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Rússia inaugura centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela

No dia 29 de março (2019), foi inaugurado um novo centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela. A área foi construída com o auxílio da Rosoboronexport, exportadora de armamentos da Rússia que pertence à estatal Rostec, em parceria com a CAVIM, empresa estatal venezuelana do setor militar.

O objetivo do Centro é instruir pilotos venezuelanos no comando dos helicópteros russos da linha Mi, como o Mi-17V-5, o Mi-35M e o Mi-26T. De acordo com a Rosoboronexport, “atualmente, os helicópteros russos fornecidos à Venezuela não só participam de operações contra contrabandistas, mas também realizam com sucesso levantamentos aéreos de incêndios florestais, participam de missões de resgate e evacuação em áreas atingidas por desastres naturais e transportam cargas humanitárias para regiões remotas do país”. Ainda segundo comunicado da empresa exportadora, espera-se a ampliação contínua da cooperação de defesa entre os dois países, agora atentando-se à capacitação de especialistas e na manutenção dos equipamentos.

A inauguração do novo centro de treinamento ocorre em meio ao escalonamento das tensões entre a Venezuela e o seu entorno regional, principalmente com os Estados Unidos (EUA). No dia 23 de março (2019), dois aviões que transportavam militares russos e 35 toneladas de carga pousaram na capital Caracas. Esse acontecimento despertou desconfianças quanto às intenções russas na região e o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, entrou em contato com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, para esclarecer a situação.

Projeção Ortográfica do Mi-24

De acordo com um diplomata russo, na conversa entre os dois líderes foi explicado que esses militares foram enviados com o objetivo de garantir a manutenção de equipamentos fornecidos sob um acordo intergovernamental, ratificado pelo Parlamento venezuelano, em 2001. Embora tenham apresentado essa justificativa, o governo norte-americano segue em alerta. Pompeo declarou que os EUA não relevariam as ações russas na Venezuela e o presidente Trump declarou publicamente que a Rússia tem que sair do país sul-americano.

A partir do posicionamento americano, o ministro da defesa venezuelano Vladimir López declarou que, embora haja reclamações das atividades militares da Federação Russa em seu país, não há um descontentamento igual ou similar ao aumento das atividades militares dos EUA. De acordo com López, “Ninguém diz nada quando tentam violar a soberania da Venezuela”.

A situação política do país sul-americano, portanto, é conturbada, e as relações entre Rússia e EUA seguem inconstantes, com várias discordâncias. Enquanto o governo norte-americano reconhece Juan Guaidó, líder da oposição, como Presidente Interino da Venezuela, os russos seguem apoiando Nicolás Maduro como o líder legítimo do país. Entretanto, de acordo com o cientista político russo Gevorg Mirzayan, seu governo não tem a intenção de salvar Maduro, “os objetivos são mais globais. O programa mínimo é reforçar o prestígio [da Rússia] nos países do Terceiro Mundo. O programa máximo é forçar os EUA a reverem as relações russo-americanas”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Um Mi24PN russo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg/800px-Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg

Imagem 2Projeção Ortográfica do Mi24” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Mil_Mi-24_HIND.svg/800px-Mil_Mi-24_HIND.svg.png

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Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg

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Chile é o país mais feliz da América do Sul, segundo ranking da ONU

Em 20 de março de 2019, data em que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o seu Relatório Felicidade Mundial 2019 (World Happiness Report 2019), com dados de 156 países. No documento o Chile é o mais bem posicionado (26º) na América do Sul e o terceiro na América Latina, superado por Costa Rica (12º) e México (23º).

Esta é a sétima edição do relatório baseado em pesquisa feita pelo Instituto Gallup e publicado anualmente desde 2012. A abordagem avalia  “o quão felizes os cidadãos se percebem” e este ano tem como foco a “felicidade e a comunidade”, isto é, como a felicidade evoluiu nos últimos doze anos, com ênfase em tecnologia, normas sociais, conflitos e políticas públicas voltadas para estas questões. Outros fatores tangíveis são agregados na avaliação, tais como nível de educação, apoio social, eficiência dos governos, PIB per capita, expectativa de vida e corrupção.

Além de um capítulo de abertura, o World Happiness Report apresenta seis outros com análises de questões gerais que afetam o nível de felicidade, a exemplo do Capítulo 7 que aborda a influência do vício em drogas e internet no declínio do bem-estar da sociedade estadunidense. De acordo com o portal de notícias América Economia, os Estados Unidos estiveram no 11º lugar em 2012 e perderam posições ao longo destes sete anos, até chegar em 19º lugar no atual relatório.

Na listagem geral, que aparece a partir da página 24, a Finlândia aparece em 1º lugar, seguida de Dinamarca (2º), Noruega (3º), Islândia (4º), com a Suécia em 7º lugar, o que coloca todos os países nórdicos entre os “top 10” do ranking. O último país da lista é o Sudão do Sul (156º), antecedido pela República Centro Africana (155º) e Afeganistão (154º). Na América Latina os piores índices são do Haiti (147º) e da Venezuela (108º), que detém a menor qualificação na América do Sul.

Cueca – dança popular do Chile

O Chile experimenta um período de estabilidade política há treze anos com Michelle Bachelet (esquerda) e Sebastian Piñera (direita) se revezando na Presidência, por meio do voto popular. Na última eleição, em 2017, Bachelet não era candidata e Piñera venceu derrotando Alejandro Guillier, tido como sucessor de Bachelet e apoiado pela esquerda. Para alguns analistas, a vitória de Piñera se explica por um desejo dos eleitores de não correr riscos com candidatos novos que pudessem comprometer as conquistas já obtidas com os dois já anteriormente conhecidos.

A alternância de poder, sem grandes polarizações, já que tanto Bachelet quanto Piñera são vistos como moderados, parece ser a fórmula encontrada pelos chilenos para garantir o seu bem-estar, no país que, inclusive, foi indicado como “o melhor país da América Latina para fazer negócios”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Santiago” (Fonte): https://www.visitchile.com.br/guias-de-viagem/santiago-e-arredores/fotos.htm#arquivo

Imagem 2 Cueca dança popular do Chile” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/42/Cueca_en_La_Moneda.jpg/800px-Cueca_en_La_Moneda.jpg

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EUA fica em alerta com nova chegada de soldados e equipamentos militares russos na Venezuela

Ontem, domingo, dia 24 de março, agências de notícias informaram ao mundo que a Federação Russa enviou à Venezuela pouco mais de 100 militares*, dentre eles o general Vasily Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres da Rússia, além de 35 toneladas de equipamentos bélicos. Segundo consta, o jato Ilyushin IL-62 levou passageiros e o cargueiro Antonov NA-124 transportou o equipamento.

Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015

Tanto as autoridades russas quanto as venezuelanas evitaram emitir comentários, mas a veracidade das informações foi obtida graças as comunicações feitas por um site responsável por acompanhar voos (Flightradar 24), o qual apresentou que dois aviões saíram de um aeroporto militar Chkalovsky, na Rússia, no dia 22, sexta-feira, em direção a Caracas, fazendo escala na Síria. E, ontem, dia 24, outro site, o Adsbexchange, informou que o avião de cargas decolou da Venezuela neste mesmo dia. Ao longo do domingo, a agência russa Sputnik confirmou o fato.

O evento vem trazendo desconforto aos EUA que já em dezembro de 2018 se manifestaram de forma rígida em relação ao pouso de dois bombardeiros estratégicos russos (TU-160) em Caracas, ao ponto de Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano, ter declarado naquele momento que eram “dois governos corruptos desperdiçando fundos públicos e reprimindo a liberdade”, algo incomum na diplomacia, já que se trata da referência de forma ofensiva ao governo de uma superpotência.

A situação está tensa, pois, se naquela ocasião as explicações para a presença dos aviões TU-160 era a realização de exercício militares conjuntos, acertados há anos anteriores, sendo apenas uma sequência de acordos firmados, neste momento, os rumores são de que os russos desejam aparelhar e auxiliar o governo Maduro, diante da possibilidade cada vez maior de que haja uma intervenção externa no país, ou uma ação coordenada para forçar a renúncia do Presidente que está sob questionamento e não detém reconhecimento da Oposição venezuelana, de mais da metade da população do país e de mais de 50 Estados pelo mundo, os quais aceitam como legítima a Presidência Interina de Juan Guaidó.

Rússia e China são os principais credores e apoiadores da Venezuela, havendo bilhões de dólares em ativos a serem recebidos, e não aceitarão a queda do governo por meio do auxílio dos Estados Unidos, sabendo que isso significaria a perda dos valores envolvidos. Conforme vem sendo exposto por analistas ao longo deste período, a saída para a crise passaria diretamente pela negociação de Guaidó com chineses e russos.

Acredita-se que isso será difícil, devido ao papel que os norte-americanos vêm desempenhando na situação. Também se tem como certo que, neste momento do governo Trump, os Estados Unidos não aceitarão dialogar, principalmente com os russos, acrescentando-se ainda que, juntamente com as duas grandes potências que apoiam o governo bolivariano, Irã e Turquia também estão defendendo Maduro, sendo estes dois outros atores que se posicionam como adversários da política externa norte-americana, especialmente para o Oriente Médio e para o leste da Europa, e eles também detêm apoio expressivo da Federação Russa.

Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela

A chegada dos militares e de equipamentos bélicos russos demonstra indiretamente que Guaidó está perdendo o terreno para possível negociação com chineses e com a Rússia, apesar de haver informações de que a China está conversando paralelamente com o autoproclamado Presidente Interino e este, por sua vez, ter declarado em ocasiões recentes que estava aberto a conversar com o governo Putin.

Diante do quadro, o cenário fica mais tenso, podendo fazer com que o reforço a Maduro dado pelos russos leve a mais respostas duras contra os opositores e a mais violência nas ruas, podendo gerar a ruptura que se acredita que cedo ou tarde ocorrerá, mesmo porque se sabe que serão muito altos os custos econômicos para os russos em um envolvimento bélico numa guerra civil que se dê em território tão distante do seu, de forma que não será surpresa que a Oposição e seus apoiadores externos apostem na ruptura direta, mesmo com o suposto apoio que se está aventando.

No entanto, observadores apontam que a Rússia tem em mente a criação em futuro breve de uma base militar em território venezuelano, ou talvez a consolidação de algo já existente, com o interesse de fazer um avanço geoestratégico em relação aos Estados Unidos, sendo assim, no caso de todos apostarem na ruptura, o resultado poderá ser uma guerra civil mais duradoura e mais violenta.  

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Nota:

* As informações são imprecisas, apresentando algumas fontes 100 militares, outras quase cem e, outras, centenas de militares, sendo mais confiável acreditar que chegaram 100 militares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Vasilii_Petrovich_Tonkoshkurov#/media/File:Vasiliy_Tonkoshkurov_(2016).jpg

Imagem 2 Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Guaid%C3%B3#/media/File:Juan_Guaido_alternative_version.jpg

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Fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e Venezuela

Na semana passada (5 de dezembro de 2018), o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin, encontraram-se em Moscou, onde realizaram uma reunião sobre as principais diretrizes que orientam as relações bilaterais. Por conta da dificuldade econômica e política que o Governo Maduro vem sofrendo nos últimos anos, houve um afastamento entre os dois países, principalmente no que concerne ao comércio. O Encontro entre os líderes teve o objetivo de superar esse percalço e reestabelecer a parceria estratégica entre eles.

O resultado dessa Reunião foi um contrato de investimentos em projetos de extração de petróleo e ouro na Venezuela no valor de 6 bilhões de dólares, além de um acordo de abastecimento de 600 mil toneladas de trigo ao país sul-americano. Não só a parceria econômica foi incentivada,também foi discutida a cooperação técnica militar entre eles.

Poucos dias após o Encontro dos líderes,no dia 10 de dezembro (2018), quatro aeronaves russas pousaram na Venezuela,entre elas, dois bombardeiros Tupolev 160 (Tu-160), tal qual já citado em Análise no CEIRI NEWS (CNP). Esses aviões, apelidados de Cisnes Brancos por conta do design, foram desenvolvidos no começo dos anos de1980 e modernizados em 2000, eles alcançam uma velocidade máxima que é o dobro daquela do som, voam por 12 mil quilômetros e são capazes de transportar armas nucleares. De acordo com o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, as aeronaves faziam parte de um exercício militar entre os dois países, em suas palavras, “estamos nos preparando para defender a Venezuela até o último momento caso seja necessário. Vamos fazer isso com nossos amigos porque temos amigos no mundo que defendem relações respeitosas e de equilíbrio”.

O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)

A declaração de Padrino ocorreu em meio a suspeita do Governo Maduro de uma intervenção dos EUA no país, visto que eles consideram que a Venezuela esteja vivendo um período antidemocrático. O presidente Putin, por sua vez, se opõe ao posicionamento dos norte-americanos e declarou que “qualquer tipo de ação terrorista com o intuito de mudar a situação na Venezuela por força deve ser condenada”.

A parceria militar entre os dois países, portanto, tornou-se evidente após esse acontecimento, algo que despertou desconfianças em alguns países do sistema internacional. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, repudiou o exercício militar e acusou os dois governos de serem corruptos por esbanjarem fundos públicos e estreitarem a liberdade de suas populações. Outras autoridades americanas também criticaram a Rússia,acusando-a de agir dessa maneira para irritar os EUA.

Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco

As aeronaves retornaram às suas bases militares na Rússia 5 dias após o início do exercício militar, não tendo ocorrido nenhuma transgressão às regulações internacionais, segundo foi divulgado. Entretanto, a incerteza quanto às reais intenções entre Venezuela e Rússia ainda prevalece. Especialistas internacionais apontam que esse exercício foi uma demonstração de apoio da Rússia pelo regime de Maduro, um modo para que o governo Putin demonstre que seu país tem aliados e conexões importantes pelo mundo. De acordo com Famil Ismailov, editor do serviço russo da BBC, “é muito importante mostrar ao público interno que, apesar das sanções, a Rússia cumpre seu papel de superpotência e tem países amigos. Vale a pena pagar por isso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/vIpRZIzrkQHJTVAN0I7bhcSJn8TtmJ7B.jpg

Imagem 2O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 3Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/65/Tupolew_Tu_160_8001.png

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México, El Salvador, Guatemala e Honduras fecham acordo para atender fenômeno migratório

As Repúblicas do México, El Salvador, Guatemala e Honduras concordaram em construir um Plano de Desenvolvimento Integral para promover o desenvolvimento e as oportunidades da região, contribuindo para a prevenção do fenômeno migratório e atacando simultaneamente suas causas estruturais.

O ‘Triângulo Norte da América’ Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência

A ligação e as semelhanças entre o sul do México, El Salvador, Guatemala e Honduras enfatizaram a necessidade de abordar o fenômeno da migração como um problema complexo que requer governança adequada para facilitar a migração segura, ordeira e regular, de uma perspectiva regional e abrangente, bem como todo o ciclo da migração (origem, trânsito, destino e retorno), respeitando os direitos humanos.

Como parte das ações acordadas, será criado um fundo com o objetivo final de implementar o Plano de Desenvolvimento Integral, que inclui programas e projetos capazes de criar empregos e combater a pobreza.

Os líderes instruíram seus respectivos Ministérios estrangeiros, que irão trabalhar com o apoio da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal), para coordenar, durante o primeiro trimestre de 2019, as atividades de identificação e unificação das áreas de oportunidade existentes, bem como implementar o Plano de Desenvolvimento Integral em harmonia com os objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e do Pacto global para as Migrações.

Após a assinatura do acordo, no último sábado (dia 1o de dezembro), pelos Chefes de Estado – Andres Manuel Lopez Obrador (México), Jimmy Morales Cabrera (Guatemala), Juan Orlando Hernández Alvarado (Honduras) e Oscar Samuel Ortiz Ascencio (El Salvador) – os países da América Central comemoraram a iniciativa do Presidente mexicano, que está comprometido agora em fortalecer o desenvolvimento social e combater as causas da migração.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da América Central” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_na_Am%C3%A9rica_Central

Imagem 2O Triângulo Norte da América Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Tri%C3%A1ngulo_Norte_de_Centroam%C3%A9rica