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Irã inaugura novo gasoduto e alivia sua dependência do Turcomenistão

No primeiro dia do mês de agosto, o Ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zangeneh, inaugurou o último segmento do gasoduto que agora conecta o Golfo Pérsico ao norte do país. O trecho de 170 quilômetros de extensão, que tem capacidade para transferir 40 milhões de metros cúbicos de gás por dia, liga a cidade de Damghan ao porto de Neka, na Costa do Mar Cáspio. O empreendimento custou cerca de 250 milhões dólares e foi inteiramente financiado por empresas locais.

Presidentes Berdimuhammedow e Rohani no Fórum dos Países Exportadores de Gás

Este projeto teve início há uma década, mas foi apenas nos últimos seis meses que as obras ganharam ímpeto. Isto se deveu à decisão do Turcomenistão de cortar as exportações de gás para o Irã, em janeiro de 2017, sob a alegação de que Teerã deixou de honrar uma dívida de cerca de 2 bilhões acumulada desde 2012. Por sua vez, os iranianos acusam os turcomenos de aumentar o preço do gás durante os invernos rigorosos da região, período em que o consumo é mais elevado.

Mesmo dono da segunda maior reserva provada de gás natural do mundo, atrás apenas da Rússia, o Irã dependia da importação dos recursos do país vizinho para alimentar a porção norte de seu território, que está distante das principais áreas produtoras, localizadas em seu litoral sul. Para Asadollah Qareh-Khani, porta-voz da Comissão de Energia do Parlamento iraniano, com o lançamento do novo gasoduto, “o Irã não mais precisará importar gás do Turcomenistão”, além de afirmar que “não haverá redução ou queda na pressão do gás nas cidades do Norte durante o inverno”.

Por seu turno, o Turcomenistão passa por um processo de isolamento regional. Em abril, a Rússia já havia anunciado que passaria a importar o gás natural uzbeque em substituição ao turcomeno. Agora, diante da recém-adquirida autossuficiência iraniana, Asgabate* perde seu único elemento de pressão nas negociações travadas com Teerã. Restará apenas a China como destino de seu principal produto de exportação.

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Notas:

* Capital do Turcomenistão, por isso, referência ao país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Campo de exploração de gás de Pars Sul, no Golfo Pérsico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/South_Pars/North_Dome_Gas-Condensate_field#/media/File:South_Pars_Horizon.jpg

Imagem 2Presidentes Berdimuhammedow e Rohani no Fórum dos Países Exportadores de Gás” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Gurbanguly_Berdimuhamedow#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_41.jpg

 

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Geórgia e Ucrânia assinam acordo de parceria estratégica

Em 18 de julho, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Geórgia, Giorgi Margvelashvili, assinaram em Tbilisi, capital georgiana, a Declaração de Estabelecimento de Parceria Estratégica, que tem o objetivo de “fortalecer a cooperação nos fóruns bilaterais e multilaterais, levando em consideração interesses comuns e desafios similares”. O Chefe-de-Estado ucraniano ainda prevê que os 526 milhões de dólares registrados no comércio bilateral entre os dois países em 2016 poderão ser dobrados dentro de alguns anos.

Além do passado soviético em comum, as duas Repúblicas seguiram trajetórias similares depois que conquistaram suas independências. Ambas procuraram se afastar de Moscou e buscaram uma maior integração com as instituições ocidentais, sobretudo a União Europeia e a OTAN. Com este intuito, fundaram em 1997 a GUAM, grupo político com o propósito de resistir ao grande poder de influência do Kremlin e que também conta com a Moldova e o Azerbaijão. Em 2003 e 2004, respectivamente, Geórgia e Ucrânia também foram palco do que ficou conhecido como “Revoluções Coloridas”, que levaram à substituição de regimes favoráveis à Rússia por outros alinhados ao Ocidente.  

Em 2008, após ser derrotada em uma guerra contra os russos, a Geórgia perdeu definitivamente o controle sobre a Ossétia do Sul e Abecásia, duas províncias integrantes de seu território internacionalmente reconhecido. Em 2014, a Rússia incorporaria a península da Crimeia, anteriormente parte da Ucrânia. Rebeldes apoiados por Moscou também passaram a controlar a região de Donbas, no extremo leste do país, onde proclamaram unilateralmente as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Neste contexto, a solidariedade mútua pelo restabelecimento da integridade territorial dos dois Estados passou a ser o elemento que mais aproxima georgianos e ucranianos.

Presidente Poroshenko em Tbilisi

Entretanto, desde 2015, quando Poroshenko convidou o ex-Presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, para assumir o posto de Governador da Província de Odessa, as relações entre Ucrânia e Geórgia se tornaram turbulentas. O ex-mandatário georgiano, que havia deixado o poder em 2013, teve cassada a sua cidadania depois que assumiu a nacionalidade ucraniana, além de ter sido acusado de corrupção e abuso de poder em seu país natal, o que resultou em um pedido de extradição ainda não atendido por Kiev. Em contrapartida, passou a tecer críticas frequentes à administração que o sucedeu em Tbilisi. Sua renúncia ao governo de Odessa, em 2016, abriu espaço para a retomada dos diálogos entre os dois países.

Protestos durante a ‘Revolução Laranja’, em Kiev, 2004

Pivô da crise diplomática anos antes, Saakashvili parece ter se tornado vítima da recente reaproximação entre Kiev e Tbilisi. Em 26 de julho, dias depois de sua visita oficial à Geórgia, Poroshenko retirou a cidadania ucraniana de seu antigo aliado político, no que parece ter sido um gesto de boa vontade às autoridades georgianas. Saakashvili, que exerceu o poder em dois países diferentes, hoje se encontra desprovido de qualquer nacionalidade. Ele possui visto de trabalho nos Estados Unidos até o final de 2017, onde atualmente se encontra. 

Mais que um acordo de cooperação, o estabelecimento da parceria estratégica mira a Rússia como adversária. O próprio Poroshenko corrobora com esta percepção ao afirmar, durante sua visita a Tbilisi, que “temos um agressor comum – tanto a Ucrânia quanto a Geórgia – este é a Federação Russa”. No entanto, se Kiev e Tbilisi, em anos anteriores, poderiam contar com o Ocidente como aliado, hoje o auxílio é mais retórico do que prático. As promessas de expansão continuada da OTAN para o Leste não foram concretizadas e a União Europeia, sofrendo com crises internas, não apenas parou de aceitar membros, como passou a perdê-los. Assim, ucranianos e georgianos, cada vez mais, parecem apenas contar uns com os outros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras da Ucrânia e Geórgia” (Fonte Rodrigo Monteiro de Carvalho):

Montagem do autor a partir da Wikipédia

Imagem 2Presidente Poroshenko em Tbilisi” (Fonte):

http://www.president.gov.ua/en/news/ukrayina-ye-nadijnim-torgovelnim-partnerom-prezident-zaprosi-42490

Imagem 3Protestos durante a Revolução Laranja’, em Kiev, 2004” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_Revolution#/media/File:Morning_first_day_of_Orange_Revolution.jpg

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Moscou propõe que a Armênia adote o russo como língua oficial

Na última segunda-feira, 17 de julho, Vyacheslav Volodin, Presidente da Duma Federal, Câmara Baixa do Parlamento da Rússia, sugeriu que a Armênia alterasse sua constituição para incluir o russo como idioma oficial do país. A medida faria com que cidadãos armênios que exercem funções ligadas ao transporte pudessem conduzir seus veículos no território da Federação Russa.

Reunião dos líderes da UEE antes da adesão da Armênia

A sugestão foi feita após a Duma ter aprovado uma Lei que permite que nacionais dos Estados membros da União Econômica Euroasiática, da qual a Armênia também faz parte, dirijam comercialmente na Rússia, desde que seus países de origem tenham o russo como uma de suas línguas oficiais. A justificativa é de que os motoristas precisariam ter conhecimento do idioma para compreender adequadamente a sinalização de trânsito. No entanto, nenhum teste de proficiência é exigido, apenas a oficialização constitucional.  Atualmente, Belarus, Quirguistão e Cazaquistão são os países que cumprem com os requisitos impostos.

Se à primeira vista os benefícios da nova legislação pareçam desproporcionais à exigência, é preciso ressaltar que a diáspora armênia na Rússia responde por mais de 80% das remessas de capital vindos do exterior, e que este montante representou 21% do PIB do país em 2014, ano que marcou o início da crise financeira russa. Se a maioria dos imigrantes armênios tem garantida a permissão de trabalho, uma parcela significativa ainda não possui o status de residência regularizado, sendo estes últimos os maiores agraciados por esta medida. Trabalhadores sazonais que se deslocam entre os dois países também tirariam proveito da lei.

Catedral armênia de Moscou

A República do Cáucaso do Sul é a mais etnicamente homogênea das que se tornaram independentes após a desintegração soviética. Mais de 98% de sua população é formada por armênios, que têm sua língua como a única reconhecida oficialmente pelo Estado. No dia seguinte à proposta, o presidente da comissão parlamentar de relações exteriores da Armênia, Armen Ashotyan, afirmou quena nossa agenda, não há e não haverá uma discussão sobre dar status oficial à língua russa e fixar isto na Constituição”. Contudo, Moscou vem empregando esforços para que o russo se mantenha como língua franca no espaço pós-soviético, sendo provável que novos incentivos sejam apresentados aos armênios.

Como parceira menor em uma aliança assimétrica, a Armênia vem adotando ao longo dos anos uma postura bastante condescendente diante às pressões da Rússia, de quem depende econômica e militarmente. Contudo, a língua armênia, uma das poucas no mundo que possui seu próprio alfabeto, é um dos maiores patrimônios do país e elemento essencial de coesão nacional. Nesse sentido, a decisão de Yerevan, portanto, resultará necessariamente em uma perda, seja a de relevantes recursos financeiros ou de parte de sua identidade como nação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Inscrições em armênio em Nicósia, Chipre” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_arm%C3%AAnio#/media/File:Armenian_Alphabet.jpg

Imagem 2Reunião dos líderes da UEE antes da adesão da Armênia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Eurasian_Economic_Union#/media/File:Session_of_Supreme_Eurasian_Economic_Council.jpg

Imagem 3Catedral armênia de Moscou” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Armenians_in_Russia#/media/File:Armenian_Cathedral_Moscow_January_2012.jpg

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China e Rússia propõe plano de redução de tensões na península coreana

No dia 3 de julho de 2017, apenas 5 dias antes do início das reuniões do G20, os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladmir Putin, encontraram-se em Moscou. A visita do líder chinês ocorreu na semana em que a Coreia do Norte testou com sucesso um novo míssil balístico intercontinental (ICBM, sigla em inglês). Dessa forma, os dois presidentes aproveitaram a ocasião para lançar conjuntamente um plano diplomático para a redução das tensões na península coreana. Ambos defendem a suspensão imediata dos testes por parte de Pyongyang, bem como o congelamento dos exercícios militares entre Estados Unidos (EUA) e Coreia do Sul. 

Mísseis balísticos norte-coreanos desfilando em parada militar em Pyongyang.

O Ministro da Defesa da sul-coreano, Han Min-koo, salientou que o novo míssil testado por Pyongyang, o Hwasong-14, possui alcance estimado de 4970 milhas náuticas, sendo capaz de atingir os territórios estadunidenses do Havaí e Alaska. Nesse contexto, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, alegou que o lançamento, realizado no dia de comemoração da independência dos EUA, foi “um presente para os bastardos americanos”. Com isso, Washington e Seul responderam por meio da realização de exercícios militares conjuntos e da convocação de reunião de emergência no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nessa ocasião, a Embaixadora na ONU, Nikki Haley, ressaltou que “Os EUA estão preparados para usar todas as suas capacidades para defender nós mesmos e nossos aliados. Entre nossas capacidades está uma força militar considerável. Nós a usaremos se for necessário, mas preferimos não sermos obrigados a ir nessa direção”.

Nessa conjuntura, o Governo estadunidense cobra maior colaboração da China na imposição de sanções econômicas e diplomáticas para pressionar o regime norte-coreano. Por exemplo, em mais um esforço diplomático realizado pelo Twitter, o presidente Donald Trump declarou que “O comércio entre China e Coreia do Norte cresceu 40% no primeiro quadrimestre. A China não trabalhará conosco – pelo menos nós tentamos”. Em contrapartida, o Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, respondeu em entrevista coletiva que “como vizinha da Coreia do Norte, a China mantêm relações econômicas e comerciais normais com esse país”.

Equipamentos do sistema antimísseis estadunidense desembarcando na Coreia do Sul.

Assim, analistas argumentam que a iniciativa diplomática conjunta dos presidentes Xi Jinping e Vladmir Putin pode ser interpretada como uma alternativa moderada à abordagem confrontacionista propagada por Washington. O comunicado oficial conjunto propôs que “a Coreia do Norte se comprometa voluntariamente a suspender todos os testes com explosivos nucleares e mísseis balísticos, e, em contrapartida, os EUA e a Coreia do Sul se abstenham de realizar exercícios militares conjuntos. Simultaneamente, as partes em conflito devem iniciar o diálogo e se comprometer com princípios comuns em suas relações, como o não uso da força, a coexistência pacífica e a desnuclearização da península coreana”.

Ademais, os dois líderes também manifestaram oposição conjunta em relação ao posicionamento dos sistemas de defesas antimísseis estadunidense no nordeste asiático. O comunicado oficial afirma que: “o posicionamento do sistema antimíssil no nordeste asiático inflige riscos sérios para os interesses estratégicos de segurança dos países da região, incluindo Rússia e China”.  Logo, nota-se que, enquanto surgem tensões entre os EUA e alguns de seus aliados tradicionais, Rússia e China consolidam uma parceria estratégica em torno da convergência de interesses sobre as principais questões da conjuntura política internacional atual. De acordo com o Presidente Xi Jinping, as relações entre os dois países são “as melhores em toda a história”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da Rússia, Vladmir Putin, e o Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/50228

Imagem 2Mísseis balísticos nortecoreanos desfilando em parada militar em Pyongyang” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Pukguksong-2

Imagem 3Equipamentos do sistema antimísseis estadunidense desembarcando na Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:Two_THAAD_launchers_arriving_in_South_Korea_in_March_2017.jpg

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O Conflito de Nagorno-Karabakh e a reação da OSCE

Em 18 de maio de 2017 os líderes do Grupo de Minsk[1] divulgaram comunicado relatando mais uma violação do frágil acordo de cessar-fogo que rege as relações entre Armênia e Azerbaijão no que tange ao conflito pelo território de Nagorno-Karabakh[2]. Segundo o relato do Grupo, o episódio foi iniciado com o disparo de um míssil – que ultrapassou a Linha de Contato[3] – pelas forças armadas do Azerbaijão no dia 15 de maio. Nos dois dias seguintes as Forças Armadas da Armênia retaliaram com diversos disparos contra alvos azeris[4].

O recente episódio é mais uma ocorrência na série de erupções de violência entre as partes que, desde fevereiro de 2017, trouxe novamente o conflito para os holofotes da imprensa internacional. Após os litígios constatados em fevereiro, março e abril de 2017, o mês de maio transcorre em atmosfera de incerteza acerca de possível escalada do atrito militar entre as partes, a exemplo do que já havia ocorrido em abril de 2016, no episódio que ficou conhecido como a guerra dos 4 dias.

Grupos étnicos na região em 1995. Fonte: Wikipedia

No início deste mês de maio as chancelarias dos dois países deram indícios de que o assunto ainda não tem solução no curto prazo. O Vice-Ministro de Relações Exteriores da Armênia, Shavarsh Kocharyan, afirmou que “a existência de territórios da República de Nagorno-Karabakh, que estão sob o controle do Azerbaijão, e de territórios do Azerbaijão, que estão sob o controle da República de Nagorno-Karabakh, é uma das consequências da agressão do Azerbaijão contra a autodeterminação do povo de Nagorno-Karabakh e da não-implementação, pelo próprio Azerbaijão, das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 1993”.

Em contraposição, a chancelaria azeri divulgou nota criticando a ocupação da Armênia na região, bem como sua posição não cooperativa para resolver o litígio. A nota relata que a “Armênia faz mau uso do nobre princípio da autodeterminação para encobrir suas tentativas de anexar territórios do Estado vizinho, o Azerbaijão, pelo uso da força. A situação que a Armênia tenta apresentar como autodeterminação dos armênios que vivem no Azerbaijão não tem nada em comum com o princípio da autodeterminação contida na Carta das Nações Unidas e na Ata Final de Helsinque. Na verdade, o princípio da autodeterminação exige o regresso da comunidade azerbaijana deslocada de Nagorno-Karabakh, que consiste em mais de 80.000 pessoas, incluindo 33.000 habitantes de Shusha, na região de Nagorno-Karabakh, onde viverão com a comunidade armênia em um ambiente de paz, dignidade e prosperidade, levando em consideração a integridade territorial e a soberania do Azerbaijão”.

Recentemente esse cenário ganhou contornos mais nebulosos devido ao impasse interno na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), instância na qual se desenvolvem os trabalhos do Grupo de Minsk, sobre a manutenção do escritório da organização em Yerevan, capital da Armênia. O Governo do Azerbaijão, que já havia favorecido o fechamento do escritório da OSCE em seu território – em dezembro de 2015 –, vem apresentando sérias objeções à renovação do mandato do escritório em Yerevan. A principal alegação do Azerbaijão é que este escritório tem atuado fora de seu mandato ao cobrir também assuntos relativos ao conflito de Nagorno-Karabakh, tópico que, segundo informado pelo Governo azeri, está fora do encargo do escritório dos dois países.

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Notas: [1] O Grupo de Minsk, cujas atividades são conhecidas como o Processo de Minsk, lidera os esforços da Organização para Segurança e Cooperação na Europa para encontrar uma solução pacífica para o conflito de Nagorno-Karabakh. É co-presidido pela França, Federação Russa e Estados Unidos.

[2] Nagorno-Karabakh, ou Artsakh em armênio, é um enclave disputado entre Armênia e Azerbaijão ao longo do século 20, sendo que a disputa ganhou contornos mais críticos com a derrocada da União Soviética. Desde 1994 há um frágil acordo de cessar-fogo entras as partes, o qual é reiteradamente violado. O território é oficialmente parte do Azerbaijão, mas tem maioria étnica armênia e é controlado por forças pró-Armênia.

[3] De maneira geral, Linha de Contato (Line of Contact) é uma expressão usada neste tipo de situação para designar os limites de uma área em disputa, separando os fronts das partes litigantes.

[4] Neste caso, aqui se refere a quem é natural, habitante ou cidadão do Azerbaijão. De forma genérica, diz respeito a um grupo étnico distribuído em vários países, dentre eles Turquia, Geórgia, Rússia, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Irã (onde reside a maioria absoluta dos quase 30 milhões de azeris), além dos habitantes na República do Azerbaijão, que chaga a quase 9 milhões de habitantes. A maioria é muçulmana xiita e sua origem é incerta, havendo alegações de que tenham ascendência turca, ou iraniana, ou sejam um povo do Cáucaso que incorporou uma língua de raiz turca e adotou o islamismo como religião. (Vide Nota de Rodrigo Monteiro, no CNP)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da região conflituosa de NagornoKarabakh

(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nagorno-Karabakh#/media/File:AZ-qa-location-pt.svg

Imagem 2 Grupos étnicos na região em 1995” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nagorno-Karabakh#/media/File:Karabakh_ethnic_map.png

BLOCOS REGIONAISDEFESAENERGIAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Rússia e Finlândia: relações bilaterais[:]

[:pt]

Em 2017 a Finlândia completa 100 anos de independência da Rússia e, apesar das tensões vividas ao longo do período da União Soviética, o país manteve uma política pragmática. Na atualidade, Helsínque possui boas relações com a Federação Russa, mesmo sendo parceiro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), tendo por parte de seus vizinhos russos a obtenção de uma postura de reciprocidade.

No início deste mês (maio), em nome da cooperação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, reuniu-se com seu homônimo finlandês, Timo Soini, para tratarem de questões econômicas e de natureza política regional. De acordo com o Jornal Ria Novosti, na pauta econômica, o fluxo comercial em 2014 declinou entre os atores, mas demonstra crescimento considerável a partir do início de 2017, auferindo a cifra de US$ 1,8 bilhão.

O Jornal Tass noticiou que a razão para a dinâmica econômica bilateral envolve a construção das usinas nucleares Hanhikivi-1 pela empresa finlandesa Fennovoima com participação da empresa russa SC Rosatom, estimada em 5 bilhões de euros, com projeção de geração de eletricidade para 2024. Além disso, diz respeito também a atuação dos setores empresariais em ambos os Estados e do fluxo turístico entre os dois países, pois, embora apresente uma queda, ele correspondeu a 2,8 milhões de visitantes russos na Finlândia e 1,3 milhão de finlandeses na Rússia. Em referência à esfera econômica, o ministro Timo Soini afirmou: “O volume de comércio cresceu, e as expectativas das empresas finlandesas estão novamente um pouco mais brilhantes. O número de pedidos de visto e de passagem de fronteiras começou a aumentar após um longo período de declínio. Russos são muito bem-vindos para visitar o nosso país”.

No âmbito político sobressaíram as questões envolvendo a segurança do Báltico. Elas foram encabeçadas pela anterior proposta feitas aos russos pelo Presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, no tocante a proibição de voos militares com transponders deficientes; além disso, no que diz respeito à interação russo-finlandesa nos diálogos das organizações internacionais sobre o ártico, em especial, pela recente Presidência finlandesa no Conselho do Ártico; e, é, claro, também no tocante ao embate em torno da crise ucraniana, especificamente a implementação dos Acordos de Minsk, que influi diretamente no relacionamento entre a Rússia, a União Europeia (UE) e a OTAN. Em relação a Finlândia, o Ministro Lavrov afirmou: “A Finlândia é nosso vizinho e um país amigo. Estamos ligados por uma história centenária. É claro que, como em outros países, valorizamos muito a reputação internacional da Finlândia, que ganhou devido à sua consistente política de neutralidade”.

Consoante os analistas, entende-se que a política de boa vizinhança entre Moscou e Helsínque está constituída em proveito mútuo e representa um elo de confiança que, a nível regional, poderia ter grande proveito nas negociações de aproximação entre Federação Russa, Bloco Europeu e OTAN, nas quais a Finlândia poderia obter uma vantagem “soft” no jogo político. Observa-se também que o desejo de manutenção de relações com os finlandeses possui um grau alto de interesse não só pela proximidade, mas, sobretudo, pelas possibilidades estratégicas, frente a neutralidade finlandesa na geopolítica local.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5f/Merikasarmi_2008.jpg

Imagem 2 Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7b/Ministry_of_Foreign_Affairs_Russia-2.jpg/1071px-Ministry_of_Foreign_Affairs_Russia-2.jpg

Imagem 3 Sauli Niinistö 12o Presidente da Finlândia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sauli_Niinistö

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