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[:pt]China poderá intensificar Pacto de Cooperação Militar com a Rússia[:]

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O acelerado desenvolvimento econômico tornou a China o segundo país mais rico do mundo, depois dos Estados Unidos da América, com tendência a se tornar o mais rico, ainda na virada da década de 2020. Como se não bastasse, a líder do BRICS é a maior credora de títulos da dívida pública dos EUA, com créditos de, aproximadamente, US$ 1,25 trilhão.

Em 2013, analistas de Inteligência da RAND Corporation*, que atende ao Governo norte-americano, publicou no jornal Los Angeles Times um provocativo artigo intitulado “U.S., China and an unthinkable war” (“EUA, China e uma guerra impensável”, em tradução livre), em que preveem um possível ataque preventivo de uma potência contra outra, como estratégia militar de definição da vitória, tendo como possíveis estopins o crescente domínio militar do gigante asiático no Mar do Sul da China, a instabilidade da Coréia do Norte, e a independência de Taiwan, apesar das ameaças urgentes de espionagem cibernética e guerra cambial.

No auge da Guerra Fria, o mundo estava econômica e politicamente dividido entre o Bloco Capitalista (um conjunto de países do Ocidente sob o comando dos Estados Unidos da América) e o Bloco Socialista (Composto pelo Estados aliados da extinta União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, que liderava o conjunto, mas que, a rigor, poderíamos dizer que era comandado pela Rússia). Mesmo encerrado este período histórico, ainda hoje, a Rússia, sob o nome de Federação Russa, é a 2ª maior potência militar do Globo, de acordo com o ranking do site Global Firepower (GF), o qual não leva em conta o volume de armas e o arsenal nuclear, mas o orçamento de Defesa e a mão-de-obra disponível. No entanto, apesar do posicionamento da Rússia, contemporaneamente, a atenção é voltada para a rivalidade entre EUA e China, que está em 3º lugar no ranking do GF e tem se esforçado em aumentar sua capacidade bélica.

Diante do quadro, as posições de analistas convergem para o acirramento desta rivalidade, bem como para a maior probabilidade de enfrentamentos entre ambos. Em 2016, por exemplo, a mesma RAND Corporation elaborou um Estudo de Cenário para 2025, chamado War with China – Thinking Through the Unthinkable” (“Guerra com a China – Pensando Através do Impensável”), onde realizou recomendações estratégicas aos líderes políticos e militares de ambas as potências, evidentemente com maior destaque às ações que os EUA devem tomar para mitigar os riscos de um eventual conflito militar com a China, tais como: aumentar a frota de submarinos para reduzir os efeitos das Anti-Access/Area Denial (A2/AD) chinesas, que são sistemas de defesa para negar o uso do mar por potências estrangeiras, inclusive com mísseis balísticos anti-navio (MBAN); estabelecer acordos com lideranças asiáticas – o Japão, principalmente; e aprofundar as relações militares entre os países, para melhor compreensão de suas capacidades bélicas.

Nesse cenário, a China possivelmente aprofundará as relações militares com a Rússia, potência militar global, potência econômica regional e parceira no BRICS. E o fará quer pela identidade ideológica da Economia Capitalista de Estado de ambos e pela histórica rivalidade que os russos têm com os EUA, quer pela sua capacidade bélica. Uma indicação desse alta probabilidade, foi a confirmação ocorrida no dia 23 de agosto de 2016, terça-feira passada, do encontro do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o Presidente da França, François Hollande, e com a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante a Reunião de Cúpula do G-20, nos dias 4 e 5 de setembro de 2016, em Pequim, para tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, algo que pode representar mais um passo nas conversações para intensificar o pacto de cooperação militar entre China e Rússia.

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* Organização de pesquisa que desenvolve soluções para os desafios de política pública, visando ajudar as comunidades em todo o mundo a tornarem-se mais seguras, mais saudáveis e mais prósperas.

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Imagem (Fonte):

http://www.transconflict.com/2014/09/russiachina-containment-099/

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[:pt]Unicef alerta número crescente de crianças apreendidas na fronteira dos EUA[:]

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Na última segunda-feira, 22 de agosto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou que, nos últimos seis meses, mais de 26 mil crianças desacompanhadas provenientes dos países da América Central foram detidas na região da fronteira sul dos Estados Unidos da América (EUA). Segundo o comunicado do organismo das Nações Unidas, o fluxo de refugiados e migrantes crianças que fogem de seus países em função da violência de gangues, milícias e da pobreza não demostra nenhum indício de que irá diminuir num futuro próximo.

De acordo com o relatório divulgado pelo Unicef, intitulado “Broken Dreams: Central American Children’s Dangerous Journey to the United States”, entre janeiro e junho de 2016, quase 26 mil crianças desacompanhadas e aproximadamente 29.700 pessoas que viajam com suas famílias, particularmente mães e crianças pequenas, foram detidas na fronteira com os Estados Unidos. O relatório aponta que essas crianças são provenientes sumariamente de países da América Central, sobretudo de Guatemala, El Salvador e Honduras. Justamente países que possuem alguns dos piores indicadores de violência e pobreza no mundo.

Em comunicado à imprensa, Justin Forsyth, vice-diretor executivo do Unicef, afirmou que “é de cortar o coração pensar que essas crianças fazem uma viagem tão cansativa e extremamente perigosa, em busca de segurança e melhores condições de vida”. Nesse sentido, segundo dados da Anistia Internacional, apontados no relatório do Unicef, 6 em cada 10 meninas e mulheres acabam sendo vítimas de violência sexual durante a viagem, muitas delas acabam sendo forçadas a trabalhar em bordéis e bares na Guatemala e no México. Para Forsyth esse fluxo intenso de crianças ressalta ainda mais a necessidade de se combater a violência e melhorar as condições socioeconômicas em seus países de origem. Assim, apesar de correrem grandes riscos, essas crianças veem nos Estados Unidos uma alternativa para escapar da realidade de seus países. Nesse aspecto, segundo Christoph Boulierac, Porta-Voz da Unicef, existe um risco enorme desses menores não acompanhados sejam sequestrados, vítimas de tráfico humano, violência sexual e assassinados durante o trajeto, e o maior problema é que o número não para de crescer.

Conforme o relatório, nos primeiros seis meses desse ano foram detidas 26 mil crianças, 40% a menos que em 2014, quando 44.500 crianças foram apreendidas na fronteira com os Estados Unidos. Naquele ano, o Governo norte-americano pediu ao México que intensificasse as detenções, o que reduziu o número de crianças apreendidas em 2015 para 18.500, enquanto que as autoridades mexicanas detiveram aproximadamente 36 mil, sendo que mais da metade delas estavam desacompanhadas. Já entre janeiro e junho de 2016, conforme relatório do Unicef, cerca de 16 mil crianças desacompanhadas foram detidas no México.

Além do risco que essas crianças correm durante o percurso de viagem, o relatório feito pelo Unicef também chama atenção para o tratamento que recebem quando são detidas. O Documento aponta que a maioria dos homens adultos detidos são deportados quase que imediatamente, já as mães e as crianças podem permanecer até meses detidas e as crianças desacompanhadas podem vir a permanecer detidas por anos, isso porque seus casos são analisados pelo tribunal de Justiça. Segundo a Unicef, em parte, o problema é que cerca de 40% deles não tem advogados e o sistema estadunidense não prevê um advogado para deportação de civis. E, segundo o próprio relatório, são justamente esses, que não possuem um advogado, que acabam tendo mais possibilidades de serem deportados. Em 2015, apenas 3% dos que tinham advogados foram deportados, enquanto que 40% dos que não tinham o foram. Nesse aspecto, Boulierac ressaltou que o Fundo das Nações Unidas para a Infância é contrário à detenção de menores de idade, e que os países deveriam procurar vias alternativas à detenção de crianças e não apreendê-las, tendo como base o status migratório.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância alerta ainda para o tratamento diferente que essas crianças recebem em razão de sua nacionalidade, uma vez que os mexicanos são expulsos dos Estados Unidos imediatamente, enquanto que as crianças de outros países tem direito a uma audiência judicial. Por fim, o relatório foi divulgado antes da reunião da ONU, que ocorrerá em 19 de setembro, na sede da Organização em Nova York, quando se abordará justamente as questões em torno dos grandes movimentos de refugiados e migrantes e haverá a discussão sobre a atual situação dos refugiados, descrita como a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

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Imagem (Fonte):

https://www.un.org/News/dh/photos/large/2016/August/08-23-unicef-migrant-map.jpg

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[:pt]Pentágono anuncia transferência de 15 prisioneiros de Guantánamo aos Emirados Árabes Unidos[:]

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O Departamento de Defesa norte-americano anunciou nesta última segunda-feira, 15 de agosto, a transferência de quinze prisioneiros da Baía de Guantánamo, em Cuba, aos Emirados Árabes Unidos. Três presos afegãos e doze iemenitas foram movidos nesta que foi a maior transferência individual durante a presidência de Barack Obama. A decisão reduziu a população prisional de Guantánamo para 61. Obama prometeu fechar a prisão quando assumiu a Presidência, em 2009. À época, havia 242 detentos na prisão na ilha.

Os prisioneiros realocados nesta semana estavam detidos há 14 anos sem acusação formal na prisão localizada na Base Naval norte-americana no sudeste de Cuba. Os 15 presos foram liberados pelo Conselho de Revisão Periódica, composto por representantes de seis agências governamentais dos Estados Unidos. Até hoje, apenas 10 dos detidos em Guantánamo enfrentaram julgamento criminal, incluindo “os cinco do 11 de Setembro”, liderados por Khalid Sheikh Mohammed, acusados de tramar os ataques de “11 de Setembro de 2001”.

Os Estados Unidos são gratos ao governo dos Emirados Árabes Unidos por seu gesto humanitário e disponibilidade em apoiar os esforços em curso dos Estados Unidos para fechar Guantánamo”, disse o Pentágono em comunicado, conforme reportou a Al Jazeera. A Anistia Internacional saudou o anúncio como um sinal de que Barack Obama parece falar sério sobre fechar a controversa prisão antes de deixar o cargo. Os Emirados Árabes Unidos classificaram a ação como “um gesto de boa vontade dos EUA”, sinalizando a continuidade nas relações entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos. O país é um importante aliado militar dos EUA no Oriente Médio, sendo base para ataques militares americanos às posições do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Dos 61 prisioneiros restantes, 28 são iemenitas, 6 paquistaneses e sauditas e 5 afegãos. Destes restantes, 20 já tiveram a transferência aprovada e podem ser enviados a outro país, 10 já passaram por processos em tribunais militares (sendo que somente 3 deles foram condenados) e 31 são os chamados prisioneiros “para sempre”. Estes os EUA consideram intransferíveis – o “mínimo irredutível” composto por aqueles que julgam incapazes de processar, mas muito perigosos para liberar.

Obama liberou 10 detidos iemenitas para o Omã em janeiro de 2016 e mais nove iemenitas para a Arábia Saudita em Abril. Em dezembro de 2009, 12 detentos foram transferidos para três países. A gestão de Obama realocou 161 prisioneiros no total, recebidos por países como EAU, Georgia, Senegal, Arábia Saudita, Eslováquia, Marrocos, Reino Unido, Mauritânia, Omã, Bósnia, Montenegro, Argélia, Cazaquistão, Uruguai, Estônia e El Salvador. Das solturas sob o presidente Obama, apenas 5% se reengajaram em atividade militantes de forma confirmada, e 8% são suspeitos de tê-lo feito. Muitos daqueles liberados simplesmente retornaram aos seus países de origem na tentativa de retomar suas vidas.

Contudo, ainda pairam dúvidas e críticas quanto à reintegração destes presos, libertados após mais de uma década sem terem enfrentado julgamento e tendo sobrevivido a torturas e privações. Um dos detidos mais fortemente torturados em Guantánamo, o mauritano Mohamedou Slahi, foi recentemente liberado para transferência pelo conselho norte-americano. Slahi, considerado não mais uma “ameaça significativa contínua” para a segurança dos Estados Unidos, relatou em biografia ter tido seu corpo contorcido por militares norte-americanos. Além de ter sido bombardeado com ruído; privado de sono; tido sua vida ameaçada e sua mãe ameaçada com estupro, conforme o The Guardian.

Na próxima semana será a vez de Abu Zubaydah, outro sobrevivente e cobaia do waterboarding – as famigeradas simulações de afogamento, método de tortura proibido pelo Governo norte-americano em 2007. Os EUA já não mais acreditam que Abu Zubaydah fosse um membro da al-Qaeda.

Obama acredita que as instalações fomentam o radicalismo e o recrutamento de jihadistas, informa a BBC. Para o Presidente, a prisão serve apenas para alimentar o ressentimento anti-EUA. Já Lee Wolosky, enviado do Departamento de Estado dos EUA, declarou em comunicado que “A operação continuada do centro de detenção enfraquece nossa segurança nacional drenando recursos, prejudicando nossas relações com aliados e parceiros-chave, e fortalecendo extremistas violentos”.

A prisão de Guantánamo foi aberta em 11 Janeiro de 2002, pelo então presidente George W. Bush, para abrigar radicais suspeitos de ligação com a milícia afegã Talebã e com a organização terrorista Al Qaeda, conforme a Folha de São Paulo. A prisão já abrigou 779 detentos, ao todo, desde que foi inaugurada, logo após a invasão norte-americana do Afeganistão, no final de 2001, na esteira do ataque em 11 de Setembro. Durante a gestão George W. Bush (2001-2009) foram transferidos 532 prisioneiros, a maioria com destino ao Afeganistão e à Arábia Saudita. Nove morreram na prisão.

O presidente Obama tenta fechar a prisão na ilha cubana desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro de 2009. O Congresso norte-americano, de maioria republicana, faz forte oposição, proibindo a transferência de presos para os EUA. Em fevereiro de 2016, o Presidente apresentou ao Congresso um novo plano de fechamento de Guantánamo. Obama tem trabalhado com outros seis países para realocar detentos liberados para transferência e repatriar cerca de vinte detidos. Já Donald Trump, candidato presidencial republicano, prometeu em discurso em fevereiro manter Guantánamo aberta como um centro de detenção e comprometeu-se a preenchê-la “com alguns caras maus”.

Originalmente, a prisão foi criada para deter indivíduos extremamente perigosos, para interrogatório dos detidos e processamento por crimes de guerra e terrorismo. Na prática, o local tem sido frequentemente utilizado para a detenção indefinida sem julgamento, em violação da Lei Internacional. A Human Rights Watch classifica as práticas de detenção em Guantánamo como “injustificadas e arbitrárias”. A prisão custa mais de US$ 3 milhões por prisioneiro por ano aos cofres norte-americanos e carrega a mácula das famigeradas simulações de afogamento e outras formas de tortura praticadas com os presos.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Guantanamo_Bay_detention_camp

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[:pt]Na luta contra o EI, EUA promovem ataques aéreos na Líbia[:]

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Na semana passada, os Estados Unidos da América (EUA) lançaram novos ataques aéreos na Líbia, tendo como alvo o Daesh, sigla em árabe para Estado Islâmico (EI). Os EUA e outras potências ocidentais como Grã-Bretanha e França vem promovendo diversas operações no país, argumentando que suas ações visam combater a ramificação do grupo jihadista Estado Islâmico sobre o território líbio.

Desde a queda de Muammar Kadafi em 2011 – que teve apoio de uma intervenção militar liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), durante a chamada Primavera Árabe – diversas facções armadas lutam para assumir o controle do país. Naquela ocasião, a Organização argumentou que os ataques pretendiam proteger os civis. A ação da OTAN contribuiu para a vitória dos rebeldes sobre Kadafi, e também viabilizou que a Líbia se aprofundasse em meio ao caos e a guerra civil. Alguns analistas apontam que foi justamente a fragmentação política e o vácuo de poder que possibilitou aos jihadistas controlar e expandir seu poder sobre diversas regiões da Líbia. Nessa ordem de ideias, vale pontuar que recentemente o próprio Barack Obama, presidente dos EUA, afirmou que um dos maiores erros de sua administração foi não ter planejado o “dia seguinte” da intervenção de 2011, apesar de argumentar que era necessária tal ação militar.

Segundo declarações do Pentágono, o bombardeio promovido no último 1º de agosto foi autorizado por Barack Obama após recomendações de Ash Carter, secretário de Defesa, e do general Joseph Dunford, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Assim, de acordo com Peter Cook, Porta-Voz do Pentágono, o Governo de União Nacional da Líbia (GNA), que é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), solicitou o apoio estadunidense para combater o avanço do EI no país.

As Forças Armadas estadunidenses realizaram os ataques aéreos de precisão, utilizando aeronaves tripuladas e não tripuladas contra veículos e contra um tanque T-72 do grupo terrorista na cidade de Sirte, localizada na costa do Golfo de Sidra, a aproximadamente 450 km a leste da capital Trípoli. O controle sobre Sirte tem um viés ideológico, posto que essa é a cidade natal do ex-ditador Kadafi, e ainda há o viés econômico, haja vista que grande parte da indústria petroquímica está localizada nessa região. No entanto, cabe ressalvar que muito embora a Líbia detenha a maior reserva africana de petróleo e a quinta maior reserva de gás natural da África, o acesso a essas infraestruturas é mais difícil quando comparada à Síria, por exemplo, uma vez que grande parte dos recursos energéticos líbios estão sujeitos a bloqueio marítimo, além da própria tecnologia mais avançada, o que restringe o acesso ao grupo jihadista. Assim, muitas ações do EI visam interromper o fluxo desses recursos.

Além disso, analistas assinalam que a atual situação da Líbia fornece um ambiente propício para promover desestabilizações em países vizinhos como Tunísia e Egito. Nesse aspecto, uma das principais preocupações é justamente que o Daesh consiga expandir a faixa de controle em cidades como Derna, Benghazi ou ainda em Sabratha, na região próxima à fronteira da Tunísia. O grupo tem conseguido atrair para o território líbio jovens de países como Marrocos, Sudão e Tunísia. Estimativas feitas no começo de 2016 pelo o Governo estadunidense, apontavam que aproximadamente 6 mil integrantes do EI viviam na Líbia, sendo que alguns desses vieram da Síria. Já segundo relatório de junho da Organização das Nações Unidas (ONU), esse número deve ser de 2 a 5 mil combatentes na Líbia.

Em uma sequência de eventos, a cidade de Sirte transformou-se no reduto mais importante do grupo jihadista fora da Síria e do Iraque. Em fevereiro de 2015, a cidade, que foi tomada por integrantes do grupo terrorista, no qual primeiramente os combatentes jihadistas faziam parte da milícia Ansar Al-Sharia – constituído durante a Guerra Civil de 2011 – declararam sua aliança ao Estado Islâmico. Em seguida, pessoas que se diziam integrantes do Boko Haram, que atua particularmente na Nigéria, firmaram seu apoio ao grupo; e, por fim, homens contrários ao general Khalifa Haftar, que é associado ao Ocidente e às forças do ex-ditador Kadafi, também formaram parte dessa aliança. A cidade foi de fato controlada pelo EI em junho de 2015, quando passaram a controlar pontos estratégicos, tais como o hospital e a universidade.

Desde maio deste ano (2016), as forças que integram o GNA, baseadas em Misrata, localizada entre Trípoli e Sirte, vem promovendo uma série de operações a fim de recuperar Sirte, incluindo um bloqueio naval. As forças pró GNA não detém grandes capacidades, dessa forma, os 1.500 homens feridos e 280 mortos em Sirte representam grandes perdas. Assim, o pedido de ajuda deve-se em parte à falta de capacidades, tanto de equipamentos quanto de conhecimentos, para fazer frente à resistência e armadilhas implementadas pelos combatentes.

Segundo declarações de Fayez Serraj, Primeiro-Ministro líbio, que chegou ao poder neste ano, após negociações mediadas pela ONU, os bombardeios causaram inúmeras perdas ao EI. Durante seu discurso, Serraj ressalvou que, apesar do GNA solicitar o apoio internacional para combater o grupo jihadista, não haverá nenhuma presença estrangeira no país. Cabe pontuar que forças estadunidenses, francesas e britânicas atuam na Líbia, contudo Serraj argumenta que elas destinam-se apenas a identificar e repassar informações sobre o EI e dar apoio logístico aos integrantes das forças pró-Governo. Nesse mesmo sentido, Peter Cook destacou que os Estados Unidos não enviarão à Líbia soldados para participar de operações terrestres, e que o apoio se limitará ao compartilhamento de informações e ataques aéreos.

Os ataques da semana passada fazem parte de uma abrangente série de operações planejadas e controladas pelo Comando dos Estados Unidos para África (U.S AFRICOM, em inglês). A primeira fase dessas operações é a Operation Odyssey Resolve, que consiste em voos de inteligência, vigilância e de reconhecimento territorial. A segunda fase envolve a Operation Junction Serpent, que também se destina a captar informações. Por fim, a terceira fase é a Operation Odyssey Lightning, que, segundo declarações do Pentágono, começou na semana passada, na qual alvos são abatidos por aeronaves de ataque.

Assim, compete destacar que os Estados Unidos tem promovido por meses operações dentro e fora da Líbia. Outros países também tem atuado em território líbio, como a Itália, Grã-Bretanha, França, além países da região, como o Egito e os Emirados Árabes Unidos (EAU). Em fevereiro deste ano (2016) a Itália aprovou, embora com restrições, o uso de drones operados por norte-americanos, a partir de uma base em Sigonella, na região leste da Sicília. Além disso, os EUA operaram aeronaves de ataque a partir do Reino Unido para atacar alvos do EI na Líbia. Cabe destacar que a construção de nova base aérea em Agadez, no norte do Níger deverá ser utilizada para fazer operações de vigilância na região sudoeste da Líbia.

Analistas apontam que a ação na Líbia é importante, pois visa deslocar fisicamente líderes que estão na Síria e no Iraque, tal qual ocorreu com Abu Nabil, principal líder do EI na Líbia, que atuou por anos ao lado da Al-Qaeda, e se transferiu para território líbio, sendo morto em uma ação militar promovida pelo Governo estadunidense em novembro de 2015. Naquela ocasião o Pentágono ressaltou, por meio de comunicado, que a morte de Nabil diminuiria as habilidades do grupo no país. Além disso, o comunicado destacava que os EUA iriam atuar contra os líderes do EI onde quer que eles estivessem.

Em vista disso, alguns pesquisadores salientam a existência de uma crescente pressão para que ocorra uma nova intervenção militar estrangeira na Líbia, entretanto, agora, o objetivo seria combater o ramo do EI. No entanto, tal ação suscita uma série de questionamentos, entre eles como seria o plano para combater o EI e o que esperar para o dia seguinte da intervenção, uma vez que a ação militar de 2011 aprofundou a fragmentação e viabilizou para que o grupo jihadista expandisse seu poder.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/pt/eua-atacam-l%C3%ADder-do-estado-isl%C3%A2mico-na-l%C3%ADbia/a-18851011

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[:pt]Após um ano da reaproximação, EUA e Cuba enfrentam desconfianças e alguns avanços [:]

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Desde a reaproximação no ano de 2014, muito já se discutiu a respeito de Cuba e EUA (Estados Unidos). As análises constituídas por profissionais e estudantes da área de Ralações Internacionais foram de grande importância para a compreensão, de um ponto de vista teórico e simbólico, da história que envolve os dois países desde 1947 a 1991, período em que ocorreu a Guerra Fria. Contudo, apesar desse momento histórico em que voltam a se relacionar os dois países que um dia foram inimigos, é normal que a tensão ainda prevaleça entre eles.

No último dia 20 de julho (2016), quarta-feira passada, foi completado um ano da reabertura da embaixada cubana em Washington. Desde esse acontecimento, em 2015, muitos passos já foram dados para que as estranhezas entre ambos fossem diminuídas, entre eles a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao território de Havana, assunto que, inclusive, foi dissertado pelo CEIRI NEWSPAPER na época (21 de março). Outro passo foi um pronunciamento do Secretário de Estado, John Kerry, um mês depois da reabertura (20 de julho de 2015). Com tom otimista, este afirmou que muitos seriam os benefícios na reaproximação dos dois Estados e que não havia o que temer diante disso.

Desde quando a bandeira dos EUA foi hasteada em Cuba, e vice-versa, os dois países trataram suas diferenças de modo cordial, porém, sem ainda terem sido removidos os embargos históricos de suas relações. Nem a visita do Presidente norte-americano foi o suficiente para que liberassem alguns deles, como, por exemplo, a abertura para o turismo, que, para ser feito, ainda necessita obedecer a uma série de condições e obrigações para que os americanos possam chegar na ilha. Além desse, que ainda enfrenta dificuldades, pode-se citar a liberação das transações internacionais de Cuba por meio do dólar, algo que facilitaria e reduziria os custos em importações de alimentos.

Observando o quadro das relações entre Cuba e EUA, percebe-se que os dois países ainda vivem um certo reflexo da Guerra Fria, que teve sua base na desconfiança entre a União Soviética e os Estados Unidos. Todavia, apesar dos percalços, não se pode ignorar o fato de que ambos já avançaram bastante. A exemplo, tem-se a permissão de investimentos americanos na ilha, que mostra ser um território onde a mão-de-obra é qualificada e barata, já ocorrendo iniciativa das primeiras empresas a investir no território cubano, em décadas. São elas: a rede de hotéis Starwood e o Cruzeiro da Carnival.

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Imagem (Fonte):

http://antigo.brasildefato.com.br/node/32362

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[:pt]EUA planeja averiguar redes sociais antes de permitir entrada de estrangeiros no país[:]

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Guerra ao Terror é o nome dado pelo ex-presidente dos Estados Unidos (EUA), George W. Bush (2001-2009), para a campanha militar desencadeada após os ataques de “11 de Setembro de 2001”. Desde então, o Governo dos Estados Unidos (EUA) destina-se a combater o terrorismo em suas mais diversas áreas e, atualmente, as personagens que aderiram a esta guerra são as redes sociais, dentre as quais qualificam-se o Fecebook, o Instagram e o Twitter.

Não se sabe o momento exato em que estes mecanismos de relacionamentos tornaram-se palcos de guerra. Contudo, tem-se ideia de que foram os vídeos e gravações de Osama Bin Laden (líder e fundador da Al-Qaeda), gravados em cavernas do Paquistão, e divulgados no mundo inteiro, que motivaram as mensagens de incitação ao ódio religioso e também político nas redes sociais. Hoje, tais ações são feitas por integrantes e/ou simpatizantes do Estado Islâmico e afins.
Baseando-se nesse contexto, o Governo estadunidense, por meio do Departamento de Segurança Nacional Norte-Americano (em inglês, United States Department of Homeland Security – DHS), planeja averiguar as redes sociais antes de permitir a entrada de estrangeiros em seu território. Desse modo, poderá identificar se os indivíduos que desejam entrar nos EUA estão ligados à algum tipo de organização terrorista. Acreditam que isso poderá ser feito por intermédio de suas postagens nas redes sociais.

Se a proposta for aceita, os estrangeiros terão um novo campo de preenchimento no questionário de solicitação do visto de entrada, onde deverão indicar “informações associadas com sua presença digital. Tais processos contam com métodos de impressão digital, local de hospedagem, motivos para a viagem, entrevista pessoal, dentre outros.

A proposta foi apresentada no dia 23 de junho (2016) pelo Órgão de Proteção Alfandegária e de Fronteiras, que está ligado ao Departamento de Segurança. Ela ainda está em análise de consulta pública e ficará aberta por 60 dias, contados a partir do dia em que foi sugerida, para que os cidadãos norte-americanos contribuam com outras possíveis mudanças.

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Imagem (Fonte):

http://www.bing.com/images/results.aspx?q=osama+bin+laden&mkt=en-us&fdr=lc

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