ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ataques a capacetes azuis no Mali

No domingo, dia 6 de outubro, ocorreram dois ataques diferentes contra funcionários da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA)*. Agressores ainda não identificados atacaram uma base operacional temporária da MINUSMA em Bandiagara, região central de Mopti, deixando um capacete azul do Togo gravemente ferido. Mais tarde, no mesmo dia, uma patrulha foi atingida por um artigo explosivo improvisado em Aguelhok, na região Kidal, no norte do país. Um militar do Chade foi morto enquanto outros três ficaram severamente machucados.

Combatentes islamitas no norte do Mali

Ressalta-se que esse não foi o primeiro ataque realizado contra as forças da MINUSMA no país. Desde 2013, cerca de 200 pessoas foram mortas, qualificando a Missão como a mais fatal da ONU. Em 20 de janeiro do mesmo ano, também em Aguelhok, a Operação de Paz teve sua base atacada por terroristas islâmicos, tendo a Al-Qaeda declarado a responsabilidade. Cerca de 10 soldados do Chade foram mortos e 25 feridos. Ocorrências como as citadas previamente sucederam também no dia 25 do mesmo mês, em 22 de fevereiro, em 20 de abril e em 18 de maio. Além disso, podem ser contabilizados ataques diretamente contra a população civil e contra as Forças Armadas do Mali, que, no dia 2 de outubro, deixaram 25 mortos e 60 desaparecidos.

Mapa dos conflitos do norte do Mali, em janeiro de 2013

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, emitiu uma declaração no mesmo dia. Além de expressar suas condolências e os melhores votos de melhoras aos soldados, solicitou aos signatários do acordo de Paz e Conciliação realizado em 2015, tanto as autoridades estatais quanto as duas coalizões de grupos armados, para identificarem os perpetradores e cumprirem com os processos legais adequados. Lembrou também que um ataque realizado contra as forças da ONU pode ser enquadrado como crime de guerra pelo Direito Internacional.

O Conselho de Segurança se reuniu no dia 8 de outubro. A segurança do país degradou nos últimos anos, tendo os conflitos do Norte sido espalhados para centro. Notaram o maior número de pessoas deslocadas internas desde 2015 e o aumento de assassinatos e sequestros de civis e partes que assinaram o acordo. Assim, estenderam o mandato da MINUSMA até junho de 2020 e modificaram a estratégia para ser centralizada na proteção de civis.

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Nota:

* A operação de paz foi estabelecida em 25 de abril de 2013, pela resolução 2100 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Prorrogada em 2018 por mais um ano, tem como objetivo apoiar o Acordo de Paz e Reconciliação, assinado em 2015, entre o governo e duas coalizões de grupos armados. Assim, tem como prioridade atividades políticas e a revitalização da autoridade estatal, além de outras questões como proteção de civis e estabilização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cerimônia de homenagem a dois capacetes azuis caídos no Mali em 2016”. (Fonte): https://fr.wikipedia.org/wiki/Mission_multidimensionnelle_intégrée_des_Nations_unies_pour_la_stabilisation_au_Mali#/media/Fichier:Mortierongeval_Mali-2.jpg

Imagem 2Combatentes islamitas no norte do Mali” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_do_Mali#/media/Ficheiro:Islamist_fighters_in_northern_Mali.PNG

Imagem 3Mapa dos conflitos do norte do Mali, em janeiro de 2013” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_do_Mali#/media/Ficheiro:Northern_Mali_

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Rússia compete com China por influência no Sudeste Asiático

Entre os dias 2 e 5 de outubro de 2019, o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, esteve na Rússia, como convidado de honra para participar do Clube de Discussão Valdai, fórum global no qual o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressa suas ideias relativas à política externa. Duterte também foi levado em um tour pelo Kremlin e recebeu um título honorário. Os Mandatários filipino e russo concordaram em fortalecer os laços de defesa e comércio, e Duterte pediu para as empresas russas investirem em ferrovias e infraestrutura de transporte nas Filipinas como parte do seu programa “Construir, Construir, Construir”, que visa incentivar o crescimento do país, informa o jornal South China Morning Post.

A viagem de Duterte foi apenas uma das várias visitas de Chefes de Estado de países do Sudeste Asiático à Rússia, que ocorrem em meio aos esforços de Moscou em fortalecer os laços com a região. Desde o ano 2000, a Rússia tem procurado se engajar com a região de forma bilateral e por meio de diversos fóruns, como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a Organização para Cooperação de Xangai (SCO).

Contudo, a visita de Putin à Cingapura em novembro de 2018 indicou que Moscou passou a se focar na região. Na ocasião, Putin participou pela primeira vez da Cúpula do Leste da Ásia (EAS), encontro anual que reúne os líderes dos países da ASEAN e de oito Estados parceiros. Após o evento, a ASEAN assinou um memorando para aumentar o comércio com o corpo executivo da União Econômica Eurasiática, que é capitaneada pela Rússia.

Mapa dos países do Sudeste Asiático

Em maio de 2019, o Primeiro-Ministro vietnamita, Nguyen Xuan Phuc, visitou Moscou para celebrar os 70 anos de laços diplomáticos entre a Rússia e o Vietnã, e, em setembro de 2019, o Primeiro-Ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, viajou à Vladivostok para participar do Fórum Econômico do Oriente, uma plataforma anual que o Governo russo utiliza para atrair investimentos para as suas províncias na Ásia e no Ártico. Em outubro de 2019, o governo de Cingapura assinou um Tratado de Livre-Comércio com a União Econômica Eurasiática.

Analistas dizem que os esforços da Rússia para construir vínculos em toda a região fazem parte de sua política de diversificação, pois aumenta o comércio e fortalece sua economia, que é a 12ª maior do mundo, alcançando a marca de 1,6 trilhão de dólares (pouco mais de 6,57 trilhões de reais, de acordo com a cotação de 11 de outubro de 2019), de acordo com o Fundo Monetário Internacional. A pesquisadora Sharana Rajiv, da Carnegie India, de Nova Délhi, destaca: “O foco da Rússia no Leste marca uma mudança do foco no lado europeu das fronteiras da Rússia. Moscou reconhece que não pode ter um interior pouco desenvolvido na fronteira com a Ásia”. A estratégia de engajamento russo na região inspirou-se no modelo chinês, que opta por uma posição de não-interferência nos assuntos domésticos das nações parceiras e que visa a promoção de comércio, investimento e venda de armamentos e recursos energéticos sem a imposição de uma ideologia.

Contudo, a China ainda possui uma influência maior no Sudeste Asiático, exatamente pelo fato de a região se encontrar no seu entorno estratégico. Moscou ainda não é capaz de substituir e nem de concorrer com Pequim no que concerne ao fornecimento de uma ampla variedade de bens, serviços e tecnologia às nações da região. Além disso, a China exerce grande pressão no campo da segurança regional, devido aos seus esforços no processo de militarização do Mar do Sul da China, o que acaba causando litígios territoriais com os estados da ASEAN. Segundo o pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Dmitry Gorenburg, “existe um grande ceticismo entre os países do Sudeste Asiático acerca da capacidade da Rússia defender seus interesses frente à China, o que faz com que eles evitem uma aproximação demasiadamente forte de Moscou em assuntos de defesa”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, encontra-se com o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=DUTERTE+PUTIN&title=Special:Search&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=9w737czph8rm9qrfdi8b0suk8#%2Fmedia%2FFile%3ARodrigo_Duterte_with_Vladimir_Putin%2C_2016-01.jpg

Imagem 2 Mapa dos países do Sudeste Asiático”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=ASEAN&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:ASEAN-PT.JPG

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A morte de Mugabe, antigo presidente do Zimbabwe, e seu funeral

Robert Mugabe, antigo Presidente do Zimbabwe, faleceu aos 95 anos, no dia 6 de setembro de 2019, no hospital Gleneagles, em Singapura, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores desse país. A causa da morte não foi divulgada, mas Mugabe visitava frequentemente o local em busca de tratamento médico para câncer de próstata. Em novembro de 2018, Emmerson Mnangagwa, atual Presidente, declarou ao partido político União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (Zanu-PF) que seu antecessor não conseguia mais andar.

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Após a repatriação do corpo do líder político que esteve à frente do país por 37 anos, surgiu a questão entre sua família e o governo sobre onde seria realizado seu funeral, e se seria privado ou público. Grace Mugabe, a esposa, queria que a cerimônia fosse privada, na região de Zvimba, respeitando o desejo de seu falecido marido de ser enterrado ao lado de sua mãe, Bona, em sua cidade natal, Kutama. Além disso, a família comentou ao jornalista da Al-Jazeera que Mugabe estava descontente pela maneira que se retirou do governo e, por isso, não queria ser enterrado em Harare. Já o governo gostaria de realizar um enterro público no Acre dos Heróis Nacionais (National Heroes Acre), e estava até construindo um mausoléu para Robert Mugabe, na capital Harare, perto de outras personalidades nacionais importantes.

Enquanto ocorriam as negociações, o corpo de Mugabe permaneceu em sua mansão na capital, sem qualquer posicionamento oficial. Isso foi verificado a partir de fotos compartilhadas em redes sociais, no dia 23 de setembro, sobre a visita de Julius Malema, político sul-africano que prestou sua homenagem. No dia 14 de setembro houve um cerimonial em Harare com pouca adesão. No dia 24, no entanto, ocorreu um serviço pré-enterro (pre-burial servisse) em Kutama, com centenas de pessoas, mas, sem qualquer funcionário de alto escalão governamental. E, após três semanas da data de falecimento, no dia 28 de setembro, foi realizado o sepultamento em Kutama.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Robert Mugabe” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Mugabe#/media/Ficheiro:Robert_Mugabe_May_2015_(cropped).jpg

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A Letônia investe na mediação de conflitos

Diversos conflitos ocorrem ao redor do mundo e a maioria das pessoas sequer conhece a realidade das problemáticas, ounem imagina que temas simples em suas nações podem ser objeto de tensões políticas. A área de mediação de conflitos éfundamental para a costura dos arranjos de paz, pois, é nela que as partes se juntam para discutir suas queixas.

A Letônia é um Estado que historicamente não possui tradição em mediação, todavia, o país ingressou no Grupo de Amigosda Mediação da Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente sob liderança da Finlândia e da Turquia. Durante a 10ªReunião Ministerial do Grupo, realizada em Nova York, o Estado báltico defendeu o tema anual da Reunião: Novastecnologias para a paz e a mediação como ferramentas de inclusão.

Na ONU, os letões advogaram que as novas tecnologias contribuem para a prevenção de desinformações e no combate aosdiscursos de ódio que circulam pela internet. As falsas notícias possuem tendência nos dias de hoje para influenciar aopinião de diferentes grupos sociais. Diante disso, a Letônia concorda que a eliminação destas falsas ideias evoluiupositivamente com o uso da tecnologia da informação e das comunicações.

Ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics

Jornal The Baltic Times trouxe a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, o qualdiscursou sobre o papel prático do país em relação a mediação de conflitos: “No nível prático, a Letônia estará envolvida napromoção do diálogo e na prevenção da escalada de conflitosPor exemplo, a Letônia participará com especialistas civisna Missão de Monitoramento Especial da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europana Ucrânia e naMissão de Monitoramento da UE (União Europeiana GeórgiaTambém contribuímos para a missão da ONU no Mali”.

Os analistas observam com admiração a atitude letã de buscar a prevenção de conflitos e seu envolvimento em missõesespecíficas sobre a pauta, todavia, salientam o entendimento de que a luta contra a desinformação pode ter umainterpretação política de caráter regional, visto que, vez por outra, os Estados bálticos e a Federação Russa trocamafirmações sobre o tema, pois, os bálticos receiam que os russos venham a invadir seus territórios, e os russos queixam-seda aproximação da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na circunvizinhança de suafronteira.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Discurso de Edgars Rinkevics” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2c/Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Ds.jpg/1280px-Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Ds.jpg

Imagem 2 Ministro das Relações Exteriores da LetôniaEdgars Rinkevics” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/V%C3%A4lisminister_Urmas_Paet_kohtus_t%C3%A4na_Tallinnas_L%C3%A4ti_uue_v%C3%A4lisministri_Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Dsega.31._oktoober_2011%286298112439%29.jpg/1280px-V%C3%A4lisminister_Urmas_Paet_kohtus_t%C3%A4na_Tallinnas_L%C3%A4ti_uue_v%C3%A4lisministri_Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Dsega.31._oktoober_2011%286298112439%29.jpg

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Reino Unido: Liberal Democrats ultrapassa o Labour Party em pesquisa de intenção de votos

Em pesquisa recente para a YouGov[1], realizada entre os dias 17 e 18 de setembro, os Liberais Democratas aparecem na segunda posição em intenção de votos do eleitorado, ultrapassando, pela primeira vez, os Trabalhistas (Labour Party). O resultado positivo para o Partido veio logo depois de anunciarem a intenção de “cancelar o Brexit”, durante sua conferência de outono, realizada entre os dias 14 à 17 de setembro de 2019. Com a recente perda de maioria por parte do Governo, devido às indefinições sobre o Brexit, a realização de novas eleições é praticamente certa, em um futuro próximo.

Os Liberais Democratas se comprometeram em revogar o “Artigo 50” (o dispositivo jurídico que trata da saída de um país da União Europeia), o que manteria o Reino Unido efetivamente como membro da UE. Mas, isso acontecerá somente se o Partido conseguir a maioria necessária para formar um governo, sem a necessidade de uma coalizão. Apesar do crescimento nas pesquisas, é improvável que alcançarão a maioria suficiente para levar a cabo essa promessa.

Diferentemente do Brasil, o sistema eleitoral britânico possui duas características distintas. A primeira delas é que, no Reino Unido, cada Deputado representa uma constituency (distrito eleitoral), que se refere à um determinado limite geográfico. A segunda, é que os deputados são eleitos por maioria simples (o chamado first past the post), significando que o candidato é escolhido havendo pelo menos um voto a mais que o segundo colocado. Essas duas características possibilitam casos, como, por exemplo, o ocorrido em 2015[3], em que um Partido como o UKIP (Partido pela Independência do Reino Unido), com 12,6% do eleitorado conseguisse somente uma cadeira no Parlamento. Enquanto isso, o SNP (Partido Nacional Escocês) obteve 4,7% dos votos, mas, acabou conquistando 56 cadeiras. O que se explica pelo fato de ter seus votos concentrados em uma única região (distritos na Escócia). Desta forma, os atuais 23% nas pesquisas poderão não se traduzir, necessariamente, em mais cadeiras para os Liberais Democratas.

Resultado das Eleições de 2015[4]

  Votos % de votos Número de representantes eleitos
Conservadores 11.334.226 36,9% 331
Trabalhistas 9.347.273 30,4% 232
SNP 1.454.436 4,7% 56
Liberais Democratas 2.415.916 7,9% 8
UKIP 3.881.099 12,6% 1
Outros 2.264.575 7,4% 22
Total 30,697,525 650

O Partido conta atualmente com 17 cadeiras no Parlamento, das quais 6[5] foram herdadas de Deputados que recentemente deixaram o Partido Trabalhista e o Conservador, justamente por não concordarem com a direção que estes vinham tomando em relação ao Brexit. Chuka Umunna (ex-Trabalhista) declarou, com otimismo, durante a conferência, que os Liberais Democratas poderão conseguir eleger até 200 deputados, caso haja uma nova eleição. Já, Jo Swinson, a atual líder do Partido, foi mais modesta, acreditando na possibilidade de conquistar pelo menos 100 cadeiras nas próximas eleições. De qualquer maneira, ambas declarações são extremamente otimistas, para uma agremiação cujo recorde, desde a fusão entre os Liberais e o Partido Social Democrático em 1988, foi eleger 62 membros para o Parlamento em 2005.

A nova posição do Partido preocupa simpatizantes que também lutam contra o Brexit. Caroline Lucas, representante no Parlamento do Partido Verde (Green Party), classificou a promessa de revogar o artigo 50, e efetivamente de cancelar o Brexit, como “arrogante” e um “tapa na cara” de quem votou para sair. Norman Lamb, Deputado do próprio Liberal Democratas, pediu cautela ao Partido, e declarou que cancelar a saída da União Europeia, sem um novo referendo, seria como “brincar com o fogo. A proposta divide a opinião dos eleitores “anti-Brexit” que defendem uma nova consulta popular como a melhor maneira para definir de vez esta questão.

A posição dos Liberais Democratas poderá fazer com que o voto “anti-Brexit” fique ainda mais pulverizado entre os Partidos da oposição, facilitando uma vitória dos Conservadores. Boris Johnson foi um dos líderes da campanha a favor da saída do Reino Unido da UE em 2016, e vem firmemente declarando que o Brexit acontecerá, com ou sem acordo, no próximo dia 31 de Outubro de 2019. A posição de Boris pode atrair os eleitores do Brexit Party, a única agremiação partidária que viavelmente pode concorrer com os Conservadores por eleitores que são favoráveis à saída.

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Notas:

[1] A YouGov é uma empresa sediada no Reino Unido, especializada em pesquisa de mercado e de opinião política.

[2] Fonte: https://yougov.co.uk/topics/politics/articles-reports/2019/09/19/political-trackers-17-18-sept-update

[3] A eleição de 2015 sagrou os Conservadores como líderes do governo, à época com David Cameron na liderança. Em 2017, já com Theresa May como Primeira-Ministra, uma nova eleição foi realizada, a qual ainda se reflete na atual configuração política do Parlamento.

[4] Fonte: https://www.bbc.co.uk/news/election/2015/results

[5] Fazem parte da lista dos Deputados que recentemente se filiaram aos Liberais Democratas: Luciana Berger, Chuka Umuna e Angela Smith (Labour), Sam Gyimah, Philip Lee e Sarah Wollaston (Conservadores).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jo Swinson, líder do Liberal Democrats” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/libdems/48429472046/

Imagem 2 “Reino Unido – Intenção de votos – Pesquisa Yougov (Fonte): https://yougov.co.uk/topics/politics/articles-reports/2019/09/19/political-trackers-17-18-sept-update

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Alimentação nos PALOP

As dinâmicas de alimentação mundial passaram por severas transformações ao longo do tempo, que acompanham desde às inovações tecnológicas, as mudanças climáticas, os fatores econômicos até os novos cenários de conflito. Neste contexto também estão inseridos os desafios expressos pela insegurança alimentar, resultante do aumento no número de pessoas em situação de fome: estima-se que cerca de 820 milhões de pessoas estejam nesta categoria.

Os dados acima são destacados no Relatório de 2019 da Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês para Food and Agriculture Organization), denominado “O estado da segurança alimentar e nutrição no mundo”. O continente africano integra esta prospecção como uma das regiões onde, em quase sua totalidade, foram registrados aumentos nos casos de fome, assim como a maior taxa de desnutrição global.

Logo da Food and Agriculture Organization

Em outro relatório sobre a produção de alimentos, lançado pela FAO, ressalta-se como os fenômenos naturais que ocorreram na África entre 2018 e a primeira metade 2019 refletiram na segurança alimentar. Neste quadro, os Estados africanos de língua portuguesa enfrentam os desafios causados pela fome, de formas diferentes, de acordo com as suas diversidades geográfica, climática e demográfica. É o caso de Moçambique que, por consequência dos ciclones Idai e Kenneth, e das inundações no começo do ano de 2019, teve uma expressiva perda na produção agrícola, o que reduziu a disponibilidade de alimentos, culminando no aumento de preços.

O arquipélago de Cabo Verde, que, por sua vez, já enfrenta os desafios de produção de alimentos no pouco espaço cultivável, também é afetado pelos escassos períodos de chuva. A estiagem foi o fator que comprometeu a estrutura agrícola e pastoril do país em 2018. De forma similar, a seca em Angola também contribuiu para a deterioração das condições de vida da população do sul do Estado, em 2019. De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, aproximadamente 2,3 milhões de pessoas encontram-se em estado de insegurança alimentar, entre elas 245.565 crianças de menos de 5 anos de idade, em estágios de má nutrição.

As dinâmicas experienciadas pela Guiné Bissau, neste contexto, perpassam por outras esferas, como as questões de trabalho feminino e a inserção da população jovem no mercado de trabalho. Igualmente, a produção de alimentos é caracterizada como deficitária em relação às necessidades populacionais em, aproximadamente, 90 mil toneladas.

Fome Zero: 2° Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030

Alternativas foram desenvolvidas pelas Nações Unidas para a superação das debilidades causadas pela fome, nominalmente, o 2º Objetivo para o Desenvolvimento: Fome Zero. Neste quadro são incentivadas a criação de sistemas de produção e consumo sustentável; a proteção dos pequenos produtores rurais; o estabelecimento de sistemas de minimização de desperdícios. Entretanto, os choques sofridos principalmente na ordem climática atingiram escalas multidimensionais, colocando em risco não apenas a segurança alimentar, como também a infraestrutura urbana e rural, o acesso à água, entre outros fatores. Neste sentido, evidencia-se a amplitude do espectro da fome no mundo, e compreende-se que o fortalecimento das estruturas internas dos Estados para uma atuação mais resiliente frente aos desafios é um passo significante para a transformação deste quadro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Segurança alimentar” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Food_security#/media/File:2DU_Kenya_86_(5367322642).jpg

Imagem 2Logo da Food and Agriculture Organization” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_Alimenta%C3%A7%C3%A3o_e_Agricultura#/media/Ficheiro:FAO_logo.svg

Imagem 3Fome Zero: 2° Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável Agenda 2030” (Fonte): https://www.undp.org/content/dam/undp/img/sdg/icons100/E_SDG_Icons_NoText-02.jpg