AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pivot para Ásia: a cimeira entre os Estados Unidos e a República da Coreia

A projeção dos Estados Unidos para Ásia, conceitualmente conhecida como Pivot para Ásia, arregimentou um novo capítulo nas relações com a República da Coreia (Coréia do Sul). Isso se deu na visita que a presidente coreana Park GeunHye fez a Washington na última semana, ocorrida após a assinatura da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês, de TransPacific Partnership), em Atlanta (Estado da Geórgia), parceria em que onze nações costeiras do Oceano Pacífico* estão presentes, mas que não contempla ainda a participação da Coreia do Sul, que tem como objetivo principal reavivar a tradicional cooperação bilateral com os EUA.

Em Seul, o encontro foi visto em parte como sentimento de compensação pela suspensão da cúpula em junho passado, em virtude da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, na sigla em inglês), e almejou discutir as novas tensões com a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), bem como os impulsos e incentivos ao comércio regional, pois, após o TTP, aumentar o comércio se tornou uma parte fundamental do eixo estratégico de Washington para a Ásia, em especial com a Coreia do Sul.

A conferência entre Obama e Park ainda teve um tom de amenizar a mensagem diplomática que gerou desconforto na Casa Branca e no Departamento de Estado, depois da participação da Presidente sulcoreana no desfile militar em Beijing (China), para marcar o 70º aniversário da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, evento este evitado pelos EUA e outras democracias ocidentais.

Nos objetivos da chancelaria sul-coreana, a participação no evento chinês visa o desenvolvimento de um novo modelo estratégico de política externa, confeccionado pelo Ministério de Relações Exteriores (MOFA, na sigla em inglês), que postula o restabelecimento de laços com os Estados Unidos, em conjunto com a crescente relação com a China, por meio do programa “Northeast Asia Peace and Cooperation Initiative”.

Ao focar nas prerrogativas da Visita de Estado, os dois presidentes discutiram sobre a desnuclearização de Pyongyang e os esforços para punir o lado norte da península com outros dispositivos, uma vez que as Sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as conversações promovidas pelo Bloco formado por Japão, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e China mostraram-se insuficientes. Diante desse quadro, o esforço de aproximação da presidente Park com seu homônimo chinês, Xi Jinping, sugere que Beijing participe mais ativamente dos esforços de unificação que restringiria em partes as provocações do norte.

Para os formuladores de políticas nos Estados Unidos, a aliança US-ROK (Republic of Korea), além de incluir um contingente de vinte e oito mil homens, reforçando o compromisso com a defesa da Coreia do Sul, fortalece a capacidade de Seul lidar com a China e impede a sua absorção para a esfera de influência chinesa, demonstrando que a antiga cooperação, herança da GuerraFria, não é um jogo de soma zero próEUA.

Em adição a tal movimento, a cooperação EUACoreia do Sul partilha de objetivos de reforçar a adesão a normas internacionais na Ásia, através da construção de instituições multilaterais mais vibrantes, dentre as quais aquelas que envolvem a não proliferação nuclear, o uso do direito internacional para resolver disputas regionais e os valores universais dos direitos humanos.

Outros dois pontos importantes que foram discutidos no encontro entre Obama e Park envolvem o interesse sinalizado pelos coreanos do sul quanto ao ingresso na Parceria Transpacífico (TTP), já que o Bloco representará aproximadamente 40% do comércio mundial, e a questão do sistema de defesa de mísseis conhecido como THAAD (Terminal High Altitude Area Defense).

O interesse em reforçar o bloco do TTP surgiu com as oportunidades de elevados níveis de liberalização comercial que o Acordo pode gerar. No que tange ao programa de defesa aérea THAAD, há pontos de atrito, principalmente com Beijing, uma vez que os sistemas antimísseis contemplam radares com alcance de mais de 1.000 km, cobrindo partes da China e da Rússia, assim como cria um guarda-chuva contra eventuais ataques de Pyongyang.

De certo, apenas há que o tom beligerante sempre fará parte das discussões, uma vez que a projeção marítima da China pelo Sudeste Asiático cria fatores de tensão em toda região, que, por enquanto, ainda é monopólio geoestratégico de Washington e seus aliados. A criação de uma Zona de Livre Comércio  do TTP modela preceitos de guerra econômica como parte do jogo de poder que os norte-americanos estão dispostos a investir para manter sua hegemonia nas zonas de influência postuladas pela China.

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* Membros do TransPacific Partnership: Austrália, Canadá, Japão, Malásia, México, Peru, Estados Unidos, Vietnã, Chile, Brunei, Cingapura, Nova Zelândia.

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Imagem (Fonte):

http://thediplomat.com/wp-content/uploads/2015/06/thediplomat_2015-06-17_12-46-56-386×291.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.cfr.org/south-korea/pivotal-us-korea-summit/p37112

Ver:

http://www.brookings.edu/events/2015/10/13-us-korea-presidential-summit

Ver:

https://csis.org/publication/previewing-park-obama-summit-intimacy-and-substance-not-ceremony

Ver:

http://csis.org/event/statesmens-forum-honorable-park-geun-hye-president-republic-korea

Ver:

http://thediplomat.com/2015/10/parks-us-visit-highlights-balancing-act-with-china/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/10/park-geun-hyes-visit-to-washington-major-takeaways/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/10/the-us-korea-summit-take-two-what-park-and-obama-should-talk-about/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/10/south-koreas-other-history-war/

Ver:

http://www.cfr.org/asia-and-pacific/middle-power-korea/p36623

Ver:

http://www.arirang.co.kr/News/News_View.asp?nSeq=184008

Ver:

https://csis.org/publication/mers-outbreak-korea

Ver:

https://csis.org/publication/new-us-rok-123-agreement

 

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Visita de Estado de Xi Jinping a Washington: a questão dos rumos na relação com os EUA

A semana em Washington, primeiramente com a histórica visita do Papa Francisco e, depois, com a recepção de Estado ao presidente chinês Xi Jinping, abriu novas perspectivas em política internacional, dada a importância das mensagens deixadas pelos dois estadistas, que, através de encontros bilaterais, traçaram prognósticos e acalentaram a comunidade internacional com mensagens realistas e estratégicas, cada qual objetivando modelos equilibrados para manutenção de uma ordem internacional multipolar e de cooperação.

A visita do Chefe de Estado chinês aos Estados Unidos tem grande valor simbólico, devido ao momento da relação entre os dois países, classificado por especialistas como desafiante. Os numerosos desafios podem ser superados através de uma agenda colaborativa ampla. Questões como ciberespionagem, as tensões no Mar do Sul da China e a desaceleração econômica de Beijing foram pontos importantes da visita oficial. Por outro lado, questões envoltas à cooperação, como o Tratado Bilateral de Investimento (BIT, na sigla em inglês), a sustentabilidade ambiental, a saúde global e a propagação do terrorismo, temas de agenda comum, ficaram em segundo plano, devido à conjuntura de política interna de ambos os países sofrer com as transições que se darão no próximo par de anos, já que, em 2016, ocorrerá a Eleição Presidencial Estadunidense e, em 2017, o será Congresso do Partido Comunista.

Nesse sentido, a evolução da relação EUAChina não será alcançada nesse período de mudança institucional. A declaração conjunta de intenções sobre os ataques cibernéticos, que foi feita pelos Presidentes na Casa Branca, foi o único tema na complexa agenda dos dois países que pode ser compreendido como tendo obtido avanço nas relações entre ambos os Estados, antes do fim do atual ciclo presidencial. Da mesma forma, pode-se esperar o mesmo também na questão das mudanças climáticas, em que há interesse genuíno em enfrentar os desafios globais e realizar projetos em terceiros países.

Contudo, há uma parte de especialistas em segurança internacional, defesa e estratégia que apontam que o enfoque envolve aprofundar a ferramenta de hard power na política externa norte-americana para a Ásia. Segundo Robert D. Blackwill – que trabalhou com Henry A. Kissinger em assuntos de política externa no Council on Foreign Relations (CFR) –, e Ashley J. Tellis– do Carnegie Endowment for International Peace –, a China representa concorrência e continuará sendo o concorrente mais significativo para os Estados Unidos nas próximas décadas. Diante desse quadro, a necessidade de uma resposta mais coerente da Casa Branca e do Pentágono para o aumento do poder chinês está atrasada.

Ainda de acordo com os especialistas, a revisão da estratégia para China passa pelos entendimentos de que, após o esforço dos ocidentais em integrar o país asiático na ordem internacional liberal, a primazia norte-americana na Ásia acarretou em desafios à hegemonia de Washington e uma nova estratégia em torno do rebalanceamento do poder chinês se faz necessária, em detrimento de sua ascendência.  Isso implicará na limitação dos perigos geoeconômicos e militares que representam os principais modelos de interesses nacionais dos EUA na Ásia. Aliado a tais prerrogativas, revitalizar a economia interna, reforçar o investimento em Defesa, expandir a rede de comércio da Ásia – por exemplo, através do Trans-Pacific Partnership (TPP, na sigla em inglês) –, controlar tecnologias, políticas cibernéticas efetivas e constituir novos parâmetros em diplomacia com Beijing, tornam a estratégia de política externa mais imperativa e a favor dos anseios da alta cúpula governamental de Washington[1].

Mesmo com a possibilidade de programar diretrizes mais assertivas, a iniciativa mais coerente de ambos os Chefes de Estado é tranquilizar os mercados e não alarmá-los. A China está alterando seu modelo econômico baseado em consumo, para um modelo de serviços, o que implicará em um crescimento de PIB mais modesto. Por outra via, o mercado de ações na China, superaquecido, precisava de correção, a fim de evitar o estouro da bolha especulativa. Nessa ótica, um renminbi (Yuan) menos centralizado se fez necessário. Já os Estados Unidos reduziram o desemprego, algo que viabilizou a elevação do consumo e, consequentemente, da produção, auxiliando o crescimento que, por ora, é pequeno, mas constante.

Desta forma, uma eventual disputa hegemônica entre os principais centros econômicos do sistema financeiro internacional desmontaria a ordem vigente, pois já é evidente a simbiose que une as duas nações, distintas, mas que necessitam uma a outra para sobreviver.

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Imagem (Fonte):

http://www.wired.com/wp-content/uploads/2015/09/GettyImages-489888148.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.cfr.org/china/revising-us-grand-strategy-toward-china/p36371

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Ver Também:

http://blogs.cfr.org/asia/2015/09/25/the-xi-obama-summit-the-four-takeaways-and-taglines/

Ver Também:

http://www.cfr.org/china/improve-us-china-relations/p37044

Ver Também:

https://csis.org/publication/key-takeaways-todays-us-china-climate-announcement

Ver Também:

https://csis.org/publication/pacnet-62-chinas-preferred-world-order-what-does-china-want

Ver Também:

http://www.brookings.edu/blogs/order-from-chaos/posts/2015/09/22-will-us-impose-cyber-sanctions-china-lee

Ver Também:

http://www.brookings.edu/events/2015/09/22-challenges-prospects-us-china-relations

Ver Também:

http://www.brookings.edu/about/media-relations/news-releases/2015/0922-brookings-china-council-launches-obama-xi

Ver Também:

http://carnegieendowment.org/2015/09/14/china-us-need-to-deal-with-vital-issues-first/ihkk

Ver Também:

http://thediplomat.com/2015/09/the-significance-of-xi-jinpings-u-s-visit/

Ver Também:

http://thediplomat.com/2015/09/what-to-read-on-xi-jinpings-us-visit/

Ver Também:

http://thediplomat.com/2015/09/6-takeaways-from-xi-jinping-us-visit/

Ver Também:

http://thediplomat.com/2015/09/what-will-the-xi-obama-summit-really-deliver/

 

ÁFRICAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Moçambique e Índia devem ampliar cooperação econômica e na área de Defesa

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, iniciou ontem, quarta-feira, dia 5 de agosto, sua visita a Índia[1], onde ficará até sábado, dia 8. A agenda tem como foco principal uma Visita de Estado, a convite do seu homólogo indiano, Pranab Mukherjee, com objetivo de reforçar a cooperação bilateral.

Nyusi também participará de dois Fóruns de Negócios na cidade de NovaDelhi e no Estado de Gujarat, além de visitas a empreendimentos econômicos ligados aos setores energético e da agricultura[1].

A área de Defesa também é um importante tópico a ser abordado pela Índia e Moçambique, em especial a cooperação em segurança marítima. Neste sentido, grupos de trabalho dos dois países vão se reunir em breve para elaborar conjuntamente as linhas estratégicas que nortearão a colaboração na área da Defesa[2].

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Imagem (Fonte):

http://www.miramar.co.mz/var/ezflow_site/storage/images/jornalismo/balanco-geral/destaques-10-de-abril/mocambique-e-india-reforcam-cooperacao/108164-1-por-MZ/Mocambique-e-India-reforcam-cooperacao_medium.png

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 [1] Ver:

http://www.portaldogoverno.gov.mz/por/Imprensa/Noticias/Presidente-Nyusi-visita-India

[2] Ver:

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=785099

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Mianmar e Sri Lanka para a política externa estadunidense

A prerrogativa fundamental para qualquer nação que projeta seu poder além-fronteiras é acoplar ao seu guarda-chuva de ordem o número máximo de atores para que o status quo e influências sejam o alicerce garantidor do cumprimento dos interesses políticos e principalmente econômicos que darão sustentação ao seu projeto hegemônico.

Na política externa norte-americana não é diferente. Como ainda é a principal potência econômica, política e militar, sua projeção é assegurada através de um projeto diplomático que sustente as bases do seu poder. Nesse sentido, tem recebido atenção pela conjuntura estratégica que potencializam dois países sobre cujas culturas, valores, modos de vida, composições sociais e até mesmo localizações pouco se houve falar pela mídia e especialistas em relações Internacionais.

Sri Lanka e Mianmar são duas nações localizadas ao Sul da Ásia Continental que aceitaram e lutaram pela adoção de um sistema político mais democrático. O Sri Lanka, do presidente Maithripala Sirisena, passará por eleições parlamentares em 17 de agosto, que determinarão se as reformas impostas por ele irão se consolidar. Em Mianmar o mesmo acontecerá em 8 de novembro, algo que promete ser uma mudança completa de rumos, caso o partido de Aung San Suu Kyi chegue ao poder e inicie a transição com a ditadura militar que comanda o país a décadas.

No contexto estratégico, o resultado das eleições em ambos os países são importantes para o mundo, porém mais importantes para a região. Com o rápido desenvolvimento socioeconômico e estrutural, Naypyidaw (capital de Myanmar) e Kotte (capital do Sri Lanka) são partes de iniciativas para se tornarem centros de transporte chave para o Sul e Sudeste da Ásia, tirando-os do isolamento político que acarretará em oportunidades de investimentos. Ainda dentro dessa prerrogativa, centros de estudos estratégicos ocidentais observam o crescimento do PIB anual acima de 6%, número este alcançado por escolherem um modelo econômico menos centralizado nas mãos do Estado.

Com as reformas acontecendo em bom ritmo em dois centros distintos de uma mesma região, o interesse internacional está aumentando na mesma proporção. A China, nos últimos anos, tem investido em projetos econômicos de grande porte e iniciativas militares. Submarinos visitaram o Sri Lanka e a venda de armas e apoio em treinamento militar em Mianmar serviram apenas como tentativa de aprofundamento das relações, haja vista que não passaram inicialmente de tentativas, pois a desconfiança com Beijing vem pela identificação dos chineses com os regimes autoritários anteriores[1].

Por outro lado, Estados Unidos e Japão desfrutam de um pouco mais de crédito, pois financiaram projetos de infraestrutura e formação profissional. Tóquio apoia iniciativas de progresso democrático e contribui com o desenvolvimento econômico, tendo como exemplo mais expressivo os cerca de cinquenta conselheiros destacados para assessorar os ministérios de Mianmar para construir um novo modelo de governança.

Washington, por sua vez, investe em visitas com representantes da alta cúpula da Casa Branca, com o próprio presidente Barack Obama e o secretário de estado John Kerry, além de o Congresso NorteAmericano colaborar com projetos administrativos para suspensão de uma série de sanções adotadas, principalmente contra as atrocidades humanitárias da ditadura militar e em prol de uma solução conciliadora com a minoria Tâmil, em Mianmar e Sri Lanka, respectivamente.

Contudo, Washington deixou claro que novos progressos nas relações bilaterais com ambos os atores depende da implementação dos resultados das eleições e a realização de um cessar-fogo nacional conjuntamente com as minorias étnicas.

O Governo de Mianmar quer relações normais com os estadunidenses, porém, para que isso aconteça, serão necessários alguns passos fundamentais, dentre os quais: uma abordagem mais democrática por parte dos governantes em Naypyidaw e respeito aos direitos humanos, para que uma abordagem mais comercial e econômica possa ser formalizada dentro da nova agenda da relação bilateral[2].

De forma distinta, a posição com o Sri Lanka é em termos menos rigorosa. Após a queda do regime opressivo de MahindaRajapaksa, o presidente Maithripala Sirisena recebeu a visita do secretário de estado John Kerry e essa postura de congratulação a um presidente moderado faz o Sri Lanka projetar uma relação sólida com mais atração de investimento internacional ao país e, como no caso de Mianmar, o progresso depende de fatores domésticos, principalmente o combate à corrupção governamental e a reconciliação com a minoria Tâmil.

A proposta clara da política externa norte-americana é arregimentar os dois atores à política de “Pivot para Ásia,”, ou seja, não deixar a influência chinesa atrapalhar a aproximação de Washington, nesse momento de transição, que com auxílio do primeiroministro Shinzo Abe pretende equalizar qualquer tentativa de Beijing de desfrutar dos novos rumos das duas nações. Entretanto, é sabido que a política para Mianmar e Sri Lanka passará primeiramente pela manipulação para que depois as promessas de melhores relações bilaterais futuras se consolidem.

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Imagem (Fonte):

http://cdn.theatlantic.com/static/mt/assets/jamesfallows/ap-myanmar-us-obama_001-4_3_r560.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://thediplomat.com/2015/07/the-american-stake-in-myanmar-and-sri-lanka/

[2] Ver:

http://thediplomat.com/2015/07/the-american-stake-in-myanmar-and-sri-lanka/http://carnegieendowment.org/2014/09/09/what-myanmar-means-for-u.s.-japan-alliance/ho8q

Ver também:

http://carnegieendowment.org/2015/01/16/what-sri-lanka-s-presidential-election-means-for-foreign-policy/hzh0

Ver também:

http://thediplomat.com/2015/06/u-s-asia-policy-the-africa-asia-angle/

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A nova rota da seda como prefácio de reestruturação da ordem mundial

A nova rota da seda, termo utilizado pela literatura geopolítica para classificar um novo nível de parceria estratégica, traz à tona uma reflexão sobre a possibilidade desse modelo reestruturar a ordem internacional, tal como é conhecida desde o início do século XX.

A analogia com a antiga rota da seda, originada com a expansão para o Oeste da Dinastia Han, da China, criou conexões comerciais no que são hoje países da Ásia Central, Quirguistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Afeganistão, Paquistão, chegando até a Índia, ao sul. Para alguns historiadores, a Ásia Central foi o epicentro da globalização, conectando mercados no Oriente e Ocidente, estimulando riquezas, promovendo misturas culturais e religiosas. Nesse sentido, o intercâmbio propiciado gerava trocas comerciais valiosas, seda, especiarias e outras mercadorias rumavam para o oeste, enquanto a China recebia ouro, metais preciosos, marfim e produtos a base de vidro.

New Silk Roats

New Silk Roats

Para os atuais dias, o conceito de New Silk Road (Nova Rota da Seda) vincula não apenas um entrelaçado de iniciativas de integração econômica e comercial da Ásia Central à Europa, mas um complexo entendimento de como as relações internacionais, principalmente entre Estados Unidos e China, por razões distintas podem mudar os rumos da condução política internacional.

Em meados de 2011, Washington lançou visão abrangente sobre um novo modelo de integração econômica asiática, um modelo de política externa de viés econômico, cujo enfoque era diminuir sua influência no Oriente Médio e projetar seus interesses para regiões mais prósperas de comércio, e, por conseguinte, a Ásia, pela estabilidade e pela pujança econômica, passou a ser foco dos interesses norte-americanos, até como parte de um modelo sustentável para preservar o status de superpotência mundial, fragilizado após a crise financeira de 2008.

Entretanto, no outro lado da balança de poder está a China, que, na figura do presidente Xi Jinping, no ano de 2013, foi mais assertivo na articulação de uma interpretação própria da Nova Rota da Seda, liderada pela China, e que tinha o propósito de agilizar o comércio exterior, assegurar o abastecimento de energia, promover o desenvolvimento da infraestrutura asiática e consolidar a influência regional, projetando o poder de Beijing sobre seus pares regionais.

Essa potencial nova vertente de reconfiguração das disposições geopolíticas e comerciais é interpretado como colisão, sobretudo entre norteamericanos e chineses, com planos destacadamente antagônicos para desenvolvimento de matrizes energéticas na Ásia Central, na criação de infraestrutura no Paquistão e no envolvimento político com os governos locais de outras áreas na Eurásia.

Embora tais projetos tenham o potencial para remodelar uma das áreas menos integradas do atual sistema internacional, o capital político e os investimentos econômicos a serem feitos devem ser calculados com base na possibilidade de enfrentamento de rivalidades locais, obstáculos logísticos, além do risco em segurança e incertezas políticas.

Os Estados Unidos tem como iniciativa para o centro da Ásia a proposta do Gasoduto TurcomenistãoAfeganistãoPaquistãoÍndia (TAPI, na sigla em inglês) vislumbrando dividendos para o Afeganistão, ainda foco da política externa da Casa Branca, e, como o Turcomenistão é o segundo maior depositário de reservas de gás natural do mundo, a diversificação das suas exportações através do TAPI lhe permitiria integração com a Índia e o Paquistão e não apenas com a China. Diminuir a influência econômica de Beijing é o grande fator da estratégia dessa integração.

A explícita batalha diplomática, política e econômica entre Orientais e Ocidentais sobre os rumos da Nova Rota da Seda fez com que a China em 2014 concluísse investimento na ordem de US$ 30 bilhões com o Cazaquistão, US$ 15 bilhões com o Uzbequistão e US$ 3 bilhões com o Quirguistão, bem como financiamento de US$ 1,4 bilhão na reforma do porto de Colombo, capital do Sri Lanka, além de anunciar criação de um fundo, o Fundo da Estrada da Seda (Silk Road Fund), na ordem de US$ 40 bilhões.

A estratégia é um esforço de duas pontas. A primeira centra-se no desenvolvimento da infraestrutura terrestre da Ásia Central e a segunda na expansão das rotas de transporte marítimo, usando o Oceano Índico e o Golfo Pérsico como corredor da Rota Marítima da Seda.

Dentro da ótica chinesa de projeção hegemônica, a congruência política com a Rússia é um fator a mais para consolidar as estratégias de integração, não apenas nos aspectos energéticos, mas na esfera da Defesa, investimento, finanças e alta tecnologia. No âmbito da Cooperação RússiaChina (Organização de Cooperação de Shanghai SCO, na sigla em inglês) o alcance da parceria ganha uma proporção mais ampla, a julgar pela Iniciativa de Transporte Euroasiática, uma estrada de ferro de alta velocidade transiberiana, conectando Moscou e Pequim a todo o resto do bloco em 48 horas.

Enquanto isso, para o novo Secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, que descreve a região da Nova Rota da Seda como “esta parte do mundo”, a medida mais plausível de reequilíbrio de forças, seguindo a cartilha do conceito de realismo de Hans Morgenthau no livro a “A Política entre Nações”, é implantar novas armas, Sistemas de Defesa Antimísseis (THAAD), bombardeiros invisíveis e unidades cibernéticas de guerra, medidas provavelmente pouco eficientes diante do surgimento da cooperação econômica eurasiana.

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Imagem 1 (Fonte):

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01552/silk_1552089c.jpg

Imagem 2 (Fonte):

http://si.wsj.net/public/resources/images/P1-BR865_CAPEC_16U_20141107194517.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://sputniknews.com/columnists/20150410/1020714196.html

Ver:

http://www.cfr.org/asia-and-pacific/building-new-silk-road/p36573

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http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2015/06/the-blame-trap/392081/

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http://www.cfr.org/russian-federation/russia-ukraine-us-policy/p36485

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http://blogs.cfr.org/davidson/2015/05/27/five-takeaways-from-chinas-bold-new-military-strategy/

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https://csis.org/publication/us-trainers-ukraine

Ver:

http://revistafal.com/el-banco-brics-por-una-globalizacion-con-menos-desigualdades-2/

Ver:

http://revistafal.com/nuevo-orden-mundial/

Ver:

http://www.ess.uci.edu/~oliver/silk.html#3

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O papel geopolítico do Canal da Nicarágua

As transformações em curso da geopolítica estão a demonstrar que apesar dos esforços em constituir uma frente multipolar do sistema internacional, com mais integração econômica e ampliação de blocos já constituídos, o lapso bipolar protagonizado por ora entre Estados Unidos e China ainda reflete muito sobre as prerrogativas de manutenção da ordem vigente, ou ensaio para um modelo cujo enfoque hegemônico chinês ganha terreno à medida que suas oportunidades comerciais e econômicas convergem para os jardins reconhecidamente de cuidados norte-americanos.

A última semana foi apenas mais um exemplo dessa tendência de Beijing. O giro do premiê Li Keqiang de oito dias pela América Latina, começando pelo Brasil, fortalece o modo de pensar e agir dos chineses, ou seja, a América Latina está para a China, assim a Ásia, especialmente o Sudeste Asiático, está atualmente para os Estados Unidos.

Aqui, no Brasil, o PrimeiroMinistro chinês assinou 37 acordos comerciais, totalizando investimentos na ordem de, aproximadamente, US$ 53 bilhões e outros tantos investimentos serão feitos na América Latina, principalmente em energia, mineração, infraestrutura e logística, segmentos estratégicos que, além de promoverem o auxílio na esfera econômica, irão facilitar as trocas comerciais e o escoamento das commodities por produtos manufaturados.

O destaque maior e o passo mais audacioso dado pela China dentro de uma zona de influência norte-americana estão a cargo da construção do Canal da Nicarágua, empreendimento privado conduzido pela Hong Kong Nicaragua Development  (HKND, na sigla em inglês), uma empresa criada especialmente para desenvolver o projeto e executar a obra. Para especialistas sul-americanos, chineses e norte-americanos consultados, há entendimentos sobre a participação direta do governo do presidente Xi Xinping e do premiê Li Keqiang, uma vez que é notório o interesse oriental na porção central e sul do continente latino-americano, através da formalização de acordos com quase todos os países da região e organismos regionais com a Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos (CELAC).

No tocante a um modelo alternativo de imperialismo, esta consolidação chinesa em zona de influência norte-americana estruturada e modelada ao longo dos séculos XIX e XX, além do reordenamento geopolítico, os governos mais a esquerda do continente entendem como uma parceria que poderá render menos dependência e intervencionismos, uma interpretação semelhante quando enxergavam os Estados Unidos como alternativa ao império britânico, ou espanhol.

A Casa Branca e o Departamento de Estado não assumiram uma posição definitiva sobre o alargamento e aprofundamento das relações entre China e América Latina. De modo geral, reconhecem os benefícios comerciais que os acordos podem gerar, não limitando sua mensagem a julgamentos geopolíticos, contudo, a elevada assertividade chinesa será acompanhada.

Nesse sentido, o Canal da Nicarágua, um concorrente ao tradicional Canal do Panamá, traz uma lógica geopolítica muito latente para o contexto internacional vigente atualmente. Assim como o canal panamenho, construído primeiramente por franceses e concluído por americanos, que em troca receberam por 100 anos o seu controle jurisdicional, a China pretende realizar o mesmo, não apenas como facilitador do escoamento de seus produtos industrializados e commodities, mas também com viés estratégico militar.

Em números, o projeto anunciado em meados de 2014 terá 278 quilômetros de extensão, do Mar do Caribe, cruzando o Rio San Juan, até chegar ao Lago Cocibolca, cartão postal nicaraguense e segundo maior lago de água doce da América Latina. O projeto contempla ainda desvios que tornarão o Rio San Juan navegável para a geração de supercargueiros que pretendem cruzar o canal transoceânico, bem como obras no Cocibolca, como uma conexão através do Istmo de Rivas, ligando o lago a costa do Pacífico. O projeto visa ainda a construção de postos de águas profundas nos dois extremos do canal, nas cidades de Punta Gorda (leste) e Brito (oeste).

A oportunidade está em superar o Canal do Panamá, que, mesmo passando por reforma, não será capaz de acolher cargueiros de mais de 110 mil toneladas. Já o canal nicaraguense, segundo dados pesquisados, poderá atender uma demanda de cargueiros de 250 mil toneladas com até 455 metros de comprimento, conhecidos como “póspósPanamax”*, que carregam o limite máximo de até 14 mil contêineres.

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* PósPanamax é o conceito adotada pelo autoridades administrativas do Canal do Panamá para referendar que após a reforma seria possível atender uma nova geração de navios. O póspósPanamax é uma forma alusiva encontrada para afirmar que os navios que serão demandados no novo canal serão ainda maiores e mais sofisticados que aqueles que o canal panamenho tem como mercado.

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Imagem (Fonte):

http://3ifens4cgl18qkegle4lel1b.wpengine.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2015/01/76119331_20140708_nicaragua_canal_624-600×350.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://hknd-group.com/portal.php?mod=list&catid=35

Ver:

http://www.cfr.org/infrastructure/nicaraguas-grand-canal/p36468

Ver:

https://csis.org/multimedia/video-conversation-jorge-l-quijano-ceo-panama-canal-authority

Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/brookings-now/posts/2014/07/278-km-transoceanic-canal-brookings-data-now

Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/up-front/posts/2014/07/08-transoceanic-canal-nicaragua-feinberg

Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150520_china_visita_america_latina_rb

Ver:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1729

Ver:

http://redelatinamerica.cartacapital.com.br/o-canal-da-nicaragua-e-o-risco-de-um-novo-imperialismo/