AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pentágono admite envio de amostras vivas de Antraz

O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) confirmou na última quarta-feira, 3 de junho, que enviou amostras de antraz vivo para Austrália, Canadá, Coreia do Sul e para cerca de 51 laboratórios dentro de 17 estados norte-americanos: Califórnia, Delaware, Maryland, Massachusetts, Nova Jersey, Nova York, Tennessee, Texas, Utah, Virgínia, Washington, Wisconsin, Arizona, Flórida, Illinois, Ohio, Carolina do Norte e ainda para capital do país. Na ocasião, o Departamento de Defesa dos EUA declarou que não há indícios de que o envio das amostras ocorreu de forma deliberada[1]. O Pentágono ainda afirmou que não havia suspeitas de infecção nem risco para a população, mas que algumas precisaram atender as medidas preventivas, que incluíam a combinação de vacina antiantraz e antibióticos, nos Estados Unidos e na Base Aérea de Osan, na Coreia do Sul[2].

De acordo com comunicado do Pentágono, as únicas amostras de antraz vivo confirmadas eram procedentes de Dugway Proving Ground, uma base militar do Exército norte-americano, localizada em Utah. Ao longo da semana passada, o Pentágono ressaltou que as amostras de antraz haviam sido enviadas a laboratórios de 12 Estados norte-americanos, assim como naqueles três países ainda em 2006[3]. No ano passado (2014), o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, sigla em inglês) manuseou mal amostras de antraz num caso semelhante[4]. Logo, esses incidentes levantam diversas preocupações sobre como o Governo norte-americano gerencia a bactéria e outros agentes patogênicos perigosos.

O antraz é causado pela bactéria tóxica Bacillus Anthracis que pode ser encontrada em animais de criação como rebanho bovino, ovelhas, cabras e também na criação de porcos. Nos seres humanos o contágio pode ocorrer de várias maneiras: via aérea (inalação de esporos no ar), via intestinal (consumo de carne contaminada), via cutânea (contato da bactéria com cortes ou arranhões)[5]. Essa bactéria provoca uma doença infecciosa grave e está listada entre os serviços de inteligência como uma provável arma biológica, em posse de alguns grupos terroristas.

Em 1979, a liberação acidental de esporos da bactéria em um laboratório de pesquisas militares da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) provocou a morte de 68 pessoas[6]. Posteriormente, em 1995, essa bactéria foi usada pelo grupo japonês Aum Shinri Kyo, que provocou a morte de 12 pessoas em um atentado usando gás Sarin, no metro de Tóquio, que fracassou em pelo menos seis tentativas de infectar o sistema com antraz[7]. Na ocasião não se achou nenhum registro de doença em decorrência dos ataques. Em 2001, logo após os Atentados de 11 de Setembro, cinco pessoas morreram depois do contato com a bactéria que foi enviada pelo correio para órgãos governamentais e também para a imprensa[8].

Naquela ocasião, um grande debate girou em torno do Antraz e das medidas para pesquisa de vacinas e também de segurança, sobretudo porque que os serviços de inteligência pontuavam que o cultivo de grandes quantidades de esporos de antraz, por mais complexo que fosse, poderia ser desenvolvido por diversos países e também por grupos terroristas. Segundo declarou Kenneth Alibek, cientista de armas biológicas da antiga União Soviética, logo após a crise do antraz em 2001, “algumas pessoas dizem que é difícil produzir o antraz. Na minha opinião, se você tiver conhecimento básico de microbiologia e biotecnologia, não é difícil[9]. No entanto, alguns especialistas acreditam que a produção em larga escala está aquém das capacidades de indivíduos e pequenos grupos, pois seria necessário o acesso a laboratórios de biotecnologia relativamente sofisticados, além de uma fonte original da bactéria para dar início ao cultivo[10].

Em vista dos recentes acontecimentos, Ash Carter, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, afirmou que está acompanhando de perto os eventos relacionados à descoberta do envio de amostras acidental de antraz vivo[11]. De acordo com algumas autoridades, parece que os erros no envio das amostras iniciaram entre 2005 e 2006, mas o Pentágono apenas tomou conhecimento de tais eventos em 22 de maio de 2015, quando um laboratório comercial de Maryland, nos Estados Unidos, alertou que recebeu amostras vivas de antraz[12].

Conforme relatou Franca Jones, Comandante da Marinha e Diretor de Programas Médicos do Pentágono para a Defesa Química e Biológica, 19 dos 51 laboratórios que receberam supostamente antraz vivo apresentaram suas amostras ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças para que fossem realizados testes. Até então, das nove amostras totalmente testadas, todas provaram conter antraz vivo[13].

Em decorrência disso, o Governo dos Estados Unidos ordenou uma ampla revisão das práticas destinadas a tornar a bactéria inativa. Segundo Jason McDonald, do Centro de Controle de Doenças e Prevenção, uma investigação por parte do CDC já está sendo realizada. Além disso, McDonald assinalou que os pacientes já estavam sendo observados e que corriam riscos mínimos[14].

De acordo com Ash Carter, o Governo está trabalhando para que esse erro não ocorra mais e destacou que “esse foi, obviamente, um incidente infeliz[15]. De qualquer forma, conforme ressaltou coronel Steve Warren, PortaVoz do Pentágono, o Departamento de Defesa dos EUA parou de enviar esse material a partir dos laboratórios até que a investigação seja concluída[16].

Warren afirmou ainda que o Pentágono está proibido de divulgar os nomes dos laboratórios que receberam as amostras, mas ressalvou que o Governo norteamericano irá adotar medidas para punir os responsáveis, assim que o CDC concluir suas investigações[17]. Por fim, como mencionado anteriormente, esses incidentes levantam diversas questões na sociedade acerca das  práticas, particularmente em termos de segurança, adotadas pelo Governo norteamericano e outros governos na manipulação e gerência dessa bactéria, assim como de outros agentes patogênicos perigosos.

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Imagem (Fonte):

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3109608/Officials-Dozens-labs-received-potentially-live-anthrax.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0OJ2KF20150603

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/may/29/pentagon-anthrax-australia-2008

[3] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0OJ2KF20150603

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://www.fiocruz.br/bibmang/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=85&sid=106

[6] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/011015_antrazfrio.shtml

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://www.dw.de/pentagon-admits-dozens-more-labs-sent-potentially-live-anthrax/a-18495536

[9] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/011015_antrazfrio.shtml

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0OG0R020150531

[12] Ver:

http://www.theguardian.com/us-news/2015/jun/03/pentagon-live-anthrax-us-laboratories

[13] Ver:

Idem.

[14] Ver:

http://www.dw.de/militares-dos-eua-enviam-por-engano-amostras-vivas-de-antraz/a-18480462

[15] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0OG0R020150531  

[16] Ver:

http://noticias.terra.com.br/militares-dos-eua-enviam-por-engano-amostras-vivas-de-antraz,23d4adec0151e4d53442fad4d481926cl0okRCRD.html

[17] Ver:

http://www.theguardian.com/us-news/2015/jun/03/pentagon-live-anthrax-us-laboratories

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A nova rota da seda como prefácio de reestruturação da ordem mundial

A nova rota da seda, termo utilizado pela literatura geopolítica para classificar um novo nível de parceria estratégica, traz à tona uma reflexão sobre a possibilidade desse modelo reestruturar a ordem internacional, tal como é conhecida desde o início do século XX.

A analogia com a antiga rota da seda, originada com a expansão para o Oeste da Dinastia Han, da China, criou conexões comerciais no que são hoje países da Ásia Central, Quirguistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Afeganistão, Paquistão, chegando até a Índia, ao sul. Para alguns historiadores, a Ásia Central foi o epicentro da globalização, conectando mercados no Oriente e Ocidente, estimulando riquezas, promovendo misturas culturais e religiosas. Nesse sentido, o intercâmbio propiciado gerava trocas comerciais valiosas, seda, especiarias e outras mercadorias rumavam para o oeste, enquanto a China recebia ouro, metais preciosos, marfim e produtos a base de vidro.

New Silk Roats

New Silk Roats

Para os atuais dias, o conceito de New Silk Road (Nova Rota da Seda) vincula não apenas um entrelaçado de iniciativas de integração econômica e comercial da Ásia Central à Europa, mas um complexo entendimento de como as relações internacionais, principalmente entre Estados Unidos e China, por razões distintas podem mudar os rumos da condução política internacional.

Em meados de 2011, Washington lançou visão abrangente sobre um novo modelo de integração econômica asiática, um modelo de política externa de viés econômico, cujo enfoque era diminuir sua influência no Oriente Médio e projetar seus interesses para regiões mais prósperas de comércio, e, por conseguinte, a Ásia, pela estabilidade e pela pujança econômica, passou a ser foco dos interesses norte-americanos, até como parte de um modelo sustentável para preservar o status de superpotência mundial, fragilizado após a crise financeira de 2008.

Entretanto, no outro lado da balança de poder está a China, que, na figura do presidente Xi Jinping, no ano de 2013, foi mais assertivo na articulação de uma interpretação própria da Nova Rota da Seda, liderada pela China, e que tinha o propósito de agilizar o comércio exterior, assegurar o abastecimento de energia, promover o desenvolvimento da infraestrutura asiática e consolidar a influência regional, projetando o poder de Beijing sobre seus pares regionais.

Essa potencial nova vertente de reconfiguração das disposições geopolíticas e comerciais é interpretado como colisão, sobretudo entre norteamericanos e chineses, com planos destacadamente antagônicos para desenvolvimento de matrizes energéticas na Ásia Central, na criação de infraestrutura no Paquistão e no envolvimento político com os governos locais de outras áreas na Eurásia.

Embora tais projetos tenham o potencial para remodelar uma das áreas menos integradas do atual sistema internacional, o capital político e os investimentos econômicos a serem feitos devem ser calculados com base na possibilidade de enfrentamento de rivalidades locais, obstáculos logísticos, além do risco em segurança e incertezas políticas.

Os Estados Unidos tem como iniciativa para o centro da Ásia a proposta do Gasoduto TurcomenistãoAfeganistãoPaquistãoÍndia (TAPI, na sigla em inglês) vislumbrando dividendos para o Afeganistão, ainda foco da política externa da Casa Branca, e, como o Turcomenistão é o segundo maior depositário de reservas de gás natural do mundo, a diversificação das suas exportações através do TAPI lhe permitiria integração com a Índia e o Paquistão e não apenas com a China. Diminuir a influência econômica de Beijing é o grande fator da estratégia dessa integração.

A explícita batalha diplomática, política e econômica entre Orientais e Ocidentais sobre os rumos da Nova Rota da Seda fez com que a China em 2014 concluísse investimento na ordem de US$ 30 bilhões com o Cazaquistão, US$ 15 bilhões com o Uzbequistão e US$ 3 bilhões com o Quirguistão, bem como financiamento de US$ 1,4 bilhão na reforma do porto de Colombo, capital do Sri Lanka, além de anunciar criação de um fundo, o Fundo da Estrada da Seda (Silk Road Fund), na ordem de US$ 40 bilhões.

A estratégia é um esforço de duas pontas. A primeira centra-se no desenvolvimento da infraestrutura terrestre da Ásia Central e a segunda na expansão das rotas de transporte marítimo, usando o Oceano Índico e o Golfo Pérsico como corredor da Rota Marítima da Seda.

Dentro da ótica chinesa de projeção hegemônica, a congruência política com a Rússia é um fator a mais para consolidar as estratégias de integração, não apenas nos aspectos energéticos, mas na esfera da Defesa, investimento, finanças e alta tecnologia. No âmbito da Cooperação RússiaChina (Organização de Cooperação de Shanghai SCO, na sigla em inglês) o alcance da parceria ganha uma proporção mais ampla, a julgar pela Iniciativa de Transporte Euroasiática, uma estrada de ferro de alta velocidade transiberiana, conectando Moscou e Pequim a todo o resto do bloco em 48 horas.

Enquanto isso, para o novo Secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, que descreve a região da Nova Rota da Seda como “esta parte do mundo”, a medida mais plausível de reequilíbrio de forças, seguindo a cartilha do conceito de realismo de Hans Morgenthau no livro a “A Política entre Nações”, é implantar novas armas, Sistemas de Defesa Antimísseis (THAAD), bombardeiros invisíveis e unidades cibernéticas de guerra, medidas provavelmente pouco eficientes diante do surgimento da cooperação econômica eurasiana.

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Imagem 1 (Fonte):

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01552/silk_1552089c.jpg

Imagem 2 (Fonte):

http://si.wsj.net/public/resources/images/P1-BR865_CAPEC_16U_20141107194517.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://sputniknews.com/columnists/20150410/1020714196.html

Ver:

http://www.cfr.org/asia-and-pacific/building-new-silk-road/p36573

Ver:

http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2015/06/the-blame-trap/392081/

Ver:

http://www.cfr.org/russian-federation/russia-ukraine-us-policy/p36485

Ver:

http://blogs.cfr.org/davidson/2015/05/27/five-takeaways-from-chinas-bold-new-military-strategy/

Ver:

https://csis.org/publication/us-trainers-ukraine

Ver:

http://revistafal.com/el-banco-brics-por-una-globalizacion-con-menos-desigualdades-2/

Ver:

http://revistafal.com/nuevo-orden-mundial/

Ver:

http://www.ess.uci.edu/~oliver/silk.html#3

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Senado norte-americano rejeita aprovação do USA Freedom Act

O Senado dos Estados Unidos da América (EUA) adiou os planos de Barack Obama, Presidente NorteAmericano, para aprovação da USA Freedom Act (Lei pela Liberdade nos EUA), que regula a coleta de dados maciços dos seus cidadãos pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). Na votação realizada na última sexta-feira, 22 de maio, o projeto recebeu 57 votos dos 60 necessários para a aprovação da proposta[1].

Na semana anterior, ela havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes com a maioria dos votos. Tanto os Deputados republicanos quanto democratas defenderam o projeto como melhor forma de proibir a coleta massiva de dados de cidadãos norte-americanos sem impedir completamente as agências de inteligência de monitorarem possíveis ameaças[2].

Cabe lembrar que, em 2013, Edward Snowden revelou que o Governo norte-americano utiliza um programa de escutas e obtenção maciça de dados sem consentimento das pessoas, além da espionagem de entidades e dirigentes políticos de países como Alemanha e Brasil[3]. Na época, Snowden foi acusado de divulgar informações consideradas segredos de Estado, chegando a se refugiar na Rússia. Desde então vem crescendo o debate na sociedade norteamericana acerca da legitimidade ou não desses programas de monitoramento.

Assim, o projeto USA Freedom Act propõe que a NSA não poderá mais armazenar dados de ligações telefônicas e, assim, a tarefa ficará sob a responsabilidade das operadoras particulares[4]. Dessa forma, o Projeto de Lei visa limitar os poderes de vigilância em massa criados pela Patriot Act  (Lei Patriota), em resposta aos atentados de 11 de Setembro de 2001, que permite a ampla coleta de dados aos serviços de inteligência na luta contra o Terrorismo. A Cláusula 215 do Patriot Act tem sido regularmente usada pela NSA para sustentar suas atividades de espionagem[5].

A Lei de Liberdade dos Estados Unidos também propõe que a Agência de Segurança Nacional deverá obter um mandado de um Tribunal Especial na Corte de Inteligência e Vigilância Externa para cada caso individualmente[6]. Entretanto, o Projeto não aborda nenhuma limitação das atividades de vigilância da NSA no exterior.

No início do mês, uma Corte de Apelação dos Estados Unidos considerou ilegal o programa de vigilância generalizada das comunicações feita pela Agência de Segurança Nacional. A decisão da Corte foi uma resposta a uma ação judicial apresenta pela ONG União Americana pelas Liberdades Civis, em dezembro de 2013[7]. Naquele momento, Sherif ElsayedAli, vicediretor de Questões Globais da Anistia Internacional, afirmou que “por quase dois anos, desde as revelações de Snowden, o governo dos EUA afirmou que a coleta em massa de registros telefônicos é legítima. A decisão de ontem é um sinal de que o caso de programas de vigilância em massa está desmoronando[8].

Os políticos contrários ao projeto argumentam que a Lei de Liberdade poderá prejudicar o país na luta contra grupos terroristas e na atual luta contra o avanço do Estado Islâmico[9]. Nesse sentido, Mitch McConnell, Líder Republicano no Senado, aponta que a coleta de dados feita pela NSA pode ser importante para a segurança nacional, uma vez que, segundo ele, é preciso “reconhecer que as táticas terroristas e a natureza da ameaça mudaram, e que em um momento de elevada ameaça seria um erro tomar de nossa comunidade de inteligência qualquer das valiosas ferramentas necessárias para construir uma imagem completa das redes terroristas[10].

Já outras lideranças destacam que a proposta é essencial para garantia da democracia. Nesse âmbito, David Segal, do Demand Progress, argumenta que “aqueles que controlam os aparelhos de vigilância do governo se envolveram em abusos covardes de poderes de espionagem, que já eram excessivamente altos, e que não fazem nada para reduzir a ameaça do terrorismo, mas representam ameaças contínuas à privacidade, à liberdade e governabilidade democrática[11]. Nesse sentido, Ron Wyden, Senador democrata, afirma que espera “que isso irá incitar o Congresso a abolir o programa que intercepta estes milhões e milhões de telefonemas dos cidadãos americanos comuns[12]. Por fim, há também os céticos quanto aos resultados positivos da Lei, pois acreditam que mesmo com a reforma, essa não será suficiente para restringir as atividades e o aparato da Agência de Segurança Nacional.

Tendo em vista que a Lei Patriótica expira em 1º de junho e sem uma legislação substituta, a NSA pode ficar sem respaldo para seus programas de coleta de dados. Assim, o Senado norte-americano encontra-se sob forte pressão para a votação de uma proposta emergencial que deverá ser acordada no próximo dia 31 de maio[13]. Segundo declarações de Josh Earnest, PortaVoz da Casa Branca, “estas são autorizações sobre as quais o Congresso deve legislar e são de suma importância para assegurar a proteção básica do povo americano, e que as liberdades civis básicas do povo americano estejam protegidas[14].

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Imagem (Fonte):

http://www.digitaltrends.com/computing/senate-blocks-usa-freedom-act-on-data-collection-reform/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/24/us/politics/senate-nsa-surveillance.html

[2] Ver:

http://www.businessinsider.com/afp-senate-blocks-bill-that-would-end-us-bulk-data-dragnet-2015-5

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/entenda-o-caso-de-edward-snowden-que-revelou-espionagem-dos-eua.html

[4] Ver:

http://www.dw.de/senado-americano-rejeita-reforma-da-nsa/a-18472024

[5] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150508/966800.html

[6] Ver:

http://www.dw.de/senado-americano-rejeita-reforma-da-nsa/a-18472024

[7] Ver:

http://www.dw.de/tribunal-declara-ilegal-coleta-de-dados-telef%C3%B4nicos-pela-nsa/a-18437378

[8] Ver:

https://anistia.org.br/noticias/tribunal-dos-eua-decide-que-vigilancia-em-massa-da-nsa-e-ilegal/

[9] Ver:

http://www.dw.de/senado-americano-rejeita-reforma-da-nsa/a-18472024

[10] Ver:

http://www.mcclatchydc.com/2015/05/23/267668/senate-paralyzed-on-patriot-act.html

[11] Ver:

http://www.theguardian.com/us-news/2015/may/23/nsa-bulk-phone-records-collection-usa-freedom-act-senate

[12] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150508/966800.html

[13] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/24/us/politics/senate-nsa-surveillance.html

[14] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/revisao-de-programa-de-espionagem-trava-no-senado-dos-eua-16242812

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório do FBI revela aumento do número de policiais mortos nos Estados Unidos

Recentemente, o Federal Bureau of Investigation (FBI) divulgou um relatório que aponta o aumento em 2014 de 89% no número de policiais mortos em serviço nos Estados Unidos da América (EUA)[1].

Esses dados foram divulgados no momento em que o país vive fortes preocupações internas devido às ondas de tensões raciais por conta da violência policial contra a população negra.

Os dados do FBI indicam que 51 policiais morreram em 2014, dos quais mais de 46 perderam suas vidas em incidentes que envolviam armas de fogo. Além desses, 4 foram atropelados propositadamente e um perdeu a vida durante uma briga. Esses números apresentam um forte contraste quando comparados ao ano de 2013, quando apenas 27 policiais foram mortos em serviço[2]. Apesar do aumento do número de vítimas fatais em 2014, os números ainda estão abaixo da média. Segundo os dados do FBI, entre 1981 e 2014 a média tem ficado em torno de 64 policiais mortos no cumprimento do dever[3].

A recente onda de vítimas em serviço retrata a violência inerente dessa profissão, mas também serve como um contador para protestos em curso que pedem o fim da violência policial contra os cidadãos desarmados, sobretudo jovens negros. Logo, o relatório apresentado pelo FBI ocorre justamente num momento de aprofundamento da desconfiança da sociedade civil quanto à aplicação da lei, em razão de uma série de falecimentos relacionados a mortes de afro-americanos, que, por sua vez, tem provocado protestos violentos em todo o país.

O problema da violência policial em relação a negros nos Estados Unidos vem chamando atenção do mundo. No ano passado, na cidade de Ferguson, localizada no Estado de Missouri, iniciou-se uma manifestação que deu origem a um protesto de nível nacional. Os moradores de Ferguson protestavam contra o homicídio a tiro de um jovem negro chamado Michael Brown que, desarmado, foi morto pelo policial branco Darren Wilson após uma tentativa de assalto. Já esse ano (2015), a morte violenta de Freddie Gray, em Baltimore, no Estado de Maryland, devido ao uso excessivo de força física por parte da polícia, deu origem a uma nova onda de manifestações[4]. Alguns grupos de manifestantes protestaram nos Estados Unidos pedindo um Relatório de Violência Policial. De acordo com esse grupo, 31 pessoas negras morreram pela polícia em abril, uma a cada 23 horas, sendo que 13 dessas estavam desarmados[5].

Assim, enquanto o FBI mantém um registro bastante meticuloso a respeito do número e causas dessas mortes, o volume de vítimas pela polícia é em grande parte desconhecido[6]. Isso porque os departamentos policiais dos EUA não precisam apresentar relatórios ao Governo Federal sobre quantas pessoas foram vitimadas em confrontos com a polícia. Em vez disso, os departamentos tem a opção de auto-relato. Em 2012, apenas cerca de 4% dos 17.000 departamentos policiais apresentaram auto-relatos do número de homicídios ocorridos para o FBI[7].

Nesse sentido, algumas instituições e analistas assinalam a falta de dados e clareza dos números divulgados pelo FBI quanto às mortes provocadas por policiais. Para Alba Morales, do Human Rights Watch, “o uso de força excessiva pela polícia era uma parte importante da UPR (universal periodic review) deste ano, e o fato de que nós ainda não temos um retrato nacional confiável de saber quantas pessoas são mortas pela polícia ou o que a divisão racial representa para aquelas pessoas é uma farsa[8]. Morales reforçou que “uma nação tão avançada quanto os EUA deveria ser capaz de reunir esse número[9]. Em março, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, chegou a reconhecer que, no presente, nem o Governo, nem a Sociedade Civil contam com um bom senso sobre o resultado dos confrontos, bem como o número de mortes provocadas por esses conflitos[10].

Esse cenário tem aprofundado o debate acerca da violência policial e também sobre o racismo no país. De acordo com a Officer Down Memorial, que acompanha o número de policiais falecidos, entre janeiro e maio de 2015 ocorreram 47 mortes de policiais nos Estados Unidos, sendo que desse número, 14 foram provocadas por armas de fogo[11]. A maioria dos oficiais mortos foram no sul do país. Segundo reconheceu James Comey, Diretor do FBI, a relação entre as forças de segurança e as comunidades americanas é particularmente difícil, mas afirmou ainda que é preciso acabar com as divisões e prestar homenagem aos policias que se sacrificaram tentando garantir a segurança dos cidadãos[13].

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Imagem (Fonte):

http://www.washingtontimes.com/news/2015/may/11/police-officer-slayings-surged-89-percent-2014-fbi/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/05/11/us-usa-police-casualties-idUSKBN0NW1T020150511  

[2] Ver:

http://www.dw.de/fbi-report-number-of-police-killed-nearly-doubled-in-2014/a-18444893

[3] Ver:

Idem.

[4] Ver:

http://br.sputniknews.com/sociedade/20150506/942141.html

[5] Ver:

http://www.msnbc.com/msnbc/fbi-number-cops-killed-duty-has-spiked

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://america.aljazeera.com/articles/2015/5/11/us-faces-scathing-un-review-on-human-rights-record.html

[9] Ver:

Idem.

[10] Ver:

http://www.theguardian.com/us-news/2015/mar/04/police-killed-people-fbi-data-justifiable-homicides

[11] Ver:

https://www.odmp.org/

[12] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150511/988159.html  

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA prometem defender países do Conselho de Cooperação do Golfo contra possíveis ataques externos

Na última quinta-feira, 14 de maio, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), reuniu-se em Camp David com algumas lideranças do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), seus tradicionais aliados no Golfo Pérsico, a fim de tranquilizá-los quanto a sua reaproximação com o Irã e o Acordo Nuclear Iraniano, comprometendo-se a ajudá-los e defendê-los no caso de possíveis ameaças externas como ataques de mísseis, ataques marítimos ou ciberataques provenientes do Irã[1]. Dentre as lideranças presentes estavam os Chefes de Estado dos Emirados do Catar e do Kuwait, e representantes políticos da Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã.

Analistas apontam que o fato de os Chefes de Estado da Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã cancelarem sua participação na reunião retrata a desconfiança que sentem quanto às intenções iranianas e ainda no Governo Obama[2]. Apesar disso, de acordo com comunicado emitido pela Casa Branca, o presidente Obama e as lideranças do CCG reuniram-se com o intuito de reafirmar e aprofundar sua parceria, estabelecer prioridades, enfrentar ameaças comuns e trabalhar para minimizar a escalada das crises regionais e prestar assistência humanitária aos necessitados[3].

Adicionalmente, a Casa Branca reiterou que os Estados Unidos vêm trabalhando com seus parceiros do CCG ao longo das últimas seis décadas em torno de diversos assuntos de interesse comum, tais como: enfrentamento e dissuasão da agressão externa contra aliados e parceiros, desmantelamento de redes terroristas que ameaçam a segurança de seus povos, inibição do desenvolvimento ou utilização de armas de destruição em massa, a liberdade de navegação em águas internacionais, o fluxo livre do comércio de energia[4]. Esses dois últimos aspectos dizem respeito sobretudo ao livre trânsito sobre o Estreito de Ormuz, haja vista que o Golfo Pérsico é uma via marítima sem saída, dessa forma, o Estreito é uma ligação estratégica para os campos de petróleo e para os mercados consumidores.

Além da pauta acerca das diferenças sobre a política dos EUA com relação ao Irã, a Cúpula teve como pauta a Guerra Civil na Síria e os levantes da Primavera Árabe. Em vista disso, a Cúpula decidiu promover medidas para melhorar a cooperação entre os Estados Unidos e os países do CCG. Nesse aspecto, segundo afirmou Barack Obama, os EUA e seus parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo já cooperam fortemente, combatendo grupos terroristas como a Al Qaeda e agora também o Estado Islâmico[5].

Tendo em vista, que as negociações em torno do Acordo Nuclear com o Irã tem prazo final no dia 30 do próximo mês, o Governo norteamericano procurou ressaltar durante a Cúpula que o Acordo pode ser um instrumento de auxílio para dar maior estabilidade e segurança ao Golfo, uma vez que impediria o Irã de criar uma arma nuclear pelos próximos 10 ou 15 anos[6]. Assim, participaram da reunião também John Kerry, Secretário de Estado NorteAmericano, e Ernest J. Moniz, Secretário de Energia dos EUA, que estão atuando ativamente nas negociações com o Irã.

A fim de acalmar os temores dos países do Golfo quanto ao Acordo Nuclear Iraniano e a suspensão de sanções internacionais contra o Irã, Obama assinalou o “compromisso férreo com a segurança dos nossos parceiros do Golfo[7], reforçando que os Estados Unidos irão ficar ao lado dos seus parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo contra ataques externos[8].

Assim, ao final da Cúpula, os líderes emitiram um comunicado conjunto declarando que em caso de agressão, o Governo norteamericano estará pronto a trabalhar em conjunto com os Estados árabes para “determinar urgentemente que tipo de ação será apropriado usando os meios na sua disposição coletiva, inclusive o uso potencial da força militar para defender os nossos parceiros do CCG[9].

Apesar dos países do CCG esperarem um acordo mais formal, o Presidente norteamericano comprometeu-se apenas, em anúncio, com algumas medidas para cooperar na área de luta contra o terrorismo, segurança marítima, cibersegurança e sistema de defesa contra mísseis balísticos. Alguns analistas apontam que não é possível os Estados Unidos estabelecerem um acordo na atual conjuntura com países do CCG, com o mesmo empenho que faz com o Japão e a Coreia do Sul, ou ainda como faz com auxílio aos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas que o fornecimento de equipamentos militares e treinamentos parece ser bem mais simples[10]. Nesse sentido, conforme declarou Ben Rhodes, ConselheiroChefe de Segurança para a Comunicação Estratégica dos EUA, “um tratado não é algo que nós buscamos. Levou décadas para criar a OTAN e construir relações com os aliados asiáticos, mas podemos proporcionar garantias claras de que iremos defendê-los [países do Golfo]”[11].

Em resposta às declarações feitas pelo presidente Obama de apoio aos países do CCG, o aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo do Irã, questionou “qual é o interesse dos EUA?[12]. Para Khamenei, “os EUA estão atrás de seus próprios interesses e farão com que a região fique insegura. Nós somos vizinhos: a segurança do Golfo Pérsico é do nosso interesse. Se ele for seguro, nós nos beneficiamos. Se não for seguro, ele será inseguro a todos[13]. Por fim, a Casa Branca declarou que os líderes reconheceram seu compromisso mútuo para fortalecer e estreitar as relações em diversos setores, incluindo defesa e cooperação em segurança, construindo assim uma parceria estratégica com a finalidade de desenvolver abordagens coletivas para os problemas regionais e, desse modo, alcançar o interesse comum: a estabilidade e a prosperidade regional[14].

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Imagem (Fonte):

http://abcnews.go.com/Politics/president-obama-touts-gulf-alliance-differences-iran/story?id=31057692

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/15/world/middleeast/obama-saudi-arabia-iran-persian-gulf-security.html

[2] Ver:

http://www.dw.de/cresce-desconfian%C3%A7a-de-aliados-do-golfo-perante-obama/a-18448514

[3] Ver:

https://www.whitehouse.gov/the-press-office/2015/05/14/annex-us-gulf-cooperation-council-camp-david-joint-statement

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

Idem.

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/15/world/middleeast/obama-saudi-arabia-iran-persian-gulf-security.html

[7] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0NZ2K620150515

[8] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/05/obama-holds-security-talks-gulf-arab-leaders-150514170745879.html

[9] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150515/1029974.html

[10] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/15/world/middleeast/obama-saudi-arabia-iran-persian-gulf-security.html

[11] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150515/1029974.html

[12] Ver:

http://www.dw.de/l%C3%ADder-supremo-do-ir%C3%A3-acusa-eua-de-tornarem-o-golfo-p%C3%A9rsico-inseguro/a-18454508

[13] Ver:

Idem.

[14] Ver:

https://www.whitehouse.gov/the-press-office/2015/05/14/annex-us-gulf-cooperation-council-camp-david-joint-statement

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e EUA: as disputas territoriais, políticas, econômicas e diplomáticas

A viagem do secretário de estado norteamericano John Kerry à China no último final de semana tinha como objetivo preparar para o tradicional encontro anual, conhecido como Diálogo Estratégico e Econômico EUAChina, marcado para junho em Washington, e também para preparar a visita de Estado do presidente Xi Jinping, agendada para setembro na capital federal estadunidense. Todavia, a crescente tensão sobre questões territoriais envoltas principalmente sobre a projeção chinesa no Mar do Sul da China e a inquietante rivalidade estratégica que domina a geopolítica para a Ásia diminuiu o ímpeto de cooperação que o diálogo entre as partes poderia produzir.

Diante de um quadro contencioso à luz de questões de Direito Internacional entre as duas principais potências políticas e econômicas do vigente sistema, a visita de dois dias do secretário Kerry ficou destacada pelas preocupações com a segurança regional e pelas mensagens diplomáticas precisas, na tentativa de discorrer sobre o tema de maneira assertiva, mas sem causar uma escalada maior das tensões.

Embora esse quadrante geopolítico envolvendo Washington e Beijing e a faixa de 3,5 milhões de quilômetros quadrados do Mar da China Meridional reivindicada também por Filipinas, Taiwan, Malásia, Brunei e Vietnã sejam situações de extrema complexidade no que tange questões políticas, econômicas, militares, territoriais, jurídicas e principalmente de projeção de força e poder regional, o grande desafio para as duas potências é equilibrar a conjuntura de potenciais “guerras-frias” com pressupostos econômicos e comerciais, rumando para a estabilidade e prosperidade na Ásia em longo prazo. Uma política de enfrentamento produziria um efeito de “soma zero”, pois uma tentativa de polarizar a região minaria os objetivos de paz e desenvolvimento.

Para especialistas em política internacional, nos últimos três anos, a mentalidade de enfrentamento aprofundou, com os Estados Unidos projetando maior inserção na Ásia, através de um modelo de política externa intitulada “Pivot para Ásia”, cujas ferramentas lhe dariam melhores resultados comerciais e econômicos em comparação aos alcançados em anos de cooperação com o Médio Oriente.

Já os chineses, por sua vez, aumentaram seus investimentos militares e projetam poder além-mar, construindo ilhas artificiais e usando mecanismos de Direito Internacional, à luz de interpretações favoráveis sobre Zona Econômica Exclusiva (ZEE), Mar Territorial e Plataforma Continental que beneficiam suas ingerências territoriais, além de estarem estruturando uma alternativa ao sistema financeiro internacional, como é o Banco Asiático de Investimento, para rivalizar e produzir novos mecanismos de ordenamento internacional que privilegiem suas ações na comunidade internacional.

A linguagem divergente produzida pelos dois governos fica clara quando o presidente Xi Jinping passa a mensagem de uma “Ásia para os asiáticos” e o desejo de arquitetar uma nova cultura de segurança regional sem as premissas de herança da Guerra Fria. Por outro lado, o presidente Barack Obama critica Beijing por estabelecer uma Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ, na sigla em inglês) no Mar da China Oriental. Essa produção de retóricas, segundo fontes pesquisadas, produz uma linha de pouco interesse em cooperação, mas de muita projeção de poder.

Para o exprimeiroministro australiano Kevin Rudd que confeccionou um relatório discorrendo sobre a relação EUAChina, uma das opções levantadas coloca bases estáveis em longo prazo que consistiria em um modelo alternativo de equilíbrio regional, ou seja, ao invés de tentar equilibrar a China, pela ótica de interesses norte-americanos, Washington deveria criar esforços para trabalhar em conjunto com os chineses, criando uma visão comum da região ÁsiaPacífico, baseada em “realismo construtivo” em áreas onde apresentam interpretações distintas, como, por exemplo, a questão dos direitos humanos e as disputas marítimas e territoriais.

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Imagem (Fonte):

http://thediplomat.com/wp-content/uploads/2015/05/thediplomat_2015-05-13_20-39-09-386×257.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://thediplomat.com/2015/05/the-worrying-rise-of-anti-china-discourse-in-the-us/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/05/how-would-the-us-challenge-china-in-the-south-china-sea/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/05/whats-wrong-with-us-china-relations/

Ver:

http://carnegieendowment.org/2015/04/20/beyond-american-predominance-in-western-pacific-need-for-stable-u.s.-china-balance-of-power/i7gi

Ver:

http://nationalinterest.org/feature/wake-america-china-must-be-contained-12616

Ver:

http://www.cfr.org/china/revising-us-grand-strategy-toward-china/p36371

Ver:

http://asiasociety.org/policy-institute/us-china-21-future-us-china-relations-under-xi-jinping

Ver:

http://www.dw.de/washington-e-pequim-discutem-disputa-territorial-no-mar-da-china-meridional/a-18454061