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As opções em política externa dos EUA para a crise líbia

O processo de descentralização do Estado líbio, ocorrido após a derrocada do regime ditatorial de Muammar al-Gaddafi, no curso da Primavera Árabe, em 2011, continua a produzir efeitos no fluxo imigratório pela rota do Mediterrâneo Central rumo à Europa, e assistência a insurgentes islâmicos que com a iminente derrocada das posições no Oriente Médio podem reimplantar a doutrina jihadista em um terreno, cuja ausência do Estado, viabiliza a fertilidade extremista.

Faiez al-Serraj, Presidente apoiado pela ONU

Para autoridades europeias, Fezzan, um vasto e pouco povoado território localizado a sudoeste, é visto hoje como ponto estratégico primordial para se estabelecer um primeiro controle de fronteira contra migrantes e refugiados africanos do entorno subsaariano, onde, somente em 2016, mais de 160 mil pessoas transitaram por essa região com destino ao litoral líbio rumo a Europa.

Contudo qualquer esforço europeu na tentativa de neutralizar os efeitos da falta de governança, falência econômica e de segurança passa pela necessidade de coordenação com o Governo internacionalmente reconhecido de Faiez al-Serraj, do Partido Governo de Acordo Nacional (GNA, na sigla em inglês), que sofre com a contraposição e falta de diálogo produtivo com a oposição do general Khalifa Haftar, do Exército Nacional Líbio (LNA, na sigla em inglês).

De acordo com analistas consultados, a luta em curso entre as coalizões militares rivais na Líbia é possivelmente o maior desafio. O apoio da ONU ao GNA de Faiez al-Serraj, em Trípoli, tem poucos aliados locais em Fezzan. Em contrapartida, as facções alinhadas com o Exército Nacional Líbio (LNA) e o Governo oriental sediado em al-Bayda gozam de maior influência, assim como as facções opositoras a Haftar e Serraj.

General opositor Khalifa Haftar

A propagação das rivalidades nacionais ao sul de Trípoli registrou aumento desde o início de 2017 e acelerou os combates entre os vários grupos. As forças externas, formadas por potências regionais, mercenários estrangeiros e grupos jihadistas transnacionais também se intrometeram nos embates, ora unindo conflitos locais, ora usando o sul do país como zona de trânsito para atos econômicos ilícitos.

Em audiência ao Comitê de Relações Exteriores do Senado estadunidense, Frederic Wehrey, Analista do Programa do Oriente Médio para o Carnegie Endowment for International Peace, revela que, apesar da relativa estabilidade em Benghazi, os custos são elevados por conta dos deslocamentos, destruição da infraestrutura e ruptura do tecido social que resultaram no imediato agravamento das divisões em todo o país.

Ainda segundo o analista, a crise política na Líbia impõe para a agenda de política externa dos EUA a necessidade de maior intervenção, dada à autoridade colapsada do Estado líbio ser campo fértil para expansão do Estado Islâmico (Daesh, em árabe).

Fezzan foi governado pela Líbia italiana e pelo Reino da Líbia de 1927-1963

Embora o apoio aéreo ofertado pela coalizão internacional sob a liderança dos EUA tenha angariado resultados positivos juntamente com as milícias locais na localidade de Sirte, os grupos armados que combateram contra o Estado Islâmico no oeste, centro e leste do país, sem a supervisão de uma autoridade central passaram a se opor ao Conselho Presidencial apoiado pelas Nações Unidas.

Diante da falha em funções básicas de governança e a paralisia fruto de disputas internas, há um impulso à longevidade da crise, principalmente pelo fato da principal força opositora, capitaneada pelo general Khalifa Haftar, ter apoio do Egito, Emirados Árabes Unidos e, recentemente, da Rússia.

No Parlamento há pouco apoio ao GNA, principalmente pela objeção à questão do controle sobre os militares. Figuras islâmicas, por sua vez, prometeram continuar a luta contra as forças de Haftar, já em confronto pelas instalações de petróleo na bacia de Sirte, aeródromos e linhas de abastecimento ao sul.

Nos EUA, a questão líbia é tratada em dois planos: prevenir o ressurgimento da atividade terrorista; e apoiar a formação de um Governo de inclusão e estável.

Força Aérea dos EUA em retorno a base de Aviano, Itália, após Operação Odyssey Dawn

A administração Trump também deve rejeitar um projeto de partilha territorial, bem como um plano de subcontratação de sua política a Estados regionais, especialmente Egito e Emirados árabes Unidos, cuja abordagem de exclusão e securitização poderá produzir mais divisão e radicalização.

No âmbito da segurança e contraterrorismo, a assistência a um determinado grupo armado com provisões em inteligência, ou envio de equipamentos poderia prejudicar a balança de poder e causar mais conflitos faccionais.

Analistas sugerem suporte limitado e direcionado a ameaças específicas, a fim de evitar que esforços passados, como unidades especializadas de combate ao terrorismo, falhem pela falta de estrutura institucional para absorver eventuais divisões políticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Arte antiGaddafi, Benghazi Líbia, 009” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/lightroomphotos/5957802882/in/photolist-a5tiem-c2i4V7-c2cynd-bxuKa6-9r1dJr-a5tiBU-c2cWEG-c2hoX1-CEs5Sh-7Yu9x4-9qvZ54-a5tj8N-9tWUme-7YtRMt-7YxkEu-c2gaQS-a5qs3P-c2hR9E-7YtRFR-7Yu4LX-7Yu9ie-c2cYf9-c2jkHQ-7Yu4Gk-7Yu2Pg-c2hzbE-a5ti5f-c2i2XS-9tckiY-c2hZSJ-9t9mAv-9qi8TG-c2ijF9-c2i8Vs-7Yu5it-c2dT5o-c2bByJ-a5tjhS-c2hBwj-c2d5eG-a5qrzi-c2d2Ns-9qvXpH-4zBzHg-c2hdWu-9RUVVG-c2dhDQ-7Yu59p-c2d9By-9tcm9y

Imagem 2 Faiez alSerraj, Presidente apoiado pela ONU” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Fayez_al-Sarraj#/media/File:Libyan_Prime_Minister_Fayez_al-Sarraj.jpg

Imagem 3 General opositor Khalifa Haftar” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Khalifa_Hafter#/media/File:General_Haftar.jpg

Imagem 4 Fezzan foi governado pela Líbia italiana e pelo Reino da Líbia de 19271963” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Fezzan#/media/File:Map_of_traditional_provinces_of_Libye-en.svg

Imagem 5 Força Aérea dos EUA em retorno a base de Aviano, Itália, após Operação Odyssey Dawn” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2011_military_intervention_in_Libya#/media/File:US_Navy_110320-A-4520W-108_U.S._Air_Force_F-16_Fighting_Falcons_return_to_Aviano_Air_Base_after_supporting_Operation_Odyssey_Dawn.jpg

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Bases Aéreas dos Estados Unidas e pretensões russas na América Latina

As notícias da instalação de mais uma base estadunidense, agora no Peru, demonstram o aumento da influência dos Estados Unidos sobre a América latina. Em 28 de dezembro de 2016 foi assinado um contrato entre o Comando do Sul (EUA), o Governo do Estado Peruano do Amazonas e a empresa Partenon para a construção do Centro de Operações de Emergência Regional – COER Amazonas. A obra é financiada pelo Comando do Sul e está orçada em 13 milhões de dólares. No Centro serão feitas as operações de logística, comunicações, monitoramento e análise.

Suspeitam os seus opositores que, na verdade, trata-se de uma fachada, pois o real objetivo seria o desenvolvimento de operações militares sob o disfarce da “ajuda humanitária”. O recebimento de treinamento militar de Unidades de Operações Especiais peruanas por forças norte-americanas e os exercícios conjuntos entre militares dos Estados Unidos e do Peru indicariam os seus verdadeiros objetivos. Além disso, em setembro de 2015, os Estados Unidos tinham aumentado seu contingente de 150 para 3.200 soldados no país.

mapa das bases estadunidenses na América Latina

Em muitos países da América Latina encontramos bases aéreas norte-americanas. A citar como exemplo: Soto Cano (Honduras), Comalapa (El Salvador), Aruba, Curação, Guantânamo (Cuba), Antígua e Barbuda, Ilha de Andros (Bahamas). Em 2009, no Equador, a administração Rafael Correa cancelou o contrato da instalação militar norte-americana em Manta, na província de Manabi. No mesmo ano, contudo, os Estados Unidos assinaram acordo com a Colômbia, que permitia acessar sete bases aéreas: Malambo,  Palanquero, Apiay, Cartagena,  Baía Málaga,  Forte Militar Tolemaida e Forte Militar Larandia.  Além dessas, também ficaram liberadas: 3 Esquinas e Arauca.

No entanto, observa-se que a América do Sul está despertando também o interesse da Rússia. O Ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, declarou, em 2014, que seu país precisa de bases militares no Ocidente, por exemplo, na América Latina. Este país compõe juntamente com o Brasil, India, China e Africa do Sul, o grupo dos BRICS. Desta união nasceu o Banco dos BRICS, responsável pelo financiamento de projetos de infraestrutura pelo mundo. Ele também é símbolo da emergência das nações que o compõe. Entre 2004 e 2012, a balança comercial entre a Rússia e a América Latina triplicou de US$ 5,8 bilhões para US$ 16,4 bilhões, tendo Brasil, México, Argentina e Equador como os principais parceiros comerciais na região.

No mesmo período, em 2008, tivemos a presença de embarcações militares russas na região. Fizeram exercícios navais com a Marinha venezuelana no Caribe, rumaram para a Nicarágua e, posteriormente, cruzaram o canal do Panamá. No mesmo ano, a Venezuela recebeu a visita de dois bombardeiros supersônicos (modelos Tu-160) que chegaram a pousar na capital, Caracas. No entanto, a atual conjuntura política latino-americana é desfavorável à instalação de bases russas. A Venezuela vive uma crise política sem precedentes; Cuba encontra-se em aproximação com os Estados Unidos (apesar da promessa da administração Trump de reverter este processo) e a Nicarágua já anunciou que não possui interesse em abrigar uma base estrangeira em seu território.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Força de Operações Conjuntas BRAVO (Joint Task ForceBRAVO).  Base Aérea de Soto Cano em Honduras” (Fonte):

https://twitter.com/hashtag/Unequipounalucha?src=hash

Imagem 2 mapa das bases estadunidenses na América Latina” (Fonte):

https://www.theapricity.com/forum/showthread.php?90458-Israel-moves-to-bolster-economic-ties-with-Mexico-Chile-Colombia-and-Peru

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Casa Branca promove realinhamento na política externa com a Península Coreana

Após quase uma década de convergência entre os conservadores sul-coreanos e a administração de Barack Obama, analistas estadunidenses projetam um novo ciclo, capitaneados por dois novos personagens, Donald Trump e Moon Jae-in, algo comparável as relações construídas por George W. Bush e Roh Moo-hyun, porém com maiores riscos, dadas as incertezas geradas pelo próprio presidente Trump em conduzir um diálogo produtivo na tensa relação com a Coreia do Norte.

Sistema THAAD sendo transferido para caminhões na Base Aérea de Busan, Coreia do Sul

A ascensão de Moon Jae-in impõe desafios domésticos e internacionais diferentes como Presidente em linha ao experimentado como chefe de gabinete na administração de Roh Moo-hyun. No plano nacional, o sul-coreano precisará liderar um Governo que detém minoria de assentos na Assembleia Nacional, além de erradicar a corrupção doméstica e enfrentar a desigualdade econômica, ao passo que precisará gerir de forma pragmática e responsável a aliança EUA-Coreia do Sul, bem como a implantação do sistema antimísseis instalado, o Terminal Hight Altitude Area Defense (THAAD, na sigla em inglês), ambos com amplo apoio popular e fundamentais para a aliança em segurança constituída desde o armistício de 1953.

O imbróglio com Pyongyang certamente produzirá novos embates críticos, porém Moon, mesmo após ter de enfrentar testes de mísseis balísticos do vizinho, ocorrido apenas quatro dias depois de assumir o cargo, pleiteia por uma campanha capaz de reavivar o diálogo e renovar as relações econômicas com o líder do Norte, Kim Jong-un, desde que este volte a negociar um programa de desnuclearização que poderia resultar em mais trocas governamentais no futuro.

Ainda como parte dos desafios, a tensão perene na política externa de Seul entre o desejo de maior autonomia e a necessidade de manutenção da aliança com Washington, garantidor da segurança, tem criado elementos de instabilidade na política interna do país asiático, em que progressistas anseiam por maior autonomia dentro da aliança, ao propor que Moon convença Trump a afrouxar a cooperação ao nível que permita Seul se impor a Pyongyang, ao mesmo tempo em que promove maior alavancagem com a China, com o intuito de apaziguar as objeções de Pequim em relação à instalação do THAAD.

Contudo, para a oposição sul-coreana, a crescente ameaça peninsular, bem como a ampliação das tensões regionais entre China, EUA e Japão aumentam o risco e restringe a buscar por maior autonomia. Dado o cenário, a oposição, bem como alguns analistas sul-coreanos entendem que as consequências possam ser devastadoras e, portanto, ponderar a maximização de influência e solidariedade dentro da aliança com os EUA é algo por ora inalcançável.

Para a Casa Branca, qualquer revisão de instrumentos disponíveis destinados a induzir uma mudança de direção em Pyongyang revela que a cooperação militar com a Coreia do Sul é fundamental.

Os custos para os Estados Unidos de ações unilaterais que possivelmente resultariam em mais riscos do que preservação da segurança de seus aliados ganha conotação proibitiva, a menos que sejam essenciais para a defesa da pátria contra um ataque iminente.

Para tanto, uma estratégia maciça de pressão e envolvimento multilateral adotada pela administração Trump passa pela necessidade de maior cooperação de Beijing, desde que a China também reconheça a importância da aliança dos EUA-Coreia do Sul como essencial para frustrar os objetivos norte-coreanos. Nesse sentido, acredita-se, haveria superação do impulso sul-coreano por mais autonomia ou da adoção de unilateralismo por parte dos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Trump e Presidente Moon Jaein em declaração conjunta na Casa Branca em 30 de junho de 2017” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/35520219101/in/photolist-V2Yr4j-VfXyEf-W7Nq1g-W7NpCH-QFKtP7-WkCuPw-WS4YNC-VPp32o-V4epSz-W6juAR-Wetb9Q-W35XaE-V36HRT-WS54gA-W54ZoX-UZetis-WHXH4X-WHXHAt-Vr569P

Imagem 2Sistema THAAD sendo transferido para caminhões na Base Aérea de Busan, Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:Two_THAAD_launchers_arriving_in_South_Korea_in_March_2017.jpg

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Refugiados venezuelanos buscam proteção no México

Enquanto a crise político-econômica da Venezuela se agrava, milhares de venezuelanos fogem do país em busca de melhores condições de vida. Durante os últimos anos, uma grande parcela desse contingente tem se deslocado para o México.

Migrantes centro-americanos seguem viagem rumo ao México

Em 2009, havia apenas 10 mil venezuelanos em território mexicano. Desde então, o Instituto Nacional de Migração (INM) já disponibilizou mais de 33 mil vistos de residência, trabalho e permanência temporária. Além disso, em 2016, cerca de 321 mil venezuelanos entraram como turista no país e, segundo o INM, a cifra atual dessa população é incerta, pois as fronteiras terrestres (com Belize e Guatemala) são pouco controladas. Entretanto, de acordo com o Global Trends de 2016, produzido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o México concedeu status de refugiado para 6.202 pessoas em 2016, fora as 2.647 solicitações de refúgio que ainda estão em processo de análise.

Existem talvez dois propósitos pelos quais os venezuelanos estejam migrando para lá, além das condições do próprio país de origem. Um deles pode ser o de adentrar o território para cruzá-lo e tentar ingressar nos Estados Unidos. O segundo propósito seria a existência do Programa Especial de Migração (PEM), que começou em 2014 e se estenderá até 2018.

Agente humanitário entrevista refugiada venezuelana

O objetivo do PEM é integrar os migrantes à sociedade mexicana a partir de políticas públicas que: promovam a cultura de valorização da migração e dos direitos humanos; incorporem questões de migração nas estratégias de desenvolvimento regional e local; consolide uma gestão eficaz de migração, com base em critérios de facilitação, responsabilidade internacional, segurança das fronteiras e segurança humana; e fortaleça o acesso à justiça e à segurança dos migrantes, familiares e aqueles que defendem os seus direitos.

Tal política migratória aparenta estar surtindo efeito. Segundo Mark Manly, representante do ACNUR no México, e Helmut Schwarzer, especialista em proteção social e desenvolvimento econômico da Organização Mundial do Trabalho (OIT), cerca de 42% dos refugiados no país estão empregados, mesmo que grande parte deles seja em empregos informais (condição bem comum no país). Dentre os setores que mais empregam refugiados, particularmente no Estado de Chiapas, estão: turismo, alimentação e limpeza. Já na Cidade do México, os setores de transporte e limpeza são os que mais contratam. Entretanto, Helmut alerta que 47% dos refugiados no mundo sofreram perdas no status laboral, ou seja, estão ganhando menos atualmente.

Mark ainda ressalta que o maior contingente de refugiados no México vem de El Salvador e Honduras que, juntos, somam 88% do total. Para ele, o Governo mexicano tem desempenhado com êxito o projeto de inclusão dos refugiados e destacou que o país não é mais um território apenas de trânsito, mas de destino, pois as políticas migratórias norte-americanas estão fazendo com que muitos migrantes desistam de tentar entrar nos Estados Unidos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Protesto contra Governo venezuelano” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Crisis_en_Venezuela_de_2013-actualidad

Imagem 2Migrantes centroamericanos seguem viagem rumo ao México” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_to_Mexico

Imagem 3Agente humanitário entrevista refugiada venezuelana” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Venezuela%E2%80%93Colombia_migrant_crisis

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EUA anunciam novas sanções sobre programa iraniano de mísseis balísticos

Na última terça-feira, 18 de julho 2017, o Departamento de Estado Norte-Americano anunciou novas sanções contra o Irã, em virtude de seu programa de mísseis balísticos e também acusando-o de apoio ao terrorismo. O movimento irá incluir uma lista negra de 18 pessoas apontadas de terem vínculos com as Forças Armadas iranianas, congelando seus ativos norte-americanos. As sanções foram anunciadas um dia após a administração de Donald Trump ter declarado de forma desgostosa, segundo o Democracy Now, que o Irã cumpriu pela segunda vez suas obrigações no âmbito do acordo nuclear negociado com Obama.

Os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha, União Europeia, Irã, Reino Unido e Estados Unidos, bem como diplomatas chineses e russos que anunciaram o quadro de um acordo abrangente sobre o programa nuclear iraniano (Lausanne, 2 de abril de 2015)

O Governo norte-americano acusou o Irã de apoiar o que chama de “atores iranianos ilícitos ou atividades criminosas transnacionais. Heather Nauert, Porta-Voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, culpou ainda o Irã de testar e desenvolver mísseis balísticos “em desafio direto” a uma Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reportou a Al Jazeera. Os EUA estão “profundamente preocupados com as atividades malignas do Irã no Oriente Médio que prejudicam a estabilidade, a segurança e a prosperidade regionais”, incluindo o apoio a grupos armados, ao regime sírio e a rebeldes Houthi no Iêmen, disse a Porta-Voz.

O acordo nuclear iraniano, assinado em 2015 pelo chamado P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França, China mais a Alemanha), limitou o programa nuclear iraniano em troca da suspensão de muitas sanções internacionais. Ainda como candidato presidencial, Trump prometeu “rasgar” o Acordo, chamando-o de “pior negócio”. Trump repetidamente condenou o acordo negociado pelo presidente Barack Obama como uma rendição perigosa ao Irã. Contudo, seis meses depois de sua Presidência, ele não o abandonou, informa o New York Times.

Logotipo da Organização de Energia Atômica do Irã

Funcionários da administração norte-americana anunciaram a certificação de cumprimento na noite de segunda-feira, 17 de julho, que por lei é obrigada a notificar o Congresso a cada 90 dias se o Irã está mantendo o acordado. Os funcionários enfatizaram que pretendiam endurecer o cumprimento do Tratado, aplicar novas sanções ao Irã pelo apoio ao terrorismo e outras atividades desestabilizadoras e negociar com parceiros europeus para elaboração de uma estratégia mais ampla para aumentar a pressão sobre Teerã.

Sob o Acordo, os Estados Unidos ainda podem penalizar o Irã por comportamentos como o desenvolvimento de mísseis balísticos ou o apoio ao terrorismo, “mas não podem simplesmente reaplicar as mesmas sanções que foram levantadas sob um disfarce diferente”, escreve Peter Baker. Neste caso, o Irã terá o direito de recorrer a uma Comissão Mista e argumentar que os norte-americanos estariam violando o pacto firmado.

Ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif

Em uma reunião de uma hora na quarta-feira passada, 12 de julho de 2017, todos os principais assessores de segurança do Presidente recomendaram que ele preservasse o acordo do Irã por ora. Os conselheiros teriam dito a Trump que precisavam de mais tempo para negociar com aliados e com o Congresso. Conforme saiu no New York Times, o Presidente teria passado a maior parte da reunião se opondo aos assessores, tendo, ao final, cedido pela manutenção.

O governo de Teerã argumentou que Trump já violou o acordo nuclear pressionando as empresas a não se envolverem com o Irã, mesmo com o levantamento das sanções nucleares. “Isso não somente viola o espírito, mas a letra do J.C.P.O.A. (Joint Comprehensive Plan of Action) do acordo nuclear”, disse Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores iraniano.

A contenda em torno da liberação ou sanção do programa nuclear iraniano está envolvida em um contexto regional maior de disputa por influência no Oriente Médio entre, de um lado, Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel; e, de outro, Irã, Rússia e Síria. Conforme escrevem Mohammad Zargham e Steve Holland para a Reuters, “a administração Trump está revendo a política sobre o Irã, não somente olhando para o cumprimento do acordo nuclear por Teerã, mas também seu comportamento na região, que Washington alega prejudicar os interesses dos Estados Unidos na Síria, no Iraque, no Iêmen e no Líbano”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Instalação IR40 em Arak, Irã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_program_of_Iran#/media/File:Arak_Heavy_Water4.JPG

Imagem 2Os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha, União Europeia, Irã, Reino Unido e Estados Unidos, bem como diplomatas chineses e russos que anunciaram o quadro de um acordo abrangente sobre o programa nuclear iraniano (Lausanne, 2 de abril de 2015)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Negotiations_about_Iranian_Nuclear_Program_-_the_Ministers_of_Foreign_Affairs_and_Other_Officials_of_the_P5%2B1_and_Ministers_of_Foreign_Affairs_of_Iran_and_EU_in_Lausanne.jpg

Imagem 3Logotipo da Organização de Energia Atômica do Irã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_program_of_Iran#/media/File:Iranische_Atomenergieorganisation_logo.svg

Imagem 4Ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mohammad_Javad_Zarif_2014.jpg

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As Relações Alemanha e China e o Governo Trump

A eleição do candidato republicano Donald Trump representou um ponto de inflexão nas relações entre Estados Unidos (EUA) e Alemanha. A partir de então, acentuaram-se as divergências entre Berlim e Washington no âmbito comercial e em torno das políticas globais de combate à mudança climática. Nessa mesma conjuntura, nota-se crescente aproximação entre o país europeu e a República Popular da China. Alemães e chineses convergem nos objetivos de combater o protecionismo econômico e institucionalizar os mecanismos internacionais de governança ambiental.

A Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante entrevista coletiva conjunta

As relações bilaterais entre EUA e Alemanha são marcadas pelos recorrentes déficits comerciais estadunidenses. De acordo com o United States Census Bureau, enquanto que em 1990 o déficit americano era de aproximadamente 5 bilhões de dólares, em 2015 esse número alcançou a cifra de 74 bilhões. Tal condição está sendo objeto de duras críticas por membro da administração de Donald Trump. Por exemplo, Peter Navarro, Diretor do Conselho de Comércio dos EUA, afirmou em janeiro de 2017 que a causa desse desequilíbrio era a desvalorização implícita da moeda alemã praticada por Berlim por meio do Euro. Em resposta, a Ministra da Economia da Alemanha, Brigitte Zypries, ponderou durante visita a Washington que “o superávit alemão é sobretudo em bens de capital, os quais estão sendo utilizados pelos americanos para reconstrução da sua economia”. 

Por outro lado, segundo o Departamento Federal de Estatística da Alemanha, a República Popular da China se tornou o principal parceiro comercial do país em 2016, ultrapassando a França e os EUA. Nesse contexto, Anton Boerner, Presidente da Federação Alemã de Comércio, argumentou que “tendo em vista os planos protecionistas do novo Presidente dos EUA, pode-se esperar que as relações comerciais entre China e Alemanha seguirão se fortalecendo”. No entanto, especialistas afirmam que Berlim percebe com apreensão a compra de empresas alemãs por companhias chinesas. Em novembro de 2016, Sigmar Gabriel, atual Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, afirmou que seu país “força suas empresas a respeitarem o livre-mercado, no entanto, nossas próprias companhias possuem grandes dificuldades para investirem na China”. Desse modo, nota-se que apesar do incremento nos fluxos de investimento e comércios, as relações econômicas entre Alemanha e China não estão livres de tensões. 

O Presidente da Argentina, Mauricio Macri, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Presidente da China, Xi Jinping, durante reunião do G20

Outro ponto de forte discordância entre os governos de Donald Trump e Angela Merkel são as políticas globais acerca da mudança climática. Em junho de 2017, Trump anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris. Em seguida, a Chanceler alemã comentou que a decisão era “extremamente lamentável” e afirmou que ela “não iria nem poderia impedir os esforços de todos que se sentem obrigados a proteger o planeta”. As críticas foram reiteradas durante a reunião do G20 realizada em Hamburgo, nos dias 7-8 de julho. De acordo com Angela Merkel “as negociações em torno da mudança climática refletiram o desacordo – todos contra os Estados Unidos da América”.

Nesse sentido, no dia 31 de maio, ao comentar os primeiros meses da política externa de Donald Trump, o embaixador alemão nos EUA, Petter Wittig, afirmou que “quando se trata da ordem internacional, não pode haver vácuo. Se nós perdermos a liderança americana, outros países irão assumir”. Apenas um dia após tal declaração, não só os EUA renunciavam ao Acordo de Paris, como também o Premier da China, Li Keqiang, se reunia com a Chanceler Angela Merkel em Berlim. Nessa ocasião, o líder chinês destacou que “a China continuará a implementação dos compromissos firmados no Acordo de Paris” e a Chefe de Governo alemã declarou que “a China se tornou um parceiro estratégico mais importante para nós”.

Portanto, percebe-se que as divergências entre EUA e Alemanha representam forte incentivo para aproximações entre alemães e chineses. No entanto, nota-se que tal conjuntura não implica em alinhamentos automáticos entre Berlim e Beijing. Assim, demonstra-se a grande autonomia que guia a atual política externa germânica. Nesse contexto, as palavras da chanceler Angela Merkel durante encontro de seu partido em julho são exemplares sobre o modo como o país percebe a conjuntura política internacional contemporânea. Conforme declarou: “o tempo em que nós podíamos contar com os outros chegaram ao fim. Isso foi o que eu percebi nos últimos dias.  É por conta disso que eu devo dizer que nós, europeus, devemos realmente decidir nosso próprio destino”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestante antiTrump em Hamburgo durante as reuniões do G20” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Berlin_United_against_Trump_(29951900836).jpg

Imagem 2A Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante entrevista coletiva conjunta” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Angela_Merkel_Donald_Trump_2017-03-17.png

Imagem 3O Presidente da Argentina, Mauricio Macri, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Presidente da China, Xi Jinping, durante reunião do G20” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/ce/Macri%2C_Merkel_%26_Xi_Jinping.jpg