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“Exercícios Militares” entre a China e a Rússia

Terminam nesta sexta-feira (12 de julho) no “Mar do Japão”, junto do “Golfo Pedro o Grande” (território russo), os “Exercícios Navais Conjuntos 2013” ou “Interação Naval 2013entre a China e a Rússia. Iniciadas a 5 de julho, estas manobras são descritas na China como as maiores já realizadas, tendo em conta os meios materiais e humanos envolvidos[1]. Devido à atual conjuntura regional, disputas territoriais e renovada presença dos “Estados Unidos da América” (EUA), a demonstração de força de Pequim e Moscou é acompanhada com muita atenção pelos vizinhos (em especial Japão e Filipinas) e pelos norte-americanos.  

Para ambos os países a utilidade destes exercícios é de garantir a paz na região. A China coparticipa com os seus principais navios de guerra e helicópteros novos das “Frotas do Mar do Norte da China e do Mar da China Meridional da Marinha do Exército de Libertação Popular”. Mas é a Rússia que contribui com o grosso do material, que inclui doze navios de guerra (contra sete da China) e um submarino daFrota do Oceano Pacífico”. Basicamente os exercícios envolvem a articulação de defesa aérea marítima, escoltas conjuntas e de busca e operações de salvamento marítimo[2].

Os dois países já vêm participando de treinos militares desde 2003, no quadro da “Organização de Cooperação de Xangai”, e, em 2005, bilateralmente, quando ocorreram durante uma semana na Rússia e na China os exercícios militares conjuntos “Missão de Paz 2005”. Nos dois países também foram feitos: os exercícios militares conjuntos anti-terrorismo “Missão de Paz 2009”, durante cinco dias, e os “Exercícios Navais Conjuntos 2012”, que tiveram lugar no “Mar Amarelo” (China) e duraram seis dias[3].

Para alguns observadores o fortalecimento da cooperação militar entre os dois países pode estar a indicar uma maior importância que a China está a dar à sua vizinha do norte com quem partilha uma fronteira extensa e é tida como a maior do mundo. Na realidade, a boa vizinhança é um dos pilares da política externa chinesa. Devido ao aumento das disputas fronteiriças terrestres e marítimas com países como a Índia, Vietnã, Filipinas e Japão, e à política norte-americana “Pivô para a Ásia-Pacífico”, além dos frequentes exercícios militares entre os EUA e Japão, “Coreia do Sul” e Filipinas, a Rússia se mostra uma parceira estratégica, não só ao nível econômico[4].

É neste contexto que se deve compreender a visita do presidente chinês Xi Jinping a Moscou em março passado, na sua primeira viagem ao estrangeiro poucos dias depois de se tornar Presidente da China.  Aliás, os dois países assinaram em 2001 o “Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável” e desde esse ano os presidentes da China e da Rússia alternadamente visitam ambos países, quer dizer há uma espécie de cimeira anual China-Rússia[5].

Em assuntos internacionais, os líderes dos dois países compartilham algumas ideias, principalmente aquelas que os opõem ao Ocidente. Os casos de conjuntamente vetarem sanções contra a Síria e Irã ao nível do “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CSNU) são sintomáticos da sua oposição aos países ocidentais, mas contestam principalmente o que consideram uma política de imposição do modelo ocidental e a interferência nos assuntos internos de outros países.

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Imagem (Fonte):

http://eng.chinamil.com.cn/special-reports/2013-07/08/content_5401329.htm

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/793096.shtml#.Ud2sgfkwcqM

[2] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/794738.shtml#.Ud24WHjFscw

[3] Ver:

http://english.peopledaily.com.cn/90786/8313722.html

[4] Ver:

http://chinadailymail.com/2013/07/09/joint-china-russia-exercise-more-political-than-military/

[5] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/database/2011-06/15/c_13931519.htm

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Obama busca aproximação com a África

No dia 1º de julho de 2013, o Presidente norte-americano, Barack Obama, em viagem pelo continente africano, visitou, dentre vários países, a Tanzânia e lá buscou construir uma nova parceria econômica, não apenas com aquele país, mas com a região africana como um todo.

Observadores afirmam que, dentre os vários motivos impulsionadores da iniciativa do referido “Chefe de Estado” deve-se, principalmente, para fins de estabelecer concorrência com a China, a qual tem investido maciçamente no continente em anos recentes. Tal afirmação pode ser corroborada pelo fato de Obama estar “estreitando laços” com a região apenas três meses após o “tour realizado por Xi Jinping (o Presidente Chinês).

Durante o percurso por alguns países, o Mandatário estadunidense asseverou “que seu país não foi ameaçado pelo papel da China, mas disse aos africanos para se certificarem de que todos os investidores estejam retribuindo à África, além de consumirem suas matérias-primas[1].

E, de modo a efetivamente aproximar-se mais do continente, Obama anunciará no dia 30 de julho, na África do Sul, um plano de apoio à região no montante de US$ 7 bilhões, com o principal fito de auxílio no setor elétrico, notadamente para o espaço da África Subsaariana, onde dados apontam que mais de dois terços da população vivem sem acesso à luz. A medida recebeu o nome de “Power África e envolve Etiópia, Gana, Quênia, Libéria, Nigéria e Tanzânia, sendo que os recursos serão aplicados no prazo de cinco anos.

Especificamente com a Tanzânia, o Presidente norte-americano lançou um projeto denominado “Comércio na África, cujo objetivo inicial é focar um bloco comercial do leste africano que possui uma população total estimada em 130 milhões de pessoas, ou seja, milhões de potenciais consumidores de produtos exportados pelos Estados Unidos.

O Representante do país, Jakaya Kikwete, por sua vez, brincou dizendo que estava satisfeito com o apoio dos EUA, mas relutante em afirmar que “Os EUA estão fazendo o suficiente? Os EUA têm feito muito. Mas se eu disser que eles têm feito o suficiente, então o presidente não vai ouvir os meus novos pedidos[1].

Isso mostra o que diversos estudiosos e observadores têm afirmado ao longo dos últimos anos no sentido de que o continente africano é o novo “El Dorado”, tão perseguido na antiguidade pela existência de supostas riquezas, como decorrência de lendas indígenas contadas a diversos exploradores, principalmente espanhóis.

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Imagem (Fonte):

http://www.kinocinema.net/gimage/de47a5b1a36529518836113896b7417c.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/obama-busca-parceria-economica-com-africa-em-visita-a-tanzania,2dc9beee69b9f310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html  

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Ver também:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2013/06/30/obama-prepara-anuncio-da-liberacao-de-us-7-bilhoes-para-a-africa/

 

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Encontro para “Cooperação Econômica” entre China e CPLP

Nesta semana, foi iniciado o nono encontro de negócios entre a China e a Comunidade Países de Língua Portuguesa” (CPLP) na cidade de Díli, no Timor-Leste. O encontro conta com a participação de empresários do setor privado e autoridades destas nações, que foram convocados pela “Agência Especializada de Investimento do Timor”.

Esperamos que os empresários estrangeiros, especialmente os investidores, sintam que podem investir em Timor-Leste e estar associados aos empresários do nosso país[1], disse Veneranda Lemos, secretária de apoio do “Setor Privado” do Estado asiático.

O Timor ainda se encontra em processo de reestruturação econômica e conta com o investimento estrangeiro para agilizá-lo. Atualmente, a China é um dos Estados que mais investe no país, principalmente em obras de infra-estrutura de transportes e portuária, almejando maior participação na exploração dos campos de petróleo e outras fontes de energia presentes em território e no mar timorense.

Devido a grande participação da China no Timor, Chang Hexi, secretário-geral do “Fórum de Cooperação” entre chineses e Estados membros da CPLP, acompanha de perto todos os eventos que ligam seu país aos demais membros da Comunidade. A China, hoje, é o principal parceiro comercial de todos os países lusófonos, tendo Macau, com total liberdade de promover negócios que atendam aos interesses chineses e agradem os demais países de língua portuguesa.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2013/07/02/170-homens-de-negocios-da-china-e-dos-paises-de-lingua-portuguesa-reunidos-em-timor-leste/

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O “Governo Dilma” e a aproximação com o continente africano

No dia 17 de junho de 2013, a presidenta brasileira Dilma Rousseff, em uma cerimônia de formatura de novos diplomatas recém-saídos do “Instituto Rio Branco”, no Itamaraty (Brasília), fez um resumido “saldo” positivo de seu governo, no qual destacou diversos pontos que remeteram à clara ideia de continuidade ao trabalho de seu antecessor no cargo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dentre os vários pontos abordados, a oradora fez questão de destacar o protagonismo internacional brasileiro conquistado nas últimas décadas, bem como a capacidade do país de conseguir manter equilíbrio no bom relacionamento tanto com países “desenvolvidos” como “em desenvolvimento”. Em suas palavras: “O bom relacionamento com esses países não impede, ao contrário do passado, que tenhamos personalidade própria na cena internacional. O Brasil ganhou enorme projeção internacional em pouco mais de uma década[1].

Ademais, a “Chefe de Estado” ressaltou uma das diretrizes da sua política externa, a concernente à criação de “blocos de economias emergentes” com afinidades, potencialidades e interesses em comum, a exemplo do IBAS (foro formado por Índia, Brasil e “África do Sul”) e do BRICS (acrônimo para a junção de Brasil, Rússia, Índia, China e “África do Sul”), bem como o fomento à maior aproximação com os demais países da “América Latina” e nações árabes: “Todas essas iniciativas não nos afastam de nenhum dos países desenvolvidos. Por isso temos relações qualificadas com a União Europeia e com os Estados Unidos[1].

E, como não poderia faltar, haja vista ser uma das prioridades dos últimos governos – notadamente iniciada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com grande ênfase no governo do ex-presidente Lula – Dilma ressaltou a suma importância da denominada “Cooperação Sul-Sul”, especialmente no que respeita ao fomento de maiores e crescentes intercâmbios com o continente africano, conforme se pode perceber da seguinte assertiva: “Fizemos forte movimento em direção à África. A África é umas das regiões que mais crescem no mundo e enfrenta desafios do crescimento[2]. Observadores e estudiosos afirmam que aqui resta uma excelente chance de o Brasil firmar parcerias produtivas com aquele continente para ambas as partes, numa relação em que as duas partes saem ganhando, enunciada por alguns como win-win(“ganha-ganha” ou “vencedor-vencedor”). Nesse sentido, ao se tomar por base o discurso da Presidenta, é de se esperar que continue havendo grandes investimentos na relação do país latino-americano com o continente africano, na busca por resultados positivos.

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Imagem (Fonte):

http://1.bp.blogspot.com/-JcRitptCr1w/UCBnrpagDzI/AAAAAAAAAEg/lorTQfn-OWc/s1600/LA%C3%87O+SUL+SUL+-+JOVEM+LOGO.png 

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Fontes consultadas:

Ver [1]:

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/dilma-defende-reforma-em-organismos-internacionais-como-fmi-e-onu,8d5ce4e19ce4f310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Ver [2]:

http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/fizemos-forte-movimento-em-direcao-a-africa-afirma-dilma

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Tensões externas e internas no Egito

No mês passado, o Egito foi aparentemente surpreendido quando a Etiópia desviou o curso do “Nilo Azul”, um afluente do “Rio Nilo”, com a finalidade de construir uma represa que, supostamente, irá fornecer 6.000 megawatts de poder. Embora o Governo etíope tenha assegurado que o Rio retomará seu curso, as tensões têm se exacerbado entre os dois países. Exemplo disso é a afirmação do presidente egípcio, Mohamed Morsi, de que, se o Nilo “diminuir uma gota, então nosso sangue é a alternativa [1].

O Governo etíope, por sua vez, conta com o apoio de seu Parlamento, que aprovou com unanimidade um novo “Acordo de Quadro Cooperativo do Rio Nilo” (“Nile River Cooperative Framework Agreement”) e de outros cinco países da “Bacia do Nilo” (Burundi, Quênia, Ruanda, Tanzânia e Uganda), que já assinaram o Acordo. A iniciativa aparece como uma tentativa de substituir as prerrogativas egípcias e sudanesas sobre a administração do rio, datadas de acordo de 1929 com a Grã-Bretanha e de 1959 entre Egito e Sudão, respectivamente[2].

A questão, no entanto, é abordada pelo Governo egípcio em termos de segurança hídrica: segundo o Primeiro-Ministro egípcio, Hesham Kandil, em entrevista à CNN, o Egito é o país mais seco do mundo e tem no “Rio Nilo” 98% das suas fontes de água, para uma população de mais de 80 milhões de pessoas[3].

De toda forma, apelar para uma solução militar, opção enfaticamente considerada nos discursos de Morsi, pode apresentar riscos e dificuldades técnicas, o que favorece uma alternativa diplomática para a querela[4].Ademais, o recurso militar parece uma perigosa estratégia num país em que, como apontam especialistas, a oposição parece enxergar as “Forças Armadas” como um ator político legítimo e delas espera uma intervenção que os liberte do “regime islâmico” da “Irmandade Muçulmana[5]. Cabe ressaltar que a transição democrática no Egito “vem sendo minada por um legado de quase 60 anos de regimes consecutivos de militares[6].

De fato, analistas apontam que o fervor dos recentes discursos de Morsi a respeito da barragem etíope seria uma ferramenta política visando a distrair a atenção de desafios políticos e econômicos[7] do país[1]. Nesse sentido, destaca-se que o movimento rebelde (Tamarod) associa a estratégia diversionária   do presidente egípcio a um combate devido a sua “perda de popularidade, a raiva do povo em relação a ele, e o boicote da oposição[8].

O Tamarod planeja uma série de protestos para o dia 30 de junho, aniversário da posse de Morsi, quando o movimento pretende ter angariado 15 milhões de assinaturas – superando o número de votos recebidos pelo presidente – como resultado de uma campanha iniciada no mês de maio, ao final do qual já havia obtido 7 milhões de assinaturas[9].Neste último sábado, líderes de partidos da oposição se encontraram a fim de discutir os preparativos aos protestos de 30 de junho[10].

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ImagemO Rio Nilo e seus afluentes, o Nilo Azul e o Nilo Branco” (Fonte):

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-22850124

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-22850124 (tradução nossa).

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-22894294

[3] Ver:

http://amanpour.blogs.cnn.com/2013/06/12/a-war-of-over-water-in-egypt/?iref=allsearch

[4] Para uma análise elaborada sobre as implicações de um ataque militar à represa etíope, ver:

http://www.stratfor.com/analysis/egypts-limited-military-options-stop-ethiopian-dam-project?utm_source=freelist-f&utm_medium=email&utm_campaign=20130613&utm_term=FreeReport&utm_content=readmore&elq=6c078a8fd40d4e86876e25c165cc7748

[5] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/14/egyptians_the_army_is_not_your_quick_fix, p. 1

[6] Azzam, Maha. “Egypt’s Military Council and the Transition to Democracy”. Middle East and North Africa Programme, Briefing Paper, mai 2012, p. 1. Ver em:

http://www.chathamhouse.org/sites/default/files/public/Research/Middle%20East/bp0512_azzam.pdf

[7] Ver:

http://www.guardian.co.uk/world/2013/may/16/egypt-worst-economic-crisis-1930s

[8] Ver:

http://www.dailynewsegypt.com/2013/06/16/morsis-popularity-declining/

[9] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/73688/Egypt/Politics-/Morsi-using-Ethiopia-dam-crisis-to-boost-popularit.aspx

[10] Ver:

http://www.dailynewsegypt.com/2013/06/16/opposition-weighs-post-june-30-transition-plans/

 

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O perdão brasileiro das dívidas africanas

Thomas Traumann, o porta-voz da Presidência brasileira, anunciou no dia 25 de maio de 2013, em Addis Abeba, sede da União Africana, a remissão de dívidas de 12 países africanos, totalizando o montante de US$900 milhões. Dentre os mais beneficiados, destacam-se a “República Democrática do Congo”, cujo débito representava a quantia de US$352 milhões, seguido pela Tanzânia, que se liberou de desembolsar US$237 milhões. Dentre outros, também foram agraciados pela medida brasileira: “Guiné-Bissau”, “São Tomé e Príncipe”, “Costa do Marfim”, Gabão e Guiné-Conacri.