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Comunidade Andina das Nações executa projeto para eliminar roaming entre países membros

O Secretário-Geral da Comunidade Andina de Nações (CAN), Walker San Miguel, apresentou estudos visando a redução de custos de roaming entre os países membros do bloco. A apresentação foi feita em 13 de junho de 2018, na cidade de La Paz, capital da Bolívia, durante o evento denominado Economia Digital na Comunidade Andina.

O projeto irá beneficiar cidadãos andinos que se desloquem entre as nações da Comunidade (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) portando celulares registrados nas suas cidades de origem. A medida reveste-se de grande importância se considerarmos  que a CAN vem gradativamente adotando medidas para facilitar a circulação  intrarregional de pessoas e garantir direitos a trabalhadores migrantes na região, tais como: aceitação do documento de identidade nacional para turistas nativos dos países do Bloco (2001); criação do Passaporte Andino (2001) e adoção de padrão único de nomenclatura e segurança (2002);  adoção do Instrumento Andino de Migração Laboral (2003), seguidos do Instrumento Andino de Seguridade Social (2004) e do Instrumento Andino de Seguridade e Saúde no Trabalho (2004). O tráfego aéreo entre os quatro países foi superior a 5 milhões de passageiros em 2017, um aumento de 14,4% em relação a 2016, que atesta o  incremento no fluxo.

A proposta definitiva deverá ser apreciada por organismos deliberativos da CAN ainda em julho de 2018 para aprovação e implementação. Um dos órgãos internos que deverá apreciar a proposta é o Comitê Andino de Autoridades de Telecomunicações (CAATEL), que já vem adotando uma série de ações para promover a integração das telecomunicações na região. O CAATEL é formado por representantes das entidades encarregadas das políticas nacionais da área nos seus respectivos países.

Sistema Andino de Integração (SAI)

A iniciativa da CAN conta com o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina  (CAF), em regime de cooperação, uma vez que ambas as instituições são  integrantes do chamado Sistema Andino de Integração (SAI), que visa articular o trabalho das partes com objetivo de facilitar e aprofundar a integração dos países da Região dos Andes. O Secretário-Geral acredita que poderão reduzir a tarifa de roaming a zero  e informa que o sucesso dessa empreitada tornará os andinos pioneiros no continente, uma vez que, segundo ele mesmo, apenas a União Europeia conseguiu tal feito e, mesmo assim, após dez anos de negociações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Evento de Economia Digital na Comunidade Andina” (Fonte): http://www.comunidadandina.org/StaticFiles/2018614112923DSC_0232.JPG

Imagem 2 Sistema Andino de Integração (SAI)” (Fonte): http://www.comunidadandina.org/StaticFiles/201508281536SAI.png

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Novo governante mexicano planeja acabar com as importações de combustível

Conforme estão nas declarações feitas na mídia, o Presidente eleito do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, afirmou no último sábado (dia 7 de julho) que tentará acabar com as maciças importações mexicanas de combustível, quase todas dos Estados Unidos, durante os três primeiros anos de seu mandato, além de aumentar a capacidade de refino no país. “O objetivo é que deixemos de comprar gasolina estrangeira até o meio do meu mandato de seis anos”, declarou López Obrador, repetindo uma posição que ele estabeleceu durante a campanha. E complementou: “Vamos reavivar imediatamente nossa atividade de petróleo, exploração e perfuração de poços, para termos petróleo bruto”.

Instalação petrolífera

Na campanha eleitoral, ele apresentou seu plano de afastar o México da gasolina estrangeira como meio de aumentar a produção interna de petróleo bruto e de valor agregado, e não por se tratar de uma questão comercial com os Estados Unidos.

Reiterou neste sábado seu objetivo de construir uma grande refinaria de petróleo, ou duas refinarias de médio porte durante sua administração, que começa em 1º de dezembro próximo. Até agora, julho de 2018, o México importou uma média de 590.000 barris por dia de gasolina e outros 232.000 de diesel, já que a produção nas refinarias domésticas do país diminuiu constantemente.

As importações estrangeiras de gasolina cresceram quase dois terços, enquanto as importações de diesel mais do que dobraram desde 2013, o primeiro ano do mandato do presidente Enrique Peña Nieto, segundo dados da companhia nacional de petróleo Pemex. Enquanto isso, as seis refinarias de petróleo no México, de propriedade da mesma Pemex e operadas por ela, estão produzindo muito abaixo de sua capacidade, com uma média de 220.000 barris de gasolina até este momento de 2018.

Refinaria

Obrador também criticou fortemente a revisão constitucional de energia de 2013, que acabou com o monopólio da empresa e permitiu que as principais corporações internacionais de petróleo operassem campos por conta própria pela primeira vez em décadas. A revisão foi projetada para reverter 14 anos de produção de petróleo e já resultou em leilões competitivos que concederam mais de 100 contratos de exploração e produção para petrolíferas como a Royal Dutch Shell e a ExxonMobil. Conforme declarou: “O mais importante é resolver o problema da queda da produção de petróleo bruto. Estamos extraindo muito pouco óleo”.

Pelos dados divulgados, durante os primeiros cinco meses deste ano (2018), a produção de óleo cru mexicano ficou em média em torno de 1,9 milhão de barris, uma queda drástica em comparação com a produção de pico de quase 3,4 milhões em 2004, e 2,5 milhões em 2013.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma marinha de extração do petróleo da PEMEX no Golfo do México” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo

Imagem 2Instalação petrolífera” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo

Imagem 3Refinaria” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo

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Mexicanos votam para Presidente após campanha violenta: Lopez Obrador é o vencedor

Como apontou o Jornal Reuters, logo após a eleição, Andres Manuel Lopez Obrador conquistou a Presidência do México, em uma vitória esmagadora, no último domingo (dia 1o de julho), preparando o terreno para o governo mais esquerdista da história democrática do México, em um momento de relações tensas com o governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump. O ex-prefeito da Cidade do México, de 64 anos, venceu com a maior margem em uma eleição presidencial desde os anos 1980.

López Obrador

Comprometendo-se a erradicar a corrupção e subjugar os cartéis de drogas com uma abordagem menos conflituosa, López Obrador assumirá grandes expectativas, enquanto seus esforços para reduzir a desigualdade serão observados de perto por investidores, pois seu governo pode iniciar uma política mais restritiva em relação aos investimentos estrangeiros e uma abordagem menos confortável para os Estados Unidos.

O peso mexicano disparou ao longo do dia, mas depois perdeu força em relação ao dólar, conforme a vitória nas urnas se tornou evidente. Os investidores estão observando atentamente para ver se seu partido (MORENA), com quatro anos de idade, vai conseguir obter uma maioria no Congresso, um resultado que lhe daria mais liberdade para mudar a política econômica.

Os rivais Ricardo Anaya, ex-chefe do Partido de Ação Nacional (PAN), de centro-direita, e José Antonio Meade, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), considerado de centro, apesar de sua filiação a Internacional Socialista e se dizer Social-Democrata, admitiram a derrota a poucos minutos das pesquisas de boca-de-urna.

Dezenas de milhares de pessoas lotaram a vasta praça de “El Zócalo”, na Cidade do México, onde Lopez Obrador falou depois da meia-noite, acompanhado por sua esposa e filhos. “O novo projeto da nação tentará buscar uma democracia autêntica”, disse ele, em discurso conciliatório que promete independência do Banco Central e prudência econômica, além do respeito às liberdades individuais. “Eu quero entrar para a história como um bom Presidente do México”, completou.

Conforme apontam os observadores, a campanha de Obrador conseguiu capitalizar a raiva generalizada em anos de corrupção desenfreada e violência, mas foi vaga em detalhes sobre sua política. Buscando encurralar o apoio de nacionalistas econômicos, liberais esquerdistas e conservadores sociais, ele se comprometeu a combater a desigualdade, a melhorar os salários e os gastos sociais, bem como em diminuir os gastos públicos.

Usando o slogan “paz e amor” durante a campanha, ele empregou uma equipe de auxiliares para garantir a Wall Street que não perturbará a economia. Mas, também prometeu rever os contratos de petróleo recentemente concedidos e ameaçou cancelar o novo aeroporto da Cidade do México, enquanto criticava os líderes empresariais individuais que ele acusa de fazerem parte da “máfia do poder”.

Pacote eleitoral recebido por mexicanos que vivem no exterior

O nacionalismo de Lopez Obrador, a natureza vista pelos intérpretes como teimosa e as críticas dos rivais atraíram comparações com o presidente dos EUA, Donald Trump, que, em uma postagem no Twitter, parabenizou o esquerdista por sua vitória: “Estou muito ansioso para trabalhar com ele. Há muito a ser feito para beneficiar tanto os Estados Unidos quanto o México!”. No entanto, mais cedo, no domingo, Trump levantou a possibilidade de taxar carros importados do México se houver tensão com o novo governo.

Os Estados Unidos, que estão em desacordo com o México e o Canadá na renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), lançaram uma investigação sobre a possibilidade de impor tarifas aos automóveis importados. Os resultados são esperados dentro de alguns meses.

Lopez Obrador foi o primeiro a receber atenção mundial como prefeito da Cidade do México, cargo que deixou para concorrer à Presidência em 2006. Após perder as eleições daquele ano, acreditava-se que ele encerraria sua carreira política. No entanto, iniciou uma longa jornada de volta à proeminência, visitando incansavelmente aldeias e cidades negligenciadas pelos principais políticos por décadas.

Sua vitória é entendida pelos observadores como uma repreensão pungente ao PRI, que governou o México por 77 dos últimos 89 anos, e também ao seu rival conservador, o PAN, que acabou com o regime de partido único no México ao derrotar o PRI, em 2000, mas logo depois perdeu o poder.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Voto do cidadão nas urnas para presidente na Cidade do México” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_general_election,_2012

Imagem 2López Obrador” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 3Pacote eleitoral recebido por mexicanos que vivem no exterior” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Elecciones_federales_de_M%C3%A9xico_de_2018

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Bolívia construirá centro de pesquisa nuclear com a ajuda da Rússia

No ano de 2016, a Bolívia e a Rússia firmaram uma cooperação intergovernamental que engloba o uso pacífico de energia nuclear e a ajuda na construção de um centro de pesquisa e tecnologia atômica. Em vista disso, em setembro de 2017, a Agência Boliviana de Energia Nuclear (ABEN) assinou um acordo com a companhia estatal russa Rosatom, para que auxilie na criação do Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear (NRTC, sigla em inglês) na cidade boliviana de El Alto. Apesar de tal cooperação ter sido firmada há um tempo, o Centro começará a ser construído em julho deste ano (2018).

A cidade de El Alto, na Bolívia, onde será construído o Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear

É válido ressaltar que o NRTC é um projeto que visa unicamente fins pacíficos, baseando-se em três objetivos principais: um centro de medicina atômica, um equipamento de raios gama e um reator experimental de baixa potência. A partir desses arranjos, serão conduzidas pesquisas científicas e acadêmicas que contribuirão para o avanço de vários setores do país, visto que realizará estudos sobre tratamento de doenças, como câncer, e sobre o desenvolvimento da agricultura para que haja a eliminação de pragas e bactérias mais facilmente.

Dessa forma, a parceria firmada entre os dois países trará inúmeros benefícios aos bolivianos. Em primeiro lugar, a Bolívia dominará melhor a área nuclear, o que impulsionará setores onde esse tipo de tecnologia pode ser aplicado, como a medicina, a educação, a geologia e a agricultura. Além disso, com o projeto, o país se tornará referência na América Latina no assunto de pesquisa atômica, podendo ser reconhecido mundialmente por tal.

Ademais, a cooperação energética aproxima não só a Bolívia e a Rússia, como também demonstra a vontade dos russos em ter um papel mais ativo nessa região da América. Em depoimento, o Presidente boliviano, Evo Morales, apontou que “a presença Russa na América Latina é importante por razões geopolíticas. Eu quero saudar esta vontade, este desejo da Rússia em cooperar com a Bolívia”.

Portanto, pode-se considerar que, com o projeto em andamento, a cooperação energética entre os dois países provavelmente se fortalecerá ao longo dos anos. De fato, Morales e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, encontraram-se recentemente e discutiram sobre investimentos no setor de hidrocarbonetos. É algo que demonstra não só o interesse boliviano de continuar a parceria e, com isso, poder se tornar uma referência global no estudo atômico, como também destaca a vontade russa de expandir seu leque de parceiros econômicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bolívia, Evo Morales, e o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 2 A cidade de El Alto, na Bolívia, onde será construído o Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/00/El_Alto_Photomontage_V1.jpg

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Missão do Equador visita instituições financeiras nos Estados Unidos

Uma comitiva equatoriana esteve em visita oficial a algumas instituições financeiras em Washington e Nova Iorque nos dias 11 e 12 de junho de 2018. A delegação estava formada por Richard Martinez e Santiago Caviedes, respectivamente Ministro e Vice-Ministro de Economia e Finanças; Carlos Pérez, Ministro de Petróleo, Minas e Energia; e Verónica Artola, Gerente do Banco Central do Equador; acompanhados do Embaixador do Equador nos EUA, Francisco Carrión.

Sede do FMI em Washington

Em Washington, capital norte-americana, o  grupo manteve contatos com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial (BIRD) e do Tesouro dos EUA. Foi negociado que o FMI prestará assistência técnica na formulação da política macroeconômica e fiscal. O BID dará apoio para o fortalecimento de programas sociais, do programa de habitação e de projetos de infraestrutura. O Vice-Presidente para América Latina e Caribe e o Diretor para Países Andinos do Banco Mundial elogiaram a abertura política do atual governo equatoriano e sinalizaram com linhas de crédito para projetos de interesse do país, bem como ofereceram suporte técnico para gestão de gastos e de negócios.

O economista Richard Martinez foi Presidente da Federação Nacional de Câmaras de Indústria do Equador e presidia o Comitê Empresarial Equatoriano até tomar  posse em 15 de maio (2018) como o primeiro Ministro nomeado pelo presidente Lenín Moreno, depois que todo o corpo ministerial  renunciou a pedido do mandatário. Seu antecessor era Carlos de la Torre, que assumiu o cargo na posse de Moreno (24/5/2017) e renunciou em 6 de março de 2018 por divergências com a equipe econômica e com o Presidente quanto à política do setor. Com a súbita saída de La Torre, foi nomeada María Elsa Viteri que só ficou no cargo pouco mais de 2 meses (6/3/2018 a 14/5/2018). Ambos fizeram parte do gabinete de Rafael Correa que apoiou a candidatura de Moreno e foram aliados até que se tornaram desafetos.

Depois da visita em Washington, o Secretário de Estado e seu grupo seguiu para Nova Iorque para encontrar representantes de Bancos e fundos que investem no Equador. Dois dias antes de viajar, Martinez esclareceu que o objetivo do Governo equatoriano era “fortalecer a credibilidade do país com a comunidade financeira internacional e avançar na aplicação das melhores práticas de gestão econômica”. Ainda segundo o Ministro, a “falta de conexão com organismos multilaterais em governos anteriores afetou os indicadores econômicos”. Sabe-se que nos dez anos de gestão de Rafael Correa essa relação era de baixo contato e o sucessor, Lenín Moreno, foi aos poucos dando um novo direcionamento na política, a ponto de ter trocado 20 ministros ao iniciar o segundo ano do seu mandato em maio de 2018. 

A visita dos equatorianos foi vista com bons olhos pelos anfitriões e o FMI emitiu uma declaração expressando sua satisfação com o diálogo e com a perspectiva de manter estreita relação de cooperação. O próximo passo é a visita do Fundo ao Equador para a consulta do Artigo IV, um processo no qual a equipe técnica revisa a informação sobre a política econômica, monetária, fiscal e financeira do país e emite um parecer. Os trabalhos serão desenvolvidos de 20 de junho a 4 de julho de 2018 e a delegação visitante se reunirá com membros do governo e representantes dos segmentos de finanças e empresarial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Comitiva do Equador em Washington” (Fonte):

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Imagem 2 Sede do FMI em Washington” (Fonte):

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Maduro centra foco na Força Armada Nacional Bolivariana

Após os resultados das eleições presidenciais, o presidente venezuelano Nicolás Maduro passou a centrar o foco nas Forças Armadas do país (a Fuerza Armada Nacional Bolivariana – FANB), ressaltando-se que, hoje, ela se constitui a principal garantia do Regime Político venezuelano. 

Presidente do Controle Cidadão, Rocío San Miguel

Analistas e observadores têm alertado para o fato de o mandatário ter grande temor dos militares, uma vez que ao longo dos anos tem ocorrido vários casos em que eles têm se manifestado contrários ao líder. Essa sensação vem sendo destacada por personalidades na Venezuela, como é o caso da Presidente do Controle Cidadão, Rocío San Miguel, a qual afirmou que Maduro “está ‘paranoico’ con la Fuerza Armada Nacional, por lo que ha aplicado en los últimos dos años una política de detenciones en contra los militares (e) encarcelado a funcionarios castrenses, a quienes les atribuyen intentonas golpistas, traición a la patria, deserción, entre otras” (“está paranoico com a Força Armada Nacional, pelo que aplicou nos últimos dois anos uma política de detenções contra os militares (e) encarcerado os funcionários castrenses, aos quais atribuem tentativas golpistas, traição à Pátria, deserção, entre outras” – Tradução Livre).

Na formação de seu novo Gabinete, ele realizou uma redução drástica no número de militares ocupando o cargo de Ministro, caindo de 43,7% para 26,47% de participantes, ao retirar cinco deles (José Gregorio Vielma Mora; Orlando Miguel Maneiro Gaspar; Carlos Alberto Osorio Zambrano; Ramón Celestino Velázquez Araguayan y César Alberto Salazar Coll).

No entanto, como também declarou Rocío San Miguel, “al reducir Maduro la presencia de militares en su gabinete está enviando un poderoso mensaje a la Fuerza Armada Nacional Bolivariana (FANB), que puede ser peligroso en términos de apoyos y lealtades de los militares a su gobierno. Debe tomarse en cuenta que estos militares cargan consigo toda una estructura, que regresa a partir de este momento a los cuarteles sin los incentivos que significa estar en estos ministerios. Un Maduro vencedor en las presidenciales, que ha decidido prescindir de militares en esta nueva etapa, no parece una buena idea en términos de proporcionar estabilidad a su gobierno”.

Selo do Ministério da Defesa da Venezuela

Talvez, por essa razão, sabedor da importância das Forças Armadas para a manutenção do regime, apesar de todo o seu temor, o Presidente anunciou na sexta-feira passada, dia 15 de junho, o aumento do soldo dos militares em todos os postos e graduações, incidindo também sobre o sistema de apoio a esta e ao de segurança pública. Da mesma forma, solicitou que seja visto o Instituto de “Previsión Social de la Fuerza Armada Nacional Bolivariana” (Ipsfa) para fortalecer a previdência social dos militares. Maduro também determinou que deverá ocorrer em breve a promoção nos postos da ativa e definiu que o aumento salarial deverá começar a partir deste mês, no final de junho.

A situação tem se tornado mais complexa, uma vez que, juntamente com os aumentos salariais, os quais vieram em sequência às retiradas de personalidades militares do governo, ele tem usado o argumento de que o Governo colombiano deseja realizar uma guerra contra o seu país, supostamente para derrubar o chavismo, mas com apoio dos EUA, o qual tem o petróleo como objetivo. Tal acusação veio amparada por declarações do presidente boliviano Evo Morales, de que os EUA estão buscando aliados regionais para invadir a Venezuela, com o intuito de repetir o que ocorreu na Líbia, onde, segundo sua afirmação, o petróleo está sob controle de empresas norte-americanas e europeias.

Diante dessas declarações, Maduro tem pedido aos chefes militares que lhe apoiem na Defesa de seu país, pois, como afirma, “los oficiales de esta institución castrense son los profesionales de la independencia y la paz del país” (“os oficiais desta instituição castrense são os profissionais da independência do país e da paz” – Tradução Livre). Também manteve o general Quevedo como presidente da Petroleos de Venezuela S. A. (PDVSA), apesar de tantas mudanças que foram feitas em seu gabinete, porém, embora tenha preservado o General como presidente da petroleira, ele mudou a diretoria desta.

Observadores estão à espera dos próximos passos do Presidente, pois a estratégia de concentrar foco em um inimigo externo tem servido para garantir apoio de segmentos populacionais ao regime, bem como a união das Forças Armadas. No entanto, se for confirmado o temor que tem dos militares e, por isso, que suas decisões visam isolá-los e precaver-se deles, essas ações podem levar a um limite de tensão cujas consequências não se acredita que ele poderá suportar, já que ou terá os militares contra si, ou uma guerra contra o seu país para preservar a união das Forças Armadas, um risco em que são mínimas as garantias de que tal ato não irá se voltar exclusivamente contra ele próprio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nicolás Maduro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolás_Maduro#/media/File:Nicolás_Maduro_crop_2015.jpeg

Imagem 2 Presidente do Controle Cidadão, Rocío San Miguel” (Fonte):

http://www.defiendoddhh.org/rocio-san-miguel/

Imagem 3 Selo do Ministério da Defesa da Venezuela” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Fuerza_Armada_Nacional_Bolivariana#/media/File:Seal_of_the_Venezuelan_Ministry_of_Defense.png