-the-globe/google-europe/updating-our-right-be-forgotten-transparency-report/

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Big data para a paz

A expressão “big data” pode ser definida como “grandes conjuntos de dados produzidos por pessoas que utilizam a internet e que só podem ser armazenados, compreendidos e usados com a ajuda de ferramentas e métodos especiais”. Nos últimos anos, esse termo tem alcançado grande visibilidade no âmbito da política internacional, sobretudo devido à sua utilização nas eleições presidenciais norte-americanas e na campanha para a saída do Reino Unido da União Europeia, ambas ocorridas em 2016.  

Mark Zuckerberg

Acusações posteriores associadas à forma como esses dados teriam sido produzidos e utilizados pelo Facebook e pela empresa britânica Cambridge Analytica suscitariam uma série de questionamentos sobre a invasão da privacidade dos usuários da rede, levando, inclusive, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, a prestar esclarecimentos no Congresso americano em abril de 2018, e a Cambridge Analytica a anunciar o fim das suas atividades no mês seguinte.

No entanto, conforme afirma Henry Kissinger (2015, p. 345) na obra Ordem Mundial, “o ciberespaço desafia toda experiência histórica. É onipresente, porém não ameaçador em si mesmo; a ameaça depende do uso”. Nesse sentido, deve-se considerar que o big data também pode ser utilizado com finalidades mais construtivas, é o que demonstra, por exemplo, pesquisa recente do Peace Innovation Lab da Universidade de Stanford, na Califórnia.

Middle East

Os pesquisadores asseveram que “o big data pode ser conceituado em termos da sua capacidade de compreender e de iniciar interações pacíficas”. Dessa forma, iniciativas como o Peace Dot, página criada em parceria entre o Peace Innovation Lab e o Facebook para identificar o número de amizades realizadas na plataforma entre grupos em conflito (Israel X Palestina; Paquistão X Índia; Ucrânia X Rússia), enfatizam “o argumento segundo o qual, mesmo quando o conflito entre esses grupos está em alta, os indivíduos pertencentes a eles estão fazendo mais amizade do que machucando uns aos outros”.

No mesmo sentido, ainda conforme a pesquisa, a organização The Peace Factory objetiva promover a paz no Oriente Médio por meio do incentivo à interação entre os povos da região, como ocorreu, por exemplo, por meio da criação da página Israel-Loves-Iran, um espaço público e seguro que facilitaria a comunicação entre indivíduos desses países e que, posteriormente, estimularia a criação de uma série de iniciativas similares.

O estudo sugere que os benefícios desse contato inicial por meio de tecnologias mediadoras, como o Facebook, têm o potencial de mitigar o preconceito entre esses indivíduos, aumentado o conhecimento mútuo entre eles e resultando no fortalecimento da paz. Ademais, de acordo com os pesquisadores, a análise sistemática desses dados teria o potencial de auxiliar no planejamento de ações fora do mundo virtual que promovessem esses contatos, fortalecendo, assim, a empatia entre os povos de diferentes culturas.

Deve-se destacar, contudo, que, devido ao seu potencial de mudar consideravelmente o comportamento humano,  o emprego do big data deve ser acompanhado por um debate aprofundado e transparente sobre as considerações éticas da sua utilização.

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Referência:

KISSINGER, Henry. Ordem Mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 DARPA Big Data ” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Big_data#/media/File:DARPA_Big_Data.jpg

Imagem 2 Mark Zuckerberg” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/23/Mark_Zuckerberg_F8_2018_Keynote.jpg/800px-Mark_Zuckerberg_F8_2018_Keynote.jpg

Imagem 3 Middle East” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Middle_East_%28orthographic_projection%29.svg

                                                                                               

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Congresso Internacional de Cibersegurança em Moscou

Durante os dias 5 e 6 de julho (2018), ocorreu o Congresso Internacional de Cibersegurança em Moscou. Esse evento foi organizado pelo banco russo Sberbank, tendo o objetivo de ser uma plataforma de discussão internacional e interindustrial sobre os principais problemas da segurança no mundo informatizado. Dessa forma, contou com a presença de representantes de diversos governos do mundo, líderes das grandes empresas globais e especialistas em globalização e mundo digital.

De acordo com o Vice-Presidente do Conselho Executivo do Sberbank, Stanislav Kuznetsov, essa discussão é importante, visto que há uma maior incidência de crimes cibernéticos pelo mundo, tornando-se um grande risco global. Nesse sentido, Kuznetsov destacou que um modo de combater essa tendência negativa é através da cooperação internacional das esferas públicas e privadas.

Sessão plenária do Congresso Internacional de Cibersegurança

Durante o Evento, diversos participantes expuseram suas principais preocupações acerca do assunto. Algumas das questões levantadas foram os riscos de dados bancários e outras informações privadas serem violados e a possibilidade de tornar os complexos sistemas de segurança mais convenientes.

Um grande destaque do Congresso foi a presença do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, o qual realizou um discurso acerca do assunto a todos os presentes. Em sua fala ressaltou a importância da cibersegurança e afirmou que muitos países agem de forma egoísta, pensando apenas em seus próprios interesses, algo que prejudica a estabilidade global da informação.

Em vista disso, Putin destacou que “é especialmente importante elaborar as regras uniformes do jogo e considerar os direitos e interesses de todos os Estados, tudo isso de forma universal e aceitável a todos”. Em seguida, o Presidente deixou claro que a Rússia vem buscando implementar essas regras pelo país, avançando de forma a garantir um comportamento responsável na área da informação. Também demonstrou que mecanismos legais para a luta contra o crime cibernético estão sendo implementados e aprimorados.

Toda essa discussão ocorrida durante o Evento tem sido vista como necessária e totalmente atual aos novos desafios globais à segurança do Estado. Só em 2017, os ataques via internet resultaram em uma perda de trilhões de dólares ao mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio. Dessa forma, a cooperação nesse assunto é necessária para que um plano conjunto de defesa seja orquestrado e aprimorado por meio da cooperação internacional entre empresas do ramo e os Estados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Discurso do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, à sessão plenária do Congresso Internacional de Cibersegurança” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57957/photos/54502

Imagem 2Sessão plenária do Congresso Internacional de Cibersegurança” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57957/photos/54504