AMÉRICA DO NORTEEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aumentam as tensões entre EUA e Rússia

Desde o fim da Guerra Fria*, em 1991, a relação entre Estados Unidos e Federação Russa teve altos e baixos, mas, na maioria das vezes, a situação se manteve estável. Entretanto, nos últimos anos esse quadro se agravou, principalmente após a anexação da Crimeia pela Rússia**, em 2014, a acusação dos EUA de ter ocorrido interferência russa nas suas eleições presidenciais de 2016 e o caso do suposto envolvimento russo no envenenamento do seu ex-agente de inteligência, Sergei Skripal, e da filha dele, Yulia, no Reino Unido, em março deste ano (2018).

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018

Após tais acontecimentos, o cenário internacional manteve-se em alerta quanto ao escalonamento das tensões entre essas duas grandes potências mundiais. Em um encontro em Helsinki, em julho (2018), entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, o líder norte-americano afirmou que as relações entre seus países “nunca estiveram piores”. Somado a tudo, tem-se que a União Europeia e os EUA vêm adotando cada vez mais medidas que afetam a diplomacia e a economia russa.

A última decisão tomada foi a anunciada no dia 10 de agosto (2018) pelo Departamento de Estado dos EUA. Neste comunicado divulgou-se um novo pacote de sanções anti-Rússia, que será aplicado no dia 22 de agosto, em resposta ao suposto envenenamento da família Skripal. As medidas anunciadas vão afetar vários itens de exportação importantes à economia russa e o país terá 90 dias para provar que não possui armas químicas e biológicas e que nem as utilizará no futuro. Caso isso não ocorra, um novo pacote será imposto pelos EUA, o qual será muito mais rigoroso.

O Kremlin se pronunciou diante dessa situação afirmando que o país está de acordo com a Convenção sobre Armas Químicas***, tendo destruído seu arsenal, em 2017, sob a supervisão da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Portanto, a postura norte-americana, segundo Moscou, é desrespeitosa à integridade e autoridade desse órgão. Além disso, afirmou: “Nós consideramos as acusações de cumplicidade no incidente de Salisbury, apresentadas contra a Rússia, infundadas e apenas mais uma tentativa de criar uma impressão de que nosso país assume uma atitude irresponsável em relação ao cumprimento dos compromissos internacionais”. E afirmou também: “os Estados Unidos demonstraram mais de uma vez sua atitude desdenhosa em relação ao sistema de direito internacional e o desejo de usar os mecanismos de controle de armas multilaterais existentes para fazer avançar sua própria agenda política”.

A partir desse cenário, torna-se evidente a deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. Há, ainda, a possibilidade de se chegar a uma “guerra econômica”, como dito pelo Primeiro-Ministro da Federação Russa, Dmitry Medvedev. O ambiente internacional, portanto, torna-se mais imprevisível, tanto que algumas fontes internacionais afirmam até que a Marinha norte-americana vem se preparando para uma possível guerra contra a Rússia no Atlântico Norte. Tais hipóteses de conflito e de batalhas estão no planejamento estratégico de ambos os atores e ocorrem treinamentos corriqueiros para tanto, no entanto, a forma de apresentação e desenvolvimento dos exercícios podem aumentar as tensões, transbordar o campo diplomático e transformar estes preparos em algo mais sério para toda a comunidade internacional.

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Notas:

* A Guerra Fria foi um embate ideológico entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA) durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

*** A Convenção sobre Armas Químicas é um acordo que proíbe a produção, o armazenamento e o uso de armas químicas. Ao todo, 189 Estados fazem parte deste Tratado, apenas cinco países não concordaram e não o assinaram, é o caso de Angola, Coreia do Norte, Egito, Sudão do Sul e Síria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Praça Vermelha em Moscou com o Museu de História Nacional e o Kremlin, complexo fortificado que serve como a residência oficial do Presidente da Federação Russa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/Russie_-_Moscou_-_place_rouge_mus%C3%A9e_histoire_%26_kremlin.jpg

Imagem 2O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg/1024px-Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Jovem russa é presa nos EUA sob acusação de conspiração

No dia 15 de julho (2018), a cidadã russa Mariia Butina foi detida em Washington, nos Estados Unidos (EUA). De acordo com o Departamento de Justiça norte-americano, ela está sendo acusada de crimes de conspiração, por ter supostamente se infiltrado em grupos políticos a fim de incentivar os interesses russos no país, fato esse que não foi registrado perante as autoridades americanas, como previsto pela Lei de Registro de Agente Estrangeiro*. Caso essas denúncias sejam provadas verdadeiras, ela pode pegar até cinco anos de prisão.

Butina migrou aos EUA, em agosto de 2016, para estudar Relações Internacionais na American University, em Washington. Ela é conhecida por ter participado da fundação de um grupo ativista na Rússia, o “Direito de Possuir Armas”, e por talvez ter laços com a National Rifle Association, o principal grupo pró-armamento nos EUA. 

Ademais, entre 2015 e 2017, a cidadã russa trabalhou como assistente do então vice-governador do Banco Central Russo e ex-senador Alexander Torshin, o qual também é russo e foi recentemente sancionado pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Durante esse período, Butina e Torshin teriam se encontrado com funcionários de alto-escalão do Sistema de Reserva Federal (FED) e do Tesouro Nacional Americano. Essas reuniões não foram reportadas na época, mas, segundo registros, tiveram o objetivo de promover as relações econômicas e financeiras entre Rússia-EUA.

Diante da situação, o Departamento de Justiça dos EUA acredita que Butina teve a intenção de tecer conexões com líderes políticos importantes a fim de promover os interesses da Federação Russa no território norte-americano. Portanto, ela está sendo acusada de atuar como uma espiã, não tendo reportado claramente às autoridades estadunidenses suas verdadeiras intenções.

Diante deste cenário, o advogado da acusada, Robert Driscoll, afirma a inocência de sua cliente. De acordo com ele, “A substância da acusação na denúncia é exagerada. Embora denominada como uma espécie de conspiração para violar a Lei de Registro de Agente Estrangeiro, na realidade, ela descreve uma conspiração por ter um ‘jantar de amizade’ no Bistrô Bis, com um grupo de americanos e russos para discutir as relações externas entre os dois países”.

Até o momento, a cidadã russa permanece presa nos EUA e diplomatas russos já estão trabalhando em seu processo de liberdade. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa afirmou que a prisão de Mariia Butina foi planejada para minar os “resultados positivos” da cúpula entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia.

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Nota:

* A Lei de Registro de Agente Estrangeiro nos EUA prevê que todos os agentes representando os interesses de potências estrangeiras em “capacidade política ou quase política” devem divulgar seu relacionamento com o governo estrangeiro, assim como disponibilizar informações sobre suas atividades e finanças.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Maria Butina, cidadã russa que foi presa recentemente nos EUA sob acusação de espionagem” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5d/Maria_Butina.jpg/220px-Maria_Butina.jpg

Imagem 2Depoimento de apoio à queixa do FBI contra Butina, o qual levou à sua prisão em 15 de julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Butina_mariia_-_affidavit_-_july_2018_0_0.pdf/page1-463px-Butina_mariia_-_affidavit_-_july_2018_0_0.pdf.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conselheiro do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei se encontra com presidente Vladimir Putin

No dia 12 de julho, reuniram-se em Moscou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Ali Akbar Velayati, Conselheiro do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. Além de enviar uma mensagem do Aiatolá e do Presidente iraniano ao Governo russo, o encontro tinha como objetivos discutir sobre a ampliação da aliança estratégica entre ambos países, incluindo a Guerra Civil Síria, e tratar sobre o aumento de investimentos russos no setor petroleiro persa.

Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018

Além de Velayati, a delegação iraniana estava composta pelo Chefe dos Conselheiros, Ali Asghar Fathi Sarbangoli, e pelo embaixador iraniano na Rússia, Mehdi Sanai. Já a comitiva russa contava com a presença de Putin e do Ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Ao final da reunião, um dos compromissos acordados foi acerca do investimento da Rússia de US$ 50 bilhões na indústria de gás e petróleo do Irã, assim como a união de esforços para a cooperação militar e técnica. Conforme afirmação da delegação iraniana, uma empresa de petróleo russa firmou um acordo de US$ 4 bilhões. Já a Gazprom e a Rosneft estão em tratativas com o Ministro do Petróleo do Irã para negociar um contrato de US$ 10 bilhões. De acordo com declarações do Kremlin, “a discussão centrou-se em questões de cooperação russo-iraniana, bem como a situação na região, incluindo suas atuações na Síria. As partes reafirmaram seu compromisso com o Plano de Ação Integral Conjunto sobre o Acordo Nuclear do Irã (JCPOA)”.

Considera-se que encontros como este são uma das estratégias do governo de Rouhani para atrair novos investimentos e fortalecer suas relações com aliados chaves na compra de petróleo, após a saída unilateral dos Estados Unidos do JCPOA, do reestabelecimento de sanções ao Irã e da provável desaceleração dos negócios com a União Europeia. Segundo alguns analistas no tema, o Governo persa enxerga a Rússia e a China como possíveis substitutos das empresas europeias que estão deixando o país.

Além da já realizada reunião na Rússia, Velayati irá a Pequim, em data ainda não confirmada. Outros emissários serão enviados à América Latina, em visita aos governos do Brasil, Bolívia, Chile e Venezuela; à Malásia, no Sudeste Asiático; e à Tunísia, na África Mediterrânea.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reunião entre presidente russo Vladmir Putin e o Aiatolá Ali Khamenei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hassan_Rouhani_and_Vladimir_Putin_(1).jpg

Imagem 2Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57984

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Expansão russa no Oriente Médio

Segundo analistas internacionais, a Federação Russa é considerada atualmente como a única potência mundial que tem trânsito livre entre todas as nações do Oriente Médio*, resultado este que se deu devido a um elaborado desenvolvimento diplomático que o Ministério das Relações Exteriores da Rússia galgou durante os últimos anos, no intuito de projetar o país como um novo agente efetivo nas questões políticas e econômicas que envolvem a região médio-oriental.

Propaganda de Putin no Oriente Médio

O fato de os Estados Unidos, que foi o principal mediador de conflitos regionais no Oriente Médio, ter começado um processo de afastamento político da área, ainda no governo de Barack Obama, deu oportunidade para a criação de um hiato representativo que, possivelmente, potencializará a hegemonia russa a se inserir ainda mais nas questões regionais. Tal hiato foi produzido com a transferência de diplomacia americana para outras regiões do planeta, principalmente para a Ásia, e se prolongou no governo de Donald Trump, com processos político-diplomáticos** que delimitaram ainda mais as negociações de paz entre Israel e Palestina, além de aplicar sanções sobre a nação iraniana, em decorrência do não alinhamento de um acordo nuclear entre as partes.

Um exemplo claro de atuação russa no Oriente Médio é sua participação militar na Síria, onde, desde setembro de 2015, vem intervindo de maneira efetiva contra o Estado Islâmico***, com o objetivo de eliminar toda a ação do grupo terrorista dentro do país e também auxiliar o governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, a se reestruturar em meio ao caos que o país atravessa.

A realização de parcerias econômico-financeiras com nações árabes é outro ponto importante no processo de expansão regional, como se dá no caso de fundos de pensão russos estarem avaliando um investimento direto na petroleira estatal da Arábia Saudita (Saudi Aramco, oficialmente Saudi Arabian Oil Company, anteriormente conhecida como Aramco), onde, com esta coligação, Moscou e Riad devem coordenar as políticas mundiais de petróleo por muitos anos, segundo avaliação do diretor do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev.

Encontro de Putin e Netanyahu

Obras de infraestrutura também incluem a participação da Rússia na região, como é o caso da construção de usinas nucleares no Egito e na Turquia, onde esta última já tem prazo de inauguração de sua planta energética (Akkuyu) em 2023, sendo construída pela Rosatom (companhia estatal de energia nuclear da Rússia), a um custo de 22 bilhões de dólares.

O comércio de armas da Federação Russa para a região também se expandiu, principalmente pelo processo de venda bilionária de sistemas antiaéreos S-400 para a Turquia. O S-400 Triumph é um sistema de defesa antiaérea de longo alcance projetado para destruir aeronaves, mísseis balísticos e de cruzeiro, inclusive de médio alcance, e, além disso, pode ser usado contra alvos terrestres.

Além de ser considerado por especialistas em relações internacionais como um forte agente nas áreas político-econômico-militar, a participação russa no Oriente Médio também irá abranger sua capacidade diplomática devido a ser detentora de alianças pacíficas com vários países e, por conta disso, deverá assumir um papel de mediador em conflitos regionais, como é o caso do embate entre Irã e Israel. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção e, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente eles afetariam os interesses da Rússia em toda aquela região.

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Notas:

* Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

** Em 6 de dezembro de 2017, o governo norte-americano efetivou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, ao executar a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para a disputada cidade. Essa ação acabou isolando os EUA em um dos episódios mais polêmicos da atualidade, o qual gerou uma série de protestos em todo o mundo.  

*** O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Salafista e Uaabista que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro dos governantes de Rússia, Turquia e Irã” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/85/b9/7d/85b97dc32aca6fe42a02ad3655ecbca1.jpg

Imagem 1 Propaganda de Putin no Oriente Médio” (Fonte):

https://dinamicaglobal.files.wordpress.com/2015/10/putin-is-welcome.jpg?w=620

Imagem 3 Encontro de Putin e Netanyahu” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/a2/87/be/a287bebe60ac5f256cbfb217a7fa787d.jpg

                                                                                              

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Cúpula de Helsinque reunirá Rússia e EUA

Em meio à um momento crítico nas relações entre Rússia e Estados Unidos, que não se vê desde a Guerra Fria*, foi confirmado, tanto pela Casa Branca, quanto pelo Kremlin, a cúpula bilateral entre estas nações, que ocorrerá em Helsinque, capital da Finlândia, no próximo dia 16 de julho.

Ataque de mísseis em Damasco

A chamada Cúpula de Helsinque colocará frente à frente Donald Trump e Vladimir Putin para discutirem questões inerentes aos diversos acontecimentos que minaram as relações diplomáticas entre seus países nos últimos anos, no intuito de direcionar conversações para a garantia da estabilidade estratégica entre ambos.

Segundo especialistas em política internacional, a lista de eventos que culminaram neste mal-estar entre as partes já se faz longa. Nas últimas duas décadas, tiveram início com as intervenções da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo, em 1999; posteriormente recebe destaque a adesão de ex-repúblicas soviéticas** à Aliança Atlântica, em 2004; vindo depois a ofensiva militar russa contra a Geórgia, em 2008; e, em seguida, a anexação da Crimeia ao território da Federação Russa, em 2014.

Ataque de mísseis em Damasco

Dos vários assuntos que poderão ser abordados nesta reunião, analistas internacionais colocam como mais importantes: 1) a questão da corrida armamentista a ser evitada devido ao fato da modernização dos arsenais russos e hipótese de possível confronto nuclear, já que os antigos instrumentos de controle de conflitos utilizados na época da Guerra Fria não funcionam nos dias atuais; 2) a minimização dos impactos negativos sobre ações diplomáticas, em que, num exemplo recente, o recrudescimento político entre as duas nações foi potencializado pelo evento do bombardeio de Damasco, na Síria, em abril de 2018, pela coalizão formada por EUA, França e Reino Unido, em retaliação ao suposto ataque químico realizado em Duma, região de Ghouta Oriental, por forças militares sírias, alegadamente apoiadas pela Rússia; 3) a questão do futuro das sanções internacionais impostas contra a Federação Russa, por conta das ações militares na Ucrânia e pela anexação da Crimeia, segundo as quais, num primeiro momento, vários  agentes de alto escalão do governo russo foram vítimas de intervenções políticas e, secundariamente, o próprio país se viu isolado economicamente diante de tal processo.

O mais provável, segundo esses observadores, é que existirão críticos a esse encontro, principalmente países aliados aos Estados Unidos que querem isolar Putin, como é o caso do Reino Unido, e aqueles que questionam o comprometimento de Trump com a OTAN e se preocupam com uma possível retomada de laços diplomáticos entre Washington e Moscou. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, a reunião terá enorme importância não só para os dois países, mas também para toda a situação internacional pela qual o mundo passa.

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Notas:

Guerra Fria é a designação de um período histórico de disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a extinção da União Soviética em 1991. A guerra é chamada de fria porque não houve uma guerra ou conflitos diretos entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

** A partir de 29 de março de 2004, ex-países comunistas ampliaram o quadro da OTAN sendo, Eslovênia, Eslováquia, Romênia, Bulgária e as ex-repúblicas soviéticas bálticas Estônia, Letônia e Lituânia

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 1 Ataque de mísseis em Damasco” (Fonte):

https://s.hdnux.com/photos/72/56/12/15393432/627/core_breaking_now.jpg

Imagem 3 Trump e Putin no encontro de líderes da Ásia e do Pacífico (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/7e/62/3e/7e623ecab0baa1f01725cb883f1406ca.jpg

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AMÉRICA LATINAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Bolívia construirá centro de pesquisa nuclear com a ajuda da Rússia

No ano de 2016, a Bolívia e a Rússia firmaram uma cooperação intergovernamental que engloba o uso pacífico de energia nuclear e a ajuda na construção de um centro de pesquisa e tecnologia atômica. Em vista disso, em setembro de 2017, a Agência Boliviana de Energia Nuclear (ABEN) assinou um acordo com a companhia estatal russa Rosatom, para que auxilie na criação do Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear (NRTC, sigla em inglês) na cidade boliviana de El Alto. Apesar de tal cooperação ter sido firmada há um tempo, o Centro começará a ser construído em julho deste ano (2018).

A cidade de El Alto, na Bolívia, onde será construído o Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear

É válido ressaltar que o NRTC é um projeto que visa unicamente fins pacíficos, baseando-se em três objetivos principais: um centro de medicina atômica, um equipamento de raios gama e um reator experimental de baixa potência. A partir desses arranjos, serão conduzidas pesquisas científicas e acadêmicas que contribuirão para o avanço de vários setores do país, visto que realizará estudos sobre tratamento de doenças, como câncer, e sobre o desenvolvimento da agricultura para que haja a eliminação de pragas e bactérias mais facilmente.

Dessa forma, a parceria firmada entre os dois países trará inúmeros benefícios aos bolivianos. Em primeiro lugar, a Bolívia dominará melhor a área nuclear, o que impulsionará setores onde esse tipo de tecnologia pode ser aplicado, como a medicina, a educação, a geologia e a agricultura. Além disso, com o projeto, o país se tornará referência na América Latina no assunto de pesquisa atômica, podendo ser reconhecido mundialmente por tal.

Ademais, a cooperação energética aproxima não só a Bolívia e a Rússia, como também demonstra a vontade dos russos em ter um papel mais ativo nessa região da América. Em depoimento, o Presidente boliviano, Evo Morales, apontou que “a presença Russa na América Latina é importante por razões geopolíticas. Eu quero saudar esta vontade, este desejo da Rússia em cooperar com a Bolívia”.

Portanto, pode-se considerar que, com o projeto em andamento, a cooperação energética entre os dois países provavelmente se fortalecerá ao longo dos anos. De fato, Morales e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, encontraram-se recentemente e discutiram sobre investimentos no setor de hidrocarbonetos. É algo que demonstra não só o interesse boliviano de continuar a parceria e, com isso, poder se tornar uma referência global no estudo atômico, como também destaca a vontade russa de expandir seu leque de parceiros econômicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bolívia, Evo Morales, e o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6d/Vladimir_Putin_and_Evo_Morales_%282018-06-13%29_01.jpg/1024px-Vladimir_Putin_and_Evo_Morales_%282018-06-13%29_01.jpg

Imagem 2 A cidade de El Alto, na Bolívia, onde será construído o Centro de Tecnologia e Pesquisa Nuclear” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/00/El_Alto_Photomontage_V1.jpg