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Protestos na Nicarágua após um ano de crise

Para entender a crise social e política que a Nicarágua enfrenta, primeiramente, deve-se atentar aos fatos ocorridos em 17 de abril de 2018. Naquele momento, o governo de Ortega havia publicado um Decreto para a reforma da Previdência, cujos detalhes, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH), não foram submetidos ao debate público.

Dentre as mudanças anunciadas, estava o aumento na contribuição de trabalhadores, que passaria de 6,25% para 7%. Já os aposentados passariam a ter uma dedução de 5% da sua pensão para cobrir despesas médicas A proposta do governo era fazer um aumento progressivo nas contribuições das companhias privadas, dos atuais 19% para 22,2% em 2022.

A população, em oposição, mobilizou-se em 18 de abril (2018) organizando manifestações pacíficas. No entanto, houve dura repressão e a propagação de violência desenfreada, levando ao recuo da reforma proposta no dia 22 de abril (2018). Os protestos continuaram, assim como a crise e o conflito civil.

Após um ano, 62 mil pessoas já foram forçadas a deixar o país em busca de refúgio em territórios vizinhos, sobretudo na Costa Rica, que abriga 55,5 mil nicaraguenses. Também, mais de 300 civis foram mortos, 2 mil ficaram feridos e outras centenas de indivíduos foram privados de sua liberdade.

O nicaraguense Manuel e seus dois filhos, em seu novo lugar na Costa Rica onde vivem como solicitantes de refúgio

Em março de 2019, de acordo com dados da Autoridade Migratória costa-riquenha, cerca de 29,5 mil novos pedidos foram apresentados formalmente. O perfil dos solicitantes de proteção é composto por estudantes, ex-funcionários públicos, figuras da oposição, jornalistas, médicos, defensores de direitos humanos e agricultores.

Por fim, a Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, instou que Ortega garanta que seus oficiais de segurança permitam a reunião pacífica dos cidadãos e a expressão de suas opiniões. Por outro lado, não há previsão para o fim da crise social que assola o país centro-americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mulher durante protesto em Manágua, Nicarágua, em abril de 2018” (FonteFoto: Celia Mendoza/Voice Of America): https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5910:aps-30-30-30-novo-pacto-regional-da-opas-pela-atencao-primaria-a-saude-para-a-saude-universal&Itemid=843

Imagem 2 O nicaraguense Manuel e seus dois filhos, em seu novo lugar na Costa Rica onde vivem como solicitantes de refúgio” (Fonte – Foto: ACNUR/Flavia Sanchez): https://www.acnur.org/es-mx/noticias/stories/2019/4/5cb5e3f44/despues-de-un-ano-de-crisis-sociopolitica-miles-de-nicaraguenses-continuan.html?query=nicaragua

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Rússia inaugura centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela

No dia 29 de março (2019), foi inaugurado um novo centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela. A área foi construída com o auxílio da Rosoboronexport, exportadora de armamentos da Rússia que pertence à estatal Rostec, em parceria com a CAVIM, empresa estatal venezuelana do setor militar.

O objetivo do Centro é instruir pilotos venezuelanos no comando dos helicópteros russos da linha Mi, como o Mi-17V-5, o Mi-35M e o Mi-26T. De acordo com a Rosoboronexport, “atualmente, os helicópteros russos fornecidos à Venezuela não só participam de operações contra contrabandistas, mas também realizam com sucesso levantamentos aéreos de incêndios florestais, participam de missões de resgate e evacuação em áreas atingidas por desastres naturais e transportam cargas humanitárias para regiões remotas do país”. Ainda segundo comunicado da empresa exportadora, espera-se a ampliação contínua da cooperação de defesa entre os dois países, agora atentando-se à capacitação de especialistas e na manutenção dos equipamentos.

A inauguração do novo centro de treinamento ocorre em meio ao escalonamento das tensões entre a Venezuela e o seu entorno regional, principalmente com os Estados Unidos (EUA). No dia 23 de março (2019), dois aviões que transportavam militares russos e 35 toneladas de carga pousaram na capital Caracas. Esse acontecimento despertou desconfianças quanto às intenções russas na região e o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, entrou em contato com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, para esclarecer a situação.

Projeção Ortográfica do Mi-24

De acordo com um diplomata russo, na conversa entre os dois líderes foi explicado que esses militares foram enviados com o objetivo de garantir a manutenção de equipamentos fornecidos sob um acordo intergovernamental, ratificado pelo Parlamento venezuelano, em 2001. Embora tenham apresentado essa justificativa, o governo norte-americano segue em alerta. Pompeo declarou que os EUA não relevariam as ações russas na Venezuela e o presidente Trump declarou publicamente que a Rússia tem que sair do país sul-americano.

A partir do posicionamento americano, o ministro da defesa venezuelano Vladimir López declarou que, embora haja reclamações das atividades militares da Federação Russa em seu país, não há um descontentamento igual ou similar ao aumento das atividades militares dos EUA. De acordo com López, “Ninguém diz nada quando tentam violar a soberania da Venezuela”.

A situação política do país sul-americano, portanto, é conturbada, e as relações entre Rússia e EUA seguem inconstantes, com várias discordâncias. Enquanto o governo norte-americano reconhece Juan Guaidó, líder da oposição, como Presidente Interino da Venezuela, os russos seguem apoiando Nicolás Maduro como o líder legítimo do país. Entretanto, de acordo com o cientista político russo Gevorg Mirzayan, seu governo não tem a intenção de salvar Maduro, “os objetivos são mais globais. O programa mínimo é reforçar o prestígio [da Rússia] nos países do Terceiro Mundo. O programa máximo é forçar os EUA a reverem as relações russo-americanas”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Um Mi24PN russo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg/800px-Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg

Imagem 2Projeção Ortográfica do Mi24” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Mil_Mi-24_HIND.svg/800px-Mil_Mi-24_HIND.svg.png

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Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

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Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

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Chile é o país mais feliz da América do Sul, segundo ranking da ONU

Em 20 de março de 2019, data em que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o seu Relatório Felicidade Mundial 2019 (World Happiness Report 2019), com dados de 156 países. No documento o Chile é o mais bem posicionado (26º) na América do Sul e o terceiro na América Latina, superado por Costa Rica (12º) e México (23º).

Esta é a sétima edição do relatório baseado em pesquisa feita pelo Instituto Gallup e publicado anualmente desde 2012. A abordagem avalia  “o quão felizes os cidadãos se percebem” e este ano tem como foco a “felicidade e a comunidade”, isto é, como a felicidade evoluiu nos últimos doze anos, com ênfase em tecnologia, normas sociais, conflitos e políticas públicas voltadas para estas questões. Outros fatores tangíveis são agregados na avaliação, tais como nível de educação, apoio social, eficiência dos governos, PIB per capita, expectativa de vida e corrupção.

Além de um capítulo de abertura, o World Happiness Report apresenta seis outros com análises de questões gerais que afetam o nível de felicidade, a exemplo do Capítulo 7 que aborda a influência do vício em drogas e internet no declínio do bem-estar da sociedade estadunidense. De acordo com o portal de notícias América Economia, os Estados Unidos estiveram no 11º lugar em 2012 e perderam posições ao longo destes sete anos, até chegar em 19º lugar no atual relatório.

Na listagem geral, que aparece a partir da página 24, a Finlândia aparece em 1º lugar, seguida de Dinamarca (2º), Noruega (3º), Islândia (4º), com a Suécia em 7º lugar, o que coloca todos os países nórdicos entre os “top 10” do ranking. O último país da lista é o Sudão do Sul (156º), antecedido pela República Centro Africana (155º) e Afeganistão (154º). Na América Latina os piores índices são do Haiti (147º) e da Venezuela (108º), que detém a menor qualificação na América do Sul.

Cueca – dança popular do Chile

O Chile experimenta um período de estabilidade política há treze anos com Michelle Bachelet (esquerda) e Sebastian Piñera (direita) se revezando na Presidência, por meio do voto popular. Na última eleição, em 2017, Bachelet não era candidata e Piñera venceu derrotando Alejandro Guillier, tido como sucessor de Bachelet e apoiado pela esquerda. Para alguns analistas, a vitória de Piñera se explica por um desejo dos eleitores de não correr riscos com candidatos novos que pudessem comprometer as conquistas já obtidas com os dois já anteriormente conhecidos.

A alternância de poder, sem grandes polarizações, já que tanto Bachelet quanto Piñera são vistos como moderados, parece ser a fórmula encontrada pelos chilenos para garantir o seu bem-estar, no país que, inclusive, foi indicado como “o melhor país da América Latina para fazer negócios”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Santiago” (Fonte): https://www.visitchile.com.br/guias-de-viagem/santiago-e-arredores/fotos.htm#arquivo

Imagem 2 Cueca dança popular do Chile” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/42/Cueca_en_La_Moneda.jpg/800px-Cueca_en_La_Moneda.jpg

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Equador obtém reconhecimento do Banco Mundial por política social inclusiva

Em recente visita realizada ao Equador, o Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Axel van Trostenburg, elogiou as políticas sociais do Governo voltadas para os segmentos mais vulneráveis da população. Trostenburg destacou a abordagem integral do trabalho, por ocasião de visita às brigadas da Misión Las Manuelas, em Quito, no dia 7 de março de 2019.

A Misión Las Manuelas busca “garantir a atenção integral a pessoas com deficiência e a seus núcleos familiares” por meio de visitas de equipes multidisciplinares (as brigadas) realizadas a domicílios no país, para identificar pessoas com deficiência em estado de extrema pobreza. A estas pessoas são fornecidos meios de desenvolver e fortalecer suas capacidades, habilidades e competências, visando inseri-las no mercado laboral. As características individuais são respeitadas na abordagem, além disso, os beneficiários são protagonistas das decisões que impactarão suas vidas. Casos de agressão recebem o tratamento adequado e atenção à saúde é ofertada de modo contínuo e integral para que alcancem o melhor nível possível de bem-estar mental, físico e social.

A missão foi criada originalmente em 2009, na gestão de Rafael Correa, tendo Lenín Moreno como seu Vice-Presidente, por meio de um acordo de cooperação com Cuba e se chamava Misión Solidaria Manuela Espejo, em homenagem à enfermeira equatoriana Manuela Espejo que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Moreno, que é cadeirante desde 1998, foi entusiasta da iniciativa e tratou de reinseri-la na agenda governamental, já como Presidente, em novembro de 2017, como parte do Plan Toda Una Vida. Segundo o periódico equatoriano El Telégrafo, Moreno tratou de reativar o projeto, agora como Misión Las Manuelas, alegando que foi abandonado pelos governos anteriores porque as pessoas com deficiência não têm direito a voto.

Las Manuelas é uma das sete missões do  “Plan Nacional de Desarrollo 2017-2021 Toda una Vida”, conhecido como Plan Toda Una Vida, que atua com foco em três eixos: 1) Direitos para todos por toda a vida; 2) Economia a serviço da sociedade; 3) Mais sociedade, melhor Estado. As outras seis missões são: 1) Casa para todos; 2) Ternura; 3) Menos pobreza, más desarollo; 4) Mujer; 5) Mis Mejores Años e 6) Impulso Joven. Os objetivos do Plano são convergentes com os da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e a gestão está a cargo de um Comitê Interinstitucional presidido pela primeira dama Rocío González de Moreno.

Axel Trostenburg, que tomou posse como Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, em 1º de fevereiro de 2019, conheceu o trabalho em Quito, acompanhado do Presidente, da Primeira Dama e da Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida. Ele, então, demonstrou interesse em divulgar a Misión Manuelas como um modelo aplicável ao atendimento dos mais de hum milhão de pessoas com deficiência no mundo.

Objetivos do Misión Manuelas

Em final de fevereiro passado o Misión Manuelas já havia despertado o interesse da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) quando, em reunião conjunta, o Governo do Equador sugeriu que a capital, Quito, sediasse a primeira reunião do “Programa Iberoamericano sobre direitos das pessoas com deficiência”, a ser realizado de 1º a 2 de abril. A SEGIB, conforme informado no seu site, é “um organismo internacional que apoia os 22 países que constituem a comunidade ibero-americana: 19 da América Latina de língua espanhola e portuguesa, e Espanha, Portugal e Andorra, na Península Ibérica”. Nessa ocasião deverão ser eleitas a Presidência e a Unidade Técnica e os equatorianos manifestaram o desejo de liderar a iniciativa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trostenburg acompanha Presidente do Equador, Primeira Dama e Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-07-at-11.57.16.jpeg

Imagem 2 Objetivos do Misión Manuelas” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2017/07/misionLasManuelas-01-768×803.png

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Fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e Venezuela

Na semana passada (5 de dezembro de 2018), o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin, encontraram-se em Moscou, onde realizaram uma reunião sobre as principais diretrizes que orientam as relações bilaterais. Por conta da dificuldade econômica e política que o Governo Maduro vem sofrendo nos últimos anos, houve um afastamento entre os dois países, principalmente no que concerne ao comércio. O Encontro entre os líderes teve o objetivo de superar esse percalço e reestabelecer a parceria estratégica entre eles.

O resultado dessa Reunião foi um contrato de investimentos em projetos de extração de petróleo e ouro na Venezuela no valor de 6 bilhões de dólares, além de um acordo de abastecimento de 600 mil toneladas de trigo ao país sul-americano. Não só a parceria econômica foi incentivada,também foi discutida a cooperação técnica militar entre eles.

Poucos dias após o Encontro dos líderes,no dia 10 de dezembro (2018), quatro aeronaves russas pousaram na Venezuela,entre elas, dois bombardeiros Tupolev 160 (Tu-160), tal qual já citado em Análise no CEIRI NEWS (CNP). Esses aviões, apelidados de Cisnes Brancos por conta do design, foram desenvolvidos no começo dos anos de1980 e modernizados em 2000, eles alcançam uma velocidade máxima que é o dobro daquela do som, voam por 12 mil quilômetros e são capazes de transportar armas nucleares. De acordo com o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, as aeronaves faziam parte de um exercício militar entre os dois países, em suas palavras, “estamos nos preparando para defender a Venezuela até o último momento caso seja necessário. Vamos fazer isso com nossos amigos porque temos amigos no mundo que defendem relações respeitosas e de equilíbrio”.

O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)

A declaração de Padrino ocorreu em meio a suspeita do Governo Maduro de uma intervenção dos EUA no país, visto que eles consideram que a Venezuela esteja vivendo um período antidemocrático. O presidente Putin, por sua vez, se opõe ao posicionamento dos norte-americanos e declarou que “qualquer tipo de ação terrorista com o intuito de mudar a situação na Venezuela por força deve ser condenada”.

A parceria militar entre os dois países, portanto, tornou-se evidente após esse acontecimento, algo que despertou desconfianças em alguns países do sistema internacional. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, repudiou o exercício militar e acusou os dois governos de serem corruptos por esbanjarem fundos públicos e estreitarem a liberdade de suas populações. Outras autoridades americanas também criticaram a Rússia,acusando-a de agir dessa maneira para irritar os EUA.

Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco

As aeronaves retornaram às suas bases militares na Rússia 5 dias após o início do exercício militar, não tendo ocorrido nenhuma transgressão às regulações internacionais, segundo foi divulgado. Entretanto, a incerteza quanto às reais intenções entre Venezuela e Rússia ainda prevalece. Especialistas internacionais apontam que esse exercício foi uma demonstração de apoio da Rússia pelo regime de Maduro, um modo para que o governo Putin demonstre que seu país tem aliados e conexões importantes pelo mundo. De acordo com Famil Ismailov, editor do serviço russo da BBC, “é muito importante mostrar ao público interno que, apesar das sanções, a Rússia cumpre seu papel de superpotência e tem países amigos. Vale a pena pagar por isso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/vIpRZIzrkQHJTVAN0I7bhcSJn8TtmJ7B.jpg

Imagem 2O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 3Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/65/Tupolew_Tu_160_8001.png