ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e Paquistão realizam exercício militar conjunto

No dia 8 de setembro de 2017, a Força Aérea do Paquistão (PAF, sigla em inglês) e a Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF, sigla em inglês) da China iniciaram exercícios militares conjuntos. O treinamento compartilhado entre as forças aéreas das duas nações ocorre anualmente desde março de 2011, intercalando-se também o país anfitrião. Neste ano (2017), as operações serão realizadas na Base Aérea de Korla, na província chinesa do Xinjiang, e devem ser finalizadas no dia 27 de setembro.

Mapa China e Paquistão

Shen Jinke, porta-voz do PLAAF, destacou a importância da iniciativa: “para construirmos uma força aérea de primeira linha mundial, precisamos aprender com outros países e aprimorar nossa capacidade de realização de múltiplas tarefas”. Em perspectiva semelhante, a agência de notícias estatal do Paquistão ponderou que “o exercício irá fortalecer a relação e o aprendizado das duas Forças Aéreas. A PAF enfatiza o treinamento de combate de suas unidades terrestres e aéreas e, desse modo, realiza regularmente exercícios conjuntos com países amigos”.

De acordo com agência oficial do Governo chinês, a PLAAF enviou para a operação os bombardeiros Xian JH-7, caças Shenyang J-11 de múltipla função, sistemas aéreos de comando e controle (AWACS, sigla em inglês), sistemas de mísseis terra-ar e unidades operadoras de radar. Por sua vez, segundo o periódico The Diplomat, a PAF destacou os caças JF-17 Thunder, Mirage, F-7PG e ZDK-03 para estarem presentes nos exercícios.

Nota-se que a aeronave JF-17 Thunder foi desenvolvida em conjunto pela empresa Complexo Aeronáutico Paquistão (PAC, sigla em inglês) e a companhia chinesa Chengdu Corporação Aeronáutica (CAC, sigla em inglês), o que demonstra a amplitude da cooperação em Defesa existente entre os dois países.

Mapa do Corredor Econômico China e Paquistão

Nesse contexto, percebe-se que as relações bilaterais entre Beijing e Islamabad são essenciais para a compreensão da estabilidade no sudoeste asiático. Isso porque, ambos realizam iniciativas conjuntas de combate ao terrorismo, bem como possuem tensões fronteiriças com a Índia, outro player importante na região.

Por tal razão, no âmbito econômico, analistas consideram que o Paquistão deverá ser maior receptor de investimentos no âmbito da Iniciativa do Cinturão e da Rota promovida pela China. Nesse sentido, destaca-se o Corredor Econômico China-Paquistão, projeto de estimado em 57 bilhões de dólares que consiste em uma rede de rodovias, ferrovias e gasodutos que conectarão o oeste chinês ao Mar Arábico, por meio do Porto de Gwadar no Paquistão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Caça JFThunder, produzido em conjunto por China e Paquistão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93Pakistan_relations#/media/File:Pakistan_Air_Force_Chengdu_JF-17_Gu.jpg

Imagem 2Mapa China e Paquistão” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ad/Pakistan_China_Locator.svg/1280px-Pakistan_China_Locator.svg.png

Imagem 3Mapa do Corredor Econômico China e Paquistão” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/88/China_Pakistan_Economic_Corridor.jpg  

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China suspenderá a produção de carros movidos a gasolina

A China está realizando um planejamento para suspender a produção de carros movidos a combustíveis fósseis. O país pretende reduzir significativamente a sua emissão de carbono até o ano de 2030, visando contribuir para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e atuando em conformidade com o Tratado de Paris*.

Gráfico sobre Consumo e Produção de Energia na China

As informações são advindas de pronunciamentos oficiais do Governo chinês. Paralelamente a isto, a indústria de carros elétricos tem realizado grandes avanços. Um estudo conduzido pela Bloomberg estima que a produção de carros movidos a eletricidade reduzirá o consumo diário de petróleo na medida de oito milhões de barris a nível global até o ano de 2040.

A indústria de carros elétricos na China está crescendo vertiginosamente. Outro estudo, agora do Instituto Mckinsey, demonstra que o país produziu 43% dos veículos elétricos a serem comercializados no mercado global no ano de 2016, além disso, a China possui atualmente a maior frota de carros deste tipo no mundo e vem investindo fortemente na infraestrutura pública de suporte a esta tecnologia.

A mudança no padrão dos automóveis beneficiaria os países detentores dos minerais utilizados nas baterias elétricas. Isto não significa dizer que as refinarias e o petróleo deixarão de ser importantes para a geopolítica, geoeconomia e o comércio global. Devemos considerar que a demanda de hidrocarbonetos relacionada à indústria pesada continuará a proporcionar um sólido mercado para as grandes refinarias.

O plano da China de exportar a sua sobrecapacidade produtiva no setor de infraestrutura e construção civil para os países da Eurásia, através das Novas Rotas da Seda (Belt and Road Initiative), representa um exemplo da continuidade da relevância dos hidrocarbonetos, ao passo que estas obras precisarão de insumos energéticos tradicionais para que possam ser consolidadas.

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

O acordo de Paris visa lidar com a redução e adaptação da emissão de gases que contribuem para o aquecimento global, espera-se que o acordo entrará em vigência no ano de 2020. Até o presente, 194 países assinaram o Acordo, sendo que 133 deles já o ratificaram no âmbito de suas jurisdições internas. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da China ” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/8/7071/7378023376_8e8ccd6b3a_b.jpg

Imagem 2 Gráfico sobre Consumo e Produção de Energia na China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/China-primary-energy-ej-2009v1.svg/2000px-China-primary-energy-ej-2009v1.svg.png

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Marcado para outubro o 19º Congresso do Partido Comunista da China

Está marcado para o dia 18 de outubro (2017) o 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCC) que decidirá importantes cargos do Comitê Central do Governo (Politburo) para os próximos cinco anos. O evento é de frequência quinquenal e previsões estimam a participação de 2.300 oficiais de cúpula. O Congresso analisará a situação internacional e doméstica da China visando à construção de um planejamento estratégico e de novos direcionamentos para as políticas públicas do país.

Xi Jinping, mandatário da China

O atual Presidente da China, Xi Jinping, deverá permanecer no cargo até o ano de 2022. No ano passado (2016) o mandatário recebeu o título de líder central do PCC, acumulando ainda as posições de Secretário Geral, Presidente da República Popular da China e Chefe da Comissão Militar. No que diz respeito à estrutura da burocracia chinesa, isto o coloca no mesmo nível de poder e influência de figuras emblemáticas como Deng Xiaoping* (mandato de 1978-1992).

Este evento reflete a visão de toda a elite da classe política do país. Espera-se que metade dos membros do Politburo sejam substituídos: cinco dos sete membros do Comitê Central e 11 dos 25 membros gerais. Aponta-se que neste quadro poderá se encontrar o sucessor de Xi Jinping. Por outro lado, existe especulação de que o atual mandatário pretenda permanecer próximo ao poder por mais tempo, na figura de Secretário Geral do Partido, um cargo de notável senioridade.

Divisão administrativa do Estado chinês

A postura externa mais assertiva que a China adotou no governo atual poderá ser desafiada ao passo que o país possui extensas reformas a serem realizadas no seu contexto doméstico,  tais como a reforma das empresas estatais, a melhoria dos índices de endividamento do Estado chinês e o desafio de transição do modelo econômico. O Congresso de Outubro será um teste para a coesão política do Partido e para o poder de decisão do Presidente acerca dos rumos do país.

Por fim, nele se delinearão medidas que visam alcançar os objetivos primordiais de tornar a China uma sociedade moderadamente próspera até 2021 (centenário do PCC) e tornar-se uma sociedade socialista moderna até o ano de 2049 (centenário da fundação da República Popular da China), simbolizada em: “uma sociedade próspera, forte, democrática, culturalmente avançada e harmoniosa”, nas palavras de Xi Jinping. Este é o processo de rejuvenescimento da Nação e o “Sonho Chinês” para as próximas décadas, aspectos centrais do rumo político do país. 

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

Deng Xiaoping é conhecido como o mandatário responsável por iniciar as reformas econômicas de abertura e reestruturação da economia chinesa no final dos anos 1970. A criação de Zonas Econômicas Especiais em áreas costeiras ao leste e o direcionamento da produção industrial para as exportações são alguns dos fatores mais mencionados no êxito deste processo.   

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem do 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/18th_National_Congress_of_the_Communist_Party_of_China.jpg

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Xi_Jinping%2C_BRICS_summit_2015_01.jpg

Imagem 3 “Divisão administrativa do Estado chinês” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/China_administrative.png

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Guerra às Drogas nas Filipinas recebe apoio dos EUA

Com a vitória de Rodrigo Duterte na eleição presidencial filipina, em junho de 2016, um novo panorama na histórica cooperação com os Estados Unidos emergiu devido ao caráter antiamericano do novo mandatário. Ele foi prefeito de Davao, uma das maiores cidades na ilha sul de Mindanao e um enclave que não alimenta a mesma simpatia pela potência ocidental, em comparação ao restante do país.

Presidente Duterte em conversa com o Diretor Geral da Polícia e principal articulador do programa de combate ao tráfico, Ronald Dela Rosa

Pelos profundos laços coloniais e culturais com os Estados Unidos, as Filipinas são consideradas importantes para a segurança nacional norte-americana e para a sua política externa na Ásia. É o 12º maior país do mundo em população e uma economia de rápido crescimento na região, com forte tendência ao comércio e investimentos com Washington.

Desde a assinatura do Tratado de Defesa Mútua, em 1951, o país adquiriu o status de parceiro em segurança mais importante para os EUA na região Ásia-Pacífico, papel que ainda permite protagonismo, mesmo com a cooperação existente também com Cingapura, Malásia, Indonésia e Vietnã.

Ao longo de um contexto pós-colonial, as Filipinas lidaram com desafios relacionados ao crime, à militância, à pirataria, ao narcotráfico e terrorismo, incluindo a insurgência comunista mais longa registrada pelas mãos do Novo Exército Popular (NPA, na sigla em inglês), e com um movimento separatista muçulmano ativo há décadas em Mindanao, uma região majoritariamente católica.

Hoje, após a vitória eleitoral, o combate às drogas tem recebido maior atenção do Governo, de acordo com agências de assistência humanitária e imprensa internacional. Para John Gershman, especialista em política filipina, Duterte vê o tráfico de drogas e o vício como “grandes obstáculos para o progresso econômico e social das Filipinas”.

Ainda em complemento ao especialista, a guerra às drogas é fundamental na política doméstica do Presidente e representa a extensão das políticas que ele implementou ao longo de sua carreira como prefeito em Davao.

Ao encorajar uma retórica ao público de “seguir em frente e matar” traficantes e adictos, o Estado criou condições para que a população sinta que é apropriado matar, sendo um aval para execuções extrajudiciais que supostamente contam com a participação do que ficou conhecido no país como vigilantes, os quais, juntamente com a Polícia Nacional das Filipinas, realizam varreduras contra suspeitos de tráfico e de usuários.

Presidente Duterte com o ex-presidente Benigno Aquino II, durante encontro de unidades governamentais locais na cidade de Davao, em 2013

Segundo relatório divulgado pelas Nações Unidas em 2012, entre todos os países do Leste Asiático, as Filipinas apresentaram a maior taxa de abuso de metanfetamina. As estimativas mostraram que cerca de 2,2% dos filipinos com idades que variam de 16 a 64 anos usavam um tipo variável de metanfetamina chamado de Shabu.

Desde dezembro de 2016, cerca de 6 mil pessoas morreram, 2.100 nas operações policiais e o restante no que denominaram “mortes sob investigação”, conhecido no país como assassinatos por vigilantes. Há também afirmações veiculadas por órgãos de imprensa local, segundo as quais aproximadamente 500 mil pessoas se entregaram à polícia e mais de 40 mil já foram presas.

Embora os níveis de violência tenham registrados índices crescentes, a política de combate repressiva recebeu alto índice de apoio popular em todas as camadas sociais. A pesquisa nacional mais recente sobre a performance presidencial e avaliações de confiança realizadas no final de 2016, pela Pulse Asia Research, apontou que a aprovação do presidente alcançou 86% e, mesmo alguns entrevistados apresentando preocupações com as mortes, há apoio ao Chefe de Estado devido a sua posição em outras questões, tal como a aplicação de uma agenda econômica relativamente inclusiva, com foco na desigualdade econômica.

Nesse sentido, o apoio a programas e políticas de combate à pobreza ganhou avaliação positiva recente do Banco Mundial, através do último relatório trimestral, pelo trabalho em questões envoltas a desigualdade social e econômica. Porém, para especialistas, elas inviabilizam a sociedade compreender que a guerra às drogas pode ser apenas uma guerra aos mais pobres.

Duterte apresenta gráfico ilustrando uma rede de comércio de drogas durante coletiva de imprensa, em julho de 2016

Nos EUA houve dois momentos distintos quanto a postura do líder filipino. Com Barack Obama, em fim de mandato, houve a crítica de Washington sugerindo uma nova abordagem, o que causou mal-estar e irritou Duterte.

Com Donald Trump eleito Presidente, a retórica de Manila em direção aos Estados Unidos voltou a aquecer. Para alguns analistas isso se deu em parte pelo fato de Duterte apreciar o estilo de Trump e também pelo apoio apresentado em calorosas palavras de apoio à política filipina de combate a traficantes e toxicodependentes, que foi dado em uma ligação telefônica que os dois mantiveram no início de 2017, assim como a falta de mensagem contra os abusos aos direitos humanos, durante a viagem do Secretário de Estado, Rex Tillerson, a Manila, em meados de agosto.

Muitos especialistas nos Estados Unidos acreditam que o posicionamento da Casa Branca visa evitar uma tendência que Duterte tem, em vários graus, de retirar as Filipinas de todas as iniciativas de defesa e segurança, em especial do mais recente Acordo de Cooperação de Defesa Avançada (Enhanced Defense Cooperation Agreement – EDCA), privilegiando o investimento chinês de assistência à infraestrutura, assim como em se recusar a pressionar Beijing sobre suas ações no Mar da China Meridional, mesmo depois de o Tribunal de Arbitragem se pronunciar a favor das demandas de Manila, em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Rodrigo Duterte com o Secretário de Estado Rex Tillerson, em 7 de agosto de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Duterte#/media/File:Secretary_Tillerson_Shakes_Hands_with_President_Rodrigo_Duterte_(36027526740).jpg

Imagem 2Presidente Duterte em conversa com o Diretor Geral da Polícia e principal articulador do programa de combate ao tráfico, Ronald Dela Rosa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Duterte#/media/File:President_Duterte_with_PNP_Chief_Bato_081616.jpg

Imagem 3Presidente Duterte com o expresidente Benigno Aquino II, durante encontro de unidades governamentais locais na cidade de Davao, em 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Duterte#/media/File:Rodrigo_Duterte_Benigno_Aquino_III_03.jpg

Imagem 4Duterte apresenta gráfico ilustrando uma rede de comércio de drogas durante coletiva de imprensa, em julho de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Philippine_Drug_War#/media/File:Rodrigo_Duterte_showing_diagram_of_drug_trade_network_1_7.7.16.jpg

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China implementa sanções da ONU contra Coreia do Norte

No dia 5 de agosto de 2017, o Conselho de Segurança da Organizações das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade nova rodada de sanções econômicas contra a Coreia do Norte (DPRK, sigla em inglês, de Democratic People’s Republic of Korea). Além de banir as exportações norte-coreanas de ferro, minério de ferro, chumbo e frutos do mar, a Resolução 2371 também “expande as sanções financeiras, proibindo a formação de joint ventures e entidades comerciais cooperativas com a DPRK”. Segundo Nikki Haley, Embaixadora dos Estados Unidos na ONU, “essa é a mais rigorosa série de sanções impostas a um país em uma geração”. Por sua vez, o Embaixador da China na organização, Liu Jieyi, declarou durante o voto que “a China pede que a Coreia do Norte se submeta às resoluções do Conselho de Segurança e interrompa qualquer ação que possa escalar as tensões na península”.

Conselho de Segurança das Nações Unidas

Especialistas apontam que a aceitação das sanções por parte da China representa duro golpe para a economia norte-coreana. De acordo com a Korea Trade-Investment Promotion Agency (KOTRA, sigla em inglês), os chineses foram responsáveis por 92,5% do comércio internacional norte-coreano em 2016. Ademais, segundo o periódico estadunidense Washington Post, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 10% entre janeiro e junho deste ano (2017), em comparação com o mesmo período do ano passado.

Todavia, o consenso entre Washington e Beijing em torno da Resolução 2371 pode não ser duradouro. Isso porque o Governo estadunidense iniciou oficialmente investigação acerca de suspeitas de roubo de propriedade intelectual por empresas chinesas no dia 18 de agosto. Em resposta, o periódico oficial do Governo chinês publicou em editorial que “a politização do comércio entre os dois países apenas trará prejuízos econômicos para ambos, bem como irá envenenar de maneira abrangente a relação entre EUA e China”. Além disso, analistas destacam a permanência de tensões entre os dois países acerca dos exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul, bem como sobre instalação do sistema antimísseis americano no sudeste asiático.

Nesse contexto, percebe-se como altamente improvável a alternativa de intervenção militar na Coréia do Norte liderada pelos EUA. Tal opção não só representaria potencial para escalada nuclear, como também a possível destruição da capital da Coreia do Sul por mísseis convencionais detidos por Pyongyang. Assim, conforme destaca o analista Alex Capri, “é tarde demais para retirar à força as ogivas nucleares de Pyongyang: o mundo precisará encontrar outras maneiras de solucionar essa questão”.

Por conta disso, a cooperação diplomática entre Washington e Beijing se apresenta como fundamental para o avanço da desnuclearização do regime liderado por Kim Jong-un. Contudo, caso tensões comerciais e securitárias entre os dois países não sejam mitigadas, a coordenação entre ambos tenderá a se tornar cada vez mais difícil.

Conforme destaca Michael Green, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS, sigla em inglês), “a cooperação estratégica para deter a ameaça nuclear da Coreia do Norte pode transformar as relações bilaterais entre Washington e Beijing, enquanto que o incremento das desconfianças pode endurecer as divisões e acelerar o retorno para uma era de hostilidades”. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fronteira entre China e Coreia do Norte” (Fonte):

https://zh.wikipedia.org/wiki/%E4%B8%AD%E6%9C%9D%E5%85%B3%E7%B3%BB#/media/File:Dandong,_Liaoning_Province.jpg

Imagem 2 Conselho de Segurança das Nações Unidas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Security_Council#/media/File:Barack_Obama_chairs_a_United_Nations_Security_Council_meeting.jpg

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Os 50 anos da ASEAN e a visão do bloco para a integração asiática

Fundada no ano de 1967, através da Declaração de Bangcoc, a Associação das Nações do Sudeste Asiático* (ASEAN) completa 50 anos, em meio a um histórico de êxito. O processo de integração do Sudeste Asiático, local de grande diversidade étnica e cultural, resultou em um cenário no qual 25% do comércio e dos investimentos estrangeiros na região são realizados através de fluxos intrabloco. A ASEAN é uma Área de Livre Comércio, contando com a eliminação ou redução de tarifas e impostos que incidem sobre as mercadorias provenientes dos países membros.

Importações e Exportações dos EUA e da China para a ASEAN no ano de 2014

No contexto de sua criação, o Sudeste Asiático estava passando por um momento turbulento. A Guerra do Vietnã era um grande fator de desestabilização. Adicionalmente, os Estados locais viviam a tensão e disputa entre os blocos globais dominantes, devendo escolher entre a adoção de regimes políticos de cunho socialista ou capitalista. Atualmente, a organização realiza mais de mil reuniões todos os anos e sua agenda cresceu, abarcando temas diversos como educação, saúde, segurança política e cooperação sociocultural. Não obstante, o seu principal caráter continua sendo o plano econômico, tendo em vista que a agenda de novos temas não avança de forma igualmente fluída.  

Isto se deve parcialmente ao estilo asiático de integração, que enfatiza a produção de valores e a geração de uma visão comum para os povos da região, sem necessariamente produzir o adensamento de vínculos normativos. A ênfase na institucionalização formalizada é uma característica dos processos de integração do Ocidente, que encontram sua máxima expressão jurídica na União Europeia. Outra diferenciação no caso asiático é o foco nas relações econômicas, incluindo não apenas o comércio e os investimentos, mas a cooperação entre setores produtivos.

A ASEAN realizou Tratados de Livre Comércio com grandes atores regionais, tais como China, Japão, Índia, entre outros. A Organização possui um plano para a integração do leste asiático até o ano de 2025, visando o aumento da conectividade através da construção de infraestrutura sustentável, da melhoria logística, do aumento da mobilidade de pessoas e com o foco na inovação digital. Para isto pretende-se integrar o setor privado com os setores públicos dos Estados membros, enfatizando a elaboração e execução de planos bem definidos, além da gestão eficaz de recursos e da troca de boas práticas.

O peso e a grande sombra projetada pela China sobre os seus vizinhos afeta a ASEAN em vários sentidos. As tensões no Mar do Sul da China, por exemplo, apresentam desafios à capacidade de concertação e diálogo no âmbito da Organização. Adicionalmente, uma parte considerável de suas reuniões é dedicada para discutir as políticas chinesas e seus impactos regionais. Por isso, a ASEAN deverá enfrentar os desafios de conciliar suas atividades em relação à presença chinesa, avançando suas pautas regionais, buscando igualmente melhorar suas relações com outras potências e, possivelmente, enfatizando o aprofundamento dos temas sociais e de segurança comum.

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

Os membros da ASEAN são: Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Camboja, Laos, Mianmar e Vietnã. Juntos, estes países totalizam um PIB nominal de US$ 2,5 trilhões, conforme os dados de 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da ASEAN ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a3/Khmerasean.png

Imagem 2 Países membros da ASEAN” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/ASEAN-member-countries.jpg

Imagem 3 Importações e Exportações dos EUA e da China para a ASEAN no ano de 2014” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/Figure_3-_U.S._and_Chinese_Trade_in_Goods_with_ASEAN_Countries_by_Use%2C_2014_%2821438915796%29.jpg