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Manifestações na Venezuela contra o controle biométrico para compra de bens de primeira necessidade

O anúncio governamental da adoção de controle biométrico para a compra de produtos de primeira necessidade e de alimentos em lojas e supermercados resultou em manifestações já nesta segunda-feira passada, dia 25 de agosto, em San Cristóbal, onde houve confronto entre populares e policiais.

De acordo com as notícias disseminadas pelo jornal El Universal, de Caracas, “Desde esta madrugada, en el sector Las Pilas de Pueblo Nuevo (San Cristóbal) hubo enfrentamientos entre un grupo de personas que formaban barricadas y efectivos de la Guardia Nacional Bolivariana[1]. Pelo que foi relatado, um veículo da Guarda Nacional derrubou os portões de um conjunto residencial e lançou gás lacrimogêneo e os manifestantes sequestraram um veículo de transporte público, que foi devolvido mais tarde[1].    

Aproveitando do momento, também houve manifestação contrária às passagens de ônibus, à insegurança pública, a escassez de alimentos, ao desabastecimento, à crise econômica, além do fechamento das fronteiras, sob o argumento do combate ao contrabando.

O argumento do Governo é de que estes manifestantes e vários segmentos da população estão sendo enganados pela oposição de direita, já que, da sua perspectiva, o controle biométrico tem como função monitorar o contrabando e não controlar o consumo. Jorge Arreaza, vice-presidente do Governo, escreveu em seu Twiter: “No se dejen manipular por la manipulación de la derecha. El captahuella no es para restringir compras, es para capturar contrabandistas. (…). …se aplicará para identificar a quienes juegan, roban y se lucran con los alimentos del pueblo. ¡Vamos tras las mafias![1].

Estas manifestações recentes contra a medida governamental ocorreram num momento em que também foi noticiada no país uma pesquisa realizada pela Hinterlaces, a qual havia apontado que a avaliação do desempenho político do presidente Nicolás Maduro havia atingido 60% de aprovação.

Conforme afirmou o jornalista José Vicente Rangel, que analisou o resultado em programa de TV, “la base social de apoyo del chavismo que históricamente se ha mantenido alrededor del 40% es una base social que apoya las decisiones del presidente Maduro en materia económica. Respaldan el modelo social y político de la Revolución, no quieren que el modelo cambie, quieren que el modelo funcione[2].

Pode-se concluir da continuação da argumentação do jornalista que, no entanto, o fator que parece mais relevante para entender o resultado decorre do fato de que os setores dos que não são associados a nenhum dos lados (Governo ou Oposição, os denominados “nini”), que correspondem a quase 40% da população “no encuentran referentes, ni líderes, ni propuestas en la cúpula de la oposición. Alrededor de la mitad de los ‘nini’ evalúan sus decisiones electorales de acuerdo al desempeño del gobierno[2].

Conforme afirma, esse setor “espera en quien confiar, su principal crítica a la gestión del gobierno tiene que ver con la visión y el desempeño económico, por lo que pueden ser conquistados con mayor ventaja por el chavismo gobernante en tanto demuestre capacidad y resultados que generen bienestar y seguridad respecto al futuro económico del país[2].

De acordo ainda com a avaliação de Rangel, a maioria do povo deseja um sistema misto em que haja participação do Estado e o estímulo à iniciativa privada para gerar fontes alternativas e diversificação da economia, mas não querem que haja o abandono daquilo que Chávez conseguiu, significando, provavelmente, o abandono da inclusão social conseguida, já que a referência foi feita em relação as denominadas conquistas sociais de Hugo Chávez.

Observadores acreditam que, como a avaliação da performance se dá em função do desempenho econômico e também se acredita que o modelo econômico venezuelano está em esgotamento, a razão desses índices deve estar ligada principalmente às falhas da Oposição em não conseguir uma ação unificada, bem como em fracassar na apresentação de uma proposta que possa ser entendida e assimilada pela sociedade. Por isso, mesmo que a pesquisa seja exata, o cenário aponta para a intensificação da crise, já que também se tem observado elevado descontentamento de setores da população com relação a condição em que o país se encontra.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.elnuevoherald.com/2014/08/25/1828139/gobierno-venezolano-dice-que-uso.html

Ver também:

http://www.rcnradio.com/noticias/protestas-contra-el-gobierno-de-maduro-en-caracas-y-san-cristobal-157746

[2] Ver:

http://laiguana.tv/noticias/2014/08/24/20454/ULTIMAS-ENCUESTAS-CONOZCA-EL-PORCENTAJE-DE-POPULARIDAD-DE-LA-GESTION-DE-NICOLAS-MADURO.html 

Ver também:

http://www.xornalgalicia.com/index.php?name=News&file=article&sid=97565 

Ver também:

http://www.atodomomento.com/hinterlaces-60-de-los-venezolanos-evalua-positivo-desempeno-de-maduro/

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Maduro adota controle biométrico das compras como um dos instrumentos de combate ao desabastecimento

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou o controle biométrico em supermercados e lojas venezuelanas como uma das formas de combater o desabastecimento no país. O anúncio do procedimento assustou a população venezuelana, pois, para o povo, ficou a ideia de racionamento e controle das compras, já que a sociedade tem diante de si a falta de produtos nas prateleiras das lojas e principalmente dos supermercados.

Maduro vem acusando o empresariado pela ausência desses produtos, notadamente os da cesta básica, naquilo que considera como sendo uma “Guerra Econômica” contra o Governo. Além disso, culpa também grupos criminosos pelo desabastecimento, da sua perspectiva, também associados ao empresariado, graças a grande quantidade de contrabando que vem ocorrendo, em especial para a Colômbia.

Assim, o Governo entende que o controle biométrico seria uma forma de acompanhar a demanda real, as aquisições que são efetuadas pelo povo e impedir que os produtos sejam comprados além das necessidades reais da população, com fins específicos de serem deslocados para venda no exterior, razão pela qual também baixou determinação proibindo a exportação de produtos da cesta básica, os quais só poderão ser comercializados no mercado interno,

As medidas não causaram surpresa aos observadores, uma vez que o Governo vem intensificando o combate ao contrabando, ao ponto de um planejamento específico para tanto ter sido entregue ao mandatário no sábado, dia 23, visando equacionar as atividades de confronto aos contrabandistas, para as quais serão aportados os recursos militares necessários.

O que trazia estranhamento eram as razões de se proibir exportação de produtos que não são produzidos na Venezuela, já que esta importa a maioria de seus bens de consumo, bem como o fato de haver contrabando para a Colômbia, de onde provêm parte significativa desses produtos importados.

O fato decorre de os produtos importados receberem subsídios do Governo para que cheguem às prateleiras a preços acessíveis, já que não existe estímulo a sua produção em território venezuelano. Dessa forma, os preços acabam ficando mais baratos do que na Colômbia, razão pela qual grupos tem se dedicado a contrabandeá-los para lá.

Especialistas apontam que o problema foi gerado pela política de controle de preços, pelas pressões e impactos que recebe o empresariado, pelo desestímulo aos investimentos, pelas estatizações, bem como pelas falhas administrativas das empresas estatais que seguem lógica política e não econômica na sua produção, na alocação de recursos humanos e na utilização dos recursos financeiros.

Acreditam os analistas que a tendência será gerar mais escassez, provavelmente mais contrabando e confrontos entre o Governo e parte da população, já que o controle biométrico gerará monitoramento das ações da sociedade, mas não respostas as suas demandas, uma vez que o controle da sociedade requererá mais recursos a serem deslocados da produção para os órgãos e efetivos responsáveis para tanto.

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wikipedia

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Fontes consultadas:

Ver:

http://diariodecaracas.com/dinero/maduro-promete-no-racionar-alimentos-el-sistema-biometrico

Ver:

http://www.taringa.net/posts/noticias/18070747/Maduro-limita-venta-de-alimentos-desata-compras-de-panico.html?dr

Ver:

http://www.libremercado.com/2014-08-24/maduro-impone-la-cartilla-de-racionamiento-digital-en-venezuela-1276526485/

Ver:

http://www.clarin.com/politica/ley-abastecimiento-Venezuela-super-falta_0_1199280553.html

Ver:

http://www.elmundo.com.bo/elmundo/noticia.php?id=5363

Ver:

http://www.clarin.com/mundo/Prohiben-exportacion-productos_0_1199280131.html

Ver:

http://www.lapatria.com/internacional/maduro-prohibe-la-exportacion-de-productos-de-la-canasta-basica-117791 

Ver:

http://informe21.com/politica/cierres-de-frontera-solo-perjudica-a-venezolanos-y-colombianos-honestos

Ver (Vídeo):

http://www.slingshow.com/nicolas-maduro-determinado-a-terminar-con-el-contrabando-a-colombia-video_78c2f6b8c.html

Ver:

http://www.entornointeligente.com/articulo/3225177/VENEZUELA-Vicepresidente-entrego-a-Maduro-propuesta-para-lucha-contra-el-contrabando-24082014

Ver:

http://www.ntn24.com/noticia/por-segunda-dia-contrabandistas-y-militares-sostienen-fuerte-enfrentamiento-en-la-frontera-colombo-23275 

Ver:

http://www.elnuevoherald.com/2014/08/24/1826916/muere-oficial-venezolano-y-son.html 

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Maduro declara combate à corrupção enquanto analistas e opositores apontam erros que levaram à crise econômica no país

Diante das denúncias de gastos governamentais, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que adotará medida de combate a corrupção no país, enfrentando principalmente a burocracia da máquina administrativa[1]. Conforme afirmou, fará uma revisão dos mecanismos de gestão de todos os Ministérios e Órgãos do Estado, acompanhando medidas para identificar desvios de verbas públicas que estejam ocorrendo dentro do Governo, bem como outras medidas de consultas públicas sobre às decisões governamentais[2].

Tais anúncios também vem a reboque das declarações de que, diante da necessidade de reajustar os preços dos combustíveis, isso será feito por meio de consulta da sociedade, que deverá definir o que precisa ser reajustado e como será processado o reajuste. Declarou: “Aquí quien va a establecer el nuevo sistema de precios, de ahora y hacia el futuro, de todos el sistema de comercialización de los combustibles internos es el pueblo de Venezuela, sus organizaciones, la clase obrera, las comunas, la juventud, las mujeres, los intelectuales, los universitarios[2].   

Apesar das ações políticas para responder às denúncias e manter a imagem de que governa democraticamente com a participação popular, as crítica se mantêm, afirmando analistas e opositores que o Governo é responsável pela crise econômica, especialmente graças ao modelo econômico adotado em que as empresas estatais se sobrepõem ao empreendedorismo e adotam modelo administrativo que não permite um gerenciamento adequado, razão pela qual estas não conseguem garantir a produtividade, fazer investimentos corretos e atrair recursos[3], além de serem usadas para fins políticos e ideológicos, em especial a PDVSA, que é a empresa líder na Venezuela e responsável pela organização econômica do país. Os observadores e críticos acrescentam a esses aspectos o inchaço da máquina pública, com excessos de Ministérios e burocracia inflada[4]. Tal percepção vem sendo disseminada também internacionalmente, ao ponto de uma instituição chinesa responsável por cálculo de risco de investimentos ter afirmado que o risco de investimento na Venezuela é alto em curto e médio prazos[4].

Complementarmente a essas informações, também foi divulgado que as reservas de ouro do país tiveram uma perda de 25% de seu valor, graças à flutuação do preço no mercado internacional. A situação se mostra problemática devido ao fato de as reservas internacionais do país terem, atualmente, 71% do seu total em ouro, ou seja, graças à tal proporção, a Venezuela apresenta-se extremamente vulnerável às flutuações do valor do metal.

Para efeitos de comparação, no Brasil, o ouro corresponde a 0,8% de suas reservas; na Colômbia, a 1%; no Peru a 2,3% e, no México, a 2,7%. Nos países da região citados no jornal[5], que se pode interpretar serem mais próximos, ou ligados ao modelo venezuelano, os valores dão um salto em relação a estes quatro, como são os casos do Equador, com 8,8%, e da Argentina, com 8,9%, mas, mesmo assim, não chegam a proporção tão perigosa como a que se dá na Venezuela.

Tal situação, conforme foi divulgado, decorreu de decisão do ex-presidente Hugo Chávez, que optou por estatizar o setor num momento favorável a ele. Como apontam, o Presidente declarou na época: “Pronto voy a proponer una ley habilitante para comenzar a tomar la zona del oro y ahí cuento con ustedes, porque esa zona está anarquizada, hay mafias, contrabandos. (…). Eso es una gran riqueza, una de las más grandes del mundo, oro, piedras preciosas, diamantes, bauxita, hierro en el arco minero de Guayana… (…). Aquí tengo ya las leyes que le reservan al Estado las actividades de exploración, explotación del oro y todas las actividades conexas, es decir, vamos a nacionalizar el oro y vamos a convertirlo en reserva internacional, porque sigue incrementándose su valor[5].

Ou seja, por opção sua, o Chávez implantou uma política por meio de Lei Habilitante, que é o poder conferido a ele pelo Legislativo (a Assembleia Nacional da Venezuela)  para que, dentro de período específico, possa governar e legislar sem necessitar aprovação deste poder do Estado.

Nesse sentido, os críticos acrescentam que a redução das reservas internacionais venezuelanas se dá também pelo fato de o país ser tão dependente da flutuação do valor do ouro no mercado internacional, mas que isto é apenas uma das consequências de forma como se tomam as decisões no país, bem como do modelo econômico adotado. 

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  wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.hispantv.com/detail/2014/08/18/285081/que-opinas-lucha-contra-corrupcion-y-burocracia-venezuela

[2] Ver:

http://www.elpropio.com/actualidad/Maduro-sistema-precios-combustible-surgira_0_574742544.html

[3] Ver:

http://www.vivelohoy.com/noticias/8416555/burocracia-y-corrupcion-el-lastre-para-la-economia-venezolana

[4] Ver:

http://www.notiminuto.com/noticia/blyde-maduro-debe-asumir-su-responsabilidad-por-crisis-economica/

[5] Ver:

http://informe21.com/economia/infobae-venezuela-perdio-un-cuarto-del-valor-de-sus-reservas-en-oro

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Deputado opositor e entidades civis denunciam gastos considerados desproporcionais do Governo Maduro

Por meio de uma investigação realizada, o deputado opositor Carlos Berrisbeitía denunciou perante a opinião pública venezuelana os gastos realizados pelo Governo de Nicolas Maduro, com benefícios próprios e para as filhas do ex-presidente Hugo Chávez[1].

De acordo com os dados disponibilizados, o Presidente aumentou em 40% o orçamento para seu despacho pessoal e, hoje, conforme calculou, as despesas de Maduro e das duas filhas de Chávez, Rosa Virginia y María Gabriela, chegam 3,8 milhões de dólares, por dia.

Conforme declarado, ambas usam da infraestrutura disponível, incluindo a casa e o avião presidencial, cujas provas desses usos foram obtidas, dentre outros meios, por fotos disponibilizadas por elas próprias no Instagram[1]. Conforme destacou, o total apresentado pelo Ministério do Poder Popular sobre o Despacho da Presidência foi de 934 milhões de dólares, sendo o total do gasto da residência presidencial, onde também estão as filhas de Chávez, o valor de 356 milhões de dólares[1] com gastos de telefonia, segurança, passagens aéreas, além do comprovado uso do avião presidencial. A esses gastos soma-se o montante de 1,88 milhão de dólares para despesas de relações sociais, ou seja, aquelas extras com convidados esporádicos.  

A conta apresentada pelo Deputado foi rapidamente disseminada nas redes sociais e saiu em jornais, somando-se a ela outra conta disponibilizada por entidade social venezuelana que acompanha os gastos do Governo.  

A ONGMonitoreo Ciudadano”, usando a ferramenta denominada Cadenómetro (que em português seria algo próximo a Cadeiômetro, referindo-se ao Uso das Cadeias de Rádio e TV), o Governo gastou algo em torno de    240 milhões de dólares[2] com uso do Rádio e da TV para entrar em cadeia interrompendo as transmissões da programação geral e fazendo propagandas, ou apresentando discursos do Presidente.

A Entidade questiona a necessidade deste uso midiático e faz a comparação do que poderia ser feito com tais recursos. Afirma que, por exemplo, seria possível pagar salário mínimo de 4.251 bolívares (aproximadamente, 675 dólares) a 422.111 pessoas, ou distribuir 453.912 cestas de alimentos, ao custo básico de 4.000 bolívares, de acordo com os dados sobre a  cesta básica no país apresentados por Elías Eljuri, presidente do Instituto Nacional de Estadística (INE)[3][4].

Diante das informações disponibilizadas, as críticas no país têm se intensificado. Da parte do Presidente, este tem direcionado suas atenções para a combater as empresas que considera as criadoras da guerra econômica contra o Governo, as quais, segundo interpreta, são responsáveis pelo desabastecimento no país, bem como pela inflação (que já alcançou 61% neste ano) e pela crise econômica e a intensificar as missões perante as camadas pobres da população, visando preservar o seu apoio popular.

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Wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://elmundo.com.sv/vida-de-lujo-de-maduro-y-las-hijas-de-chavez

[2] Ver:

http://www.ntn24.com/video/las-cadenas-nacionales-de-maduro-han-costado-us240-millones-en-2014-22565  

[3] Ver:

http://www.noticiasvenezolanas.com.ve/index.php/185426/cadenas-de-nicolas-maduro-este-ano-costaron-mas-de-bs-1-5-millardos/

[4] Ver:

http://elvenezolanonews.com/increible-conoce-el-gasto-consumido-por-las-cadenas-de-maduro-durante-2014/

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Ministro Mauro Borges apresentou os três eixos da estratégia comercial brasileira

No dia 7 de agosto, durante abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENAEX), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, apresentou os três eixos da estratégia comercial brasileira: “o multilateralismo, o fortalecimento comercial com os três grandes players globais (Estados Unidos, União Europeia e China) e a integração produtiva com os países da América Latina[1].

Sobre a relação com os grandes mercados, o Ministro declarou que o Mercosul está apenas aguardando[1] uma sinalização por parte da União Europeia de consulta aos países para apresentar a proposta para um Acordo de Livre Comércio entre os dois Blocos. Borges considera esse Acordo vital para a estratégia comercial brasileira.

Ele mencionou[2] ainda a parceria com os Estados Unidos por meio dos avanços da harmonização técnica e da cooperação tecnológica entre os dois países, em particular na rede dos grandes laboratórios norte-americanos, onde estão as grandes tecnologias do futuro. Também foi destacado que os investimentos brasileiros nos Estados Unidos representam 25% do investido por empresas americanas no Brasil.

Por outro lado, a estratégia em relação a China ganha uma relevância maior com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). Segundo Borges, a importância desse Banco está ligada ao desafio da política externa brasileira no continente africano: “Com um instrumento como esse banco, temos a possibilidade de equacionar a agenda de infraestrutura da África do ponto de vista estratégico brasileiro[2].

Em relação ao fortalecimento da integração produtiva com a América Latina, o Ministro afirmou[2] que o Brasil tem uma proposta concreta de antecipação dos Acordos de Complementação Econômica com os países da Aliança Pacífica na América do Sul (Colômbia, Peru e Chile). Segundo ele, o país vai propor a redução do prazo para o Acordo de Livre Comércio com esses países de 2019 para 2016.

Tem uma série de produtos que não faz sentido o Brasil produzir. Nós temos o privilégio de estar em uma região com uma divisão regional do trabalho das grandes cadeias industriais. Há países hoje [na região] onde o custo da mão de obra é bem mais baixo que o do Brasil[2], concluiu Borges. 

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=1&noticia=13338

[2] Ver:

http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/2014-08-07/perdemos-a-capacidade-de-planejar-o-pais-diz-ministro-mauro-borges.html

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Político chileno foi preso na Venezuela

Na quinta-feira passada, dia 7 de agosto, foi preso na Venezuela um político chileno, Felipe Cuevas, líder do Partido  União democrática Independente (UDI) partido opositor no Chile, de viés liberal-democrata e defensor da economia de mercado.

O Governo chileno se mobilizou para pedir esclarecimentos diante da atitude do Governo venezuelano, uma vez que a prisão se deu por ação do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), alegando que o chileno estava realizando fotografias em lugares não autorizados e não apresentava documento de identificação[1].

Autoridades do Chile consideraram a prisão “ilegal[1] e “arbitrária[1], dentre elas, o vice-chanceler Edgardo Riveros, apesar deste também ter declarado que os venezuelanos mostraram predisposição em considerar a situação. Declarou Riveros: “Eu percebi a vontade das autoridades venezuelanas para compreender as circunstâncias e a natureza dos fatos que foram desenvolvidos[1].

A situação tornou-se complicada pelo fato de o argumento do Governo estar sendo contestado. Tanto os membros da UDI no Chile quanto os opositores venezuelanos estão divulgando que a prisão ocorreu porque Cuevas visitou manifestantes opositores na Venezuela que haviam sido presos, além de ter-se encontrado com a ex-deputada venezuelana Maria Corina Machado, opositora ao Governo Maduro, que foi afastada do cargo eletivo por decisão da Legislativo.

Observadores acreditam que a prisão foi efetuada por razões políticas, acrescentando-se o fato de ter sido executada por uma Agência de Inteligência, que só detém funções de polícia em países onde há regimes totalitários, ou regimes autoritários que avançam na concentração do poder e usam a atividade para fins repressivos.

Nesse sentido, o chileno vem sendo visto por parte da Oposição venezuelana como mais um preso político na Venezuela, apesar da distorção do caso e da crise bilateral que pode gerar. Corina aproveitou a situação e postou em seu twiter:  “Exigimos a libertação imediata de Felipe Cuevas e todos os nossos presos políticos[1].

Ressalte-se que o Chile constantemente evitou se posicionar aderindo às ações dos bolivarianos na região,  fazendo-o em casos específicos, apesar de ter no momento um Governo à esquerda, que é um dos governos esquerdista que governaram o país na última década e meia. Dentre as várias razões para evitar apoios à Venezuela se deve ao fato deste país apoiar a reivindicação da Bolívia para a recuperação do seu mar territorial, incorporando território que hoje pertence ao Chile.

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wikipedia                                                          

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://br.noticias.yahoo.com/pol%C3%ADtico-chileno-é-preso-caracas-serviço-inteligência-pa%C3%ADs-183144615.html