EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Separatismo(s): uma questão latente nos Bálcãs[:]

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Foi decidido pelos eleitores da República Srpska que o Dia da República será comemorado todo “9 de Janeiro”. O Referendo, inicialmente desautorizado pela Suprema Corte da Bósnia-Herzegovina, que ditava sobre os controles das instâncias da Federação para com as decisões tomadas na Câmara da República Srpksa, foi realizado de igual forma no último domingo, 25 de setembro.

Com uma vitória praticamente unânime (99,79% dos eleitores), os cidadãos da República Srpska instituíram, além da proposta, a comemoração do Dia Nacional da República. O Presidente da entidade, Mirolad Dodik, discursou após o final da votação e assinalou a importância do Referendo para o futuro da nação sérvia na Bósnia: “hoje, escrevemos mais uma página de nossa gloriosa história e dissemos que somos um povo que lutará pela liberdade e para os direitos da República”.

O resultado da consulta popular reacende a preocupação regional com uma possível tentativa de saída da República Srpska da Federação que esta tem com a Bósnia. Isso se dá conjuntamente com as recentes associações das lideranças da República com entidades da Federação Russa.

O Referendo é veementemente repudiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, os quais consideram que ele atenta contra as cláusulas do Acordo de Dayton. Oficialmente, o Governo da Sérvia mantém posição de neutralidade em todos os casos envolvendo a entidade e suas relações externas e internas.

Outro caso que vem atraindo os olhares da comunidade internacional é o da concessão de cidadania, por parte do Governo da Albânia, a seis membros do partido político Vetevendosje, terceira força política no Kosovo. O Partido, que recentemente praticou atos no Parlamento do país com gases de fumaça, é a favor da separação do Kosovo e contra as recentes negociações por novas demarcações fronteiriças com Montenegro. Kosovo, que recentemente foi admitido à FIFA, busca reconhecimento internacional de seu caráter de independência auto-declarada, desde 2008.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Republika_Srpska#/media/File:Milorad_Dodik_mod.jpg

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]EUA responsabilizam Rússia pelos ataques à ajuda humanitária na Síria[:]

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Após reuniões e várias negociações entre Estados Unidos (EUA) e Rússia, foi estabelecido, no dia 9 de setembro de 2016, o Acordo sobre o cessar-fogo com fins de ajuda humanitária na Síria. O mesmo entrou em vigor no dia 12, penúltima segunda-feira, contudo, os resultados não foram os esperados. Um comboio de 31 caminhões que passavam pela estrada próxima de Orum al-Kubra, na Província de Aleppo, carregados com suprimentos, foi bombardeado na última segunda-feira, dia 19 de setembro.

Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), o bombardeio atingiu e matou mais de 12 pessoas, entre elas motoristas e voluntárias do Crescente Vermelho. 78 mil eram o número de pessoas que se beneficiariam com os carregamentos trazidos pelo comboio. Após o ocorrido, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, o italiano Staffan de Mistura, afirmou que isso trouxe “indignação”, devido ao “longo processo de permissão e preparação para ajudar civis isolados”.

Os bombardeios fizeram com que a ONU, por meio de seu Porta-Voz, Jens Laerke, suspendesse “imediatamente” o envio de mais frotas até que uma avaliação de todo o ocorrido fosse realizado. No entanto, Laerke mostrou que os acontecimentos não impedirão a Organização de continuar empenhada em “fornecer ajuda a todos os sírios que precisarem”, segundo comunicado oficial na imprensa.

A Casa Branca, apesar de não descartar o Governo sírio, responsabilizou a Rússia pelos bombardeios, isso porque, segundo o Vice-Assessor de Segurança Nacional Norte-Americano, Bem Rhodes, o país estava encarregado de prestar segurança através de patrulhamento aéreo durante o cessar-fogo. O julgamento se deu após investigações terem apontado que o bombardeio veio de duas levas de artilharia que, segundo o Governo dos EUA, seria uma prática comum dos russos.

As autoridades da Rússia, por meio de um comunicado de seu Porta-Voz, Igor Konashenkov, no dia posterior aos ataques, 20 de setembro, se defenderam ao dizer que, após avaliações nas imagens de vídeo realizados por drones, “não há evidencias de que o comboio tenha sido atingido por munições”, pois “não há crateras, e o exterior dos veículos não tem o tipo de danos consistentes com explosões causadas por bombas lançadas a partir do ar”.

Konashenkov explicou que durante a gravação é possível identificar que o comboio estava sendo acompanhado por uma pickup terrorista. Ainda segundo o Porta-Voz, o veículo estava equipado com lançadores de grosso calibre, mas não se pode ver o momento exato das explosões, porém, conclui-se que os responsáveis não foram os russos e nem os sírios, de nenhum dos dois veio o ataque ao comboio de ajuda humanitária.

Por fim, no dia 21, quarta-feira passada, Jens Laerke anunciou que a ajuda humanitária é necessária, por isso uma nova frota de caminhões partiria para Síria no dia seguinte, 22, quinta-feira. No entanto, o destino final não foi mais Aleppo, cidade chave no conflito.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Internacional_da_Cruz_Vermelha_e_do_Crescente_Vermelho#/media/File:Croixrouge_logos.jpg

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Cessar fogo entra em vigor na Síria: analistas são receosos quanto à efetividade da trégua[:]

[:pt] No final da segunda-feira, 12 de setembro de 2016, entrou em vigor na Síria um cessar-fogo de amplitude nacional intermediado pelos Estados Unidos e Rússia. Há preocupações de analistas sobre a sustentação da trégua,…

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AMÉRICA DO NORTEÁSIADEFESAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Grandes potências realizam manobras militares na Ásia[:]

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Terça-feira, 13 de setembro, pode se tornar uma data histórica no continente asiático, por ser o momento em que se iniciou a ação mais agressiva da tentativa de impedir os avanços militares da Coreia do Norte. Chineses e russos instauraram manobras conjuntas na região e bombardeiros dos Estados Unidos atuaram no espaço aéreo da Coreia do Sul.

A inédita manobra sino-russa visa aprofundar e ampliar as cooperações entre Moscou e Beijing, tal qual afirmou o Diretor-Geral chinês e Vice-Comandante da Marinha chinesa, Wang Hai. Os exercícios serão um completo simulado de guerra e patrulhamento para aumentar a segurança regional e, conforme o Vice-Comandante da Marinha russa, Alexander Fedotenkov, todas as manobras serão em estilo competitivo, para acelerar o desenvolvimento de cada unidade, seja russa, seja chinesa.

Conforme dito, simultaneamente, aviões supersônicos e bombardeiros norte-americanos sobrevoaram todo o espaço aéreo da Coreia do Sul. Cada um foi escoltado por caças estadunidenses que decolaram da Base Aérea Andersen, em Guam, no Pacífico, rumo à Península Coreana. Segundo informou o general Vicente Brooks, Comandante das Forças Americanas na Coreia do Sul, “A demonstração de hoje é apenas um exemplo de toda a série de capacidades militares desta sólida aliança, que busca proporcionar e reforçar a dissuasão”.

Exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul não são novidades na região, assim como as declarações de reforço ao sistema de defesa do Japão. A cada movimento de Pyongyang essas três potências se mobilizam e permanecem em estado de alerta. Chineses e Russos, no entanto, fazem manobras inéditas e, embora elas tenham sido anunciadas faz algumas semanas, tem ocorrido muitos comentários sobre essa ação conjunta, tanto negativos como positivos.

Na data do anúncio das manobras militares pelo Governo chinês, a apreciação sobre o risco que as manobras causariam se baseava na avaliação do sistema de defesa antimísseis THAAD* usado na Coreia do Sul, uma vez que se considerava que esses exercícios eram uma afronta direta ao sistema, mas a situação foi amenizada após o encontro dos líderes chineses e sul-coreanos na Reunião de Cúpula do G20. O que torna interessante o dia 13 de setembro é que russos, chineses, sul-coreanos e norte-americanos escolheram a mesma data para sua agenda militar, logo após um teste nuclear da Coreia do Norte.

Muito será discutido entre os especialistas em segurança no continente asiático, pois, com o teste norte-coreano, fica patente que essas manobras são uma demonstração de força contra os líderes da Coréia do Norte. Entretanto, ainda ficam as interrogações sobre as reações de cada um dos grupos envolvidos acerca das mobilizações militares na região, bem como a que realmente poderá levar. Além disso, se será um passo para por fim na corrida nuclear norte-coreana. Fica ainda a dúvida se o caso coreano do norte foi apenas a justificativa para mais uma demonstração de força entre as principais potências do mundo naquela área da Ásia.

Tais dúvidas poderão ser esclarecidas brevemente, após as mobilizações de Pyongyang e dos aliados que são contra as atitudes confrontadoras da Coreia do Norte ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), que, mesmo sofrendo sansões econômicas por mais de 10 anos, ainda se mantêm confiante no desenvolvimento do armamento nuclear.

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* O terminal THAAD é um sistema de defesa antimísseis transportável com facilidade. Ele tem a função de proteger contra ameaças de entrada hostis, atuando para combater mísseis balísticos táticos, em teatros com intervalos de 200 km e com altitudes de até 150 km. Conforme apontam especialistas, ele fornece um ‘escudo de defesa em camadas’ para proteger locais estratégicos ou táticos de alto valor, como aeroportos ou centros populacionais. Vide:

http://www.army-technology.com/projects/thaad/

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ImagemUm interceptor THAAD sendo disparado durante um exercício em 2013 tradução livre” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]O desafio diplomático dos Estados Unidos com a Turquia[:]

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A deflagração da Primavera Árabe no final de 2010 introduziu no Oriente Médio uma sucessão de eventos desestabilizadores na configuração geopolítica da área, nas políticas internas de diversos Estados e, por conseguinte, na ordem regional.

A Turquia, que é aspirante a membro do Bloco europeu, é integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO na sigla em inglês), e gozava de certa estabilidade, após a ascensão de Recep Tayyip Erdogan a Primeiro-Ministro, em 2003, é hoje epicentro de uma nova onda de instabilidade regional, pelo seu comportamento em relação ao conflito sírio, ora aliando seu posicionamento aos Estados Unidos e à Europa, ora flertando com a Rússia e China, que também cortejam Ancara para ingressar na Organização de Cooperação de Shanghai.

Este desafio das Relações Internacionais coloca mais uma vez os Estados Unidos como protagonista na definição da posição estratégica que deverá assumir a Turquia, legitimando as políticas ocidentais, ou, a alternativa será ela redirecionar sua política externa para fora do eixo da coalizão, aceitando as propostas vindas de Moscou e Beijing, que, principalmente no âmbito econômico, podem ser mais vantajosas à instável e heterogênea política do Bloco Europeu.

A conjuntura é desafiadora. Na última semana, por exemplo, as Forças Armadas turcas iniciaram operação por terra e ar na cidade síria de Jarablus, considerada por fontes de inteligência como último bastião do Estado Islâmico (EI) na fronteira turco-síria. De acordo com funcionários do alto escalão da chancelaria turca, que não quiseram ter seus nomes citados, isso foi feito com o objetivo de melhorar a segurança fronteiriça, mas há, também, entendimentos com a intenção de impedir uma nova onda migratória ao país e à Europa, além da intenção de melhorar a distribuição de ajuda aos refugiados.

Contudo, apesar da intenção humanitária, o hoje presidente Recep Tayyip Erdogan, interpreta de maneira política a campanha militar, ou seja, entende que o objetivo é impedir que a população local seja liberada por tropas curdas, conhecidas como Pershmergas, e, assim, criar um “corredor curdo” ao longo da fronteira entre Turquia e Síria, um passo singelo que preocupa Ancara, haja vista o secular desejo de criação de um estado-nação curdo para essa comunidade.

De acordo com o Presidente turco, a operação centrou-se no Estado Islâmico, mas também no braço armado do principal partido curdo na Síria, o Partido de União Democrática, (PYD), filiado ao tradicional Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Assim, utilizando de forças do moderado Exército Livre Sírio (FSA, na sigla em inglês), ele anseia por criar uma zona de exclusão e segurança, evitando que as tropas curdas, as Unidades de Proteção Popular (YPG), controlem a região.

Esse movimento deixou explícito que Edorgan não permitirá que unidades curdas avancem a oeste do rio Eufrates em sua investida contra o EI. Todavia, fontes de inteligência ocidentais e forças especiais estadunidenses auxiliaram e auxiliam a coalizão curdo-árabe, lideradas pela YPG, a cruzar o rio e a confrontar os extremistas islâmicos, postura que causa efeitos diretos na relação bilateral dos Estados Unidos com a Turquia, que já não está tão colaborativa como em outros tempos.

Nesse sentido, a visita do vice-presidente estadunidense Joe Biden a Ancara, na última quarta-feira, exatamente o dia da incursão turca na Síria, tem como pano de fundo reavaliar a relação, aliviar as tensões e projetar uma nova etapa na cooperação entre estadunidenses e turcos na luta contra o terrorismo, uma difícil tarefa devido ao crescente sentimento antiamericano, fruto da suposta participação na tentativa de golpe ocorrido na Turquia no dia 15 de julho.

Ainda sobre essa questão, Joe Biden fez desse esforço diplomático uma ferramenta para que a Turquia reconheça os benefícios da aliança com o Ocidente, mostrando que os esforços para uma possível estabilização passam pela necessidade de estancar a instabilidade interna, que convive com atentados diários nos principais centros do país.

Nas palavras do primeiro-ministro Yildirim, a necessidade de “ganhar mais amigos do que inimigos deve ser parte integrante desse novo movimento geoestratégico. Nesse sentido, já há recalibragem da política externa turca em relação à Israel, Síria e Rússia. No caso da Rússia, há a negociação de um oleoduto que passará por Baku-Tbilisi-Ceyhan, que produziria fôlego maior à combalida economia de Ancara. Assim, as relações amistosas devem ser preservadas. Ressalte-se que, para Washington, a intenção também é reequilibrar a ótica da relação bilateral, não restringindo o papel da Turquia apenas à luta contra o ISIS.

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Imagem (Fonte):

http://s2.reutersmedia.net/resources/r/?m=02&d=20160824&t=2&i=1150911022&w=780&fh=&fw=&ll=&pl=&sq=&r=LYNXNPEC7N1GB

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DEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Exercícios russos em território sérvio deixam vizinhança em alerta[:]

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Estabelecidos desde 2014, o terceiro exercício conjunto dos Exércitos russos e sérvios está para ser realizado dentre os meses de agosto e setembro de 2016, coroando o crescente nível de influência russa dentro das instituições sérvias – algo que pode ser relacionado como reflexo da construção cultural e relacional de ambos os países. A Operação “Irmandade Eslava 2016” (Slavic Brotherhood) traz a expertise da força aérea russa para treinamentos com as Forças Armadas da Sérvia e membros militares da Belarus. O Ministro da Defesa sérvio, Zoran Đorđević, enfatizou os objetivos principais da missão que almeja “melhorar as capacidades funcionais e operacionais do exército sérvio”. O exercício está programado para envolver os recém adquiridos caças MiG-29 e helicópteros Mi-17, ambos modelos de procedência russa.

Como nas edições anteriores da empreitada militar russa nos Bálcãs, a atitude gerou preocupações pelas vizinhanças. Devido às operações serem na cidade sérvia de Nikinci, a apenas 30km da fronteira com a Croácia, as estreitas relações sérvio-russas levantam receios e desconfiança nos países vizinhos quanto as reais intenções dos movimentos. Durante a última reunião da OTAN, em Varsóvia, a presidente croata Kolinda Grabar-Kitarovic declarou estar preocupada com os possíveis desenrolares das operações, o que é unânime na posição do Governo croata. Algo verificado também em assertos do Ministério da Defesa, no qual a posição é de preocupação, porém, em relação à intenção da Sérvia adentrar no rol de países da União Europeia, acarretando uma total reformulação nas políticas de segurança comum, assim como na política externa do país. De maneira clara: a aproximação russa com um aliado postulante à filiação europeia é passível de desestabilização nas relações entre Bruxelas, Belgrado e Moscou.

O primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev é esperado em solo sérvio no final do mês de setembro (2016), quando se espera a assinatura de um Acordo de Concessão Especial para as forças armadas russas em território sérvio na base militar de Nis, ao norte da Sérvia. Se ratificado, o Acordo balançaria a declaração de neutralidade do Estado sérvio, proclamada em 2007. Membro do programa Partnership for Peace da OTAN, desde 2006, a Sérvia tem feito uma espécie de “jogo-duplo” entre a Rússia e potências ocidentais em vários aspectos – desde o fornecimento de hidrocarbonetos, até associações políticas, culturais e econômicas.

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ImagemBrasão de Armas da Sérvia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sérvia

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DEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Lituânia e Bielorrússia: a violação do espaço aéreo[:]

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No dia 11 de agosto às 10:37 h da manhã as autoridades lituanas registraram em seus radares duas violações no espaço aéreo do país próximo à fronteira com a Bielorrússia. A ação teve duração de 10 minutos e as aeronaves possuíam uma tipologia sem identificação, ou seja, não foi possível especificar as características dos aviões, e os aviões de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que realizam missão de patrulha na região de Siauliai, não puderam fazer a interceptação.

O clima político na região do Báltico não é dos mais favoráveis por causa de tensões entre os respectivos países e a Rússia, no tocante a questão da anexação da Criméia, e para intensificar os ânimos, emerge no cenário à violação do espaço aéreo da Lituânia, supostamente feita pela Bielorrússia, a qual possui a figura de Alexander Lukashenko na qualidade de Presidente, desde 1994, a quem atribui-se o título de ditador.

A etnia Bielorrussa (bela (bielo) rus, isto é, dos russos brancos) é a predominante no país cuja capital é Minsk, e constitui-se numa de três etnias formadoras do eslavo oriental (russos, ucranianos e bielorrussos). Sua história remonta ao Grão-Ducado da Lituânia, no século XII, e, na atualidade, tornou-se independente em 1991, após o desmantelamento da União Soviética, cujo modelo de administração aparenta imitar atualmente, conforme se observa por artigos de analistas e notícias disseminadas na mídia na qual constam acusações de desrespeito aos direitos humanos e fraude eleitoral.

O Ministério das Relações Exteriores da Lituânia reportou uma nota diplomática sobre o episódio na Bielorrússia e afirmou: “De acordo com serviços de monitoramento do espaço aéreo da Lituânia, o espaço aéreo foi violado por duas vezes em 11 de agosto em 10:37, (hora lituana), por um tipo não identificado de aeronaves, que entrou no espaço aéreo perto do Distrito Municipal de Lazdijai. A violação da espaço aéreo lituano durou até as 10:47”. O Ministério também convidou o embaixador bielorrusso a dar uma explicação sobre a situação e a garantir medidas de precaução contra ocorrências futuras. O Gerente e Chefe de Informação do Ministério da Defesa da Bielorrússia, Vladimir Makarov, apenas declarou: “A informação não é confirmada”, mas os bielorrussos comprometeram-se a compartilhar informações com a Lituânia.

Segundo os analistas é preciso apontar duas variáveis: a primeira é a investigação dos fatos de forma realista e transparente em estreita cooperação entre as autoridades de ambos os Estados, com o objetivo de evitar um mal-estar diplomático, sobretudo a partir da atenção com o clima o qual poderia causar baixa visibilidade a olhos nus e terminar por confundir o observador quanto ao tipo de aeronave que cruzou o radar. A segunda remete ao caráter geopolítico, o qual requer a atenção da Lituânia, visto que a Bielorrússia não apresenta o perfil genérico de Estado democrático e possui uma parceria muito forte com Moscou, cujo relacionamento poderia advir em prejuízos, no tangente as apurações do caso.

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ImagemDistrito de Lazdijai Lituânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Lazdijai_in_Lithuania.svg/1000px-Lazdijai_in_Lithuania.svg.png

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Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1]Lituânia acusa a Bielorrússia de violação do espaço aéreo” (Acesso: 12.08.2016):

http://lietuvosdiena.lrytas.lt/aktualijos/lietuva-kaltina-baltarusija-pazeidus-oro-erdve.htm

[2]Lituânia acusa Bielorrússia de violar seu espaço aéreo” (Acesso: 12.08.2016):

http://www.baltictimes.com/lithuania_accuses_belarus_of_violating_its_airspace/

[3]O Ministério de Defesa da Bielorrússia não confirma a informação sobre a violação do espaço aéreo da Lituânia” (Acesso: 17.08.2016):

http://www.interfax.by/news/belarus/1210843

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