EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Assinatura do Acordo do Mar Cáspio e a geopolítica energética

No dia 12 de agosto, na cidade cazaquistanesa de Aktau, os presidentes do Azerbaijão (Ilham Aliyev), Cazaquistão (Nursultan Nazarbaev), Irã (Hassan Rohani), Rússia (Vladimir Putin) e Turcomenistão (Gurbanguly Berdimuhammedow) assinaram uma convenção relativa à administração do Mar Cáspio e de seus arredores.

Situado em uma zona transcontinental entre a Ásia e Europa, e historicamente utilizado como um importante corredor comercial e de trânsito entre as potências do leste e oeste, a região atraiu notável atenção após a descoberta de uma significativa quantidade de recursos energéticos, incluindo cerca de 50 bilhões de barris de petróleo e de 9 trilhões de metros cúbicos de gás natural.

Mapa Mar Cáspio

Posteriormente ao colapso da União Soviética (URSS), o Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão conquistaram suas independências e, como consequência, não apenas obtiveram o direito sobre o mar territorial do Cáspio, mas também poderiam usufruir e explorar seus recursos naturais. No entanto, disputas e discordâncias entre os governos centrais dos Estados limítrofes ao mar sobre demarcação de fronteiras resultou em uma limitada capacidade de exploração dos recursos aquífero e energético.

Um dos principais temas em divergência é definir se o Cáspio é um mar ou um lago. Enquanto que no primeiro caso a divisão se estenderia da margem litorânea de cada Estado até um ponto intermediário da água, no segundo a distribuição seria igualitária. Por certo nenhum dos cinco Estados foi impedido de ter acesso aos recursos naturais, no entanto, explorações energéticas mais profundas e a criação de projetos de gasodutos que atravessassem o mar foram paralisados.

Primeiramente, a convenção assinada estabeleceu e classificou o Cáspio como um mar, determinando, dessa forma, que cada Estado controle 15 milhas náuticas de água da sua costa para a exploração mineral e 25 milhas náuticas para a pesca, já as outras partes do Mar Cáspio são consideradas águas neutras para uso comum. Somado a isso, foi acordada a proibição da entrada de embarcações militares de países não-caspianos ao mar. Neste último item, cabe destacar que Irã e Rússia se beneficiam com esta decisão, uma vez que ambos os países se preocupam com o aumento da presença dos Estados Unidos e da OTAN na região, principalmente no Azerbaijão.

Apesar da assinatura do acordo ter sido uma conquista após anos de tentativas frustradas, ainda existem diversos temas à espera de resolução. No tocante à problemática ambiental e delimitação do fundo do mar, onde a maior parte dos recursos energéticos são encontrados, será necessário, segundo especialistas no assunto, negociações bilaterais para serem alcançados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Hassan Rouhani em encontro com presidente Vladimir Putin, em Teerã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_32.jpg

Imagem 2Mapa Mar Cáspio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caspianseamap.png

                                                                                   

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China e Turquia aprofundam relacionamento bilateral

A Turquia tem localização estratégica no cenário geopolítico mundial. Exercer influência no país médio-oriental é importante para consolidar posições de poder global. Tradicionalmente, os turcos têm fortes laços com países ocidentais, principalmente com os EUA, e participam ativamente das instituições influenciadas pelo Ocidente. Essa conjuntura está sendo alterada recentemente, devido à crescente presença chinesa no país, por meio da cooperação econômica e militar.

A Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)* desde 1952 e buscou frequentemente auxílio no Fundo Monetário Internacional (FMI)** quando sua economia esteve em crise. A recente desvalorização excessiva da lira turca, contudo, não provocou o mesmo movimento e o governo voltou-se para a China. Segundo alguns analistas, isso ocorreu devido ao aumento de influência do presidente Recep Tayyip Erdogan, que teria sido capaz de controlar as resistências e os temores da elite turca em relação aos chineses. De fato, o mandatário venceu um referendo em abril de 2017, que transformou o país em uma República Presidencialista, garantindo-lhe mais poderes. No entanto, ainda não há dados suficientes para afirmar com segurança que esse fato impulsionou a aproximação à China.

Lira turca antiga

A situação monetária desfavorável motivou a busca de recursos chineses. Segundo o economista turco Emre Alkin, “A estabilidade da lira turca virá da cooperação com países valorosos, como a China. É impossível que o Banco Central faça algo sozinho. Recursos são necessários […] está claro que precisamos da sabedoria, de ideias e de sugestões de países como a China”. Em contraprestação aos recursos chineses, os turcos estão dispostos a ampliar parcerias em portos e em infraestrutura de transportes. Além disso, a Turquia sinalizou recentemente seu interesse em ingressar no grupo BRICS*** e acredita que tem apoio dos membros para tanto.

A cooperação militar com Pequim é outra área que está em ascensão. Existe sentimento crescente de antiamericanismo na Turquia, devido em parte ao apoio estadunidense aos curdos na luta contra o Estado Islâmico. Isso é visto com desconfiança pela população turca, já que os curdos têm o pleito de fundarem um Estado que englobaria parte do território turco. A China e a Rússia, portanto, mostram-se como alternativas viáveis. Em maio de 2018, muitos oficiais chineses participaram do exercício militar “Ephesus 2018”**** como observadores. A tendência é que a cooperação aumente.

Para a China, a intensificação do relacionamento com a Turquia é positiva. O país médio-oriental encontra-se em ponto chave para a ligação física entre os continentes europeu e asiático, o que o torna essencial para o êxito do projeto chinês da Nova Rota da Seda, que visa a expandir sua influência global e promover a conectividade física, facilitando os fluxos de comércio entre a Europa e a Ásia. A concretização da iniciativa, portanto, depende de uma parceria sólida com os turcos.

A relação bilateral entre China e Turquia é pautada pela cooperação e pela aproximação progressiva. À medida que os turcos se afastam do Ocidente e das instituições ocidentais, cada vez mais buscam a parceria de outros atores, como os chineses e os russos. Pequim busca aproveitar a conjuntura favorável para estabelecer confiança e fortalecer os laços bilaterais, de modo que o relacionamento seja vantajoso para ambas as partes.

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Notas:

* Organização fundada em 1949, no contexto da Guerra Fria. Tem como objetivo fundamental garantir a defesa atlântica por meio de um sistema de segurança coletivo.

** Organização criada para ajudar a solucionar problemas na Balança de Pagamentos dos membros, por meio do fornecimento de empréstimos. Os recursos concedidos, contudo, têm como condição a adoção de disciplina fiscal rígida, o que é impopular em muitos países.

*** Coalizão que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (ingressa em 2011), que se reúne regularmente desde 2008 para debater temas da agenda internacional e promover iniciativas de reforma da ordem mundial, de modo a torná-la menos assimétrica, mais aproximada à atual distribuição internacional de poder e mais representativa dos interesses das nações em desenvolvimento.  

**** Exercício militar que ocorre a cada dois anos e é promovido pelo governo turco e seus aliados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mesquita Azul, em Istambul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkey

Imagem 2 Lira turca antiga” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_lira

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/little-brothers-together-turkey-turns-to-china/

[2] Ver:

https://www.theguardian.com/world/2017/apr/16/erdogan-claims-victory-in-turkish-constitutional-referendum

[3] Ver:

http://www.atimes.com/article/china-will-buy-turkey-on-the-cheap/

[4] Ver:

https://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/08/turkey-china-intensifying-defense-security-partnership.html

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Jovem russa é presa nos EUA sob acusação de conspiração

No dia 15 de julho (2018), a cidadã russa Mariia Butina foi detida em Washington, nos Estados Unidos (EUA). De acordo com o Departamento de Justiça norte-americano, ela está sendo acusada de crimes de conspiração, por ter supostamente se infiltrado em grupos políticos a fim de incentivar os interesses russos no país, fato esse que não foi registrado perante as autoridades americanas, como previsto pela Lei de Registro de Agente Estrangeiro*. Caso essas denúncias sejam provadas verdadeiras, ela pode pegar até cinco anos de prisão.

Butina migrou aos EUA, em agosto de 2016, para estudar Relações Internacionais na American University, em Washington. Ela é conhecida por ter participado da fundação de um grupo ativista na Rússia, o “Direito de Possuir Armas”, e por talvez ter laços com a National Rifle Association, o principal grupo pró-armamento nos EUA. 

Ademais, entre 2015 e 2017, a cidadã russa trabalhou como assistente do então vice-governador do Banco Central Russo e ex-senador Alexander Torshin, o qual também é russo e foi recentemente sancionado pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Durante esse período, Butina e Torshin teriam se encontrado com funcionários de alto-escalão do Sistema de Reserva Federal (FED) e do Tesouro Nacional Americano. Essas reuniões não foram reportadas na época, mas, segundo registros, tiveram o objetivo de promover as relações econômicas e financeiras entre Rússia-EUA.

Diante da situação, o Departamento de Justiça dos EUA acredita que Butina teve a intenção de tecer conexões com líderes políticos importantes a fim de promover os interesses da Federação Russa no território norte-americano. Portanto, ela está sendo acusada de atuar como uma espiã, não tendo reportado claramente às autoridades estadunidenses suas verdadeiras intenções.

Diante deste cenário, o advogado da acusada, Robert Driscoll, afirma a inocência de sua cliente. De acordo com ele, “A substância da acusação na denúncia é exagerada. Embora denominada como uma espécie de conspiração para violar a Lei de Registro de Agente Estrangeiro, na realidade, ela descreve uma conspiração por ter um ‘jantar de amizade’ no Bistrô Bis, com um grupo de americanos e russos para discutir as relações externas entre os dois países”.

Até o momento, a cidadã russa permanece presa nos EUA e diplomatas russos já estão trabalhando em seu processo de liberdade. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa afirmou que a prisão de Mariia Butina foi planejada para minar os “resultados positivos” da cúpula entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia.

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Nota:

* A Lei de Registro de Agente Estrangeiro nos EUA prevê que todos os agentes representando os interesses de potências estrangeiras em “capacidade política ou quase política” devem divulgar seu relacionamento com o governo estrangeiro, assim como disponibilizar informações sobre suas atividades e finanças.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Maria Butina, cidadã russa que foi presa recentemente nos EUA sob acusação de espionagem” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5d/Maria_Butina.jpg/220px-Maria_Butina.jpg

Imagem 2Depoimento de apoio à queixa do FBI contra Butina, o qual levou à sua prisão em 15 de julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Butina_mariia_-_affidavit_-_july_2018_0_0.pdf/page1-463px-Butina_mariia_-_affidavit_-_july_2018_0_0.pdf.jpg

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Acordo político entre Rússia e Israel

Em 11 de julho de 2018, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em menos de seis meses, realizou sua terceira visita à Federação Russa, reforçando laços diplomáticos com o presidente Vladimir Putin, estabelecendo um acordo de cooperação que limitará a presença de tropas iranianas dentro do território sírio e que se encontram próximas de locais sob o controle de Israel nas Colinas de Golan*.

Mapa Colinas de Golan

Para se entender este “pedido de ajuda” por parte do governo israelense ao Kremlin, é necessário retroceder no tempo dentro do já longo conflito na Síria, uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas** ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad e se transformou num enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita e também Israel estão cada vez mais envolvidas.

O reclamado Irã era a principal nação que dava suporte ao governo sírio, antes da entrada da Rússia no conflito, em 2015, evitando a queda de Assad diante da ameaça dos rebeldes e terroristas, fornecendo dinheiro, armas, informações de inteligência, além do envio de conselheiros militares, como também tropas para a Síria que são formadas por membros da Guarda Revolucionária, por milícias xiitas e pelo grupo libanês Hezbollah, que é fortemente apoiado pelo Irã. Segundo analistas internacionais, a aliança bélica entre Irã e Síria há tempos se baseia em objetivos comuns, como a contenção da influência norte-americana na região, além do enfraquecimento de Israel dentro do Oriente Médio.

Por sua vez, o reclamante Israel apresenta o temor da contínua presença da Guarda  Revolucionária iraniana e de combatentes leais a Teerã na Síria, mas, acima de tudo, sua maior preocupação se baseia na possibilidade de a milícia libanesa Hezbollah se estabelecer nas Colinas de Golan, na fronteira sírio-israelense, e executar ataques militares ao país a partir daí.

A Rússia, como agente geopolítico com forte atuação dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, deverá atuar como mediador e direcionar as melhores práticas para que o equilíbrio sistêmico regional tenha sua efetividade garantida. O acordo celebrado entre Netanyahu e Putin, segundo fontes internacionais, deixa claro que a democratização da região ficará em segundo plano com a indiferença de Israel sobre a forma de governo de Bashar al-Assad, desde que a Rússia cumpra o seu papel de distanciar as tropas iranianas das fronteiras israelenses, ou até mesmo eliminar sua presença do território sírio.

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Notas:

* Região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, e anexada ao território em 1981.

** Seguidores da ¨jihad”, palavra que significa “esforço” ou “luta”. Aqueles que entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Os grupos jihadistas mais conhecidos são a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin” (Fonte):

https://s.yimg.com/ny/api/res/1.2/x4hYp32Qtl5ZO_bxtPRjmw–~A/YXBwaWQ9aGlnaGxhbmRlcjtzbT0xO3c9ODAwO2g9NjAwO2lsPXBsYW5l/http://media.zenfs.com/en_us/News/ap_webfeeds/cb0162a3e39d4b008b290466db35377d.jpg

Imagem 2 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

http://www.gbcghana.com/kitnes/cache/images/800x/0/1.12127945.png

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Expansão russa no Oriente Médio

Segundo analistas internacionais, a Federação Russa é considerada atualmente como a única potência mundial que tem trânsito livre entre todas as nações do Oriente Médio*, resultado este que se deu devido a um elaborado desenvolvimento diplomático que o Ministério das Relações Exteriores da Rússia galgou durante os últimos anos, no intuito de projetar o país como um novo agente efetivo nas questões políticas e econômicas que envolvem a região médio-oriental.

Propaganda de Putin no Oriente Médio

O fato de os Estados Unidos, que foi o principal mediador de conflitos regionais no Oriente Médio, ter começado um processo de afastamento político da área, ainda no governo de Barack Obama, deu oportunidade para a criação de um hiato representativo que, possivelmente, potencializará a hegemonia russa a se inserir ainda mais nas questões regionais. Tal hiato foi produzido com a transferência de diplomacia americana para outras regiões do planeta, principalmente para a Ásia, e se prolongou no governo de Donald Trump, com processos político-diplomáticos** que delimitaram ainda mais as negociações de paz entre Israel e Palestina, além de aplicar sanções sobre a nação iraniana, em decorrência do não alinhamento de um acordo nuclear entre as partes.

Um exemplo claro de atuação russa no Oriente Médio é sua participação militar na Síria, onde, desde setembro de 2015, vem intervindo de maneira efetiva contra o Estado Islâmico***, com o objetivo de eliminar toda a ação do grupo terrorista dentro do país e também auxiliar o governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, a se reestruturar em meio ao caos que o país atravessa.

A realização de parcerias econômico-financeiras com nações árabes é outro ponto importante no processo de expansão regional, como se dá no caso de fundos de pensão russos estarem avaliando um investimento direto na petroleira estatal da Arábia Saudita (Saudi Aramco, oficialmente Saudi Arabian Oil Company, anteriormente conhecida como Aramco), onde, com esta coligação, Moscou e Riad devem coordenar as políticas mundiais de petróleo por muitos anos, segundo avaliação do diretor do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev.

Encontro de Putin e Netanyahu

Obras de infraestrutura também incluem a participação da Rússia na região, como é o caso da construção de usinas nucleares no Egito e na Turquia, onde esta última já tem prazo de inauguração de sua planta energética (Akkuyu) em 2023, sendo construída pela Rosatom (companhia estatal de energia nuclear da Rússia), a um custo de 22 bilhões de dólares.

O comércio de armas da Federação Russa para a região também se expandiu, principalmente pelo processo de venda bilionária de sistemas antiaéreos S-400 para a Turquia. O S-400 Triumph é um sistema de defesa antiaérea de longo alcance projetado para destruir aeronaves, mísseis balísticos e de cruzeiro, inclusive de médio alcance, e, além disso, pode ser usado contra alvos terrestres.

Além de ser considerado por especialistas em relações internacionais como um forte agente nas áreas político-econômico-militar, a participação russa no Oriente Médio também irá abranger sua capacidade diplomática devido a ser detentora de alianças pacíficas com vários países e, por conta disso, deverá assumir um papel de mediador em conflitos regionais, como é o caso do embate entre Irã e Israel. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção e, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente eles afetariam os interesses da Rússia em toda aquela região.

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Notas:

* Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

** Em 6 de dezembro de 2017, o governo norte-americano efetivou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, ao executar a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para a disputada cidade. Essa ação acabou isolando os EUA em um dos episódios mais polêmicos da atualidade, o qual gerou uma série de protestos em todo o mundo.  

*** O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Salafista e Uaabista que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro dos governantes de Rússia, Turquia e Irã” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/85/b9/7d/85b97dc32aca6fe42a02ad3655ecbca1.jpg

Imagem 1 Propaganda de Putin no Oriente Médio” (Fonte):

https://dinamicaglobal.files.wordpress.com/2015/10/putin-is-welcome.jpg?w=620

Imagem 3 Encontro de Putin e Netanyahu” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/a2/87/be/a287bebe60ac5f256cbfb217a7fa787d.jpg

                                                                                              

ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Avanço do diálogo entre a China e a Europa Oriental

A presença chinesa está crescendo em várias partes do mundo. A Europa Oriental apresenta um interesse renovado para o país asiático, devido a sua localização estratégica e por ser uma ponte em direção a relações melhores com a União Europeia. Apesar de ser um ator que busca contribuir para o desenvolvimento dos países da área, no âmbito do projeto da Nova Rota da Seda*, o governo chinês é percebido com desconfiança por analistas europeus de relações internacionais. Essas suspeitas voltam à tona no momento da realização da Cúpula 16+1.

A Cúpula 16+1 foi instituída em 2012, com o objetivo de criar um foro de diálogo entre a China e 16 países da Europa Oriental e Central. Desde o começo, analistas suspeitam das razões que levaram à escolha dos 16 membros europeus, por causa da possível falta de transparência no processo. A realidade é que os convites se baseiam no interesse estratégico chinês. Recentemente, a Grécia estaria interessada em participar e a Ucrânia busca ser um dos países da iniciativa há algum tempo. O governo chinês, portanto, decide com cautela, já que incluir países mais próximos da Europa Ocidental ou envolvidos com a Rússia pode gerar consequências para a relação bilateral com a União Europeia e com os russos.

A Cúpula de 2018 ocorre em Sofia, em julho deste ano (2018), cercada de expectativas em relação a temas econômicos. Apesar de a iniciativa ter como um de seus objetivos facilitar o desenvolvimento da Europa Oriental, os resultados concretos ainda são tímidos. O comércio está praticamente estagnado nos mesmos níveis de 2012, e os investimentos chineses não cresceram em grande proporção, diferente do que ocorreu em outras áreas do globo, como a América Latina. Pelo fato de a região ser importante para a Nova Rota da Seda, contudo, é possível que esse panorama mude nos próximos anos.

Sede da Comissão Europeia

Analistas europeus preocupam-se com o impacto da Cúpula 16+1 para as relações entre a China e a União Europeia. Segundo eles, Berlim e Bruxelas** já estariam preocupadas com o crescimento da influência chinesa na região, por considerarem que essa presença seria prejudicial para a unidade dos europeus. Há quem atribua a melhora do relacionamento da região com o país asiático à tendência de crescimento de governos populistas no leste europeu, que seriam entusiastas do modelo estatocêntrico de governança chinês. No entanto, não existem evidências concretas dessa admiração, nem faria tanto sentido, dado que os governantes desses países buscam minimizar a influência estrangeira no processo de tomada de decisões. A aproximação à China é pragmática e busca maximizar laços de comércio.

O Premiê chinês, Li Keqiang, chega à Bulgária para mostrar o compromisso de seu país com a iniciativa 16+1.  Ele afirma ao periódico China Daily que “a China e as 16 nações visam a aumentar a cooperação pragmática, o desenvolvimento comum, transformações econômicas e melhorias”. O Premiê também ressaltou a necessidade de um comércio balanceado e a disposição chinesa de importar alguns produtos da região, como vinho e carnes.

Observadores apontam que crescimento da influência da China na Europa Oriental não deve ser motivo de pânico para Bruxelas. O objetivo primordial do país asiático é colaborar para o desenvolvimento da infraestrutura da região, de modo a possibilitar o êxito da Nova Rota da Seda. Em contrapartida, o crescimento das ligações físicas entre os países do continente europeu aumenta os vínculos entre eles e pode beneficiar a integração continental. Desse modo, a presença chinesa pode contribuir para uma Europa unida.

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Notas:

* Projeto que busca integrar os mercados asiáticos e prover conexão física até a Europa. É, segundo analistas, a principal iniciativa da política externa do presidente Xi Jinping e expande a área de influência da China. 

** Cidade onde fica a sede de grande parte das instituições da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro de Sofia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sofia

Imagem 2 Sede da Comissão Europeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Institutions_of_the_European_Union

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/what-to-expect-at-the-2018-china-cee-161-summit/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/whats-next-for-chinas-161-platform-in-central-and-eastern-europe/

[3] Ver:

http://www.china-ceec.org/eng/zyxw_4/t1574412.htm