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Erdogan oferece condolências ao povo armênio pelas mortes na Segunda Guerra Mundial

O primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan expressou sua mensagem de condolências ao povo armênio pelas mortes durante a Primeira Guerra Mundial” neste último 23 de abril de 2014, véspera da rememoração do aniversário de 99 anos do Genocídio Armênio”. Erdogan utilizou uma linguagem mais conciliatória que qualquer outro Primeiro-Ministro turco anterior[1].

Os comentários de Erdogan representaram a primeira tentativa evidente e manifesta feita por um líder turco de oferecer condolências pelas mortes no evento que alguns historiadores consideram ser o primeiro genocídio do século XX. A prisão e massacre de líderes armênios teve início em Istambul, em 24 de abril de 1915, tendo atingido uma cifra de 2 milhões de mortos, conforme apontam alguns especialistas[2].

A Armênia acusa as autoridades otomanas de então de massacrarem sistematicamente um grande número de armênios e, em seguida, deportar forçosamente tantos mais, incluindo mulheres, crianças, idosos e enfermos, em condições terríveis nas chamadas “marchas da morte[1][3][4].

Erdogan adotou um tom conciliador em seu discurso no último dia 23 de abril, oferecendo condolências da Turquia aos netos de armênios que perderam suas vidas em 1915. “É com esta esperança e convicção que nós desejamos que os armênios que perderam suas vidas no contexto do início do século 20 descansem em paz, e nós transmitimos nossas condolências aos seus netos[1], afirmou.

O Primeiro-Ministro disse também que os eventos de 1915 tiveram “consequências desumanas”. Contudo, Erdogan não chegou a fazer uso do termo genocídio” para descrever os assassinatos em massa[3], demanda frequente dos descendentes dos sobreviventes.

No comunicado, que foi excepcionalmente[1] traduzido para nove línguas, incluindo o armênio, ele descreveu os incidentes da “Primeira Guerra Mundial” como “a nossa dor compartilhada[1]. E continua: “Tendo experimentado eventos que tiveram consequências desumanas – como a realocação – durante a Primeira Guerra Mundial, (isto) não deve impedir que turcos e armênios  estabeleçam compaixão e atitudes mutuamente humanas entre um para o outro[1]. Erdogan afirmou ainda que “milhões de pessoas de todas as religiões e etnias perderam suas vidas na Primeira Guerra Mundial[3].

Ele declarou também ser “inadmissível” que a Armênia faça uso dos eventos de 1915 “como uma desculpa para a hostilidade contra a Turquia[3] transformando o assunto “em uma questão de conflito político[3]. Também repetiu apelos anteriores para o diálogo entre os dois países e solicitações para a criação de uma “Comissão Histórica Conjunta” para investigar acontecimentos que envolveram as mortes[1]– um pedido que tem até sido negado pelas autoridades armênias até o momento[3].

A Armênia tem até agora recusado a oferta de uma Comissão dessa natureza, pois considera o genocídio como um fato histórico estabelecido e acredita que a Turquia faria uso de tal Comissão para pressionar sua própria versão dos acontecimentos[1]. Erdogan reiterou a posição turca de longa data de que a morte de milhões de pessoas em virtude da violência do período deve ser lembrada “sem discriminação quanto à religião ou etnia[1].

Os EUA saudaram a declaração como histórica. O “Porta-Voz do Departamento de Estado dos EUA”, Jen Psaki,afirmou que Washington saudou oreconhecimento público histórico de Erdogan do sofrimento que os armênios experimentaram em 1915[4]. No entanto, o “Presidente da Armênia”,Serzh Sarkisianficou muito menos impressionado com as declarações, afirmando que Erdogan “continua a política de negação absoluta da Turquia[5].Sarkisiandeclarou que “o genocídio armênio está vivo na medida em que o sucessor da Turquia Otomana continua a sua política de negação absoluta. A negação de um crime constitui a continuação direta do próprio crime. Só o reconhecimento e a condenação podem prevenir a repetição de tais crimes no futuro[5]. Sarkisian afirmou ainda que o iminente 100º aniversário do genocídio oferecia à Turquia “uma boa chance de se arrepender e deixar de lado o estigma histórico caso eles façam esforços para libertar o futuro de seu Estado deste fardo tão pesado[4].

Em certo sentido o Primeiro-Ministro se aproxima de um público turco cuja luta pela verdade e justiça está se fundindo com a da diáspora armênia, ao mesmo tempo em que busca restaurar sua credibilidade internacional. Adicionalmente, muitos turcos ecoam as suspeitas dos armênios da diáspora de que a declaração é uma manobra cínica para conquistar benevolência ocidental e para desviar a atenção dos escândalos de corrupção que engolem Erdogan e seu Governo[6], bem como das recentes acusações de autoritarismo e brutalidade policial[7].

A Turquia cortou laços e fechou sua fronteira com a Armênia em 1993 em apoio ao Azerbaijão de língua turca, que então travava uma batalha perdida contra os separatistas armênios de Karabakh.A fronteira permanece fechada desde 1993[1]. No ano passado, o Ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu chamou os eventos de 1915-1916 de um “erro” durante a primeira visita de alto escalão da Turquia à Armênia em quase cinco anos[3].

A Turquia nega as alegações de armênios de que até 1,5 milhão de pessoas foram mortas e deportadas forçosamente, bem como que isto constituiu um ato de genocídio. Os turcos afirmam que a grande maioria dos mortos foi fruto dos confrontos e da fome durante Primeira Guerra Mundial e os turcos étnicos também sofreram com o conflito[2]. Afirma ainda que entre 300.000 e 500.000 armênios e pelo menos a mesma quantidade de turcos morreram no período[4]. As disputas por reconhecimento e denúncias do negacionismo continuam a atar as relações entre os dois países[1][3].

Dentre as mais de 20 nações[4] que reconheceram formalmente o genocídio armênio perpetrado pelos turcos estão Argentina, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Rússia, Líbano, Uruguai e Chile. “Reino Unido”, EUA, Israel e outros fazem uso de uma terminologia diferente[3], supostamente em razão da parceria militar destes países com a Turquia[8]. Assim como 43 dos estados norte-americanos, os Estados brasileiros de “São Paulo”, Paraná e Ceará reconhecem o genocídio. Israel e Brasil, na categoria de Estados nacionais, ainda não reconhecem o genocídio armênio[8].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-europe-27131543

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.586910

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/turkey-pm-offers-condolences-armenians-2014423131613513407.html

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-27131543

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/apr/24/armenian-president-turkey-genocide-denial

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/news/world/.premium-1.587389

[6] Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2014/04/turkey-armenia-genocide-reconciliation-erdogan-credibility.html

[7] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/turkey/10347991/Turkish-police-in-Taksim-protests-accused-of-brutality.html

[8] Ver:

http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/guia-dos-99-anos-do-genocidio-armenio-vergonhosamente-nao-reconhecido-pelo-brasil/ 

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Partido de Erdogan venceu as eleições municipais na Turquia

O “Partido Justiça e Desenvolvimento” (AKP), do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, venceu as “Eleições Municipais” realizadas no país. As eleições foram marcadas por protestos que deixaram pelo menos oito mortos e 17 feridos em várias cidades. O AKP obteve 45,5% dos votos de todo o país, contra 27,9% de seu principal concorrente, o “Partido Republicano do Povo” (CHP)[1]. Na capital, Ancara, uma das cidades mais importantes para o AKP, o candidato do partido, Melih Gökçek, foi eleito prefeito. Para Erdogan, as eleições municipais representam uma espécie de referendo de aprovação do seu governo, abalado por denúncias de corrupção e autoritarismo. A vitória do partido governista acalmou a elite e os parceiros internacionais da Turquia[2].

Apesar das medidas impopulares adotadas recentemente, como o bloqueio do Twitter e do site de compartilhamento de vídeos Youtube, Erdogan continua com a popularidade alta entre as camadas mais pobres e conservadoras do país. O mandato de Primeiro-Ministro terminará em 2015. Ao comemorar a vitória de seu partido nas eleições municipais, Erdogan sugeriu que seu próximo passo será concorrer à Presidência em agosto, ou mudar as regras internas do AKP, criadas por ele mesmo, para concorrer a um quarto mandato de Primeiro-Ministro.

Erdogan planeja se manter no poder até 2023, quando completam 100 anos da “Revolução Kemalista”, que transformou a Turquia em república. Até pouco tempo, o país era considerado um modelo de democracia islâmica a ser exportado. Mas os protestos realizados em 2013, na “Praça Gezi”, revelaram ao mundo o lado autoritário do Primeiro-Ministro[3].

Um dia depois do “Tribunal Constitucional” ter declarado ilegal o bloqueio do Twitter ordenado pelo Governo, a rede social permaneceu inacessível na Turquia. O Tribunal decidiu por unanimidade que o bloqueio é uma violação do direito constitucional de liberdade de expressão e ordenou o desbloqueio imediato. A decisão, que deve ser aplicada pela “Autoridade Turca de Telecomunicações” (TIB), foi publicada ontem, quinta-feira, dia 3 de abril, no Diário Oficial[4].

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Imagem  (Fonte):

http://www.mediapool.bg/erdogan-specheli-mestnite-izbori-i-se-zakani-da-razgromi-opozitsiyata-news218591.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-26807067

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/programmes/insidestory/2014/03/turkey-elections-test-erdogans-rule-2014331161154603492.html

[3] Ver:

http://www.economist.com/news/europe/21600161-ak-party-wins-convincingly-what-next-erdogan-roll
[4] Ver:

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/atualidade/2003/03/17/000.htm

                 

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Delegação russa oferece ao Brasil nova cooperação em “Projeto Aeroespacial”

Na semana passada, de segunda-feira (dia 14) a quinta-feira (dia 17), o Governo russo esteve com uma delegação no Brasil, dirigida pelo seu ministro da Defesa, Sergei Shoigu. A grupo veio ao país com objetivos de oferecer propostas estratégicas em Defesa e transferência de tecnologia. No campo tecnológico, para surpresa de todos, o grande destaque se deu na discussão de parceria para o desenvolvimento de satélites e num programa separado para a “Indústria Aeroespacial Brasileira[1].

Além da área tecnológica, a delegação russa também apresentou propostas estratégicas na área de Defesa, oferecendo parcerias no projeto de caças de 5º geração e uma possível aquisição de caças de 4º geração[2].

Essa aproximação com a Rússia vem em um momento no qual o Governo brasileiro se demonstrou incomodado com as revelações do ex-analistas norte-americano Eduard Snowden, sobre o fato de o Brasil e suas empresas terem sofrido ações de espionagens por parte do Governo do “Estados Unidos”.

De acordo com observadores, esta aproximação entre os dois países pode ser uma tendência futura, em que o Brasil buscará se alinhar fora do escopo tecnológico estadunidense. Dentro disso, pode-se entender as razões da parceria no desenvolvimento de satélites, pela qual o Governo brasileiro tem interesse em criar um padrão de comunicação independente de tecnologias norte-americanas.

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ImagemMinistro da defesa Sergei Shoigu” (Fonte):

http://en.ria.ru/russia/20131020/184250734/Russia-Offers-Brazil-New-Joint-Space-Projects.html

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[1] Ver:

http://en.ria.ru/russia/20131020/184250734/Russia-Offers-Brazil-New-Joint-Space-Projects.html

[2] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/avanca-o-dialogo-estrategico-entre-brasil-e-russia/

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Presidente Putin adverte que o mundo não terá recuperação econômica rápida

Na semana passada (em 7 de outubro), o presidente russo Vladimir Putin, em um Fórum daCooperação Econômica da Ásia e do Pacífico” (APEC, na sigla em inglês), fez uma declaração na qual alegou que há pouca esperança de rápida recuperação da economia global. Também apontou que, embora a fase mais aguda da crise já tenha terminado, os problemas do atual modelo econômico são de natureza estrutural e, por isso, prolongados[1].

Putin alega que é necessário um novo modelo de desenvolvimento econômico para corrigir os desequilíbrios a longo prazo, para, assim, garantir o crescimento da economia de bens e serviços, a criação de empregos e as reformas estruturais. Ele afirmou que nas Cúpulas do G8 e do G20 (ocorridas no mês passado) esse tema foi debatido, mas, salientou, que apenas os líderes do G20 chegaram a um consenso sobre a necessidade de combinar estímulo econômico com as medidas de consolidação orçamental[2]

Segundo analistas, esse posicionamento naCúpula do G20é uma maneira expressa de dizer que a economia global precisa ser repensada para tirar dosEstados Unidosa responsabilidade por equilibrar o sistema

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Imagem Presidente russo Vladmir Putin na comitiva de imprensa do G20” (Fonte):

http://en.g20russia.ru/photo/20130906/782790401.html

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Fontes consultadas:

[1]  VerRIA NOVOSTI”:

http://en.ria.ru/world/20131007/183988902/No-Quick-Recovery-for-Global-Economy-Warns-Putin.html

[2] Ver REUTERS:

http://www.reuters.com/article/2013/09/06/g20-economy-russia-idUSL6N0H215P20130906

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A ascensão internacional de Vladimir Putin

A mídia internacional vem destacando nos últimos dias a ascensão global que adquiriu o Presidente da Rússia, Vladimir Putin. O mandatário russo conseguiu incorporar a esperança de que a guerra civil da Síria não se desdobre num conflito regional que poderá abalar todo o sistema internacional, gerando uma crise sistêmica cujos efeitos serão difíceis de serem medidos. 

Após o anúncio do presidente norte-americano de que os EUA estavam preparados para atacar Damasco em resposta ao fato de o governo sírio ter sido supostamente o responsável pelo uso de armamentos químicos contra o seu povo, a situação ficou tensa e a possibilidade de combate extremamente próxima, restando a reunião do G20 como último momento para frear o ímpeto estadunidense, que tinha apoio francês e britânico, aliados norte-americanos para um bombardeio da Síria, mesmo que sem aprovação das “Nações Unidas”.

O fracasso das investidas de Obama em convencer os participantes da reunião em apoiá-lo gerou um clima de desconforto pelo fato de se ter certeza de que haveria o ataque, pois Obama solicitou autorização do Congresso estadunidense o qual deu aprovação para a medida. Neste momento, entrou em cena Vladimir Putin defendendo uma saída para frear a situação e apresentando uma proposta que levou parte significativa dos analistas internacionais a tomá-la como a jogada de mestre, ao ponto de torná-lo a principal celebridade mundial entre os mandatários e autoridades políticas deste instante.

Putin reuniu-se com o presidente Sírio, Bashar al Assad, levou-o aderir à “Convenção Internacional para a Proibição de Armas Químicas[1] e a colocar seu estoque de armamentos sob cuidados e supervisão internacional, com previsão de ser destruído em meados do próximo ano, 2014.

A rigor, a proposta de Putin sobre o arsenal químico sírio, já havia sido levantada um ano antes por um norte-americano, o senador americano Richard Lugar, mas, como destacou o especialista militar russo Alexander Golz, “Lavrov e Putin se lembraram dessa sugestão na hora certa e no lugar certo[2].         

A ação foi perfeita para os russos, pois evitaram o pior de todos os cenários: um desequilíbrio regional numa região em que geopolítica e geoestrategicamente é área de influência da Rússia. Também evitaram a queda do principal aliado na região: o governo Assad.

Putin elevou-se à categoria de mediador internacional e colocou os norte-americanos a reboque das negociações que ele conduzirá para resolver a situação da Síria. Ademais, conforme vários observadores norte-americanos vem sinalizando, ele resolveu um problema criado pelo governo Obama, que antecipou-se anunciando o ataque, bem como a culpa do Governo sobre os ataques com armas químicas antes das conclusões finais acerca do culpado pelo evento.   

Segundo analistas, Obama cometeu o erro de criar um impasse moral e político para si e para os EUA com o anúncio do ataque, prevendo que receberia apoio mundial, algo que não ocorreu, com isso obrigou-se a ameaçar que atuaria unilateralmente, produzindo críticas de toda a comunidade internacional.

Putin, pelo contrário, ganhou apoio global ao ponto de receber o agradecimento do próprio governo estadunidense, que percebeu o problema em que havia se envolvido com as precipitações. No dia 14, sábado passado, os ministros das relações exteriores da Rússia e dos EUA, Serguei Lavrov e John Kerry, respectivamente, deram declarações positivas em relação à reunião que tiveram em Genebra sobre as armas químicas da Síria e Kerry agradeceu a Putin por ter mantido as negociações com Assad[3].

Para completar as ações, o Presidente russo publicou no jornal “The New York Times”, no dia 11 de setembro, uma carta aberta ao povo americano[4] que os observadores consideram ter sido uma resposta mundial ao discurso de Obama a nação americana no dia anterior, quando este, para efeito de mobilização do povo, levantou a tese da excepcionalidade dos Estados Unidos, algo que muitos consideram uma forma de declarar a tese do destino manifesto, mas com uma missão histórico mundial.

Putin adotou nesta carta um discurso em prol do direito à autodeterminação dos povos, à igualdade das nações, à liberdade mundial e de respeito ao Direito Internacional. A carta fez efeito nos EUA e recebeu apoio de 80% dos norte-americanos, demonstrando que o russo entendeu como poucos que a sociedade estadunidense não necessariamente se confunde com o seu governo e o apoio desta é determinante para a continuidade de decisões governamentais em política externa.

No Facebook do jornal, por exemplo, houve manifestações como: “É curioso verificar que Putin faz mais em defesa da América que o nosso próprio governo. Eu tiro-lhe o chapéu, Putin[5]; “Assim Putin acabou com a guerra do Obama. Putin, que é um ex-agente do KGB, impediu o laureado com o Prêmio Nobel da Paz Obama de começar uma guerra que iria matar milhares. Não faz muito sentido, não é?[5]; “Quanto mais leio e ouço sobre Putin, mais impressionada fico[5]; “Sabem em quem eu realmente confio? Num cara com puras intenções e o forte sentido de moralidade. Alguém que realmente se preocupa com o bem-estar dos EUA. Vladimir Putin![5]; “Putin tem razão – nós não somos ‘excepcionais’. Isso é apenas propaganda promovida por Obama que nos afasta dos povos do resto do mundo. Nós temos de perceber que todos estamos interligados e unidos[5].

As declarações dos analistas estão confluindo para o posicionamento de que o mandatário russo tornou-se o homem do momento, pois passou a concentrar em suas mãos a esperança da comunidade internacional de uma solução negociada para a crise síria. Com esta ação, ele conseguiu também reduzir as críticas sobre sua personalidade, sobre os problemas políticos na Rússia, sobre a necessidade de reforma no seu país, as acusações de homofobia, bem como sobre as acusações de autoritarismo para encarnar um papel de mediador internacional que a comunidade desejava encontrar desde o considerado fracasso do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em assumir tal papel, quando da crise em Honduras, da mediação entre Israel e Palestina e da Crise do Programa Nuclear Iraniano.

No entanto, não se sabe o tempo que durará, nem se o ataque a Síria será evitado. Contudo, se a guerra ocorrer, ele terá se posicionado como um promotor da paz, da perspectiva dos interpretes da história, mesmo que tenha ficado ao lado de um dos governos considerados mais sangrentos da história.                          

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.portalvitrine.com.br/adesao-da-siria-a-convencao-de-armas-e-passo-importante-diz-putin-news-50635.html

[2] Ver:

http://noticias.terra.com.br/moscou-volta-a-cena-internacional-com-iniciativa-para-siria,d4dd288dd7811410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html 

[3] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_09_14/EUA-agradecem-Putin-pela-ideia-de-manter-conversa-es-sobre-a-S-ria-0160/?from=menu  

[4] Ver a íntegra da carta no final artigo:

http://port.pravda.ru/russa/14-09-2013/35281-carta_putin-0/

[5] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_09_14/Americanos-comuns-apoiam-plano-de-Putin-para-resolu-o-do-conflito-s-rio-4153/

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Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_09_14/Obama-e-Putin-discutirao-estoques-de-armas-quimicas-da-Siria-7746/

Ver também:

http://noticias.gospelprime.com.br/vladimir-putin-aula-cristianismo-obama/

Ver também:

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2013/09/em-resposta-a-putin-mccain-vai-escrever-para-o-pravda-4268924.html

Ver também:

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/putin-louva-decisao-da-siria-de-assinar-tratado-que-proibe-armas-quimicas,ed63c69932f01410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Ver também:

http://www.brasildefato.com.br/node/25889

AMÉRICA DO NORTEÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível solução diplomática para a Síria entre Estados Unidos e Rússia

Na última terça-feira, dia 10 de setembro, o presidente sírio Bashar al-Assad aceitou o plano proposto pela Rússia de abrir mão se suas armas químicas. O governo russo tem sido o principal aliado da Síria nos últimos dois anos e apresentou o projeto como uma tentativa de evitar a utilização de forças militares americanas no país.

Segundo declaração feita pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, a proposta de que a Síria entregue seus estoques de armas químicas para o controle internacional só pode funcionar se “o lado americano e todos aqueles que apoiam os Estados Unidos neste sentido rejeitarem o uso da força[1].

Nesta quinta-feira, 12 de setembro, o Secretário de Estado norte-americano John Kerry chegou à Genebra para conversar com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Na ocasião, oficiais do governo dos Estados Unidos declararam que a Síria deve tomar medidas imediatas com o objetivo de demonstrar sua seriedade e realidade de intenções. Dentre os primeiros passos exigidos por Washington, a administração de Bashar al-Assad deve fazer uma declaração pública do conteúdo de seus estoques de armas químicas como um prelúdio para inspeção e neutralização das mesmas[2].

Os planos de Kerry são de manter pelo menos dois dias de conversações com Lavrov acerca da proposta da entrega das armas químicas pelo governo sírio. Também esta quinta-feira, o Secretário de Estado norte americano estava com reunião marcada com Lakhdar Brahimi, o enviado especial da ONU na Síria. John Kerry está acompanhado de uma delegação governamental e de especialistas do Pentágono em não proliferação.

Após a apresentação do plano pelo Governo russo, o presidente dos “Estados Unidos”, Barack Obama, aceitou a proposta diplomática em primeira mão, mas com cautela. Obama não foi bem sucedido nas últimas semanas em seus esforços para ganhar apoio do púbico e do Congresso estadunidense para uma ação militar em território sírio. Ainda assim, as autoridades americanas reconhecem que a possibilidade de um acordo é bastante incerta, por motivos políticos e logísticos. 

Com os acontecimentos desta semana, o governo sírio reconheceu oficialmente de forma pública que possui armas químicas, mas continua atribuindo a responsabilidade dos ataques ocorridos no dia 21 de agosto às forças de oposição.

Nem a proposta de rendição das armas químicas, nem a declaração pública de seus estoques pelo presidente da Síria influenciam na resolução ou em medidas para amenizar a guerra civil que já deixou mais de 100 mil mortos no país. A oposição ao governo Assad rejeitou o plano, que, a seu ver, seria inútil e permitiria ao Presidente continuar utilizando livremente armamentos convencionais contra os grupos rebeldes e a população.

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Imagem (Fonte):

http://www.theguardian.com/world/2013/may/07/russia-us-syria-conference

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57602144/syria-accepts-russian-plan-to-surrender-chemical-weapons-stockpile-as-strike-momentum-eases/

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.546710