EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A questão da Previdência na Rússia

Nos últimos meses, o Governo da Federação Russa tem trabalhado para aprovar uma nova lei que mudará as principais diretrizes para a aquisição de aposentadoria no futuro. Em um primeiro momento, foi proposto que a idade mínima de aposentadoria subiria de 60 para 65 anos para os homens e de 55 para 63 anos às mulheres. Isso seria feito de maneira gradual, portanto, só seria implementado completamente em 2028, para os homens, e em 2034, para as mulheres.

Entretanto, esse plano do Governo Putin não repercutiu de maneira positiva pelo país. Em pesquisa realizada em junho (2018), relatou-se que 92% dos russos foram contra a reforma da Previdência. O principal motivo para tal é baseado nas estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que, em recente estudo feito em 2016, destacou que a expectativa de vida na Rússia para as mulheres é de 77 anos e para os homens é de 66 anos. A oposição, então, alega que grande parte da população masculina não desfrutará dos benefícios da aposentadoria, além de que há um descompasso de aumento de idade para as mulheres. A partir de então, diversos protestos vêm ocorrendo por todo o território russo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, em pronunciamento nacional referente à reforma da previdência no dia 29 de agosto de 2018

Em vista do grande descontentamento nacional, Putin realizou um pronunciamento no dia 29 de agosto. Em sua fala, o líder destacou a importância do projeto para o país. De acordo com ele: “o principal objetivo é garantir a estabilidade do sistema de pensões nos próximos anos. Isso significa que há uma necessidade não apenas de manter as atuais receitas de aposentadoria dos aposentados, mas também de aumentar as aposentadorias no futuro. As mudanças sugeridas no sistema previdenciário permitirão não apenas preservar o nível de renda dos aposentados, mas, o que é crucial, assegurar uma taxa de crescimento superior à inflação”.

Entretanto, ele continuou sua declaração apontando que reconhece haver falhas na proposta e que essas devem ser corrigidas. Uma alteração recomendada pelo Presidente é a mudança no aumento da idade de aposentadoria das mulheres, que não aumentaria mais de 55 anos para 63 anos e sim para 60, visto que o Estado tem de reconhecer que a mulher realiza a chamada jornada dupla de trabalho. Ademais, outra modificação proposta foi o reconhecimento dos anos de experiência de trabalho como requisito para se conseguir acesso à pensão. Assim, homens com 42 anos de experiência e mulheres com 37 anos de experiência podem requerer a aposentadoria antecipada.

A partir do pronunciamento de Putin, o Governo manteve-se mais positivo quanto à aceitação do público. Não obstante, no último domingo, dia 9 de setembro (2018), ocorreu uma onda de protestos por todo o país. O movimento foi organizado por Alexey Navalny, líder da oposição, que se encontra preso desde agosto deste ano (2018), sob a acusação de ser responsável pela organização de um protesto ilegal em janeiro, sobre uma questão diferente*.

As manifestações ocorridas nesse fim de semana foram consideradas ilegais e, no total, 1.000 detenções foram feitas por todo o país, dentre as quais 452 foram apenas em São Petesburgo. O perfil da maioria dos manifestantes era de jovens em torno de 20 anos que, apesar de longe da idade de aposentadoria, pediam justiça aos mais velhos, aclamando que “essa reforma é um roubo aos seus pais, avós e ao próprio futuro deles”.

Desta maneira, há ainda um grande descontentamento presente na sociedade russa quanto à reforma da Previdência proposta. Desde que foi colocada em pauta, a popularidade de Putin caiu pelo país. Entretanto, o Presidente se mostrou firme quanto à possibilidade de não haver mudanças na lei da aposentadoria. Pelo seu pronunciamento, ficou claro que essa reforma irá ocorrer, tendo oposição ou não.

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Nota:

* Pela lei russa é imprescindível que os líderes dos movimentos consigam autorização das autoridades locais para a realização de protestos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Protestos na Praça Bolotnaya em Moscou, em 10 de dezembro de 2011” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Bolotnaya-wiki.jpg/300px-Bolotnaya-wiki.jpg

Imagem 2O Presidente russo, Vladimir Putin, em pronunciamento nacional referente à reforma da previdência no dia 29 de agosto de 2018” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/mAUULPNMqyXCHhAdkBu92CA5Rs1ltSOE.jpg

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Líder da autoproclamada República Popular de Donetsk é assassinado

A República Popular de Donetsk (RPD) é uma região separatista da Ucrânia que proclamou sua independência em 7 de abril de 2014 e deseja unir-se à Federação Russa, sendo, portanto, um dos movimentos pró-russo no território ucraniano. Desde então, a RPD passou organizar-se de forma autônoma, elegendo seus líderes e montando um governo próprio. Nesse cenário, Alexander Zakharchenko ocupou os cargos de Presidente e de Primeiro-Ministro da recém autoproclamada República, entre novembro de 2014 até o final de agosto de 2018. 

No dia 31, sexta-feira da semana passada, Zakharchenko foi vítima de um ataque por bomba enquanto frequentava um café na Pushkin Boulevard, em Donetsk. O líder morreu no local e as circunstâncias do ataque estão sendo consideradas bastante nebulosas. Os suspeitos por terem implantado a bomba no restaurante foram detidos, mas a identidade deles permanece sob sigilo, portanto, não há informação sobre as nacionalidades ou os motivos por trás de tal ataque. Diante desse cenário, as disputas entre Ucrânia e Rússia se reacenderam.

A localização da região de Donetsk na Ucrânia

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, sigla em ucraniano, derivada de Sluzhba Bezpeky Ukrayiny) apresentou duas versões opostas para explicar o atentado à Zakharchenko. O chefe da SBU, Igor Guskov, declarou que “há razões para acreditar que a morte de Zakharchenko pode ser o resultado de uma luta interna entre os militantes, principalmente devido à redistribuição de interesses comerciais. No entanto, também não excluímos a possibilidade de que foi uma tentativa dos serviços de inteligência russos de remover uma figura antipática, que, de acordo com informações, tornou-se supérflua e incomodava os russos”.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia aponta que “há todas as razões para acreditar que o regime de Kiev, que usou meios semelhantes para eliminar pessoas indesejadas que têm visões divergentes mais de uma vez, está por trás de seu assassinato”. Moscou, então, acusa a Ucrânia de estar incitando um cenário terrorista para complicar a situação regional, ao invés de cumprir com o Protocolo de Minsk*. Em vista disso, o Comitê Investigativo da Federação Russa abriu uma investigação criminal do ocorrido, visto que há suspeitas de um ato de terrorismo internacional. O Governo russo, portanto, está oferecendo ajuda a Donetsk para apurar o caso.

O presidente Vladimir Putin manifestou-se sobre o caso e declarou o seguinte: “O assassinato desprezível de Alexander Zakharchenko mostra mais uma vez que aqueles que escolheram o caminho do terror, violência e intimidação não querem buscar uma solução política pacífica para o conflito, não querem conduzir um diálogo real com as pessoas no sudeste [Ucrânia]. Em vez disso, eles apostam em desestabilizar a situação e colocar o povo de Donbas** de joelhos, mas eles não serão capazes de fazer isso”.

Desta forma, Ucrânia e Rússia continuam com suas relações bastante estremecidas, com ambas se acusando sobre o ocorrido. Enquanto Kiev afirma sua inocência e indica suas suspeitas, Moscou aponta que foi um ato terrorista provocativo do Governo ucraniano, algo que vem levando os observadores a acreditar que esta situação aumentará as tensões da região, comprometendo o Protocolo de Minsk.

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Notas:

* O Protocolo de Minsk foi assinado em setembro de 2014 pelos líderes da Ucrânia, da Rússia, da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk com o objetivo de pôr fim à guerra no leste da Ucrânia.

** Donbas é uma região do extremo leste da Ucrânia, tendo Donetsk como a capital não-oficial da região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Alexander Zakharchenko, Presidente e PrimeiroMinistro da autoproclamada República Popular de Donetsk, entre 4 de novembro de 2014 e 31 de agosto de 2018” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014-12-27._%D0%94%D0%B5%D0%BD%D1%8C_%D1%81%D0%BF%D0%B0%D1%81%D0%B0%D1%82%D0%B5%D0%BB%D1%8F_%D0%B2_%D0%94%D0%BE%D0%BD%D0%B5%D1%86%D0%BA%D0%B5_085.JPG

Imagem 2A localização da região de Donetsk na Ucrânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6a/Donetsk-Ukraine-map.png/800px-Donetsk-Ukraine-map.png

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Putin reúne-se com Presidentes da Ossétia do Sul e da Abecásia

No dia 24 de agosto (2018), o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, recebeu no Kremlin os líderes Raul Khadjimba, Presidente da República da Abecásia, e Anatoly Bibilov, Presidente da República da Ossétia do Sul. A data do encontro foi significativa, pois marcou 10 anos do reconhecimento russo aos dois Estados.

Em 2008, eclodiu uma guerra entre a Geórgia e suas regiões separatistas, a Abecásia e a Ossétia do Sul. Ambas possuem laços históricos e sociais com a Rússia e, por conta disso, receberam ajuda, conseguindo resistir à investida georgiana. Ao final do conflito, que durou apenas cinco dias, a Federação Russa, em conjunto com três outros países*, reconheceram a independência formal da Abecásia e da Ossétia do Sul.

Reunião com o Presidente da Ossétia do Sul, Anatoly Bibilov

Desde então, as duas regiões buscam maior reconhecimento mundial e lutam diariamente com os desafios na construção de um novo Estado. Nesse último ponto, é importante destacar que até os dias de hoje a Rússia continua mandando assistência a elas, principalmente à Ossétia do Sul. Sobre isso, na reunião da semana passada, o presidente Putin salientou o seguinte: “A Rússia observa com satisfação as conquistas da Ossétia do Sul na construção dos institutos de seu Estado e em vários ramos do desenvolvimento nacional. Planejamos continuar a assistência na resolução do problema de segurança nacional que seu país enfrenta”.

O empecilho mencionado pelo líder russo refere-se à situação política entre as duas regiões e a Geórgia, a qual não reconhece suas independências e deseja reanexá-las. Por conta disso, a Federação Russa coopera continuamente com a Abecásia e a Ossétia do Sul em relação à segurança nacional de ambas, principalmente quanto aos serviços de controle de fronteira.

Dessa forma, o encontro entre os três líderes agora em agosto teve o objetivo de delinear se o plano de segurança montado está caminhando corretamente. Além disso, a reunião também foi importante para aproximá-los economicamente, ponto sobre o qual o Presidente Putin destacou a vontade de seu país continuar cooperando, principalmente em relação ao desenvolvimento da infraestrutura.

Assim, Putin encerrou seu pronunciamento afirmando que, “no geral, o trabalho está em andamento. Provavelmente há mais problemas do que conseguimos resolver. No entanto, nossas relações estão se desenvolvendo e a república está melhorando e fortalecendo suas posições”.

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Nota:

* Os países que reconheceram a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia: Nauru, Nicarágua, Rússia e Venezuela.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da República da Abecásia, Raul Khadjimba, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e o Presidente da Ossétia do Sul, Anatoly Bibilov” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/CrAhheHA8HrufzkUPyI4RE0xhucm9YV4.jpg

Imagem 2Reunião com o Presidente da Ossétia do Sul, Anatoly Bibilov” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/rxjC6FeCjLDDOkuAHZ7gybkzsAlpRTCy.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sergey Lavrov e a diplomacia russa

Num Estado soberano, com sua estrutura política organizada e possuidor de instituições que controlam e administram seus desígnios, além da figura propriamente dita do governante máximo desta nação, é de suma importância que exista a posição de um membro do governo responsável pela condução da política externa, segundo as diretrizes estabelecidas, bem como pela coordenação dos serviços diplomáticos e consulares, no intuito de estabelecer e desenvolver contatos pacíficos, visando uma efetiva continuidade das relações harmoniosas, bem como a tentativa de comunicação clara e precisa em seus objetivos para com os outros países do mundo.

Sergey Lavrov

A Federação Russa tem como principal representante diplomático para assuntos internacionais a figura de Sergey Viktorovich Lavrov, que desde março de 2004 vem atuando como Ministro das Relações Exteriores da Rússia, enfrentando uma longa lista de desafios que, nos últimos anos, colocaram sua pessoa à frente dos mais variados assuntos diplomáticos que apresentaram grande repercussão não só dentro das fronteiras do país, como também em diversas partes do mundo.

Descendente de armênios, foi direcionado à carreira diplomática logo depois de sua graduação, em 1972, no Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Asiáticos em Moscou, na Academia de Ciências da Rússia, quando foi recrutado como funcionário interino na embaixada soviética no Sri Lanka. Em sua proeminente carreira diplomática chegou a assumir a posição de representante permanente da Rússia na ONU (Organização das Nações Unidas), onde, durante os dez anos de permanência no cargo, até sua saída em 2004, teve que tratar de assuntos chaves da diplomacia russa sobre os conflitos na extinta Iugoslávia, Iraque, Oriente Médio e Afeganistão, bem como a tratativa do papel da Federação Russa na luta contra o terrorismo mundial.

Desde sua nomeação em 2004 pelo presidente russo Vladimir Putin, tem como principal objetivo defender as boas práticas nas relações internacionais baseadas no “pragmatismo, respeito mútuo e responsabilidade global compartilhada”. Sua atuação diplomática enfrenta hoje uma miríade de acusações ao governo russo, no entanto, deixa claro que seu país não é um “buscador de conflitos”, mas protegerá seus interesses caso necessário. Ultimamente, uma das principais atribuições é lidar com os conflitos com a administração norte-americana, que vem piorando nos últimos dois governos, com relatos de ataques às propriedades diplomáticas russas, algo que, de acordo com sua análise, contradiz a Convenção de Viena e também à própria Constituição dos EUA, além dos princípios da sociedade norte-americana, onde a propriedade privada é sagrada.

Em discurso perante à Conferência de Segurança de Munique, em 2017, Lavrov defendeu uma “ordem mundial pós-Ocidental, na qual, cada país, baseando-se em sua soberania no marco da lei internacional, busque um equilíbrio entre seus próprios interesses nacionais e os interesses nacionais dos parceiros”, com respeito à identidade histórica e cultural de cada um.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sergey Lavrov com jornalistas” (Fonte):

http://www.uznayvse.ru/images/stories2015/uzn_1450944171.jpg

Imagem 2 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg/200px-Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg

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China e Turquia aprofundam relacionamento bilateral

A Turquia tem localização estratégica no cenário geopolítico mundial. Exercer influência no país médio-oriental é importante para consolidar posições de poder global. Tradicionalmente, os turcos têm fortes laços com países ocidentais, principalmente com os EUA, e participam ativamente das instituições influenciadas pelo Ocidente. Essa conjuntura está sendo alterada recentemente, devido à crescente presença chinesa no país, por meio da cooperação econômica e militar.

A Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)* desde 1952 e buscou frequentemente auxílio no Fundo Monetário Internacional (FMI)** quando sua economia esteve em crise. A recente desvalorização excessiva da lira turca, contudo, não provocou o mesmo movimento e o governo voltou-se para a China. Segundo alguns analistas, isso ocorreu devido ao aumento de influência do presidente Recep Tayyip Erdogan, que teria sido capaz de controlar as resistências e os temores da elite turca em relação aos chineses. De fato, o mandatário venceu um referendo em abril de 2017, que transformou o país em uma República Presidencialista, garantindo-lhe mais poderes. No entanto, ainda não há dados suficientes para afirmar com segurança que esse fato impulsionou a aproximação à China.

Lira turca antiga

A situação monetária desfavorável motivou a busca de recursos chineses. Segundo o economista turco Emre Alkin, “A estabilidade da lira turca virá da cooperação com países valorosos, como a China. É impossível que o Banco Central faça algo sozinho. Recursos são necessários […] está claro que precisamos da sabedoria, de ideias e de sugestões de países como a China”. Em contraprestação aos recursos chineses, os turcos estão dispostos a ampliar parcerias em portos e em infraestrutura de transportes. Além disso, a Turquia sinalizou recentemente seu interesse em ingressar no grupo BRICS*** e acredita que tem apoio dos membros para tanto.

A cooperação militar com Pequim é outra área que está em ascensão. Existe sentimento crescente de antiamericanismo na Turquia, devido em parte ao apoio estadunidense aos curdos na luta contra o Estado Islâmico. Isso é visto com desconfiança pela população turca, já que os curdos têm o pleito de fundarem um Estado que englobaria parte do território turco. A China e a Rússia, portanto, mostram-se como alternativas viáveis. Em maio de 2018, muitos oficiais chineses participaram do exercício militar “Ephesus 2018”**** como observadores. A tendência é que a cooperação aumente.

Para a China, a intensificação do relacionamento com a Turquia é positiva. O país médio-oriental encontra-se em ponto chave para a ligação física entre os continentes europeu e asiático, o que o torna essencial para o êxito do projeto chinês da Nova Rota da Seda, que visa a expandir sua influência global e promover a conectividade física, facilitando os fluxos de comércio entre a Europa e a Ásia. A concretização da iniciativa, portanto, depende de uma parceria sólida com os turcos.

A relação bilateral entre China e Turquia é pautada pela cooperação e pela aproximação progressiva. À medida que os turcos se afastam do Ocidente e das instituições ocidentais, cada vez mais buscam a parceria de outros atores, como os chineses e os russos. Pequim busca aproveitar a conjuntura favorável para estabelecer confiança e fortalecer os laços bilaterais, de modo que o relacionamento seja vantajoso para ambas as partes.

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Notas:

* Organização fundada em 1949, no contexto da Guerra Fria. Tem como objetivo fundamental garantir a defesa atlântica por meio de um sistema de segurança coletivo.

** Organização criada para ajudar a solucionar problemas na Balança de Pagamentos dos membros, por meio do fornecimento de empréstimos. Os recursos concedidos, contudo, têm como condição a adoção de disciplina fiscal rígida, o que é impopular em muitos países.

*** Coalizão que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (ingressa em 2011), que se reúne regularmente desde 2008 para debater temas da agenda internacional e promover iniciativas de reforma da ordem mundial, de modo a torná-la menos assimétrica, mais aproximada à atual distribuição internacional de poder e mais representativa dos interesses das nações em desenvolvimento.  

**** Exercício militar que ocorre a cada dois anos e é promovido pelo governo turco e seus aliados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mesquita Azul, em Istambul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkey

Imagem 2 Lira turca antiga” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_lira

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/little-brothers-together-turkey-turns-to-china/

[2] Ver:

https://www.theguardian.com/world/2017/apr/16/erdogan-claims-victory-in-turkish-constitutional-referendum

[3] Ver:

http://www.atimes.com/article/china-will-buy-turkey-on-the-cheap/

[4] Ver:

https://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/08/turkey-china-intensifying-defense-security-partnership.html

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aumentam as tensões entre EUA e Rússia

Desde o fim da Guerra Fria*, em 1991, a relação entre Estados Unidos e Federação Russa teve altos e baixos, mas, na maioria das vezes, a situação se manteve estável. Entretanto, nos últimos anos esse quadro se agravou, principalmente após a anexação da Crimeia pela Rússia**, em 2014, a acusação dos EUA de ter ocorrido interferência russa nas suas eleições presidenciais de 2016 e o caso do suposto envolvimento russo no envenenamento do seu ex-agente de inteligência, Sergei Skripal, e da filha dele, Yulia, no Reino Unido, em março deste ano (2018).

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018

Após tais acontecimentos, o cenário internacional manteve-se em alerta quanto ao escalonamento das tensões entre essas duas grandes potências mundiais. Em um encontro em Helsinki, em julho (2018), entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, o líder norte-americano afirmou que as relações entre seus países “nunca estiveram piores”. Somado a tudo, tem-se que a União Europeia e os EUA vêm adotando cada vez mais medidas que afetam a diplomacia e a economia russa.

A última decisão tomada foi a anunciada no dia 10 de agosto (2018) pelo Departamento de Estado dos EUA. Neste comunicado divulgou-se um novo pacote de sanções anti-Rússia, que será aplicado no dia 22 de agosto, em resposta ao suposto envenenamento da família Skripal. As medidas anunciadas vão afetar vários itens de exportação importantes à economia russa e o país terá 90 dias para provar que não possui armas químicas e biológicas e que nem as utilizará no futuro. Caso isso não ocorra, um novo pacote será imposto pelos EUA, o qual será muito mais rigoroso.

O Kremlin se pronunciou diante dessa situação afirmando que o país está de acordo com a Convenção sobre Armas Químicas***, tendo destruído seu arsenal, em 2017, sob a supervisão da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Portanto, a postura norte-americana, segundo Moscou, é desrespeitosa à integridade e autoridade desse órgão. Além disso, afirmou: “Nós consideramos as acusações de cumplicidade no incidente de Salisbury, apresentadas contra a Rússia, infundadas e apenas mais uma tentativa de criar uma impressão de que nosso país assume uma atitude irresponsável em relação ao cumprimento dos compromissos internacionais”. E afirmou também: “os Estados Unidos demonstraram mais de uma vez sua atitude desdenhosa em relação ao sistema de direito internacional e o desejo de usar os mecanismos de controle de armas multilaterais existentes para fazer avançar sua própria agenda política”.

A partir desse cenário, torna-se evidente a deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. Há, ainda, a possibilidade de se chegar a uma “guerra econômica”, como dito pelo Primeiro-Ministro da Federação Russa, Dmitry Medvedev. O ambiente internacional, portanto, torna-se mais imprevisível, tanto que algumas fontes internacionais afirmam até que a Marinha norte-americana vem se preparando para uma possível guerra contra a Rússia no Atlântico Norte. Tais hipóteses de conflito e de batalhas estão no planejamento estratégico de ambos os atores e ocorrem treinamentos corriqueiros para tanto, no entanto, a forma de apresentação e desenvolvimento dos exercícios podem aumentar as tensões, transbordar o campo diplomático e transformar estes preparos em algo mais sério para toda a comunidade internacional.

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Notas:

* A Guerra Fria foi um embate ideológico entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA) durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

*** A Convenção sobre Armas Químicas é um acordo que proíbe a produção, o armazenamento e o uso de armas químicas. Ao todo, 189 Estados fazem parte deste Tratado, apenas cinco países não concordaram e não o assinaram, é o caso de Angola, Coreia do Norte, Egito, Sudão do Sul e Síria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Praça Vermelha em Moscou com o Museu de História Nacional e o Kremlin, complexo fortificado que serve como a residência oficial do Presidente da Federação Russa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/Russie_-_Moscou_-_place_rouge_mus%C3%A9e_histoire_%26_kremlin.jpg

Imagem 2O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg/1024px-Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg