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China e Japão revitalizam diálogo vice-ministerial após sete anos

China e Japão retomarão um diálogo suspenso desde 2012, sinalizando que suas relações estão se recuperando. O Vice-Ministro chinês Le Yucheng encontrou o seu congênere japonês, Takeo Akiba, no Japão, no sábado (10 de julho de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

A Porta-Voz do Ministério de Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, afirmou: “A China espera que o encontro, que esteve suspenso por mais de sete anos, será conducente à construção de confiança política e ao desenvolvimento externo de laços bilaterais”. Como muitos outros encontros oficiais e mecanismos de diálogo, o diálogo estratégico foi suspenso devido às tensões entre a China e o Japão causado pela disputa em torno das Ilhas Senkaku, chamadas de Diaoyu na China, no Mar do Leste da China.

O diálogo vice-ministerial, lançado no início dos anos 2000, exerceu um papel vital nas relações entre os dois Estados. Zhou Yongsheng, especialista em Japão da Universidade de Relações Internacionais da China, em Pequim, explica: “Este diálogo foca-se no gerenciamento de laços bilaterais e toca em alguns dos temas regionais e internacionais mais importantes de interesse comum para ambos os lados”.E procura esclarecer: “Diferentemente de muitas outras negociações bilaterais e contatos oficiais que lidam com temas específicos, o diálogo estratégico volta-se para o quadro mais amplo e visa adquirir uma compreensão clara dos limites das ações de ambos os países, do gerenciamento de crises e de planejamento futuro”.

Região do Leste da Ásia, formada pela China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão

Le e Akiba discutiram uma longa lista de assuntos bilaterais e multilaterais. A incerteza dominou a região do Leste da Ásia nestas últimas semanas com a escalada da guerra comercial entre China e os Estados Unidos, uma crise nas relações entre o Japão e a Coreia do Sul, e as tensões no Mar do Sul da China.

Zhou Yongsheng também apontou que Pequim gostaria de oferecer ajuda para reparar as relações entre Seul e Tóquio, que estão em desacordo em relação ao comércio e ao domínio japonês da Península Coreana antes do fim da Segunda Guerra Mundial. 

Embora apresentem sinais de melhora, os laços entre a China e o Japão enfrentam desafios. Apesar da desconfiança e da hostilidade oriundas de uma antiga rivalidade regional, ambos os países ainda precisam encontrar soluções para o legado da ocupação japonesa da China durante a Segunda Guerra Mundial e para o histórico de disputas regionais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da República Popular da China e do Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=china+japan&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:China_Japan_450x300px.png

Imagem 2 Região do Leste da Ásia, formada pela China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&search=east+asia&fulltext=1&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=d9v9zgws3h2iwjcl1rmp7b7xn#%2Fmedia%2FFile%3AEast_Asia_Cutout_Projection.png

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Embaixador indiano em Pequim pede por diálogo entre as Marinhas chinesa e indiana

As Marinhas chinesa e indiana precisam comunicar-se porque elas estão operando a uma distância cada vez menor”,defende o Embaixador da Índia em Pequim, Vikram Misri. “Enquanto as forças militares das duas nações comunicam-se extensivamente, tal fato ocorre principalmente entre as forças terrestres, e isso deve se estender às forças navais e aéreas”,afirma Misri para o jornal South China Morning Post.

A China e a Índia realizaram esforços para reparar suas relações desde um tenso confronto no platô do Doklam, em 2017, quando as comunicações entre as suas forças militares ao longo da fronteira se mostraram inadequadas para conter a tensão. O diplomata indiano apontou que as duas nações fizeram grande progresso e abriram novas bases, onde “os oficiais de fronteira podem se encontrar e intercambiar informações, ou compartilhar pontos de vista sobre alguma situação em particular”.

A Índia decidiu não integrar a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), o projeto global de comércio e infraestrutura desenvolvido pelo governo chinês. Misri indica: “Nossas preocupações em relação a essa iniciativa em particular estão muito claras, e nós continuamos a compartilhá-las muito francamente com nossos parceiros chineses. Eu acredito que há compreensão da parte de nossos parceiros chineses em relação a isso”.

Mapa da região do IndoPacífico

Para o Embaixador, as duas nações não devem permitir que suas diferenças se tornem disputas e elas devem se focar em áreas nas quais podem cooperar. Uma dessas áreas é a cooperação marítima e de investimentos na região do Indo-Pacífico, incluindo o setor de infraestrutura, resposta a desastres e combate ao terrorismo.

O representante indiano procurou esclarecer: “[A nossa visão de Indo-Pacífico] é uma visão que objetiva a cooperação econômica e para o desenvolvimento no espaço do Indo-Pacífico”, lembrando que a Índia está discutindo possibilidades de cooperação com a China.

Pode-se concluir que o aprimoramento da comunicação e as possibilidades de cooperação entre as duas economias emergentes da Ásia aumentam a confiança entre elas, solidificam o processo de redução de tensões na região e criam oportunidades de desenvolvimento para ambas as nações e para o continente como um todo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Oficiais da Marinha da Índia interagindo com oficiais da Marinha da China em Visakhapatnamna Índia, em 2014” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=indian+navy+chinese+navy&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Indian_Navy_officers_interacting_with_PLA_Navy_officers_at_Visakhapatnam_in_2014.jpg

Imagem 2 Mapa da região do IndoPacífico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=File%3AIndo-Pacific+region+map.png&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Indo-Pacific_biogeographic_region_map-en.png

AMÉRICA LATINAÁSIAEsporteNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Refugiados sírios aspiram à carreira de jogador profissional no Brasil

A Guerra Civil Síria, conflito armado em andamento, já fez mais de 570.000 (quinhentos e setenta mil) vítimas fatais desde 2011, forçando os habitantes a buscarem melhores condições de vida, quer seja em países vizinhos – maior destino dos refugiados –, quer seja em nações mais distantes geograficamente.

Neste contexto, a Jordânia hospeda o maior campo de refugiados sírios do mundo, contando com 77.019 (setenta e sete mil e dezenove) imigrantes na cidade de Zaatari, segundo o relatório do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), publicado no último dia 19 de maio (2019).

O Brasil recebe, ao todo, 11.327 (onze mil, trezentos e vinte e sete) refugiados, dos quais estima-se que entre 35% a 40% têm como nacionalidade a Síria. Com a finalidade de incluir estes novos habitantes e dar-lhes a oportunidade de recomeçar a vida, o governo nacional e entidades sociais fazem alianças que colocam em prática esta iniciativa.

A cidade de Resende/RJ, por exemplo, recebe a Academia de Futebol Pérolas Negras, um “time mundial de refugiados”, a única instituição nas Américas com este caráter. Criada em 2011 no Haiti pela ONG Viva Rio e trazida ao Brasil em 2016, a Academia auxilia no desenvolvimento profissional, bem como oferece educação e residência fixa aos refugiados em situação de vulnerabilidade.

Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras

A seleção dos atletas é realizada in loco, ou seja, técnicos representando a Academia visitam campos de refugiados e convidam alguns jogadores a fazerem parte do time: atualmente são mais de 120 jogadores, entre moças e rapazes. No início de 2018, a comissão técnica foi a Zaatari e realizou uma peneira* com 150 jovens, dos quais apenas 5 foram selecionados: Ahmad, Hafith, Jawdat, Omar e Quais.

Segundo reportagem publicada no portal do ACNUR, Ahmad, de 17 anos, teve que deixar a Síria e partir para o país fronteiriço antes de completar 10 anos de idade. “Antes da guerra, um time levava anualmente dez meninos para treinar no Catar. Eu fui selecionado, mas não pude ir porque foi quando a guerra começou”, disse o meio-campista.

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Outro jovem atleta, o zagueiro Quais, de 14 anos, morou no campo de refugiados por cerca de metade da sua vida. Quando era criança, jogava bola nas ruas da Síria, mas foi somente na Jordânia que começou a pensar em se tornar um atleta profissional. “Em Zaatari, eu era parte de uma equipe e o treinador nos comunicou que iria acontecer uma seleção para jogar profissionalmente no Brasil. Eu me inscrevi e acabei passando. É maravilhoso poder jogar futebol”, disse o adolescente.

Atuando nas frentes do time masculino e feminino profissionais, além das categorias sub-20 e sub-17, o Pérolas Negras participa das competições do Campeonato Carioca Série B2. Em jogos válidos pela Copa Rio, Pérolas Negras e Audax Rio empataram as duas partidas (0 a 0 e 1 a 1) e decidiram quem passaria para a próxima fase nos pênaltis. Com duas defesas do goleiro Luiz Henrique, do Audax-RJ, o Pérolas Negras encerrou sua participação na competição. O time mundial de refugiados volta a campo no próximo domingo (30 de junho), contra o “7 de Abril”, em jogo da Série B2, terceira divisão do estadual.

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Nota:

* Peneira é a forma coloquial com que o processo seletivo para atletas de futebol é conhecido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Campo de refugiados de Zaatari” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/49/Zaatari_refugee_camp%2C_Jordan_%282%29.jpg

Imagem 2 “Escudo do clube Pérolas Negras” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/d/d9/AFPerolasNegras.png

Imagem 3 “Jovens atletas treinam no clube Pérolas Negras” (Fonte): https://i2.wp.com/academiaperolasnegras.org/wordpress/wp-content/uploads/2018/10/treino-13.jpg?w=300

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Xi Jinping faz primeira visita oficial à Coreia do Norte

Na quinta-feira (20 de junho), o Presidente da China, Xi Jinping, realizou sua primeira visita oficial à Coreia do Norte e esta é a primeira visita que um Chefe de Estado chinês faz ao país nos últimos 14 anos. Xi estava acompanhado pela Primeira-Dama, Peng Liyuan, bem como pelo Ministro de Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e pelo diplomata sênior Yang Jiechi, informa o jornal South China Morning Post.

O Mandatário chinês foi recepcionado pelo Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, no Aeroporto Internacional Sunan, em Pyongyang. Kim estava acompanhado pelo Conselheiro Econômico, Pak Pong-ju, e pelo diplomata sênior Ri Yong-ho. Os oficiais norte-coreanos organizaram uma cerimônia de boas-vindas no aeroporto. Uma banda militar tocou os hinos de ambas as nações, e Xi e Kim fizeram uma revista da guarda de honra do Exército norte-coreano.

Posteriormente, os dois Chefes de Estado realizaram uma reunião, na qual Xi elogiou os esforços de desnuclearização da península e disse que espera que a Coreia do Norte e os Estados Unidos possam continuar a negociar sobre essa questão.  

O Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un

O jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun noticiou: “O Camarada Xi Jinping está visitando nosso país em face a desafios graves e cruciais devido às complexas relações internacionais, o que claramente mostra que o Partido chinês e o governo [norte-coreano] atribuem grande significado à amizade entre os dois países”.

Na avaliação de James Downes, professor de política comparada da Universidade Chinesa de Hong Kong, ambos os governos buscam consolidar a base comum de suas ideologias políticas durante o encontro. Downes explicou: “A vantagem que a China possui em relação aos Estados Unidos ao se aliar com Kim é a similaridade na ideologia política. (…) Basicamente, é provável que o relacionamento entre a China e a Coreia do Norte permaneça forte no futuro próximo”.

Harry Kazianis, diretor sênior de Estudos Coreanos do think tank Centro para o Interesse Nacional, localizado em Washington, conclui: “A visita trata mais de simbolismo do que de substância, mas ambas as nações estão sentindo a pressão de Washington: a Coreia do Norte em relação à desnuclearização e a China em relação ao comércio. Xi e Kim podem se beneficiar grandemente se eles se aliarem contra o governo Trump”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente chinês, Xi Jinping, e a primeiradama Li Pengyuan” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=xi+jinping+peng&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=3fwqxdt30n1d88btl6ik6rkw8#%2Fmedia%2FFile%3ALlegada_de_Xi_Jinping%2C_presidente_de_China_%2831169346437%29.jpg

Imagem 2 O Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jongun” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=kim+jong-un&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Kim_Jong-un_Portrait.jpg

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Discurso de Xi Jinping enfatiza a sustentabilidade ao longo da Nova Rota da Seda

Ocorreu no final de abril (2019) o II Fórum da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) em Pequim, na China. O comunicado conjunto do evento reuniu 37 Estados, apontando crescimento em relação aos 29 países que estiveram presentes na primeira edição do evento que ocorreu em 2017. Neste ano (2019), foram fechados 283 acordos, totalizando US$ 64 bilhões* em investimentos anunciados. 

Os investimentos estrangeiros diretos da China em 56 dos países que compõem a Belt and Road Initiative cresceram 8,9% em 2018, se comparados ao ano de 2017. Estima-se que entre 2014-2017 mais de US$ 120 bilhões** tenham sido efetivamente destinados pela China no arcabouço da BRI. Os projetos na área de energia compõem 44% do montante, seguidos pelo setor de transporte que compõe 30% do total. Estima-se que existam mais de US$ 3,6 trilhões*** de investimentos anunciados e/ou planejados ao longo da Nova Rota da Seda.

Xi Jinping, mandatário da China

A China visa promover a BRI como uma ampla visão para a integração internacional, promovendo valores como a cooperação para ganhos mútuos (win-win), o estímulo aos fluxos de comércio e finanças, a coordenação de políticas econômicas e a construção de infraestrutura como via de desenvolvimento para os países emergentes. O discurso de Xi Jinping durante o evento enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável e de energias renováveis como metas para a Belt and Road Inititative (BRI) nas próximas décadas.

Além disto, o mandatário abordou cinco principais pontos na sua fala: 1) aumentar a abertura do mercado chinês para empresas estrangeiras; 2) fortalecer os mecanismos de cooperação internacional para a proteção dos direitos de propriedade intelectual; 3) expandir a importação de produtos estrangeiros; 4) expandir o engajamento da China na coordenação de políticas macroeconômicas de acordo com os padrões internacionais; 5) aprofundar o processo de reformas e abertura da economia chinesa.

Países membros da Belt and Road Initiative

Desde o lançamento da Iniciativa no ano de 2013, a falta de clareza quanto aos projetos envolvidos e às diretrizes necessárias para que os diferentes empreendimentos pudessem ser considerados como parte da BRI levantou suspeitas a nível internacional. Os chineses parecem ter ouvido algumas das principais críticas realizadas por observadores internacionais, haja vista o discurso de Xi Jinping enfatizar a transparência e a necessidade de se cumprir acordos e seguir as normas do direito internacional. O endividamento dos países que contraem empréstimos chineses através da BRI é uma questão comumente apontada por analistas internacionais.

Um recente estudo lançado pelo Rhodium Group analisou quarenta (40) casos de renegociação de dívidas contraídas através da BRI entre os anos de 2013-2017. Os principais resultados afirmam que a renegociação das dívidas tem sido frequente, o que pode levar a China a ser mais cautelosa com os seus empréstimos no futuro. A apreensão de bens e infraestrutura, como foi o caso da aquisição do porto de Hanbantota no Sri Lanka, após o país não ter podido saldar o compromisso com a dívida, ocorreu em raríssimos casos. Por fim, embora existam assimetrias de poder e recursos entre a China e os países receptores de financiamento, o Reino do Meio tem tido dificuldades em conduzir a renegociação dos termos dos empréstimos ao seu favor. Apontam-se ainda os casos mais extremos de risco, como é a Venezuela, que recebeu US$ 62 bilhões de dólares em investimentos chineses**** na última década e atualmente se encontra em uma situação de grande instabilidade política e econômica.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030

Foi lançada neste mês (maio) uma plataforma junto à UNCTAD para catalogar os projetos ligados à BRI, o que é um avanço importante. Antes disto, a compilação de projetos de infraestrutura ligados ao plano era feita de maneira informal por think tanks e diferentes centros de pesquisa, na ausência de uma base de dados oficial.

Em diversos pronunciamentos, a China se mostra engajada com os objetivos do desenvolvimento sustentável lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2030. Entretanto, a ênfase na sustentabilidade anunciada por Xi Jinping entra em conflito com a realidade da BRI: mais de 90% dos projetos de energia envolvidos na Nova Rota da Seda concentram-se em torno do setor de combustíveis fósseis. A exemplo dos esforços domésticos empreendidos pelo país para a mudança gradual da sua matriz energética, é possível que a BRI se torne cada vez mais verde e sustentável, a questão é saber o tempo que isso demorará para efetivamente acontecer. O ponto positivo é que parece haver vontade política para promover tal mudança.

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Notas:

* Aproximadamente, 253,14 bilhões de reais, conforme cotação de 10 de maio de 2019.

** Em torno de 474,64 bilhões de reais, conforme a mesma cotação.

*** Próximos de 14,24 trilhões de reais, ainda de acordo com a cotação de 10 de maio de 2019.

**** Aproximadamente, 245,23 bilhões de reais, pela mesma cotação de 10 de maio de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Energias renováveis” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Renewable_Energy_on_the_Grid.jpg

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Xi_Jinping_2016.jpg

Imagem 3 Países membros da Belt and Road Initiative” (Fonte): https://www.silkroadbriefing.com/news/2019/04/29/2019-belt-road-forum-xi-jinping-actually-said-terms-belt-road-development-china-market-access/

Imagem 4 Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Sustainable_Development_Goals.jpg

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Vietnã se beneficia da guerra comercial sino-americana

Investidores estrangeiros continuam a desembarcar nos distritos fabris do Vietnã, à medida que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China se aproxima de seu segundo ano. Os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% sobre produtos chineses avaliados em 200 bilhões de dólares (aproximadamente 791,1 bilhões de reais, conforme a cotação de 10 de maio de 2019) na sexta-feira (10 de abril), depois de meses sem novas tarifas entre os dois países. Desde o início da guerra comercial, muitos fabricantes chineses transferiram parte de sua linha de produção para o Sudeste Asiático por causa do temor de prejuízos nas vendas nos Estados Unidos, decorrentes do aumento tarifário americano sobre as importações de produtos manufaturados chineses, informa o jornal South China Morning Post.

O Vietnã se tornou o lugar favorito dos investidores diante do aumento dos custos trabalhistas na China e da ameaça de tarifas. Adam McCarthy, economista chefe da Mekong Economics, de Hanói, afirma: “A guerra comercial está acelerando uma tendência que já estava ocorrendo, que é a saída de fábricas de uma China mais cara. É difícil dizer quantas fábricas viriam para o Vietnã sem uma guerra comercial”.Le Ahn Tuan, diretor de pesquisa na Dragon Capital, de Hanói, completou: “Sejamos claros: A China tem sido e continuará a ser a maior potência industrial do mundo, não há dúvida disso. Contudo, eu ainda acho que haverá um transbordamento marginal da China em diferentes países, especialmente o Vietnã, e ele tem aumentado”.

Vista panorâmica de Hanói, capital do Vietnã

A economia do Vietnã cresceu 7% em 2018, o ano mais próspero em mais de uma década, causado em grande parte pelos 19 bilhões de dólares (em torno de 75,1 bilhões de reais, ainda conforme a cotação de 10 de maio de 2019) em investimento externo direto. O investimento no país, particularmente em manufatura leve e intensiva em trabalho, também aumentou muito desde 2018. A nação do Sudeste Asiático tem conseguido atrair investimentos para a produção de celulares, semicondutores e telas planas.

Novos investimentos no país chegaram a 81%, e contribuições de capital, usadas para financiar novas fábricas, atingiram 215%, de acordo com dados de abril do governo vietnamita. As exportações para os Estados Unidos também aumentaram em 28,8% em 2019, em comparação com o ano anterior. Espera-se que essa tendência continue no terceiro e quarto semestres de 2019, quando as fábricas recém-instaladas começarão a funcionar, segundo Maxfield Brown, associado sênior da Dezan Shira & Associados, de Ho Chi Minh.

Contudo, o aumento contínuo do investimento em centros manufatureiros tradicionais, como Ho Chi Minh e Hanói tem exercido grande pressão sobre as redes de infraestrutura do Vietnã, bem como a reserva de mão-de-obra e os fornecedores locais. Além disso, se a guerra comercial continuar, prejudicará a economia chinesa, o que pode afetar o comércio do país com a China, atingindo especialmente as empresas vietnamitas que são fornecedoras terceirizadas de linhas de montagem chinesas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista noturna de Ho Chi Minh, a maior cidade do Vietnã”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Ho+Chi+Minh+City&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ho_Chi_Minh_City_Skyline_(night).jpg

Imagem 2 Vista panorâmica de Hanói, capital do Vietnã” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=hanoi&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Panorama_of_Hanoi.jpg