AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Putin e Trump poderão se reunir oficialmente em julho

Em julho deste ano (2018), é possível que ocorra uma reunião oficial entre os presidentes Vladimir Putin, da Federação Russa, e Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA). Ambos já se encontraram no ano passado (2017), em julho e em novembro, e, desde então, Trump vinha discutindo com sua equipe a possibilidade de um encontro bilateral em Washington, na Casa Branca.

Embora haja essa vontade do Presidente norte-americano, é provável que a reunião entre esses líderes ocorra em algum lugar na Europa que seja considerado neutro. Acredita-se que se desenrolará dessa maneira, pois Trump estará no continente europeu em julho, por conta de uma visita marcada ao Reino Unido e devido à reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que ocorrerá em Bruxelas, na Bélgica.

Sabe-se que as relações entre EUA e Rússia estão bastante minadas, visto que foi aprovado um novo pacote de sanções norte-americanas ao Governo Russo. Tal ação comprometeu bastante a diplomacia entre os dois países, e a Federação Russa, por sua vez, respondeu às acusações defendendo-se e repudiando a postura dos norte-americanos, além de aplicar também um pacote de contra-sanções.

Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa

Apesar desse cenário, o sentimento é de otimismo pelo encontro entre os líderes. De acordo com Putin, “Ele (Trump) é uma pessoa séria que sabe ouvir as pessoas e responder aos seus argumentos. Isso me leva a acreditar que o diálogo pode ser construtivo”. Além do mais, o Presidente russo destacou que está pronto para encorajar, aprofundar e melhorar as relações com os EUA, o único problema é que talvez a política interna norte-americana seja um entrave a essa possibilidade.

De fato, há aqueles na administração Trump que não veem a reunião com bons olhos, pois acreditam que ela é prematura diante da suposta intromissão russa nas eleições de 2016. Entretanto, apesar dessa visão, muitos outros oficiais encaram com positividade o encontro, pois acreditam que, assim, os dois líderes podem discutir questões de interesse comum, como a questão da Ucrânia, da Síria e o problema da cibersegurança.

Dessa forma, não se sabe oficialmente se Trump e Putin se encontrarão, no entanto, ambos os líderes já se pronunciaram demonstrando interesse para tanto. No âmbito da política externa, o diálogo é a forma mais importante para que essas nações resolvam suas diferenças e aprimorem as relações, algo que acabará por beneficiar toda a comunidade internacional, visto que EUA e Rússia são atores globais determinantes para o equilíbrio mundial.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, na Cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, no Vietnã, em novembro de 2017” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/eb/Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_at_APEC_Summit_in_Da_Nang%2C_Vietnam%2C_10_November_2017_%2802%29.jpg/800px-Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_at_APEC_Summit_in_Da_Nang%2C_Vietnam%2C_10_November_2017_%2802%29.jpg

Imagem 2 Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57692/photos/54010

ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Intensifica-se a parceria entre a Rússia e a China

As relações entre China e Rússia são pautadas, nas últimas décadas, pela amizade e cooperação. As lideranças dos dois países entendem que a intensificação da parceria resulta em um jogo de soma positiva*. Desde a ascensão do presidente Xi Jinping, os laços tornaram-se mais fortes, especialmente por causa da conjuntura internacional, das posições comuns acerca da necessidade de reforma da governança global, o que motivou a participação das duas nações em arranjos de geometria variável**, e coincidência de posturas em votações em organizações internacionais. Além disso, as sanções à Rússia e a possibilidade, segundo alguns analistas, de guerra comercial entre China e EUA impulsionam a parceria.

As tensões de alguns países ocidentais com a Rússia decorrem sobretudo da questão da Crimeia. Os EUA e várias nações europeias impuseram sanções à Federação Russa, incluindo a suspensão do G8***, por causa do que entendem ser a ocupação ilegal de parte do território da Ucrânia. Os russos, entretanto, afirmam que o referendo da população da Crimeia, ocorrido no início de 2014, legitima a anexação da área ao território da Federação Russa, já que 95,5% dos votantes queriam a união. Dessa forma, a alternativa para precaver-se de impactos econômicos mais fortes foi aproximar-se do vizinho asiático.

A China, por sua vez, sofre pressão da política externa do presidente Donald Trump. A aprovação de tarifas comerciais sobre grande variedade produtos chineses motivou a retaliação sobre produtos estadunidenses. Além disso, há tensões entre os dois países, por causa da relativa flexibilização do governo dos EUA em relação à política da China única****. Desde 1979, os EUA romperam relações diplomáticas com Taiwan, mas recentemente o Congresso estadunidense aprovou lei que amplia a venda de armas à ilha e o país americano abriu um instituto na região, que seria equivalente a uma embaixada de facto. O relativo afastamento dos EUA motivou uma aproximação à Rússia.

Gasoduto Poder da Sibéria

A parceria entre as duas nações vizinhas é muito importante na área energética. Com efeito, a China necessita do fornecimento de gás russo. A empresa russa Gazprom percebeu essa demanda energética chinesa e está construindo o gasoduto Poder da Sibéria. O projeto já teve cerca de 2/3 de execução e deve estar fornecendo gás à China até o fim do ano de 2018.  A cooperação energética, essencial para os chineses, também é positiva para os russos, que podem vender gás para um grande mercado, no momento em que há dificuldades no relacionamento com a Europa.

No âmbito de organismos regionais e multilaterais, Rússia e China também demonstram proximidade. No Conselho de Segurança das Nações Unidas, em que ambos são membros permanentes, há a defesa comum de aliados e dos princípios da não intervenção e da autodeterminação dos povos. A Guerra da Síria motivou vetos conjuntos a seis Resoluções do Conselho, em que os referidos princípios foram alegados. Além disso, os dois países fazem parte da Organização para a Cooperação de Xangai, em que se definem muitos temas de relevância para o continente asiático.

A parceria entre Rússia e China não é uma escolha fundamentalmente ideológica, mas pragmática. Ambas as nações acreditam que não estão suficientemente representadas na atual estrutura de governança global e buscam reformar a ordem internacional. Atuando conjuntamente, têm mais possibilidades de concretizar seus objetivos estratégicos e evitar pressões diplomáticas e econômicas de países ocidentais.

———————————————————————————————–

Notas:

* Entendimento de que a parceria beneficia ambos os países. Contrapõe-se à lógica do jogo de soma zero, em que há vencedores e perdedores na arena internacional.

** Expressão utilizada para caracterizar formações de agrupamentos de países para atingirem objetivos comuns. O grupo BRICS é um exemplo desse tipo de iniciativa.

*** Grupo de 8 nações com grande importância para a economia mundial. Com a suspensão da Rússia, o organismo voltou a denominar-se G7 e reúne-se anualmente.

**** A China considera Taiwan parte inalienável de seu território e mantém relações diplomáticas apenas com países que respeitam essa diretriz.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fronteira entre China e Rússia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–Russia_border 

Imagem 2 Gasoduto Poder da Sibéria” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Power_of_Siberia

———————————————————————————————–

Demais Fontes Consultadas:  

[1] Ver:

https://www.bbc.com/news/world-europe-26606097

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/06/will-trump-cement-the-china-russia-alliance/

[3] Ver:

https://www.theguardian.com/world/2018/jun/12/us-de-facto-embassy-in-taiwan-reopens-as-symbol-of-strength-of-ties

[4] Ver:

https://oilprice.com/Geopolitics/International/The-Impact-Of-Gazproms-China-Russia-Gas-Pipeline.html

[5] Ver:

https://edition.cnn.com/2017/04/13/middleeast/russia-unsc-syria-resolutions/index.html

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Uma igreja medieval no centro da disputa entre georgianos e armênios

Uma catedral ortodoxa georgiana do século X foi palco de um confronto entre armênios e forças policiais da Geórgia. O incidente aconteceu na manhã de sábado, dia 30 de setembro, quando residentes armênios da cidade de Kumurdo, na região de Javakheti, tentaram erguer no pátio da igreja uma cruz de pedra, símbolo religioso conhecido como khachkar, em armênio. A ação tinha o intuito de homenagear seus antepassados que teriam sido enterrados no local, depois que escavações arqueológicas encontraram ossadas nas imediações. Quatro oficiais e um número não identificado de moradores foram feridos após a polícia ter sido chamada para impedir a manifestação.

Exemplo de Khachkar armênio

A significativa população armênia residente na Geórgia permanece sendo um potencial fator de atrito entre os dois Estados. A província de Javakheti, ao sul do país, costuma ser o epicentro dos conflitos, já que é habitada majoritariamente por armênios e no passado já foi alvo da disputa territorial das duas repúblicas. Embora casos de violência étnica tenham sido mais frequentes no imediato pós-desintegração da União Soviética, ao longo dos primeiros anos da década de 1990, o convívio entre os povos na região permanece marcado por tensões.

O descontentamento entre os armênios de Javakheti aumentou a partir de 2007, depois do fechamento de uma base militar da Rússia, ativa desde a época soviética. A instalação russa respondia por parcela relevante da atividade econômica da região e sua remoção representou o crescimento da taxa de desemprego e a piora na qualidade de vida da população local. Outro elemento que gerou desconforto foi a revisão da política migratória por Tbilisi*, que obrigou a que muitos armênios se desloquem a cada três meses ao seu país para renovarem seus vistos de permanência.

No entanto, ao contrário do apoio oferecido aos residentes da região de Nagorno-Karabakh, que resultou em uma guerra contra o Azerbaijão, a Armênia vem evitando qualquer menção ao princípio de autodeterminação dos povos em relação às demandas separatistas que por vezes eclodem em maior grau em Javakheti. Isto é explicado pela necessidade de manter boas relações com a Geórgia, país que representa o único elo terrestre com a Rússia, além de oferecer uma saída para o mar através de seus portos no Mar Negro.

Dada a dependência do país vizinho, é remota a possibilidade de que Yerevan** passe a se posicionar de maneira enfática na defesa da população armênia na Geórgia, sob o risco de deterioração dos laços de cooperação que mantém com Tbilisi*. Contudo, não se pode desconsiderar a possibilidade de que a política de Estado sucumba às pressões de uma população descontente, sobretudo em uma região tão volátil como o Cáucaso do Sul.

———————————————————————————————–                    

Notas:

* Tbilisi: Capital da Geórgia, referindo-se ao Governo do país.

** Yerevan: Capital da Armênia, referindo-se ao Governo do país.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Catedral de Kumurdo” (Fonte):

https://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%9A%D1%83%D0%BC%D1%83%D1%80%D0%B4%D0%BE#/media/File:Kumurdo_Cathedral.jpg

Imagem 2 Exemplo de Khachkar armênio” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Khachkar#/media/File:Khachkar1_Gyumri.jpg

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia paga a última parte da dívida externa herdada da União Soviética

O Ministério das Finanças russo anunciou na última segunda-feira, 21 de agosto, a liquidação integral da dívida externa contraída pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e herdada pela Federação Russa, sua sucessora legal. O último Estado credor a receber o pagamento foi a Bósnia e Herzegovina, que teve o saldo de 125,2 milhões de dólares quitado por Moscou, em 8 de agosto.

Nikita Kruschev e Fidel Castro retratados em pôster comemorativo da amizade entre soviéticos e cubanos

Esta última parcela era parte da dívida assumida pela URSS junto à antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia e que posteriormente foi repartida de forma proporcional por seus Estados sucessores, dentre eles a Bósnia. No caso específico da Iugoslávia, o passivo foi acumulado após sucessivos déficits na balança comercial entre os dois países. Por anos, Moscou forneceu artigos de defesa e recursos energéticos para Belgrado, adquirindo em troca bens de consumo de maior valor agregado.

No entanto, a maior parte do débito soviético estava nas mãos de credores ocidentais. Dos 66 bilhões de dólares herdados como dívida pela Rússia após a desintegração da URSS, 60 bilhões eram cobrados por membros do Clube de Paris, grupo informal formado por Governos das grandes economias industrializadas. Este débito foi totalmente pago ainda em 2006, quando a economia russa era impulsionada pela alta dos preços internacionais do petróleo.

Mais que uma questão econômica, o Kremlin vem usando os compromissos financeiros da URSS como uma ferramenta política. Ao mesmo tempo em que quitava seu passivo, Moscou decidiu perdoar os montantes devidos por países como Coreia do Norte, Vietnã e Cuba, totalizando mais de 120 bilhões de dólares. Se por um lado esta política parece ser financeiramente desvantajosa, por outro a Rússia busca promover sua imagem de Estado forte e saudável e alavancar o seu papel de protagonista no cenário internacional. 

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 127º Congresso do Partido Comunista Soviético” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/27th_Congress_of_the_Communist_Party_of_the_Soviet_Union#/media/File:RIAN_archive_852682_XXVII_Congress_of_the_CPSU.jpg

Imagem 2Nikita Kruschev e Fidel Castro retratados em pôster comemorativo da amizade entre soviéticos e cubanos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cuba%E2%80%93Soviet_Union_relations#/media/File:Cuba-Russia_friendship_poster.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Geórgia e Ucrânia assinam acordo de parceria estratégica

Em 18 de julho, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Geórgia, Giorgi Margvelashvili, assinaram em Tbilisi, capital georgiana, a Declaração de Estabelecimento de Parceria Estratégica, que tem o objetivo de “fortalecer a cooperação nos fóruns bilaterais e multilaterais, levando em consideração interesses comuns e desafios similares”. O Chefe-de-Estado ucraniano ainda prevê que os 526 milhões de dólares registrados no comércio bilateral entre os dois países em 2016 poderão ser dobrados dentro de alguns anos.

Além do passado soviético em comum, as duas Repúblicas seguiram trajetórias similares depois que conquistaram suas independências. Ambas procuraram se afastar de Moscou e buscaram uma maior integração com as instituições ocidentais, sobretudo a União Europeia e a OTAN. Com este intuito, fundaram em 1997 a GUAM, grupo político com o propósito de resistir ao grande poder de influência do Kremlin e que também conta com a Moldova e o Azerbaijão. Em 2003 e 2004, respectivamente, Geórgia e Ucrânia também foram palco do que ficou conhecido como “Revoluções Coloridas”, que levaram à substituição de regimes favoráveis à Rússia por outros alinhados ao Ocidente.  

Em 2008, após ser derrotada em uma guerra contra os russos, a Geórgia perdeu definitivamente o controle sobre a Ossétia do Sul e Abecásia, duas províncias integrantes de seu território internacionalmente reconhecido. Em 2014, a Rússia incorporaria a península da Crimeia, anteriormente parte da Ucrânia. Rebeldes apoiados por Moscou também passaram a controlar a região de Donbas, no extremo leste do país, onde proclamaram unilateralmente as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Neste contexto, a solidariedade mútua pelo restabelecimento da integridade territorial dos dois Estados passou a ser o elemento que mais aproxima georgianos e ucranianos.

Presidente Poroshenko em Tbilisi

Entretanto, desde 2015, quando Poroshenko convidou o ex-Presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, para assumir o posto de Governador da Província de Odessa, as relações entre Ucrânia e Geórgia se tornaram turbulentas. O ex-mandatário georgiano, que havia deixado o poder em 2013, teve cassada a sua cidadania depois que assumiu a nacionalidade ucraniana, além de ter sido acusado de corrupção e abuso de poder em seu país natal, o que resultou em um pedido de extradição ainda não atendido por Kiev. Em contrapartida, passou a tecer críticas frequentes à administração que o sucedeu em Tbilisi. Sua renúncia ao governo de Odessa, em 2016, abriu espaço para a retomada dos diálogos entre os dois países.

Protestos durante a ‘Revolução Laranja’, em Kiev, 2004

Pivô da crise diplomática anos antes, Saakashvili parece ter se tornado vítima da recente reaproximação entre Kiev e Tbilisi. Em 26 de julho, dias depois de sua visita oficial à Geórgia, Poroshenko retirou a cidadania ucraniana de seu antigo aliado político, no que parece ter sido um gesto de boa vontade às autoridades georgianas. Saakashvili, que exerceu o poder em dois países diferentes, hoje se encontra desprovido de qualquer nacionalidade. Ele possui visto de trabalho nos Estados Unidos até o final de 2017, onde atualmente se encontra. 

Mais que um acordo de cooperação, o estabelecimento da parceria estratégica mira a Rússia como adversária. O próprio Poroshenko corrobora com esta percepção ao afirmar, durante sua visita a Tbilisi, que “temos um agressor comum – tanto a Ucrânia quanto a Geórgia – este é a Federação Russa”. No entanto, se Kiev e Tbilisi, em anos anteriores, poderiam contar com o Ocidente como aliado, hoje o auxílio é mais retórico do que prático. As promessas de expansão continuada da OTAN para o Leste não foram concretizadas e a União Europeia, sofrendo com crises internas, não apenas parou de aceitar membros, como passou a perdê-los. Assim, ucranianos e georgianos, cada vez mais, parecem apenas contar uns com os outros.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras da Ucrânia e Geórgia” (Fonte Rodrigo Monteiro de Carvalho):

Montagem do autor a partir da Wikipédia

Imagem 2Presidente Poroshenko em Tbilisi” (Fonte):

http://www.president.gov.ua/en/news/ukrayina-ye-nadijnim-torgovelnim-partnerom-prezident-zaprosi-42490

Imagem 3Protestos durante a Revolução Laranja’, em Kiev, 2004” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_Revolution#/media/File:Morning_first_day_of_Orange_Revolution.jpg

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os túneis subterrâneos finlandeses e a Rússia

A Finlândia iniciou a construção de uma rede de túneis subterrâneos na década de 1960, com o objetivo de proporcionar uma conexão entre a área central de sua capital e a infraestrutura em ascensão. Posteriormente, o Plano Diretor de Helsinque contribuiu para a organização dos 9 milhões de metros cúbicos que abrigam 400 instalações diversas abertas ao público.

Os túneis no subsolo finlandês despertaram debates sobre a segurança do Estado e, novamente, emerge no cenário o receio por uma suposta invasão russa no país. A principal razão finlandesa é a realização da ZAPAD 2017, que se constitui em exercícios militares anuais feitos pela Rússia e a Bielorrússia, durante a qual se contemplará grande movimentação militar nos territórios dos atores em questão.

Muro do Kremlin, em Moscou

A politização da questão dos túneis recorre a argumentos de que os mesmos poderiam abrigar toda a população de Helsinque, cerca de 600 mil habitantes, em caso de conflito bélico, e possibilitaria aos militares finlandeses opções vantajosas de garantir a defesa do país. O Jornal Daily Mail trouxe o comentário do especialista de segurança cibernética da Universidade de Aalto, Jarno Limnell, o qual afirmou: “Mais do que olhar para o que acontecerá durante o exercício, estamos mais interessados ​​no que acontecerá depois e teremos certeza de que as tropas realmente se vão embora. 

Em contrapartida, os russos mantêm o discurso de que o Estado não possui planos de ofensiva contra seus vizinhos. Nesta perspectiva, o Jornal Sputnik News trouxe o comentário do especialista militar do Jornal Komsomolskaya Pravda, Viktor Barenets, o qual salientou: “A ativa e total propaganda ocidental de ‘agressão militar russa’ nos últimos tempos gerou uma espécie de ‘esquizofrenia social’ na Noruega e na Suécia, e, hoje, está sendo espalhada pela Finlândia. Faz-me rir as declarações dos políticos e generais finlandeses de que a Rússia, supostamente, tem planos de bombardear Helsinque”.

No que tange a pauta, analisa-se que a rede de túneis subterrâneos em Helsinque é um grande feito que muito contribui para o desenvolvimento da capital finlandesa e para o próprio treinamento de seus militares, a partir da lógica de guerrilha urbana. Entretanto, a persistência na crença de uma possível invasão da Rússia à Finlândia e o uso dos túneis para proteção de civis parece ser irreal, seja pela carência de razões sólidas de Moscou na ação, seja pela potência de armamentos atuais. 

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 A praça do Senado, Helsinque” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Senate_Square_-_Senaatintori_-_Senatstorget%2C_Helsinki%2C_Finland.jpg

Imagem 2 Muro do Kremlin, em Moscou” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/04/Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg/1280px-Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg