AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Trump ameaça diminuir o orçamento federal se os democratas não aprovarem o financiamento do muro na fronteira

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no último domingo (dia 29 de julho) que estaria disposto a forçar a diminuição do orçamento do governo federal, em 1o de outubro, se os democratas não aprovarem a construção de um muro na fronteira com o México, além de outras medidas que limitam a imigração legal e ilegal. Os republicanos têm maioria no Senado, mas precisam do apoio de pelo menos nove democratas para aprovar leis orçamentárias. A diminuição do orçamento administrativo pode implicar na paralisação dos serviços não essenciais.

100 Quilômetros de fronteira

Não é a primeira vez que Trump ameaça apertar o orçamento do Congresso para intensificar as barreiras imigratórias. Em 2017, ele declarou através de seu Twitter que era necessário fechar as portas para “arrumar a bagunça”. Na ocasião, os democratas recusaram-se a financiar o muro e ele acabou cedendo, assinando uma extensão dos fundos federais. Houve uma breve paralisação de três dias.

Com sua ameaça atual, Trump retorna ao comportamento incisivo que usou durante a campanha eleitoral e ignora a liderança conservadora do Congresso, que está comprometida com uma extensão de fundos livre de controvérsias. Dessa forma, o Presidente novamente alimenta o discurso anti-imigração, a fim de satisfazer a sua base eleitoral, mas a medida pode ser muito arriscada. A não aprovação das contas públicas após o encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro, aconteceria cinco semanas antes das eleições legislativas que decidirão se os republicanos manterão o controle do Legislativo.

Trump solicitou US$ 25 bilhões do Congresso para construir um muro ao longo de toda a fronteira com o México, mas, conforme vem sendo dito na mídia, isso se tornou o emblema eleitoral da demonização da imigração irregular nos EUA. O Presidente conseguiu até gora apenas 1,6 bilhão de dólares no último orçamento para renovar as barreiras atuais, mas não para construir novas.

O objetivo do republicano é mostrar progresso aos seus eleitores em seu trabalho contra a imigração. Em maio, ocorreu a questão da separação de pais e crianças sem documentos na fronteira, sobre a qual há várias interpretações, mas em junho ele teve que revogar sua nova política, após desencadear uma grande controvérsia, mesmo entre as fileiras conservadoras.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Fronteira EUAMéxico entre El Paso, Texas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_border

Imagem 2100 Quilômetros de fronteira” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_border

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Donald Trump busca melhorar os laços com o México

Segundo o Jornal Reuters, o Presidente dos EUA, Donald Trump, quer fortalecer e melhorar os laços com o México depois de alguns desentendimentos, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ao líder do México, na sexta-feira, dia 13, após a vitória do esquerdista neste mês.

López Obrador em 2012

O presidente mexicano eleito Andres Manuel Lopez Obrador, por sua vez, entregou a Pompeo uma carta endereçada a Trump com seus planos de redefinir o relacionamento, concentrando-se no comércio, imigração, desenvolvimento e segurança, disse Marcelo Ebrard, assessor do novo Presidente.

A visita de Pompeo e outros altos funcionários dos EUA foi, segundo ele, destinada a sinalizar a “profunda importância” que Trump atribui ao que tem sido um relacionamento bilateral cada vez mais tenso. Trump irritou o México com a exigência de que pague pela construção do muro de fronteira e pelos seus comentários de que o país não faz nada para diminuir a imigração ilegal. O mandatário estadunidense também dificulta a renovação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), visando favorecer os Estados Unidos.

Sabemos que houve colisões na estrada entre nossos dois países, mas o presidente Trump está determinado a melhorar e fortalecer a relação entre nossos povos”, declarou Pompeo no início da reunião de 50 minutos com Lopez Obrador, que assumirá o cargo em 1º de dezembro de 2018.

Altos funcionários, incluindo Jared Kushner, conselheiro de Trump e seu genro, estavam na delegação liderada pelo Secretário de Estado dos EUA, que já havia conhecido o ex-presidente mexicano Enrique Peña Nieto e o ministro das Relações Exteriores, Luis Videgaray.

Presidente Donald Trump

López Obrador afirmou que quer boas relações com os Estados Unidos e, apesar das diferenças ideológicas com Trump, os dois homens compartilham inclinações nacionalistas e populistas, porém, os planos do Presidente eleito de diminuir a guerra do México aos cartéis de drogas, inclusive reduzindo a cooperação de segurança com os norte-americanos, poderiam colocá-lo em rota de colisão com Trump. “Os americanos devem ser capazes de ver melhorias que protejam nossa soberania nacional”, disse ele, acrescentando que é importante ter laços comerciais “fortes, justos e recíprocos”.

O plano de Lopez Obrador inclui pressionar os Estados Unidos para reduzir o fluxo de migração para o norte, porém ajudando a criar melhores padrões de vida no México e na América Central, declararam membros de sua equipe. Complementarmente, o Ministro das Relações Exteriores, Videgaray, afirmou que os governos de saída e de entrada apresentariam uma “frente comum” em relação aos Estados Unidos.

Depois que Peña Nieto se encontrou com a Delegação, ele emitiu um comunicado pedindo a rápida reunificação de crianças imigrantes separadas de seus pais sob a política de fronteira “tolerância zero” de Trump.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1López Obrador (no meio) com o expresidente Vicente Fox (esquerda) e o Secretario de Estado do México, Arturo Montiel (direita) em janeiro de 2003” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 2López Obrador em 2012” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 3Presidente Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Presid%C3%AAncia_de_Donald_Trump

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O Fenômeno Terrorismo no Canadá

No dia 23 de abril de 2018, um canadense, identificado como Alex Minassian, atropelou pedestres com uma van de aluguel, de forma deliberada, causando a morte de dez pessoas e ferindo outras quinze, em uma das vias mais frequentadas da cidade de Toronto, no Canadá.

Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau

Mesmo o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, tendo excluído esse atropelamento como um ato terrorista o episódio lembra o modo de atuação dos ataques com veículos em grandes cidades como Nova York, Barcelona, Londres, Nice, Paris, Berlim e Estocolmo, onde membros de organizações terroristas, ou mesmo atuando sozinhos (lobos solitários), transformaram caminhões, carros e vans em armas, ao atropelarem pedestres, levando-os à morte.

Na história recente, o Canadá registra alguns atentados terroristas em seu território. Em outubro de 2017, um homem esfaqueou um policial antes de atropelar e ferir quatro pedestres com uma van em Edmonton. Já em março de 2016, um radical islâmico canadense atacou dois soldados em um centro de recrutamento em Toronto. Também no mês de outubro, mas do ano de 2014, um canadense atropelou dois militares em um estacionamento em Quebec, matando um deles, bem como um homem, armado de fuzil, causou um tiroteio em três locais distintos de Ottawa, mais precisamente no Monumento Nacional aos Militares, no Parlamento e nas proximidades da sua sede, e junto ao Centro Comercial Rideau Centre, causando a morte de um soldado.

Foto tirada por um turista do ataque terrorista de 2014 em Ottawa

Importante salientar que o Canadá é um dos países que fazem parte da coalizão internacional liderada pelos EUA para combater os jihadistas no Iraque e na Síria, participando de intervenções militares no Oriente Médio e de outras operações no estrangeiro. Ademais, o país esteve presente no Afeganistão durante muitos anos, além de ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ainda, Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla em inglês) já mencionou o Canadá, e este país, como outros, está lidando com a ida de jovens para integrar organizações terroristas transnacionais.

Na tessitura atual, ações com veículos e facas, bem como as formas de recrutamento, precipuamente originárias a partir da internet, evidenciaram uma nova configuração e podem ser consideradas a tendência futura dos próximos eventos, tendo em vista a facilidade e a menor complexidade e custos no suporte operativo e logístico. Compreender a verdadeira natureza desse fenômeno é o primeiro passo para vencer tal ameaça. Comprometimento em longo prazo, posicionamento político imediato e a não subestimação do terrorismo são os principais desafios dos governos para que admitam a verdadeira natureza do problema, a fim de prevenir eficazmente o acontecimento dos ataques.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Canadá” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canad%C3%A1#/media/File:Flag_of_Canada_(Pantone).svg

Imagem 2Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro-ministro_do_Canad%C3%A1#/media/File:Justin_Trudeau_June_13_2017.jpg

Imagem 3Foto tirada por um turista do ataque terrorista de 2014 em Ottawa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2014_shootings_at_Parliament_Hill,_Ottawa#/media/File:Michael-zehaf-bibeau.jpg

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Missão do Equador visita instituições financeiras nos Estados Unidos

Uma comitiva equatoriana esteve em visita oficial a algumas instituições financeiras em Washington e Nova Iorque nos dias 11 e 12 de junho de 2018. A delegação estava formada por Richard Martinez e Santiago Caviedes, respectivamente Ministro e Vice-Ministro de Economia e Finanças; Carlos Pérez, Ministro de Petróleo, Minas e Energia; e Verónica Artola, Gerente do Banco Central do Equador; acompanhados do Embaixador do Equador nos EUA, Francisco Carrión.

Sede do FMI em Washington

Em Washington, capital norte-americana, o  grupo manteve contatos com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial (BIRD) e do Tesouro dos EUA. Foi negociado que o FMI prestará assistência técnica na formulação da política macroeconômica e fiscal. O BID dará apoio para o fortalecimento de programas sociais, do programa de habitação e de projetos de infraestrutura. O Vice-Presidente para América Latina e Caribe e o Diretor para Países Andinos do Banco Mundial elogiaram a abertura política do atual governo equatoriano e sinalizaram com linhas de crédito para projetos de interesse do país, bem como ofereceram suporte técnico para gestão de gastos e de negócios.

O economista Richard Martinez foi Presidente da Federação Nacional de Câmaras de Indústria do Equador e presidia o Comitê Empresarial Equatoriano até tomar  posse em 15 de maio (2018) como o primeiro Ministro nomeado pelo presidente Lenín Moreno, depois que todo o corpo ministerial  renunciou a pedido do mandatário. Seu antecessor era Carlos de la Torre, que assumiu o cargo na posse de Moreno (24/5/2017) e renunciou em 6 de março de 2018 por divergências com a equipe econômica e com o Presidente quanto à política do setor. Com a súbita saída de La Torre, foi nomeada María Elsa Viteri que só ficou no cargo pouco mais de 2 meses (6/3/2018 a 14/5/2018). Ambos fizeram parte do gabinete de Rafael Correa que apoiou a candidatura de Moreno e foram aliados até que se tornaram desafetos.

Depois da visita em Washington, o Secretário de Estado e seu grupo seguiu para Nova Iorque para encontrar representantes de Bancos e fundos que investem no Equador. Dois dias antes de viajar, Martinez esclareceu que o objetivo do Governo equatoriano era “fortalecer a credibilidade do país com a comunidade financeira internacional e avançar na aplicação das melhores práticas de gestão econômica”. Ainda segundo o Ministro, a “falta de conexão com organismos multilaterais em governos anteriores afetou os indicadores econômicos”. Sabe-se que nos dez anos de gestão de Rafael Correa essa relação era de baixo contato e o sucessor, Lenín Moreno, foi aos poucos dando um novo direcionamento na política, a ponto de ter trocado 20 ministros ao iniciar o segundo ano do seu mandato em maio de 2018. 

A visita dos equatorianos foi vista com bons olhos pelos anfitriões e o FMI emitiu uma declaração expressando sua satisfação com o diálogo e com a perspectiva de manter estreita relação de cooperação. O próximo passo é a visita do Fundo ao Equador para a consulta do Artigo IV, um processo no qual a equipe técnica revisa a informação sobre a política econômica, monetária, fiscal e financeira do país e emite um parecer. Os trabalhos serão desenvolvidos de 20 de junho a 4 de julho de 2018 e a delegação visitante se reunirá com membros do governo e representantes dos segmentos de finanças e empresarial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Comitiva do Equador em Washington” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/35196915_1746278982093027_7651729613600587776_n.jpg?_nc_cat=0&oh=2a064ada831b73febfe56f87b7a51fb2&oe=5BA2387B

Imagem 2 Sede do FMI em Washington” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional#/media/File:Headquarters_of_the_International_Monetary_Fund_(Washington,_DC).jpg

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México oferece apoio ao governo da Guatemala

De acordo com a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) mexicana, na ultima quarta-feira (dia 6 de junho), o México reiterou sua solidariedade com o governo guatemalteco e declarou que continua atento à evolução da grave situação do país vizinho e a qualquer pedido adicional de ajuda de suas autoridades.

Em conformidade com as instruções do presidente Enrique Peña Nieto, desde o dia 3 de junho, a Secretaria do Interior, através da Coordenação Nacional de Proteção Civil, a Secretaria das Relações Exteriores e a Secretaria da Saúde mantiveram a comunicação permanente com o Governo da Guatemala, a fim de colocar à sua disposição apoio e assessoria técnica para lidar com a emergência decorrente do aumento da atividade do Vulcão de Fogo naquele país.

Maiores vulcões da Guatemala

Nesse contexto, de forma coordenada, as três instituições enviaram uma equipe médica de especialistas, que contribuirá para uma avaliação do estado de saúde dos cidadãos guatemaltecos afetados por queimaduras após a erupção e, se necessário, conduzi-los para os hospitais especializados no México.

Além disso, duas unidades médicas móveis e uma unidade de logística e supervisão foram disponibilizadas às autoridades guatemaltecas para a realização de ações de atenção primária à saúde e prevenção de doenças na área afetada.

Até agora, a erupção do Vulcão de Fogo deixou 109 mortos, quase 200 desaparecidos e cerca de 3.000 feridos e evacuados, em uma das maiores tragédias dos últimos anos na Guatemala, que possui 38 vulcões.

Diante da dificuldade de encontrar mais pessoas vivas e do risco de novas erupções, as autoridades locais estão avaliando a possibilidade de transformar a área afetada em um cemitério. Enquanto isso, os socorristas lutam contra o relógio procurando sinais de vida. Segundo eles, o ambiente é irrespirável sem uma máscara e o chão ainda arde.

De acordo com o diretor do Instituto de Sismologia da Guatemala, Eddy Sanchez, este vulcão é extremamente ativo e é caracterizado pela liberação de gases a altas temperaturas. O Vulcão de Fogo possui 3.763 metros de altura e é um velho conhecido do povo da Guatemala, mas não apresentava nenhum registro de erupções desde outubro de 1974.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Volcan de Fuego (esquerda) e Acatenango (direita) na Guatemala” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Acatenango

Imagem 2Maiores vulcões da Guatemala” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Acatenango

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Tensões navais entre EUA e China aumentam

Os movimentos militares dos Estados nos oceanos são indicativos das relações de poder no ambiente internacional. O aumento da presença naval de um país em determinada área pode gerar suspeitas de busca de dominação e motivar respostas de outras nações. Nesse sentido, a forte presença chinesa no Mar do Sul da China provoca receios de nações asiáticas e dos Estados Unidos, tanto que o país americano aumentou sua assertividade na área, o que causou maiores tensões com os chineses.

Após haver participado de duas edições do exercício naval RIMPAC*, a marinha da China foi desconvidada pelo governo dos Estados Unidos para o exercício de 2018. A retirada do convite ocorreu em maio de 2018, em resposta ao crescimento do poderio chinês do Mar da China Meridional. O porta-voz do Departamento de Defesa estadunidense afirmou que “Como resposta inicial à contínua militarização do Mar do Sul da China, nós desconvidamos a Marinha da República Popular da China para o Exercício 2018 da Borda do Pacífico (RIMPAC). O comportamento chinês é inconsistente com os princípios e propósitos do exercício RIMPAC”.

O convite tinha sido feito em 29 de maio de 2017. Na ocasião, todas as nações que participaram do exercício de 2016 foram chamadas novamente. Apesar de estar em expansão, a presença chinesa no mar meridional ainda não era percebida como uma ameaça imediata pelo governo estadunidense. Cumpre notar, entretanto, que o Ato de Autorização de Defesa Nacional dos Estados Unidos para o Ano Fiscal 2000 já proibia contatos entre a China e os Estados Unidos que pudessem criar riscos à segurança nacional devido a uma exposição inapropriada.

Mapa das Ilhas Spratly

Em 2018, a percepção dos riscos aumentou. Os chineses construíram sete bases militares nas ilhas artificiais** no arquipélago Spratly***. O movimento é interpretado por altos funcionários norte-americanos como ameaça à resolução da disputa territorial na região pela via diplomática. O comandante da Marinha dos Estados Unidos para o Pacífico, Harry Harris, disse, em fevereiro de 2018, aos congressistas estadunidenses, que “a China está tentando garantir soberania de fato sobre áreas marítimas disputadas, por meio do aumento da militarização de suas bases construídas”. Imagens de satélite fornecidas pela DigitalGlobe mostram que há forte construção militar, com um porto de águas profundas, aeródromos completos, hangares, tendas militares e infraestrutura de comunicações nas ilhas Subi e Mischief.

A tensão entre as duas nações decorrente da decisão de retirar o convite aos chineses para participarem do RIMPAC pode agravar-se nos próximos meses. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos descreveu a medida como “uma resposta inicial”, indicando que podem existir outras iniciativas para conter o poderio naval chinês no futuro. A reação da China ainda não é previsível, mas pode-se esperar agravamento da situação securitária no Mar da China Meridional em um futuro imediato.

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Notas:

* Exercício militar entre os EUA e parceiros asiáticos que ocorre bienalmente. A sigla em inglês faz referência às bordas do oceano Pacífico. É considerado o maior exercício naval multinacional do mundo. A China foi convidada para os exercícios de 2014 e de 2016, pelo presidente Barack Obama, para ampliar a cooperação bilateral entre as marinhas dos dois países.

** A China construiu ilhas artificiais na região, de modo a aumentar a legitimidade de seu pleito sobre todo o território incluído na chamada linha de nove traços. Os chineses acreditam que têm direito histórico à soberania dessa área.

*** Conjunto de ilhas que é disputado por várias nações asiáticas, incluindo a China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Marinheiros chineses em Qingdao, desfilando em uma visita da delegação naval dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Liberation_Army_Navy

Imagem 2 Mapa das Ilhas Spratly” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Spratly_Islands

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/05/what-the-trump-administrations-decision-to-disinvite-the-chinese-navy-from-rimpac-2018-means/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2017/05/rimpac-2018-china-to-participate-in-major-us-naval-exercise/

[3] Ver:

http://news.abs-cbn.com/focus/02/16/18/china-has-7-new-military-bases-in-s-china-sea-us

[4] Ver:

https://www.spatialsource.com.au/gis-data/satellite-images-reveal-completed-military-bases-spratly-islands