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Caravana de imigrantes centro-americanos avança pelo México

A caravana de migrantes da América Central conseguiu adentrar o território mexicano. Desde a última sexta-feira (dia 19 de outubro), milhares de pessoas cruzaram a fronteira da Guatemala para o México. Alguns atravessaram a ponte da fronteira pedindo o status de refugiado ao governo mexicano e outros simplesmente se esquivaram do controle imigratório, a bordo de jangadas no rio Suchiate.

América Central

O escritório de Proteção Civil do município de Suchiate, no Estado de Chiapas, estima que mais de 7.200 pessoas, principalmente hondurenhos, continuam sua jornada com destino aos Estados Unidos.

A marcha atualmente ocupa uma das duas pistas da rodovia entre Ciudad Hidalgo, a cidade mais próxima da fronteira guatemalteca, e Tapachula, cerca de 30 quilômetros já dentro do território mexicano. Alcançar Tapachula era o objetivo da caravana até o último domingo (dia 21 de outubro) para se reagrupar e seguir a viagem.

 A Polícia Federal, que originalmente bloqueava a rodovia para impedir o avanço da caravana, finalmente abriu passagem e limitou-se a monitorar e acompanhar de perto a rota. Um helicóptero sobrevoa a estrada para observar o grupo de migrantes. “Tudo o que queremos é que eles cheguem em segurança”, disse Manelich Castilla, comissário da Polícia Federal mexicana.

As autoridades do México pediram aos organizadores das caravanas que parassem com o avanço do contingente. Eles até ofereceram transporte para levá-los a albergues do Instituto Nacional de Migração (INM). Entretanto, os organizadores rejeitaram a oferta do governo mexicano por medo de que o grupo se dispersasse.

Na rota, algumas autoridades convidaram os hondurenhos a regularizar seu status de imigração. “O Estado mexicano pode recebê-los, está aberto para conceder-lhes o status de refugiado, mas eles não podem ir em uma situação irregular, viajando por todo o território nacional”, disse Francisco Echavarría, delegado regional do INM. O México pediu ajuda à Organização das Nações Unidas (ONU) para atender ao grande grupo de imigrantes que continuam chegando ao México para se juntar à caravana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Placa de trânsito sinaliza movimento de imigrantes pelas estradas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_sign

Imagem 2América Central” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Central_America

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

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Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

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Discurso de Donald Trump na ONU consolida Realismo na atualidade das Relações Internacionais

Conforme vem sendo visto na mídia, o discurso proferido pelo presidente norte-americano Donald Trump na 73a Assembleia Geral das Nações Unidas, ontem, dia 25 de setembro (2018), consolida a postura de retorno ao comportamento realista nas relações internacionais[1], mostrando que as posturas baseadas nos interesses nacionais e na busca pelo poder tenderão a influenciar os comportamentos dos demais Estados pelo mundo, por serem os procedimentos que norteiam concretamente as formulações das políticas públicas nos EUA, em especial a sua política externa.

Bolsa de Valores de Nova York, símbolo do poder econômico dos EUA

Donald Trump foi eleito com o argumento do “America First” (ou, “Estados Unidos em Primeiro Lugar”), mostrando que privilegia as decisões que digam respeito ao reposicionamento estadunidense como ponto de partida das ações mundiais, bem como aquelas que mantenham seu país como foco prioritário para a economia internacional e o coloquem sempre como o condutor nas negociações pelo mundo, priorizando os acordos bilaterais em relação aos coletivos, uma vez que, neste caso, se deve antever uma renúncia a parcelas de ganhos, algo que ele desconsidera em seu posicionamento. No entanto, ao longo do primeiro momento de governo, Trump fez o processo de adaptação do discurso à realidade, uma vez que teve de acomodar as demandas de aliados, os quais, em alguns sentidos, divergiam e ainda divergem dos posicionamentos do Mandatário dos EUA.

No discurso pronunciado ontem, Trump foi claro, em todos os aspectos, de que a lógica da “política do poder[2] é o componente que deve orientar a conduta mundial, uma vez que os Estados Unidos representam o maior peso para gerar equilíbrio ou desequilíbrio na política internacional, interferindo nas decisões dos demais atores.

Seu discurso se concentrou em mostrar o que considera serem conquistas econômicas internas e o posicionamento que deve manter globalmente. O foco principal foi: o combate ao multilateralismo e que as ações voltadas para os interesses dos EUA prevalecerão, afastando qualquer ideia de governança global[3], uma vez que os interesses são o comércio bilateral e os acordos bilaterais. Como declarou no discurso: “É por isso que os EUA sempre escolherão a independência e a cooperação sobre a governança global, e eu honro o direito de todas as nações nesta sala de buscar seus próprios costumes, crenças e tradições. Os Estados Unidos não lhe dirão como viver, trabalhar ou adorar. Nós só pedimos que você honre a nossa soberania em troca[4].

Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça

O principal inimigo estatal citado foi o Irã, ao qual atribuiu a responsabilidade de desestabilização do Oriente Médio, poupando a Rússia de críticas diretas, excetuando-se quando elogiou a Polônia pelo investimento na criação de rede alternativa de gasoduto, e alertou a Alemanha sobre sua dependência do gás russo. Da mesma forma, a Coreia do Norte, que no ano passado (2017) foi ameaçada com a guerra, recebeu elogios pelos avanços no diálogo. A China foi citada quando tratou das perdas comerciais dos norte-americanos e acusou países de desrespeitarem a regras do comércio internacional estabelecidas pela OMC, e também, indiretamente, pelo desrespeito à propriedade intelectual. Além disso, deixou clara a posição de combate ao regime venezuelano, ao qual prescreve que se deve enfrentar diretamente com sanções, deixando no ar a questão da interferência coletiva no país para solucionar a crise que este vive.

O ponto principal, contudo, foi mostrar que o posicionamento realista deverá ser o motor das relações internacionais, afirmando que não apoiará as instituições, organismos e fóruns internacionais. Foi claro: “A política americana de realismo de princípios significa que não seremos reféns de ideologias antigas e desacreditadas e de especialistas que se mostraram errados ao longo dos anos. Isto é verdade, não apenas em questões de paz, mas em questões de prosperidade[5].

Seguindo tal linha: reforçou a abandono do Conselho dos Direitos Humanos da ONU (“Eu falei antes deste órgão no ano passado e avisei que o Conselho de Direitos Humanos da ONU havia se tornado um grave constrangimento para essa instituição. Protegendo abusivos direitos humanos ao atacar a América e seus muitos amigos. Nossa embaixadora nas Nações Unidas, Nikki Haley, apresentou uma agenda clara para a reforma, mas apesar das repetidas advertências, nenhuma ação foi tomada. Assim, os Estados Unidos tomaram o único caminho responsável: nós nos retiramos do Conselho de Direitos Humanos e não voltaremos até que a verdadeira reforma seja promulgada”)[6]; condenou o Tribunal Penal Internacional (“Por razões semelhantes, os Estados Unidos não darão apoio e reconhecimento ao Tribunal Penal Internacional. No que nos diz respeito, o TPI não tem legitimidade ou autoridade. O TPI reivindica jurisdição quase universal sobre os cidadãos de todos os países, violando todos os princípios de justiça, equidade e devido processo. Jamais renderemos a soberania da América a um corpo não eleito e inexplicável. A América é governada por americanos. Rejeitamos a ideologia do globalismo e aceitamos a ideologia do patriotismo”)[7]; e, indiretamente, mostrou que a ONU não tem eficiência, o que poderia levar um observador a interpretar que, por essa razão, ela não deve ser seguida integralmente em suas deliberações, enfraquecendo-a. Nesse sentido, estará fragilizada principalmente se o financiamento estadunidense ao Organismo, no que tange as questões de Segurança, forem retirados, tal qual declarou: “Os EUA estão comprometidos em tornar a ONU mais eficaz e responsável. Eu já disse muitas vezes que a ONU tem um potencial ilimitado. Como parte do nosso esforço de reforma, eu disse aos nossos negociadores que os Estados Unidos não pagariam mais de 25% do orçamento de manutenção da paz da ONU. Isso incentivará outros países a se envolverem, envolverem-se e também compartilharem esse grande fardo. Estamos trabalhando para transferir mais do nosso financiamento de contribuições fixas para voluntárias, para que possamos direcionar recursos americanos para programas com o melhor registro de sucesso[8].

Xi Jinping, Presidente da China, principal potência econômica a defender o multilateralismo

As declarações de Trump não trouxeram novidades em relação a sua postura política, mas reforçaram que o mundo está mergulhado diretamente no realismo, apesar de dividido discursivamente entre unilateralista(s) e multilateralistas, que tem na França, na Rússia e China os principais expoentes, embora, curiosamente, o multilateralismo professado possa, “em realidade”, estar a serviço dos interesses nacionais desses países, logo também caminhando de acordo com o realismo, mas adaptado à atualidade, e não voltado para o estabelecimento de uma nova ordem mundial.

Como apontam os especialistas, esta nova ordem que se imagina, para abandonar definitivamente o século XX, teria de seguir no sentido da Governança Global, que se imagina ser a realidade do século XXI, algo possível graças aos avanços tecnológicos que permitiram maior comunicação, produtividade e avanço das sociedades civis em relação aos Estados, gerando também maior interação internacional. Pelo que vem sendo descrito por observadores, concretamente, o mundo está “realista” e ainda no século XX.

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Notas:

[1] Os autores realistas em relações internacionais afirmam que esta escola tem como ponto de partida observar o mundo tal qual é, e não como se desejaria que fosse, de forma a apregoar que, concretamente, as relações entre os povos se dão em termos do poder, ou na sua busca, sendo esta conduta o que há de essencial na realidade humana. Nesse sentido, o ator que recebe o foco das atenções nas relações internacionais é o Estado, ou seja, são as unidades Políticas. O Estado trabalha em busca dos próprios interesses nacionais, visando sobreviver e expandir, algo que se consegue apenas por meio da busca, manutenção e aumento de poder, pois este é o meio pelo qual se consegue garantir a soberania e consolidar os interesses, sobrevivendo no meio internacional, que é anárquico, no sentido de não haver poder superior, um governo mundial, que organize as relações entre os povos. Ao longo do tempo, o poder foi avaliado de várias formas, mas sempre recebeu destaque a capacidade de fazer a guerra, por ser o poder militar o que define as principais condições de imposição da vontade de um Estado sobre outro. As mudanças nas relações internacionais no final do século XX trouxeram novas formas de entender o poder.

[2] A “política do poder” é uma maneira de apresentar ou entender as relações internacionais a partir da lógica realista, onde, numa realidade anárquica, os Estados competem por recursos limitados, de maneira que os ganhos de um ator estatal representam as perdas para outro, fazendo com que a competição leve à busca constante por mais poder para que haja ganhos reais nesta competição. Neste sentido, variadas formas de constrangimento ao concorrente são admitidas, sendo dado muito destaque aos elementos bélicos.

[3] Ao longo das últimas décadas do século XX, em função dos avanços tecnológicos e da democracia, novos tipos de atores passaram a ter voz nas relações internacionais, sendo eles, além dos Estados: as Instituições Transnacionais, os Organismos Internacionais, as Organizações Não-Governamentais Internacionais, as Corporações Multinacionais, e os denominados atores difusos, tais como os narcotráfico, terrorismo e organizações criminosas. Com a emergência desses novos tipos de atores e a redução da capacidade dos Estados de tomarem decisões unilateralmente, estes cederam parte dessa capacidade para a tomadas de decisões coletivas, a serem negociadas em fóruns e/ou em organismos internacionais criados para gerenciar os compromissos assumidos coletivamente, aos quais se dá o nome de Regimes Internacionais. A Organização Internacional do Comércio, por exemplo, é um organismo gerado como regime internacional. Nesse sentido, a Governança Global consistiria na imposição das decisões tomadas coletivamente e assumidas pelos Estados, ressaltando-se ainda que os atores difusos, apesar de novos tipos de atores, são excrecências do processo, e não entram nas negociações, pois são os criminosos, que devem ser levados em conta por estarem atuando nas relações internacionais de forma simulada e travestidos dos corpos dos demais atores, e trazem problemas a serem resolvidos em busca de uma ordem mundial.

[4] That is why America will always choose independence and cooperation over global governance, and I honor the right of every nation in this room to pursue its own customs, beliefs and traditions. The United States will not tell you how to live, work, or worship. We only ask that you honor our sovereignty in return”.

[5] America’s policy of principled realism means that we will not be held hostage to old, discredited ideology and experts that have been proven wrong over the years. This is true, not only in matters of peace, but in matters of prosperity”.

[6] I spoke before this body last year and warned that the UN’s Human Rights Council had become a grave embarrassment to this institution. Shielding egregious human rights abusers while bashing America and its many friends. Our ambassador to the United Nations, Nikki Haley, laid out a clear agenda for reform, but despite repeated warnings, no action at all was taken. So the United States took the only responsible course: we withdrew from the Human Rights Council and we will not return until real reform is enacted”.

[7] For similar reasons, the United States will provide no support and recognition for the International Criminal Court. As far as we are concerned the ICC has no legitimacy or authority. The ICC claims near universal jurisdiction over the citizens of every country, violating all principles of justice, fairness and due process. We will never surrender America’s sovereignty to an unelected, unaccountable body. America is governed by Americans. We reject the ideology of globalism and accept the ideology of patriotism”.

[8] The US is committed to making the UN more effective and accountable. I have said many times that the UN has unlimited potential. As part of our reform effort, I have told our negotiators that the United States will not pay more than 25 percent of the UN peacekeeping budget. This will encourage other countries to step up, get involved, and also share in this large burden. We are working to shift more of our funding from assessed contributions to voluntary so that we can target American resources to programs with the best record of success”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

Imagem 2 Bolsa de Valores de Nova York, símbolo do poder econômico dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_dos_Estados_Unidos#/media/File:NYC_NYSE.jpg

Imagem 3 Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Direitos_Humanos_das_Nações_Unidas#/media/File:UN_Geneva_Human_Rights_and_Alliance_of_Civilizations_Room.jpg

Imagem 4 Xi Jinping, Presidente da China, principal potência econômica a defender o multilateralismo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping#/media/File:Prime_Minister_Narendra_Modi_with_Chinese_President_Xi_Jinping_(cropped).jpg

                                                                                             

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Presidente do Brasil viaja para a abertura da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas

O presidente brasileiro Michel Temer viajou ontem, domingo, dia 23 de setembro de 2018, para Nova York, onde participará da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas, quando fará o discurso inaugural no dia 25, terça-feira, pela manhã. A realização da abertura por um brasileiro tornou-se uma tradição, quando, desde 1955, passou a ser feita pelo representante do Brasil, que somente a partir de 1982 teve um Presidente da República, na época João Batista de Figueiredo, fazendo o discurso inaugural, algo que antes era realizado pelo representante do país na entidade, ou pelo Ministro das Relações Exteriores.

Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947

As razões para tal honraria ser dada ao Brasil tem várias explicações, mas não há regra que o defina, sendo apenas um costume que passou a ser respeitado por cortesia que concede ao Estado brasileiro ser o responsável pelo primeiro discurso e dá aos EUA o papel de ser o segundo a discursar, uma vez que é o anfitrião, sendo seguido pelos demais países de acordo com a ordem de precedência de quem discursará, ou seja, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Ministro e representante oficial.

A tradição foi rompida duas vezes, desde 1955, quando o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, abriu a Assembleia em 1983 e 1984. Além disso, se também foi criado o costume de ser um Presidente da República brasileiro a fazer o discurso, este foi quebrado no mandato de Itamar Franco, em 1993, quando quem discursou foi então chanceler Celso Amorim.

Dentre as várias razões para a honraria, as mais aceitas são de que o Brasil passou a ser o responsável por ser um país neutro, além de haver certo respeito pelo trabalho exercido pelo ex-chanceler brasileiro Osvaldo Aranha, que foi o primeiro presidente da primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU e presidente da Segunda Assembleia Geral da ONU, em 1947, um ano conflituoso no Organismo, que culminou com a criação do Estado de Israel, no qual ele teve papel relevante, tanto na votação, quanto na negociação para que o plano fosse votado.

Mas também há explicações menos honrosas, como a apresentada pelo colunista do New York Times, Michael Pollack, feita em 2012, em que declarou, fazendo analogia com um show de Rock: “O astro geralmente tem um show de abertura. A Assembleia Geral é um lugar lotado, com delegados de 193 Estados-membros ainda chegando e procurando seus lugares durante os pronunciamentos iniciais. O discurso do Brasil oferece um modo diplomático de todo mundo se ajeitar para o que costuma ser a atração principal: o presidente dos Estados Unidos

Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York

Independentemente da razão, oscilando da mais a menos glamorosa, estabelecida a honraria que se tornou costume, caberá a Michel Temer fazer o discurso de abertura do dia 25. Não foi divulgado sobre o que falará, mas se acredita que tratará dos temas que têm sido tradicionais ao Brasil: (1) a defesa do multilateralismo; (2) a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (sabendo-se que, antecipadamente, Aloysio Nunes, o Ministro das Relações Exteriores, participará do encontro do G4, grupo composto por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, que detém uma proposta de reforma do Conselho de Segurança da ONU, desejando adquirir Cadeira como Membro Permanente no Conselho) e, (3) certamente, devido a crise que hoje vive a Venezuela, afetando diretamente o Brasil, o problema das migrações, e também já está certo que Aloysio Nunes representará o Brasil no chamado “Road to Marrakesh”, prévia de uma conferência internacional no Marrocos, em dezembro próximo (2018), sobre o assunto Migração.

Conforme tem sido disseminado na mídia, cinco são os temas a serem tratados de forma enfática neste ano (2018) nas Nações Unidas: a Coreia do Norte; a Crise na Venezuela; a Crise na Síria, em especial o problema do possível ataque a Idlib; o Acordo Nuclear do Irã, em particular tratando das ações norte-americanas, tendo sido divulgado, já no início do mês, notícias de que Trump estava aberto a se encontrar com o Presidente do Irã, Hassan Rohani, à margem da Assembleia Geral; e a guerra Civil no Iêmen.

Pelo que foi divulgado, a agenda de Michel Temer tem, hoje, dia 24, um almoço oferecido na Câmara de Comércio dos EUA, e amanhã, terá, além do discurso de abertura, um único encontro bilateral, que será com o Presidente da Colômbia, Ivan Duque, e encontro com Presidentes dos países do Mercosul, uma vez que está prevista reunião entre os líderes sul-americanos e os da União Europeia para tratar dos entraves ao acordo comercial que os dois grupos tentam há 18 anos. Após esta reunião, está previsto o retorno ao Brasil.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/UN_General_Assembly_hall.jpg

Imagem 2 Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/OsvalAranha_preside_a_Assembleia_das_Nações_Unidas.tif

Imagem 3 Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/95/UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg

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Sergey Lavrov e a diplomacia russa

Num Estado soberano, com sua estrutura política organizada e possuidor de instituições que controlam e administram seus desígnios, além da figura propriamente dita do governante máximo desta nação, é de suma importância que exista a posição de um membro do governo responsável pela condução da política externa, segundo as diretrizes estabelecidas, bem como pela coordenação dos serviços diplomáticos e consulares, no intuito de estabelecer e desenvolver contatos pacíficos, visando uma efetiva continuidade das relações harmoniosas, bem como a tentativa de comunicação clara e precisa em seus objetivos para com os outros países do mundo.

Sergey Lavrov

A Federação Russa tem como principal representante diplomático para assuntos internacionais a figura de Sergey Viktorovich Lavrov, que desde março de 2004 vem atuando como Ministro das Relações Exteriores da Rússia, enfrentando uma longa lista de desafios que, nos últimos anos, colocaram sua pessoa à frente dos mais variados assuntos diplomáticos que apresentaram grande repercussão não só dentro das fronteiras do país, como também em diversas partes do mundo.

Descendente de armênios, foi direcionado à carreira diplomática logo depois de sua graduação, em 1972, no Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Asiáticos em Moscou, na Academia de Ciências da Rússia, quando foi recrutado como funcionário interino na embaixada soviética no Sri Lanka. Em sua proeminente carreira diplomática chegou a assumir a posição de representante permanente da Rússia na ONU (Organização das Nações Unidas), onde, durante os dez anos de permanência no cargo, até sua saída em 2004, teve que tratar de assuntos chaves da diplomacia russa sobre os conflitos na extinta Iugoslávia, Iraque, Oriente Médio e Afeganistão, bem como a tratativa do papel da Federação Russa na luta contra o terrorismo mundial.

Desde sua nomeação em 2004 pelo presidente russo Vladimir Putin, tem como principal objetivo defender as boas práticas nas relações internacionais baseadas no “pragmatismo, respeito mútuo e responsabilidade global compartilhada”. Sua atuação diplomática enfrenta hoje uma miríade de acusações ao governo russo, no entanto, deixa claro que seu país não é um “buscador de conflitos”, mas protegerá seus interesses caso necessário. Ultimamente, uma das principais atribuições é lidar com os conflitos com a administração norte-americana, que vem piorando nos últimos dois governos, com relatos de ataques às propriedades diplomáticas russas, algo que, de acordo com sua análise, contradiz a Convenção de Viena e também à própria Constituição dos EUA, além dos princípios da sociedade norte-americana, onde a propriedade privada é sagrada.

Em discurso perante à Conferência de Segurança de Munique, em 2017, Lavrov defendeu uma “ordem mundial pós-Ocidental, na qual, cada país, baseando-se em sua soberania no marco da lei internacional, busque um equilíbrio entre seus próprios interesses nacionais e os interesses nacionais dos parceiros”, com respeito à identidade histórica e cultural de cada um.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sergey Lavrov com jornalistas” (Fonte):

http://www.uznayvse.ru/images/stories2015/uzn_1450944171.jpg

Imagem 2 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg/200px-Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg

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Aumentam as tensões entre EUA e Rússia

Desde o fim da Guerra Fria*, em 1991, a relação entre Estados Unidos e Federação Russa teve altos e baixos, mas, na maioria das vezes, a situação se manteve estável. Entretanto, nos últimos anos esse quadro se agravou, principalmente após a anexação da Crimeia pela Rússia**, em 2014, a acusação dos EUA de ter ocorrido interferência russa nas suas eleições presidenciais de 2016 e o caso do suposto envolvimento russo no envenenamento do seu ex-agente de inteligência, Sergei Skripal, e da filha dele, Yulia, no Reino Unido, em março deste ano (2018).

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018

Após tais acontecimentos, o cenário internacional manteve-se em alerta quanto ao escalonamento das tensões entre essas duas grandes potências mundiais. Em um encontro em Helsinki, em julho (2018), entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, o líder norte-americano afirmou que as relações entre seus países “nunca estiveram piores”. Somado a tudo, tem-se que a União Europeia e os EUA vêm adotando cada vez mais medidas que afetam a diplomacia e a economia russa.

A última decisão tomada foi a anunciada no dia 10 de agosto (2018) pelo Departamento de Estado dos EUA. Neste comunicado divulgou-se um novo pacote de sanções anti-Rússia, que será aplicado no dia 22 de agosto, em resposta ao suposto envenenamento da família Skripal. As medidas anunciadas vão afetar vários itens de exportação importantes à economia russa e o país terá 90 dias para provar que não possui armas químicas e biológicas e que nem as utilizará no futuro. Caso isso não ocorra, um novo pacote será imposto pelos EUA, o qual será muito mais rigoroso.

O Kremlin se pronunciou diante dessa situação afirmando que o país está de acordo com a Convenção sobre Armas Químicas***, tendo destruído seu arsenal, em 2017, sob a supervisão da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Portanto, a postura norte-americana, segundo Moscou, é desrespeitosa à integridade e autoridade desse órgão. Além disso, afirmou: “Nós consideramos as acusações de cumplicidade no incidente de Salisbury, apresentadas contra a Rússia, infundadas e apenas mais uma tentativa de criar uma impressão de que nosso país assume uma atitude irresponsável em relação ao cumprimento dos compromissos internacionais”. E afirmou também: “os Estados Unidos demonstraram mais de uma vez sua atitude desdenhosa em relação ao sistema de direito internacional e o desejo de usar os mecanismos de controle de armas multilaterais existentes para fazer avançar sua própria agenda política”.

A partir desse cenário, torna-se evidente a deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. Há, ainda, a possibilidade de se chegar a uma “guerra econômica”, como dito pelo Primeiro-Ministro da Federação Russa, Dmitry Medvedev. O ambiente internacional, portanto, torna-se mais imprevisível, tanto que algumas fontes internacionais afirmam até que a Marinha norte-americana vem se preparando para uma possível guerra contra a Rússia no Atlântico Norte. Tais hipóteses de conflito e de batalhas estão no planejamento estratégico de ambos os atores e ocorrem treinamentos corriqueiros para tanto, no entanto, a forma de apresentação e desenvolvimento dos exercícios podem aumentar as tensões, transbordar o campo diplomático e transformar estes preparos em algo mais sério para toda a comunidade internacional.

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Notas:

* A Guerra Fria foi um embate ideológico entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA) durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

*** A Convenção sobre Armas Químicas é um acordo que proíbe a produção, o armazenamento e o uso de armas químicas. Ao todo, 189 Estados fazem parte deste Tratado, apenas cinco países não concordaram e não o assinaram, é o caso de Angola, Coreia do Norte, Egito, Sudão do Sul e Síria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Praça Vermelha em Moscou com o Museu de História Nacional e o Kremlin, complexo fortificado que serve como a residência oficial do Presidente da Federação Russa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/Russie_-_Moscou_-_place_rouge_mus%C3%A9e_histoire_%26_kremlin.jpg

Imagem 2O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg/1024px-Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg