NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Tencent planeja incorporar realidade virtual ao WeChat

No dia 7 de novembro de 2018, durante a Conferência Internacional de Internet realizada na China, Ma Huateng, CEO da companhia Tencent, anunciou que considera incorporar a função realidade virtual (RV) nas próximas versões do WeChat. Segundo especialistas, o WeChat é utilizado por mais de um bilhão de indivíduos, e opera como bate-papo, rede social, plataforma de jogos e meio de pagamento. O empresário chinês também afirmou que “certamente no próximo ano [2019] a conferência apresentará um número maior de aparelhos com a função RV”.

Xi Jinping, Presidente da China, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos

A capacidade de inovação no setor das tecnologias digitais é considerada estratégica no plano “Made in China 2025”, publicado pelo governo chinês em 2015. Tal percepção foi reiterada em abril de 2018 durante 1º Cúpula Digital da China. Na ocasião, o presidente Xi Jinping ressaltou que a digitalização desempenhará papel cada vez maior na modernização dos sistemas de governança do país. No mesmo evento, Ma Huateng respondeu que a Tencent está pronta para atuar como “assistente digital” da nação asiática.

Assim, pode-se inferir que a Tencent se constitui não apenas uma organização privada, mas também como instrumento da política externa e interna do governo da China. Fundada em 1998, ela é atualmente a nona maior companhia de tecnologia do mundo em valor de mercado. Além disso, a empresa possui importantes parcerias internacionais como, por exemplo, com as firmas Tesla, Spotfy, Blizzard e SnapChat. No Brasil, realizou seu primeiro investimento na startup financeira NuBank, em outubro de 2018.

No âmbito da função RV, a Tencent ainda enfrenta o obstáculo da ausência de tecnologia 5G nos aparelhos celulares na China. No entanto, caso essa barreira seja superada, ela ampliará ainda mais seu potencial de crescimento internacional, bem como sua dimensão estratégica no plano de desenvolvimento do governo chinês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ma Huateng, CEO da Tencent e o homem mais rico da China, segundo a Forbes” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/techcrunch/6296765381

Imagem 2Xi Jinping, Presidente da China, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/worldeconomicforum/32215282852

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Liberdade da internet no mundo diminui pelo oitavo ano consecutivo

Em relatório publicado no dia 1o de novembro, a organização norte-americana Freedom House assevera que, em linhas gerais, o aumento do autoritarismo digital levou a uma redução, pelo oitavo ano consecutivo, da liberdade da internet no mundo.

Província de Xinjiang, na China

De acordo com o estudo, que engloba a análise de atividades ocorridas no período entre junho de 2017 e maio de 2018, as principais ameaças à liberdade na internet consistem na disseminação de desinformação e de propaganda no ambiente público, na coleta indiscriminada de informações e no aumento do autoritarismo digital praticado por alguns Estados que, progressivamente, estão passando a adotar o modelo chinês de censura e de vigilância automatizada.

O estudo examinou a liberdade na internet em 65 países de acordo com três categorias principais: obstáculos ao acesso à rede; limitação de conteúdo; violação dos direitos dos usuários. De acordo com a pontuação de cada Estado, eles foram classificados em “livres” (entre 0 e 30 pontos), “parcialmente livres” (entre 31 e 60 pontos) e “não livres” (entre 61 e 100 pontos).

Conforme essa metodologia, China (88 pontos), Irã (85 pontos), Síria (83 pontos), Etiópia (83 pontos) e Cuba (79 pontos) são os países que mais restringem a atuação de seus nacionais na rede. Por outro lado, Estônia (6 pontos), Islândia (6 pontos), Canadá (15 pontos), Alemanha (19 pontos) e Austrália (21 pontos) são os Estados analisados onde há maior liberdade na internet.

O relatório assevera que, no período analisado, o controle no ciberespaço realizado pelo governo chinês alcançou novos extremos devido à implementação de uma Lei de Cibersegurança mais severa e da atualização das tecnologias de segurança adotadas no país. O estudo aponta que, entre junho de 2017 e maio de 2018, um dos principais acontecimentos na China foi o uso da tecnologia de reconhecimento facial e outras ferramentas avançadas para monitorar e controlar a minoria Uigur, na região de Xinjiang. Ademais, outro desenvolvimento na área de controle da população consistiu na implementação progressiva do Sistema de Crédito Social, que classifica o grau de confiabilidade dos cidadãos chineses de acordo com o seu comportamento online e offline.

Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015

Seguindo a diretriz do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar a China em uma “superpotência cibernética, o estudo destaca que cada vez mais o sistema de monitoramento do país tem sido disseminado para diferentes partes do mundo, seja por meio de conferências realizadas na própria China para autoridades de outros Estados, seja no aumento do controle por parte do governo chinês em empresas internacionais que atuam em seu território, ou ainda na instalação de infraestrutura com capital, tecnologia ou participação das empresas estatais chinesas, em iniciativas como a Rota da Seda Digital.

Dentre os nove países do continente americano analisados pelo estudo, o Brasil, juntamente com a Colômbia, ocupa a quarta posição com 31 pontos, sendo classificado, portanto, como “parcialmente livre”. Houve uma melhora em relação ao ano anterior, uma vez que, no período analisado no atual estudo, o país não mais restringiu o acesso ao Whatsapp, como havia feito em 2015 e 2016, por determinação da justiça. No entanto, o relatório afirma que pesa contra o país o uso da violência contra jornalistas e blogueiros independentes e as tentativas de restrição à liberdade de expressão na rede devido, principalmente, à preocupação com a disseminação de notícias falsas no contexto eleitoral.

Com base nas práticas dos Estados classificados como “livres”, o estudo recomenda que a sociedade civil realize parcerias com o setor privado local para evitar a disseminação de notícias falsas, trabalhando, inclusive, com especialistas para identificar de que forma ocorre a desinformação e os motivos de os usuários compartilharem informações inverídicas. Ademais, a sociedade civil deve monitorar a colaboração entre o governo local e empresas chinesas, além de continuar a aumentar a conscientização sobre possíveis esforços governamentais de censura e de aumento da vigilância da população.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visualização dos caminhos de roteamento da internet” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_rights#/media/File:Internet_map_1024_-_transparent,_inverted.png

Imagem 2 Província de Xinjiang, na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_de_Xinjiang#/media/File:Xinjiang_in_China_(de-facto).svg

Imagem 3 Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping#/media/File:%E6%8A%97%E6%88%98%E8%83%9C%E5%88%A970%E5%91%A8%E5%B9%B4%E9%98%85%E5%85%B5%E6%BC%94%E7%BB%83.jpg

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Governo norte-americano realiza operações cibernéticas contra a Rússia

Seguindo as diretrizes da sua nova estratégia de segurança cibernética e da recém-atualizada abordagem de “defender para frente” (defending forward), preparada pelo Pentágono, o governo norte-americano anunciou, no dia 20 de outubro, a autorização para que suas forças estratégicas realizem operações cibernéticas ofensivas contra os adversários do país, tendo em vista, principalmente, a integridade das eleições legislativas que ocorrerão no dia 6 de novembro.

Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos

Em uma iniciativa que está sendo considerada como a primeira operação cibernética tornada pública pela própria administração estadunidense, funcionários do governo norte-americano afirmam que a Agência de Segurança Nacional e o Comando Cibernético daquele país têm identificado e acompanhado ações tanto de grupos de hackers atuantes na Rússia como de agentes de inteligência do governo russo, objetivando coibir campanhas de desinformação contra os Estados Unidos.

De acordo com esses funcionários, o Comando Cibernético dos Estados Unidos tem, inclusive, enviado mensagens diretamente para tais agentes, por meio de pop-ups e de e-mails, avisando-os explicitamente que as suas ações estão sendo monitoradas e desencorajando-os, por conseguinte, de praticarem qualquer ato que possa disseminar informações falsas que contribuam para desestabilizar as eleições norte-americanas.

Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018

A relevância dessa aparente nova forma de atuação do governo norte-americano consiste em uma possível quebra do paradigma tradicional no comportamento dos Estados no âmbito do ciberespaço, uma vez que, conforme os professores Evan Perkoski e Michael Poznansky, “as operações neste domínio raramente são acompanhadas de um reconhecimento intencional e claro do perpetrador”, sendo, portanto, a anonimidade uma das principais características comumente atribuídas à atuação dos atores nesse ambiente.

No que tange aos benefícios da estratégia adotada pelo governo norte-americano, os professores asseveram que “simplesmente ameaçar a Rússia com alertas vagos de retaliação provavelmente teria pouco efeito. Mas, ao demonstrar sua capacidade geral – e sua disposição – de identificar agentes individuais da Rússia, os Estados Unidos podem ser capazes de impedir que esses agentes atuem futuramente”.

Os resultados da iniciativa, no entanto, têm sido objeto de críticas por parte de especialistas, uma vez que não está claro se esses avisos terão o resultado pretendido. Michael Carpenter, por exemplo, ex-funcionário do Departamento de Defesa norte-americano, afirma se considerar “cético que meros avisos aos agentes russos servirão como um impedimento efetivo (…). É mais provável que eles (os russos) tentem outras formas de ataque”.

O receio  de interferência russa nas eleições legislativas estadunidenses aumentaram com as recentes acusações realizadas por promotores federais norte-americanos no que tange a uma possível rede de conspiradores, presumivelmente próximos ao presidente Vladimir Putin,  que estariam realizando uma “guerra de informação” contra os Estados Unidos. Ainda que, comparativamente às eleições presidenciais de 2016, especialistas apontem que há uma menor probabilidade de ocorrer uma interferência no pleito para o Congresso, funcionários do governo norte-americano têm declarado que o Pentágono e a comunidade de inteligência dos EUA tem um ataque cibernético preparado, caso haja ingerência russa nas eleições de 6 de novembro.     

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emblema do Comando Cibernético dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Seal_of_the_United_States_Cyber_Command.svg

Imagem 2 Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cyberwarfare_in_the_United_States#/media/File:Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_(080416-F-5297K-101).jpg

Imagem 3 Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russia%E2%80%93United_States_relations#/media/File:Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki,_16_July_2018_(3).jpg

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China planeja lançamento de lua artificial para 2020

No dia 10 de outubro, Wu Chunfeng, presidente do Instituto de Pesquisa em Sistemas Microeletrônicos de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CASC) em Chengdu, capital da província de Sichuan, na China, anunciou que o instituto está planejando o lançamento de um satélite artificial de iluminação capaz de produzir um brilho oito vezes maior do que o da lua. Caso essa iniciativa, que está prevista para ocorrer em 2020, tenha resultados positivos, Chunfeng afirma que há a possibilidade de outros três satélites, mais sofisticados, serem lançados em 2022.

Localização da cidade de Changdu, na China

Assim como ocorre com a lua, o projeto do satélite artificial chinês, posicionado a uma distância de 500 quilômetros da terra, funcionaria como uma espécie de espelho, refletindo a luz solar em direção à superfície terrestre. De acordo com Chunfeng, a lua artificial poderá ter sua luminosidade ajustada e, caso seja necessário, os seus espelhos poderão ser desligados completamente. O especialista estima que a empreitada pode complementar a iluminação tradicional da cidade de Chengdu, substituindo-a em algumas localidades, e ocasionar uma economia de 170 milhões de dólares anualmente, caso o satélite artificial ilumine uma região de 50 quilômetros quadrados.

A iniciativa de utilizar mecanismos refletores com finalidade energética não é recente. Ainda em 1923, o cientista alemão Hermann Oberth pesquisou a possibilidade de instalação de espelhos no espaço, iniciativa que, de acordo com artigo da Life Magazine, teria servido de inspiração para que os nazistas, futuramente, cogitassem em desenvolver uma espécie de “arma solar”.

Arma Solar

Mais recentemente, no início da década de 1990, a Agência Espacial Federal Russa desenvolveu o projeto do satélite Znamya com as mesmas finalidades energéticas. No entanto, ainda que, de acordo com os cientistas russos, uma primeira versão do satélite tenha se mostrado relativamente bem-sucedida, demonstrando a possibilidade de instalação e funcionamento desses mecanismos refletores no espaço, o projeto foi abandonado em 1999, quando o satélite Znamya 2.5, lançado naquele ano, não foi capaz de se manter em órbita.

Em uma iniciativa de menor escala, em 2013, foram instalados em Rjukan, cidade norueguesa situada em um vale cercado por montanhas, espelhos controlados por computadores para que a cidade pudesse receber a luz do sol ao longo de todo o ano.

Cidade norueguesa de Rjukan

As principais críticas que o projeto chinês tem recebido consistem na própria viabilidade da iniciativa, uma vez que, conforme cientistas, seria impossível que um satélite localizado a apenas 500 quilômetros da terra pudesse se manter parado o suficiente para iluminar de forma eficaz uma cidade específica.

Ademais, questiona-se o impacto que um empreendimento desse tipo poderia ter na fauna e na flora locais, além dos possíveis efeitos negativos no ciclo circadiano e na saúde dos indivíduos moradores da região. Em linhas gerais, os astrônomos também questionam a chamada “poluição luminosa” ocasionada por esse tipo de iniciativa, uma vez que essa poluição prejudica a observação astronômica e, por conseguinte, a realização de pesquisas científicas.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fossas Tectônicas da Lua” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lua#/media/File:14-236-LunarGrailMission-OceanusProcellarum-Rifts-Overall-20141001.jpg

Imagem 2 Localização da cidade de Changdu, na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chengdu#/media/File:Chengdu_in_China.png

Imagem 3 Arma Solar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sun_gun#/media/File:Sonnengewehr.jpg

Imagem 4 Cidade norueguesa de Rjukan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rjukan#/media/File:Rjukan_panorama_IMG_0052.JPG

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Cibersegurança: o caso entre Holanda e Rússia

No dia 14 de outubro (2018), a Ministra de Defesa holandesa, Ank Bijleveld, deu uma entrevista a uma emissora nacional afirmando que o seu país estaria numa guerra cibernética com a Rússia. Sua afirmação veio após a liberação na imprensa de que, em abril deste ano (2018), quatro agentes da inteligência militar russa foram deportados da Holanda por terem sido acusados de tentar hackear o sistema da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

De acordo com essa nova informação divulgada, no dia 13 de abril (2018), os cidadãos russos foram pegos nas proximidades da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) com a posse de equipamentos capazes de invadir sistemas e redes virtuais. A decisão tomada pelo departamento de inteligência holandesa não foi de prendê-los, mas de deportá-los imediatamente.

Imagem popular em referência à operação de um hacker

Em relação a esse acontecimento, Bijleveld declarou que “o que ocorreu foi bastante perigoso (…). As pessoas tentam interferir de várias formas em nossa vida o tempo todo, para influenciar nossa democracia. Temos que nos livrar da ingenuidade nessa área e tomar as devidas medidas cabíveis”.

Em contrapartida, a Federação Russa nega todas as acusações, alegando que elas não foram comprovadas e que essa é mais uma maneira do Ocidente criar uma propaganda anti-Rússia. Além disso, Moscou apontou que a declaração feita pela Holanda foi bastante oportuna por ela ter coincidido com a 89ª Sessão do Conselho Executivo da OPAQ, algo que daria forças para impulsionar algum tipo de projeto ou iniciativa. Não obstante, na sexta-feira, dia 12 de outubro (2018), o Reino Unido e a Holanda enviaram um memorando aos membros da União Europeia requisitando a atualização das sanções direcionadas a “atividades cibernéticas maliciosas”.

A Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou: “primeiro eles organizaram vazamentos nos meios de comunicação e depois espalharam um escândalo apenas agora, após seis meses de silêncio. Para quê? A Rússia acaba de lançar uma iniciativa para seus parceiros globalmente para elaborar um código de conduta no espaço cibernético. E eles não estão poupando esforços para puxar o nosso tapete, tudo para dizer que deve ser o Ocidente a oferecer ao mundo uma estrutura para elaborar regras comuns de comportamento no espaço cibernético em vez da Rússia”.

A questão cibernética ultrapassa fronteiras e é uma problemática comum do século XXI. Não há consenso entre o Ocidente e a Rússia nesse domínio, há várias acusações e muitas não foram de fato comprovadas. O fato é que isso está se tornando cada vez mais um empecilho na manutenção das boas relações diplomáticas, como é o caso agora da Holanda e da Federação Russa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Imagem popular em referência à operação de um hacker” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Backlit_keyboard.jpg

Imagem 2A Ministra da Defesa da Holanda, Ank Bijleveld” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Ank_Bijleveld_2018_(1).jpg

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Robótica e mineração: as inovações russas para exploração do Ártico

Com o intuito de explorar as maiores reservas de hidrocarbonetos e metais raros do mundo, localizadas no fundo do Oceano Glacial Ártico, e que apresentam difícil acesso por conta da profundidade e da temperatura extremamente baixa, a Federação Russa está lançando um ambicioso projeto de mineração com o emprego de tecnologias nunca antes utilizadas para esse propósito.

Horizonte do Oceano Ártico

Nesse âmbito, a Fundação de Pesquisas Avançadas da Rússia*, criou dentro de sua estrutura o Centro Nacional de Desenvolvimento de Tecnologias e Elementos Básicos de Robótica que, desde 2015, vem desenvolvendo técnicas de exploração mineral com a utilização de submarinos não tripulados em águas profundas, ou mais conhecidos como Veículos Subaquáticos Autônomos (AUV – do inglês Autonomous Underwater Vehicle). Os AUVs são atualmente usados em pequeno número por muitos países e geralmente controlados de perto por operadores, em vez de circularem livremente.

A total autonomia veicular, que será de grande importância para explorar as profundezas do Ártico, é o objetivo da pesquisa que já construiu protótipos para se testar os algoritmos** robóticos e confirmar seu atendimento aos requisitos operacionais e definir a navegabilidade do veículo. Alguns desses protótipos foram testados com elevada margem de sucesso, como são os casos do Klavesin-2R-PM UUV, utilizado em operações de exploração até 6 mil metros de profundidade, juntamente com o Vityaz UUV, veículo totalmente autônomo que terá capacidade exploratória em ambientes com mais de 10 mil metros de profundidade.

Além dos veículos autônomos, o governo russo quer complementar o desenvolvimento das novas tecnologias com a implementação de instalações robóticas no fundo do leito oceânico para prospecção mineral, que, segundo o chefe de projeto da fundação, Viktor Litvinenko, será um trabalho desafiador, pois utilizará tecnologias que essencialmente não existem nos dias atuais e que necessitará de parceiros altamente qualificados para respaldar o projeto, como é o caso da Rosatom, companhia estatal de energia nuclear da Rússia, juntamente com sua subsidiária no campo de exploração de urânio, a JSC Atomredmetzoloto (ARMZ Uranium Holding Co.), que já se prontificaram para serem clientes cooperativos.

Apesar de não ter sido divulgado o tamanho do gasto para o desenvolvimento e a implementação dessas novas tecnologias, o retorno desse enorme investimento é praticamente certo, pois servirá para explorar jazidas de zinco, urânio, ferro e diamantes, além de depósitos de hidrocarbonetos em áreas submersas, com capacidades estimadas em 28 bilhões de barris de petróleo, 31 bilhões de barris de gás natural liquefeito, além dos incríveis 356 bilhões de metros cúbicos de gás, segundo estudos do United States Geological Survey (USGS).

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Notas:

* A FPI (do russo – Fond Perspektivnyh Issledovaniy), foi criada em 2012 para apoiar pesquisas e desenvolvimentos científicos de acordo com os interesses da defesa e segurança da Federação Russa. A organização realiza suas atividades em três direções principais – químico-biológica e médica, físico-técnica e de informação.

** Termo utilizado em MATEMÁTICA: sequência finita de regras, raciocínios ou operações que, aplicada a um número finito de dados, permite solucionar classes semelhantes de problemas. Em INFORMÁTICA: conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos que levam à solução de um problema em um número finito de etapas.

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Imagem 1 Navios quebra-gelo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Three_icebreakers_–_Yamal%2C_St_Laurent%2C_Polar_Sea.jpg

 

Imagem 2 “Horizonte do Oceano Ártico” (Fonte):                                                                                           

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Arctic_Sky_%284371010590%29.jpg