AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório Mueller nega conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia

O procurador especial Robert Mueller encerrou as investigações sobre o suposto conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia. De acordo com o Relatório, não foram encontradas evidências que comprovem que o presidente Trump e sua equipe tenham conspirado com quaisquer russos durante as eleições de 2016. O Documento foi resumido e entregue ao Congresso norte-americano pelo procurador-geral William Barr, no dia 24 de março (2019).

A investigação perdurou por dois anos. Inicialmente, ela estava sob o comando de James Comey, o diretor do FBI na época. Entretanto, em maio de 2017, o presidente Trump decidiu pela demissão de Comey, o que suscitou suspeitas acerca de obstrução da justiça. Após esse episódio, Robert Mueller, ex-diretor do FBI, foi indicado por Rod Rosenstein, vice-Procurador-Geral, para liderar as investigações.

Assim, Mueller ficou responsável não só por averiguar as acusações de envolvimento da campanha Trump com a Rússia, como também passou a apurar se o Presidente americano teria obstruído a justiça. No total, mais de 40 agentes federais envolveram-se nas investigações; em torno de 500 testemunhas foram ouvidas; e mais de 2.800 intimações foram expedidas.

O Procurador Especial, Robert Mueller

O Relatório Mueller não foi divulgado na íntegra, contudo, o procurador-geral Barr divulgou o sumário, onde destacou que “o procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump tenha conspirado ou coordenado intencionalmente com a Rússia”. Ademais, Mueller não chegou a uma conclusão definitiva se o presidente Trump obstruiu ou não a justiça. Barr e Rosestein afirmaram que “ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva”. Entretanto, Robert Mueller destaca no Documento que isso não significa que Trump esteja exonerado, ou seja, que não tenha tentado obstruir as investigações. Em meio a essa situação dúbia, o Presidente norte-americano publicou em sua rede social Twitter: “Sem conluio, sem obstrução, exoneração completa e total. Mantenha a América grande!”.

https://platform.twitter.com/widgets.js

No que concerne a Rússia, o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, afirmou que “é difícil encontrar um gato preto em um quarto escuro, especialmente se ele não está lá” e completou que no sumário do Documento “não há nada de novo, apenas o reconhecimento da ausência de conluio”. Efetivamente, Mueller deixa explícita a inocência de Trump e sua equipe de campanha, mas afirma, enfaticamente, que houve interferência nas eleições por meio de hackers do governo russo, os quais tiveram acesso às informações pessoais de Hillary Clinton, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Apesar desse cenário, Konstantin Kosachev, senador que lidera o Comitê de Assuntos Exteriores da Federação Russa, afirmou que “há uma chance de recomeçar as nossas relações a partir do zero, mas é uma questão de saber se Trump assumirá esse risco. Certamente, estamos prontos”. Entretanto, essa situação pode ainda estar distante, visto que ainda há inconsistências diplomáticas entre os dois países, já que a Rússia segue afirmando que não interferiu nas eleições dos EUA em 2016.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Relatório: Avaliando Atividades e Intenções Russas nas Eleições Recentes do EUA (Capa)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Intelligence_Community_Assessment_-_Assessing_Russian_Activities_and_Intentions_in_Recent_US_Elections.pdf

Imagem 2O Procurador Especial, Robert Mueller” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Director_Robert_S._Mueller-_III.jpg

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia aprova lei contra Fake News

Termo muito conhecido de quem trabalha com jornalismo e afins, as Fake News (traduzindo do inglês, “noticias falsas”) ganharam notoriedade em 2016, quando o então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, foi acusado de ter utilizado deste recurso em contraponto a diversos meios de comunicação que faziam frente à sua candidatura, e, assim, ajudou a popularizar esse conceito em todo o globo como meio utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas que são publicadas principalmente por meios digitais como a Internet, onde a velocidade de propagação permite potencializar seu impacto sobre a opinião pública.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

Atualmente, vista como uma “arma” de desinformação em massa, que possivelmente poderia desestruturar a credibilidade de indivíduos, órgãos públicos e privados e até mesmo de governos, as Fake News estão começando a ser tratadas como crime passível de punição. Foi assim que a Duma (a Câmara Baixa, que corresponderia à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou, em 7 de março de 2019, projetos de lei contra essa pratica, e que, posteriormente, em 13 de março, também foram aprovados pelo Soviete da Federação (a Câmara Alta russa, que corresponderia, guardadas as diferenças específicas, ao Senado no Brasil), aguardando, agora, a assinatura do presidente Vladimir Putin.

As medidas se aplicarão a quem “fizer publicações online indecentes que demonstrem desrespeito pela sociedade, o país, os símbolos oficiais de Estado, a Constituição e as autoridades”, e definem a notícia falsa como: “não verificar qualquer informação apresentada como fato que ameaça a vida, saúde ou propriedade de alguém, ameaça a ordem pública, interfira ou comprometa infraestruturas, transporte e serviços sociais, sistema bancário, comunicações e outros setores econômicos”.

Os projetos também dão àqueles que publicarem tais informações a liberdade para corrigí-las ou removê-las e, caso não o façam, serão direcionadas punições pelos respectivos órgãos fiscalizadores que aplicarão, além do possível bloqueio da notícia, multas escalonadas para pessoas físicas que oscilarão entre US$ 460 e US$ 6,1 mil*,  e, para pessoas jurídicas, entre US$ 3,06 mil e US$ 23 mil**, enquanto a penalidade para funcionários com cargos de responsabilidade ficará entre US$ 920 e US$ 13,8 mil***. Em caso de reincidência, os infratores poderão ser multados em até o dobro do valor estipulado da multa ou mesmo serem detidos pelo prazo de 15 dias.

Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português

O Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu previamente ao Soviete da Federação (o Senado) que revise tais projetos, ao considerar que nenhum corresponde aos critérios que estabelecem os direitos e as liberdades referendadas na Constituição russa. O órgão também destacou o excesso das limitações à liberdade de expressão e considerou que as normativas deixam a porta aberta à sua interpretação arbitrária. Sergei Boyarsky, Chefe Adjunto do Comitê da Duma para Políticas de Informação, disse que “não há nenhuma conversa sobre a censura, e que não haverá proibição à crítica de funcionários ou à expressão de visões e opiniões que diferem da linha oficial”. Já os críticos reiteram que a legislação proposta faz parte dos esforços do Kremlin para reprimir as manifestações contrárias ao governo de Vladimir Putin e apertar o controle sobre a opinião pública.

Além da Rússia, outros países estão implantando leis severas sobre a divulgação premeditada de notícias falsas,como foi o caso da Malásia, que promulgou, em 2 de abril de 2018, Projeto de Lei Anti-Notícias Falsas que estabelece multas equivalentes a até US$ 123 mil (em torno de 468,95 mil reais, também conforme a cotação de 15 de março de 2019) e penas de até 6 anos de prisão.

———————————————————————————————–

Notas:

* Tomando como base a cotação do dia 16 de março de 2019, aproximadamente 1.754 reais e 23.260 reais, respectivamente.

** Conforme a mesma cotação, aproximadamente 11.670 reais e 87.670 reais, respectivamente

*** Também de acordo com esta cotação, próximos de 3.508 reais e 52.614 reais, respectivamente.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fake News” (Fonte): https://netzpolitik.org/2017/heute-podiumsdiskussion-zu-fake-news-und-luegenpresse/

Imagem 3 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_falsa#/media/File:Como_identificar_not%C3%ADcias_falsas_(How_To_Spot_Fake_News).jpg

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reaproximação diplomática entre Grécia e Rússia

Na última sexta-feira, dia 7 de dezembro (2018), o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, reuniram-se no Kremlin, em Moscou. A discussão entre os líderes incluiu assuntos de cooperação bilateral e outras questões internacionais e regionais de destaque, uma mudança positiva nas relações Rússia-Grécia, visto que elas estavam abaladas desde julho (2018).

Nesse período, Atenas expulsou dois diplomatas russos sob a alegação de que eles tentaram sabotar as negociações entre Grécia e Macedônia na renomeação do país de República Iugoslava da Macedônia para República da Macedônia do Norte. A Rússia negou as acusações e respondeu à altura, expulsando dois diplomatas gregos em agosto (2018). Durante a Reunião, Putin destacou que houve discordância entre as partes sobre os motivos que levaram a expulsão dos diplomatas russos e continuou: “Mal posso imaginar que alguém sensato na Grécia e na Rússia pense que a Rússia esteja ‘tramando’ contra a Grécia ou que trame outras conspirações. É um absurdo. Se os serviços de inteligência têm alguma pergunta um para o outro, o que também é possível, há muitas maneiras de resolver esse tipo de situação, sem nenhum gesto teatral. Espero que este momento [nas relações Rússia-Grécia] tenha realmente se encerrado”.

Reunião com o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou

À parte do escândalo diplomático, os líderes também discutiram sobre assuntos estratégicos. Tsipras propôs que a Grécia faça parte do trajeto do duto de gás natural, o TurkStream, para a Europa Ocidental. O objetivo do Primeiro Ministro é demonstrar o interesse grego em se tornar um hub de energia regional, assim, o sul da Europa também se conectaria ao gasoduto TurkStream pela Grécia. Com essa declaração, Putin apontou que há a possibilidade desse projeto ocorrer, além de que há planos para que, no futuro, os dois países implementem conjuntamente grandes empreendimentos de infraestrutura energética.

Para tanto, o Presidente russo destacou que o fortalecimento da economia grega é essencial para que ocorra a entrada de novos investimentos da Rússia no país. Em relação a esse fato, o Ministro Adjunto dos Negócios Estrangeiros da Grécia, George Katrougkalos, enfatizou que “o potencial é [agora] muito maior em muitas áreas desde que a economia grega se recuperou completamente [de uma crise econômica]. No último trimestre [do ano, 2018], subiu 2,2%, e a previsão para 2019 é ainda melhor, cerca de 2,5%. A nova lei de desenvolvimento prevê garantias e incentivos importantes para os investidores. Nunca houve condições mais favoráveis para o investimento em nosso país”.

Não obstante, mesmo que a Grécia passe por dificuldades, Putin ressaltou que os dois países estão ligados por uma relação histórica, em que a Rússia sempre apoiou o povo e o Estado gregos. Por conta disso, há um compromisso diplomático para que o Governo russo continue atuando nesse sentido. A Reunião, portanto, trouxe apaziguamento para a relação entre os dois países, ambos reconheceram a importância da retomada do diálogo entre eles, o qual trouxe avanços positivos nas questões bilaterais.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, cumprimenta o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na coletiva de imprensa conjunta” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/v7KZ21dyhYtByFhA3xrvAUXsbxzLWkod.jpg

Imagem 2Reunião com o PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/5XBkngitxTx38WYY2y5FjAsBVEJ7sYKO.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Novas tensões entre Ucrânia e Rússia

As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia passam novamente por momentos de tensão. No último domingo (25 de novembro 2018), três embarcações ucranianas foram detidas por navios russos no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar Negro e o Mar de Azov, sob a alegação de que aqueles estariam invadindo o território marítimo russo. Essa justificativa foi dada pelo fato de o Estreito estar na Crimeia, região que era da Ucrânia, mas que atualmente faz parte da Federação Russa, efetivado em 2014.

O Serviço de Segurança Fronteiriça da Crimeia divulgou o seguinte comunicado: “Na manhã do dia 25, por volta de 07:00 no horário de Moscou, três navios da Marinha da Ucrânia violaram os artigos 19 e 21 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os quais definem o direito de um Estado costeiro em garantir a segurança marítima. Eles cruzaram a fronteira com o Estado russo e ilegalmente entraram no território marítimo russo que está temporariamente fechado”. Ainda de acordo com a Guarda Costeira, as embarcações ucranianas estavam realizando manobras perigosas e desobedecendo as autoridades.

Localização do estreito de Kerch

Nesse cenário apreensivo, navios russos foram liberados a abrir fogo para impedir a passagem. Vinte e quatro marinheiros a bordo das três embarcações foram detidos, dentre eles 3 teriam se ferido e estão internados em um hospital na Crimeia. Pela primeira vez, desde o início das tensões entre Ucrânia e Rússia, em 2014, ocorreu uma ofensiva militar direta entre os dois Estados, já que na Crimeia a luta é entre as forças ucranianas e os separatistas.

Diante disso, uma sessão de emergência sobre a situação foi convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde vários países demonstraram seu descontentamento quanto às ações russas. A embaixadora norte-americana, Nikki Haley, declarou que foi “uma violação ultrajante da soberania da Ucrânia. O impedimento do trânsito legal da Ucrânia através do Estreito de Kerch é uma violação do direito internacional. É um ato arrogante que a comunidade internacional deve condenar e que nunca aceitará”. Uma reunião também foi convocada pela Organização do Atlântico Norte (OTAN), em que o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia usou força militar diretamente contra a Ucrânia e, portanto, terá que lidar com as consequências de seus atos.

O Governo ucraniano alega que a Rússia realizou um ato de agressão e colocou em risco a segurança e defesa do país. Por essa razão, o presidente Petro Poroshenko recomendou a decretação da lei marcial por 30 dias, a qual foi aprovada no dia 26 (2018), segunda-feira passada, pelo Parlamento Ucraniano. Ela prevê onze medidas, dentre as quais estão a movimentação de forças de reserva, o preparo da defesa aérea de empresas estatais estratégicas e ações de cibersegurança.

A partir dessa situação, analistas acreditam que novos desafios surgirão para a comunidade internacional, já que a conciliação entre a Ucrânia e a Rússia tornou-se mais distante e complicada. É provável que o Ocidente aplique novamente sanções econômicas aos russos, mas esse instrumento de política externa está se mostrando pouco efetivo com o passar do tempo, visto que as tensões na região permanecem e agora tendem a evoluir.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de manifestações nacionalistas na Ucrânia em 2013” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/ce/Euromaidan_03.JPG/200px-Euromaidan_03.JPG

Imagem 2Localização do estreito de Kerch” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estreito_de_Querche

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia eleva produção científica para desenvolvimento de novas armas

Em decorrência da drástica mudança no foco das operações de combate militar desde o final da Guerra Fria, e tendo como previsões, por grande parte da comunidade internacional, a necessidade do desenvolvimento e da inovação de tecnologias bélicas inerentes à possíveis demandas de novos cenários geopolíticos, a Federação Russa, entre outras nações, está elevando sua capacidade científica para atender à essas contingências, unindo centros de pesquisas, Forças Armadas e Governo.

Laboratório ISS Reshetnev

Passados os “espasmos” da complexidade do setor militar-industrial da era soviética, com a governança da mão pesada do Estado, a Rússia vem se reestruturando economicamente e potencialmente para lançar elevados investimentos em novas tecnologias, já apresentadas de antemão pelo presidente Vladmir Putin em seu discurso à nação, proferido em março de 2018. Ressalte-se que nos últimos momentos de existência da União Soviética foi decretado um enorme corte de verbas, o que causou uma profunda transformação nos meios militares, perdendo muito do seu acesso a recursos, à influência política e à mão de obra especializada.

Para que esse desenvolvimento de novas armas se concretize, será necessário o desenvolvimento científico de novos supercomputadores responsáveis por projetá-las, o que, atualmente, empresas como a ISS Reshetnev* e o Consórcio Kalashnikov, através do seu Instituto de Investigação e Produção Científica Molniya, já estão trabalhando para a apresentação de suas pesquisas. O principal objetivo do projeto, além de eliminar tecnologia estrangeira, é passar a efetuar todo o ciclo de desenvolvimento e produção com a ajuda de maquinaria e equipamentos nacionais.

O projeto abrange todas as etapas, desde a fase de pesquisa e desenvolvimento até a criação de um protótipo e seus testes, além da manutenção dos armamentos fabricados em série durante sua utilização nas Forças Armadas. Segundo declarações da diretora-geral do Instituto Molniya, Olga Sokolova, o supercomputador iniciará sua participação nos meios militares com o projeto de mísseis-alvo** e depois estenderá suas soluções para toda a indústria russa de armamentos.

De acordo com especialistas da área de segurança informática, o supercomputador não será criado a partir do zero, podendo utilizar como plataforma o Elbrus, importante sistema utilizado pelo ramo militar-industrial na projeção de armas especializadas e analises perspectivas que, com a necessidade de potencializar o volume de informações à serem processadas, deverá passar por uma reconfiguração para fornecer o mais alto desempenho em cálculos matemáticos, criptografia, processamento digital de sinais, além de dar suporte de hardware para computação segura.

———————————————————————————————–

Notas:

* Reshetnev Sistemas de Informação por Satélite (ISS Reshetnev – Information Satellite Systems), empresa localizada na cidade de Zheleznogorsk, em Krasnoyarsk Krai, na Rússia, que atua no ramo de projeto e construção de satélites, sendo administrada diretamente pela Agência Espacial da Federação Russa. Desde sua fundação, em 1959, entregou mais de 1.200 satélites utilizados nos mais variados tipos de missões.

** Projeto de míssil hipersônico de baixo custo que servirá para testes de armas avançadas alocadas em bombardeiros, caças e, também, artilharia antiaérea. Seu lançamento será a partir do solo e simulará sinais térmicos de propulsores de aeronaves.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Superfície de microchip” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg/1024px-CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg

Imagem 2 Laboratório ISS Reshetnev” (Fonte):

http://www.iss-reshetnev.com/assets/components/phpthumbof/cache/060618-9.3a7e5dadb5b06ee9fd1808f1be641c751779.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

———————————————————————————————–

Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg