EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleição na Ucrânia terá segundo turno

A Ucrânia não se furtou ao segundo turno ser disputado no dia 21 de abril, que ocorrerá entre o atual Presidente, Petro Poroshenko, e a “zebra” do pleito, Volodymyr Zelenskyi, um conhecido comediante no país, famoso por atuar em uma série de televisão no papel de um professor que se torna Presidente da Ucrânia, “O Servo do Povo”. Zelenskyi alcançou mais de 30% dos votos de 63% dos eleitores que foram às urnas no dia 31 de março, pelo partido homônimo, em eleição com maior índice de participação do que a anterior, em 2014.

Como resultado desse primeiro pleito tivemosPoroshenko com cerca de 18% e a candidata Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra com um fraco desempenho de apenas 14% dos votos. No gráfico abaixo observamos que Zelenskyi já havia crescido nas pesquisas de intenção de voto desde o ano passado (2018), acelerando a partir de dezembro de 2018 (linha verde clara), enquanto que Tymoshenko já vinha em declínio (linha vermelha) e Poroshenko (linha azul) em crescimento também, porém mais lento.

Eleição Presidencial da Ucrânia – 2019

Embora a diferença entre o primeiro e o segundo colocados seja significativa, Petro Poroshenko é um político experiente. Ele já fala em “mobilização total dos patriotas ucranianos”, usando a retórica nacionalista ao mesmo tempo em que acusa Zelenskyi de ser mero títere de um oligarca, Kolomoisky.

Por outro lado, Poroshenko enfrentou a fúria das manifestações de nacionalistas contra seu governo. Grupos de militantes nacionalistas, o National Corps, acompanharam-no em seus comícios, acusando-o de corrupção. Aliás, a reclassificação do grupo para “perigosos paramilitares com ligações com a Rússia”, já que durante a Guerra do Donbass fora chamado de “defensores heroicos de Mariupol”, informa muito sobre a guerra de informações e contrainformações no período pré-eleitoral.

Com sua popularidade caindo de mais de 50% em 2014 para menos da metade em 2019, Poroshenko tem de lidar com os casos de corrupção envolvendo seu governo, particularmente o do setor de defesa, casos da UkrOboronProm e da estatal de gás, Naftogaz. Contra isso, parte significativa do eleitorado preferiu apostar na “renovação”, em que pesem críticas quanto a sua inexperiência em dirigir um país em guerra, como ocorre no Leste, nas regiões separatistas do Donbass.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Volodymyr Zelenskyi” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:ВладимирЗеленскийв_Чехии.jpg

Imagem 2 Eleição Presidencial da Ucrânia 2019” (Fonte): https://ru.wikipedia.org/wiki/Файл:Ukraine_Presidential_Election_2019.png

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório Mueller nega conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia

O procurador especial Robert Mueller encerrou as investigações sobre o suposto conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia. De acordo com o Relatório, não foram encontradas evidências que comprovem que o presidente Trump e sua equipe tenham conspirado com quaisquer russos durante as eleições de 2016. O Documento foi resumido e entregue ao Congresso norte-americano pelo procurador-geral William Barr, no dia 24 de março (2019).

A investigação perdurou por dois anos. Inicialmente, ela estava sob o comando de James Comey, o diretor do FBI na época. Entretanto, em maio de 2017, o presidente Trump decidiu pela demissão de Comey, o que suscitou suspeitas acerca de obstrução da justiça. Após esse episódio, Robert Mueller, ex-diretor do FBI, foi indicado por Rod Rosenstein, vice-Procurador-Geral, para liderar as investigações.

Assim, Mueller ficou responsável não só por averiguar as acusações de envolvimento da campanha Trump com a Rússia, como também passou a apurar se o Presidente americano teria obstruído a justiça. No total, mais de 40 agentes federais envolveram-se nas investigações; em torno de 500 testemunhas foram ouvidas; e mais de 2.800 intimações foram expedidas.

O Procurador Especial, Robert Mueller

O Relatório Mueller não foi divulgado na íntegra, contudo, o procurador-geral Barr divulgou o sumário, onde destacou que “o procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump tenha conspirado ou coordenado intencionalmente com a Rússia”. Ademais, Mueller não chegou a uma conclusão definitiva se o presidente Trump obstruiu ou não a justiça. Barr e Rosestein afirmaram que “ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva”. Entretanto, Robert Mueller destaca no Documento que isso não significa que Trump esteja exonerado, ou seja, que não tenha tentado obstruir as investigações. Em meio a essa situação dúbia, o Presidente norte-americano publicou em sua rede social Twitter: “Sem conluio, sem obstrução, exoneração completa e total. Mantenha a América grande!”.

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No que concerne a Rússia, o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, afirmou que “é difícil encontrar um gato preto em um quarto escuro, especialmente se ele não está lá” e completou que no sumário do Documento “não há nada de novo, apenas o reconhecimento da ausência de conluio”. Efetivamente, Mueller deixa explícita a inocência de Trump e sua equipe de campanha, mas afirma, enfaticamente, que houve interferência nas eleições por meio de hackers do governo russo, os quais tiveram acesso às informações pessoais de Hillary Clinton, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Apesar desse cenário, Konstantin Kosachev, senador que lidera o Comitê de Assuntos Exteriores da Federação Russa, afirmou que “há uma chance de recomeçar as nossas relações a partir do zero, mas é uma questão de saber se Trump assumirá esse risco. Certamente, estamos prontos”. Entretanto, essa situação pode ainda estar distante, visto que ainda há inconsistências diplomáticas entre os dois países, já que a Rússia segue afirmando que não interferiu nas eleições dos EUA em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Relatório: Avaliando Atividades e Intenções Russas nas Eleições Recentes do EUA (Capa)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Intelligence_Community_Assessment_-_Assessing_Russian_Activities_and_Intentions_in_Recent_US_Elections.pdf

Imagem 2O Procurador Especial, Robert Mueller” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Director_Robert_S._Mueller-_III.jpg

AMÉRICA LATINAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e Venezuela

Na semana passada (5 de dezembro de 2018), o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin, encontraram-se em Moscou, onde realizaram uma reunião sobre as principais diretrizes que orientam as relações bilaterais. Por conta da dificuldade econômica e política que o Governo Maduro vem sofrendo nos últimos anos, houve um afastamento entre os dois países, principalmente no que concerne ao comércio. O Encontro entre os líderes teve o objetivo de superar esse percalço e reestabelecer a parceria estratégica entre eles.

O resultado dessa Reunião foi um contrato de investimentos em projetos de extração de petróleo e ouro na Venezuela no valor de 6 bilhões de dólares, além de um acordo de abastecimento de 600 mil toneladas de trigo ao país sul-americano. Não só a parceria econômica foi incentivada,também foi discutida a cooperação técnica militar entre eles.

Poucos dias após o Encontro dos líderes,no dia 10 de dezembro (2018), quatro aeronaves russas pousaram na Venezuela,entre elas, dois bombardeiros Tupolev 160 (Tu-160), tal qual já citado em Análise no CEIRI NEWS (CNP). Esses aviões, apelidados de Cisnes Brancos por conta do design, foram desenvolvidos no começo dos anos de1980 e modernizados em 2000, eles alcançam uma velocidade máxima que é o dobro daquela do som, voam por 12 mil quilômetros e são capazes de transportar armas nucleares. De acordo com o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, as aeronaves faziam parte de um exercício militar entre os dois países, em suas palavras, “estamos nos preparando para defender a Venezuela até o último momento caso seja necessário. Vamos fazer isso com nossos amigos porque temos amigos no mundo que defendem relações respeitosas e de equilíbrio”.

O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)

A declaração de Padrino ocorreu em meio a suspeita do Governo Maduro de uma intervenção dos EUA no país, visto que eles consideram que a Venezuela esteja vivendo um período antidemocrático. O presidente Putin, por sua vez, se opõe ao posicionamento dos norte-americanos e declarou que “qualquer tipo de ação terrorista com o intuito de mudar a situação na Venezuela por força deve ser condenada”.

A parceria militar entre os dois países, portanto, tornou-se evidente após esse acontecimento, algo que despertou desconfianças em alguns países do sistema internacional. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, repudiou o exercício militar e acusou os dois governos de serem corruptos por esbanjarem fundos públicos e estreitarem a liberdade de suas populações. Outras autoridades americanas também criticaram a Rússia,acusando-a de agir dessa maneira para irritar os EUA.

Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco

As aeronaves retornaram às suas bases militares na Rússia 5 dias após o início do exercício militar, não tendo ocorrido nenhuma transgressão às regulações internacionais, segundo foi divulgado. Entretanto, a incerteza quanto às reais intenções entre Venezuela e Rússia ainda prevalece. Especialistas internacionais apontam que esse exercício foi uma demonstração de apoio da Rússia pelo regime de Maduro, um modo para que o governo Putin demonstre que seu país tem aliados e conexões importantes pelo mundo. De acordo com Famil Ismailov, editor do serviço russo da BBC, “é muito importante mostrar ao público interno que, apesar das sanções, a Rússia cumpre seu papel de superpotência e tem países amigos. Vale a pena pagar por isso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/vIpRZIzrkQHJTVAN0I7bhcSJn8TtmJ7B.jpg

Imagem 2O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 3Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/65/Tupolew_Tu_160_8001.png

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A reaproximação diplomática entre Grécia e Rússia

Na última sexta-feira, dia 7 de dezembro (2018), o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, reuniram-se no Kremlin, em Moscou. A discussão entre os líderes incluiu assuntos de cooperação bilateral e outras questões internacionais e regionais de destaque, uma mudança positiva nas relações Rússia-Grécia, visto que elas estavam abaladas desde julho (2018).

Nesse período, Atenas expulsou dois diplomatas russos sob a alegação de que eles tentaram sabotar as negociações entre Grécia e Macedônia na renomeação do país de República Iugoslava da Macedônia para República da Macedônia do Norte. A Rússia negou as acusações e respondeu à altura, expulsando dois diplomatas gregos em agosto (2018). Durante a Reunião, Putin destacou que houve discordância entre as partes sobre os motivos que levaram a expulsão dos diplomatas russos e continuou: “Mal posso imaginar que alguém sensato na Grécia e na Rússia pense que a Rússia esteja ‘tramando’ contra a Grécia ou que trame outras conspirações. É um absurdo. Se os serviços de inteligência têm alguma pergunta um para o outro, o que também é possível, há muitas maneiras de resolver esse tipo de situação, sem nenhum gesto teatral. Espero que este momento [nas relações Rússia-Grécia] tenha realmente se encerrado”.

Reunião com o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou

À parte do escândalo diplomático, os líderes também discutiram sobre assuntos estratégicos. Tsipras propôs que a Grécia faça parte do trajeto do duto de gás natural, o TurkStream, para a Europa Ocidental. O objetivo do Primeiro Ministro é demonstrar o interesse grego em se tornar um hub de energia regional, assim, o sul da Europa também se conectaria ao gasoduto TurkStream pela Grécia. Com essa declaração, Putin apontou que há a possibilidade desse projeto ocorrer, além de que há planos para que, no futuro, os dois países implementem conjuntamente grandes empreendimentos de infraestrutura energética.

Para tanto, o Presidente russo destacou que o fortalecimento da economia grega é essencial para que ocorra a entrada de novos investimentos da Rússia no país. Em relação a esse fato, o Ministro Adjunto dos Negócios Estrangeiros da Grécia, George Katrougkalos, enfatizou que “o potencial é [agora] muito maior em muitas áreas desde que a economia grega se recuperou completamente [de uma crise econômica]. No último trimestre [do ano, 2018], subiu 2,2%, e a previsão para 2019 é ainda melhor, cerca de 2,5%. A nova lei de desenvolvimento prevê garantias e incentivos importantes para os investidores. Nunca houve condições mais favoráveis para o investimento em nosso país”.

Não obstante, mesmo que a Grécia passe por dificuldades, Putin ressaltou que os dois países estão ligados por uma relação histórica, em que a Rússia sempre apoiou o povo e o Estado gregos. Por conta disso, há um compromisso diplomático para que o Governo russo continue atuando nesse sentido. A Reunião, portanto, trouxe apaziguamento para a relação entre os dois países, ambos reconheceram a importância da retomada do diálogo entre eles, o qual trouxe avanços positivos nas questões bilaterais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, cumprimenta o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na coletiva de imprensa conjunta” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/v7KZ21dyhYtByFhA3xrvAUXsbxzLWkod.jpg

Imagem 2Reunião com o PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/5XBkngitxTx38WYY2y5FjAsBVEJ7sYKO.jpg

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Relatório sugere que EUA é incapaz de vencer guerra contra China e Rússia

No dia 14 de novembro de 2018, a Comissão de Estratégia e Defesa Nacional (NDCS, sigla em inglês) enviou para o Congresso dos Estados Unidos relatório acerca da correlação de forças militares entre as três grandes potencias do sistema internacional: EUA, Rússia e China. O documento também avaliou a adequação das diretrizes estabelecidas pela  Estratégia Nacional de Defesa (NDS, sigla em inglês) apresentada no dia 17 de dezembro de 2017 pelo Presidente Donald Trump. A NDCS é um comitê bipartidário, composto por oficiais do alto escalão de agências de inteligência e das Forças Armadas estadunidenses.

Dong-Feng 26, míssil balístico de alcance médio considerado elemento central da estratégia militar da China durante parada militar

De acordo com o relatório “o poder militar dos Estados Unidos – o núcleo de sua influência global e segurança nacional – erodiu para um nível perigoso”. Entre as causas apontadas para o declínio estão: (i) restrições orçamentárias ao setor de Defesa impostas pelo Ato de Controle Orçamentário de 2011; (ii) desenvolvimento de estratégias de combate não convencionais por parte de nações adversárias; e (iii) desfechos desfavoráveis em balanças de poder regionais na Europa Oriental, Oriente Médio e no Pacífico. Nesse contexto, a NDCS conclui que “as Forças Armadas dos EUA enfrentarão grandes dificuldades para vencer, ou até mesmo poderiam perder uma guerra contra Rússia e China”.

Em relação à NDS do Governo Trump, a Comissão considera que, apesar de apontar corretamente as ameaças enfrentadas pela nação norte-americana, o documento “se fundamenta em pressupostos questionáveis e análises fracas. Ademais, não responde questões críticas sobre como o país irá enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais perigoso”. Por conta disso, a NDCS recomenda não apenas a construção de novas capacidades materiais, mas também o desenvolvimento urgente de conceitos operacionais que norteiem uma estratégia coerente de contenção dos interesses de Rússia e China.

Conforme argumenta Christopher Layne, pesquisador da Escola de Governo e Serviço Público George Bush, a primazia militar estadunidense foi elemento definidor da hierarquia interestatal desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Portanto, caso a redução do hiato das capacidades militares de EUA, Rússia e China apontadas pela NDCS se confirme, o cenário de ampliação dos conflitos de interesses entre esses três países se torna mais provável. Do ponto de vista dos demais Estados, o desafio que se impõe consiste na manutenção de autonomia externa em um contexto internacional no qual há indefinição na correlação de forças entre as grandes potências.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o VicePresidente do país, Mike Pence, durante parada militar” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Donald_Trump,_Mike_Pence_saluting_at_Inaugural_parade_01-20-17.jpg

Imagem 2DongFeng 26, míssil balístico de alcance médio considerado elemento central da estratégia militar da China durante parada militar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/DF-26#/media/File:Dong-Feng_26.JPG

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Rússia eleva produção científica para desenvolvimento de novas armas

Em decorrência da drástica mudança no foco das operações de combate militar desde o final da Guerra Fria, e tendo como previsões, por grande parte da comunidade internacional, a necessidade do desenvolvimento e da inovação de tecnologias bélicas inerentes à possíveis demandas de novos cenários geopolíticos, a Federação Russa, entre outras nações, está elevando sua capacidade científica para atender à essas contingências, unindo centros de pesquisas, Forças Armadas e Governo.

Laboratório ISS Reshetnev

Passados os “espasmos” da complexidade do setor militar-industrial da era soviética, com a governança da mão pesada do Estado, a Rússia vem se reestruturando economicamente e potencialmente para lançar elevados investimentos em novas tecnologias, já apresentadas de antemão pelo presidente Vladmir Putin em seu discurso à nação, proferido em março de 2018. Ressalte-se que nos últimos momentos de existência da União Soviética foi decretado um enorme corte de verbas, o que causou uma profunda transformação nos meios militares, perdendo muito do seu acesso a recursos, à influência política e à mão de obra especializada.

Para que esse desenvolvimento de novas armas se concretize, será necessário o desenvolvimento científico de novos supercomputadores responsáveis por projetá-las, o que, atualmente, empresas como a ISS Reshetnev* e o Consórcio Kalashnikov, através do seu Instituto de Investigação e Produção Científica Molniya, já estão trabalhando para a apresentação de suas pesquisas. O principal objetivo do projeto, além de eliminar tecnologia estrangeira, é passar a efetuar todo o ciclo de desenvolvimento e produção com a ajuda de maquinaria e equipamentos nacionais.

O projeto abrange todas as etapas, desde a fase de pesquisa e desenvolvimento até a criação de um protótipo e seus testes, além da manutenção dos armamentos fabricados em série durante sua utilização nas Forças Armadas. Segundo declarações da diretora-geral do Instituto Molniya, Olga Sokolova, o supercomputador iniciará sua participação nos meios militares com o projeto de mísseis-alvo** e depois estenderá suas soluções para toda a indústria russa de armamentos.

De acordo com especialistas da área de segurança informática, o supercomputador não será criado a partir do zero, podendo utilizar como plataforma o Elbrus, importante sistema utilizado pelo ramo militar-industrial na projeção de armas especializadas e analises perspectivas que, com a necessidade de potencializar o volume de informações à serem processadas, deverá passar por uma reconfiguração para fornecer o mais alto desempenho em cálculos matemáticos, criptografia, processamento digital de sinais, além de dar suporte de hardware para computação segura.

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Notas:

* Reshetnev Sistemas de Informação por Satélite (ISS Reshetnev – Information Satellite Systems), empresa localizada na cidade de Zheleznogorsk, em Krasnoyarsk Krai, na Rússia, que atua no ramo de projeto e construção de satélites, sendo administrada diretamente pela Agência Espacial da Federação Russa. Desde sua fundação, em 1959, entregou mais de 1.200 satélites utilizados nos mais variados tipos de missões.

** Projeto de míssil hipersônico de baixo custo que servirá para testes de armas avançadas alocadas em bombardeiros, caças e, também, artilharia antiaérea. Seu lançamento será a partir do solo e simulará sinais térmicos de propulsores de aeronaves.

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Imagem 1 Superfície de microchip” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg/1024px-CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg

Imagem 2 Laboratório ISS Reshetnev” (Fonte):

http://www.iss-reshetnev.com/assets/components/phpthumbof/cache/060618-9.3a7e5dadb5b06ee9fd1808f1be641c751779.jpg