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O estreitamento das relações China – Rússia

No dia 25 de abril, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou à China para participar do Segundo Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional. Mais de 30 líderes de diferentes países encontraram-se em Beijing para esse Encontro que reúne iniciativas do Cinturão Econômico da Rota da Seda e da Rota da Seda Marítima do século XXI. Embora o foco da delegação russa fosse essa Conferência multilateral, Putin realizou também reuniões bilaterais, inclusive com o presidente chinês Xi Jinping.

O foco da conversa dos dois líderes foi o avanço das relações econômicas e comerciais entre seus países. Em 2018, o comércio cresceu 24,5%, totalizando um recorde de 108 bilhões de dólares (aproximadamente, 425,1 bilhões de reais, conforme cotação de 30 de abril de 2019), valor que ultrapassou as expectativas estabelecidas de 100 bilhões de dólares (em torno de 393,6 bilhões de reais, de acordo com a mesma cotação). O estreitamento da diplomacia foi igualmente colocado em pauta, visto que este ano (2019) é o aniversário de 70 anos das relações entre China e Rússia. Sobre isso, Putin destacou que “a Rússia está determinada a expandir a parceria estratégica com a China em todas as áreas, como sempre esteve ao longo das últimas décadas”.

Outra questão discutida foi a crise que a Venezuela vem enfrentando ao longo dos últimos meses. China e Rússia são dois dos poucos países no mundo que demonstram apoio ao presidente Nicolas Maduro, enquanto que Estados Unidos, membros do Grupo de Lima (excluindo o México), a Organização dos Estados Americanos e a maioria dos países da União Europeia apoiam o líder da oposição, Juan Guaidó. Diante desse cenário, Xi Jinping e Putin destacaram que a pressão externa para que seja adotado o uso da força para depor Maduro é inaceitável.

Durante a reunião bilateral entre a delegação russa e a delegação chinesa

De acordo com o porta-voz russo do Kremlin, Dmitry Peskov, “tanto os chineses quanto o nosso líder [Putin] destacaram que é totalmente inaceitável quando tentam derrubar autoridades em um terceiro país, quando tenta-se o uso da força e a pressão internacional ilegal contra um Estado soberano”. Peskov destacou que ambos os presidentes concordam que o próprio povo venezuelano deve decidir sobre o futuro do seu país, não sendo aceitável a interferência de outros Estados.

A partir do Encontro de Putin e Xi Jinping, especialistas apontam que as relações entre os dois países se encontram numa posição positiva. Um dos resultados direto dessa aproximação foi o anúncio da criação de um fundo denominado em Yuan (moeda chinesa) para investimentos conjuntos no dia 28 de abril. De acordo com o comunicado liberado pelo Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF), “o Fundo foca principalmente no investimento em projetos estrategicamente importantes na Rússia e na China em igual proporção, colocando-se como o primeiro e mais importante exemplo de implementação de cooperação regional entre dois países (região de Moscou, extremo-leste e nordeste da China). Para projetos chineses, será dado maior foco a projetos relacionados com a Nova Rota da Seda e outros setores em perspectiva”.

A partir de observações de analistas internacionais, percebe-se que China e Rússia estão paulatinamente criando condições para que a cooperação bilateral entre eles evolua para questões maiores, como a possibilidade de maior protagonismo mundial em áreas como diplomacia, finanças e comércio internacional.

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Notas:

* 108 bilhões de dólares, pela cotação do dia 30 de abril de 2019 equivale a, aproximadamente, 425,1 bilhões de reais.

** 100 bilhões de dólares pela cotação do dia 30 de abril de 2019 equivale a, aproximadamente, 393,6 bilhões de reais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Presidente da China, Xi Jinping, antes da conversa bilateral” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/UB7yKAsnrCbQiiBAasY5NGcvfSY356Dj.jpg

Imagem 2Durante a reunião bilateral entre a delegação russa e a delegação chinesa” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/rSaIaNmASnwhRSYVe1GCzkAXRwKDGBnN.jpg

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A Guerra no Leste da Ucrânia

O Conselho Supremo da UcrâniaVerkhovna Rada* – aprovou um apelo à comunidade mundial sobre a emissão ilegal de passaportes russos para os cidadãos do país residentes nos territórios de Donetsk e Lugansk, os quais o governo ucraniano considera ocupados. Petro Poroshenko, atual Presidente da Ucrânia e candidato derrotado nas eleições de 21 de abril, afirmou que esta decisão viola os Acordos de Minsk** e seu sucessor, Vladimir Zelenski, afirmou, através de um aplicativo, que vai “capacitar os migrantes para manter os laços com os cidadãos da Ucrânia nos territórios ocupados”.

Os protestos de 2014 e os conflitos entre grupos pró-russos e antigovernamentais, assim como a anexação da Crimeia, também alimentaram o conflito que já dura cinco anos na região de Donbass***, além do surgimento dos “Estados” autoproclamados da “República Popular de Donetsk” e “República Popular de Lugansk”, (RPD e RPL, respectivamente) apoiados pela Federação Russa.

Segundo o governo ucraniano, paramilitares russos passaram a integrar as milícias pró-russas no auge do conflito, em 2014. Em agosto do mesmo ano, a entrada do “comboio humanitário” russo, sem autorização de Kiev, ocorreu juntamente ao bombardeio de posições ucranianas. Após a ofensiva russa, as lideranças do RPD e RPL conseguiram recuperar territórios retomados pelas forças ucranianas. Foi neste contexto em que os governos da Rússia, ucraniano e dos rebeldes pró-russos no Donbass assinaram o Protocolo de Minsk, em 5 de setembro de 2014.

Situação da Guerra no Donbass, em julho de 2016

Os acordos, no entanto, não foram suficientes e a trégua foi interrompida diversas vezes, com dezenas de mortos todos os meses em 2017 (um soldado ucraniano a cada três dias). Conforme foi divulgado na mídia, neste período foram avistados 6.000 soldados russos, 40.000 separatistas na região de Donbass e cerca de 30.000 pessoas vestidas com trajes militares passando por dois dos pontos de fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

A situação de um “conflito congelado”, no qual nenhuma das partes se submete aos acordos de paz ou cessar-fogo levou a mais de 20 tentativas de trégua fracassadas. Com um saldo de 13.000 ucranianos mortos, ocorreu uma significativa redução do número de óbitos, após o último acordo, em março de 2019.

Em comunicado do Kremlin de março de 2014, por ocasião da anexação da Crimeia, Vladimir Putin declarou que, após a dissolução da União Soviética, “a nação russa se tornou um dos maiores, se não o maior grupo étnico do mundo a ser dividido por fronteiras”. As minorias russas em territórios da extinta União Soviética fazem parte do eixo central da política externa atual do Kremlin e a resolução do impasse gerado por ela é a base para que o sucesso das negociações de paz no Donbass possa ocorrer.

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Notas:

O Verkhovna Rada (Верхо́вна Ра́да Украї́ни, em ucraniano) é o poder legislativo unicameral da Ucrânia, composto por 450 cadeiras parlamentares preenchidas através do sufrágio universal. Trata-se do único órgão legislativo nacional, situado na capital, Kiev.

** Os Acordos ou Protocolo de Minsk, como também são chamados, foram assinados por representantes da Ucrânia, Rússia, dos territórios ocupados de Donetsk e Lugansk para acabar com a guerra no Donbass, no leste da Ucrânia, em 5 de setembro de 2014. A sua assinatura foi realizada em Minsk, capital da Bielorrússia, sob supervisão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). No entanto, até o presente, as tentativas de cessar-fogo foram fracassadas.

*** A definição mais comum se refere às regiões de Donetsk e Lugansk, tradicionais áreas mineradoras, desde o século XIX, localizadas no leste do país, com alta concentração demográfica e industrial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Verkhovna Rada, o Parlamento ucraniano” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Verkhovna_Rada_building_-%D0%B7%D0%B4%D0%B0%D0%BD%D0%B8%D0%B5_%D0%92%D0%B5%D1%80%D1%85%D0%BE%D0%B2%D0%BD%D0%BE%D0%B3%D0%BE_%D0%A1%D0%BE%D0%B2%D0%B5%D1%82%D0%B0_-_panoramio.jpg

Imagem 2 Situação da Guerra no Donbass, em julho de 2016” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/War_in_Donbass#/media/File:Map_of_the_war_in_Donbass.svg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório Mueller nega conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia

O procurador especial Robert Mueller encerrou as investigações sobre o suposto conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia. De acordo com o Relatório, não foram encontradas evidências que comprovem que o presidente Trump e sua equipe tenham conspirado com quaisquer russos durante as eleições de 2016. O Documento foi resumido e entregue ao Congresso norte-americano pelo procurador-geral William Barr, no dia 24 de março (2019).

A investigação perdurou por dois anos. Inicialmente, ela estava sob o comando de James Comey, o diretor do FBI na época. Entretanto, em maio de 2017, o presidente Trump decidiu pela demissão de Comey, o que suscitou suspeitas acerca de obstrução da justiça. Após esse episódio, Robert Mueller, ex-diretor do FBI, foi indicado por Rod Rosenstein, vice-Procurador-Geral, para liderar as investigações.

Assim, Mueller ficou responsável não só por averiguar as acusações de envolvimento da campanha Trump com a Rússia, como também passou a apurar se o Presidente americano teria obstruído a justiça. No total, mais de 40 agentes federais envolveram-se nas investigações; em torno de 500 testemunhas foram ouvidas; e mais de 2.800 intimações foram expedidas.

O Procurador Especial, Robert Mueller

O Relatório Mueller não foi divulgado na íntegra, contudo, o procurador-geral Barr divulgou o sumário, onde destacou que “o procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump tenha conspirado ou coordenado intencionalmente com a Rússia”. Ademais, Mueller não chegou a uma conclusão definitiva se o presidente Trump obstruiu ou não a justiça. Barr e Rosestein afirmaram que “ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva”. Entretanto, Robert Mueller destaca no Documento que isso não significa que Trump esteja exonerado, ou seja, que não tenha tentado obstruir as investigações. Em meio a essa situação dúbia, o Presidente norte-americano publicou em sua rede social Twitter: “Sem conluio, sem obstrução, exoneração completa e total. Mantenha a América grande!”.

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No que concerne a Rússia, o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, afirmou que “é difícil encontrar um gato preto em um quarto escuro, especialmente se ele não está lá” e completou que no sumário do Documento “não há nada de novo, apenas o reconhecimento da ausência de conluio”. Efetivamente, Mueller deixa explícita a inocência de Trump e sua equipe de campanha, mas afirma, enfaticamente, que houve interferência nas eleições por meio de hackers do governo russo, os quais tiveram acesso às informações pessoais de Hillary Clinton, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Apesar desse cenário, Konstantin Kosachev, senador que lidera o Comitê de Assuntos Exteriores da Federação Russa, afirmou que “há uma chance de recomeçar as nossas relações a partir do zero, mas é uma questão de saber se Trump assumirá esse risco. Certamente, estamos prontos”. Entretanto, essa situação pode ainda estar distante, visto que ainda há inconsistências diplomáticas entre os dois países, já que a Rússia segue afirmando que não interferiu nas eleições dos EUA em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Relatório: Avaliando Atividades e Intenções Russas nas Eleições Recentes do EUA (Capa)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Intelligence_Community_Assessment_-_Assessing_Russian_Activities_and_Intentions_in_Recent_US_Elections.pdf

Imagem 2O Procurador Especial, Robert Mueller” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Director_Robert_S._Mueller-_III.jpg

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Rússia aprova lei contra Fake News

Termo muito conhecido de quem trabalha com jornalismo e afins, as Fake News (traduzindo do inglês, “noticias falsas”) ganharam notoriedade em 2016, quando o então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, foi acusado de ter utilizado deste recurso em contraponto a diversos meios de comunicação que faziam frente à sua candidatura, e, assim, ajudou a popularizar esse conceito em todo o globo como meio utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas que são publicadas principalmente por meios digitais como a Internet, onde a velocidade de propagação permite potencializar seu impacto sobre a opinião pública.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

Atualmente, vista como uma “arma” de desinformação em massa, que possivelmente poderia desestruturar a credibilidade de indivíduos, órgãos públicos e privados e até mesmo de governos, as Fake News estão começando a ser tratadas como crime passível de punição. Foi assim que a Duma (a Câmara Baixa, que corresponderia à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou, em 7 de março de 2019, projetos de lei contra essa pratica, e que, posteriormente, em 13 de março, também foram aprovados pelo Soviete da Federação (a Câmara Alta russa, que corresponderia, guardadas as diferenças específicas, ao Senado no Brasil), aguardando, agora, a assinatura do presidente Vladimir Putin.

As medidas se aplicarão a quem “fizer publicações online indecentes que demonstrem desrespeito pela sociedade, o país, os símbolos oficiais de Estado, a Constituição e as autoridades”, e definem a notícia falsa como: “não verificar qualquer informação apresentada como fato que ameaça a vida, saúde ou propriedade de alguém, ameaça a ordem pública, interfira ou comprometa infraestruturas, transporte e serviços sociais, sistema bancário, comunicações e outros setores econômicos”.

Os projetos também dão àqueles que publicarem tais informações a liberdade para corrigí-las ou removê-las e, caso não o façam, serão direcionadas punições pelos respectivos órgãos fiscalizadores que aplicarão, além do possível bloqueio da notícia, multas escalonadas para pessoas físicas que oscilarão entre US$ 460 e US$ 6,1 mil*,  e, para pessoas jurídicas, entre US$ 3,06 mil e US$ 23 mil**, enquanto a penalidade para funcionários com cargos de responsabilidade ficará entre US$ 920 e US$ 13,8 mil***. Em caso de reincidência, os infratores poderão ser multados em até o dobro do valor estipulado da multa ou mesmo serem detidos pelo prazo de 15 dias.

Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português

O Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu previamente ao Soviete da Federação (o Senado) que revise tais projetos, ao considerar que nenhum corresponde aos critérios que estabelecem os direitos e as liberdades referendadas na Constituição russa. O órgão também destacou o excesso das limitações à liberdade de expressão e considerou que as normativas deixam a porta aberta à sua interpretação arbitrária. Sergei Boyarsky, Chefe Adjunto do Comitê da Duma para Políticas de Informação, disse que “não há nenhuma conversa sobre a censura, e que não haverá proibição à crítica de funcionários ou à expressão de visões e opiniões que diferem da linha oficial”. Já os críticos reiteram que a legislação proposta faz parte dos esforços do Kremlin para reprimir as manifestações contrárias ao governo de Vladimir Putin e apertar o controle sobre a opinião pública.

Além da Rússia, outros países estão implantando leis severas sobre a divulgação premeditada de notícias falsas,como foi o caso da Malásia, que promulgou, em 2 de abril de 2018, Projeto de Lei Anti-Notícias Falsas que estabelece multas equivalentes a até US$ 123 mil (em torno de 468,95 mil reais, também conforme a cotação de 15 de março de 2019) e penas de até 6 anos de prisão.

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Notas:

* Tomando como base a cotação do dia 16 de março de 2019, aproximadamente 1.754 reais e 23.260 reais, respectivamente.

** Conforme a mesma cotação, aproximadamente 11.670 reais e 87.670 reais, respectivamente

*** Também de acordo com esta cotação, próximos de 3.508 reais e 52.614 reais, respectivamente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fake News” (Fonte): https://netzpolitik.org/2017/heute-podiumsdiskussion-zu-fake-news-und-luegenpresse/

Imagem 3 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_falsa#/media/File:Como_identificar_not%C3%ADcias_falsas_(How_To_Spot_Fake_News).jpg

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A reaproximação diplomática entre Grécia e Rússia

Na última sexta-feira, dia 7 de dezembro (2018), o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, reuniram-se no Kremlin, em Moscou. A discussão entre os líderes incluiu assuntos de cooperação bilateral e outras questões internacionais e regionais de destaque, uma mudança positiva nas relações Rússia-Grécia, visto que elas estavam abaladas desde julho (2018).

Nesse período, Atenas expulsou dois diplomatas russos sob a alegação de que eles tentaram sabotar as negociações entre Grécia e Macedônia na renomeação do país de República Iugoslava da Macedônia para República da Macedônia do Norte. A Rússia negou as acusações e respondeu à altura, expulsando dois diplomatas gregos em agosto (2018). Durante a Reunião, Putin destacou que houve discordância entre as partes sobre os motivos que levaram a expulsão dos diplomatas russos e continuou: “Mal posso imaginar que alguém sensato na Grécia e na Rússia pense que a Rússia esteja ‘tramando’ contra a Grécia ou que trame outras conspirações. É um absurdo. Se os serviços de inteligência têm alguma pergunta um para o outro, o que também é possível, há muitas maneiras de resolver esse tipo de situação, sem nenhum gesto teatral. Espero que este momento [nas relações Rússia-Grécia] tenha realmente se encerrado”.

Reunião com o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou

À parte do escândalo diplomático, os líderes também discutiram sobre assuntos estratégicos. Tsipras propôs que a Grécia faça parte do trajeto do duto de gás natural, o TurkStream, para a Europa Ocidental. O objetivo do Primeiro Ministro é demonstrar o interesse grego em se tornar um hub de energia regional, assim, o sul da Europa também se conectaria ao gasoduto TurkStream pela Grécia. Com essa declaração, Putin apontou que há a possibilidade desse projeto ocorrer, além de que há planos para que, no futuro, os dois países implementem conjuntamente grandes empreendimentos de infraestrutura energética.

Para tanto, o Presidente russo destacou que o fortalecimento da economia grega é essencial para que ocorra a entrada de novos investimentos da Rússia no país. Em relação a esse fato, o Ministro Adjunto dos Negócios Estrangeiros da Grécia, George Katrougkalos, enfatizou que “o potencial é [agora] muito maior em muitas áreas desde que a economia grega se recuperou completamente [de uma crise econômica]. No último trimestre [do ano, 2018], subiu 2,2%, e a previsão para 2019 é ainda melhor, cerca de 2,5%. A nova lei de desenvolvimento prevê garantias e incentivos importantes para os investidores. Nunca houve condições mais favoráveis para o investimento em nosso país”.

Não obstante, mesmo que a Grécia passe por dificuldades, Putin ressaltou que os dois países estão ligados por uma relação histórica, em que a Rússia sempre apoiou o povo e o Estado gregos. Por conta disso, há um compromisso diplomático para que o Governo russo continue atuando nesse sentido. A Reunião, portanto, trouxe apaziguamento para a relação entre os dois países, ambos reconheceram a importância da retomada do diálogo entre eles, o qual trouxe avanços positivos nas questões bilaterais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, cumprimenta o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na coletiva de imprensa conjunta” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/v7KZ21dyhYtByFhA3xrvAUXsbxzLWkod.jpg

Imagem 2Reunião com o PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/5XBkngitxTx38WYY2y5FjAsBVEJ7sYKO.jpg

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Novas tensões entre Ucrânia e Rússia

As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia passam novamente por momentos de tensão. No último domingo (25 de novembro 2018), três embarcações ucranianas foram detidas por navios russos no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar Negro e o Mar de Azov, sob a alegação de que aqueles estariam invadindo o território marítimo russo. Essa justificativa foi dada pelo fato de o Estreito estar na Crimeia, região que era da Ucrânia, mas que atualmente faz parte da Federação Russa, efetivado em 2014.

O Serviço de Segurança Fronteiriça da Crimeia divulgou o seguinte comunicado: “Na manhã do dia 25, por volta de 07:00 no horário de Moscou, três navios da Marinha da Ucrânia violaram os artigos 19 e 21 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os quais definem o direito de um Estado costeiro em garantir a segurança marítima. Eles cruzaram a fronteira com o Estado russo e ilegalmente entraram no território marítimo russo que está temporariamente fechado”. Ainda de acordo com a Guarda Costeira, as embarcações ucranianas estavam realizando manobras perigosas e desobedecendo as autoridades.

Localização do estreito de Kerch

Nesse cenário apreensivo, navios russos foram liberados a abrir fogo para impedir a passagem. Vinte e quatro marinheiros a bordo das três embarcações foram detidos, dentre eles 3 teriam se ferido e estão internados em um hospital na Crimeia. Pela primeira vez, desde o início das tensões entre Ucrânia e Rússia, em 2014, ocorreu uma ofensiva militar direta entre os dois Estados, já que na Crimeia a luta é entre as forças ucranianas e os separatistas.

Diante disso, uma sessão de emergência sobre a situação foi convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde vários países demonstraram seu descontentamento quanto às ações russas. A embaixadora norte-americana, Nikki Haley, declarou que foi “uma violação ultrajante da soberania da Ucrânia. O impedimento do trânsito legal da Ucrânia através do Estreito de Kerch é uma violação do direito internacional. É um ato arrogante que a comunidade internacional deve condenar e que nunca aceitará”. Uma reunião também foi convocada pela Organização do Atlântico Norte (OTAN), em que o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia usou força militar diretamente contra a Ucrânia e, portanto, terá que lidar com as consequências de seus atos.

O Governo ucraniano alega que a Rússia realizou um ato de agressão e colocou em risco a segurança e defesa do país. Por essa razão, o presidente Petro Poroshenko recomendou a decretação da lei marcial por 30 dias, a qual foi aprovada no dia 26 (2018), segunda-feira passada, pelo Parlamento Ucraniano. Ela prevê onze medidas, dentre as quais estão a movimentação de forças de reserva, o preparo da defesa aérea de empresas estatais estratégicas e ações de cibersegurança.

A partir dessa situação, analistas acreditam que novos desafios surgirão para a comunidade internacional, já que a conciliação entre a Ucrânia e a Rússia tornou-se mais distante e complicada. É provável que o Ocidente aplique novamente sanções econômicas aos russos, mas esse instrumento de política externa está se mostrando pouco efetivo com o passar do tempo, visto que as tensões na região permanecem e agora tendem a evoluir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de manifestações nacionalistas na Ucrânia em 2013” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/ce/Euromaidan_03.JPG/200px-Euromaidan_03.JPG

Imagem 2Localização do estreito de Kerch” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estreito_de_Querche