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A emboscada sofrida pelas forças especiais dos EUA no Níger

A atitude adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao prestar condolências a viúva do Sgt. La David Johnson, Myeshia Johnson, que foi testemunhado pela congressista democrata Frederica S. Wilson, gerou grande debate sobre a postura presidencial e também interesse pela participação de Forças Especiais estadunidenses em terreno nigerino.

Mapa do Níger

Com base em fontes de segurança dos EUA e do Níger, no dia 4 de outubro de 2017, uma patrulha mista de militares norte-americanos e nigerinos foi emboscada perto de Tongo Tongo, uma vila localizada na região de Tillabery, a 120km ao norte da capital, Niamey, e a poucos quilômetros da fronteira com o Mali.

Apesar dos poucos detalhes e da confusão de informações sobre o evento, um grupamento formado por 8 a 12 soldados dos EUA em companhia de mais 30 a 40 combatentes nigerinos, entraram em contato com aproximadamente 50 militantes do Estado Islâmico.

Testemunhas do tiroteio relataram às agências de notícias internacionais que os insurgentes explodiram os veículos, obrigando os soldados a dispersarem para, em seguida, devolverem fogo.

Ainda com base em informações colhidas com testemunhas e fontes de segurança, um avião militar francês localizou os atacantes, mas não pode intervir, uma vez que o combate estava acontecendo muito perto. Contudo, há outra versão, afirmando que o Níger proíbe ataque aéreo estrangeiro em seu solo.

Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger – Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright

Para o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Joseph Dunford, em declaração à repórteres no Pentágono, a patrulha não esperava entrar em contato devido a uma regra que proíbe aos militares adentrarem em áreas onde um eventual conflito poderia ocorrer. Dunford explicou ainda que a missão no Níger e em outros lugares está dentro dos limites da batalha global contra milícias terroristas sediadas na África, como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e o Boko Haram.

A participação militar estadunidense na região data de 2013, em um esforço conjunto com o Exército francês que executava operação contra a Al-Qaeda no Mali. De início, o presidente Barack Obama enviou 150 conselheiros militares a Niamey, capital do Níger, para operacionalizar drones de vigilância sobre o Mali.

Hoje, há cerca de 800 soldados ajudando na luta contra os extremistas islâmicos, mas apenas 100 boinas verdes (Green Berets) estão no Níger para auxiliar na construção da capacidade militar, na instrução de seus homólogos e no apoio tático com pequenas unidades e suporte aéreo próximo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Membros do 3º Grupamento das Forças Especiais e do 2º Batalhão batem continência no funeral do Sgt. La David Johson, morto em confronto no Niger” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/864744176

Imagem 2Mapa do Níger” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADger#/media/File:Niger_-_Location_Map_(2011)_-_NER_-_UNOCHA.svg

Imagem 3Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tongo_Tongo_ambush

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FMI mantém incerto a concessão de empréstimos a Moçambique para 2018

Inseguro quanto a solvência do Estado moçambicano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que uma nova rodada de empréstimos para o próximo ano ainda é incerta. O fato trouxe preocupações ao setor financeiro e, especialmente, ao Governo de Moçambique, tendo em vista que este depende significativamente de recursos internacionais para a composição de seu Orçamento Geral.

De acordo com Abebe Selassie, Diretor do FMI para o continente africano, ainda não estão claros como os 2 bilhões de dólares em empréstimos a Moçambique foram gastos nos últimos tempos. Em junho deste ano (2017), a auditoria Kroll, contratada pelo Fundo (Evitar repetição) para avaliar as contas públicas deste país, declarou que aproximadamente 500 milhões de dólares não haviam sido reportados de maneira satisfatória. Acredita-se, inclusive, que parte deste montante fora aplicado em atividades que trazem poucos fluxos financeiros aos cofres do Estado, como a aquisição de armamentos.

O laço que nós [FMI e Governo de Moçambique] tínhamos foi interrompido, até que as lacunas que foram identificadas pela auditoria sejam resolvidas. Por isso, nós estamos aguardando a finalização desta avaliação”, afirmou Selassie sobre a auditoria que vem sendo conduzida.

Selassie espera maior esclarecimento sobre os gastos feitos pelo governo moçambicano

Moçambique tem tido, há pouco mais de um ano, uma relação sensível com investidores externos e as instituições financeiras internacionais. Em junho do ano passado foi revelado cerca de 1,4 bilhão de dólares em dívidas não publicamente declaradas. Após a descoberta, o FMI e outros órgãos pausaram as suas atividades e parcerias estabelecidas no país, até que novas propostas fossem feitas pelo Governo.

O anúncio ocorreu na mesma semana do encontro do Grupo Moçambicano da Dívida. Realizado na cidade de Beira, o Grupo discutiu no último sábado (21 de outubro) medidas para incrementar a transparência da dívida pública, com o intuito de reduzir a incerteza entre agentes nacionais e internacionais. Além disso, também foram discutidas formas de expandir a capacidade de arrecadação do Estado mediante a necessidade de financiar políticas públicas para o desenvolvimento.

A saída para a crise da dívida, no entanto, ocorreria de maneira mais eficaz caso ampla maioria do Orçamento fosse constituído por receitas internas. Nesta semana, o Parlamento moçambicano se reunirá para discutir o Orçamento Geral de 2018. Com um déficit estimado de 1,2 bilhão de dólares, o Governo espera financiar um terço deste montante com recursos externos, cerca de 318 milhões de dólares. (Fica melhor nesta ordem)

Neste sentido, mais além do que a contenção de gastos enquanto estratégia para resolução da crise da dívida, o fortalecimento da economia doméstica representaria a alternativa mais plausível para uma arrecadação maior de impostos e redução da dependência por recursos externos no médio e longo prazo.

Em primeiro lugar, isto faria a moeda local – o Metical – menos suscetível ao humor dos investidores externos, o que evitaria crises inflacionárias repentinas, as quais prejudicam principalmente a parcela mais pobre da sociedade. Em segundo, reduziria as incertezas dos agentes econômicos nacionais e internacionais quanto a possibilidade de o Estado moçambicano financiar os seus compromissos fiscais, o que aumentaria o nível de investimento e, por consequência, de emprego.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1FMI segue incerto quanto a solvência do Governo moçambicano” (Fonte):

http://www.lusonoticias.com/index.php?option=com_content&view=article&id=33106:fmi-pede-qvigilancia-apertadaq&catid=482&Itemid=104

Imagem 2Selassie espera maior esclarecimento sobre os gastos feitos pelo governo moçambicano” (Fonte):

https://www.imf.org/external/np/bio/eng/abse.htm

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Angola pretende pedir auxílio ao FMI

A menos de um mês da posse da nova Equipe Governamental angolana, o Ministro das Finanças, Archer Mangueira, declarou, no início da semana corrente, a possibilidade de solicitação da assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI). A declaração sobre tal intenção foi feita durante a missão da delegação angolana em Washington, D.C., para a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, que se realizou nos dias 9 a 15 de outubro.

Logo do Encontro Anual do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional 2017

Dentro da agenda do evento, a delegação angolana definiu as diretrizes da próxima visita técnica da Organização Internacional, que será feita em novembro, com o intuito de observar as políticas macroeconômicas que serão adotadas pelo novo governo.

Desde o ano de 2015, o país tem enfrentado os efeitos causados pela queda do preço do petróleo, e este hidrocarboneto representava no ano supracitado 72% da receita do Estado, sendo a principal commodity exportada.  

Ao longo do ano de 2016, o Governo angolano havia solicitado o auxílio financeiro do FMI, entretanto, com a elevação dos preços dos hidrocarbonetos em julho do mesmo ano as autoridades descartaram o apoio.

No cenário atual, Archer Mangueira compreende o novo pedido de auxílio como hipotético e plausível de negociação com a Organização, sendo examinado qual modalidade seria mais adequada, dentre as quais são consideradas o financiamento, a assistência técnica e a emissão de títulos da dívida pública. Tal medida, para o Ministro é uma forma inicial de reduzir o déficit fiscal e ainda os reflexos da baixa das receitas de exportação de petróleo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do Fundo Monetário Internacional” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/9/90/Fundo_Monet%C3%A1rio_Interacional.png

Imagem 2 Logo do Encontro Anual do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional 2017” (Fonte):

http://www.brettonwoodsproject.org/wp-content/uploads/2017/09/AM17-logo.png

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Nova onda de protestos gera temor entre população Oromo na Etiópia

A Etiópia é um dos poucos países no mundo sustentados por unidades federativas delimitadas segundo a etnia. No entanto, a linha divisória entre a estabilidade e a desordem se faz cada vez mais tênue, tendo em vista o crescente conflito entre alguns grupos étnicos e o Estado etíope.

Na quarta-feira da semana passada (11 de outubro de 2017), ao menos 6 pessoas foram mortas e 30 feridas após a ação policial contra manifestantes na cidade de Shashemene. O evento é mais um de uma série de episódios sucessivos de choques entre os Oromo e as forças policiais.

Cidade de Shashemene, onde houve intenso conflito entre manifestantes e a força policial

Observadores locais afirmam que os manifestantes atacados nesta cidade reivindicavam a libertação de líderes políticos e melhorias no âmbito da economia local. Além disso, o conteúdo dos protestos estava intimamente ligado com as seguidas extradições de membros Oromo da região de Somali. Ao longo deste ano, os embates entre estes dois grupos ao longo da fronteira que separa as duas regiões vêm crescendo expressivamente.

Analistas apontam que há um reduzido espaço para este grupo, bem como aos Amhara e Somali, opinarem e influenciarem a formulação de políticas públicas. A ação desenvolvimentista do Governo é desarmônica às reivindicações e aos posicionamentos destes indivíduos, os quais veem os seus modos de vida e de reprodução cultural e social ameaçados.

Um outro episódio de conflito entre o Exército e manifestantes ocorreu na cidade de Soddo, no sul do país. Localizada à margem da divisa com a região de Somali, habitantes deste município têm sido alvos constantes do conflito fronteiriço, no qual a força policial autônoma de Liyu – representativa dos Somali – tem atuado intensamente.

Com isso, moradores locais abordaram oito caminhões do Exército nacional por suspeitarem que estes levavam armas para o exército Liyu. Após a abordagem, as forças federais abriram fogo sobre a população, deixando 4 mortos e 18 feridos.

Do evento se pode sacar duas importantes inferências que retratam a atual conjuntura política e social da Etiópia e, especificamente, do povo Oromo. Primeira, há uma total desconfiança de que o Estado representa os interesses e a garantia de direitos. A crescente onda de manifestações demonstra uma evidente insatisfação com o teor das políticas públicas e com a ação policial em garantir os territórios dessa população.

A segunda inferência se faz intimamente conectada à primeira, uma vez que o uso de força desproporcional ilustra, conforme analistas e observadores dos direitos humanos vêm relatando, o constrangido espaço para reivindicações da sociedade civil. Isto se faz historicamente constatado, desde as retaliações aos blogueiros da Zona 9, dada a posição crítica destes aos projetos do Governo, até ao maratonista Feyisa Lilesa, pelo seu gesto combativo durante a maratona nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, no ano passado (2016).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1População Oromo tem reivindicado intensamente nos últimos anos por maiores direitos junto ao Estado” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:002_Oromo_Liberation_Front_rebels.JPG

Imagem 2 Cidade de Shashemene, onde houve intenso conflito entre manifestantes e a força policial” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Shashamane

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Turquia inaugura na África sua maior base militar no exterior

Foi inaugurada no último sábado, dia 30 de setembro, a maior base militar da Turquia fora de seu próprio território. A instalação está localizada em Mogadíscio, capital da Somália, ocupando um terreno de mais de quatro quilômetros quadrados. Foram necessários dois anos para a construção ser finalizada, com investimento total de US$ 50 milhões.

Encontro entre o Presidente turco, Erdogan, e o Primeiro-Ministro somali, Ali Khayre, em setembro de 2017

A nova base tem o propósito oficial de ser um centro de formação militar. Espera-se que a partir de agora mais de 10.000 soldados somalis passem a ser treinados por oficiais turcos. Em discurso na cerimônia de inauguração, o Primeiro-Ministro da Somália, Hassan Ali Khayre, disse que “esta academia faz parte do nosso compromisso de reconstruir nosso exército”. Já Hulusi Akar, Chefe do Estado-Maior da Turquia, afirmou que seu país “irá fornecer todo o apoio necessário aos nossos irmãos na Somália”.

Os laços entre os dois países vêm se estreitando nos últimos anos. O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já realizou duas visitas oficiais nesta década e seu Governo vem investindo na construção de escolas, hospitais e projetos de infraestrutura de transportes na Somália. Ancara ainda contribui com ajuda humanitária destinada às vítimas da guerra civil, que assola a república africana por mais de três décadas. Em contrapartida, a Turquia vem auferindo ganhos no campo comercial. As exportações turcas, que somavam apenas US$ 5,1 milhões em 2010, atingiram US$ 123 milhões em 2016.

A Turquia já contava com outra instalação militar no exterior. Trata-se de uma base no Catar, inaugurada em 2015, e com capacidade para 3.000 soldados. Durante a crise do Golfo, em junho de 2017, a presença turca serviu como elemento dissuasório para ações contra o país árabe. Agora eles passam a ocupar outra região geograficamente estratégica, o Chifre da África, que se debruça sobre a principal rota marítima que liga a Europa ao Oceano Índico. Dessa forma, Ancara procura expandir o alcance de suas Forças Armadas para além de suas fronteiras e, por consequência, aumentar sua influência política no sistema internacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Embaixada turca em Mogadíscio” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mogadishu#/media/File:Mogturkemb.jpg

Imagem 2 Encontro entre o Presidente turco, Erdogan, e o PrimeiroMinistro somali, Ali Khayre, em setembro de 2017” (Fonte):

https://www.tccb.gov.tr/en/news/542/83567/cumhurbaskani-erdogan-somali-basbakani-hayriyi-kabul-etti.html

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Etnias Oromo e Somali voltam a confrontar-se na Etiópia

Para além da seca que afeta dezenas de milhares de pessoas na região leste etíope, a escalada de conflitos entre as etnias Oromo e Somali soma-se como mais um fator de desestabilização social. Segundo fontes locais, na semana passada aproximadamente 20 civis destes grupos étnicos foram mortos.

Os confrontos se situam na região de fronteira entre o território Oromo e Somali. A Etiópia é dividida em nove federações étnicas, porém a fronteira entre ambos os territórios nunca foi demarcada oficialmente. A constante migração das populações pastoris seminômades ao longo do traçado incita, historicamente, um longo processo de disputa por terras férteis e produtivas. Com a seca causada pelo fenômeno climático El Niño, a luta pelas terras tende a se acentuar ainda mais.

Oromo e Somali são duas das maiores federações étnicas, dividindo uma fronteira de quase 1.400 km de extensão

Centenas de indivíduos das duas etnias foram mortas desde fevereiro deste ano (2017). Com a escalada de violência, estima-se que entre 30 e 55 mil já migraram dessa região. Muitos rumaram para a cidade de Moyale, no Quênia. No entanto, este lugar também possui um histórico de conflito entre os dois grupos étnicos, o que não resguarda totalmente os migrantes de futuros embates.

Há relatos de milícias atuando ativamente, dando uma nova configuração a um conflito existente há 25 anos, pelo menos. Especificamente, uma destas forças é a polícia de Liyu, baseada em Somali. Fontes locais afirmam que uma incursão dessa força policial em março deste ano no distrito de Negele Borena, dentro do território Oromo, deixou centenas de civis mortos. Em contrapartida, autoridades somalis declaram que a Frente de Libertação Oromo (FLO) – classificada como organização terrorista pelo Governo etíope – possui uma ampla conexão com altas autoridades do Governo Oromo, dificultando o diálogo entre ambas as partes.

Os dois grupos étnicos vêm ocupando papel coadjuvante dentro das políticas públicas promovidas pelo Estado etíope. Muitas das obras desenvolvimentistas promovidas pelo Governo se deram sobre território Oromo, prejudicando a manutenção de tradicionais modos de vida e de reprodução social. O mais simbólico destes momentos foi o projeto de expansão da capital Addis Ababa sobre o território desta etnia. O episódio operou como estopim para outros tantos choques entre este grupo étnico e as forças policiais e militares, culminando na declaração do estado de emergência em outubro do ano passado (2016).

O receio de novo embate volta à tona, à medida que se aproxima o festival Irreecha – evento onde a população Oromo agradece o fim do período das chuvas e o início da colheita. No ano passado, o festival foi marcado por um intenso conflito com as forças policiais após manifestações políticas por parte de alguns participantes. Cerca de 50 pessoas morreram naquela ocasião.

Analistas argumentam que a pacificação somente ocorrerá mediante uma “despolitização” da fronteira. As atividades econômicas das populações daquela região conferem uma outra dinâmica ao território, na medida em que o constante deslocamento das práticas nômades impede a constituição de qualquer noção estrita de propriedade. Ao contrário, a fronteira deveria ser classificada como bem comum para ambos os segmentos étnicos.

Em um segundo momento, as reivindicações destes grupos deveriam ser incorporadas na agenda de políticas públicas do Governo etíope. Há uma clara sobreposição de projetos sobre os anseios da população Oromo e Somali, as quais não se sentem representadas pelo conjunto de propostas e medidas promovidas pelo Estado. Neste sentido, acredita-se que o desenvolvimento econômico e social almejado deve, antes de tudo, expandir a noção de cidadania e de participação social na delineação do futuro desejado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Movimentações militares e paramilitares na fronteira entre ambos os territórios se tornaram mais comuns nos últimos meses” (Fonte):

https://www.opride.com/2017/03/05/liyu-police-raids-oromia-testing-ethiopias-semblance-calm/

Imagem 2Oromo e Somali são duas das maiores federações étnicas, dividindo uma fronteira de quase 1.400 km de extensão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Regions_of_Ethiopia