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Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg

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Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

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Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

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EUA fica em alerta com nova chegada de soldados e equipamentos militares russos na Venezuela

Ontem, domingo, dia 24 de março, agências de notícias informaram ao mundo que a Federação Russa enviou à Venezuela pouco mais de 100 militares*, dentre eles o general Vasily Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres da Rússia, além de 35 toneladas de equipamentos bélicos. Segundo consta, o jato Ilyushin IL-62 levou passageiros e o cargueiro Antonov NA-124 transportou o equipamento.

Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015

Tanto as autoridades russas quanto as venezuelanas evitaram emitir comentários, mas a veracidade das informações foi obtida graças as comunicações feitas por um site responsável por acompanhar voos (Flightradar 24), o qual apresentou que dois aviões saíram de um aeroporto militar Chkalovsky, na Rússia, no dia 22, sexta-feira, em direção a Caracas, fazendo escala na Síria. E, ontem, dia 24, outro site, o Adsbexchange, informou que o avião de cargas decolou da Venezuela neste mesmo dia. Ao longo do domingo, a agência russa Sputnik confirmou o fato.

O evento vem trazendo desconforto aos EUA que já em dezembro de 2018 se manifestaram de forma rígida em relação ao pouso de dois bombardeiros estratégicos russos (TU-160) em Caracas, ao ponto de Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano, ter declarado naquele momento que eram “dois governos corruptos desperdiçando fundos públicos e reprimindo a liberdade”, algo incomum na diplomacia, já que se trata da referência de forma ofensiva ao governo de uma superpotência.

A situação está tensa, pois, se naquela ocasião as explicações para a presença dos aviões TU-160 era a realização de exercício militares conjuntos, acertados há anos anteriores, sendo apenas uma sequência de acordos firmados, neste momento, os rumores são de que os russos desejam aparelhar e auxiliar o governo Maduro, diante da possibilidade cada vez maior de que haja uma intervenção externa no país, ou uma ação coordenada para forçar a renúncia do Presidente que está sob questionamento e não detém reconhecimento da Oposição venezuelana, de mais da metade da população do país e de mais de 50 Estados pelo mundo, os quais aceitam como legítima a Presidência Interina de Juan Guaidó.

Rússia e China são os principais credores e apoiadores da Venezuela, havendo bilhões de dólares em ativos a serem recebidos, e não aceitarão a queda do governo por meio do auxílio dos Estados Unidos, sabendo que isso significaria a perda dos valores envolvidos. Conforme vem sendo exposto por analistas ao longo deste período, a saída para a crise passaria diretamente pela negociação de Guaidó com chineses e russos.

Acredita-se que isso será difícil, devido ao papel que os norte-americanos vêm desempenhando na situação. Também se tem como certo que, neste momento do governo Trump, os Estados Unidos não aceitarão dialogar, principalmente com os russos, acrescentando-se ainda que, juntamente com as duas grandes potências que apoiam o governo bolivariano, Irã e Turquia também estão defendendo Maduro, sendo estes dois outros atores que se posicionam como adversários da política externa norte-americana, especialmente para o Oriente Médio e para o leste da Europa, e eles também detêm apoio expressivo da Federação Russa.

Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela

A chegada dos militares e de equipamentos bélicos russos demonstra indiretamente que Guaidó está perdendo o terreno para possível negociação com chineses e com a Rússia, apesar de haver informações de que a China está conversando paralelamente com o autoproclamado Presidente Interino e este, por sua vez, ter declarado em ocasiões recentes que estava aberto a conversar com o governo Putin.

Diante do quadro, o cenário fica mais tenso, podendo fazer com que o reforço a Maduro dado pelos russos leve a mais respostas duras contra os opositores e a mais violência nas ruas, podendo gerar a ruptura que se acredita que cedo ou tarde ocorrerá, mesmo porque se sabe que serão muito altos os custos econômicos para os russos em um envolvimento bélico numa guerra civil que se dê em território tão distante do seu, de forma que não será surpresa que a Oposição e seus apoiadores externos apostem na ruptura direta, mesmo com o suposto apoio que se está aventando.

No entanto, observadores apontam que a Rússia tem em mente a criação em futuro breve de uma base militar em território venezuelano, ou talvez a consolidação de algo já existente, com o interesse de fazer um avanço geoestratégico em relação aos Estados Unidos, sendo assim, no caso de todos apostarem na ruptura, o resultado poderá ser uma guerra civil mais duradoura e mais violenta.  

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Nota:

* As informações são imprecisas, apresentando algumas fontes 100 militares, outras quase cem e, outras, centenas de militares, sendo mais confiável acreditar que chegaram 100 militares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Vasilii_Petrovich_Tonkoshkurov#/media/File:Vasiliy_Tonkoshkurov_(2016).jpg

Imagem 2 Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Guaid%C3%B3#/media/File:Juan_Guaido_alternative_version.jpg

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Equador obtém reconhecimento do Banco Mundial por política social inclusiva

Em recente visita realizada ao Equador, o Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Axel van Trostenburg, elogiou as políticas sociais do Governo voltadas para os segmentos mais vulneráveis da população. Trostenburg destacou a abordagem integral do trabalho, por ocasião de visita às brigadas da Misión Las Manuelas, em Quito, no dia 7 de março de 2019.

A Misión Las Manuelas busca “garantir a atenção integral a pessoas com deficiência e a seus núcleos familiares” por meio de visitas de equipes multidisciplinares (as brigadas) realizadas a domicílios no país, para identificar pessoas com deficiência em estado de extrema pobreza. A estas pessoas são fornecidos meios de desenvolver e fortalecer suas capacidades, habilidades e competências, visando inseri-las no mercado laboral. As características individuais são respeitadas na abordagem, além disso, os beneficiários são protagonistas das decisões que impactarão suas vidas. Casos de agressão recebem o tratamento adequado e atenção à saúde é ofertada de modo contínuo e integral para que alcancem o melhor nível possível de bem-estar mental, físico e social.

A missão foi criada originalmente em 2009, na gestão de Rafael Correa, tendo Lenín Moreno como seu Vice-Presidente, por meio de um acordo de cooperação com Cuba e se chamava Misión Solidaria Manuela Espejo, em homenagem à enfermeira equatoriana Manuela Espejo que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Moreno, que é cadeirante desde 1998, foi entusiasta da iniciativa e tratou de reinseri-la na agenda governamental, já como Presidente, em novembro de 2017, como parte do Plan Toda Una Vida. Segundo o periódico equatoriano El Telégrafo, Moreno tratou de reativar o projeto, agora como Misión Las Manuelas, alegando que foi abandonado pelos governos anteriores porque as pessoas com deficiência não têm direito a voto.

Las Manuelas é uma das sete missões do  “Plan Nacional de Desarrollo 2017-2021 Toda una Vida”, conhecido como Plan Toda Una Vida, que atua com foco em três eixos: 1) Direitos para todos por toda a vida; 2) Economia a serviço da sociedade; 3) Mais sociedade, melhor Estado. As outras seis missões são: 1) Casa para todos; 2) Ternura; 3) Menos pobreza, más desarollo; 4) Mujer; 5) Mis Mejores Años e 6) Impulso Joven. Os objetivos do Plano são convergentes com os da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e a gestão está a cargo de um Comitê Interinstitucional presidido pela primeira dama Rocío González de Moreno.

Axel Trostenburg, que tomou posse como Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, em 1º de fevereiro de 2019, conheceu o trabalho em Quito, acompanhado do Presidente, da Primeira Dama e da Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida. Ele, então, demonstrou interesse em divulgar a Misión Manuelas como um modelo aplicável ao atendimento dos mais de hum milhão de pessoas com deficiência no mundo.

Objetivos do Misión Manuelas

Em final de fevereiro passado o Misión Manuelas já havia despertado o interesse da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) quando, em reunião conjunta, o Governo do Equador sugeriu que a capital, Quito, sediasse a primeira reunião do “Programa Iberoamericano sobre direitos das pessoas com deficiência”, a ser realizado de 1º a 2 de abril. A SEGIB, conforme informado no seu site, é “um organismo internacional que apoia os 22 países que constituem a comunidade ibero-americana: 19 da América Latina de língua espanhola e portuguesa, e Espanha, Portugal e Andorra, na Península Ibérica”. Nessa ocasião deverão ser eleitas a Presidência e a Unidade Técnica e os equatorianos manifestaram o desejo de liderar a iniciativa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trostenburg acompanha Presidente do Equador, Primeira Dama e Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-07-at-11.57.16.jpeg

Imagem 2 Objetivos do Misión Manuelas” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2017/07/misionLasManuelas-01-768×803.png

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México, El Salvador, Guatemala e Honduras fecham acordo para atender fenômeno migratório

As Repúblicas do México, El Salvador, Guatemala e Honduras concordaram em construir um Plano de Desenvolvimento Integral para promover o desenvolvimento e as oportunidades da região, contribuindo para a prevenção do fenômeno migratório e atacando simultaneamente suas causas estruturais.

O ‘Triângulo Norte da América’ Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência

A ligação e as semelhanças entre o sul do México, El Salvador, Guatemala e Honduras enfatizaram a necessidade de abordar o fenômeno da migração como um problema complexo que requer governança adequada para facilitar a migração segura, ordeira e regular, de uma perspectiva regional e abrangente, bem como todo o ciclo da migração (origem, trânsito, destino e retorno), respeitando os direitos humanos.

Como parte das ações acordadas, será criado um fundo com o objetivo final de implementar o Plano de Desenvolvimento Integral, que inclui programas e projetos capazes de criar empregos e combater a pobreza.

Os líderes instruíram seus respectivos Ministérios estrangeiros, que irão trabalhar com o apoio da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal), para coordenar, durante o primeiro trimestre de 2019, as atividades de identificação e unificação das áreas de oportunidade existentes, bem como implementar o Plano de Desenvolvimento Integral em harmonia com os objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e do Pacto global para as Migrações.

Após a assinatura do acordo, no último sábado (dia 1o de dezembro), pelos Chefes de Estado – Andres Manuel Lopez Obrador (México), Jimmy Morales Cabrera (Guatemala), Juan Orlando Hernández Alvarado (Honduras) e Oscar Samuel Ortiz Ascencio (El Salvador) – os países da América Central comemoraram a iniciativa do Presidente mexicano, que está comprometido agora em fortalecer o desenvolvimento social e combater as causas da migração.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da América Central” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_na_Am%C3%A9rica_Central

Imagem 2O Triângulo Norte da América Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Tri%C3%A1ngulo_Norte_de_Centroam%C3%A9rica

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Mexicanos que vivem na fronteira norte rejeitam migrantes centro-americanos

Rejeitada de forma dura pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e exausta após uma jornada angustiante, a caravana de migrantes da América Central enfrenta agora a hostilidade de alguns mexicanos.

Direção da Caravana de Migrantes

Um pequeno grupo de moradores de um bairro de classe alta de Tijuana, perto da fronteira dos Estados Unidos, entrou em conflito com a caravana de migrantes recém-chegados na noite da última quarta-feira (dia 14 de novembro), atirando pedras e dizendo a eles que voltassem para seus países de origem. “Saia daqui”, gritaram cerca de 20 pessoas em um acampamento de hondurenhos perto da fronteira. “Queremos que vocês voltem ao seu país. Vocês não são bem-vindos”.

Os Migrantes revidaram e dezenas de policiais tiveram que intervir para manter a paz em uma cidade conhecida por receber turistas americanos e milhares de imigrantes todos os anos. A caravana composta por milhares de pessoas, em sua maioria hondurenhos que estão fugindo da violência e da pobreza, iniciou a jornada rumo aos Estados Unidos em meados de outubro. Trump declarou que se trata de uma “invasão” e enviou cerca de 5.800 soldados para “fortalecer” a fronteira.

Com algumas exceções, o México acolheu os centro-americanos, oferecendo comida e alojamento nas cidades durante a jornada. Os migrantes disseram que ficaram chocados com a atitude hostil em Tijuana e um deles declarou: “Nós não somos criminosos. Por que eles nos tratam assim se em todos os lugares que viajamos no México nos trataram bem? Pense nas crianças que estão aqui, por favor”. No entanto, pesquisas recentes mostram uma considerável minoria de mexicanos que se opõem a ajudar os migrantes enquanto eles se dirigem aos Estados Unidos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Família de Migrantes” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Caravanas_de_migrantes_centroamericanos_rumbo_a_Estados_Unidos

Imagem 2Direção da Caravana de Migrantes” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Caravana_de_migrantes_da_Am%C3%A9rica_Central