ÁFRICAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A China e as relações inter-partidárias com a África

Em geral, há uma grande crença de que o objetivo último do engajamento da “República Popular da China” (RPC) no continente africano é a economia e não a política, principalmente desde 2009, quando a China eclipsou os “Estados Unidos da América” (EUA) como o principal parceiro comercial da África.

Em realidade, o país asiático foi o maior investidor em alguns países, como Zimbábue, em 2013[1], ou em 2012, quando foi o maior credor de Moçambique[2]. Por esse fato, a questão política não é posta na equação dos motivos que levam Pequim a massificar a sua presença naquele continente e poucos percebem que também há uma relação entre os partidos políticos africanos com o partido no poder na China, que serve de base para sustentar as relações inter Estados e garantir ganhos econômicos para os respectivos países.

As relações entre o “Partido Comunista Chinês” (PCC) e os partidos políticos africanos datam dos finais dos anos 1950, depois da “Conferência do Bandung”, em 1955, quando a China teve o primeiro contato com líderes da África. Mas, devido ao contexto da “Guerra Fria”, ao fato de Taiwan ocupar o lugar da “China Popular” na “Organização das Nações Unidas” (ONU) e de haver a rivalidade política e estratégica Sino-Soviética, os contatos políticos entre a China e a África sempre tiveram problemas, principalmente com os “Movimentos de Libertação Nacional” (MLN) ora em voga, em particular na “África Austral”, nos anos 60 e 70[3].

Só a partir dos fins da década 70 é que o PCC decidiu dar mais ênfase ao relacionamento com os partidos dos antigos MLN com a aprovação da nova política diplomática do partido. O líder reformista chinês, Deng Xiaoping, nomeou em 1978 “os quatro princípios” que até hoje guiam o estabelecimento de relações com partidos políticos estrangeiros: “a independência”, “a igualdade”, “o respeito mútuo” e “a não interferência nos assuntos internos de outros países[3]

O mote principal era contrariar “o sucesso diplomático da União Soviética na África, principalmente depois do caso angolano de 1975-1976. Também a questão da abertura da China ao capital estrangeiro, que deu resultado ao que é o país hoje em termos econômicos, justificou o abandono da ideologia no relacionamento com os partidos políticos dos países africanos e não só. Devido a isso até 1988 o PCC já cooperava com mais de 40 partidos africanos no poder[4].

Com o fim da “Guerra Fria”, o desmembramento da “União Soviética”, a introdução da democracia ocidental na África, a intensificação da globalização e o avanço de Taiwan no continente levaram o PCC no seu “15º Congresso” de 1997 a decidir aceitar estabelecer amizade com quaisquer partidos políticos, estejam eles no poder ou na oposição, mas desde que respeitem a política “Uma só China”, quer dizer, não reconheçam Taiwan como um país separado da “China Continental”.

Considerando a situação atual do Partido e da China, pode-se afirmar que a estratégia deu resultados positivos. Até 2008, a China havia conseguido baixar para 4 o número de países africanos com relações diplomáticas com Taiwan, contra os mais de 10 dos anos 90[5]. O PCC mantinha até 2012 relações com 81 partidos da África, mais da metade no governo e a outra parte na coalizão governamental ou na oposição[6].

Para manter um contato permanente com as lideranças dos partidos amigos, o “Partido Comunista da China” tem um plano que garante que, anualmente, importantes figuras do partido (níveis central e provincial) efetuem 10 visitas ao continente africano. O PCC também cria condições logísticas para acolher 20 delegações de partidos africanos na China[6]

Com a criação do FOCAC (sigla inglesa para o “Fórum de Cooperação China-África”) em 2000, o “Partido Comunista” passou a desempenhar um papel importante na diplomacia econômica do país. Líderes comunistas ao nível central e provincial levando consigo homens de negócios nas suas viagens à África conseguem concluir acordos econômicos fabulosos.

Exemplos incluem o papel de um membro do “Comitê Permanente do Bureau Político do PCC” que conseguiu a assinatura de um acordo bilionário no Gabão, durante a sua viagem de 2006; outro membro da mesma hierarquia teve um papel de destaque em 2009 num acordo de cooperação em 10 áreas econômicas no Sudão[7].

Na visita a Moçambique em 2005, o líder do PCC na “Província de Hubei” conseguiu estabelecer cooperação na área de agricultura que depois se estendeu para a mineração e indústria manufatureira. O chefe provincial do Partido em Guangdong, durante a sua estadia na África em 2004 e 2007, apoiou empresários chineses a amealharem contratos avaliados em 2,4 bilhões de dólares de e 3,4 bilhões de dólares, respectivamente[7].

O PCC também se preocupa em criar Fóruns políticos e econômicos com o objetivo de engajar ainda mas o continente africano e criar mais oportunidades para os homens de negócios. É nesse âmbito que, em 2010, em Pequim, se organizou o “Fórum China-África de Cooperação na Agricultura”, no qual cerca de 130 representantes de partidos políticos de18 países africanos participaram e discutiram com os chineses as oportunidades e desafios da cooperação sino-africana no setor de agricultura[7].   

Outra iniciativa que o PCC apoiou foi a oficialização em Windhoek (capital da Namíbia) em 2011 no “Fórum China-África de Jovens Líderes”, no qual a juventude de partidos políticos de 18 países africanos mais a China tomaram parte[8]. No segundo encontro, realizado na capital chinesa (Pequim), em 2012, o mesmo Fórum teve a presença de 38 países representantes mais a China[7]. O intuito desta organização é garantir que as relações China-África melhorem ainda mais e os futuros líderes africanos se tornem mais favoráveis aos chineses. É uma estratégia que prova que a China está no continente para ficar.

Em 2013, o “Vice-Ministro do Departamento Internacional do Partido Comunista da China” participou de dois encontros de partidos políticos africanos. O primeiro foi em abril, em Cartum (capital do Sudão), quando representantes de 34 países criaram o “Conselho de Partido Políticos Africanos[9]. O segundo aconteceu em outubro, na capital tanzaniana, “Dar es Salaam”, onde ele presenciou a “6ª Sessão da Reunião dos Secretários-Gerais dos Antigos Movimentos de Libertação da África Austral[10].

A participação de uma figura importante do PCC tem um significado histórico. A China teve um papel preponderante na luta que esses movimentos travaram contra o colonialismo, imperialismo e racismo, através do seu apoio moral, político, material e militar.

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Imagem (Fonte):

http://www.idcpc.org.cn/duiwai/niandugaikuang/2008/080528.htm

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Fontes consultadas

[1] Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2013/09/27/china-foi-o-maior-pais-credor-de-mocambique-em-2012/

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/09/11/us-zimbabwe-economy-idUSBRE98A10M20130911

 [3] Ver:

LI, A. China’s new policy toward Africa. In: ROTBERG, R. I. (edit.). China into Africa: Trade, Aid, and Influence. Washington: Brookings Institution Press, p. 23-24, 2008.

[4] Ver:

http://www.chinatoday.com.cn/ctenglish/report/2012-10/19/content_490616.htm

[5] Ver:

BRAUTIGAM, D. The dragon’s gift: The real story of China in Africa. Oxford: Oxford University Press, p. 67-70, 2009; RIGGER, S. Party politics and Taiwan’s external relations. Orbis, Philadelphia, vol. 49, n. 3, p. 423, 2005.

[6] Ver:

http://www.idcpc.org.cn/english/special%20reports/120719.htm

[7] Ver:

http://www.chinatoday.com.cn/ctenglish/report/2012-10/19/content_490616_3.htm

[8] Ver:

http://www.chinatoday.com.cn/ctenglish/report/2012-10/19/content_490616_2.htm

[9] Ver:

http://allafrica.com/stories/201305131329.html

[10] Ver:

http://www.idcpc.org.cn/english/news/131010.htm

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Sinais de tensão no Líbano

Dois meses após a explosão de carros-bomba no Líbano, as “Forças de Segurança” daquele país desativaram, na última segunda-feira, 14 de outubro, mais um veículo armadilhado. O automóvel utilizado para a explosão estava estacionado no subúrbio ao Sul de Beirute, no bairro de al-Maamoura-al-Mreije, uma área considerada como reduto do grupo xiita Hezbollah[1]. A descoberta do carro-bomba, pelas “Forças de Segurança” libanesas aconteceu no início do feriado de Eid al-Adha, o segundo feriado mais importante do mundo muçulmano, que se comemora durante quatro dias e marca o fim da peregrinação a Meca, o quinto pilar do Islã[2].

Na verdade, os carros-bomba não constituem uma novidade no Líbano. Os meses de julho e agosto ficaram marcados por explosões desse tipo de artefatos em Beirute, deixando mortos e feridos. Em setembro, as “Forças Armadas” libanesas se movimentaram em direção ao local antes dominado pelo Hezbollah e passaram a controlar aquele território, mas essa ação não eliminou a possibilidade de existência de mais explosivos na capital do país.

Atualmente, as ameaças se desenvolvem no Líbano, em paralelo com as disputas religiosas e ideológicas, que conduzem à rivalidade, principalmente entre os sunitas e os xiitas. Elas intensificaram a rejeição mútua em decorrência da Guerra Civil síria. Enquanto os sunitas apoiam a oposição síria, os xiitas apoiam o governo de Bashar al-Assad e se juntaram às forças leais ao governo[3].

A união dos xiitas com o presidente sírio Bashar al-Assad, para derrotar militarmente a maioria sunita naquela guerra, tem gerado ressentimentos entre os sunitas libaneses[4]. Segundo informações, os últimos acontecimentos no Líbano são vistos como um sinal de tensão crescente entre grupos internos que vem se agravando com a Guerra Civilna Síria[5]. Isto altera o cotidiano da sociedade libanesa e ameaça a frágil estabilidade do país.

Se a tendência da violência através de carros armadilhados persistir, o Líbano enfrentará o agravamento das tensões entre os grupos oponentes e a desconfiança ganhará fôlego. As rivalidades internas, alimentadas pelo conflito vizinho, criam uma situação explosiva que afeta toda a sociedade. É fundamental, neste momento, a manutenção da tolerância possível entre os grupos rivais e a preocupação com a sociedade em geral, pois este é o meio de matar as tensões existentes e reduzir as possibilidades de conflitos internos, evitando, assim, uma maior influência, direta ou indireta, da “Guerra Civil” que se desenvolve no país vizinho.

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Imagem (Fonte):

http://i.dawn.com/large/2013/08/5217737548788.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/internacional/Bomba_e_achada_em_reduto_do_Hezbollah_no_Libano_na_vespera_de_feriado_muculmano.html?cid=37112644

[2] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

[3] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/10/1356593-carro-bomba-e-desativado-em-reduto-do-hizbullah-no-libano.shtml

[4] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

           

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China receberá autoridades russa e canadense para diálogo

Entre os dias 18 e 24 deste mês de outubro, a China receberá visitas oficiais da Rússia e do Canadá. O primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev e o Governador-Geral do Canadá, David Johnston, encontrar-se-ão com o presidente Xi Jinping e com o primeiro-ministro Li Keqiang a convite desses parceiros chineses.

A visita da autoridade russa já é comum, pois todo ano ocorre a “Reunião de Premiers China-Rússia” e, entre os dias 22 e 23, será realizada a sua 18a edição. Temas comuns ligados a segurança regional, segurança comercial e sobre a cooperação entre os dois países serão postos em pauta e o evento será aberto para a população e para internautas chineses que terão espaço para realizar perguntas direcionadas às autoridades.

Diferente da visita russa em solo chinês, o Canadá não tem laços de amizade tão intensas com Beijing e os recentes casos de espionagem denunciados, envolvendo os “Estados Unidos” e o Canadá, tornam o diálogo mais pragmático. Johnston tem por objetivo estreitar mais as relações bilaterais entre os dois países, relações que completam 43 anos e tem o país asiático como o maior parceiro comercial canadense.

Para os chineses, as duas visitas são vistas como significativamente importantes, mantendo a política chinesa de manter boas relações com as principais economias em todo o globo.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://pm.gc.ca/eng/news/2013/10/09/pm-announces-governor-general-state-visits-china-and-mongolia

Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/10/14/1s173651.htm

Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/10/14/1s173656.htm

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AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Xadrez geopolítico Norte-Americano na “Península Coreana”

Durante o encontro entre o “Secretário de Defesa dos Estados Unidos”, Chuck Hagel, e seu homônimo sul-coreano Kim Kwan-jin, em 2 de outubro, foi celebrado um novo acordo estratégico-militar para combater a por eles denominada “frente insana norte-coreana” e seu desejo de produzir artefatos nucleares como forma de agressão aos países que fazem frente ao seu programa nuclear. Nesse sentido, o jogo de xadrez e paciência geopolítica aos quais os “Estados Unidos” estão submetidos com a “Península Coreana” ganha mais um capítulo.

Historicamente esta união revela resquício do período da “Guerra Fria”, mais precisamente da “Guerra na Coreia”, em que o país teve ativa participação para não perder sua zona de influência para o “Bloco Comunista” soviético e chinês e, por conseguinte, causar um desequilíbrio de forças do sistema internacional bipolar da época.

Nos dias atuais, a questão “Norte-Coreana” tem causado preocupação sazonal à mídia, mas constante para os governos de “Estados Unidos”, “Coréia do Sul”, Japão, China, Rússia e o bloco europeu (“União Europeia”) devido às declarações do líder norte-coreano, um ditador jovem e considerado inexperiente (“Kim Jong Um”), recém-empossado no poder (assumiu o controle do “Partido Comunista e da Nação após a morte de seu pai, “Kim Jong Il” em 2011) que insiste na mesma temática falida de seu avô e seu pai (Kim Il Sung e Kim Jong Il, respectivamente) quanto ao programa nuclear e o “direito” a autodefesa através da construção de um arsenal atômico alegadamente capaz de liquidar o imperialismo norte-americano.

Mediante essa linha de raciocínio das lideranças da nação norte-coreana, os “Estados Unidos” tem discorrido sobre a questão nuclear de forma precisa e constante independentemente da corrente que estiver governando em Washington, sem dar espaço ao Politburo de Pyongyang de se firmar frente a alguma possibilidade de flexibilização estadunidense ao projeto de nuclearização da nação Comunista.

Nessa conjuntura, algumas tentativas ao longo do tempo já foram testadas como a “Korean Peninsula Energy Development Organization” (KEDO, na sigla em inglês), um acordo assinado em 1994 pelos “Estados Unidos” (durante o “Governo Bill Clinton”) e pela “República Popular da Coréia do Norte” (sob o “Governo Kim Il Sung”) com o objetivo de desmantelar seu programa nuclear no que tange o encerramento total das atividades em troca de financiar a construção de dois reatores de água leve, investir em fontes alternativas de energia, principalmente na forma de óleo combustível, seguir os padrões de segurança nuclear e do meio ambiente, além de outras medidas necessárias para evitar uma catástrofe nuclear.

Todavia esse acordo além de outros tantos já assinados a partir de 1994 não tiveram o mesmo sucesso, pois volta e meia à “Coréia do Norte”, sem verba para sustentar o próprio povo, voltava à carga nas ameaças aos seus vizinhos do sul, bem como aos “Estados Unidos”, pois clandestinamente reativavam seu programa nuclear para uma vez detectado pelos serviços de inteligências dos países envolvidos nas conversações (leia-se “Estados Unidos”, Japão, “Coréia do Sul”, China, Rússia e “União Europeia”) barganhasse divisas para dar conta das necessidades governamentais.  Ou seja, na visão muitas vezes deflagrada pelos próprios norte-coreanos a ideia é angariar fundos usando o programa nuclear como ferramenta de ameaça contra seus pares no Oriente e no Ocidente que acabam cedendo financeiramente.

De certo é que o xadrez geopolítico da região não privilegia um conflito armado no curto e médio prazo, principalmente pelos atores da região estarem mais preocupados com a situação econômica de seus respectivos estados. A China não tem interesse em uma disputa armada por acreditar que pode afetar sua estabilidade econômica, que, para suprir toda a massa da sociedade cada vez mais urbana, precisa se manter em crescimento na casa dos 10% ano. O Japão procura uma retomada econômica desde sua recessão no final dos anos 90. Quanto aos “Estados Unidos”, a postura é de atenção aos movimentos, entretanto direcionando os esforços para reestruturação econômica, bem como para o interminável jogo de xadrez no “Oriente Médio” que exige muita energia político-estratégico da “Casa Branca”.

Por fim, ainda analisando a postura de Washington para com Pyongyang, o cenário está direcionado para políticas pontuais de contenção das ameaças, com rodadas de negociações, embargos econômicos, por meio de sanções impostas pela ONU e recados em linguagem prática através de exercícios militares conjuntos com forças sul-coreanas e japonesas, cujo objetivo principal é a demonstração de força para o governo militar de Kim Jong Un.

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Imagem (Fonte):

http://m.ruvr.ru/data/2013/03/26/1326867596/266649.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,eua-e-coreia-do-sul-assinam-pacto-para-deter-escalada-nuclear-norte-coreana,1081238,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,instituto-reforca-indicios-de-atividade-em-reator-da-coreia-do-norte,1081246,0.htm

Ver:

http://www.nti.org/treaties-and-regimes/korean-peninsula-energy-development-organization-kedo/

Ver:

http://www.kedo.org/

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,exercicios-de-eua-japao-e-coreia-do-sul-sao-adiados,1083326,0.htm

Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/10/09/kim-jong-un-muda-metade-do-alto-escalao-de-governo-para-aumentar-seu-poder.htm

Ver:

http://www.crisisgroup.org/en/regions/asia/north-east-asia/north-korea/230-north-korean-succession-and-the-risks-of-instability.aspx

Ver:

http://www.theasanforum.org/north-korea-in-japans-strategic-thinking/

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relações sino-africanas na perspectiva de visitas oficiais

Uma das mais importantes características das relações China-África, desde meados dos anos 1950,  são as visitas recíprocas de dirigentes governamentais dos dois lados ao mais alto nível. Para os governantes chineses, estas atividades diplomáticas demonstram a importância e o respeito que o seu país goza no mundo.

Na verdade, a “República Popular da China” (RPC) ainda reclama da “humilhação” nas mãos das potências ocidentais, Rússia e Japão, que durou cerca de um século. Também o faz em relação ao isolamento que o país experimentou, imposto principalmente pelos “Estados Unidos da América” (EUA) entre 1949 e 1978 no contexto da “Guerra Fria”. Nesse sentido, maiores contatos internacionais contribuem para projetar a China. O país é atualmente a segunda potência econômica e com aspirações de um dia vir a liderar o mundo não só econômica, como também cultural, militar e politicamente.

Numa outra vertente, o atual desenvolvimento do bom relacionamento da “China Popular” com países africanos e de outras partes do mundo contribui para legitimar a governança do “Partido Comunista da China” (PCC) ao nível doméstico. Portanto, as políticas econômicas e sociais de sucesso implementadas pelo governo chinês desde 1978 e os êxitos na frente diplomática conferem uma forte aceitação popular do Partido, o qual está no poder desde 1949.       

Nos seus contatos externos, a China privilegia mais a recepção de dignitários estrangeiros no seu território e envolve rituais de bom tratamento que deixam os visitantes com uma imagem de admiração impressionante. É exatamente este tipo de hospitalidade que os líderes africanos apreciam quando vão aquele país asiático, diferentemente do tratamento que ocorre quando visitam um país ocidental, o qual eles consideram “menos digno”.

Por exemplo, o Presidente queniano, Uhuru Kenyatta (que consta da lista dos procurados pelo “Tribunal Internacional de Haia” pelo seu papel na onda de violência que se seguiu depois das eleições de 2007), foi a Londres em maio do ano corrente (2013) para participar duma conferência internacional sobre a Somália, mas não foi possível ser fotografado ao lado do primeiro-ministro britânico David Cameron, embora a Grã-Bretanha seja a principal parceira comercial do Quênia. Mas depois, em agosto, na viagem de Estado à China, além do tapete vermelho, Kenyatta também recebeu em sua honra vinte e uma salvas de canhão[1].      

As viagens dos governantes chineses ao continente africano têm sido comuns, mas não se igualam ao número de visitas que Pequim recebe das autoridades africanas. Por razões culturais, a China prefere ser acolhedora porque desta forma os chineses conseguem melhor desenvolver as relações interpessoais com os seus hóspedes exibindo atos de boa vontade ao mesmo tempo que negociam no seu terreno, com regras por si estabelecidas, e, desta forma, facilmente se beneficiam da gratidão dos estrangeiros. De acordo com Eisenman, estes rituais acompanhados da retórica chinesa da igualdade, respeito mútuo e não interferência nos assuntos internos de outros Estados conquistam com facilidade os corações das elites africanas[2].  

Por questões organizacionais e racionalização de recursos, os líderes chineses muitas vezes realizam visitas múltiplas ao mesmo tempo. O caso mais recente é a passagem que Presidente Xi Jinping teve no continente africano em março passado, a primeira na qualidade de Chefe de Estado da China. Ele associou a sua participação na “Quinta Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)” em Durban (“África do Sul”)[3] à realização de visita de estado à Tanzânia[4], a “África do Sul[5] e a “República do Congo[6].

Ainda no decurso da “Cúpula dos BRICS”, Xi Jinping teve um encontro conjunto informal com os presidentes da “África do Sul”, Angola, Benin, Chade, “Cote d’Ivoire”, “Guiné Conakry”, “Guiné Equatorial”, Moçambique e Uganda, o Primeiro-Ministro da Etiópia, o Presidente da Assembleia Nacional da Argélia e a Presidente da “Comissão da União Africana[7]. Separadamente, manteve reuniões com os Presidentes de Moçambique e Uganda e o Primeiro-Ministro da Etiópia[8]

Um destaque de realce desta visita presidencial tem a ver com a imagem positiva dada pelo ativismo da Primeira-Dama chinesa, Peng Liyuan. Pela primeira vez ela se mostrou ao mundo como uma dama “moderna” e “ativa” em ações sociais e humanitárias nos países visitados, contrastando com a esposa do anterior Presidente chinês que sempre esteve no anonimato. Reconhecendo-se a grande preocupação de Peng em questões ligadas à advocacia, à saúde e ao controle de tuberculose e da HIV/AIDS no seu país, foi-lhe atribuído em 2011 o título de “Embaixadora de Boa Vontade na Luta Contra Tuberculose e HIV/AIDS” da “Organização Mundial da Saúde” (OMS)[9].

É neste âmbito que na companhia da sua homóloga do Congo visitou um orfanato crianças, especialmente aquelas que sofrem de HIV/AIDS, para além de oferecer computadores, brinquedos e pastas escolares. Também visitou uma exibição cultural feita por mulheres congolesas[10]. O gesto inovador da Primeira-Dama criou um impacto positivo na China e espantou o mundo. Hoje os chineses também se orgulham de ter a sua Michelle Obamae há consenso que Peng Liyuan contribuirá para elevar a imagem da China no mundo, principalmente pela forma impecável como se veste[11].               

No cômputo geral, as visitas feitas tanto para a China como para a África tem uma carga simbólica enorme. As respectivas médias (com destaque para a televisão e jornais) dão enfoque especial às viagens que os Presidentes, Primeiros-Ministros, Ministros e Vice-Ministros efetuam para ambos os lados, principalmente quando ocorrem cerimônias de assinatura de concessão de ajuda ou de empréstimo, lançamento da pedra de qualquer empreendimento financiado pela China e a sua inauguração.   

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Imagem (Fonte):

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/china/9951838/Xi-Jinping-hails-Chinese-African-ties.html

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Fontes consultadas

[1] Ver:

http://www.foxnews.com/world/2013/08/22/kenya-looks-east-signs-5-bln-china-deals/

[2] Ver:

Eisenman, Joshua (2008). “China’s Political Outreach to Africa”. In: Robert I. Rotberg (edit.). China into Africa: Trade, Aid, and Influence. Washington: Brookings Institution Press, pp. 235-236.

[3] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027968.shtml

[4] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1025248.shtml

[5] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026723.shtml

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027265.shtml

[7] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026805.shtml

[8] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026810.shtml

[9] Ver:

http://www.who.int/goodwill_ambassadors/peng_liyuan/en/

[10] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027581.shtml

[11] Ver:

http://thediplomat.com/asia-life/2013/03/first-lady-peng-liyuan-chinas-answer-to-michelle-obama/

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ÁFRICAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Terceiras Consultas Políticas Ministeriais China-África” ocorrem em Nova York

No passado dia 23 de setembro, ocorreu emNova Yorko terceiro encontro de concertação política entre a África e a China[1]. As outras duas reuniões entre diplomatas africanos e chineses tiveram lugar em 2007 e 2010 no mesmo local, sede da “Organização das Nações Unidas” (ONU), e sempre ocorrem à margem da “Assembleia Geral da ONU”. Estes encontros visam principalmente consolidar as relações sino-africanas.

Sob o lema “Implementação dos resultados da Quinta Conferência Ministerial do FOCAC” (sigla inglesa para “Fórum de Cooperação China-África”) [realizada em Pequim em Julho de 2012], com vista a promover o desenvolvimento comum da China e da África”[2], os “Ministros dos Negócios Estrangeiros” da “África do Sul” e da China, Maite Nkoana-Mashabane e Wang Yi, respectivamente, lideraram a reunião que contou com mais de 40 “Ministros dos Negócios Estrangeiros” africanos[3].

Dirigindo-se aos seus homólogos, Wang Yi destacou as três grandes vantagens que a China tem para desenvolver relações com o continente africano. Na verdade, ele parafraseou um dos Ministros que dissera: primeiro, “a China não tem a história do colonialismo na África e nunca interferiu nos assuntos internos da África[4]; segundo, “a China tem demonstrado ao mundo que a China é uma amiga sincera e desinteressada da África, com suas ações, como a assistência da China e do investimento em África[4]; terceiro, “a China está participando cada vez mais nas operações de manutenção da paz na África para ajudar a África a resolver os conflitos regionais[4]. Sintetizando as três vantagens, Wang apontou a “sinceridade da China e confiança mútua China-África[4].

As duas partes discutiram sobre o reforço da coordenação e cooperação em assuntos internacionais e regionais; também a cooperação África-China na vertente da paz e segurança no continente africano e a busca da cooperação win-win entre a África e China. Mas os principais aspectos do encontro constam dos 22 pontos do “Comunicado Conjunto da terceira rodada de consultas políticas entre China e África de Ministros dos Negócios Estrangeiros[5].

A importância do FOCAC como o principal instrumento da cooperação o país e o continente é apontada no “Comunicado Conjunto” e especial menção é feita pela parte africana pelo fato de a China introduzir novas medidas de cooperação em áreas prioritárias no contexto da “Quinta Conferência do FOCAC”: investimento e financiamento; assistência; integração africana; intercâmbios entre os dois povos; além de paz e segurança na África. Por isso, se elogia a “Declaração de Pequim da Quinta Conferência Ministerial do FOCAC” e o respectivo “Plano de Ação de Pequim (2013-2015)[6].

O ataque terrorista em Nairobi, capital do Quênia, também foi abordado pelos delegados africanos e chineses que energicamente condenaram-no, expressaram o seu apoio ao governo e povo daquele país da “África Oriental” e chamaram a comunidade internacional para juntar forças na luta contra o terrorismo em todas as suas formas, além de ajudar a África nos seus esforços de manter a paz e a segurança[7].   

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Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080815.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-09/24/c_132746084.htm

[2] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[3] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/813836.shtml#.UkxB2YbEcb_

[4] Ver:

http://www.chinaembassy.se/eng/xwdt/t1080833.htm

[5] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[7] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

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