ÁFRICAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Uma Guiné chinesa

Aos poucos a China vai transformando a paisagem de algumas nações africanas. A cooperação cultural, econômica e comercial se torna a principal ferramenta para a construção de uma África chinesa. Recentemente, obras de empresas chinesas entregaram ao povo da Guiné-Bissau o seu Palácio da Justiça.

Segundo informações da Agência Lusa, retransmitidas pela mídia local, a China está financiando obras na cidade de Bissau, com previsão de serem entregues em menos de um mês. Beijing já reconstruiu o Parlamento, o Palácio da Presidência entre outras obras locais que foram danificadas desde a guerra civil do país em 1998-1999.

Reformas e reconstruções de importantes obras em países africanos não tem sido atos  estranhos quando se trata da China. Outros países, como Moçambique, tem grandes construções financiadas pelos chineses com um objetivo bem definido: manter fortalecidas as relações comerciais e diplomáticas. Sendo assim, Sedes de Governos e infraestruturas de transportes, portuárias e agrárias, por exemplo, tem a marcaChinade qualidade.

O embaixador chinês em Guiné-Bissau, Huang Hua, informou que mais de 14 milhões de dólares serão destinados para as obras neste país africano e ainda serão construídas mais de 200 casas, além da doação de equipamentos para compor a infraestrutura elétrica da região.

Com tantos investimentos, a preferência em negociar com Beijing dificilmente será afetada por outras nações interessadas em investir neste país, algo que pode se repetir em outros lugares, por todo o continente.

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Imagem (Fonte):

 Wikipedia

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Fonte Consultada:

Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2014/10/31/china-constroi-palacio-da-justica-da-guine-bissau/

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Sistema das Nações Unidas no Chifre da África: atores estratégicos e recursos financeiros

O Secretário Geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon, anunciou uma iniciativa de US$ 8 bilhões para reduzir a pobreza e impulsionar o crescimento econômico e os negócios no Chifre da África. O anúncio foi realizado durante uma viagem estratégica pela região e também conta com o apoio do Banco Mundial, da União Europeia, do Banco de Desenvolvimento Islâmico e do Banco Africano de Desenvolvimento. Os países beneficiados pela iniciativa são: Djibouti, Eritréia, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão, Sudão do Sul e Uganda[1][2].

Para Ban Ki-moon, os países do Chifre da África estão realizando progressos do ponto de vista econômico e político, apesar dos constantes problemas derivados da pirataria, corrupção, tráfico de drogas e ondas de violência com grupos terroristas e milícias. Por essa razão, o momento clama por esforços para amenizar os ciclos de conflito e pobreza na região, além de sair das tradicionais situações de fragilidade institucional para sustentabilidade política e econômica.

Sobre as contribuições, o Banco Mundial participará com um montante de US$ 1,8 bilhão. A União Europeia fornecerá US$ 3,7 bilhões até 2020 e o Banco Africano de Desenvolvimento contribuirá com US$ 1,8 bilhão nos próximos três anosO Banco de Desenvolvimento Islâmico apoia com US$ 1 bilhão para quatro países específicos: Djibouti, Somália, Sudão e Uganda. Esta é a terceira viagem realizada pelo Secretário Geral da ONU e pelo Presidente do Banco Mundial no continente africano nos últimos 18 meses[1].

Em visita ao Quênia, Ban Ki-moon incentivou a juventude a continuar a desenvolver soluções baseadas na tecnologia, como mecanismo para impulsionar o crescimento econômico do país. Como um dos exemplos da capacidade das novas tecnologias em facilitar a vida dos cidadãos, Ban Ki-moon chamou a atenção para o serviço de transferência de dinheiro, M-Pesa, como um produto nacional que tem sido exportado para outros países.

Além disso, o Secretário Geral sinalizou que o escritório da ONU apoiará o iHub e outras soluções inovadoras pelos próximos anos, com o objetivo de realizar intercâmbios entre inovadores sociais, stakeholders e tomadores de decisão. O iHub se iniciou em 2010, como um centro de inovação para analistas de tecnologia. Atualmente, possui cerca de 10 mil jovens, muitos dos quais tem levado adiante os próprios negócios através da internet e, mesmo assim, continuam atuando como mentores para os novos adeptos[3].

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Imagem (Fonte):

http://www.seychellesnewsagency.com/media/images/2014-10/photo_verybig_1636.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] VerNações Unidas”:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=49169&Cr=horn+of+africa&Cr1=#.VFPNgjTF-up

[2] VerONU Brasil”:

http://www.onu.org.br/onu-anuncia-nova-iniciativa-de-8-bilhoes-de-dolares-para-os-paises-do-chifre-da-africa/

[3] VerDaily Nation”:

http://www.nation.co.ke/business/Tech/Ban-Ki-moon-visits-iHub-Kenya/-/1017288/2506698/-/oitasaz/-/index.html

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Mobilização política, técnica e acadêmica no combate ao terrorismo

A constante luta dos quenianos contra o terrorismo no leste africano foi marcada pelos discursos do presidente Uhuru Kenyatta, pelas operações policiais na fronteira e na formação da segunda turma de cadetes graduados em Estudos Militares nas últimas semanas. No dia 20 de outubro, o país celebrou o feriado de Mashujaa Day, ou Dia do Herói[1]. A data marca a luta pela independência do país por alguns heróis nacionais, inclusive, Jomo Kenyatta, pai do atual Presidente.

Em discurso proferido no feriado, Uhuru Kenyatta anunciou planos para cortar o fluxo de fundos financeiros de terroristas que buscam desestabilizar internamente a população do país, principalmente ao incitar grupos étnicos e religiosos. Entre as tarefas do Governo, o Presidente destacou o monitoramento das atividades terroristas, a radicalização dos jovens, o incitamento ao discurso de violência e a corrupção. Segundo declarou, grupos da sociedade civil têm recebido recursos financeiros do Al-Shabaab e utilizado espaços democráticos para radicalizar e recrutar jovens para os grupos terroristas[1]. Na linha de frente contra o terrorismo, o Presidente destaca a participação das Forças de Defesa Quenianas (FDQ).

Há duas semanas, pelo menos 60 combatentes do Al-Shabaab foram mortos em uma operação das FDQ em Bula Gadudd, na Somália[2]. Na última semana, as FDQ combateram cinco militantes do Al-Shabaab, na tentativa de entrar no país pela fronteira com a Somália[3][4]. O incidente ocorreu exatamente no Mashujaa Day. De acordo com os peritos, o veículo possuía 100kg de explosivos. No dia seguinte, as FDQ combateram mais de 80 membros do Al-Shabaab, em uma ofensiva nas regiões de Jamaame e Magambo, próximo a Kismayu, na Somália[2]. A operação contou com o apoio da Força Nacional da Somália.

Recentemente, Uhuru Kenyatta ressaltou a necessidade de alocar tecnologias modernas para as FDQ com o intuito de combater os desafios securitários[5]. Uma das formas encontrada é através do maior conhecimento e habilidades dos oficiais da polícia, para compreender e responder rápido a um mundo marcado por terrorismo, extremismo religioso e intolerância. Para tanto, o Presidente participou da formação do segundo grupo de cadetes, no Bacharelado em Estudos Militares. O curso é oferecido pela Academia Militar do Quênia, no condado de Nakuru, em parceria com o Ministério da Defesa. Para Kenyatta, os estudos oferecidos pela Academia ajudarão a fortalecer a efetividade dos comandantes e dos líderes das FDQ[5].

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Imagem (Fonte):

http://allgalgaduud.com/wp-content/uploads/2013/07/Kenya-Defence-Forces.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] VerStandard Digital”:

http://www.standardmedia.co.ke/article/2000138912/uhuru-rallies-kenyans-in-fight-against-terrorists-and-their-funders/?articleID=2000138912&story_title=president-uhuru-kenyatta-rallies-kenyans-in-fight-against-terrorists-and-their-funders&pageNo=1

[2] VerStandard Digital”:

http://www.standardmedia.co.ke/article/2000139311/kdf-kill-over-80-al-shabaab-militants-in-somalia?articleID=2000139311&story_title=kenya-defence-forces-somalia-national-army-kill-over-80-al-shabaab-militants-in-somalia&pageNo=1

[3] VerAll Africa”:

http://allafrica.com/stories/201410221066.html

[4] VerAll Africa”:

http://allafrica.com/stories/201410210832.html

[5] VerStandard Digital”:

http://www.standardmedia.co.ke/article/2000138347/embrace-modern-technology-to-combat-security-challenges-uhuru-tells-kdf?articleID=2000138347&story_title=embrace-modern-technology-to-combat-security-challenges-president-uhuru-kenyatta-tells-kdf&pageNo=1

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Oposição contesta os resultados das eleições no Moçambique

As Eleições Presidenciais e Legislativas no Moçambique na última semana foram uma das mais conturbadas desde o fim da Guerra Civil, em 1992. O Partido de oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), acusa que as eleições gerais foram irregulares, contestando a vitória do Partido governista, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)[1]. Além da contestação por parte dos opositores, o dia da pleito foi marcado por conflitos entre civis e por alguns protestos[1].

As primeiras apurações – cerca de 20% do total de votos – apontavam ampla vitória do candidato Filipe Nyusi, da FRELIMO, com cerca de 63% dos votos, ao passo que Afonso Dhlakama, da RENAMO, possuía aproximadamente 30%[2]. Aproximadamente 10,7 milhões de eleitores foram às urnas escolher o seu Presidente na última quarta-feira, dia 15 de outubro[3].

Agências internacionais, como a Commonwealth Observer Mission, que acompanham as eleições no país, não acreditam que tenha havido manipulação dos votos[3]. Afonso Dhlakama (RENAMO) legitima o resultado e afirmou publicamente que ele será respeitado e “não haverá mais guerra em Moçambique[2].

As eleições no país e o respeito aos resultados são passos importantes para a consolidação da democracia em Moçambique, tendo em vista que ambos os partidos participaram de uma intensa guerra civil entre os anos de 1976 e 1992, ocasionando a morte de cerca de um milhão de civis[1][3].

Além de Moçambique, outras nações Subsaarianas tiveram eleições conturbadas neste ano: em junho, as Eleições Presidenciais no Malawi foram marcadas por denúncias por parte da então candidata à reeleição, Joyce Banda, sobre uma possível manipulação dos votos[4]; da mesma forma, as Eleições sul-africanas foram marcadas por intensos protestos contra o partido governista, o Congresso Nacional Africano[5].

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ImagemObservador” (Fonte):

http://observador.pt/2014/10/17/mdm-diz-que-eleicoes-em-mocambique-foram-marcadas-por-praticas-de-fraudes/

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Fontes Consultadas:

[1] VerBBC News”:

http://www.bbc.com/news/world-africa-29653391

[2] Ver:

Folha de S. Paulo – Mundo: Sábado, 18 de outubro.

[3] VerThe Washington Post”:

http://www.washingtonpost.com/world/africa/mozambique-opposition-leaders-reject-early-result/2014/10/19/3710c616-57b2-11e4-9d6c-756a229d8b18_story.html

[4] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/presidente-joyce-banda-pede-anulacao-das-eleicoes-gerais-malawi/

[5] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/africa-sul-reeleicao-de-jacob-zuma-e-marcada-por-protestos/

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Coreia do Sul oferece apoio no combate ao Ebola

Nesta quinta-feira, dia 17 de outubro, a presidente sul-coreana Park Geun-hye anunciou durante Reunião de Cúpula da ASEM (ÁsiaEuropa Meeting), em Milão, que o país oferecerá ajuda médica e humanitária aos países africanos afetados pelo vírus ebola. Nas palavras da presidente Park, a “Coreia do Sul decidiu enviar médicos para conter o rápido avanço do vírus ebola, além de fornecer assistência humanitária[1].

O país comprometeu-se a oferecer 5,6 milhões de dólares às Nações Unidas e outros organismos do sistema, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF, num momento em que a comunidade internacional se mobiliza para conter os avanços da doença[2].

No início desta semana, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, solicitou apoio à Coreia do Sul, durante conversa por telefone com o ministro de relações exteriores Yun Byung-se. Os Estados Unidos tem solicitado forte apoio da comunidade internacional para evitar que mais países sejam afetados pelo Ebola[3].

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ImagemPresidente sul-coreana Park Geun-hye participa da Reunião de Cúpula da ASEM e anuncia no fórum apoio ao combate ao vírus ebola, no dia 16 de outubro, em Milão, Itália” (FonteKorea Times):

http://img.koreatimes.co.kr/upload/thumbnailV2/parkasemtop.gif

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.koreatimes.co.kr/www/news/nation/2014/10/113_166471.html

[2] Ver:

http://www.koreaherald.com/view.php?ud=20141016001223

[3] Ver:

http://www.koreaherald.com/view.php?ud=20141016001223

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Corte Criminal Internacional convoca Kenyatta em Haia

A Corte Criminal Internacional (CCI) convocou a presença do presidente queniano Uhuru Kenyatta na sua sede em Haia (Holanda), no dia 8 de outubro, para prestar esclarecimentos aos juízes da Corte[1]. Desde 2011, a CCI abriu o processo do Ministério Público contra o atual Presidente queniano (The Prosecutor v. Uhuru Muigai KenyattaICC01/0902/11), em decorrência da sua possível participação nos massacres ocorridos após as eleições de 2007[2]. Na ocasião, 1.200 pessoas foram mortas e 600 mil foram deslocadas de seus lares[3].

Há duas semanas, a Promotoria pediu que o processo fosse adiado indefinidamente devido à falta de evidências e provas contra o Presidente. De acordo com a acusação, ele e o seu Governo não tem fornecido os dados necessários para a elaboração da acusação[3][4]. Por essa razão, a CCI requisitou a presença de Kenyatta em Haia, com o objetivo de discutir “o status da cooperação entre o Ministério Público e o governo queniano[3]. Na reunião, o Mandatário não será questionado pelo Promotor, mas os Juízes escutarão os argumentos tanto da defesa, quanto da acusação para considerar o andamento do caso[1].

Kenyatta é acusado de ser criminalmente responsável no papel de coautor indireto por Crimes Contra a Humanidade, de acordo com o Artigo 25 (3)(a) do Estatuto de Roma. Entre as alegações, enquadram-se: assassinato, deportação forçada, estupro, perseguição e outras ações desumanas[2]. Em outubro de 2013, na Cúpula dos Líderes da União Africana, na Etiópia, os Chefes de Estado declararam lobbying para que o caso seja abandonado, ao acusar o CCI de investigar apenas as alegadas atrocidades do continente africano[5]. O caso já foi adiado três vezes pelo Ministério Público do Quênia, o que torna todo o processo instável tanto do âmbito doméstico, quanto na esfera regional e internacional[5].

Ainda não há confirmação se o presidente Kenyatta irá comparecer à reunião em Haia. De acordo com o mesmo, como Chefe de Estado é dever dele tratar de assuntos domésticos, como as ameaças do grupo militar al-Shabaab e de assuntos de desenvolvimento econômico nacional[4]. Além disso, Kenyatta tratou de tranquilizar a população, ao declarar que o assunto logo chegará ao fim[6].

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Imagem (Fonte):

http://www.rnw.nl/data/files/imagecache/must_carry/images/lead/article/2011/09/kenyatta_icc.jpg

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[1] Ver Daily Nation:

http://www.nation.co.ke/news/ICC-concerns-Uhuru-case/-/1056/2474216/-/4l6bkx/-/index.html

[2] Ver International Criminal Court:

http://www.icc-cpi.int/en_menus/icc/situations%20and%20cases/situations/situation%20icc%200109/related%20cases/icc01090211/pages/icc01090111.aspx

[3] Ver BBC:

http://www.bbc.com/news/world-africa-29288981

[4] Ver Hiiraan Online:

http://www.hiiraan.com/news4/2014/Sept/56418/uhuru_kenyatta_summoned_by_icc.aspx#sthash.QbIy5153.dpbs

[5] Ver All Africa:

http://allafrica.com/stories/201410031317.html

[6] Ver Daily Nation:

http://www.nation.co.ke/counties/Uhuru-ICC-summons/-/1107872/2474512/-/13nnkyn/-/index.html