ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Shinzo Abe pode aceitar acordo de restituição de apenas dois territórios disputados

As negociações referentes às Ilhas Kurilas (denominação russa) ou Territórios do Norte (denominação japonesa) avançaram após a 33ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no dia 14 de novembro de 2018. Dentre os quatro territórios disputados, o Japão possivelmente aceitará a restituição de somente dois, Shikotan e Habomai, enquanto o controle das maiores ilhas, Etorofu e Kanashiri, permanecerá sob domínio russo.

O território foi ocupado pela então União Soviética (URSS) em 1945, a partir do Acordo assinado na Conferência de Yalta, levando à expulsão dos habitantes japoneses que ali viviam. Apesar de no Tratado de Paz de São Francisco, de 1951, incluir a renúncia do Japão de direitos sobre as Ilhas Kurila, esses quatro locais não são mencionados no Documento, que não foi ratificado pela URSS. Desde então, o Japão tem tentado recuperar sua soberania sobre elas por meio de esforços diplomáticos.

Ilha de Etorofu

A decisão japonesa atual de aceitar Shikotan e Habomai tem como base a Declaração Comum Nipo-Soviética de 1956, que reestabeleceu a relação diplomática entre os dois países no pós-Segunda Guerra e definia que a então União Soviética as devolveria mediante um Tratado de Paz, selando as relações internacionais entre os dois países pós-Segunda Guerra.

A execução da negociação chamada “two plus alpha”, que consiste na devolução das ilhas menores (Shikotan e Habomai) e na ampliação de negócios realizados com as maiores (Etorofu e Kanashiri), pode permitir que, de fato, o Tratado seja finalmente finalizado, sendo uma vitória para o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe por conseguir um feito histórico há anos planejado.

Contudo, a posição anterior japonesa era de reconquistar todas as quatro Ilhas. Alguns analistas apontam que tal renúncia demonstra fraqueza, principalmente pela localização estratégica do local, que a Rússia pretende manter sobretudo para fins militares. Temendo que o Japão as utilize para exercer o acordo de defesa EUA-Japão, dificilmente o lado russo cederá às propostas da outra parte. Abe, em 2016, havia proposto a desmilitarização do território, que foi declinada por Putin e não foi debatida com os EUA.

O Primeiro-Ministro terá que demonstrar, então, que os acordos econômicos e o Tratado de Paz compensarão a desistência de reapropriação do território, diminuindo as críticas pela mudança de posicionamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilha de Kanashiri” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kunashir_Island

Imagem 2 Ilha de Etorofu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iturup

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Primeiro-Ministro de Singapura adverte que ASEAN poderá ter que optar por EUA ou China

No dia 15 de novembro de 2018, o Primeiro-Ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, afirmou que as nações do sudeste asiático poderão ser forçadas a optar por Estados Unidos ou a República Popular China. A advertência foi realizada durante o Encontro Anual da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês) realizado em Singapura. De acordo com Lee, “se a economia global se dividir em dois blocos antagônicos, os países membros da ASEAN estarão diante de uma  posição extremamente difícil”.

Países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês)

A afirmação de Lee se refere aos prejuízos que o acirramento das tensões entre Beijing e Washington podem provocar para a economia dos países do Sudeste Asiático. Isso porque, no âmbito comercial, a China é a maior parceira da ASEAN, correspondendo por 16% do total das transações externas, enquanto os Estados Unidos ocupam a terceira posição, representando 9,7% do comércio total do bloco.

Além disso, analistas sugerem que a polarização das relações entre EUA e China dificultará a possibilidade de soluções pacíficas para as disputas de soberania no Mar do Sul da China. Por um lado, Beijing percebe a presença militar estadunidense na região como potencial ameaça à liberdade de navegação de embarcações chinesas no Estreito de Malaca. Por outro, conforme ressaltou Mike Pence, Vice-Presidente dos EUA, a posição de Washington é: “o Mar do Sul da China não pertence somente a uma nação e os Estados Unidos continuarão a navegar e voar onde quer que o direito internacional permita e os nossos interesses nacionais demandem”. 

Desse modo, a necessidade de alinhamento automático com os EUA em detrimento da China (ou vice-versa) provocaria reduções nas taxas de crescimento econômico dos países do Sudeste Asiático. Ademais, incentivaria o recrudescimento da militarização das disputas territoriais no Mar do Sul da China. Por fim, pode-se concluir que a advertência do Primeiro-Ministro de Singapura possui relevância não só para os membros da ASEAN, mas para todas as nações cujas economias estejam interconectadas com as duas grandes potências. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro de Singapura, Lee Hsien Loong” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:LeeHsienLoongViet.jpg

Imagem 2Países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:ASEAN-PT.JPG

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Japão projeta aceitar 40 mil trabalhadores estrangeiros

O crescente envelhecimento da população japonesa está levando o governo a cogitar o recebimento de aproximadamente 40 mil trabalhadores estrangeiros a partir do ano que vem (2019). Tal estimativa provém de um levantamento que considera que cerca de 14 indústrias aceitariam funcionários. As áreas seriam relacionadas à construção, agricultura e atendimento em restaurantes.

Passaporte japonês

Na última sexta-feira (2 de novembro de 2018), foi submetido para aprovação um Projeto de Lei com o intuito de modificar a legislação de imigração, permitindo que haja dois novos tipos de status de residência que atraia trabalhadores do exterior. Dentre as alterações, inclui-se a isenção da aprovação em teste de língua japonesa e de qualificações profissionais para uma das categorias de visto.

Deste número, espera-se que os primeiros beneficiários sejam aqueles que já estão no Japão, recebendo treinamento profissional. Segundo o Japan Times, em outubro de 2017, em torno de 1,28 milhão de estrangeiros estavam empregados no país. A oposição critica o fato de que o governo não apresentou medidas de integração na sociedade ainda conservadora.

Uma pesquisa realizada pela Kyodo News mostra que 51,3% dos japoneses apoiam a decisão, enquanto 39,5% a desaprovam. O próximo ano de 2019 será marcado por importantes mudanças para a sociedade nipônica, como o fim da Era Imperial Heisei, e será um desafio lidar com o alto número do fluxo de migrantes em um país de diversidade baixa, onde 98,1% é de etnia japonesa.   

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista de Tóquio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o#/media/File:Skyscrapers_of_Shinjuku_2009_January_(revised).jpg

Imagem 2 Passaporte japonês” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_passport#/media/File:JapanpassportNew10y.PNG

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Fraude em testes de produtos antissísmicos

Conforme foi disseminado na mídia, duas empresas japonesas falsificaram resultados de testes de qualidade de produtos antissísmicos. Segundo o The Mainichi, a Kayaba System Machinery Co. e a Kawakin Holdings Co. realizaram coletivas de imprensa nos dias 19 e 23 de outubro deste ano (2018), respectivamente, para apresentar explicações. A justificativa foi que a alta demanda pelos seus produtos antissísmicos não permitiu que os testes fossem realizados a tempo de cumprir os prazos.

Visão aérea de deslizamento de terra após terremoto em Hokkaido

Tal demanda reflete a preocupação de construir cada vez mais estruturas resistentes a terremotos: de 84 edifícios resistentes em 1994, em 2016, este número subiu para 4.345. O Ministério de Terras, Infraestrutura, Transportes e Turismo comporá um painel de especialistas para impedir a recorrência do evento.

O Japão tem cerca de dois mil terremotos por ano devido sua localização em uma falha geológica. O último grande terremoto de 2018 aconteceu em Hokkaido, com 5,6 de magnitude, e deixou 9 mortos e 30 desaparecidos no mês de setembro. Como estes casos não foram os únicos (também foi divulgada fraude da Toyo Tire & Rubber Co. em 2015), questiona-se o método utilizado pelo governo japonês de fiscalizar as empresas, já que usam as máquinas das próprias investigadas para verificação do cumprimento das regulamentações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Terremotos no Japão (1900 2016)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_earthquakes_in_Japan

Imagem 2 “Visão aérea de deslizamento de terra após terremoto em Hokkaido” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2018_Hokkaido_Eastern_Iburi_earthquake

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Japão rejeita pedido da ONU de impedir retorno a Fukushima

O Japão rejeitou o pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) de impedir que mulheres e crianças retornassem à Fukushima. Segundo o jornal Japan Today, no dia 25 de outubro (2018), Baskut Tuncak, relator especial da ONU, afirmou que “[as pessoas sentiam que] estavam sendo forçadas a retornarem a áreas de risco, incluindo aquelas com níveis de radiação acima do que o governo [japonês] anteriormente considerava seguro”, ao que Ministro de Relações Exteriores rebateu, afirmando que seu embasamento parcial poderia suscitar medos desnecessários em relação a Fukushima.

Localização de Fukushima

O limite de exposição aceitável atualmente é de 20mSv (milisievert) por ano, o mesmo adotado para funcionários que trabalham em plantas nucleares. Antes do acidente nuclear em Fukushima, o nível era de somente 1mSv/ano, correspondente a 0.23μSv (microsievert) por hora. Contudo, em janeiro deste ano (2018), foram divulgadas medições de áreas de risco apresentando quantidades que atingiram 8.48μSv /hora no verão anterior. Algumas regiões ainda permanecem com ordem de evacuação.

O alto aumento do limite de exposição potencializa a insegurança da população e de especialistas, principalmente quando, neste ano (2018), o governo japonês reconheceu a primeira morte relacionada à explosão dos reatores ocorrida em 2011. A preocupação da administração japonesa é tentar estabelecer confiança e segurança após o maior acidente nuclear depois de Chernobyl, visando o sucesso da Olimpíada em 2020, que será sediada em Tóquio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Fukushima_City_with_a_view_of_Fukushima_Station.jpg

Imagem 2 Localização de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Map_of_Japan_with_highlight_on_07_Fukushima_prefecture.svg

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Discordância sobre bandeira “Sol Nascente” afeta evento na Coreia do Sul

No dia 6 de outubro deste ano (2018), foi realizada a “International Fleet Review”, na Coreia do Sul. O evento, que consiste no desfile das Forças Marítimas de vários países, não contou com a presença das frotas japonesas. Tal ausência se deu por conta do pedido sul-coreano de que a bandeira “Sol Nascente” não fosse hasteada nos navios participantes, limitando a ostentação a somente bandeiras nacionais. Utilizada durante as investidas imperialistas japonesas antes e durante a Segunda Guerra Mundial, para a Coreia do Sul e China, o símbolo é considerado ofensivo.

Força Marítima de Autodefesa do Japão

A recusa japonesa deve-se à legislação nacional, que obriga o uso desta bandeira nas Forças de Autodefesa. Foi alegado, igualmente, que o pavilhão é reconhecido pelo Direito Internacional como indicativo de seus navios.

Os Ministros de defesa japonês e sul-coreano reuniram-se no último sábado (20), e comentaram sobre o ocorrido. Segundo o jornal Mainichi, o Ministro de Defesa do Japão, Takeshi Iwaya, declarou que “é extremamente infeliz que a Força Marítima de Autodefesa do Japão teve que cancelar sua participação devido a este pedido inadmissível”. Em contrapartida, o Ministro da Defesa sul-coreano, Jeong Kyeong Doo, considerou o episódio “lamentável.

Apesar da discordância, ambos os Ministros reafirmaram a importância de manter o diálogo, principalmente por conta da preocupação com a desnuclearização da Coreia do Norte. Contudo, temas pertinentes à colonização japonesa da Coreia do Sul ainda emergem, como a questão das mulheres de conforto que, apesar de ter sido resolvida diplomaticamente, ainda causa protestos pelo país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira Sol Nascente” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Naval_ensign_of_the_Empire_of_Japan.svg

Imagem 2 Força Marítima de Autodefesa do Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rising_Sun_Flag#/media/File:US_Navy_101029-N-XXXXX-004_An_SM-3_(Block_1A)_missile_is_launched_from_the_Japan_Maritime_Self-Defense_Force_destroyer_JS_Kirishima_(DD_174),_succe.jpg