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Candidatura das FARC à Presidência da Colômbia

Ao integrar-se à vida política e democrática da Colômbia, após os acordos de paz que permitiram ao antigo grupo guerrilheiro se tornar um partido político chamado Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), o novo partido anunciou que entrará na corrida presidencial de 2018, tendo como seu candidato o líder Rodrigo Lodoño, mais conhecido como Timochenko. Em sua página no twitter está publicado um vídeo contando um pouco de sua trajetória e logo acima se encontra escrito: “Presentamos un perfil de @TimoFARC , elegido por el partido Fuerza Alternativa Revolucionaria del Común como su candidato presidencial”.

Candidatos à Presidência pelas FARC

A questão ainda não está fechada. Lodoño menciona em seu twitter a disposição em consultar as bases da FARC e declarou: “Nunca nas FARC eu disse não a uma tarefa. Desta vez, não será a exceção. Mas eu quero consultar as pessoas do Comum”. A questão será discutida nas próximas reuniões partidárias e a previsão para a definição de sua candidatura é dezembro de 2017.

Segundo artigo no jornal El Espectador, publicado em 3 de outubro de 2017, apesar da imagem da guerrilha ser recente e, evidentemente negativa, é uma oportunidade para medir o tamanho eleitoral da FARC como partido. Ainda segundo o artigo, existem outras pendências, ou seja, uma concessão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que seria permitido com a aprovação do Projeto de Lei da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) pelo Congresso Nacional da Colômbia. Ainda em seu twitter, Lodoño publicou um post de sua candidatura tendo como Vice a militante histórica Imelda Daza.

A eleição presidencial de 2018 poderá ter os ex-presidentes Uribe e Pastrana de um lado e as FARC de outro, um embate, mas agora nas urnas. Em 22 de junho de 2017, o mesmo jornal, El Espectador, divulgou uma aliança entre os ex-presidentes Andrés Pastrana e Álvaro Uribe chamada de “Projeto Democrático”. Disseram que apresentarão um candidato único à Presidência em 2018. Pastrana se referiu à candidatura de Timochenko como: El NarcoCandidato de la NarcoGuerrilla de las Farc. Esta aliança foi impulsionada pela vitória do “não” no plebiscito que perguntava ao povo da Colômbia “sim” ou “não” para o Acordo de Paz entre o Governo e os grupos guerrilheiros.

A Colômbia começa a viver um momento singular, ainda não visto na sua história. O trabalho dos ex-guerrilheiros agora é dentro das regras da democracia eleitoral, estruturando-se na seguinte imagem: de um lado, há setores que possuem o predomínio econômico e está a antiga elite política; de outro, um grupo político composto por antigos guerrilheiros, agora inseridos no sistema democrático vigente no país, e com um discurso de atendimento às demandas sociais, tais como o combate à miséria, distribuição da riqueza, a reforma agrária, entre outras, colocando a democracia colombiana sob teste em 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Militante com a bandeira da FARC” (Fonte):

https://twitter.com/FARC_EPueblo/status/926049919101755392

Imagem 2Candidatos à Presidência pelas FARC” (Fonte):

https://twitter.com/FARC_EPueblo/status/926990541363073024

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Macri defende embargo petroleiro à Venezuela

No dia 7 de novembro, terça-feira passada, em Nova York, o presidente argentino Maurício Macri defendeu que os Estados Unidos deveriam estabelecer um embargo completo à Venezuela, incluindo às exportações de petróleo. A declaração foi feita durante entrevista à revista Financial Times e insere-se em um contexto de intensificação da retórica e das medidas de pressão à administração de Nicolás Maduro. Em agosto, os Estados Unidos impuseram sanções a altos funcionários do Governo e às transações financeiras que envolvessem títulos da dívida do país ou compra de bônus da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

Presidente argentino Maurício Macri

Macri defendeu que, se adotado, o embargo ao petróleo venezuelano teria amplo apoio na América Latina e declarou que o tema já foi objeto de conversa com líderes regionais no âmbito do Grupo de Lima, articulação criada para discutir a crise venezuelana. Contudo, dificilmente seria consensual na América do Sul, já que os governos de Evo Morales e Lenin Moreno são mais próximos a Maduro.

Ressalte-se que o embargo ao petróleo venezuelano é pouco apoiado nos Estados Unidos. De acordo com a reportagem do Financial Times, no ano passado (2016), oito por cento das importações estadunidenses de petróleo tinham o país bolivariano como origem. Assim, a questão tem impacto econômico e afetaria a indústria de refino, e os senadores do Texas e da Lousianna resistem à medida.

Mesmo que a ampliação das sanções proposta por Macri fosse adotada, não há garantia de sucesso, seja para promover a mudança de governo no país ou a retomada da democracia liberal. O embargo imposto à Cuba, em 1960, por exemplo, não levou à queda do regime, mesmo após a desintegração da União Soviética e, atualmente, é alvo de crítica nos Estados Unidos. Além disso, o rompimento de relações comerciais também poderia aproximar a Venezuela ainda mais de outros países, como a China ou a Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Continente americano com Venezuela em destaque” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela#/media/File:Venezuela_Orthographic_Map.svg

Imagem 2Presidente argentino Maurício Macri” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mauricio_Macri_2016.jpg

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Presidência peruana à sombra do Fujimorismo

No Peru, uma sombra paira sobre a administração Pedro Pablo Kuczynski (PPK). Em 8 de maio de 2017, o jornal La República publicou reportagem com a manchete: “Fujimorismo pressiona PPK para que indulte Alberto Fujimori”.  O ex-Presidente foi condenado a 25 anos por crime de Lesa-Humanidade, devido ao massacre de Barrios Altos*.

No Congresso Peruano, controlado pelos fujimoristas, esta questão assume configurações políticas capazes de definir os rumos do Governo PPK e do país. Se indultá-lo, poderá ter uma breve paz política, no entanto perderá o apoio dos antifujimoristas, aos quais deve o seu mandato. Caso não o faça, teme que o ex-mandatário morra na prisão e em contrapartida receba uma pressão dos fujimoristas que podem de tentar derrubar seu governo.

Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski (PPK)

Em 24 de setembro de 2017, o periódico Perú 21 publicou a notícia: “PPK sobre eventual indulto a Alberto Fujimori: Por el momento es un tema médico. Existem muitas dúvidas em relação ao real estado de saúde de Fujimori e o perdão poderia representar um atestado de covardia. Ademais, poderia representar o fortalecimento dos fujimoristas frente à sua administração, ou pior, poderia ser o ato que permitiria ao ex-ditador voltar à política.

Para a jornalista Rosa María Palacios, “PPK tem medo de que ele morra na prisão e o Fujimorismo derrube o governo. Mas ele tem melhor saúde do que PPK e a mesma idade. PPK quer passar para a história como o homem que perdoou Fujimori?” (Tradução livre).  

No último sábado, dia 4 de novembro de 2017, o jornal La República noticiou a decisão dos congressistas que permitiu aos condenados por corrupção e outros crimes serem candidatos, caso recebam um “perdão especial”, sob o argumento de que isso beneficiaria as centenas de pessoas injustamente condenadas pelo terrorismo no final da década de 1990, e que foram perdoadas no âmbito da Comissão Lanssiers** (Tradução livre).

Segundo o congressista e ex-primeiro-ministro Jorge del Castillo, essa é uma oportunidade de Fujimori voltar à política, caso seja indultado: “Ontem à noite, conhecemos uma nova forma de perdão, o perdão fundamentado, que abre a porta para postular nas próximas eleições, tanto os terroristas indultados equivocadamente, como Alberto Fujimori, se receberem essa graça presidencial” (Tradução livre).

Kuczynski é assombrado pela prisão de ex-Presidentes. Além de Fujimori, atualmente se encontram detidos o ex-presidente Ollanta Humala; e Alejandro Toledo teve a prisão decretada, encontrando-se foragido nos Estados Unidos. Os fujimoristas, recentemente, compuseram uma Comissão Parlamentar de Inquerido homônima da operação realizada pela Justiça brasileira chamada Lava Jato.

A esta ação dos parlamentares peruanos, PPK denominou de “circo”. A Comissão pediu a quebra de sigilo bancário de ex-ministros e recentemente enviou ao Presidente uma série de perguntas sobre sua relação com a empreiteira brasileira Norberto Odebrecht no tempo em que era Ministro da Economia da gestão Toledo.

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Notas:

* Massacre de Barrios Altos, link:

http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_75_ing.pdf

** Refere-se ao sacerdote belga Hubert Lanssiers. Em 1996, durante o governo de Alberto Fujimori, Hubert Lanssiers, de 74 anos, foi nomeado diretor da Comissão de Indultos para os crimes terroristas, que em quatro anos de funcionamento liberou 1.600 inocentes. Lanssiers conseguiu que Fujimori admitisse o erro que cometeu ao impor a figura dos “juízes sem rosto”, os quais podiam ditar uma pena à prisão perpétua em 15 minutos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cidadãos peruanos que apoiam o indulto ao expresidente Aberto Fujimori” (Fonte Montagem do autor):

https://twitter.com/albertofujimori

Imagem 2 Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski (PPK)” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/884929951723511808

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O “Caso Odebrecht” e a impunidade no México

Durante o ano de 2016, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que atualmente está no poder, esteve envolvido em uma série de escândalos, incluindo acusações de gastos excessivos em campanhas eleitorais regionais, malversação sistemática por governadores estaduais e tentativas de obstruir um mecanismo nacional recém-criado para combater a corrupção.

Ex-diretor da Petroleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya, participa de uma conferência de imprensa negando acusações de envolvimento no escândalo de corrupção da construtora Odebrecht

No dia 20 de outubro, o principal Promotor, responsável pela investigação de crimes eleitorais do país, Santiago Nieto, foi exonerado do cargo em meio a um contexto nebuloso.

Em relação ao ocorrido, o Ministério Público alegou que ele havia sido demitido por violar as regras da agência, mas não especificou quais eram. Em seguida, um funcionário do escritório relatou que Nieto havia revelado informações sobre uma investigação em andamento. O funcionário não estava autorizado a ser citado por nome e nem de qual investigação se tratava.

As investigações criminais não são públicas no México, mas os partidos de oposição ao governo disseram que Nieto havia sido demitido porque estava averiguando se o dinheiro do suborno pago pela construtora brasileira Odebrecht tinha entrado nos cofres da campanha do PRI.

De fato, Nieto comentou em uma entrevista publicada na quarta-feira (dia 18 de outubro), pelo jornal Reforma, que a Odebrecht poderia ter repassado dinheiro para uma conta controlada pelo ex-diretor da empresa petrolífera nacional Pemex, Emilio Lozoya, o qual, em 2012, estava envolvido na campanha do atual Presidente Enrique Peña Nieto. O Promotor relatou ainda, durante a entrevista, que Lozoya havia lhe enviado uma carta pedindo que sua inocência fosse pronunciada publicamente, lembrando ao Promotor (de forma chantagista) que seu pai era um ex-membro do gabinete do PRI.

Manifestantes tentam furar bloqueio policial durante um protesto contra o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, na Cidade do México

Apesar de o ex-diretor negar todas as alegações de qualquer má conduta envolvendo a Odebrecht, segundo a investigação feita com base em registros bancários e declarações publicadas por um ex-funcionário da empreiteira, houve uma transferência de cerca de 3,1 milhões de dólares das empresas pertencentes ao grupo Odebrecht para contas offshore ligadas a Lozoya.

A demissão de Nieto – a menos de um ano antes das eleições presidenciais – provocou indignação. Para o Partido Nacional de Ação (PAN), oposicionista, o afastamento do promotor é inaceitável e não tem base legal.

Em um movimento incomum, um dos principais grupos empresariais do país, a Federação dos Empregadores do México, classificou a demissão do agente público como um “ataque contra o Estado de direito, a justiça e a democracia mexicana”. Porém, políticos proeminentes parecem interessados ​​em minimizar o problema. Peña Nieto recentemente sugeriu que os mexicanos denunciassem a corrupção sempre que identificassem algum problema. Por outro lado, o Controlador Geral, Arely Gómez, declarou que as percepções da corrupção pelas mídias sociais são exageradas.

A população costuma citar a corrupção como um grande problema em suas vidas. Todavia, o México ocupa o 123º lugar no índice de percepção de corrupção mais recente (2016) da Transparency International – ao lado da Serra Leoa e da Moldávia, e 12 pontos pior do que o seu próprio lugar no ranking do ano anterior (2015).

O que chama a atenção é que o Senado, onde o PRI e seus aliados ocupam 62 dos 128 lugares, perdeu o prazo para nomear outro Promotor especializado em combate à corrupção, o que significa que as campanhas para as eleições de 1º de julho de 2018 iniciarão com um agente provisório e sem especialização no combate à corrupção ou crime eleitoral.

Os aliados do Governo defendem que Nieto foi demitido por discutir uma investigação ativa. De acordo com especialistas jurídicos, isso pode ser tecnicamente justificado, mas as investigações criminais sensíveis são comumente discutidas na mídia, e a incompetência burocrática e as violações dos “códigos de conduta” raramente são punidas.

No ano passado (2016), o país criou um novo sistema nacional de combate à corrupção depois que jornalistas investigativos encontraram contratos de aquisição de diversas propriedades em nome de Peña Nieto, sua esposa e seu Ministro da Fazenda. Os ativistas, no entanto, dizem que o sistema implantado está sendo prejudicado pela falta de interesse do Senado em nomear um procurador especialista na área.

A investigação sobre a Odebrecht é um dos casos de maior destaque no México e em toda a América Latina pela sua complexidade e magnitude, tanto que a cooperação entre diversas instituições nacionais e internacionais possibilitou a captura de uma gama de políticos e produziram convicções em toda a região, mas no México ainda não.

Para Luis Pérez de Acha, advogado e membro da comissão de cidadania que supervisiona o Sistema Nacional Anti-Corrupção, o “Caso Odebrecht” reflete o grau de impunidade do país, pois se trata de uma investigação com grande potencial, apesar de não se desenvolver em solo mexicano.

De acordo com Lán Semo, historiador da Universidade Iberoamericana, a utilização da linguagem de legalidade pelo PRI demonstra um “duplo discurso”. Por um lado, há uma demonstração de formalidade pela implementação do sistema para investigar sérias acusações de corrupção. Por outro lado, na prática, tal sistema não funciona. Ou seja, o PRI é formal, mas ele considera que não é sério. Segundo Semo: “Uma coisa é ser formal, com um discurso de um país formal onde a lei é obedecida. Outra coisa é ser sério”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Um homem entra a bordo do Corruptour’, um ônibus que oferece um passeio turístico por diferentes pontos, instituições e empresas na Cidade do México, relacionados a supostos escândalos de corrupção na recente história mexicana” (Fonte):

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Imagem 2Exdiretor da Petroleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya, participa de uma conferência de imprensa negando acusações de envolvimento no escândalo de corrupção da construtora Odebrecht” (Fonte):

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Imagem 3Manifestantes tentam furar bloqueio policial durante um protesto contra o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, na Cidade do México” (Fonte):

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México nega visita do Comitê sobre Desaparecimentos Forçados da ONU

De acordo com o Jornal El País, o Comitê sobre Desaparecimentos Forçados* (CED, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) relatou na sexta-feira passada (dia 20 de outubro), que o México negou sua visita ao país. A presidente do Comitê, Suela Janina, lamentou a posição do Governo mexicano, salientando que foram quatro anos de negociação em busca de um possível acordo de cooperação. Para Janina, a visita do Comitê seria uma ótima oportunidade para ajudar o Estado-Membro a superar seus problemas.

Em agosto de 2017, o Escritório no México do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos instou fortemente o Estado mexicano a reconhecer a competência do Comitê, mas isso ainda não aconteceu. De acordo com o Registro Nacional de Dados de Pessoas Extraviadas ou Desaparecidas (RNPED) mexicano, no ano de 2017 já foram contabilizadas mais de 2.400 casos de desaparecimentos.

Segundo Jan Jarab, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no México, é imperativo que o país amplie o caminho da justiça para as vítimas do desaparecimento e fortaleça o regime de proteção internacional contra este flagelo, pois já faz oito anos que o Estado ratificou a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado.

Jarab explica que, como pactuante da Convenção, o México deve unir-se aos Estados que já reconhecem a jurisprudência do Comitê**. Conforme afirma, “O reconhecimento da competência do Comitê iria fornecer as vítimas um padrão mais elevado de proteção e permitir-lhes que recorram a um organismo internacional especializado para reivindicarem, de forma legítima, seus direitos”.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado mexicano também se pronunciou a respeito do tema. No dia 11 de outubro de 2017 eles pediram ao Governo Federal para tomar as medidas necessárias para que o país reconheça a competência da instituição que tenta realizar a visita, desde 2013, sem sucesso.

Estudantes do ensino médio da escola de Ayotzinapa, no estado Guerrero, protestam após dois meses do desaparecimento forçados de colegas

Apesar das dificuldades, durante a conferência de imprensa, Janina ressaltou que o Comitê está estudando como cooperar com as autoridades “de forma construtiva” em benefício das vítimas.

É interessante destacar que o Congresso mexicano aprovou, na semana retrasada (dia 12 de outubro), a Lei Geral sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, que prevê penas de até 60 anos de prisão para quem cometer este tipo de delito. Agora, após seu envio ao Poder Executivo, falta esperar apenas que se cumpra o prazo regimental de 60 dias para que a Lei seja publicada no Diário Oficial da Federação e entre em vigor.

O número de desaparecimentos forçados se tornou alarmante desde que o ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) iniciou uma política de guerra às drogas contra os cartéis mexicanos, provocando o aumento da violência em todo o território nacional. Entretanto, especialistas creem que, com a nova legislação, será possível evitar violações aos direitos humanos, facilitar a localização de pessoas desaparecidas e garantir a completa reparação as vítimas.

O Escritório no México do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia solicitado ao Congresso que aprovasse tal norma no ano passado (2016). De acordo com a ONU, é necessário que exista uma estrutura de pesquisa institucional sob a coordenação da Federação que garanta recursos para o seu funcionamento. Tal estrutura deve contribuir para que as autoridades estatais assumam suas responsabilidades e garanta o trabalho de investigação de forma independente.

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Notas:

* O Comitê sobre Desaparecimentos Forçados (CED) é formado por especialistas independentes que monitoram a implementação da Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado pelos Estados-membros. Todos os signatários são obrigados a apresentar relatórios à Instituição sobre como os direitos estão sendo implementados. Os Estados-membros devem informar dentro de dois anos a ratificação da Convenção. O Comitê examina cada relatório e aborda suas preocupações e recomendações ao Estado-membro.

** De acordo com o artigo 31 da Convenção, um Estado-membro pode, no momento da ratificação da Convenção, ou, em qualquer momento, declarar que reconhece a competência do Comitê para receber e considerar as comunicações de pessoas sob sua jurisdição, ou em nome delas, que alegam ser vítimas de uma violação por este Estado-membro. Além do procedimento do relatório, o artigo 32 da Convenção prevê que o Comitê considere queixas interestatais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Uma menina desenha durante um protesto para exigir às autoridades mexicanas a busca de todos os desaparecidos do México, na Avenida Reforma, em 30 de maio de 2015, na Cidade do México” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/475298638

Imagem 2Estudantes do ensino médio da escola de Ayotzinapa, no estado Guerrero, protestam após dois meses do desaparecimento forçados de colegas” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/459389464

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A segunda visita do chanceler brasileiro à África

Entre os dias 11 e 16 de outubro (2017), o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, esteve em sua segunda viagem oficial ao continente africano. Na primeira oportunidade, em maio deste ano (2017), ele visitou cinco países: África do Sul, Botsuana, Malawi, Moçambique e Namíbia. Desta vez, foi a outros quatro: Gana, Nigéria, Costa do Marfim e Benin.

Conclusão da assinatura de Protocolo Trilateral de cooperação – Gana, ABC (Brasil) e GIZ (Alemanha) – sobre a produção de caju

Antes do início do período de viagens, o Chanceler publicou artigo no jornal Folha de São Paulo, no qual enaltecia as relações Brasil-África, denominando-as de “parceria natural”. Lá, realçou algumas conquistas econômicas, como o crescimento médio do PIB africano nos últimos anos, que ampliou o consumo e a participação dos cidadãos na classe média. Em decorrência disso, o Chanceler mencionou a participação brasileira em exportações para o continente, que somaram quase US$ 8 bilhões de dólares em 2016.   

No primeiro quarto da viagem, Nunes visitou a capital de Gana, Acra, onde teve uma audiência com o presidente Nana Akufo-Addo. Entre as principais realizações dos encontros que se seguiram a essa audiência está a reunião com o Ministro da Agricultura e Abastecimento, Owusu Afryie Akoto, para a assinatura de acordo de cooperação sobre a produção de caju, na qual também participa a agência de cooperação alemã, GIZ.

Segundo nota publicada na página oficial do Itamaraty no Facebook, essa iniciativa objetiva ampliar a produtividade e a competitividade do setor no país. O Brasil ainda possui outros dois projetos de cooperação em execução em Gana, sendo eles voltados para o reforço à alimentação escolar.

O próximo destino foi a Nigéria, que tem se destacado como uma das principais economias africanas. O Chanceler foi recebido pelo ministro dos Negócios Exteriores, Geoffrey Onyeama. Na ocasião, discutiram sobre acordos, ainda em negociação, nas áreas de cooperação e facilitação de investimentos; transferência de presos; desenvolvimento agrícola; e extradição.

Aloysio Nunes na Costa do Marfim

A oportunidade também serviu para que Aloysio Nunes se encontrasse com o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Chefe Audu Ogbeh. Eles conversaram sobre o Programa Mais Alimentos Internacional (PMAI), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) brasileiro, que objetiva fornecer linhas de créditos para agricultores familiares africanos comprarem maquinários e demais equipamentos agrícolas. Além disso, debateram a situação da pecuária na Nigéria.

Entre os dias 13 e 15, foi a vez de o chanceler estar no Benin. Ele foi recebido pelo presidente Patrice Tolon e teve audiência com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação. Basicamente, discutiram sobre a ampliação da cooperação em áreas-chave. Atualmente, existem quatro projetos em execução neste país, sendo um deles o Cotton-4, que trata da difusão de práticas brasileiras no cultivo de algodão. Inclusive, em seu artigo, Nunes também afirmou que esta iniciativa representa benefícios para o Brasil, a partir dos novos cultivos criados e das expertises adquiridas pelos técnicos brasileiros em ação, especificamente os funcionários da Embrapa.    

Na última parte da viagem, o Chanceler esteve na Costa do Marfim em audiência com o presidente Alassane Ouattara e com o Ministro dos Negócios estrangeiros, Marcel Anon-Tanoh. Eles discutiram a ampliação da cooperação bilateral em diversas agendas e concordaram em buscar soluções para a suspensão temporária das exportações de cacau para o Brasil.

A comercialização foi suspensa por questões fitossanitárias, como o risco de praga. Para tanto, Nunes propôs que o Governo criasse um grupo técnico para fazer uma visita ao Brasil e receber capacitações sobre normas e procedimentos que podem ser úteis para a solução do impasse. Além do cacau, a Costa do Marfim também exporta para o país peixes, crustáceos e outros produtos de origem animal.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/fotosagenciabrasil/33158054712

Imagem 2 Conclusão da assinatura de Protocolo Trilateral de cooperação Gana, ABC (Brasil) e GIZ (Alemanha) – sobre a produção de caju” (Fonte):

https://www.facebook.com/ItamaratyGovBr/photos/a.147451148621511.22424.125578787475414/1766016773431599/?type=3&permPage=1

Imagem 3 Aloysio Nunes na Costa do Marfim” (Fonte):

https://www.facebook.com/ItamaratyGovBr/photos/a.147451148621511.22424.125578787475414/1768038816562728/?type=3&permPage=1