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União Europeia e Japão desafiarão a Iniciativa do Cinturão e Rota da China

A União Europeia (UE) e o Japão estão tomando medidas para fazer frente à Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), da China. Discursando em Bruxelas, na Bélgica, na sexta-feira (20 de setembro de 2019), o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, apontou que seu país pretende trabalhar com a UE para fortalecer os seus laços nas áreas de transportes, energia e tecnologia com a África e os Bálcãs, regiões importantes para a ICR, informa o jornal South China Morning Post.

Em um fórum para celebrar o primeiro aniversário do programa Conectividade UE-Ásia, Abe e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, assinaram um acordo formalizando o envolvimento do Japão no plano Europa-Ásia, que receberá um financiamento da UE de 60 bilhões de euros (aproximadamente 273 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 27 de setembro de 2019), de Bancos de Investimentos e de investidores privados.

Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019

Abe afirmou que o Japão trabalhará para que oficiais de 30 países africanos sejam treinados em gerenciamento de dívida soberana nos próximos três anos. E relembrou: “A UE e o Japão estão conectados. A infraestrutura que nós construirmos a partir de agora deve ser uma de alta qualidade. Seja uma única estrada ou um único porto, quando a UE e o Japão tomarem a responsabilidade de algum projeto, nós seremos capazes de construir uma conexão sustentável, ampla e baseada em regras, do Indo-Pacífico aos Bálcãs ocidentais e à África”.

Juncker ressaltou que “uma das bases da conectividade de sucesso é o respeito a regras básicas e ao senso comum” e indicou que a cooperação UE-Japão se foca no “comprometimento com a democracia, o Estado de direito, a liberdade e a dignidade humana”.    

Em 2018, quando a Comissão propôs a melhoria da infraestrutura de conexão digital, de transportes e de energia com a Ásia, negou que estava procurando conter as ambições chinesas. O plano da UE, que será apoiado por fundos adicionais do orçamento comum da UE a partir de 2021, por empréstimos do setor privado e por Bancos de Desenvolvimento, configurou-se como uma resposta à forte presença da China na Ásia Central e nos Bálcãs, onde Pequim investiu bilhões de dólares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o PrimeiroMinistro do Japão, Shinzo Abe, e o Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker (2018)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=ABE+JUNCKER&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:EU-Japan_EPA_Signing_(4).jpg

Imagem 2 Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Belt_and_Road_Initiative_participant_map.svg

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fuzileiros navais americanos relembram Pequim das capacidades militares de Washington

Os fuzileiros navais americanos conduziram exercícios de tomada de bases aéreas e de ilhas nos Mares do Leste e do Sul da China, o que, segundo analistas, possui a função de relembrar à China das capacidades militares dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. Os exercícios navais de 11 dias (entre 9 e 19 de agosto de 2019) foram conduzidos nas proximidades das Filipinas e ao redor da ilha japonesa de Okinawa pelas tropas americanas estacionadas no Japão, informa o jornal South China Morning Post.

Observadores afirmaram que Washington deseja mostrar para Pequim que as suas Forças Armadas podem realizar campanhas anfíbias em territórios longínquos, caso os Estados Unidos decidam intervir nas disputas territoriais entre a China e seus aliados na região. 

A “31ª Unidade Expedicionária” e o “Esquadrão Anfíbio 11conduziram exercícios conjuntos a partir de seus navios, pertencentes ao Grupo de Prontidão Anfíbio. O Pelotão de Reconhecimento Anfíbio também realizou uma missão de vigilância e reconhecimento de grande altitude e um salto de paraquedas sobre a ilha de Okinawa. Posteriormente, um heliplano Osprey* enviou uma equipe de operações terrestres, a partir de um navio Wasp**, a uma localidade a mais de 400 quilômetros de distância, para que estabelecesse um posto de rearmamento e de reabastecimento. O time alcançou o objetivo em pouco mais de uma hora.

Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos

O tenente Guiron Cai, da Equipe de Controle do Tráfego Aéreo da Marinha da China, afirmou: “A velocidade com a qual os fuzileiros navais americanos foram capazes de estabelecer o posto de rearmamento e de reabastecimento demonstra uma habilidade crítica para o exercício de operações expedicionárias em uma região contestada”.

Adam Ni, especialista em China da Universidade Macquarie, em Sydney, na Austrália, apontou: “É um claro lembrete para a China acerca da supremacia militar dos Estados Unidos apesar da aproximação das capacidades militares dos dois países nos últimos anos. A mensagem é que as Forças Armadas americanas ainda podem tomar pontos controlados por Pequim no Mar do Sul da China em um conflito de alta intensidade”.

A China possui um litígio com o Japão em relação às Ilhas Diaoyu/Senkaku no Mar do Leste da China, enquanto Pequim e Manila clamam soberania sobre o Atol de Scarborough, no Mar do Sul da China. Desde a eleição do presidente Donald Trump, os Estados Unidos têm reforçado sua presença militar no Indo-Pacífico como forma de conter a presença chinesa nos Mares do Sul e do Leste da China, e a fim de garantir a liberdade de navegação e o respeito ao Direito Internacional na região.

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Notas:

* Heliplano Osprey: Osprey (‘águia pescadora’, em inglês) é um tipo de aeronave militar polivalente. É classificada como um convertiplano, ou seja, como uma aeronave com capacidade de decolagem e aterrissagem verticais (VTOL), bem como como decolagem e aterrissagem curtas (STOL). Seu projeto junta a função de um helicóptero convencional com a de um avião turboélice.

** Navio Wasp: Classe de Porta-Aviões Leves da Marinha dos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Treinamento dos fuzileiros da 31ª Unidade Expedicionária em portaaviões” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/31st_Marine_Expeditionary_Unit#/media/File:USMC_M16A4_Rifle.JPG

Imagem 2 Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_Boeing_V-22_Osprey#/media/File:MV-22_mcas_Miramar_2014.JPG

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministros de Negócios Estrangeiros da China, Japão e Coreia do Sul se encontrarão em meio a tensões

Os Ministros de Negócios Estrangeiros Taro Kono, do Japão, e Kang Kyung-wha, da Coreia do Sul, se encontrarão com o seu congênere chinês, Wang Yi, em Pequim, entre terça-feira e quinta-feira (dias 20 a 22 de agosto de 2019). O último encontro desse tipo ocorreu em 2016, informa o jornal South China Morning Post.

Espera-se que Kang e Kono se encontrem reservadamente durante o evento, pela primeira vez desde que o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, pediu que os dois países dialoguem para que reparem suas relações, que se encontram tensionadas devido às suas diferenças em relação a comércio e ao período da ocupação japonesa na Península Coreana entre 1910 e 1945.

Bandeiras da Coreia do Sul e do Japão

As relações nipo-coreanas estão acumulando tensões desde 2018, quando a Suprema Corte da Coreia do Sul ordenou que as empresas japonesas compensem alguns trabalhadores coreanos que foram escravizados durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, Tóquio não acatou à decisão e afirma que esta questão já foi resolvida no Tratado de 1965 que normalizou as relações entre os dois países.

Além disso, ambas as nações atingiram um ponto delicado no início deste mês (agosto de 2019), quando o Japão decidiu acabar com o status de “parceiro comercial favorecido” da Coreia do Sul, alegando que o país estava vazando, não-intencionalmente, informações sensíveis para a Coreia do Norte. Seul negou as acusações e alertou que consideraria terminar o pacto de compartilhamento de inteligência que possui com o Japão e que é renovado anualmente no dia 24 de agosto.

O encontro entre os Ministros de Negócios Estrangeiros da China, Japão e Coreia do Sul ocorre desde 2008 e possui o intuito de promover a cooperação regional. O Ministério de Negócios Estrangeiros da China declarou: “Nós esperamos que encontro ajude a reforçar a institucionalização e a substanciar as fundações do mecanismo cooperativo tripartite”.

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Imagem 1 Mapas em destaque da China, Japão e da Coreia do Sul” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=20&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&search=japan+china+south+korea&advancedSearch-current={}#/media/File:China-Japan-South_Korea_trilateral_meeting.png

Imagem 2 Bandeiras da Coreia do Sul e do Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=japan+south+korea&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=b011stx6lflos90bbdqp4pl33#%2Fmedia%2FFile%3AFlag_of_Japan_and_South_Korea.png

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China e Japão revitalizam diálogo vice-ministerial após sete anos

China e Japão retomarão um diálogo suspenso desde 2012, sinalizando que suas relações estão se recuperando. O Vice-Ministro chinês Le Yucheng encontrou o seu congênere japonês, Takeo Akiba, no Japão, no sábado (10 de julho de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

A Porta-Voz do Ministério de Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, afirmou: “A China espera que o encontro, que esteve suspenso por mais de sete anos, será conducente à construção de confiança política e ao desenvolvimento externo de laços bilaterais”. Como muitos outros encontros oficiais e mecanismos de diálogo, o diálogo estratégico foi suspenso devido às tensões entre a China e o Japão causado pela disputa em torno das Ilhas Senkaku, chamadas de Diaoyu na China, no Mar do Leste da China.

O diálogo vice-ministerial, lançado no início dos anos 2000, exerceu um papel vital nas relações entre os dois Estados. Zhou Yongsheng, especialista em Japão da Universidade de Relações Internacionais da China, em Pequim, explica: “Este diálogo foca-se no gerenciamento de laços bilaterais e toca em alguns dos temas regionais e internacionais mais importantes de interesse comum para ambos os lados”.E procura esclarecer: “Diferentemente de muitas outras negociações bilaterais e contatos oficiais que lidam com temas específicos, o diálogo estratégico volta-se para o quadro mais amplo e visa adquirir uma compreensão clara dos limites das ações de ambos os países, do gerenciamento de crises e de planejamento futuro”.

Região do Leste da Ásia, formada pela China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão

Le e Akiba discutiram uma longa lista de assuntos bilaterais e multilaterais. A incerteza dominou a região do Leste da Ásia nestas últimas semanas com a escalada da guerra comercial entre China e os Estados Unidos, uma crise nas relações entre o Japão e a Coreia do Sul, e as tensões no Mar do Sul da China.

Zhou Yongsheng também apontou que Pequim gostaria de oferecer ajuda para reparar as relações entre Seul e Tóquio, que estão em desacordo em relação ao comércio e ao domínio japonês da Península Coreana antes do fim da Segunda Guerra Mundial. 

Embora apresentem sinais de melhora, os laços entre a China e o Japão enfrentam desafios. Apesar da desconfiança e da hostilidade oriundas de uma antiga rivalidade regional, ambos os países ainda precisam encontrar soluções para o legado da ocupação japonesa da China durante a Segunda Guerra Mundial e para o histórico de disputas regionais.

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Imagem 1 Bandeiras da República Popular da China e do Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=china+japan&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:China_Japan_450x300px.png

Imagem 2 Região do Leste da Ásia, formada pela China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&search=east+asia&fulltext=1&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=d9v9zgws3h2iwjcl1rmp7b7xn#%2Fmedia%2FFile%3AEast_Asia_Cutout_Projection.png

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China e Japão levam relacionamento para o “próximo nível”

Na quinta-feira (27 de junho de 2019), a China e o Japão procuraram levar o relacionamento para o “próximo nível”, quando os líderes dos dois países se encontraram antes do encontro do Grupo dos 20 (G20), que ocorreu entre os dias 28 e 29 de junho, em Osaka, e confirmaram que o Presidente da China, Xi Jinping, fará uma visita de Estado ao arquipélago na primavera de 2020, informou o jornal South China Morning Post.

Após a reunião com o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, Xi declarou que o relacionamento entre os dois países havia melhorado de forma “raramente vista em muitos anos” e afirmou que a visita de Estado é uma “boa ideia”. Também apontou: “Eu acho que o relacionamento sino-japonês está em um novo ponto de partida histórico. Eu gostaria de fortalecer a liderança estratégica de alto-nível com o Primeiro-Ministro, e trabalhar para construirmos um relacionamento sino-japonês que atenda as demandas de uma nova era comum”.    

Abe afirmou: “Eu gostaria de receber o Presidente Xi como um convidado oficial do Japão, e espero elevar os laços entre o Japão e a China para o próximo nível”.Abe também indicou que deseja fortalecer as relações com a China para criar uma nova era para as maiores economias da Ásia, no momento em que a China celebra o 70º aniversário de fundação da República Popular, em outubro de 2019, enquanto o Japão entrou recentemente na Era Reiwa, com a ascensão de Naruhito ao trono imperial.

Encontro dos Chefes de Estado dos países-membros do G20, em Osaka, no Japão. Foto: Alan Santos / PR

No momento, a China, o Japão e a Coreia do Sul se encontram sob grande pressão econômica dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump, que impôs ou ameaçou usar tarifas para forçá-los a abrir seus mercados domésticos e a realizar reformas comerciais e estruturais. Na semana passada, o embaixador da China no Japão, Kong Xuanyou, afirmou que o protecionismo cada vez maior ameaça a economia mundial e solicitou ao Japão que ajude a China a proteger o comércio multilateral baseado em regras pela “junção de forças para contribuir mais para a estabilidade e prosperidade da região”.

Xi e Abe também concordaram com a aceleração das negociações entre a China, o Japão e a Coreia do Sul para a celebração de um acordo de livre-comércio, salvaguardando a paz no Mar do Leste da China e protegendo o multilateralismo e o livre-comércio global.

De acordo com Liu Junhong, especialista em Japão do Instituto da China para as Relações Internacionais Contemporâneas, as ações dos Estados Unidos podem aproximar Tóquio de Beijing. Liu observou: “O Japão também está sofrendo pressão econômica dos Estados Unidos, e os Estados Unidos também querem implementar tarifas sobre suas exportações de automóveis”.

Os laços entre a China e o Japão estão deteriorados há muito tempo devido à disputa territorial pelas ilhas Diaoyu/Senkaku, localizadas no Mar do Leste da China, e por causa do legado da invasão e ocupação japonesa da China nas décadas de 1930 e 1940. Assim, o encontro entre os líderes de ambos os países pode abrir o caminho para uma nova era de harmonia e desenvolvimento no Leste da Ásia. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente chinês, Xi Jinping, se encontra com o PrimeiroMinistro japonês, Shinzo Abe” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=xi+abe&title=Special:Search&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=576e5gz76ctmp4tk1xrd31fzi#%2Fmedia%2FFile%3AJinping_Xi_and_Shinz%C5%8D_Abe_in_Oct._26th%2C_2018.jpg

Imagem 2 Encontro dos Chefes de Estado dos paísesmembros do G20, em Osaka, no Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=G20+Osaka&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Family_photo_of_G20_Osaka_Summit_by_Daniel_Scavino_Jr.jpg

AMÉRICA LATINAÁSIAEsporteNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Refugiados sírios aspiram à carreira de jogador profissional no Brasil

A Guerra Civil Síria, conflito armado em andamento, já fez mais de 570.000 (quinhentos e setenta mil) vítimas fatais desde 2011, forçando os habitantes a buscarem melhores condições de vida, quer seja em países vizinhos – maior destino dos refugiados –, quer seja em nações mais distantes geograficamente.

Neste contexto, a Jordânia hospeda o maior campo de refugiados sírios do mundo, contando com 77.019 (setenta e sete mil e dezenove) imigrantes na cidade de Zaatari, segundo o relatório do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), publicado no último dia 19 de maio (2019).

O Brasil recebe, ao todo, 11.327 (onze mil, trezentos e vinte e sete) refugiados, dos quais estima-se que entre 35% a 40% têm como nacionalidade a Síria. Com a finalidade de incluir estes novos habitantes e dar-lhes a oportunidade de recomeçar a vida, o governo nacional e entidades sociais fazem alianças que colocam em prática esta iniciativa.

A cidade de Resende/RJ, por exemplo, recebe a Academia de Futebol Pérolas Negras, um “time mundial de refugiados”, a única instituição nas Américas com este caráter. Criada em 2011 no Haiti pela ONG Viva Rio e trazida ao Brasil em 2016, a Academia auxilia no desenvolvimento profissional, bem como oferece educação e residência fixa aos refugiados em situação de vulnerabilidade.

Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras

A seleção dos atletas é realizada in loco, ou seja, técnicos representando a Academia visitam campos de refugiados e convidam alguns jogadores a fazerem parte do time: atualmente são mais de 120 jogadores, entre moças e rapazes. No início de 2018, a comissão técnica foi a Zaatari e realizou uma peneira* com 150 jovens, dos quais apenas 5 foram selecionados: Ahmad, Hafith, Jawdat, Omar e Quais.

Segundo reportagem publicada no portal do ACNUR, Ahmad, de 17 anos, teve que deixar a Síria e partir para o país fronteiriço antes de completar 10 anos de idade. “Antes da guerra, um time levava anualmente dez meninos para treinar no Catar. Eu fui selecionado, mas não pude ir porque foi quando a guerra começou”, disse o meio-campista.

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Outro jovem atleta, o zagueiro Quais, de 14 anos, morou no campo de refugiados por cerca de metade da sua vida. Quando era criança, jogava bola nas ruas da Síria, mas foi somente na Jordânia que começou a pensar em se tornar um atleta profissional. “Em Zaatari, eu era parte de uma equipe e o treinador nos comunicou que iria acontecer uma seleção para jogar profissionalmente no Brasil. Eu me inscrevi e acabei passando. É maravilhoso poder jogar futebol”, disse o adolescente.

Atuando nas frentes do time masculino e feminino profissionais, além das categorias sub-20 e sub-17, o Pérolas Negras participa das competições do Campeonato Carioca Série B2. Em jogos válidos pela Copa Rio, Pérolas Negras e Audax Rio empataram as duas partidas (0 a 0 e 1 a 1) e decidiram quem passaria para a próxima fase nos pênaltis. Com duas defesas do goleiro Luiz Henrique, do Audax-RJ, o Pérolas Negras encerrou sua participação na competição. O time mundial de refugiados volta a campo no próximo domingo (30 de junho), contra o “7 de Abril”, em jogo da Série B2, terceira divisão do estadual.

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Nota:

* Peneira é a forma coloquial com que o processo seletivo para atletas de futebol é conhecido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Campo de refugiados de Zaatari” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/49/Zaatari_refugee_camp%2C_Jordan_%282%29.jpg

Imagem 2 “Escudo do clube Pérolas Negras” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/d/d9/AFPerolasNegras.png

Imagem 3 “Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras” (Fonte): https://i2.wp.com/academiaperolasnegras.org/wordpress/wp-content/uploads/2018/10/treino-13.jpg?w=300