AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Porta-aviões americano pode elevar tensões no Mar do Sul da China

O Mar do Sul da China é uma das áreas mais relevantes para a política externa chinesa. Essa região é considerada pelo governo do país como estratégica, pois há nela potencial fonte de hidrocarbonetos, como petróleo e gás, além de ser rota de passagem para as exportações da China.

O ancoramento do porta-aviões USS Carl Vinson no porto vietnamita de Danang há duas  semanas, portanto, é percebido com cautela pelas autoridades chinesas. O Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou que a visita era “uma enorme perturbação para a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”. Esse posicionamento decorre da suspeita causada pelo aumento da presença estadunidense na área, já que pode estimular posturas mais assertivas dos países do Sudeste Asiático que têm disputas marítimas com a China. 

Ilhas Spratly e Paracel

Os vietnamitas, assim como os chineses, fundam seus pleitos de soberania no direito histórico de ocupação dos territórios. Ambos os Estados reivindicam direitos sobre os arquipélagos Spratly e Paracel. Em novembro de 2017, após reunião entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o Secretário-Geral vietnamita, Nguyen Phu Trong, houve concordância entre os líderes para buscar uma solução pacífica para o conflito, inclusive por meio de um código de conduta no mar. Atualmente, há negociações desse código entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)*.

A aproximação do Vietnã aos Estados Unidos, contudo, pode significar uma retomada de tensões na região. A presença de porta-aviões de uma potência global externa ao Sudeste Asiático é contrária ao interesse chinês e pode causar escalada militarista na área. A Marinha do país americano, por meio do Chefe do Comando do Pacífico, reconhece que a China já está expandindo sua presença militar no mar meridional, mas os observadores estão convergindo em apontar que o ato de ancorar um porta-aviões americano em território vietnamita pode dificultar as negociações entre a China e a ASEAN e impulsionar ainda mais o aumento do militarismo chinês nessa área marítima.

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Nota:

* Organização internacional fundada com o objetivo de garantir a cooperação no Sudeste Asiático, da qual o Vietnam é um dos membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PortaAviões USS Carl Vinson” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/USS_Carl_Vinson_(CVN-70)

Imagem 2Ilhas Spratly e Paracel” (Fonte):

http://vietnamveterannews.com/wp-content/uploads/2016/01/519.jpg

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018021610540089-marinha-eua-mar-sul-china-bases/

[2] Ver:

https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN1DC0UR-OBRWD

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-dismissive-of-us-carrier-visit-to-vietnam/

4] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/05/130518_conflito_mar_sul_china_marina_rw

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reação da Palestina frente a decisão de Trump

Hoje, finalmente reconhecemos o óbvio: que Jerusalém é a capital de Israel”. Ao anunciar oficialmente que os EUA reconhecerão Jerusalém como capital do Estado de Israel, no último dia 6 de dezembro de 2017, o presidente Donald Trump cumpre uma de suas promessas de campanha e abre um precedente que pode prejudicar às negociações de paz entre israelenses e palestinos, assim como inflamar a violência na região.

Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte

Para analistas políticos nos EUA, a decisão sobre o status de Jerusalém é parte de um esforço conjunto com o vice-presidente Mike Pence que, ao longo da campanha eleitoral, recebeu grande apoio de cristãos evangélicos, principalmente do Estado de Indiana, do qual foi governador de 2013 a 2017.

Na comunidade internacional, as nações árabes e muçulmanas advertiram que o movimento estadunidense prejudicaria o esforço de estabilização do Oriente Médio. Além disso, China e Rússia expressaram preocupação.

Aos olhos de líderes palestinos e aliados desses, a esperança de um acordo de paz diminuiu consideravelmente após o anúncio de Trump. Para o presidente palestino Mahmoud Abbas, a decisão de Trump descredencia os EUA a manter a mediação da paz, chamando a sua atitude de “uma declaração de retirada do acordo”. Jamal Zahalka, membro do Knesset pelo partido Balad, um grupo político árabe-israelense que se opõe ao conceito de Israel como único Estado, afirmou que a decisão de Trump é uma “ofensa grave”.

O Hamas, Partido político que controla a Faixa de Gaza, declarou logo após o anúncio da Casa Branca que faria “um dia de fúria”, como forma de protesto. No discurso realizado pelo líder da organização, Ismail Haniya, foi feita a solicitação ao Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que se retire do processo de paz, além de afirmar que a decisão de Washington é “uma declaração de guerra contra palestinos”, algo que criou um ambiente de tensão na cidade de Gaza*. “Esta decisão matou o processo de paz”, “matou o acordo de Oslo”, disse ele.

Horas após o discurso, manifestantes palestinos tomaram as ruas das cidades ocupadas da Cisjordânia, incluindo Ramallah, Hebron e Nablus, além de grande parte da Faixa de Gaza, para desafiar a decisão de Washington.

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Nota:

* Cidade palestina localizada na Faixa de Gaza, sendo a maior cidade localizada nessa região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestante palestino usando máscara e empunhando duas adagas na manifestação convocada pelo Hamas, após o anúncio de Trump” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/635229091

Imagem 2Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/681397130

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Arábia Saudita entre a China e os Estados Unidos

As relações bilaterais entre China e Arábia Saudita apresentaram sinais de aproximação ao longo do mês de novembro de 2017. No dia 11, o periódico vinculado ao Partido Comunista Chinês (PCC), Global Times, publicou editorial elogiando as reformas econômicas anunciadas pelo Príncipe Mohammed Bin Salman. Além disso, a publicação enalteceu a inflexão na política externa da monarquia islâmica: “os sauditas abandonaram a tradição de alinhamento com os Estados Unidos e contra a Rússia. O Rei Salman visitou Moscou pela primeira vez no mês passado para fortalecer a relação entre as duas nações”.

O Rei Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, e Vladmir Putin, Presidente da Rússia

Posteriormente, no dia 16, a agência oficial do Governo chinês reportou que o Rei Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, telefonou para o Presidente da China, Xi Jinping, para congratulá-lo pela realização do 19º Congresso do Partido Comunista Chinês. Na ocasião, o Monarca declarou que seu país está pronto para se tornar um importante parceiro da China na região do Golfo, bem como está comprometido em aprofundar a parceria estratégica entre as duas nações. Xi Jinping, por sua vez, afirmou que a China apoia os esforços da Arábia Saudita para proteger sua soberania nacional e se desenvolver.

Nota-se que a aproximação entre Beijing e Riad ocorre em uma conjuntura de reorganização do poder político interno em ambos os países. No caso chinês, analistas percebem que a concretização da Iniciativa do Cinturão e da Rota e a consolidação da autoridade de Xi Jinping após o 19º Congresso do PCC indicam que a nação asiática se considera pronta para assumir a liderança do processo de globalização nos próximos anos.

No âmbito saudita, observa-se que o Rei Salman centralizou sua autoridade após a escalada de tensões entre facções opositoras as atuais diretrizes políticas do país. Além disso, o Príncipe e Conselheiro de Assuntos Econômicos e Desenvolvimento, Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al-Saud, anunciou contundente conjunto de reformas, visando reduzir a dependência econômica do reino em relação às exportações de petróleo.

Nesse contexto, é importante lembrar que a aliança com a Arábia Saudita é peça central da estratégia econômica e política dos Estados Unidos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Por um lado, o compromisso assumido pelo Governo saudita de negociar todas suas exportações de petróleo na moeda norte-americana em 1974 continua basilar para a manutenção do dólar como meio de troca predominante na economia mundial. Por outro, o apoio da Monarquia islâmica é militarmente estratégico para os EUA serem capazes de enfrentar a expansão dos interesses de países rivais no Oriente Médio.

Por conta disso, a perspectiva de aprofundamento da cooperação estratégica entre Beijing e Riad constitui elemento fundamental para a compreensão do futuro da ordem internacional contemporânea. Em outras palavras, a inclinação política da Arábia Saudita é indicador importante acerca da correlação de forças entre EUA e China.

Do ponto de vista chinês, boas relações com Riad asseguram os recursos energéticos necessários para manutenção das altas taxas de crescimento econômico, enraízam a influencia do país asiático no Oriente Médio e permitem o avanço da estratégia de internacionalização da moeda chinesa (yuan). Em relação ao último ponto, Carl Weinberg, economista chefe da consultoria High Frequence Economics, considera que “a precificação do petróleo em yuan acontecerá assim que os sauditas estiverem de acordo. A partir de então, o resto do mercado irá segui-los”.

Arábia Saudita e China

Na perspectiva saudita, os dividendos de uma aproximação com a China estão relacionados com a obtenção de maior autonomia em relação aos Estados Unidos, bem com a atração de capital externo para execução das reformas econômicas pretendidas. Exemplos de iniciativas nesse sentido já podem ser identificados. Apenas entre março e agosto de 2017, os dois países anunciaram acordos equivalentes a 70 bilhões de dólares e a criação de um fundo conjunto de investimentos de 20 bilhões de dólares. Ademais, caso seja confirmada a abertura das ações da petroleira saudita Aramco, as estatais chinesas Sinopec e PetroChina já anunciaram o interesse na aquisição de 5% do negócio.

No entanto, nota-se que a Arábia Saudita ainda depende dos Estados Unidos no âmbito securitário. Atualmente, a monarquia está diretamente envolvida com o acirramento dos conflitos com Irã, Iêmen e Qatar. Assim, em junho deste ano (2017), o presidente estadunidense Donald Trump negociou acordos estimados em 100 bilhões de dólares para venda de equipamentos militares de alta tecnologia para as Forças Armadas Sauditas.   

Portanto, percebe-se que o aprofundamento das relações entre China e Arábia Saudita possui implicações importantes para a política internacional contemporânea. De fato, caso a exportação do petróleo saudita em yuan se torne uma realidade, o próprio status do dólar enquanto moeda predominante na economia mundial estará ameaçado. No entanto, tal iniciativa encontra como obstáculo principal a dependência de Riad em relação ao apoio militar de Washington para execução de sua política de defesa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Rei Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Salman_of_Saudi_Arabia#/media/File:Salman_bin_Abdull_aziz_December_9,_2013.jpg

Imagem 2O Rei Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, e Vladmir Putin, Presidente da Rússia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Salman_of_Saudi_Arabia_(2017-10-05)_1.jpg

Imagem 3Arábia Saudita e China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/China_Saudi_Arabia_Locator_%28orthographic_projection%29.png/600px-China_Saudi_Arabia_Locator_%28orthographic_projection%29.png

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Ataque a tropas americanas no Níger

A emboscada a militares estadunidenses na região de Tillabery, Níger, no último 4 de outubro de 2017, resultando na morte de quatro soldados Boinas Verdes, ainda gera questionamentos sobre a política externa dos EUA na África.

US. Marines treinam combatentes nigerinos contra Al-Qaeda baseada no Saara

O senador republicano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, admitiu desconhecer sobre os cerca de 800 militares baseados no Níger, mas afirmou: “Eles estavam lá para defender a América. Eles estavam lá para ajudar os aliados. Eles estavam lá para impedir que outra plataforma ataque a América e nossos aliados”.

Com base em informações oficiais, retransmitidas a agências de notícias, as tropas dos EUA estão no Níger para ajudar a fortalecer um parceiro militar, algo recorrente no continente desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Nesse quadro, o Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês) pretende redirecionar a estratégia antiterrorismo para a região, ao iniciar a expansão e renovação da base em Agadez, cidade ao norte do Níger, e que serviria para o lançamento de Drones armados, fato que poderia aumentar ações militares diretas na região.

Para especialistas, a ação estadunidense no continente africano para treinar e equipar os militares, criando aptidão, tinha um cunho preventivo, supondo que Estados fracos podem se tornar atrativos ao desenvolvimento de grupos terroristas.

Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações Anti-Terrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França

Como o Sahel, região árida abaixo do Saara, tem recebido aumento notável da atividade jihadista, os mesmos especialistas afirmam que a ameaça é concreta, porém no âmbito regional no norte e oeste do continente, mas com mínimas possibilidades de um ataque direto aos Estados Unidos.

Ainda de acordo com especialistas, a ascensão da Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) em 2007 foi resultado da exploração da população pobre e das tensões locais, em que desenvolveu uma agenda local e regional, combinadas com uma visão transnacional que visava os interesses ocidentais na região, mas que raramente se estendia para além da África.

Por fim, a presença dos EUA, vista por muitos como ameaça para a estabilidade regional, foi usada para justificar o aprofundamento da cooperação militar dos EUA na África, em especial no Níger, onde as operações expandiram-se após 2011 e 2012, quando o AQMI ampliou suas ações e deu nova urgência aos esforços de contraterrorismo dos EUA e da França.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Um Soldado francês do 92º Regimento de Infantaria faz parte da coalizão de combate ao terrorismo na região do Sahel, África Ocidental” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/166408275

Imagem 2US. Marines treinam combatentes nigerinos contra AlQaeda baseada no Saara” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/51405008

Imagem 3Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações AntiTerrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França” (Fonte):

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Jungmann visita Estados Unidos com o objetivo de ampliar a cooperação bilateral

No dia 13 de novembro, segunda-feira passada, em visita a Washington, o Ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, se reuniu com o Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, e com representantes da indústria aeroespacial privada dos Estados Unidos. O Ministro brasileiro ainda discursou, no dia 17, sexta-feira, no Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), importante think tank estadunidense.

Jungmann em reunião com representantes da indústria aeroespacial dos EUA

Durante a reunião com Shannon, foi discutida a criação de uma Autoridade Sul-Americana de Segurança, que teria como objetivo promover a cooperação regional para o combate ao crime organizado transnacional, com foco nas regiões de fronteira. A iniciativa é uma proposta conjunta com o Ministério da Justiça (MJ), o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O Ministro defendeu a proposta de criação do organismo em artigo de opinião publicado no periódico brasileiro O Globo, no qual defendeu que o crime organizado deve ser combatido de forma conjunta, regionalmente, pelos países da América do Sul. Cabe ressaltar que a iniciativa condiz com a perspectiva dos Estados Unidos, que percebem o crime e o tráfico de drogas como ameaças principais provenientes da região e defendem a necessidade de atuação integrada, interagências, como forma de aprimorar o combate.

Já com os empresários do setor-aeroespacial, Jungmann defendeu a ampliação da cooperação entre os dois países na área, o estabelecimento de uma agenda bilateral comum e a ampliação dos negócios no setor. Ele encorajou a participação de empresas norte-americanas no processo de licitação para a construção do segundo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Durante a reunião com Shannon, também foi abordada a exploração do Centro de Lançamento de Alcântara, localizado no Estado do Maranhão, nordeste brasileiro. Na ocasião, Jungmann defendeu que a base deve ser utilizada por diversos países, sendo que Israel, China, França e Rússia tem interesse, além dos EUA.

A visita aos Estados Unidos ocorreu dias depois do início de um exercício militar multilateral inédito na Tríplice Fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, na região amazônica, do qual participaram militares dos EUA e observadores de 22 países. O evento, denominado AMAZONLOG, tinha como objetivo simular respostas conjuntas a catástrofes humanitárias, tendo como foco o treinamento logístico. Essa iniciativa e a visita de Jungmann aos Estados Unidos demonstram o esforço do Governo brasileiro em ampliar a cooperação com aquele país, embora mantendo certo grau de diversificação das parcerias, como indica a não concessão de monopólio para a exploração do centro de lançamentos de Alcântara.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jungmann com Thomas Shannon, autoridades do Ministério da Defesa e o Embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira” (Fonte – Assessoria de Comunicação/Ministério da Defesa):

http://www.defesa.gov.br/noticias/36889-jungmann-tem-reuniao-com-setor-aeroespacial-privado-norte-americano

Imagem 2Jungmann em reunião com representantes da indústria aeroespacial dos EUA” (FonteAssessoria de Comunicação/Ministério da Defesa):

http://www.defesa.gov.br/noticias/36889-jungmann-tem-reuniao-com-setor-aeroespacial-privado-norte-americano

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Questão que envolve Trump, Rússia e as eleições de 2016 ainda sob forte suspeita

Na semana passada, as primeiras acusações formalizadas pelo investigador especial Robert Muller contra membros da campanha do então candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, complementam o que havia sido diagnosticado por agências de inteligência estadunidenses.

De acordo com o relatório de janeiro de 2017, intitulado “‘Assessing Russian Activities and Intentions in Recent US Elections’: The Analytic Process and Cyber Incident Attribution”*, CIA, FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) declararam conjuntamente, com “alta confiança”, que o Governo russo realizou uma campanha sofisticada para influenciar a eleição passada.

Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque

O relatório aponta que há fortes indícios da participação do presidente Vladimir Putin no suposto esforço de desestabilização eleitoral, que consistiria, principalmente, em prejuízos à campanha da presidenciável democrata Hillary Clinton e no enfraquecimento do processo eleitoral do país.

Ainda com base no relatório e informes de autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o esforço russo envolveria atividades com agências governamentais, mídia respaldada pelo Estado e “trolls” de internet pagos, bem como operações secretas, por meio de atividades cibernéticas ilícitas patrocinadas por agentes de inteligência.

Na consolidação da estrutura cibernética para o ataque eleitoral, as agências de inteligência dos Estados Unidos afirmam que o conluio russo criou mecanismos de financiamento a meios de comunicação, incluindo o site Sputnik e a rede de televisão Russia Today (RT) com o objetivo de prejudicar a campanha de Hillary Clinton.

Afirmam também que o recorte utilizado pela emissora RT durante a eleição explorou negativamente a imagem de Clinton com foco em seus e-mails vazados, acusando-a de corrupção, assim como má saúde física e mental, e laços com extremistas islâmicos.

As recentes acusações produzidas contra Paul Manafort Jr, ex-chefe de campanha de Trump, sobre a suposta ação russa, complementa um estágio da investigação iniciada pelos órgãos de segurança interna dos EUA e abre, quase que instantaneamente, uma frente junto a Kiev, em que se investiga Manafort pelo seu trabalho como assessor político de Viktor Yanukovych, ex-Presidente da Ucrânia, pró-Rússia, que foi deposto quando se deu a crise ucraniana, em 2013.

Na primeira denúncia é avaliado o nome de Manafort como beneficiário de pagamentos na ordem de US$ 12,7 milhões e a segunda investigação busca relatório de 2012, preparado para o Governo ucraniano pelo escritório de advocacia de Nova Iorque, “Skadden, Arps, Meagher & Flom”.

Há acusações sobre a possibilidade de que Paul Manafort tenha ajudado a organizar um relatório para retirar Yanukovych das acusações de encarcerar sua principal adversária política na época, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, e também um relatório que apresenta alegações para o julgamento e condenação de Tymoshenko em 2011, porém com indícios de violações legais e politicamente motivadas.

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Nota:

* Deve-se destacar que o referido Relatório apresenta mecanismos que apontam para a RT América TV como um canal que possivelmente recebe financiamento do Kremlim para operar nos EUA.

O documento destaca o papel da editora-chefe da RT, Margarita Simonyan com laços estreitos com os principais funcionários do atual governo russo, dentre eles, o Vice-Chefe de gabinete da administração presidencial Aleksey Gromov, que foi um dos fundadores da RT.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Tradicionais Matrioska, ou bonecas russas em representação aos líderes Vladimir Putin e Donald Trump” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/621783458

Imagem 2 Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/542133994