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Startup norte-americana pretende zerar filas de transplantes

As listas de espera para transplantes de órgãos humanos em todo o mundo, bem como o crime de tráfico de órgãos, poderão ser totalmente eliminados com o surgimento das tecnologias desenvolvidas pela Prellis Biologics, uma empresa de engenharia de tecidos humanos que inventou uma nova forma de criar órgãos humanos, viáveis para transplantes, utilizando impressão em 3D.

Imagem da impressora 3D criando um rim

Fundada por duas cientistas norte-americanas, Dra. Melanie Matheu e Dra. Noelle Mulli, com ampla experiência em imagens de tecido 3D, biologia celular, imunologia e biofísica, a empresa está resolvendo o maior obstáculo para a produção de tecido humano funcional em laboratório:  criar pequenos vasos sanguíneos conhecidos como microvasculatura. Sem a microvasculatura as células morrem de fome por oxigênio e nutrientes, e não podem remover resíduos. 

A empresa estima que estará pronta para imprimir seu primeiro órgão humano entre os próximos quatro ou seis anos. Enquanto isso, a equipe responsável está exibindo sua tecnologia, imprimindo tecidos menos complicados.

Com o aprimoramento da técnica, está previsto que o primeiro tecido humano que a Prellis Biologics imprimirá para o desenvolvimento clínico são os Islotes de Langerhans, a unidade funcional do pâncreas que produz insulina. Com isso, os pacientes com diabetes poderão desfrutar de uma vida livre de doses diárias de insulina e monitoramento de glicose.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Fundadoras da Prellis Biologics, Dra. Melanie Matheu e Dra. Noelle Mulli” (Fonte):

https://trueventures.com/wp-content/uploads/2017/09/prellisbio-67.jpg

Imagem 2 “Imagem da impressora 3D criando um rim” (Fonte):

https://twitter.com/Prellisbio/status/908711533705924608

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O fim da neutralidade da rede e os seus impactos mundiais

Neutralidade da rede” é o termo utilizado para se referir às práticas de regulamentação da Internet que garantem que todos os usuários, provedores e serviços possuam as mesmas ofertas de velocidade, abertura e banda larga. As medidas proíbem o bloqueio de conteúdos ou o fornecimento de serviços a preços diferenciados para parcelas distintas de clientes. A neutralidade da rede foi largamente defendida por empresas como Google, Apple e Reddit; organizações como a União de Liberdades Civis Americana (ACLU, na sigla em inglês), jornalistas e personalidades, dentre elas, Barack Obama.

Selo da FCC

A neutralidade da rede é garantida pela Comissão de Comunicações Federais (FCC, na sigla em inglês), órgão que responde diretamente ao Congresso norte-americano e atua cobrando das Provedoras de Serviço de Internet (PSIs) que as mesmas garantam uma Internet igualitária para todos usuários, sejam eles grandes empresas ou indivíduos.

As PSIs são as empresas que oferecem a infraestrutura de rede e ofertam as conexões ao redor do mundo. Porém, apesar de serem dos EUA, elas possuem um alcance global, já que suas ações afetam desde empresas multinacionais até indivíduos pelo mundo inteiro. No entanto, ainda que tenha esta atuação global, elas estão sujeitas às leis do seu país de origem, na sua grande maioria os Estados Unidos. Além disso, muitas PSIs de outros países são propriedades das grandes PSIs norte-americanas.

As regras da neutralidade da rede são amplamente criticadas por alguns membros do Congresso estadunidense, tanto do Partido Republicano quanto do Democrata, por PSIs e pelo atual presidente da FCC, Ajit Pai, o qual anunciou planos para repelir as medidas de neutralidade da rede.

O argumento de Pai é que as ações implementadas no governo Obama “regulavam com mão pesada a Internet” e que “Devemos simplesmente definir regras do caminho que permitem que empresas de todos os tipos em todos os setores compitam e que os consumidores decidam quem ganha e perde”.

Os argumentos contrários ao fim da neutralidade da rede apontam para o favorecimento de corporações com maior poder econômico que poderão pagar por serviços mais rápidos e em “vias expressas” de velocidade diferenciada, em detrimento de outras empresas que estão iniciando suas atividades e não possuem os meios para contratar serviços diferenciados. Um outro argumento é de que alguns conteúdos, por exemplo, propagandas, serão priorizados em detrimento de outros.

Apesar do protesto de milhares de americanos, a proposta de Pai está prevista para ser votada pelo congresso dos EUA em 14 de dezembro de 2017. A Internet Association, grupo que é composto pelos maiores fornecedores de serviço e empresas de Internet, dentre elas, Facebook, Netflix, Amazon, Google, entre outros, declarou que a proposta de Pai “Representa o fim da neutralidade da rede como a conhecemos e desafia a vontade de milhões de americanos. (…). Esta proposta desfaz quase duas décadas de acordo bipartidário sobre os princípios basais de neutralidade da rede que protegem a capacidade dos americanos de acessar toda a internet”.

Vale ressaltar, no entanto, que, como as PSIs norte-americanas são o topo de uma larga cadeia de empresas e provedoras de serviços com alcance global, uma medida decidida no Congresso dos EUA terá impacto no espaço cibernético que permeia diversos países. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da FCC, Ajit Pai” (Fonte Original: By U.S. Federal Communications Commissionhttps://transition.fcc.gov/commissioners/photos/ppavp.jpg, Public Domain):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=30410351

Imagem 2Selo da FCC” (Fonte Original: By U.S. Government):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2804144

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A insegurança dos sistemas eleitorais ao redor do globo

O suposto envolvimento de hackers russos na eleição presidencial norte-americana de 2016, amplamente divulgado pela mídia e publicado no CEIRI NEWSPAPER, levou à uma insegurança global a respeito dos sistemas eleitorais em diferentes países, tanto nos seus governos centrais, quando nas subdivisões administrativas, ou seja, nos estados, municípios e similares pelo mundo.

Logo da DARPA

Nos Estados Unidos, subunidades como Novo México e Virgínia usarão cédulas de papel nas próximas eleições. Elas serão escaneadas e contadas por computadores e armazenadas por dois anos. Segundo a Secretária de Estado do Novo México, Maggie Toulouse Oliver, essa prática dificulta a alteração dos resultados de uma eleição. O Estado de Rhode Island, por sua vez, aprovou uma Lei obrigando que os registros eletrônicos sejam comparados e confirmados com as cédulas de papel.

De fato, a preocupação com ataques cibernéticos nas eleições norte-americanas é tamanha que o Departamento de Defesa dos EUA destinou 36 milhões de dólares ao programa Alavancando o Domínio Analógico para Segurança (LADS, na sigla em inglês). O programa LADS é coordenado pela DARPA (Agência de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos Avançados de Defesa, tradução da sigla em português) e objetiva tornar mais seguros até mesmo os sistemas analógicos, usando do “aprimoramento da defesa cibernética, através da análise de emissões analógicas involuntárias,… [como] emissões eletromagnéticas, emanações acústicas, flutuações de energia e variações de produção térmica”.

Especialistas em segurança, no entanto, comentam que a contagem eletrônica de cédulas de papel também pode apresentar vulnerabilidades. Conforme comenta Joseph Lorenzo Hall, tecnólogo do Centro de Democracia e Tecnologia de Washington, “apenas porque você está preenchendo uma cédula, não seja iludido com a noção de que a tecnologia não permeia todas as outras partes do processo”. De fato, o próprio computador, realizando o escaneamento e contagem dos votos, pode ser alvo de ataques cibernéticos.

Diante desse cenário, países como Noruega e Holanda vão mais além e optam por contagem manual das cédulas de papel. Como declarou o Ministro do Interior holandês, Ronald Plasterk: “devemos contar com o bom e velho papel”.

O tema da insegurança de urnas eletrônicas ao redor do mundo também já foi tratado no CEIRI NEWSPAPER e até mesmo as urnas brasileiras têm sido consideradas inseguras. Diante desse cenário, sistemas analógicos vêm retomando a popularidade em processos eleitorais pelo mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cédula de papel das eleições norteamericanas de 2008” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/calliope/3002203281

Imagem 2Logo da DARPA” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:DARPA_Logo.jpg

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Hackers atacam Conferência Internacional de Segurança Cibernética

A Conferência Internacional de Conflitos Cibernéticos, ou CyCon, a ser realizada em Washington, nos dias 29 de maio a 1o de junho de 2018, já se tornou alvo de ataques cibernéticos. O evento, organizado pelo Exército norte-americano e pelo Centro de Excelência de Defesa Cibernética Cooperativa (CCDCOE, na sigla em inglês), da OTAN, representa uma das mais importantes Conferências mundiais na área de segurança cibernética.

Ele irá reunir palestrantes como o general Paul Nakasone, atual diretor do Centro de Defesa Cibernética do Exército Americano; e o senador Martin Heinrich, que vêm criticando o Governo russo nas investigações que estão sendo feitas a respeito de um suposto envolvimento de hackers financiados pelo Kremlin.

Banner da conferência CyCon

Além destas personalidades, também participarão de especialistas de diferentes instituições, vindas de setores civis e militares de diversos países, como Warren Mercer, do grupo de inteligência Talos, que foi o responsável pela identificação do ataque que ocorreu neste momento, e declarou que “esta conferência tem muitos participantes interessantes, incluindo membros militares atuais. (…) O ataque a esses tipos de indivíduos poderia gerar informações extremamente sensíveis (…) é isso provavelmente que os atores esperavam neste caso”.

Os convidados para o evento em 2018 foram alvos da invasão através de um e-mail contendo um panfleto do evento na forma de um documento do Word, intitulado “Conference_on_Cyber_Conflict.doc”. O documento contém os logos, particionadores e o texto copiado do site da Conferência. Porém, dentro dele também existem links que realizam download e instalam um malware chamado “Seduploader”, que é essencialmente um software malicioso para permitir aos hackers o reconhecimento da vítima, fazendo capturas de tela e reunindo informações básicas a respeito do alvo, para então decidir se o mesmo deve ser monitorado a longo prazo.

De acordo com o relatório da Talos, o método utilizado na ação corresponde às mesmas técnicas utilizadas pelo grupo Fancy Bear, que suspostamente é o responsável pelo envolvimento russo nas eleições de 2016, questão amplamente discutida na grande mídia e também observada aqui. Empresas de segurança e agências governamentais norte-americanas de inteligência e segurança alegam que o grupo faz parte da GRU, agência de inteligência militar russa.

Seguindo as acusações, por meio de uma publicação da embaixada russa nos Estados Unidos, a Rússia voltou a negar qualquer envolvimento, afirmando: “Nós declaramos repetidamente em todos os níveis: a Rússia não interferiu nos assuntos internos dos Estados Unidos” (…) “Desde novembro de 2015, Moscou sugeriu a realização de consultas bilaterais sobre ameaças cibernéticas, mas Washington não mostrou disponibilidade para isso”.

Além da evidente ironia em se realizar ataques cibernéticos contra uma Conferência de segurança cibernética, o ocorrido mostra como a espionagem e a sabotagem que sempre permearam as relações entre os países confirmam essa nova face, muito mais intrusiva e de fácil acesso, na medida em que as atividades humanas se aprofundam no espaço cibernético. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Documento falso usado no ataque” (Fonte):

http://blog.talosintelligence.com/2017/10/cyber-conflict-decoy-document.html

Imagem 2 Banner da conferência CyCon” (Fonte):

http://aci.cvent.com/events/2017-international-conference-on-cyber-conflict-cycon-u-s-/event-summary-004d598d31684f21ac82050a9000369f.aspx

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O Vale do Silício da China e a regulação do ciberespaço

O hub tecnológico de Zhongguancun, que fica localizado na parte noroeste de Pequim, é conhecido como o “Vale do Silício” da China, fazendo alusão ao polo de produção tecnológica localizado em San Francisco, nos Estados Unidos (EUA). Os chineses estão procurando atrair capital humano qualificado para o seu país. Neste sentido, foi instituído um setor administrativo para atender às demandas de estrangeiros que queiram residir de forma permanente, trabalhando nos distritos industriais de Pequim.

O Grande Firewall

Nos últimos anos, a China vem progressivamente reduzindo barreiras e facilitando os pedidos de residência para estrangeiros que tenham uma formação qualificada. As maiores empresas atuando no Vale do Silício chinês atualmente são Tencent, Huawei, Baidu, Alibaba e Didi Chuxing.

Contabilizando 731 milhões de usuários com acesso à internet, o que representa cerca de um quarto dos usuários a nível global, é fácil perceber a importância do setor de tecnologia da informação para o país.

A China possui um sistema de regulação da internet que é conhecido como o Projeto Escudo Dourado. Dividido em 12 subprogramas governamentais, o Escudo Dourado é uma rede nacional de segurança cibernética, atuando principalmente no âmbito das informações produzidas no setor doméstico.

Complementando o projeto, possui também o “Grande Firewall, instrumento de regulação do ciberespaço para o acesso de conteúdos vindos do exterior. O controle das informações é visto como uma questão de soberania para o Estado. No entanto, isto implica no fato de que os seus nacionais não consigam acessar uma grande variedade de sites ocidentais dentro do território chinês.

A tecnologia está mudando o setor de negócios

Shenzhen e Xangai também possuem indústrias de tecnologia que estão florescendo rapidamente. A China possui 17 regiões que atuam como polos de produção de inovação e tecnologia ao longo do seu território e a área de inteligência artificial (AI, sigla em inglês) é um dos principais focos. O país já é o segundo maior investidor em AI no mundo e pretende se tornar o maior produtor de tecnologia neste setor até o ano de 2030, fator que está delineado em uma estratégia nacional.

Apenas nos dois últimos anos foram criadas mais de 1.600 incubadoras de empresas de alta tecnologia no país. Na última década, a China passou do status de emulação da tecnologia produzida no exterior para se tornar uma nação que está na vanguarda da inovação. Os efeitos desse boom tecnológico ainda não podem ser adequadamente medidos, mas a imagem das empresas chinesas no exterior vem mudando de forma rápida e significativa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chinês utilizando um equipamento de inteligência artificial” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/1/454/18908950782_1f0c67c281_b.jpg

Imagem 2 O Grande Firewall” (Fonte):

http://i1-news.softpedia-static.com/images/news2/Chinese-Internet-Users-Can-Tunnel-Out-of-the-Censorship-Wall-2.png

Imagem 3 A tecnologia está mudando o setor de negócios” (Fonte):

http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

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Kaspersky Lab é acusada de roubar informações dos EUA

A Kaspersky Lab, uma empresa de segurança cibernética de origem russa, famosa pelo seu programa de antivírus homônimo, está sendo acusada de possuir ligações com o Governo russo e de ter o seu antivírus utilizado para extrair informações classificadas de um ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA).

Logo da empresa Kaspersky Lab

Segundo o Washington Post, fontes familiares com o assunto alegam que hackers russos conseguiram extrair informes e dados classificados do computador da casa desse funcionário, que tinha o antivírus instalado.

De acordo ainda com as fontes do jornal, o material extraído continha ferramentas e programas para hackear dispositivos que iriam substituir os métodos expostos por Edward Snowden, quando o mesmo divulgou o escopo da espionagem global exercida pela NSA, e “o roubo do material permitiu ao Governo russo detectar e evadir mais facilmente as operações de ciberespionagem do governo dos EUA, frustrar medidas defensivas e acompanhar as atividades dos EUA”.

As suspeitas do envolvimento da empresa com o Kremlin são fundamentadas na origem russa da Kaspersky Lab. Por se encontrar em seu território, a lei russa exige que a empresa instale backdoors* para as agências de inteligência em todos os produtos fabricados pela companhia. O alcance do monitoramento russo em suas empresas foi previamente publicado no CEIRI NEWSPAPER.

A respeito do suposto roubo de informações do ex-funcionário da NSA, a empresa de segurança cibernética comentou que “a Kaspersky Lab não recebeu nenhuma evidência que comprovasse o envolvimento da empresa no suposto incidente, e é lamentável que a cobertura de notícias de alegações não comprovadas continue perpetuando acusações sobre a empresa”.

Yevgeny Kaspersky, o seu fundador, também comentou: “Nos EUA, eles dizem que as autoridades podem apenas vir e nos forçar a fazer algo ruim. Mas seria como dar um tiro no pé. Seria uma sentença de morte para todo o negócio de software na Rússia, que vale bilhões de dólares por ano. É loucura”.

As supostas ligações da Kaspersky Lab com o Governo e agências de espionagem russas já desencadearam uma resposta em massa no comércio. O Governo norte-americano proibiu agências e órgãos federais de usarem quaisquer programas da empresa de origem russa, e o setor varejista também começou a remover os programas de suas prateleiras.

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Notas:

* Pontos de acesso no programa que permitem o monitoramento e até o controle desse programa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Yevgeny Kaspersky, fundador da empresa Kaspersky Lab” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AMsc2012_20120205_144_Kaspersky_Kai_Moerk.jpg

Imagem 2Logo da empresa Kaspersky Lab” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AKaspersky_Lab_logo.svg