ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pequim declara que o porta-aviões Liaoning não atua em disputas territoriais

Pequim afirmou que o aparecimento de um porta-aviões chinês no Mar do Leste da China, na terça-feira (11 de junho de 2019), não tinha relação com as disputas territoriais na região, mas era parte de um treinamento de rotina. O Liaoning, o único porta-aviões totalmente operacional do país, e vários outros navios foram vistos pelas Forças de Autodefesa do Japão seguindo em direção ao Oceano Pacífico, através do Estreito de Miyako, que separa as ilhas japonesas Miyako e Okinawa, informou o jornal South China Morning Post.

O governo chinês apontou que se tratava de uma missão de rotina que estava sendo conduzida de acordo com o Direito Internacional, e pediu que as outras nações respeitem o direito de passagem das embarcações chinesas. Além disso, relembrou que as operações do Liaoning cobrem as quatro áreas de proteção do tráfego marítimo: a diplomacia naval, a dissuasão regional, a ajuda humanitária e as missões de resgate.

A sua missão no Pacífico envolvia pelo menos cinco outras embarcações, dois destroieres dotados de mísseis teleguiados, duas fragatas e um navio de suprimentos, de acordo com as fotografias liberadas pelo Ministério da Defesa do Japão. A presença do navio de apoio de combate Tipo 901 Hulun Lake, de 45 mil toneladas, sugere que o Liaoning estava indo em direção ao alto-mar, e é a primeira vez que uma embarcação desse tipo participa de uma das missões do porta-aviões.

Localização do Estreito de Miyako, entre as ilhas Miyako e Okinawa

O especialista naval, Li Jie, aponta: “Nós vamos ver o quão longe eles vão, [mas]…o principal propósito de um porta-aviões é que ele possa operar em alto-mar”.O apoio de um navio de suprimentos permitiria que o Liaoning viajasse 10 mil milhas náuticas ou conduzisse milhares de horas de operações, algo essencial nessas missões, segundo Li.

O exercício do porta-aviões no Pacífico é o primeiro desde que passou por um amplo programa de manutenção no início de 2018. Os 300 quilômetros de largura do Estreito de Miyako são a rota mais conveniente para que a Marinha e a Força Aérea da China acessem o Pacífico Ocidental.

Na avaliação de Li: “O Estreito de Miyako é largo o suficiente e as condições marítimas são geralmente estáveis. As missões de treinamento no Pacífico vão se tornar rotina e outros porta-aviões chineses provavelmente também vão usar essa rota”.

O Mar do Leste da China é considerado uma região geopoliticamente sensível por Pequim e por Tóquio devido à disputa entre as duas nações pelas ilhas Diaoyu/Senkaku, que ocorre desde 1970, pois a área das ilhas é rica em petróleo e gás natural. Dessa forma, a movimentação de embarcações militares chinesas ou japonesas na região é motivo de desconforto para ambos os lados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Portaaviões Liaoning na Baía de Hong Kong (2017)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_aircraft_carrier_Liaoning#/media/File:Aircraft_Carrier_Liaoning_CV-16.jpg

Imagem 2 Localização do Estreito de Miyako, entre as ilhas Miyako e Okinawa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Miyako_Strait#/media/File:Location_of_the_Ryukyu_Islands.JPG

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Discurso de Xi Jinping enfatiza a sustentabilidade ao longo da Nova Rota da Seda

Ocorreu no final de abril (2019) o II Fórum da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) em Pequim, na China. O comunicado conjunto do evento reuniu 37 Estados, apontando crescimento em relação aos 29 países que estiveram presentes na primeira edição do evento que ocorreu em 2017. Neste ano (2019), foram fechados 283 acordos, totalizando US$ 64 bilhões* em investimentos anunciados. 

Os investimentos estrangeiros diretos da China em 56 dos países que compõem a Belt and Road Initiative cresceram 8,9% em 2018, se comparados ao ano de 2017. Estima-se que entre 2014-2017 mais de US$ 120 bilhões** tenham sido efetivamente destinados pela China no arcabouço da BRI. Os projetos na área de energia compõem 44% do montante, seguidos pelo setor de transporte que compõe 30% do total. Estima-se que existam mais de US$ 3,6 trilhões*** de investimentos anunciados e/ou planejados ao longo da Nova Rota da Seda.

Xi Jinping, mandatário da China

A China visa promover a BRI como uma ampla visão para a integração internacional, promovendo valores como a cooperação para ganhos mútuos (win-win), o estímulo aos fluxos de comércio e finanças, a coordenação de políticas econômicas e a construção de infraestrutura como via de desenvolvimento para os países emergentes. O discurso de Xi Jinping durante o evento enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável e de energias renováveis como metas para a Belt and Road Inititative (BRI) nas próximas décadas.

Além disto, o mandatário abordou cinco principais pontos na sua fala: 1) aumentar a abertura do mercado chinês para empresas estrangeiras; 2) fortalecer os mecanismos de cooperação internacional para a proteção dos direitos de propriedade intelectual; 3) expandir a importação de produtos estrangeiros; 4) expandir o engajamento da China na coordenação de políticas macroeconômicas de acordo com os padrões internacionais; 5) aprofundar o processo de reformas e abertura da economia chinesa.

Países membros da Belt and Road Initiative

Desde o lançamento da Iniciativa no ano de 2013, a falta de clareza quanto aos projetos envolvidos e às diretrizes necessárias para que os diferentes empreendimentos pudessem ser considerados como parte da BRI levantou suspeitas a nível internacional. Os chineses parecem ter ouvido algumas das principais críticas realizadas por observadores internacionais, haja vista o discurso de Xi Jinping enfatizar a transparência e a necessidade de se cumprir acordos e seguir as normas do direito internacional. O endividamento dos países que contraem empréstimos chineses através da BRI é uma questão comumente apontada por analistas internacionais.

Um recente estudo lançado pelo Rhodium Group analisou quarenta (40) casos de renegociação de dívidas contraídas através da BRI entre os anos de 2013-2017. Os principais resultados afirmam que a renegociação das dívidas tem sido frequente, o que pode levar a China a ser mais cautelosa com os seus empréstimos no futuro. A apreensão de bens e infraestrutura, como foi o caso da aquisição do porto de Hanbantota no Sri Lanka, após o país não ter podido saldar o compromisso com a dívida, ocorreu em raríssimos casos. Por fim, embora existam assimetrias de poder e recursos entre a China e os países receptores de financiamento, o Reino do Meio tem tido dificuldades em conduzir a renegociação dos termos dos empréstimos ao seu favor. Apontam-se ainda os casos mais extremos de risco, como é a Venezuela, que recebeu US$ 62 bilhões de dólares em investimentos chineses**** na última década e atualmente se encontra em uma situação de grande instabilidade política e econômica.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030

Foi lançada neste mês (maio) uma plataforma junto à UNCTAD para catalogar os projetos ligados à BRI, o que é um avanço importante. Antes disto, a compilação de projetos de infraestrutura ligados ao plano era feita de maneira informal por think tanks e diferentes centros de pesquisa, na ausência de uma base de dados oficial.

Em diversos pronunciamentos, a China se mostra engajada com os objetivos do desenvolvimento sustentável lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2030. Entretanto, a ênfase na sustentabilidade anunciada por Xi Jinping entra em conflito com a realidade da BRI: mais de 90% dos projetos de energia envolvidos na Nova Rota da Seda concentram-se em torno do setor de combustíveis fósseis. A exemplo dos esforços domésticos empreendidos pelo país para a mudança gradual da sua matriz energética, é possível que a BRI se torne cada vez mais verde e sustentável, a questão é saber o tempo que isso demorará para efetivamente acontecer. O ponto positivo é que parece haver vontade política para promover tal mudança.

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Notas:

* Aproximadamente, 253,14 bilhões de reais, conforme cotação de 10 de maio de 2019.

** Em torno de 474,64 bilhões de reais, conforme a mesma cotação.

*** Próximos de 14,24 trilhões de reais, ainda de acordo com a cotação de 10 de maio de 2019.

**** Aproximadamente, 245,23 bilhões de reais, pela mesma cotação de 10 de maio de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Energias renováveis” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Renewable_Energy_on_the_Grid.jpg

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Xi_Jinping_2016.jpg

Imagem 3 Países membros da Belt and Road Initiative” (Fonte): https://www.silkroadbriefing.com/news/2019/04/29/2019-belt-road-forum-xi-jinping-actually-said-terms-belt-road-development-china-market-access/

Imagem 4 Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Sustainable_Development_Goals.jpg

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A situação dos curdos na Síria

O conflito da Síria já se estende por mais de 8 anos e tem afetado profundamente a vida da maioria da população do país e na região. Em 23 de março de 2019, as tropas das Forças Democráticas Sírias (SDF, em inglês) anunciaram a vitória sobre o Estado Islâmico (EI, ou ISIS, de Islamic State of Iraq and the Levant – traduzindo, Estado Islâmico do Iraque e do Levante) em seu território, após expulsar o grupo terrorista da cidade de Baghouz. Esta era reconhecida como último enclave territorial do ISIS na Síria.

Apesar das vitórias, os curdos ainda não possuem certeza quanto ao futuro que terão após o fim do conflito. Desde 2014, o SDF também tem enfrentado constantes embates com forças do governo sírio. Com o fim dos combates com o Estado Islâmico, os curdos controlam uma extensa parcela territorial do norte e leste da Síria, sobre a qual esperam negociar condições para incrementar a própria autonomia, senão almejar uma condição de independência parcial frente ao governo em Damasco (Síria).

O território controlado pela administração curda representa hoje quase 25% da extensão total da Síria, além de fazer fronteira tanto com a Turquia quanto com o Iraque. A proximidade com estes vizinhos representa a necessidade de enfrentar outras frentes de negociação.

O governo turco reconhece a entidade política curda síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo), como associada aos curdos na Turquia, representados pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), compreendido pelos turcos como uma organização terrorista.

Por conta disto, o governo de Ankara possui severas restrições à autonomia curda no país vizinho. Com o fim dos conflitos contra o Estado Islâmico, foi percebido um aumento nas incursões militares e ataques do Exército turco contra forças do Curdistão sírio. Os turcos também requerem estabelecer e controlar uma “zona de segurança”, com 32 quilômetros de extensão, tanto entre a fronteira da Síria com a Turquia quanto com o Iraque.

O anúncio em princípios de 2019, por parte do presidente estadunidense Donald Trump, reforçou a situação de fragilidade para os curdos. A retirada dos soldados estadunidenses representa uma forte incerteza, uma vez que os Estados Unidos têm fornecido historicamente apoio tanto logístico quanto de recursos para os curdos, além do fato de a presença estadunidense frear o avanço de possíveis hostilidades.

Ante à ausência de Washington na negociação, a Rússia tem-se feito cada vez mais presente. Como Moscou detém bom trânsito junto à administração do presidente sírio Bashar al-Assad, e de sua contraparte turca, Recep Erdogan, tratou de destinar um grupo diplomático especializado para lidar com a situação. O foco das negociações por este lado tem sido demover os curdos do projeto de autonomia e aceitar a incorporação das suas forças no Exército sírio, leal a Assad.

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, recebe em visita o Vice-Primeiro-Ministro para a Defesa da Rússia, Yuri Borisov, encarregado das negociações com a Síria

O Presidente sírio afirmou, segundo a Reuters, que os curdos não devem apoiar-se em Washington, e que somente a Síria pode defendê-los. Em um evento realizado em Moscou, uma assessora sênior da Presidência síria, Bouthaina Shaaban, afirmou à Reuters que “autonomia significa a partição da Síria. Nós não temos como dividir a Síria”.

Apesar da dificuldade em chegar a um acordo com o governo, Damasco também enfrentará resistência em reestabelecer as condições anteriores de sua relação com os curdos. Estes possuem uma memória extremamente presente do domínio do Baath (partido do governo de Assad) na região. Esta é relativa sobretudo à violência e repressões pelo governo central, como relatam veículos de mídia.

Por conta disso, trataram de estabelecer além de uma estrutura administrativa uma série de escolas, livrarias e manifestações cotidianas de autonomia. Retornar à condição anterior à guerra, quando o governo central proibia livros e expressões culturais no idioma curdo, é amplamente rejeitado pela população.

Os curdos afirmam estabelecer bases claras para a negociação, ao mesmo tempo em que enfrentam um crescente aumento da pressão por várias frentes. Com os Estados Unidos pressionando pela aceitação da entrada de tropas turcas, apresentaram ao Presidente sírio um plano para que possam chegar a um acordo. Ainda assim, deixam claro que não haverá incorporação de suas forças no Exército sírio sem uma contrapartida de autonomia política e que atos de violência serão respondidos com reações militares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Combatente das Forças Democráticas Sírias posa em Rojava” (FonteTwitter oficial das Forças Democráticas Sírias @sdf_press1): https://twitter.com/sdf_press_1

Imagem 2O Presidente sírio, Bashar alAssad, recebe em visita o VicePrimeiroMinistro para a Defesa da Rússia, Yuri Borisov, encarregado das negociações com a Síria”(Fonte Twitter da Presidência da Síria. @Presidency_Sy): https://pbs.twimg.com/media/D4lsD8oW0AA3jXA.jpg

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China adota padrão para avaliar risco de países parceiros

Na quinta-feira (25 de abril), a China anunciou a publicação de um memorando sobre a sustentabilidade de dívidas para os países participantes da “Iniciativa do Cinturão e Rota” (ICR), informa o jornal South China Morning Post. O documento foi apresentado pelo Ministro das Finanças, Liu Kun, no dia de abertura do Segundo Fórum do Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional, que ocorre em Pequim até o dia 29 de abril, no qual participam 37 líderes estrangeiros.

O Ministro afirmou que o memorando é baseado em padrões similares aos usados pelo Banco Mundial (BM) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e que o seu objetivo é “prevenir e evitar problemas de dívidas”associados com projetos da ICR. Liu também lembrou que o memorando será um guia para avaliar o risco da dívida de países envolvidos na ICR, por meio da classificação de seu risco potencial como “baixo, médio ou alto”, procurando enfatizar que “mesmo que um país seja avaliado como de ‘risco alto’ ou mesmo ‘em risco de sobre-endividamento’, não significa automaticamente que sua dívida seja insustentável no longo-prazo”.

Yi Gang, Governador do Banco Popular da China (BPC), o Banco Central chinês, apontou que a sustentabilidade da dívida de longo prazo deve levar em consideração indicadores como: melhorias de infraestrutura, melhoria do padrão de vida das pessoas, produtividade e redução da pobreza. As instituições financeiras chinesas contribuíram para a maior parte dos fundos da ICR, com o BPC contribuindo com o valor de 440 bilhões de dólares (aproximadamente, 1,73 trilhão de reais, conforme a cotação de 26 de abril de 2019).

Porto de Hambantota, no Sri Lanka

A adoção desse padrão de avaliação de risco financeiro pode ser considerada como uma forma de Pequim rebater as acusações de alguns membros da comunidade internacional de que existe o risco de que países economicamente vulneráveis que participam dos projetos da ICR se encontrem envoltos em uma “armadilha de dívidas” (“debt trap”, em inglês), na qual entram em uma espiral de dívidas e aumentam sua dependência em relação à China.

A preocupação internacional em relação às “armadilhas de dívidas” se elevou desde que o Sri Lanka teve que entregar o controle do porto de Hambantota à China por 99 anos, depois de constatar que não conseguiria honrar seus débitos com Pequim. Atualmente, a China detém a maior parte da dívida de vários países ao longo da ICR, como são os casos do Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Montenegro e Paquistão. Desse modo, a implementação do novo documento é um passo importante na construção de confiança entre o governo chinês e seus parceiros ao redor do mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Iniciativa do Cinturão e Rota” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=ONE+BELT+ONE+ROAD&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=3owcnspgze6tqorv7z4xzb888#%2Fmedia%2FFile%3ASZ_%E6%B7%B1%E5%9C%B3%E5%9F%8E%E5%B8%82%E8%A6%8F%E5%8A%83%E5%B1%95%E8%A6%BD%E9%A4%A8_Shenzhen_City_Planning_Exhibition_Hall_world_map_one_belt_band_one_road_Jan_2017_Lnv2.jpg

Imagem 2 Porto de Hambantota, no Sri Lanka” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=hambantota&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=awgzo2jtreeg13wlrdbo8knpt#%2Fmedia%2FFile%3AHambantota_Port.jpg

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Suíça assinará acordo da “Iniciativa do Cinturão e Rota” da China

A Suíça assinará um acordo apoiando a “Iniciativa do Cinturão e Rota” (ICR), quando o Presidente suíço, Ueli Maurer, visitar a China no final de abril (2019). Enquanto muitas nações do Ocidente veem o projeto chinês com desconfiança, os suíços procurarão consolidar os laços com o país que é um de seus grandes parceiros comerciais e também porque enxerga a ICR como uma forma de apoiar o desenvolvimento econômico, especialmente na Ásia Central, informa o jornal South China Morning Post.

Presidente da Suíça, Ueli Maurer

O Ministério das Finanças da Suíça justificou a decisão na terça-feira (16 de abril), afirmando que “o objetivo do memorando para ambas as partes é intensificar a cooperação no comércio, investimento e financiamento de projetos em mercados ao longo das rotas da ‘Iniciativa do Cinturão e Rota’”. Maurer participará da Segunda Cúpula da Iniciativa do Cinturão e Rota, à qual comparecerão 40 governantes estrangeiros. Líderes suíços da área de negócios e finanças acompanharão o Presidente durante sua viagem de oito dias ao país asiático.

A Suíça foi um dos primeiros países europeus que reconheceram a República Popular da China, em 1950. Em 2013, figurou como o primeiro Estado na Europa continental a assinar um acordo de livre-comércio com os chineses. Hoje, o país asiático figura como o terceiro maior parceiro comercial da Suíça, depois da União Europeia e dos Estados Unidos da América.

Embaixada da República Popular da China em Berna

As relações econômicas entre a Suíça e a China estão centradas na área de serviços, envolvendo bancos, companhias de seguros, empresas de logística, companhias de inspeção de qualidade e empresas de consultoria, e na área de cooperação tecnológica, de forma que muitos pesquisadores chineses recebem treinamento em universidades e centros de pesquisa suíços. Além disso, a Suíça apoiou a China na fundação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII), em 2013, e, novamente, foi um dos primeiros países europeus a fazê-lo, sem demonstrar as preocupações securitárias que acometiam vários de seus vizinhos.

Desse modo, vemos que a cooperação suíço-chinesa é baseada na compreensão mútua. Ambos os Estados cooperam para a realização de seus principais objetivos, o lado chinês ganha reconhecimento de uma das grandes economias do Ocidente e apoio para o seu desenvolvimento industrial, enquanto o lado suíço aproveita sua parceria com a China para manter o seu status enquanto país neutro e centro de finanças e inovação. Tal sinergia pode servir de modelo para membros da União Europeia na condução de suas relações com a China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio Federal da Suíça, sede do Governo em Berna” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Federal_Palace_of_Switzerland#/media/File:Bundeshaus_Bern_2009,_Flooffy.jpg

Imagem 2 Presidente da Suíça, Ueli Maurer” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Ueli_Maurer#/media/File:Ueli_Maurer_2011.jpg

Imagem 3 Embaixada da República Popular da China em Berna” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=chinese+embassy+bern&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Bern_Kalcheggweg_10_Embassy_of_China_in_Switzerland_DSC01408.jpg

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Japão: Recorde de participação feminina em postos de trabalho públicos

Em uma tentativa de suprir a falta de mão de obra e fomentar a igualdade de gênero no mercado de trabalho, o governo japonês estabeleceu uma meta de que 30% do quadro de funcionários públicos seja composto por mulheres. Tal plano busca responder à classificação do país no relatório do Fórum Econômico Mundial sobre igualdade de gênero de 2018, em que o Japão ficou na 111ª posição numa lista de 149 países.

No Documento, nas categorias “Participação econômica e oportunidades”, o Japão aparece no 117º lugar; “Educação”, 65º; “Saúde e Sobrevivência”, 41º*; “Empoderamento Político”, 125º. Na classificação regional, abrangendo 18 países, a posição japonesa ocupa o 7º lugar. Na comparação com o ano de 2006, em que a avaliação foi feita entre 115 Estados, o país foi rebaixado em todas as categorias.

Segundo o jornal Japan Today, o recrutamento de mulheres para cargos públicos atingiu um recorde de 35,4% no ano fiscal de 2019, batendo a meta pelo quinto ano consecutivo. No total de 8.123 pessoas contratadas, 2.876 são mulheres. Em comparação ao ano de 2018, houve um aumento de 1,4% na taxa de presença feminina. No entanto, ao avaliar a proporção por departamento público, a meta não foi atingida em todos. Enquanto o Ministério de Relações Exteriores detém uma proporção de 50% entre homens e mulheres, o Ministério de Território e a Comissão de Segurança Pública Nacional ficaram com índices de 25,7% e 27%, respectivamente.

Agricultora

Em geral, as mulheres estão ocupando mais cargos no mercado de trabalho. Em setembro de 2018, a porcentagem de mulheres com idade economicamente ativa, entre 15 a 64 anos, atingiu um recorde de 70% em agosto, superando o índice mais alto atingido no ano de 1968. Não somente na parte econômica, mas esforços estão sendo realizados também para a participação política. Uma lei aprovada em 2016, ainda que sem característica compulsória, pretende aumentar o número de mulheres na política ao solicitar que partidos tentem fazer esforços voluntários para diminuírem a disparidade numérica.

Outra característica pertinente à questão é a divisão do trabalho doméstico, culturalmente associado a mulheres e possivelmente um impedimento para adentrar o mercado de trabalho. Segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2016, o tempo que homens gastam, em média, em tarefas domésticas é de 46 minutos por semana, enquanto mulheres gastam 263. Nas estatísticas desse mesmo ano, referente a tempo gasto com trabalhos não remunerados, 40 minutos ao dia correspondem aos homens, enquanto para as mulheres são 224.

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Nota:

Os 40 países anteriores ao Japão estão empatados com o mesmo resultado de 0,980 pontos. A pontuação japonesa nesta categoria é de 0,979. No ano de 2006, o Japão obteve 0,980 pontos e estava entre o grupo classificado em 1º lugar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mulheres japonesas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Women_in_Japan#/media/File:Japanese_women.jpg

Imagem 2 Agricultora” (FontePor Adam Kahtava): https://en.wikipedia.org/wiki/Women_in_agriculture_in_Japan#/media/File:Woman_farming_in_Wajima.jpg