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Em meio a protestos contra a conjuntura econômica e política, sul-africanos vão às urnas

As respostas de uma enquete feita pelo portal de notícias sul-africano News 24 diz muito sobre o cenário atual às vésperas das eleições desta quarta-feira (7 de maio): 91% dos sul-africanos dizem não confiar no Governo[1]. Entretanto, torna-se ainda mais preocupante quando a insatisfação é tamanha a ponto de converter-se em protestos e, em alguns casos, em atos violentos: na mesma pesquisa, mais de 85% responderam ser contra qualquer regulação governamental que impeça a transmissão de propagandas políticas que incitem a violência[1].

Há pouco mais de 20 anos, o Congresso Nacional Africano (CNA)partido do presidente Jacob Zuma– era uma das principais frentes revolucionarias na África do Sul. Este partido exerceu papel crucial na reivindicação de maiores direitos civis aos negros, sendo que, para isso, não faltaram confrontos sangrentos, mortes e prisões, como a de Nelson Mandela. A segregação racial deveria ser derrubada.

Atualmente, o inimigo é outro. Se outrora se cantava “shoot the boer[2] (“atire no boer”, onde boer é uma expressão utilizada para referir-se aos fazendeiros brancos, detentores dos diretos civis naquela época), agora muitos negros proclamam que “black boers cause us worries” (“boers negros nos causam preocupação”)[2].

Em uma democracia ampla – tanto na esfera política, através do sufrágio universal, como na esfera econômica, através de um livre mercado – o mérito exerce papel fundamental na manutenção da ordem. Em teoria, todos devem obter chances iguais de crescer e se desenvolver, ocupando posições correspondentes à habilidade individual.

Entretanto, na prática, a África do Sul vivencia um momento onde brancos e alguns negros da classe média continuam a ocupar os cargos mais importantes – como foi relatado no CEIRI NEWSPAPER mês passado[3] –, renegando à maioria da população liberdades substantivas que lhe garantiriam oportunidades iguais no mercado de trabalho e na sociedade civil.

Por isso, “black boers” – referência clara ao presidente negro Jacob Zuma – também geram preocupações à população, pois eles foram ineficazes na promoção de uma sociedade de direitos amplos. A ausência de oportunidades, evidenciada por uma das maiores desigualdades sociais do planeta[4], é um dos principais fatores de descontentamento.

Em meio às escassas e precárias condições de trabalho, a conquista dos direitos civis é claramente posta em segundo plano pelas gerações mais novas: somente um terço das pessoas de 18 e 19 anos – indivíduos que não participaram diretamente do fim do apartheid – irão votar nas eleições de hoje[5].

Para um cidadão negro sul-africano é difícil distinguir se a condição de vida era pior antes do apartheid ou nos dias de hoje. Em 1994, a expectativa de vida na África do Sul era de 62 anos; atualmente ela é de 56 anos[5][6]. O baixo crescimento econômico evidencia a falta de dinamismo da economia sul-africana: desde 1994 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em média, 3,3% ao ano, ao passo que a economia africana como um todo cresceu 4,8% anualmente. Assim, a empregabilidade é baixa, o que faz com que cerca de 25% dos sul-africanos estejam desempregados[5], sendo que 33,6% dos jovens entre 18 e 25 anos também estão desocupados[7][8].

A corrupção é outra clara fonte de insatisfação. Recentemente, veio a público que foram gastos mais de 22 milhões de dólares na reforma da casa do presidente Zuma, que incluía a construção de uma piscina e de um anfiteatro. Segundo autoridades, tal reforma foi feita com o intuito de aumentar a segurança da casa do Presidente[9].

Indignados com a conjuntura econômica e política atual, os sul-africanos foram às ruas[10]. A África do Sul tem, em média, 32 protestos por dia[9]. Todos, em sua maioria, pacíficos, mas não é raro que alguns destes terminem em repressões por parte da polícia, como foi o caso do protesto de Marikana. Nesta situação, 34 operários de uma mineradora foram mortos por policiais[11].

As pesquisas de opinião também apontam para uma queda significativa na taxa de aprovação desde o início do mandato de Zuma. Em 2009, 77% da população aprovava o Governo atual, ao passo que na última pesquisa, em 2014, essa taxa caiu para 46%. No que diz respeito às políticas adotadas, 54% dos sul-africanos em 2009 acreditavam que o país estava indo na direção correta; atualmente, essa taxa caiu para 34%[9].

Dessa forma, muitos especialistas esperam pela primeira vez um resultado não favorável ao CNA nas eleições de hoje[5][9]. Coube aos partidos de oposição durante o período de campanha transformar a insatisfação geral em mais votos aos seus representantes. A Aliança Democrática (AD) – que governa atualmente a Província de Cabo Ocidental[12] – espera aumentar a sua representatividade política, ao passo que o partido de extrema-esquerda, Guerreiros da Liberdade Econômica, participa das eleições gerais pela primeira vez e tenta se firmar como uma alternativa ao CNA e à AD.

A verdade é que pela primeira vez a África do Sul vai às urnas depois da morte de Nelson Mandela. Conforme apontam os observadores, se este foi fundamental para o fim do apartheid e para a conquista do sufrágio universal, cabe agora ao cidadão sul-africano utilizar deste seu direito civil conquistado e eleger representantes que sejam, da mesma forma que foi Mandela, eficazes em atender as reivindicações populares para construir um futuro de liberdade ampla à África do Sul.

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Imagem (FonteVoice of America):

http://www.voanews.com/content/tough-election-test-ahead-for-south-african-government–120859259/160876.html

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Fontes consultadas:

[1] VerNews 24”:

http://www.news24.com/Elections/Vote

[2] VerThought Leader”:

http://www.thoughtleader.co.za/chrisrodrigues/2010/04/05/on-revolutionary-songs/

[3] VerCEIRI NEWSPAPER”:

https://ceiri.news/relatorio-aponta-que-os-negros-ocupam-menos-de-20-de-cargos-de-direcao-na-africa-sul/

[4] VerCIA: World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/sf.html

[5] VerThe Economist”:

http://www.economist.com/news/middle-east-and-africa/21601533-south-africa-better-place-1994-it-going-wrong

[6] VerWorld Bank data per country”:

http://data.worldbank.org/country/south-africa

[7] VerOECD, Employment and Inequality outcomes in South Africa”:

http://www.oecd.org/employment/emp/45282868.pdf

[8] VerFinancial Times”:

http://www.ft.com/intl/cms/s/2/be6cf4d4-ca7e-11e3-8a31-00144feabdc0.html#axzz3035TrpBs

[9] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/southafrica/10637531/South-Africas-unpopular-Jacob-Zuma-makes-a-final-plea-for-power.html

[10] VerAl Jazeera”:

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2014/03/south-africa-wave-discontentment-2014312131838235849.html

[11] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/02/14/world/africa/south-african-protests-target-broken-promises.html?_r=1

[12] VerNews 24”:

http://www.news24.com/Elections/Results

ÁFRICAAMÉRICA LATINAÁSIAFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Japão solicita apoio de Portugal para ser Observador Associado da CPLP

No dia 2 de maio, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe foi recebido[1] em Lisboa pelo Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva. Durante a noite, esteve com o primeiro-ministro, Passos Coelho.

Nesta primeira visita oficial a Portugal, Shinzo Abe manifestou o interesse[2] de seu país em ingressar com o pedido de Estatuto de Observador para a Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O Premiê japonês solicitou que Portugal interceda nesta aspiração. O Japão quer fortalecer a parceria com a CPLP, pois está aumentando sua presença nos países de língua oficial portuguesa localizados na África e América Latina.

Portugal expressou total apoio a pretensão japonesa e deverá auxiliar no que for necessário para que obtenha o “Estatuto da Observador” da CPLP. Neste momento, a CPLP tem 3 observadores associados[3]: (1) República da Guiné Equatorial; (2) República da Ilha Maurício e (3) República do Senegal.

Deve-se ressaltar que outros países ou regiões pleiteiam o estatuto de Observador Associado, como[4]: Andorra, Marrocos, Filipinas, Galícia, Malaca, Croácia, Romênia, Ucrânia, Indonésia, Venezuela e Uruguai. Macau e Goa pleiteiam o Estatuto de membro da CPLP.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://expresso.sapo.pt/primeiro-ministro-japones-em-portugal-durante-tres-dias=f868082

[2] Ver:

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3841684&page=-1

[3] Ver:

http://www.cplp.org/id-50.aspx

[4] Ver:

http://eportuguese.blogspot.com.br/2011/02/os-observadores-associados-da-cplp.html

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Reeleição de Abdelaziz Bouteflika gera revolta nas ruas e preocupações sobre a autonomia do sistema eleitoral argeliano

O atual “presidente da Argélia”, Abdelaziz Bouteflika, foi reeleito, nesta última sexta-feira (18 de Abril), para o seu 4° mandato. Com mais de 81% dos votos válidos, Bouteflika é o Presidente eleito com o maior mandato na história da Argélia, exercendo o cargo desde 1999[1].

Entretanto, as eleições argelianas foram marcadas por muitas controvérsias que ilustram fielmente o agitado panorama político atual do país. A primeira delas é a taxa de ausência nestas eleições: 51,7% dos eleitores não compareceram às urnas. Apesar de certa evolução em relação às últimas eleições – onde a taxa foi de 75%[2] – a ausência de mais de metade dos eleitores é vista por alguns membros da Oposição como sinal claro da manipulação dos resultados[3].

Ali Benflis, Ex-Primeiro-Ministro e segundo colocado na eleição presidencial, duvida da legitimidade do resultado, acusando de manipulação na contagem dos votos. O opositor utiliza do histórico recente de casos de corrupção[4] para apontar como o Governo atual é capaz de alterar os resultados a fim de conceder ao Presidente um 4° mandato. Benflis afirmou que “não reconhece o resultado (…), pois reconhecê-lo seria ser cúmplice de uma fraude[5]. A oposição afirma também que Bouteflikaé incapaz de governar a Argélia devido a sua saúde frágil, desde que sofreu um derrame cerebral no ano passado.

A indignação de Benflis está em sintonia com as reivindicações que ocorreram nos últimos dias em Algiers. Mais de 70 se feriram numa situação onde jovens[1], em sua maioria, saíram às ruas para protestar contra a ausência do Presidente desde que teve o problema de saúde. Também reivindicaram políticas públicas para modernizar a economia: apesar do crescimento econômico significativo dos últimos anos – de acordo com os últimos dados oficiais, a Argélia cresceu 2,5% em 2011, contra a estagnação dos países do norte da África neste mesmo ano[6] – o desemprego entre os jovens é de, aproximadamente, 21%, uma das maiores taxas africanas[6].

Caso confirmada, a reeleição de Abdelaziz Bouteflika levanta incertezas sobre o futuro político e econômico da Argélia. Alguns especialistas conferem méritos ao seu governo, afirmando que, em 1999, exerceu papel significativo para acabar com a sangrenta guerra civil que se estendia desde 1992 e causou a morte de mais de 200 mil argelinos[7].

Também afirmam que o Governo atual soube acalmar os ânimos e manter um cenário político e social estável durante a onda de protestos nos países vizinhos durante a “Primavera Árabe[7]. Entretanto, economistas e cientistas políticos criticam o governo de Bouteflika pela corrupção generalizada e pela maciça presença estatal em uma economia claramente dependente da exploração de hidrocarbonetos[6].

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Imagem (Fonte: CITIFMOnline):

http://www.citifmonline.com/?p=14329

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Fontes consultadas:

[1] VerAlJazeera”:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/algeria-bouteflika-poised-win-elections-2014417211739939504.html

[2] VerAlJazeera”:

http://www.aljazeera.com/news/africa/2014/04/algeria-ailing-president-wins-fourth-term-2014418154859606338.html

[3] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/04/19/world/africa/algerian-president-wins-a-fourth-term.html?ref=africa&_r=0

[4] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/apr/04/algeria-election-bouteflika-palm-project

[5] VerEnca”:

http://www.enca.com/africa/benflis-refuses-recognise-bouteflikas-re-election

[6] VerAfrican Economic Outlook”:

http://www.africaneconomicoutlook.org/en/countries/north-africa/algeria/

[7] VerUSA Today”:

http://www.usatoday.com/story/news/world/2014/04/17/algeria-protests-elections/7814311/

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Al-Sisi formaliza candidatura à Presidência no Egito

O ex-chefe militar das forças armadas egípcias, Abdel-Fattah Al-Sissi,formalizou na segunda-feira passada, dia 14 de abril de 2014, sua candidatura às eleições presidenciais egípcias previstas para 26 e 27 de Maio deste ano. O já aposentado “Marechal de Campo”, na pessoa de seu consultor jurídicoMohammed Bahaa Abou Shaqah, submeteu à “Comissão Eleitoral do Egito” 200.000 assinaturas de eleitores egípcios, um número oito vezes maior que o mandatório. Este foi o último passo formal para que o militar pudesse se inscrever como candidato às “Eleições Presidenciais” do país no próximo mês[1].

De acordo com a legislação eleitoral egípcia, cada candidato aspirante à Presidência deve reunir ao menos 25.000 assinaturas de eleitores obtidas ao redor de pelo menos 15 das 27 províncias do país. Contudo, conforme afirmou Ahmed Kamel, o porta-voz do candidato,Al-Sisi conseguiu mais de 460 mil assinaturas de cidadãos de todo o país endossando sua candidatura. A apresentação das candidaturas terminou no domingo passado, dia 20 de abril, e a “Comissão Eleitoral” deve anunciar os candidatos efetivos até um dia antes do início oficial da campanha, dia 3 de maio de 2014[2].

Al-Sisi, protagonista da destituição em julho do ano passado do então Presidente membro da “Irmandade Muçulmana”, Mohamed Morsi[2], é o grande favorito da disputa eleitoral e está se beneficiando de uma onda de popularidade após a destituição do líder islâmico. Al-Sisi, foi o primeiro aspirante a formalizar oficialmente sua candidatura para a eleição presidencial do próximo mês, que será supervisionada pela primeira vez pela “União Europeia[3][1][2].

Até o momento, o líder esquerdista Hamdeen Sabahi[4] e o advogado Mortada Mansur, crítico severo dos ativistas que lideraram a revolta de 2011 contra o ex-presidente Hosni Mubarak, também manifestaram intenção de disputar a Eleição[3]. A campanha de Al-Sissi afirma que mais assinaturas continuam a jorrar em sua sede no Cairo, algo que descreveram como um “exemplo único de apoio e respaldo nacional[1]. O Marechal, no entanto, ainda não anunciou um programa eleitoral que claramente enuncie quais medidas pretende tomar para reviver a economia, restabelecer a segurança e salvar o vital setor do turismo de sua vertiginosa queda[1].

No último dia 15 de abril, a Corte egípcia de Alexandria baniu membros e ex-membros da Irmandade Muçulmana de concorrerem nas próximas eleições presidenciais e parlamentares, horas após um ataque a bomba em um sofisticado bairro central do Cairo que feriu dois policiais e um pedestre[5]. Em dezembro de 2013, as autoridades egípcias já haviam declarado a “Irmandade Muçulmana” um “grupo terrorista”, após responsabilizá-la por um bombardeio mortal no norte do Cairo[5][6]. Desde a deposição de Morsi, as autoridades militares têm reprimido brutalmente o movimento e seus membros, enquanto a polícia e os soldados se tornaram os principais alvos de uma campanha de atentados e tiroteios perpetrados por militantes[5]. A decisão judicial marca uma escalada na campanha do Estado contra a oposição islâmica e atrai críticas de grupos de Direitos Humanos e potências ocidentais[6]. A “Anistia Internacionalafirma que mais 1.400 pessoas já foram mortas pelarepressão, na sua maioria islamitas. Nos nove meses, desde o golpe militar, mais de 15.000 islamitas, principalmente membros da Irmandade, foram presos, enquanto centenas foram mortos ou condenados à morte após julgamentos frequentemente rápidos[1].

O Egito vem sendo afetado por três anos de turbulência política desde o início da chamada Primavera Árabe cujas manifestações levaram à renúncia de Hosni Mubarak, em 2011, Presidente egípcio por três décadas. O país possui uma população de quase 90 milhões de habitantes e está mergulhado na pobreza. A economia egípcia enfrenta grandes desafios como a alta taxa de desemprego entre milhões de jovens. Os protestos populares contínuos e prisões de opositores têm acirrado a crise política no país, fruto dos inúmeros confrontos entre as forças de segurança e manifestantes partidários de Morsi[5][7][8]. Os críticos de Sisi afirmam que caso ele vença as eleições, o que é amplamente esperado, o Egito presenciará um retorno ao regime autocrático que marcou as últimas décadas do país[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.585639

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.585639

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/sisi-officially-enters-egypts-presidential-race

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/marechal-al-sisi-apresenta-candidatura-presidencia-do-egito.html

[4] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/egypt-sabahi-supporters-turf-war-sisi-campaign

[5] Ver:

http://dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-15/253409-egypt-court-bans-brotherhood-members-from-polls.ashx

[6] Ver:

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2014/03/comandante-do-exercito-egipcio-anuncia-candidatura-a-presidencia.html

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/injuries-as-blast-hits-central-cairo-201441563243764591.html

[8] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/estudante-e-morto-durante-confrontos-no-egito.html

[9] Ver:

http://dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-15/253371-blast-heard-in-central-cairo.ashx

[10] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/cairo-student-shot-dead-clashes

[11] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/cairo-bomb-wounds-civilian-two-police-checkpoint

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Primeiro-Ministro Interino da Líbia renuncia cinco dias após assumir o cargo

O “Primeiro-Ministro Interino da Líbia”, Abdullah Al-Thani, havia assumido o cargo na terça-feira passada, dia 8 de abril, tendo sido nomeado pelo Parlamento do país (a “Assembleia Legislativa da Líbia”) após quase um mês da destituição de Ali Zidan (em 11 de março) que travava com o Legislativo um combate pessoal, uma vez que estava sendo avaliado como incapaz de solucionar o problema do desarmamento das milícias que se apropriaram dos estoques depois da queda de Kadhaffi e tomaram regiões, disseminando a violência na Líbia e mantendo o estado de “Guerra Civil[1].

O problema neste momento que estava produzindo desacordo entre Zaidan e a Assembleia, no entanto, vinha sendo o bloqueio de diversos Portos pelas milícias federalistas, que estão gerando a crise de abastecimento de combustível, a queda nas exportações e aprofundando a crise econômica que tem afetado o país.

Al-Thani, o substituto de Zaidan, foi seu “Ministro da Defesa” e assumiu com o encargo de formar um Gabinete até a escolha do Primeiro-Ministro definitivo, havendo possibilidade de que ele mantivesse o Cargo, mas houve contestações a sua nomeação, uma vez que muitos Deputados consideraram não ter sido recolhido o número de votos necessários na votação, o que pressuporia uma ilegalidade, ou fraude.

Na renúncia, ocorrida ontem, dia 13 (5 dias após se nomeado), Al-Thani alegou o ataque que sofreu nesta semana, o qual colocou em risco sua família e habitantes locais. Afirmou que o “ataque traiçoeiro” contra ele e sua família o levou a tomar a decisão. Declarou: “Não aceitarei que líbios se matem por causa desse posto. (…) [o ataque] colocou em risco a vida de algumas pessoas[2]. Permanecerá, no entanto, realizando as tarefas necessárias até que outro seja escolhido para assumir a função.

A situação no país continua tensa e a sociedade mantém a situação de “Guerra Civil”, conforme afirmado, com a crise econômica se desenvolvendo. Recentemente, dia 9 de abril, os rebeldes do leste entregaram ao Exército o controle do “Porto de Al-Hariga” dentro de um acordo para terminar o bloqueio aos terminais exportadores, que já durava nove meses, permitindo, assim, a retomada das exportações. O objetivo desses rebeldes era conseguir a independência da região da Cirenaica e, por isso, ocuparam os Portos em julho de 2013. Segundo foi relatado, houve queda das exportações de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia para 250 mil barris por dia, com uma perda ao país de US$ 14 bilhões[3].

Apesar dessa entrega de dois portos, dentro de um Acordo para a restituição de mais dois em até um mês, desde que seja cumprido o que foi acertado, não acreditam os observadores que a Líbia voltará a normalidade em curto prazo sem que haja uma ação conjunta da sociedade internacional, com a participação de vários atores, estatais e não estatais, destacando-se um papel relevante a ser dado a ONU e aos Estados vizinhos.  

No Cairo, o “Ministro Egípcio dos Negócios Estrangeiros”, Nabil Fahmi, teve reunião com o “Chefe da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia”, Tarek Mitri, para tratar da avaliação do que foi conseguido até o momento. Nas palavras do Porta-Voz, tratou-se da “necessidade de conjugar os esforços regionais e internacionais para a recolha das armas e a imposição da lei, bem como o controlo das fronteiras com os países vizinhos, incluindo o Egipto (sic)”[4]. Nesse sentido, a declaração pode ser interpretada como a confirmação de que a tendência é de a violência e a instabilidade permaneçam por muito tempo.

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Imagem (Fonte):

 Wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2014-04-13-primeiro-ministro-da-libia-demite-se-apos-ataque-armado

Ver também:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2014/04/13/primeiro-ministro-da-libia-renuncia-apos-ataque/?from_rss=rock-in-rio-2011

Ver também:

http://contacto-latino.com/pt/noticias/201302/300976303/primeiro-ministro-interino-da-libia-entrega-renuncia-ao-parlamento/

[2] Ver:

http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=1461692&tit=&tit=Premie-interino-da-Libia-renuncia-apos-suposto-ataque

[3] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,libia-rebeldes-entregam-a-exercito-terminal-exportador,1151431,0.htm

[4] Ver:

http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/assim-vai-o-mundo/13802-egipto-e-onu-avaliam-situacao-na-libia

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Ver também:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/julgamento-de-filhos-de-khadafi-vai-comecar-em-tripoli-1632121

Ver também:

http://www.portalk3.com.br/Artigo/mundo/governo-da-libia-culpa-protesto-por-crise-de-combustivel

Ver também:

http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=470828

 

 
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Relatório aponta que os negros ocupam menos de 20% de cargos de direção na “África do Sul”

A “Comissão para a Equidade no Emprego”, organismo sul-africano criado para assessorar o “Ministério do Trabalho” na implementação do “Employment Equity Act”, revelou em seu último Relatório[1] que os negros ocupam na “África do Sul” menos de 20% dos cargos de direção, duas décadas depois do fim do Apartheid.

O Documento constata que existe ainda uma tendência “chocante e contraditória[1] em termos de promoção de grupos designados para ocupar cargos de alto nível. De acordo com o Relatório, os brancos ocupam 62% dos cargos de direção, contra 19% para os negros, 8% para os índios, 5% para os mestiços e 4% para os cidadãos estrangeiros. Em relação a representação de gênero e de condição física, 79,4% dos cargos de direção são ocupados por homens e 20,6% por mulheres. No caso dos deficientes, eles ocupam apenas 1,5% dos cargos.

Para a ministra do trabalho da África do Sul, Mildred Oliphant, estes resultados revelam que há ainda muito por fazer para melhorar a equidade social, bem como a equidade em matéria de emprego. A Ministra declarou: “Há ainda um longo caminho a percorrer na África do Sul para avançar. Demo-nos as mãos para que a África do Sul se torne um país próspero, pacífico, não sexista e não racial[2].

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.labour.gov.za/DOL/downloads/documents/annual-reports/employment-equity/2013-2014/14ceeannualreport.pdf

[2] Ver:

http://www.verdade.co.mz/africa/45459-negros-ocupam-menos-de-20-de-cargos-de-direcao-na-africa-do-sul