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[:pt]Tensão entre Rússia e Islândia: o caso do voo dos bombardeiros[:]

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Durante um voo comercial entre Reykjavik e Estocolmo, o comandante da aeronave avistou dois aviões bombardeiros russos do tipoTu-22M, os quais estavam a cerca de entre 1,8 Km a 2,4 Km de distância de sua aeronave, o que deixou o piloto preocupado, sobretudo pela surpresa, já que não teve identificação prévia do bombardeiro, no limite entre a zona de tráfego aéreo islandesa e norueguesa, e pelo fato de haver desligamento dos transponders dos aviões russos, cuja função consiste em informar às demais aeronaves a posição de altura dos mesmos e assim evitar colisões.

No tocante ao episódio, que ocorreu em 22 de setembro, o comandante da aeronave comercial declarou que recordava da situação existente no período da Guerra Fria, e afirmou: “Eles preferem desativar todas as suas transmissões de radar e por isso o nosso equipamento de anticolisão não funciona. Isto equivale a não identificar esses aviões”.

Em referência ao fato, o assessor da Embaixada da Rússia na Islândia, Alex Shadsky, informou que as manobras dos bombardeiros não representavam ameaça, e declarou: “Esta é apenas propaganda para dizer que os aviões russos voam sem determinar a localização pelo dispositivo, porque os aviões da OTAN também o fazem”.

No tangente ao jogo geopolítico, o receio dos aviões russos Tu-22M é compreensível, visto que os mesmos possuem capacidade para armamentos nucleares, são supersônicos e, segundo informado, aparentemente voavam sem motivo na região. Neste caso, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) expressaram descontentamento com o que entendem como “perigosas e pouco profissionais” as interceptações feitas pelos pilotos russos, os quais contra-argumentaram afirmando que seguem todas as normas jurídicas internacionais.

Segundo a opinião dos analistas, é preciso salientar dois fatores: o primeiro refere-se ao que opinam como sendo desleixo na atuação militar russa, no âmbito da aproximação em relação a um voo comercial sem o uso de equipamento necessário, o que, para além da perspectiva jurídica, consideram que pôs em risco a vida dos passageiros; além disso, para estes analistas, também é digno de reflexão a busca da razão para existirem dois aviões deste porte naquela região. O segundo fator sustenta-se na hipótese de retaliação de Moscou à OTAN, devido à insatisfação com a possível reabertura da base de Keflavik, que havia encerrado suas atividades em 2006, já que, recentemente, militares dos Estados Unidos solicitaram recursos na ordem de US$ 21,4 milhões para reparos de hangares na respectiva base aérea na Islândia, com o objetivo de colocar um avião Boeing P-8 Poseidon para patrulhamento.

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ImagemMapa da Islândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e8/Iceland_-_Location_Map_%282013%29_-_ISL_-_UNOCHA.svg/1024px-Iceland_-_Location_Map_%282013%29_-_ISL_-_UNOCHA.svg.png

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EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Separatismo(s): uma questão latente nos Bálcãs[:]

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Foi decidido pelos eleitores da República Srpska que o Dia da República será comemorado todo “9 de Janeiro”. O Referendo, inicialmente desautorizado pela Suprema Corte da Bósnia-Herzegovina, que ditava sobre os controles das instâncias da Federação para com as decisões tomadas na Câmara da República Srpksa, foi realizado de igual forma no último domingo, 25 de setembro.

Com uma vitória praticamente unânime (99,79% dos eleitores), os cidadãos da República Srpska instituíram, além da proposta, a comemoração do Dia Nacional da República. O Presidente da entidade, Mirolad Dodik, discursou após o final da votação e assinalou a importância do Referendo para o futuro da nação sérvia na Bósnia: “hoje, escrevemos mais uma página de nossa gloriosa história e dissemos que somos um povo que lutará pela liberdade e para os direitos da República”.

O resultado da consulta popular reacende a preocupação regional com uma possível tentativa de saída da República Srpska da Federação que esta tem com a Bósnia. Isso se dá conjuntamente com as recentes associações das lideranças da República com entidades da Federação Russa.

O Referendo é veementemente repudiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, os quais consideram que ele atenta contra as cláusulas do Acordo de Dayton. Oficialmente, o Governo da Sérvia mantém posição de neutralidade em todos os casos envolvendo a entidade e suas relações externas e internas.

Outro caso que vem atraindo os olhares da comunidade internacional é o da concessão de cidadania, por parte do Governo da Albânia, a seis membros do partido político Vetevendosje, terceira força política no Kosovo. O Partido, que recentemente praticou atos no Parlamento do país com gases de fumaça, é a favor da separação do Kosovo e contra as recentes negociações por novas demarcações fronteiriças com Montenegro. Kosovo, que recentemente foi admitido à FIFA, busca reconhecimento internacional de seu caráter de independência auto-declarada, desde 2008.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Republika_Srpska#/media/File:Milorad_Dodik_mod.jpg

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Cessar fogo entra em vigor na Síria: analistas são receosos quanto à efetividade da trégua[:]

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No final da segunda-feira, 12 de setembro de 2016, entrou em vigor na Síria um cessar-fogo de amplitude nacional intermediado pelos Estados Unidos e Rússia. Há preocupações de analistas sobre a sustentação da trégua, cujo anúncio coincidiu com o feriado muçulmano de Eid al-Adha. Várias horas depois do cessar-fogo, o Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado no Reino Unido, afirmou que as principais zonas de conflito em todo o país estavam tranquilas. No entanto, foram registrados bombardeios leves pela Oposição e pelas forças do Governo no sudoeste do país.

O Acordo de Cessar Fogo foi estabelecido na última sexta-feira, 9 de setembro, pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e pelo Chanceler russo, Sergey Lavrov. A trégua visa permitir a entrada da ajuda humanitária, além de buscar os cominhos de uma solução política para o conflito entre as forças leais ao presidente Bashar al-Assad e grupos rebeldes de oposição, mais ou menos moderada, lutando para depô-lo. O Governo sírio, bem como o Irã e o Hezbollah, dois de seus mais fortes aliados, concordaram com os termos firmados.

A trégua, contudo, não se aplica ao Estado Islâmico ou ao Jabhat Fateh al-Sham, anteriormente conhecido como Frente al-Nusra, que mudou seu nome após cortar laços com a al-Qaeda, em julho de 2016. Horas após a trégua ter entrado em vigor em todo o país, mais de uma dúzia de grupos rebeldes, incluindo a Aliança do Exército Livre da Síria (FSA), o Ahrar al-Sham e o Jaish al-Islam criticaram duramente o Acordo como “injusto”, sem, contudo, rejeitá-lo totalmente. Questões permanecem, no entanto, sobre como o cessar-fogo será aplicado nas várias partes do país onde grupos extremistas estão presentes.

Com violações pontuais no cessar fogo de ambas as partes durante os primeiros dois dias, mas sem mortes de civis, os chamados rebeldes moderados questionam a falta de clareza nas garantias de implementação do que foi acertado, ou nos mecanismos de monitoramento da trégua. Expressando suas reservas, Salem al-Meslet, porta-voz do Alto Comitê de Negociações, principal bloco de oposição sírio, questionou qual será a definição escolhida para “terrorismo” e qual será a resposta em caso de violações.

Segundo os termos estabelecidos, o acesso humanitário a muitas áreas sitiadas do país e “de difícil alcance” deve começar imediatamente, com forças governamentais e rebeldes assegurando-o sem restrições, sobretudo à cidade de Aleppo. Nela, cerca de 250.000 civis estão presos na parte oriental, controlada pelos rebeldes, devido a um cerco das forças do Governo. Autoridades da ONU declaram estarem prontas para prestar ajuda às áreas sitiadas, mas necessitam de melhores garantias de paz. Caso o cessar-fogo se mantenha, o Acordo prevê que Washington e Moscou comecem a atacar conjuntamente grupos radicais extremistas, incluindo o Estado Islâmico e a Jabhat Fateh al-Sham, em uma semana.

Conforme o Observatório Sírio para Direitos Humanos, o número de mortes registradas desde o início do conflito, em março 2011, já passa dos 300.000. Estimativas chegam a 430.000, mas a ONU cessou o recolhimento de números oficiais, incerta sobre a sua capacidade de recolher dados precisos. Mais 4,8 milhões fugiram para o estrangeiro, e estimados 6,5 milhões estão deslocados no interior do país, segundo afirmação do Alto Comissariado das Nações Unidas.

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ImagemRepresentantes russos e americanos se reúnem para discutir a situação na Síria, em 29 de Setembro de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_military_intervention_in_Syria#/media/File:Sergey_Lavrov,_Vladimir_Putin_and_John_Kerry.jpg

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AMÉRICA DO NORTEÁSIADEFESAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Grandes potências realizam manobras militares na Ásia[:]

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Terça-feira, 13 de setembro, pode se tornar uma data histórica no continente asiático, por ser o momento em que se iniciou a ação mais agressiva da tentativa de impedir os avanços militares da Coreia do Norte. Chineses e russos instauraram manobras conjuntas na região e bombardeiros dos Estados Unidos atuaram no espaço aéreo da Coreia do Sul.

A inédita manobra sino-russa visa aprofundar e ampliar as cooperações entre Moscou e Beijing, tal qual afirmou o Diretor-Geral chinês e Vice-Comandante da Marinha chinesa, Wang Hai. Os exercícios serão um completo simulado de guerra e patrulhamento para aumentar a segurança regional e, conforme o Vice-Comandante da Marinha russa, Alexander Fedotenkov, todas as manobras serão em estilo competitivo, para acelerar o desenvolvimento de cada unidade, seja russa, seja chinesa.

Conforme dito, simultaneamente, aviões supersônicos e bombardeiros norte-americanos sobrevoaram todo o espaço aéreo da Coreia do Sul. Cada um foi escoltado por caças estadunidenses que decolaram da Base Aérea Andersen, em Guam, no Pacífico, rumo à Península Coreana. Segundo informou o general Vicente Brooks, Comandante das Forças Americanas na Coreia do Sul, “A demonstração de hoje é apenas um exemplo de toda a série de capacidades militares desta sólida aliança, que busca proporcionar e reforçar a dissuasão”.

Exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul não são novidades na região, assim como as declarações de reforço ao sistema de defesa do Japão. A cada movimento de Pyongyang essas três potências se mobilizam e permanecem em estado de alerta. Chineses e Russos, no entanto, fazem manobras inéditas e, embora elas tenham sido anunciadas faz algumas semanas, tem ocorrido muitos comentários sobre essa ação conjunta, tanto negativos como positivos.

Na data do anúncio das manobras militares pelo Governo chinês, a apreciação sobre o risco que as manobras causariam se baseava na avaliação do sistema de defesa antimísseis THAAD* usado na Coreia do Sul, uma vez que se considerava que esses exercícios eram uma afronta direta ao sistema, mas a situação foi amenizada após o encontro dos líderes chineses e sul-coreanos na Reunião de Cúpula do G20. O que torna interessante o dia 13 de setembro é que russos, chineses, sul-coreanos e norte-americanos escolheram a mesma data para sua agenda militar, logo após um teste nuclear da Coreia do Norte.

Muito será discutido entre os especialistas em segurança no continente asiático, pois, com o teste norte-coreano, fica patente que essas manobras são uma demonstração de força contra os líderes da Coréia do Norte. Entretanto, ainda ficam as interrogações sobre as reações de cada um dos grupos envolvidos acerca das mobilizações militares na região, bem como a que realmente poderá levar. Além disso, se será um passo para por fim na corrida nuclear norte-coreana. Fica ainda a dúvida se o caso coreano do norte foi apenas a justificativa para mais uma demonstração de força entre as principais potências do mundo naquela área da Ásia.

Tais dúvidas poderão ser esclarecidas brevemente, após as mobilizações de Pyongyang e dos aliados que são contra as atitudes confrontadoras da Coreia do Norte ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), que, mesmo sofrendo sansões econômicas por mais de 10 anos, ainda se mantêm confiante no desenvolvimento do armamento nuclear.

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* O terminal THAAD é um sistema de defesa antimísseis transportável com facilidade. Ele tem a função de proteger contra ameaças de entrada hostis, atuando para combater mísseis balísticos táticos, em teatros com intervalos de 200 km e com altitudes de até 150 km. Conforme apontam especialistas, ele fornece um ‘escudo de defesa em camadas’ para proteger locais estratégicos ou táticos de alto valor, como aeroportos ou centros populacionais. Vide:

http://www.army-technology.com/projects/thaad/

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ImagemUm interceptor THAAD sendo disparado durante um exercício em 2013 tradução livre” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense

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AMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESAEURÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]China poderá intensificar Pacto de Cooperação Militar com a Rússia[:]

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O acelerado desenvolvimento econômico tornou a China o segundo país mais rico do mundo, depois dos Estados Unidos da América, com tendência a se tornar o mais rico, ainda na virada da década de 2020. Como se não bastasse, a líder do BRICS é a maior credora de títulos da dívida pública dos EUA, com créditos de, aproximadamente, US$ 1,25 trilhão.

Em 2013, analistas de Inteligência da RAND Corporation*, que atende ao Governo norte-americano, publicou no jornal Los Angeles Times um provocativo artigo intitulado “U.S., China and an unthinkable war” (“EUA, China e uma guerra impensável”, em tradução livre), em que preveem um possível ataque preventivo de uma potência contra outra, como estratégia militar de definição da vitória, tendo como possíveis estopins o crescente domínio militar do gigante asiático no Mar do Sul da China, a instabilidade da Coréia do Norte, e a independência de Taiwan, apesar das ameaças urgentes de espionagem cibernética e guerra cambial.

No auge da Guerra Fria, o mundo estava econômica e politicamente dividido entre o Bloco Capitalista (um conjunto de países do Ocidente sob o comando dos Estados Unidos da América) e o Bloco Socialista (Composto pelo Estados aliados da extinta União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, que liderava o conjunto, mas que, a rigor, poderíamos dizer que era comandado pela Rússia). Mesmo encerrado este período histórico, ainda hoje, a Rússia, sob o nome de Federação Russa, é a 2ª maior potência militar do Globo, de acordo com o ranking do site Global Firepower (GF), o qual não leva em conta o volume de armas e o arsenal nuclear, mas o orçamento de Defesa e a mão-de-obra disponível. No entanto, apesar do posicionamento da Rússia, contemporaneamente, a atenção é voltada para a rivalidade entre EUA e China, que está em 3º lugar no ranking do GF e tem se esforçado em aumentar sua capacidade bélica.

Diante do quadro, as posições de analistas convergem para o acirramento desta rivalidade, bem como para a maior probabilidade de enfrentamentos entre ambos. Em 2016, por exemplo, a mesma RAND Corporation elaborou um Estudo de Cenário para 2025, chamado War with China – Thinking Through the Unthinkable” (“Guerra com a China – Pensando Através do Impensável”), onde realizou recomendações estratégicas aos líderes políticos e militares de ambas as potências, evidentemente com maior destaque às ações que os EUA devem tomar para mitigar os riscos de um eventual conflito militar com a China, tais como: aumentar a frota de submarinos para reduzir os efeitos das Anti-Access/Area Denial (A2/AD) chinesas, que são sistemas de defesa para negar o uso do mar por potências estrangeiras, inclusive com mísseis balísticos anti-navio (MBAN); estabelecer acordos com lideranças asiáticas – o Japão, principalmente; e aprofundar as relações militares entre os países, para melhor compreensão de suas capacidades bélicas.

Nesse cenário, a China possivelmente aprofundará as relações militares com a Rússia, potência militar global, potência econômica regional e parceira no BRICS. E o fará quer pela identidade ideológica da Economia Capitalista de Estado de ambos e pela histórica rivalidade que os russos têm com os EUA, quer pela sua capacidade bélica. Uma indicação desse alta probabilidade, foi a confirmação ocorrida no dia 23 de agosto de 2016, terça-feira passada, do encontro do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o Presidente da França, François Hollande, e com a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante a Reunião de Cúpula do G-20, nos dias 4 e 5 de setembro de 2016, em Pequim, para tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, algo que pode representar mais um passo nas conversações para intensificar o pacto de cooperação militar entre China e Rússia.

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* Organização de pesquisa que desenvolve soluções para os desafios de política pública, visando ajudar as comunidades em todo o mundo a tornarem-se mais seguras, mais saudáveis e mais prósperas.

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Imagem (Fonte):

http://www.transconflict.com/2014/09/russiachina-containment-099/

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DEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Exercícios russos em território sérvio deixam vizinhança em alerta[:]

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Estabelecidos desde 2014, o terceiro exercício conjunto dos Exércitos russos e sérvios está para ser realizado dentre os meses de agosto e setembro de 2016, coroando o crescente nível de influência russa dentro das instituições sérvias – algo que pode ser relacionado como reflexo da construção cultural e relacional de ambos os países. A Operação “Irmandade Eslava 2016” (Slavic Brotherhood) traz a expertise da força aérea russa para treinamentos com as Forças Armadas da Sérvia e membros militares da Belarus. O Ministro da Defesa sérvio, Zoran Đorđević, enfatizou os objetivos principais da missão que almeja “melhorar as capacidades funcionais e operacionais do exército sérvio”. O exercício está programado para envolver os recém adquiridos caças MiG-29 e helicópteros Mi-17, ambos modelos de procedência russa.

Como nas edições anteriores da empreitada militar russa nos Bálcãs, a atitude gerou preocupações pelas vizinhanças. Devido às operações serem na cidade sérvia de Nikinci, a apenas 30km da fronteira com a Croácia, as estreitas relações sérvio-russas levantam receios e desconfiança nos países vizinhos quanto as reais intenções dos movimentos. Durante a última reunião da OTAN, em Varsóvia, a presidente croata Kolinda Grabar-Kitarovic declarou estar preocupada com os possíveis desenrolares das operações, o que é unânime na posição do Governo croata. Algo verificado também em assertos do Ministério da Defesa, no qual a posição é de preocupação, porém, em relação à intenção da Sérvia adentrar no rol de países da União Europeia, acarretando uma total reformulação nas políticas de segurança comum, assim como na política externa do país. De maneira clara: a aproximação russa com um aliado postulante à filiação europeia é passível de desestabilização nas relações entre Bruxelas, Belgrado e Moscou.

O primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev é esperado em solo sérvio no final do mês de setembro (2016), quando se espera a assinatura de um Acordo de Concessão Especial para as forças armadas russas em território sérvio na base militar de Nis, ao norte da Sérvia. Se ratificado, o Acordo balançaria a declaração de neutralidade do Estado sérvio, proclamada em 2007. Membro do programa Partnership for Peace da OTAN, desde 2006, a Sérvia tem feito uma espécie de “jogo-duplo” entre a Rússia e potências ocidentais em vários aspectos – desde o fornecimento de hidrocarbonetos, até associações políticas, culturais e econômicas.

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ImagemBrasão de Armas da Sérvia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sérvia

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