ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia e China na guerra da (des)informação

Com o ardiloso uso das redes sociais para espalhar fakenews, a desinformação tornou-se uma ferramenta poderosa de controle das massas. A velocidade e a quantidade de dados que trafegam diariamente em nossas páginas iniciais não permitem um escrutínio necessário. Por vezes, o receptor crê em títulos bem elaborados ou textos passionais, sem analisar o conteúdo. Rússia e China se beneficiam desta estratégia.

Recentemente, protestos pró-democracia em Hong Kong chamaram a atenção do mundo. Os participantes foram discricionariamente taxados bandidos” e “radicais por Beijing, como maneira de apaziguar o alarde na China. Imagens de rufiões invadindo as ruas e alegações sem provas de que os movimentos são apoiados pela CIA e grupos estrangeiros estão sendo disseminados pela mídia chinesa, embora desacreditados pelos observadores de fora

Especialistas na área de fakenews e desinformação comparam a abordagem chinesa com a abordagem russa em trabalhar informações jornalísticas, e concluem que são diferentes em estilo e técnica, em parte pelas perspectivas e objetivos divergentes dos países. Enquanto a China “é mais sobre autodefesa, a Rússia é mais sobre ativamente sair a campo, mirando em eventos estrangeiros”, diz o professor Haifeng Huang, do campus Merced da Universidade da Califórnia. Nesse sentido, para ele, na guerra da desinformação a China “se comporta melhor” aos olhos do mundo.

Russia Operação INFEKTION de desinformação

A Rússia conta com uma agência de propaganda chamada Agência de Pesquisa da Internet (Internet Research Agency), sobre a qual há acusações de ser responsável por travar uma guerra de memes* para dividir os Estados Unidos. Isso demonstra um alto nível de conhecimento de causa e, pode-se concluir, se as acusações forem corretas, que os russos se preparam com “meses e meses de antecedência” para criar o paradigma perfeito para espalhar as notícias que querem que o mundo saiba, e, de pronto, a própria influência.

Acredita-se que o Kremlin atingiu um alto nível de sofisticação em trabalhar conteúdo pelas suas origens na longa experiência soviética de espionagem e na vantagem sobre a China, que é possuir mais laços diplomáticos com o Ocidente antes de 1970. Professor Huang ainda diz que as autoridades chinesas “não têm um entendimento sofisticado de discursos comuns, perspectivas e opinião pública fora da China e não sabe como se envolver efetivamente com as sociedades ocidentais”. 

Pelo que tem sido disseminado e apontado por analistas, as informações e (des)informações da Federação Russa são mais críveis que o conteúdo forçado desenvolvido pela China. O Kremlin tem mais habilidade em se infiltrar onde lhe aprouver. Ressalte-se que os escopos são diferentes e não parece que isso mudará tão cedo. Enquanto Beijing olha para dentro, Moscou concentra-se para fora, especialmente agora com a nova Lei da Internet Soberana, que lhe dá a segurança interna de que necessita.

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Nota:

Meme: imagem, conceito ou frase que se espalha rapidamente no meio virtual, com o objetivo de causar impacto, normalmente de maneira humorada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Repórteres com Fake News 1894” (Fonte – Frederick Burr Opper): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 “Russia Operação INFEKTION de desinformação” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Deception%2C_Disinformation%2C_and_Strategic_Communications.pdf

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China afirma que os países da Parceria Econômica Regional Abrangente estão comprometidos em trabalhar com a Índia

A China afirmou na quarta-feira (6 de novembro de 2019) que as questões que atrapalham a Parceria Econômica Global Abrangente (PEGA) podem ser resolvidas até o final do ano (2019), acrescentando que os Estados-membros estão prontos para trabalhar com a Índia para resolver questões pendentes. Quinze países da região Ásia-Pacífico, os dez países da Ásia, além de Japão, China, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, concordaram com o esboço do pacto comercial na segunda-feira (4 de novembro de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

A Índia desistiu do acordo no último minuto, em meio a preocupações de que sua economia poderia ser inundada com produtos chineses de preço competitivo e que os agricultores poderiam ser prejudicados pelas importações agrícolas da Austrália e da Nova Zelândia. O Vice-Ministro de Comércio chinês, Wang Shouwen, declarou que a China e os outros 14 países-membros respeitam a Índia e têm preocupações pendentes, mas estão dispostos a trabalhar juntos para resolvê-los. “Devemos trabalhar duro com a Índia para resolver esses problemas. E a Índia deve decidir com base nesta resolução se deve entrar no acordo”, afirmou Wang.

Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi (2015)

Na segunda-feira (4 de novembro de 2019), o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, retirou seu país do acordo, apontando que este “não refletia totalmente o espírito básico e os princípios orientadores acordados” e que “falhou em atender às preocupações pendentes da Índia”. Uma declaração conjunta de todos os 16 países, incluindo o Estado indiano, apontou que 15 economias concluíram as “negociações para todos os 20 capítulos e essencialmente todas as suas questões de acesso ao mercado”, embora tenha observado que os indianos ainda possuem questões não resolvidas.

O Ministro de Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, indicou que as “fortes demandas de Nova Délhi por serviços e investimentos podem ter sido um ponto de atrito nas negociações”. Além disso, “Se as 15 nações fizerem um esforço sincero para resolver nossas preocupações, nos dar confiança e nos ajudar a equilibrar a desigualdade comercial, acho que todas as nações devem conversar com seus amigos”, comentou Goyal em entrevista à imprensa indiana. E relembrou: “Não estamos fazendo inimigos com ninguém: as relações são fortes com todos os países envolvidos”.

A Índia possui um antigo déficit comercial com a China, que chegou a 57 bilhões de dólares em 2018 (aproximadamente, 237,3 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 8 de novembro de 2019). Wang reconheceu que havia alguns setores da indústria indiana que “estão preocupados com a possibilidade de haver algum déficit”. No entanto, o Vice-Ministro apontou que “o déficit comercial da Índia em sua conta corrente era de apenas 1,7% do produto interno bruto, muito abaixo da linha segura de 4%, e que havia um excedente no setor de serviços”. “O balanço de pagamentos na conta corrente indiana é muito saudável”, reiterou Wang.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 ViceMinistro de Comércio da China, Wang Shouwen (2015)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=wang+shouwen&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Nairobi_Fourth_China_Round_Table,14_December_2015(23379498939).jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro da Índia, Narendra Modi (2015) (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=40&profile=default&search=narendra+modi&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=av2qc10dzpyndgo1fw52x185j#%2Fmedia%2FFile%3APrime_Minister_Narendra_Modi_speaking_to_the_media_ahead_of_the_Budget_Session_2015.jpg

AMÉRICA LATINAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Bolsonaro visita Pequim, mas não dá sinais de que o Brasil ingressará na Iniciativa do Cinturão e Rota

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro se encontrou com o seu congênere chinês, Xi Jinping, em Pequim, na sexta-feira (25 de outubro de 2019). Na ocasião, ambos os lados se comprometeram a melhorar o investimento bilateral, mas não houve comprometimento da parte do Brasil em relação ao ingresso na Iniciativa do Cinturão e Rota, informa o jornal South China Morning Post.

Xi afirmou para Bolsonaro que “a China e o Brasil devem continuar a apoiar o desenvolvimento mútuo, dar prioridade ao desenvolvimento de relações diplomáticas e avançar sua ‘parceria estratégica compreensiva’”. Ambos os líderes reconheceram que a Iniciativa do Cinturão e Rota “pode vir a ser integrada” às iniciativas brasileiras de desenvolvimento. Contudo, Brasília não realizou um comprometimento claro de que ingressará no ambicioso projeto de infraestrutura promovido por Pequim.

Em um fórum na sexta-feira (25 de outubro de 2019), Bolsonaro apontou que “China e Brasil nasceram para caminhar juntos” e asseverou: “Estamos alinhados em mais coisas além da questão comercial”. Durante o evento, o Vice-Primeiro-Ministro da China, Hu Chunhua, declarou que a China deseja aumentar suas importações de bens industriais e agrícolas do Brasil, e que os dois países podem aprofundar a cooperação em áreas como a de infraestrutura. Em novembro de 2019, Xi Jinping participará do Fórum Econômico da Ásia-Pacífico, no Chile, e espera-se que o Presidente chinês também visite o Brasil para o encontro anual da Cúpula do BRICS, em Brasília.

Plantação de soja no Mato Grosso

A China tem figurado como o maior parceiro comercial do Brasil por uma década e é sua principal fonte de investimento externo. O comércio entre as duas nações atingiu a marca dos 100 bilhões de dólares em 2018 (aproximadamente 400,4 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 25 de outubro de 2019), e a China é o maior importador de produtos brasileiros, principalmente commodities, como soja, algodão e milho. Há a expectativa de que o Brasil venda mais soja para a China devido à guerra comercial entre Washington e Pequim, e o país espera aumentar suas exportações de carne processada para a China, enquanto a nação asiática lida com os efeitos devastadores da epidemia de febre suína africana.

A viagem de três dias de Bolsonaro ao país marcou o 45º aniversário de relações diplomáticas entre os dois Estados. Analistas observam que a viagem de Bolsonaro teve a função de remediar os efeitos de suas declarações acerca dos investimentos chineses no Brasil, realizadas durante a campanha presidencial de 2018. À época, Bolsonaro afirmou que “Os chineses não estão comprando no Brasil. Eles estão comprando o Brasil”. A pesquisadora brasileira Karin Costa Vazquez, do Centro de Estudos sobre BRICS, da Universidade Fudan, em Xangai, aponta: “Os diversos desentendimentos criados em relação à China no começo do governo Bolsonaro são um reflexo de um problema estrutural do Brasil: a nossa visão de mundo eurocêntrica”. E indica: “Nós temos uma visão ultrapassada e estigmatizada sobre a China…Teremos que esperar e ver como se desenvolverá a Cúpula do BRICS em novembro”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente Jair Bolsonaro se encontra com o Presidente da China, Xi Jinping, em Pequim” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=BOLSONARO+XI&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Bolsonaro_Xi_Jinping_China_2019.jpg

Imagem 2 Plantação de soja no Mato Grosso”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=SOJA+MATO+GROSSO&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ronodonópolis_colheita_soja_(Roosevelt_Pinheiro)_28mar09.jpg

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A Estônia pede à Turquia que cesse os ataques unilaterais na Síria

A guerra civil na Síria já dura alguns anos e iniciou por ocasião da Primavera Árabe, na qual diversas pessoas protestaram em seus países a favor de democracia e maior liberdade de expressão. Todavia, a situação síria deteriorou-se e parcela da população entrou em conflito com o regime do presidente Bashar al-Assad.

O maior fator de agravo na guerra civil síria ocorreu com a ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), o qual buscava a instauração de um Califado no entorno da Síria e do Iraque. A escalada militar intensificou-se na região com o ingresso de tropas dos Estados Unidos (EUA) e da Federação Russa, as quais combateram o EI até seu enfraquecimento.

Nas últimas semanas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retirada da força militar estadunidense na Síria. Esta medida foi duramente criticada pelos curdos, aliados locais de Washington*, e diversos Estados europeus, pois ressente-se que o EI possa retomar forças, e que os curdos fiquem sem proteção contra possíveis ataques da Turquia.

Felizmente, o EI não retornou a exercer o controle nos territórios sírios, todavia, os turcos iniciaram uma série de ataques terrestres e aéreos contra o nordeste da Síria. O alvo de Ancara** eram os curdos, os quais são considerados como terroristas pelos turcos, pois eles desejam criar um Estado próprio.

A Estônia expressou preocupação com os atos unilaterais da Turquia contra o território sírio e pediu aos turcos que cessem sua operação militar. Os estonianos desejam evitar as baixas de civis e a deterioração da estabilidade regional em um Estado em crise humanitária. Outra razão para Tallinn*** manifestar-se sobre a questão é que a Estônia é Membro Não-Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), criado para zelar pela paz e segurança internacional. 

Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu

O jornal The Baltic Times trouxe a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu, sobre a pauta, o qual afirmou: “A Turquia, nossa aliada da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], sem dúvida tem preocupações de segurança com relação ao terrorismo; no entanto, soluções políticas e diplomáticas devem ser buscadas para as tensões na região. A operação que começou, no entanto, pode prejudicar gravemente esses esforços e dar um novo impulso ao Daesh [EI]. Estamos preocupados com a operação militar da Turquia no nordeste da Síria, que prejudica ainda mais a estabilidade em toda a região. Pedimos a Turquia que pare sua ação militar unilateral e evite baixas civis e deterioração da situação humanitária”.

Os analistas observam com atenção as ações turcas na Síria, as quais, diante do Direito Internacional (DI), são compreendidas como violação da soberania síria. Em relação ao ataque unilateral turco aos curdos, que na atual situação nada fizeram contra Ancara, ainda existe, perante o DI, a questão de um possível genocídio. Diante da problemática, aguarda-se que a Turquia venha a optar pelo diálogo político e pela resolução de suas diferenças mediante o respeito ao DI e à autodeterminação dos povos.

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Notas:

* Washington: capital dos Estados Unidos; seu uso no texto representa a ação política do Estado norte-americano.  

** Ancara: capital da Turquia; seu uso no texto representa a ação política do Estado turco.

*** Tallinn: capital da Estônia; seu uso no texto representa a ação política do Estado estoniano.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 Combatente curdo” (fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f3/IRPGF_fighters_in_Tabqa_1.jpg

Imagem 2 Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Urmas_Reinsalu_2017-05-25.jpg

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União Europeia e Japão desafiarão a Iniciativa do Cinturão e Rota da China

A União Europeia (UE) e o Japão estão tomando medidas para fazer frente à Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), da China. Discursando em Bruxelas, na Bélgica, na sexta-feira (20 de setembro de 2019), o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, apontou que seu país pretende trabalhar com a UE para fortalecer os seus laços nas áreas de transportes, energia e tecnologia com a África e os Bálcãs, regiões importantes para a ICR, informa o jornal South China Morning Post.

Em um fórum para celebrar o primeiro aniversário do programa Conectividade UE-Ásia, Abe e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, assinaram um acordo formalizando o envolvimento do Japão no plano Europa-Ásia, que receberá um financiamento da UE de 60 bilhões de euros (aproximadamente 273 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 27 de setembro de 2019), de Bancos de Investimentos e de investidores privados.

Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019

Abe afirmou que o Japão trabalhará para que oficiais de 30 países africanos sejam treinados em gerenciamento de dívida soberana nos próximos três anos. E relembrou: “A UE e o Japão estão conectados. A infraestrutura que nós construirmos a partir de agora deve ser uma de alta qualidade. Seja uma única estrada ou um único porto, quando a UE e o Japão tomarem a responsabilidade de algum projeto, nós seremos capazes de construir uma conexão sustentável, ampla e baseada em regras, do Indo-Pacífico aos Bálcãs ocidentais e à África”.

Juncker ressaltou que “uma das bases da conectividade de sucesso é o respeito a regras básicas e ao senso comum” e indicou que a cooperação UE-Japão se foca no “comprometimento com a democracia, o Estado de direito, a liberdade e a dignidade humana”.    

Em 2018, quando a Comissão propôs a melhoria da infraestrutura de conexão digital, de transportes e de energia com a Ásia, negou que estava procurando conter as ambições chinesas. O plano da UE, que será apoiado por fundos adicionais do orçamento comum da UE a partir de 2021, por empréstimos do setor privado e por Bancos de Desenvolvimento, configurou-se como uma resposta à forte presença da China na Ásia Central e nos Bálcãs, onde Pequim investiu bilhões de dólares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o PrimeiroMinistro do Japão, Shinzo Abe, e o Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker (2018)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=ABE+JUNCKER&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:EU-Japan_EPA_Signing_(4).jpg

Imagem 2 Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Belt_and_Road_Initiative_participant_map.svg

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fuzileiros navais americanos relembram Pequim das capacidades militares de Washington

Os fuzileiros navais americanos conduziram exercícios de tomada de bases aéreas e de ilhas nos Mares do Leste e do Sul da China, o que, segundo analistas, possui a função de relembrar à China das capacidades militares dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. Os exercícios navais de 11 dias (entre 9 e 19 de agosto de 2019) foram conduzidos nas proximidades das Filipinas e ao redor da ilha japonesa de Okinawa pelas tropas americanas estacionadas no Japão, informa o jornal South China Morning Post.

Observadores afirmaram que Washington deseja mostrar para Pequim que as suas Forças Armadas podem realizar campanhas anfíbias em territórios longínquos, caso os Estados Unidos decidam intervir nas disputas territoriais entre a China e seus aliados na região. 

A “31ª Unidade Expedicionária” e o “Esquadrão Anfíbio 11conduziram exercícios conjuntos a partir de seus navios, pertencentes ao Grupo de Prontidão Anfíbio. O Pelotão de Reconhecimento Anfíbio também realizou uma missão de vigilância e reconhecimento de grande altitude e um salto de paraquedas sobre a ilha de Okinawa. Posteriormente, um heliplano Osprey* enviou uma equipe de operações terrestres, a partir de um navio Wasp**, a uma localidade a mais de 400 quilômetros de distância, para que estabelecesse um posto de rearmamento e de reabastecimento. O time alcançou o objetivo em pouco mais de uma hora.

Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos

O tenente Guiron Cai, da Equipe de Controle do Tráfego Aéreo da Marinha da China, afirmou: “A velocidade com a qual os fuzileiros navais americanos foram capazes de estabelecer o posto de rearmamento e de reabastecimento demonstra uma habilidade crítica para o exercício de operações expedicionárias em uma região contestada”.

Adam Ni, especialista em China da Universidade Macquarie, em Sydney, na Austrália, apontou: “É um claro lembrete para a China acerca da supremacia militar dos Estados Unidos apesar da aproximação das capacidades militares dos dois países nos últimos anos. A mensagem é que as Forças Armadas americanas ainda podem tomar pontos controlados por Pequim no Mar do Sul da China em um conflito de alta intensidade”.

A China possui um litígio com o Japão em relação às Ilhas Diaoyu/Senkaku no Mar do Leste da China, enquanto Pequim e Manila clamam soberania sobre o Atol de Scarborough, no Mar do Sul da China. Desde a eleição do presidente Donald Trump, os Estados Unidos têm reforçado sua presença militar no Indo-Pacífico como forma de conter a presença chinesa nos Mares do Sul e do Leste da China, e a fim de garantir a liberdade de navegação e o respeito ao Direito Internacional na região.

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Notas:

* Heliplano Osprey: Osprey (‘águia pescadora’, em inglês) é um tipo de aeronave militar polivalente. É classificada como um convertiplano, ou seja, como uma aeronave com capacidade de decolagem e aterrissagem verticais (VTOL), bem como como decolagem e aterrissagem curtas (STOL). Seu projeto junta a função de um helicóptero convencional com a de um avião turboélice.

** Navio Wasp: Classe de Porta-Aviões Leves da Marinha dos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Treinamento dos fuzileiros da 31ª Unidade Expedicionária em portaaviões” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/31st_Marine_Expeditionary_Unit#/media/File:USMC_M16A4_Rifle.JPG

Imagem 2 Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_Boeing_V-22_Osprey#/media/File:MV-22_mcas_Miramar_2014.JPG