ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia compete com China por influência no Sudeste Asiático

Entre os dias 2 e 5 de outubro de 2019, o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, esteve na Rússia, como convidado de honra para participar do Clube de Discussão Valdai, fórum global no qual o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressa suas ideias relativas à política externa. Duterte também foi levado em um tour pelo Kremlin e recebeu um título honorário. Os Mandatários filipino e russo concordaram em fortalecer os laços de defesa e comércio, e Duterte pediu para as empresas russas investirem em ferrovias e infraestrutura de transporte nas Filipinas como parte do seu programa “Construir, Construir, Construir”, que visa incentivar o crescimento do país, informa o jornal South China Morning Post.

A viagem de Duterte foi apenas uma das várias visitas de Chefes de Estado de países do Sudeste Asiático à Rússia, que ocorrem em meio aos esforços de Moscou em fortalecer os laços com a região. Desde o ano 2000, a Rússia tem procurado se engajar com a região de forma bilateral e por meio de diversos fóruns, como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a Organização para Cooperação de Xangai (SCO).

Contudo, a visita de Putin à Cingapura em novembro de 2018 indicou que Moscou passou a se focar na região. Na ocasião, Putin participou pela primeira vez da Cúpula do Leste da Ásia (EAS), encontro anual que reúne os líderes dos países da ASEAN e de oito Estados parceiros. Após o evento, a ASEAN assinou um memorando para aumentar o comércio com o corpo executivo da União Econômica Eurasiática, que é capitaneada pela Rússia.

Mapa dos países do Sudeste Asiático

Em maio de 2019, o Primeiro-Ministro vietnamita, Nguyen Xuan Phuc, visitou Moscou para celebrar os 70 anos de laços diplomáticos entre a Rússia e o Vietnã, e, em setembro de 2019, o Primeiro-Ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, viajou à Vladivostok para participar do Fórum Econômico do Oriente, uma plataforma anual que o Governo russo utiliza para atrair investimentos para as suas províncias na Ásia e no Ártico. Em outubro de 2019, o governo de Cingapura assinou um Tratado de Livre-Comércio com a União Econômica Eurasiática.

Analistas dizem que os esforços da Rússia para construir vínculos em toda a região fazem parte de sua política de diversificação, pois aumenta o comércio e fortalece sua economia, que é a 12ª maior do mundo, alcançando a marca de 1,6 trilhão de dólares (pouco mais de 6,57 trilhões de reais, de acordo com a cotação de 11 de outubro de 2019), de acordo com o Fundo Monetário Internacional. A pesquisadora Sharana Rajiv, da Carnegie India, de Nova Délhi, destaca: “O foco da Rússia no Leste marca uma mudança do foco no lado europeu das fronteiras da Rússia. Moscou reconhece que não pode ter um interior pouco desenvolvido na fronteira com a Ásia”. A estratégia de engajamento russo na região inspirou-se no modelo chinês, que opta por uma posição de não-interferência nos assuntos domésticos das nações parceiras e que visa a promoção de comércio, investimento e venda de armamentos e recursos energéticos sem a imposição de uma ideologia.

Contudo, a China ainda possui uma influência maior no Sudeste Asiático, exatamente pelo fato de a região se encontrar no seu entorno estratégico. Moscou ainda não é capaz de substituir e nem de concorrer com Pequim no que concerne ao fornecimento de uma ampla variedade de bens, serviços e tecnologia às nações da região. Além disso, a China exerce grande pressão no campo da segurança regional, devido aos seus esforços no processo de militarização do Mar do Sul da China, o que acaba causando litígios territoriais com os estados da ASEAN. Segundo o pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Dmitry Gorenburg, “existe um grande ceticismo entre os países do Sudeste Asiático acerca da capacidade da Rússia defender seus interesses frente à China, o que faz com que eles evitem uma aproximação demasiadamente forte de Moscou em assuntos de defesa”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, encontra-se com o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=DUTERTE+PUTIN&title=Special:Search&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=9w737czph8rm9qrfdi8b0suk8#%2Fmedia%2FFile%3ARodrigo_Duterte_with_Vladimir_Putin%2C_2016-01.jpg

Imagem 2 Mapa dos países do Sudeste Asiático”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=ASEAN&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:ASEAN-PT.JPG

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Macron e Putin realizam encontro bilateral às vésperas do G7

No dia 19 de agosto (2019), o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, desembarcou em Fort de Brégançon, na Riviera Francesa, onde encontrou-se com o Presidente da França, Emmanuel Macron, em sua residência de verão. A reunião entre os dois líderes ocorreu às vésperas da Cúpula anual do G7, a qual, este ano (2019), ocorrerá também no sul da França. Em 2014, após a reincorporação da Crimeia, a Rússia foi suspensa do grupo, que antes era chamado de G8. Observadores internacionais destacaram que o gesto francês de recepcionar os russos nesta semana é bastante significativo para as relações exteriores do país europeu, colocando-o numa posição de liderança no apaziguamento das relações entre o Ocidente e a Rússia.

A Conversa entre Macron e Putin era bastante antecipada pela mídia por conta de a pauta de discussão envolver não apenas questões bilaterais, como também assuntos de interesse internacional, que outrora seriam discutidos num ambiente de negociação multilateral. Assim, a situação na Ucrânia, na Síria e questões internas da Rússia foram abordadas no diálogo entre os líderes.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Presidente da França, Emmanuel Macron e a Primeira-Dama da França, Brigitte Macron em Fort de Brégançon, na França

Em relação à Ucrânia, Moscou e Paris concordaram em retomar as negociações sobre a crise no país que envolve movimentos separatistas e a reincorporação da Crimeia à Rússia. Para tanto, ambos os lados consentiram que o Formato de Normandia seja revisitado, o qual envolve Alemanha, França, Rússia e Ucrânia nas discussões de um possível Acordo.

Sobre a Síria, Macron declarou: “[nós] estamos profundamente preocupados com a situação em Idlib*, onde a população civil vive sob bombardeios. Há vítimas entre a população civil e a França está muito preocupada com isso”. O Presidente Putin contrapôs-se ao líder francês ao destacar que apoia a luta do Exército do governo sírio para impedir o avanço de organizações terroristas na região, as quais se fortalecem em Idlib e partem para o resto do mundo.

Localização da região de Idlib, na Síria

À parte das situações internacionais, o Presidente francês colocou em pauta a recente onda de protestos que está ocorrendo em Moscou. De acordo com a mídia ocidental, os manifestantes estão pedindo pela liberdade dos candidatos da oposição de concorrerem à eleição do legislativo da cidade. Macron, então, destacou “[nós] pedimos neste verão por liberdade de protesto, liberdade de expressão, liberdade de opinião e liberdade de concorrer em eleições que deveriam ser plenamente respeitadas na Rússia, como em qualquer membro do Conselho da Europa”.

Putin, por sua vez, rebateu o comentário do líder europeu com a onda de protestos dos coletes amarelos na França nos últimos meses. O Presidente russo afirmou que “todos nós sabemos sobre os eventos ligados aos chamados coletes amarelos, durante os quais, de acordo com nossos cálculos, 11 pessoas foram mortas e 2.500 ficaram feridas. Não iríamos querer que tais eventos ocorressem na capital russa e faremos tudo que pudermos para que nossa situação política doméstica transcorra estritamente dentro do marco da lei”. Em resposta a esse comentário, Macron argumentou ser imprecisa essa comparação, visto que os manifestantes franceses podem concorrer livremente nas eleições europeias.

Há ainda questões a serem convergidas entre os dois países. Em muitos aspectos, Rússia e França se distanciam em sua política externa e até interna. Entretanto, como tem sido apontado por especialistas, é importante que o diálogo entre os dois permaneça. Da mesma forma, aponta-se ser relevante, também, que a França esteja tomando partido em se aproximar mais do Governo russo em um período marcado por conturbações entre o Ocidente e a Rússia. Observa-se que a disposição para a realização de encontros bilaterais já destaca um avanço na relação diplomática não só entre os dois países, como entre a Europa e a Federação Russa.

———————————————————————————————–

Notas:

* A Província de Idlib, na Síria, é uma região situada no noroeste do país e um dos últimos redutos dos rebeldes que lutam pela saída do Presidente sírio, Bashar al-Assad, do poder.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente da França, Emmanuel Macron, em Fort de Brégançon, na França” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/szFKqDzdzLZ1PiKLhYFXsinUUbauAdBK.jpg

Imagem 2O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Presidente da França, Emmanuel Macron e a PrimeiraDama da França, Brigitte Macron em Fort de Brégançon, na França” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/Y8a95PqQVled8lOiF9ZWStjR9A3YAcmK.jpg

Imagem 3 “Localização da região de Idlibna Síria” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Idlib_(distrito)#/media/File:SyriaIdlib.PNG

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Vulnerabilidade e Manejo das Florestas Ucranianas

Atualmente, as florestas da Ucrânia sofrem alterações de ordem antrópica, isto é, pelas influências e impactos gerados pela sociedade ucraniana e global. Como qualquer formação vegetal, elas dependem da disponibilidade de água, porém, de acordo com o cenário de mudança climática disponibilizado pelo Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês)* da ONU, o clima se encontra mais quente e seco.

As florestas temperadas** do Hemisfério Norte vêm sofrendo ameaças e alterações, particularmente desde o século XX, e as mudanças climáticas têm provocado secas sem precedentes, piora da poluição atmosférica, dos solos e contaminação das águas superficiais e subterrâneas. Destaca-se que as formações vegetais ucranianas são típicas de um ecótono de latitude média***,isto é, uma transição de vegetação xerófita**** para as florestas mais úmidas. Nessas condições, o desmatamento e o uso intensivo da agricultura tornam os ambientes mais secos.

Cerca de 16% do território ucraniano é coberto por florestas e sua distribuição varia muito com a proximidade do Mar Negro e das montanhas nos Cárpatos e Crimeia, complementarmente, as chuvas que se formam pela condensação da umidade devido às barreiras do relevo é que são propiciadas à vegetação florestal. Além disso, a expansão das áreas urbanas e atividades econômicas, como a agricultura e a mineração, levam à formação de florestas secundárias, que são aquelas que ressurgem em áreas desmatadas, após serem abandonadas pela atividade madeireira. Essas florestas ucranianas podem ser divididas em dois grupos:

·               Cinturões verdes ao redor de cidades e centros industriais (37,6%), “matas ciliares”, que são aquelas que margeiam os rios (11,4%), florestas de controle de erosão do solo (que retém o solo frágil com suas raízes) e quebra-ventos (30,4%), cinturões florestais ao longo de estradas e ferrovias (6,9%), florestas de resorts etc., que servem à preservação;

·               Florestas para silvicultura (13%), que servem à atividade de extração vegetal tradicional, ou com maior aporte tecnológico, cuja colheita limitada de madeira é permitida.

Alguns países têm se empenhado no plantio de florestas para fins econômicos ou de regeneração e a Ucrânia é um deles. Ao todo, 50% deste tipo de vegetação é de floresta plantada (onde não existiam) e reflorestadas (como reposição de áreas que foram afetadas). A importância desta vegetação se dá, inclusive, para as terras agrícolas onde espécies animais autóctones mantém o equilíbrio de áreas produtivas, contendo pragas agrícolas como sua fonte de alimentação. Em um país com a maior parcela de terra arada na Europa, 53,8%, das quais mais de 1/3 sofrem com a erosão hídrica (rios, chuva) e eólica (ventos), as florestas diminuem sensivelmente este risco ao servirem como barreira às enxurradas, aos ventos, e absorvendo o excesso de umidade.

Confluência dos rios Lopan e de Kharkov na cidade de Kharkov, 2008

As soluções estão ocorrendo no país, como a transição do setor florestal para o desenvolvimento sustentável, mas o manejo florestal requer uma elaboração especial dentro da silvicultura. No entanto, a maior parte das florestas na Ucrânia, cerca de 70%, são manejadas pelo Comitê de Silvicultura do Estado Ucraniano(USCF, na sigla em inglês) como parte do Ministério de Ecologia e Recursos Naturais, de forma que, novamente, a estabilização política na Ucrânia é essencial para o desenvolvimento sustentável dos sistemas agroflorestais.

No contexto ucraniano, a mudança política e econômica essencial ocorrida após os anos 90 e a operação militar no sudeste do país levaram à estagnação e declínio da governança ambiental. Em parte, devido aos ataques que avassalam a paisagem e ceifam vidas de ucranianos de diferentes origens, de outra, devido à cessão das atividades de preservação e manejo.

———————————————————————————————–

Notas:

* Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas é uma organização criada em 1988 pela ONU, que objetiva divulgar os conhecimentos científicos, sobretudo na área da climatologia, para sugerir e elaborar políticas públicas como forma de mitigação ou até resolução dos problemas gerados pelos impactos ambientais de ordem global.

** Florestas temperadas correspondem à Vegetação Superior, como são classificadas as florestas situadas entre a linha do Trópico de Câncer no Hemisfério Norte e de Capricórnio no Hemisfério Sul. São formações vegetais diversificadas, já que algumas situam-se em áreas bastantes úmidas, outras mais secas, entre a Eurásia e a América do Norte. Mas ambas têm em comum a presença das quatro estações do ano bem definidas.

*** Ecótono de latitude média é quando diferentes formações vegetais entram em contato criando áreas de transição bastante diversificadas, no caso, em Latitudes Médias, isto é, nem Baixas, próximas ao Equador, nem distantes em áreas polares e subpolares.

**** Vegetação xerófita ou xerófila corresponde às formações adaptadas à aridez ou semi-aridez climática. Adaptam-se à escassez de água, com raízes compridas e folhas pequenas para menor perda de água através da transpiração. Também existem as formas xerófitas adaptadas aos ambientes úmidos, porém salinos.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Floresta Ucraniana” (Fonte): https://pxhere.com/en/photo/1288653

Imagem 2 Confluência dos rios Lopan e de Kharkov na cidade de Kharkov, 2008” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Kharkiv

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quem é quem na equipe de governo de Zelenski

Vladimir Zelenski tomou posse como Presidente da Ucrânia em 20 de maio de 2019 com um discurso de integração. “Somos todos ucranianos. Não há um maior ou menor. Cada um de nós é ucraniano”, afirmou, fazendo referência às minorias étnicas de seu país e apontando para a paz com a Rússia na questão do Leste ucraniano. As expectativas com relação ao seu governo e quem faria parte da equipe eram grandes e o Presidente respondeu com boa parte das indicações correspondendo a membros e colegas de ofício na área de comunicação, onde fez carreira como ator.

O primeiro nome, Serhiy Volodymyrovych Trofimov,foi encarregado como Primeiro Vice-Chefe da Administração Presidencial. Trofimov foi produtor e roteirista do estúdio Kvartal 95, canal de TV aberta operando desde 2003.

Outro colega, Ivan Bakanov, amigo de infância de Zelenski, que dirigiu o canal de TV Kvartal 95 a partir de 2013, e foi Presidente do Partido Servo do Povo, foi nomeado Vice-Chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia e Chefe da Direção Principal de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Direção Central do Serviço de Segurança da Ucrânia. Terá um papel fundamental na interação com a Verkhovna Rada (o Parlamento ucraniano).

Os profissionais oriundos da área de comunicação, sobretudo da TV, predominaram nas indicações para funções administrativas ou auxiliares:

·               Serhiy Shefirm, co-fundador da produtora Kvartal 95, como Primeiro Assessor do Presidente;

·               Yuriy Kostiuk, roteirista da Kvartal 95, como Vice-Chefe da Administração;

·               Kyrylo Tymoshenko, fundador da empresa de comunicação Goodmedia, produtora especializada em anúncios políticos, o criador por trás dos vídeos de campanha de Zelenski, foi nomeado como Chefe da Administração;

·               Andriy Yermak, advogado especializado em propriedade intelectual e produtor de cinema, que já foi assessor dos extinto Partido das Regiões, foi nomeado Assessor do Presidente;

·               Ruslan Ryaboshapka, ex-Vice-Ministro da Justiça, que foi membro da Agência Nacional para a Prevenção da Corrupção, foi indicado para o Gabinete dos Ministros;

·               Ruslan Stefanchuk, advogado, foi nomeado Assessor do Presidente e enviado como assessor presidencial ao Parlamento. Professor e membro da Academia Nacional de Ciências Jurídicas da Ucrânia, Stefanchuk é o visionário da equipe de Zelenski, o ideólogo da campanha presidencial e principal responsável pela reforma das instituições estaduais e jurídicas, e pelo trabalho legislativo.

Com exceção de Andriy Bohdan, não houve polêmica envolvendo nenhum dos nomes anteriores. Bohdan trabalhou para um dos homens mais ricos da Ucrânia, Ihor Kolomoisky, com um papel fundamental na campanha eleitoral do Presidente, recebeu o cargo de Chefe da Administração Presidencial.

Segundo opositores de Zelenski, Bohdan foi um oficial no governo do Presidente deposto, Viktor Yanukovych, razão pela qual estaria totalmente impedido de ocupar qualquer posto oficial. O governo atual discorda, afirmando que sua equipe não está infringindo a lei.

Ruslan Khomchak e Vladimir Zelenski, 2019

Outro cargo importante acompanhado de controvérsia foi a substituição do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, trocando o general Viktor Muzhenko por Ruslan Khomchak. De acordo com o regulamento do Estado-Maior, o Presidente substitui o Chefe em conjunto com o Ministro da Defesa, o que não ocorreu.

A equipe de governo de Zelenski apresenta alguns nomes que não são consensuais, mas é formada na sua maioria por membros que não são agentes com tradição em funções de Estado. Este será um dos pontos mais lembrados ao longo da trajetória deste governo e, se esta estratégia for bem-sucedida, servirá como uma forma de avaliação para as preferências e métodos de escolha das equipes e governos precedentes.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Andriy Bohdan, 2019” (Fonte): https://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%A4%D0%B0%D0%B9%D0%BB:Andriy_Bohdan_(crop).jpg

Imagem 2 Ruslan Khomchak e Vladimir Zelenski, 2019” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Khomchak_with_Zelensky.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A influência da Turquia na política do Oriente Médio

A Turquia é um país que possui um importante papel na dinâmica política do Oriente Médio. Não somente pelo tamanho de sua população, mas também pela relação histórica que há com os países da região. Por séculos, foi o centro político e decisório, através da administração do Império Otomano.

Na atualidade, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, tratou de implementar políticas visando trazer força de lei aos costumes vinculados ao Islã. Também vinculou sua figura com uma forte defesa dos interesses nacionais turcos, bem como de suas instituições e da modernização do país.

Desde que assumiu como Primeiro-Ministro, em 2003, fez uma série de ações que visavam desde colocar a Turquia no G20, e expandir seu papel na União Europeia, a financiar a ação de imãs em Mesquitas pelo Oriente Médio, África e Europa. Também construiu Mesquitas em outros países, financiou cursos da língua turca e deu apoio estratégico direto, como a construção de uma base militar na Somália, acompanhada do treinamento de 10 mil soldados no país.

Ao mesmo tempo que se tornava popular fora da Turquia, os constantes atritos com militares e secularistas culminaram em uma tentativa de Golpe de Estado. Esta foi levada à cabo em julho de 2016, por um grupo das Forças Armadas, autointitulado Conselho pela Paz Nacional.

A movimentação foi detida pelo governo, além de ser repudiada pela população com protestos nas ruas. Uma vez derrotado o grupo de militares, a euforia pavimentou o caminho para a condução de um referendo que concentrava funções e aumentou o poder de decisão nas mãos do Chefe do Executivo, que ocorreu em 2017.

Em julho de 2018, à frente do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), tornou-se o primeiro mandatário na história do país a assumir a posição de Presidente por meio do voto. Antes do referendo o cargo era indicado pelo Parlamento.

Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018

Este processo diminuiu a influência dos militares sobre o governo. Como muito países do Oriente Médio, a Turquia havia enfrentado um histórico de democracia tutelada pelas Forças Armadas. Por isso, as reformas que permitem ao Presidente possuir mais poder do que outros grupos de interesse estão sendo vistas em outros Estados da região como um modelo.

Para além da proximidade no diálogo, outros países no Oriente Médio enxergam na política perseguida por Erdogan uma forma de tornar funcionais suas instituições internas. Distintos fatores, como a consolidada taxa crescimento econômico de 5,4% por ano entre 2003 e 2015, aliada a difusão cultural de novelas e filmes turcos, transmitiram e consolidaram a imagem de um país moderno.

O governo da Turquia tem tomado posições firmes com relação a declarações dos Estados Unidos e ações de Israel na região, oficialmente condenando a posição da administração Trump quanto à posse das Colinas de Golã e da Faixa de Gaza por Israel. Também promoveu apoio ao Qatar para mitigar os efeitos do bloqueio e participa ativamente das negociações para resolução do conflito da Síria. Também figura como aliado estratégico para russos e chineses na região.

Para além da movimentação diplomática, também abriu as portas do país a 3,2 milhões de imigrantes sírios, revogou vistos para cidadãos de outros países árabes entrarem na Turquia e criou bolsas que permitiram que ao menos 72 mil estudantes na região fossem estudar em universidade turcas.

Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019

O conjunto destes fatores transformou o mandatário em uma figura querida no Oriente Médio. Não é incomum a alusão de que seria um novo “sultão”, em referência aos antigos regentes do Império Otomano.

Dentre aqueles que buscam inspiração no modelo empreendido na Turquia está o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi. O General da reserva nunca escondeu sua admiração por Erdogan e buscou realizar um referendo de natureza semelhante em 2019. Sua imagem também é vista positivamente em países como a Síria e a Palestina, que veem em Erdogan um aliado.

Dentre as críticas à figura do Presidente, existe o problema que representa sua figura autoritária, além das acusações de corrupção e de perseguição à opositores. A Human Rights Watch reportou que quase um quinto da população carcerária na Turquia, 48.924 pessoas, está presa por acusação de terrorismo e crimes políticos. Ações militares contra o Curdistão e associação à Irmandade Muçulmana são outros elementos vistos com preocupação.

A presente recessão que o país enfrenta é também encarada como elemento complicador nas ambições políticas de Erdogan. No entanto, para muitos analistas, a sua figura, bem como a do governo turco permanecerão como modelo influente. Em pesquisa feita pelo Arab Barometer, em distintos Estados da região, 50% dos entrevistados afirmavam desejar que seus países possuíssem mais relações comerciais com a Turquia e 43% afirmou desejar que a influência turca na região aumentasse.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Recep Tayyip Erdogan em frente a membros do Parlamento Turco” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155974851003577/?type=3&theater

Imagem 2Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155870525368577/?type=3&theater

Imagem 3Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019” (FontePágina oficial da Presidência da Turquia no Facebook): https://www.facebook.com/trpresidency/photos/a.804669166317302/2510755922375276/?type=3&theater

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

As perspectivas futuras sobre as relações EUA – Rússia

Nos últimos meses, as relações diplomáticas entre Rússia e Estados Unidos (EUA) encontram-se estremecidas e instáveis. Há, de um lado, questões de política internacional em que o posicionamento dos dois países é antagônico, como sobre a liderança política na Venezuela e sobre o fim do Acordo Nuclear dos EUA com o Irã. Mas, há também assuntos bilaterais que impactam negativamente no diálogo entre eles e, consequentemente, despertam desconfianças e apreensão da comunidade internacional.

Diante desse cenário, no dia 14 de maio (2019), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, esteve em Sochi, na Rússia, para uma reunião oficial com o presidente Vladimir Putin e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. A visita oficial de Pompeo representa uma tentativa de aproximação entre os dois países.

Como esperado, assuntos de política internacional foram discutidos entre os três líderes, principalmente sobre a Síria, a Venezuela, o Irã e a Coreia do Norte. Em síntese, o presidente Putin e o secretário Pompeo se comprometeram em manter o diálogo sobre tais questões delicadas e anunciaram que vão se empenhar para encontrar meios que possam permitir que conflitos internos e crises humanitárias, como na Síria e na Venezuela, encerrem-se de maneira pacífica.

O Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov

À parte dessas questões, as relações bilaterais também foram o foco da Conversa, principalmente sobre o futuro do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês) e do Novo START, um Tratado de redução de armas entre os dois países que está para expirar em fevereiro de 2021. Pompeo, Putin e Lavrov comprometeram-se a incentivar suas delegações a negociarem sobre a extensão do Novo START, contudo, o futuro do INF não foi discutido explicitamente. Mike Pompeo, no entanto, destacou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem a intenção de construir um Acordo trilateral, o qual envolveria não só a Rússia e os EUA, mas a China também. De acordo com o Secretário de Estado, “o presidente [Trump] quer um controle sério dos armamentos que ofereça segurança real ao povo americano e nós sabemos que para alcançar esses objetivos teremos que trabalhar juntos, e seria importante se isso fosse possível envolver a China também”.        

Outro assunto bilateral que foi discutido foi o Relatório Mueller e a suposta intervenção russa nas eleições norte-americanas em 2016. De acordo com esse Documento, o procurador especial Robert Mueller concluiu que não houve conspiração entre a campanha de Donald Trump e a Rússia. Lavrov então destacou que esperava que a conclusão dada pela investigação encerrasse esse momento conturbado entre os dois países, podendo, portanto, caminhar para a construção de um diálogo mais profissional e construtivo. A resposta dada por Pompeo foi de garantir a Putin e Lavrov que os EUA não aceitarão intervenção da Rússia em seus assuntos internos e que caso algo desse porte ocorra nas eleições de 2020, o futuro das relações diplomáticas entre os dois Estados estará bastante comprometido.

Reunião entre as duas delegações, EUA e Rússia, com a presença do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov

Embora a Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, tenha descrito que o Encontro produziu uma discussão bastante frutífera entre as partes, especialistas destacam que há ainda muito do que precisa ser feito para que as perspectivas futuras sejam positivas, visto que não houve muitas decisões concretas acerca dos assuntos delicados que permeiam a diplomacia dos dois países. Além disso, recentemente, o Porta-Voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deu uma entrevista ao canal televisivo Rossiya-1 em que afirmou que os posicionamentos das autoridades norte-americanas são bastante instáveis, que elas mudam diariamente e não há como prever como estarão as relações Rússia-EUA diante dessas alterações constantes. Segundo Peskov, “dificilmente alguém terá coragem de fazer previsões sobre o futuro das relações bilaterais nos próximos dois anos”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/UjvgDM28h9FmvoZXoZdUUOPnbnMCrDSQ.jpg

Imagem 2O Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/xeRNn5ecLQOTqQJQ68siy9AA0oYfZQAZ.jpg

Imagem 3Reunião entre as duas delegações, EUA e Rússia, com a presença do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/ZWBWA0dA7WMhqjG1KJCsexmYADwgn4Qf.jpg