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Evo Morales inicia campanha ao 4º mandato na Bolívia

Em 18 de maio de 2019, na pequena cidade de Chimoré, Departamento de Cochabamba, na região central da Bolívia, Evo Morales deu início à sua campanha para a reeleição que poderá levá-lo ao quarto mandato. O candidato participou de caminhada, ao lado do seu vice Álvaro Garcia, e discursou para um público que foi estimado em mais de um milhão de pessoas de todo o país.

Na Presidência da Bolívia desde 2006, Morales teve seu pleito à nova candidatura derrotado no Referendo de 2016, que ratificou a restrição imposta pela Constituição de 2009 de uma única reeleição. Seu Partido apelou ao Tribunal Constitucional Plurinacional, que em novembro de 2017 o autorizou a participar das prévias. A decisão julgou que o direito político estabelecido no Artigo 23 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos se sobrepunha à Carta Magna. Em dezembro de 2018, o Tribunal Supremo Eleitoral habilitou sua candidatura para as eleições de 2019.

Em visita à Bolívia um dia antes do início da campanha, o Secretário-Geral da OEA, Luís Almagro, declarou que a candidatura de Morales tinha respaldo jurídico legal. O Secretário chamou de “disparate a acusação, por parte da oposição, de estar defendendo o boliviano em troca de apoio para sua própria reeleição à OEA. Almagro, cujo mandato termina em maio de 2020, sete meses depois das eleições bolivianas, foi eleito em 2015 com 33 votos mais 1 abstenção dos 34 estados-membros e necessita de maioria simples (metade mais um, ou 18 votos) para uma possível reeleição.

Almagro ainda reforçou que não entende a reeleição como um direito humano, mas que a decisão da Suprema Corte Boliviana é soberana e, portanto, não pode ser contestada por instituições supranacionais. Durante a visita do Secretário, o Governo da Bolívia firmou acordo com a OEA para o envio de Missão de Observação Eleitoral para acompanhar o pleito, ocasião em que o Executivo boliviano convidou a ONU e a União Europeia a também enviarem observadores.

Chanceler da Bolívia assina acordo com Secretário-Geral da OEA

Opositores solicitaram apoio do Governo da Colômbia para realizar consulta à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) quanto à interpretação do Artigo 23 da Convenção Americana de Direitos Humanos. O Chanceler da Bolívia, Diego Pary, esclareceu que qualquer país-membro da OEA pode consultar a CorteIDH por intermédio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Entretanto, ele alega que não se pode encaminhar consulta sobre caso específico nem a resposta pode alterar a decisão da Corte Boliviana. Concluiu por lembrar que a Bolívia não interfere em assuntos internos da Colômbia e que espera daquele país a mesma postura respeitosa.

No comício de campanha, Morales ressaltou o desenvolvimento do país sob sua gestão, reconhecido inclusive por organismos multilaterais. Em meados de 2018 ele realizou viagens internacionais para estabelecer acordos com a Rússia e com a China. Em 17 de abril 2019 foi a Dubai visando atrair investidores dos Emirados Árabes Unidos. E, poucos dias antes, conseguiu que, pela primeira vez na história, um Presidente da Índia visitasse a Bolívia, quando firmaram diversos acordos de cooperação bilateral.

Pesquisa recente realizada pela Tal Cual para o periódico La Razón aponta 38,1% de intenção de votos para Evo Morales e 27,1% para Carlos Mesa, seu principal concorrente. O candidato Óscar Ortiz obteve 8,7%, bem abaixo dos 16,2% de votos ocultos (não sabe/não quis responder). Em La Paz e capitais de Departamento, Carlos ultrapassa Morales com 32,6% contra 31%, mas nas cidades médias e zona rural perde por diferença superior a 30 pontos. O maior percentual a favor de Evo por Departamento é de 47%, em Cochabamba, o que explica o fato dele ter iniciado ali a sua campanha.

A segunda parte da pesquisa trata da economia e 60% dos entrevistados declararam que vivem “muito melhor” que seus pais e 71% crê que seus filhos viverão “muito melhor”. No total são 8 candidatos disputando o posto de Executivo e o percentual de votos ocultos ocupa a 3ª posição na média. Esse cenário favorece a Evo que tem inclusive o apoio da antes antagonista Central Obrera Boliviana (COB), similar à brasileira Central Única dos Trabalhadores. Confiante, ele desafiou a oposição a se unir em torno de uma candidatura e de um partido para enfrentá-lo, o que já foi descartado de imediato por 3 candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Evo Morales inicia campanha em Chimoré” (Fonte): https://www1.abi.bo/fotografias/2019/05/18/0061.jpg

Imagem 2 Chanceler da Bolívia assina acordo com SecretárioGeral da OEA” (Fonte): http://www.cancilleria.gob.bo/webmre/system/files/images/WhatsApp%20Image%202019-05-17%20at%2014_45_23.jpeg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Colômbia inaugura 1º centro latino-americano da indústria 4.0

Foi inaugurado em 30 de abril de 2019 o Centro para a Quarta Revolução Industrial (em inglês, Center for Fourth Industrial Revolution, ou C4IR), na cidade de Medellín, com a presença de Ivan Duque, Presidente da Colômbia. A primeira instituição latino-americana dessa natureza trabalhará em projetos relacionados a Inteligência Artificial, internet das coisas, robótica, cidades inteligentes, aprendizagem automática e blockchain

O Presidente havia proposto, em 2018, abrigar o primeiro centro em país de língua espanhola. Em janeiro de 2019, a ideia foi acatada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e o anúncio foi feito pelo próprio mandatário colombiano, em conferência de imprensa realizada no evento, em 23 de janeiro de 2019.

O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum, ou WEF, em inglês) é uma organização internacional, sem fins lucrativos, criada em 1971, com sede em Genebra, Suiça, e busca engajar políticos, empresários e lideranças para elaboração de agenda global, local e industrial. O WEF se autodenomina como uma instituição “independente, imparcial e não vinculada a interesse específico”. As críticas ao WEF fizeram nascer o Fórum Social Mundial, como um contraponto de ideias e o slogan “um outro mundo é possível”.

Os Centros para a Quarta Revolução Industrial (C4IR) são espaços que reúnem diversos stakeholders para elaborarem políticas e estabelecerem acordos de colaboração que permitam superar entraves e acelerar os benefícios da ciência e da tecnologia. O primeiro C4IR foi estabelecido em março de 2017, em San Francisco, Estados Unidos; em 2018 foi a vez da Índia, China e Japão. Em 2019 foram abertas as unidades dos Emirados Árabes Unidos (28 de abril), da Colômbia (30 de abril) e a rede de C4IRs em breve contará com unidades na África do Sul e Israel.

Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google

Duque, que tem buscado colocar seu país na vanguarda da indústria 4.0, ou  quarta revolução industrial, esteve nos Estados Unidos, nos dias 8 e 9 de maio de 2019,  onde cumpriu agenda de visitas a  megaempresas da área tecnológica. No primeiro dia, no Vale do Silício, ele esteve acompanhado de 14 empreendedores colombianos que tiveram a oportunidade de apresentar seus negócios e casos de sucesso. A aceleradora de empreendimentos 500 Startups interessou-se em apoiar os jovens empresários.

A Apple manifestou interesse em participar do C4IR de Medellín, apoiar na área de educação e em políticas ambientais. Com a Cisco foi assinado um acordo para modernização das instituições públicas, dentre outras coisas. Ivan Duque pediu à Google apoio para estender o acesso à internet a lugares remotos e que identificasse empreendedores nativos que possam colaborar no trabalho.

Segundo ele, a Microsoft prometeu investir quase 10 bilhões de pesos (cerca de 12 milhões de reais à taxa de 10 de maio de 2019) em conectividade para atender em torno de 150 mil pessoas, cujo acesso à tecnologia é precário. Na Amazon, o Presidente encontrou colombianos que trabalham na empresa e iniciou conversações para o estabelecimento de uma parceria.

Em Medellín já existe o centro de inovações e negócios Ruta N, em cujo complexo está também sediado o C4IR e, além disso, funciona em Bogotá o Innpulsa, instituição de gestão do crescimento empresarial do governo federal.  Embora criada em 2012, na gestão de Juan Manuel Santos, antecessor de Duque, a organização tem como objetivos atuais levar a Colômbia a ser uma das 3 economias mais inovadoras até 2025, e uma das mais competitivas da América Latina até 2032.

Além das instituições existentes no país e dos investimentos que estão sendo feitos, Ivan Duque aposta na indústria criativa, também conhecida como economia laranja. Duque é coautor do manual “A Economia Laranja: uma oportunidade infinita”, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e disponível para download em quatro idiomas. Ao final das visitas ele declarou que tem como meta que a Colômbia seja vista como protagonista na América Latina, atraindo investimentos e obtendo êxito no setor tecnológico e de indústrias criativas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Complexo Ruta N, onde funciona o C4IR de Medellín” (Fonte): https://www.rutanmedellin.org/images/rutan/edificio/arutan.jpg

Imagem 2 Presidente Ivan Duque concede entrevista na saída da visita ao Google” (Fonte): https://id.presidencia.gov.co/Galeria_Fotografica/190508-Google-1800.jpg

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Rússia e EUA: aspectos políticos sobre a crise da Venezuela

Uma nova etapa da crise política da Venezuela tomou forma, no dia 30 de abril de 2019, quando o autoproclamado Presidente, Juan Guaidó, lançou o que foi chamado de “a fase final da Operação Liberdade”, um movimento iniciado em janeiro deste ano (2019), e que envolveu tanto civis como militares em uma ação para a derrubada do atual presidente Nicolás Maduro.

Para analistas internacionais, a ação não só poderá resultar num conflito civil de grandes proporções, o que causará mais desalento a já cambaleante nação venezuelana, como também é mais uma peça a ser somada ao cenário geopolítico que esta ressuscitando velhos fantasmas ideológicos na região, por conta da repercussão internacional envolvendo EUA e Rússia.

Considerando aspectos históricos na relação entre as duas nações, a extinta URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas) geralmente evitava intervir diretamente na América Latina durante a Guerra Fria, e os Estados Unidos adotavam postura semelhante na Europa Oriental. Ambas as regiões eram consideradas “zonas de influência” das superpotências globais, onde cada qual tinha um amplo controle político e militar na sua respectiva Zona, ao menos oficialmente, levando-se em consideração a exceção que foi o caso de Cuba*.

Protestos na Venezuela

Passadas quase três décadas da dissolução da União Soviética, a Federação Russa adentra no território latino-americano como principal protagonista estrangeiro, dando sustentação internacional crucial a Nicolás Maduro, cujo governo, e o de seu antecessor, o presidente Hugo Chávez (1999-2013), assumiram fortes laços político-econômicos com o Governo russo, principalmente no tocante à aquisição de material bélico, tais como aviões de combate, tanques e sistemas de defesa aérea, deixando claro que a Venezuela não é mais considerada como um país sob influência dos EUA.

A ideia da influência norte-americana sobre a América Latina remete aos princípios da doutrina Monroe, implementada pelo presidente americano James Monroe, em 1823, que se resumia na frase “América para os americanos”, estabelecendo que qualquer intervenção europeia em qualquer território do continente americano seria vista como uma agressão que demandaria a intervenção dos EUA, espalhando, assim, sua própria hegemonia sobre a região.

A força dessa ideologia permanece nos dias de hoje ao ser evocada pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, para justificar a política norte-americana para a Venezuela, principalmente pelo fato da presença explicita de comitiva militar russa em território venezuelano, o que, para especialistas, é algo excepcional, mesmo para os antigos parâmetros da Guerra Fria.

A Rússia, por sua vez, destaca que sua presença na Venezuela foi pactuada com o Governo daquele país e está de acordo com as leis internacionais, além de ressaltar que irá criar grupo internacional para atuar contra os planos de intervenção militar norte-americana, o que, segundo o Kremlin, iria contra os preceitos do Direito Internacional e da Constituição da Venezuela. O chanceler russo Sergei Lavrov informou que as posições de Moscou e Washington sobre a crise no país sul-americano são “inconciliáveis”, mas ressaltou que as autoridades russas estão dispostas e prontas ao diálogo.

Jornalista ferido em confrontos na Venezuela

Enquanto o embate político entre EUA e Rússia tomam proporção, órgãos internacionais como ONU (Organização das Nações Unidas), OEA (Organização dos Estados Americanos) e União Europeia, através do Grupo de Contato Internacional (ICG – International Contact Group) apelaram para uma solução pacífica e democrática desenvolvida pela própria Venezuela, respeitando os direitos humanos e as liberdades civis, e que, de uma forma urgente, terminem com a terrível situação humanitária a qual se agravou com os últimos acontecimentos.

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Nota:

* Em 1962, quando um avião espião dos EUA descobriu a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha, o mundo chegou à beira de uma guerra nuclear. O episódio ficou conhecido como a “crise dos mísseis.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/303179

Imagem 2 Protestos na Venezuela” (Fonte): http://www.as-coa.org/sites/default/files/styles/tab_content_detail/public/VenProtest643.jpg?itok=1GEYMUV_

Imagem 3 Jornalista ferido em confrontos na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/329828

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Chile estreita relações com a China

Sebastián Piñera, Presidente do Chile, esteve em visita à China de 24 a 28 de abril de 2019, onde firmou Plano de Ação 2019-2022 com catorze matérias. A pauta incluiu as áreas de política, comércio, ciência, tecnologia, inovação e empreendimento, nas quais ambos ao países aprofundarão a cooperação pelos próximos três anos.

Piñera foi recebido por Xi Jinping, Presidente da China, no Grande Palácio do Povo, onde assinaram o acordo, e  encontrou-se também com o líder do Parlamento Chinês, Li Zhanshu, com quem tratou de intercâmbio de acadêmicos e capacitação de técnicos.  Com o Primeiro-Ministro, Li Keqiang, o diálogo versou sobre relações econômicas e investimentos chineses em transporte, energia e infraestrutura no Chile.

Piñera fala a empresários chineses, em almoço de negócios

A agenda seguinte incluiu diversas atividades, tais como:  visita à Didi, empresa de transporte por aplicativos, que iniciará operação em território chileno ainda em 2019; almoço de negócios com executivos de 16 grandes empresas chinesas, onde se discutiu a ampliação das relações comerciais; reunião com empresas de eletromobilidade, dentre elas a BYD e a Yutong. Entre dezembro de 2018 e março de 2019, as 2 empresas forneceram ao Governo Chileno um total de 200 ônibus 100% elétricos, a maior frota da América Latina, e que torna o Chile, depois da China, o país com mais ônibus elétricos em circulação.

Em 25 de abril, em um fórum de investimentos e inovação, Piñera declarou que deseja fazer do Chile uma porta de entrada para que empresas chinesas alcancem todo o continente latino-americano. E foi o único Chefe de Estado da América Latina a participar do II Fórum Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional (26 de abril). Ele também inaugurou um evento de promoção de vinhos na capital, Pequim, no dia 25. O país asiático tornou-se o principal destino do produto chileno depois que o volume importado se ampliou de 200 mil caixas em 2006 para 8 milhões em 2018.

A relação sino-chilena, que completará 50 anos em 2020, tem alguns marcos importantes: o Chile foi o primeiro país sul-americano a estabelecer laços diplomáticos com Pequim, em 1970, e o primeiro na América Latina a estabelecer acordo bilateral e reconhecer o status de economia de mercado da China, quando do seu ingresso na OMC. Em 2005 foi assinado o primeiro Tratado de Livre Comércio, nas gestões de Ricardo Lagos (Chile) e Hu Jintao (China).

Piñera, único Chefe de Estado da América Latina no II Fórum do Cinturão e Rota

Os laços têm sido reforçados nestes últimos treze anos em que Michele Bachelet e Sebastián Piñera tem se alternado no Governo chileno. Na primeira visita de Xi Jinping ao Chile, em 2016, ele e Bachelet elevaram a relação para uma parceria estratégica abrangente, que já vinha sendo gestada desde 2013, com Piñera. O comércio foi multiplicado sete vezes de 2006 a 2018 e, atualmente, a China é o destino de 28% das exportações do Chile, e seu principal parceiro comercial. A parceria extrapola o campo do comércio e, em 2018, uma frota naval chinesa visitou o país andino, onde realizou exercícios militares com a Armada chilena.

Recentemente, em início de abril de 2019, esta união foi criticada pelo Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que também criticou a presença chinesa na América Latina. Piñera declarou em Pequim que cada país tem o sistema político que deseja, mas o que importa neste caso é que Chile e China estão buscando ações pragmáticas que gerem benefícios a ambos os povos. Este giro pela Ásia incluiu uma visita à Coreia do Sul, no domingo (28 de abril), com retorno a Santiago na segunda-feira (29).

Pesquisa recente elaborada pela empresa chilena Cadem, com chilenos que tem conhecimento da guerra comercial entre EUA e China, apresentou os seguintes resultados: mais da metade dos chilenos (51%) acredita que o Chile deve estreitar a relação com os chineses, 25% entende que deve ser com os EUA e 15% com ambos. Os respondentes também reconhecem que é a China (60%) e não os EUA (33%) o principal parceiro comercial do seu país. No que se refere à boa imagem dos aliados, a China obteve 77% versus 61% de adesão aos norte-americanos e Xi Jinping tem mais que o dobro (61%) de Trump (30%).

A pesquisa de 24 de abril de 2019, denominada Estudo 275, avaliou também o desempenho do Gabinete do Governo Piñera com 48% de desaprovação e apenas 31% de aprovação. No comando da nação que recentemente foi indicada pela Forbes como “o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019”, e pela ONU como “o país mais feliz da América do Sul”, Sebastián Piñera parece estar fazendo uma opção que atraia mais investimentos para o Chile e melhore a avaliação do seu governo.

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Imagem 1 Piñera é recebido no Grande Palácio do Povo, por Xi Jinping” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim7371_653x431.png

Imagem 2 Piñera fala a empresários chineses, em almoço de negócios” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim9861_653x431.png

Imagem 3 Piñera, único Chefe de Estado da América Latina no II Fórum do Cinturão e Rota” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim3406_653x431.png

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Rússia inaugura centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela

No dia 29 de março (2019), foi inaugurado um novo centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela. A área foi construída com o auxílio da Rosoboronexport, exportadora de armamentos da Rússia que pertence à estatal Rostec, em parceria com a CAVIM, empresa estatal venezuelana do setor militar.

O objetivo do Centro é instruir pilotos venezuelanos no comando dos helicópteros russos da linha Mi, como o Mi-17V-5, o Mi-35M e o Mi-26T. De acordo com a Rosoboronexport, “atualmente, os helicópteros russos fornecidos à Venezuela não só participam de operações contra contrabandistas, mas também realizam com sucesso levantamentos aéreos de incêndios florestais, participam de missões de resgate e evacuação em áreas atingidas por desastres naturais e transportam cargas humanitárias para regiões remotas do país”. Ainda segundo comunicado da empresa exportadora, espera-se a ampliação contínua da cooperação de defesa entre os dois países, agora atentando-se à capacitação de especialistas e na manutenção dos equipamentos.

A inauguração do novo centro de treinamento ocorre em meio ao escalonamento das tensões entre a Venezuela e o seu entorno regional, principalmente com os Estados Unidos (EUA). No dia 23 de março (2019), dois aviões que transportavam militares russos e 35 toneladas de carga pousaram na capital Caracas. Esse acontecimento despertou desconfianças quanto às intenções russas na região e o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, entrou em contato com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, para esclarecer a situação.

Projeção Ortográfica do Mi-24

De acordo com um diplomata russo, na conversa entre os dois líderes foi explicado que esses militares foram enviados com o objetivo de garantir a manutenção de equipamentos fornecidos sob um acordo intergovernamental, ratificado pelo Parlamento venezuelano, em 2001. Embora tenham apresentado essa justificativa, o governo norte-americano segue em alerta. Pompeo declarou que os EUA não relevariam as ações russas na Venezuela e o presidente Trump declarou publicamente que a Rússia tem que sair do país sul-americano.

A partir do posicionamento americano, o ministro da defesa venezuelano Vladimir López declarou que, embora haja reclamações das atividades militares da Federação Russa em seu país, não há um descontentamento igual ou similar ao aumento das atividades militares dos EUA. De acordo com López, “Ninguém diz nada quando tentam violar a soberania da Venezuela”.

A situação política do país sul-americano, portanto, é conturbada, e as relações entre Rússia e EUA seguem inconstantes, com várias discordâncias. Enquanto o governo norte-americano reconhece Juan Guaidó, líder da oposição, como Presidente Interino da Venezuela, os russos seguem apoiando Nicolás Maduro como o líder legítimo do país. Entretanto, de acordo com o cientista político russo Gevorg Mirzayan, seu governo não tem a intenção de salvar Maduro, “os objetivos são mais globais. O programa mínimo é reforçar o prestígio [da Rússia] nos países do Terceiro Mundo. O programa máximo é forçar os EUA a reverem as relações russo-americanas”.

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Imagem 1Um Mi24PN russo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg/800px-Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg

Imagem 2Projeção Ortográfica do Mi24” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Mil_Mi-24_HIND.svg/800px-Mil_Mi-24_HIND.svg.png

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Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg