EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e Turquia aprofundam relacionamento bilateral

A Turquia tem localização estratégica no cenário geopolítico mundial. Exercer influência no país médio-oriental é importante para consolidar posições de poder global. Tradicionalmente, os turcos têm fortes laços com países ocidentais, principalmente com os EUA, e participam ativamente das instituições influenciadas pelo Ocidente. Essa conjuntura está sendo alterada recentemente, devido à crescente presença chinesa no país, por meio da cooperação econômica e militar.

A Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)* desde 1952 e buscou frequentemente auxílio no Fundo Monetário Internacional (FMI)** quando sua economia esteve em crise. A recente desvalorização excessiva da lira turca, contudo, não provocou o mesmo movimento e o governo voltou-se para a China. Segundo alguns analistas, isso ocorreu devido ao aumento de influência do presidente Recep Tayyip Erdogan, que teria sido capaz de controlar as resistências e os temores da elite turca em relação aos chineses. De fato, o mandatário venceu um referendo em abril de 2017, que transformou o país em uma República Presidencialista, garantindo-lhe mais poderes. No entanto, ainda não há dados suficientes para afirmar com segurança que esse fato impulsionou a aproximação à China.

Lira turca antiga

A situação monetária desfavorável motivou a busca de recursos chineses. Segundo o economista turco Emre Alkin, “A estabilidade da lira turca virá da cooperação com países valorosos, como a China. É impossível que o Banco Central faça algo sozinho. Recursos são necessários […] está claro que precisamos da sabedoria, de ideias e de sugestões de países como a China”. Em contraprestação aos recursos chineses, os turcos estão dispostos a ampliar parcerias em portos e em infraestrutura de transportes. Além disso, a Turquia sinalizou recentemente seu interesse em ingressar no grupo BRICS*** e acredita que tem apoio dos membros para tanto.

A cooperação militar com Pequim é outra área que está em ascensão. Existe sentimento crescente de antiamericanismo na Turquia, devido em parte ao apoio estadunidense aos curdos na luta contra o Estado Islâmico. Isso é visto com desconfiança pela população turca, já que os curdos têm o pleito de fundarem um Estado que englobaria parte do território turco. A China e a Rússia, portanto, mostram-se como alternativas viáveis. Em maio de 2018, muitos oficiais chineses participaram do exercício militar “Ephesus 2018”**** como observadores. A tendência é que a cooperação aumente.

Para a China, a intensificação do relacionamento com a Turquia é positiva. O país médio-oriental encontra-se em ponto chave para a ligação física entre os continentes europeu e asiático, o que o torna essencial para o êxito do projeto chinês da Nova Rota da Seda, que visa a expandir sua influência global e promover a conectividade física, facilitando os fluxos de comércio entre a Europa e a Ásia. A concretização da iniciativa, portanto, depende de uma parceria sólida com os turcos.

A relação bilateral entre China e Turquia é pautada pela cooperação e pela aproximação progressiva. À medida que os turcos se afastam do Ocidente e das instituições ocidentais, cada vez mais buscam a parceria de outros atores, como os chineses e os russos. Pequim busca aproveitar a conjuntura favorável para estabelecer confiança e fortalecer os laços bilaterais, de modo que o relacionamento seja vantajoso para ambas as partes.

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Notas:

* Organização fundada em 1949, no contexto da Guerra Fria. Tem como objetivo fundamental garantir a defesa atlântica por meio de um sistema de segurança coletivo.

** Organização criada para ajudar a solucionar problemas na Balança de Pagamentos dos membros, por meio do fornecimento de empréstimos. Os recursos concedidos, contudo, têm como condição a adoção de disciplina fiscal rígida, o que é impopular em muitos países.

*** Coalizão que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (ingressa em 2011), que se reúne regularmente desde 2008 para debater temas da agenda internacional e promover iniciativas de reforma da ordem mundial, de modo a torná-la menos assimétrica, mais aproximada à atual distribuição internacional de poder e mais representativa dos interesses das nações em desenvolvimento.  

**** Exercício militar que ocorre a cada dois anos e é promovido pelo governo turco e seus aliados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mesquita Azul, em Istambul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkey

Imagem 2 Lira turca antiga” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_lira

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/little-brothers-together-turkey-turns-to-china/

[2] Ver:

https://www.theguardian.com/world/2017/apr/16/erdogan-claims-victory-in-turkish-constitutional-referendum

[3] Ver:

http://www.atimes.com/article/china-will-buy-turkey-on-the-cheap/

[4] Ver:

https://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/08/turkey-china-intensifying-defense-security-partnership.html

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aumentam as tensões entre EUA e Rússia

Desde o fim da Guerra Fria*, em 1991, a relação entre Estados Unidos e Federação Russa teve altos e baixos, mas, na maioria das vezes, a situação se manteve estável. Entretanto, nos últimos anos esse quadro se agravou, principalmente após a anexação da Crimeia pela Rússia**, em 2014, a acusação dos EUA de ter ocorrido interferência russa nas suas eleições presidenciais de 2016 e o caso do suposto envolvimento russo no envenenamento do seu ex-agente de inteligência, Sergei Skripal, e da filha dele, Yulia, no Reino Unido, em março deste ano (2018).

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018

Após tais acontecimentos, o cenário internacional manteve-se em alerta quanto ao escalonamento das tensões entre essas duas grandes potências mundiais. Em um encontro em Helsinki, em julho (2018), entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e Vladimir Putin, Presidente da Rússia, o líder norte-americano afirmou que as relações entre seus países “nunca estiveram piores”. Somado a tudo, tem-se que a União Europeia e os EUA vêm adotando cada vez mais medidas que afetam a diplomacia e a economia russa.

A última decisão tomada foi a anunciada no dia 10 de agosto (2018) pelo Departamento de Estado dos EUA. Neste comunicado divulgou-se um novo pacote de sanções anti-Rússia, que será aplicado no dia 22 de agosto, em resposta ao suposto envenenamento da família Skripal. As medidas anunciadas vão afetar vários itens de exportação importantes à economia russa e o país terá 90 dias para provar que não possui armas químicas e biológicas e que nem as utilizará no futuro. Caso isso não ocorra, um novo pacote será imposto pelos EUA, o qual será muito mais rigoroso.

O Kremlin se pronunciou diante dessa situação afirmando que o país está de acordo com a Convenção sobre Armas Químicas***, tendo destruído seu arsenal, em 2017, sob a supervisão da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Portanto, a postura norte-americana, segundo Moscou, é desrespeitosa à integridade e autoridade desse órgão. Além disso, afirmou: “Nós consideramos as acusações de cumplicidade no incidente de Salisbury, apresentadas contra a Rússia, infundadas e apenas mais uma tentativa de criar uma impressão de que nosso país assume uma atitude irresponsável em relação ao cumprimento dos compromissos internacionais”. E afirmou também: “os Estados Unidos demonstraram mais de uma vez sua atitude desdenhosa em relação ao sistema de direito internacional e o desejo de usar os mecanismos de controle de armas multilaterais existentes para fazer avançar sua própria agenda política”.

A partir desse cenário, torna-se evidente a deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. Há, ainda, a possibilidade de se chegar a uma “guerra econômica”, como dito pelo Primeiro-Ministro da Federação Russa, Dmitry Medvedev. O ambiente internacional, portanto, torna-se mais imprevisível, tanto que algumas fontes internacionais afirmam até que a Marinha norte-americana vem se preparando para uma possível guerra contra a Rússia no Atlântico Norte. Tais hipóteses de conflito e de batalhas estão no planejamento estratégico de ambos os atores e ocorrem treinamentos corriqueiros para tanto, no entanto, a forma de apresentação e desenvolvimento dos exercícios podem aumentar as tensões, transbordar o campo diplomático e transformar estes preparos em algo mais sério para toda a comunidade internacional.

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Notas:

* A Guerra Fria foi um embate ideológico entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA) durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

*** A Convenção sobre Armas Químicas é um acordo que proíbe a produção, o armazenamento e o uso de armas químicas. Ao todo, 189 Estados fazem parte deste Tratado, apenas cinco países não concordaram e não o assinaram, é o caso de Angola, Coreia do Norte, Egito, Sudão do Sul e Síria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Praça Vermelha em Moscou com o Museu de História Nacional e o Kremlin, complexo fortificado que serve como a residência oficial do Presidente da Federação Russa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/Russie_-_Moscou_-_place_rouge_mus%C3%A9e_histoire_%26_kremlin.jpg

Imagem 2O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Helsinki, em julho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg/1024px-Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki%2C_16_July_2018_%2811%29.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acordo político entre Rússia e Israel

Em 11 de julho de 2018, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em menos de seis meses, realizou sua terceira visita à Federação Russa, reforçando laços diplomáticos com o presidente Vladimir Putin, estabelecendo um acordo de cooperação que limitará a presença de tropas iranianas dentro do território sírio e que se encontram próximas de locais sob o controle de Israel nas Colinas de Golan*.

Mapa Colinas de Golan

Para se entender este “pedido de ajuda” por parte do governo israelense ao Kremlin, é necessário retroceder no tempo dentro do já longo conflito na Síria, uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas** ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad e se transformou num enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita e também Israel estão cada vez mais envolvidas.

O reclamado Irã era a principal nação que dava suporte ao governo sírio, antes da entrada da Rússia no conflito, em 2015, evitando a queda de Assad diante da ameaça dos rebeldes e terroristas, fornecendo dinheiro, armas, informações de inteligência, além do envio de conselheiros militares, como também tropas para a Síria que são formadas por membros da Guarda Revolucionária, por milícias xiitas e pelo grupo libanês Hezbollah, que é fortemente apoiado pelo Irã. Segundo analistas internacionais, a aliança bélica entre Irã e Síria há tempos se baseia em objetivos comuns, como a contenção da influência norte-americana na região, além do enfraquecimento de Israel dentro do Oriente Médio.

Por sua vez, o reclamante Israel apresenta o temor da contínua presença da Guarda  Revolucionária iraniana e de combatentes leais a Teerã na Síria, mas, acima de tudo, sua maior preocupação se baseia na possibilidade de a milícia libanesa Hezbollah se estabelecer nas Colinas de Golan, na fronteira sírio-israelense, e executar ataques militares ao país a partir daí.

A Rússia, como agente geopolítico com forte atuação dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, deverá atuar como mediador e direcionar as melhores práticas para que o equilíbrio sistêmico regional tenha sua efetividade garantida. O acordo celebrado entre Netanyahu e Putin, segundo fontes internacionais, deixa claro que a democratização da região ficará em segundo plano com a indiferença de Israel sobre a forma de governo de Bashar al-Assad, desde que a Rússia cumpra o seu papel de distanciar as tropas iranianas das fronteiras israelenses, ou até mesmo eliminar sua presença do território sírio.

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Notas:

* Região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, e anexada ao território em 1981.

** Seguidores da ¨jihad”, palavra que significa “esforço” ou “luta”. Aqueles que entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Os grupos jihadistas mais conhecidos são a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin” (Fonte):

https://s.yimg.com/ny/api/res/1.2/x4hYp32Qtl5ZO_bxtPRjmw–~A/YXBwaWQ9aGlnaGxhbmRlcjtzbT0xO3c9ODAwO2g9NjAwO2lsPXBsYW5l/http://media.zenfs.com/en_us/News/ap_webfeeds/cb0162a3e39d4b008b290466db35377d.jpg

Imagem 2 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

http://www.gbcghana.com/kitnes/cache/images/800x/0/1.12127945.png

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conselheiro do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei se encontra com presidente Vladimir Putin

No dia 12 de julho, reuniram-se em Moscou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Ali Akbar Velayati, Conselheiro do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. Além de enviar uma mensagem do Aiatolá e do Presidente iraniano ao Governo russo, o encontro tinha como objetivos discutir sobre a ampliação da aliança estratégica entre ambos países, incluindo a Guerra Civil Síria, e tratar sobre o aumento de investimentos russos no setor petroleiro persa.

Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018

Além de Velayati, a delegação iraniana estava composta pelo Chefe dos Conselheiros, Ali Asghar Fathi Sarbangoli, e pelo embaixador iraniano na Rússia, Mehdi Sanai. Já a comitiva russa contava com a presença de Putin e do Ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Ao final da reunião, um dos compromissos acordados foi acerca do investimento da Rússia de US$ 50 bilhões na indústria de gás e petróleo do Irã, assim como a união de esforços para a cooperação militar e técnica. Conforme afirmação da delegação iraniana, uma empresa de petróleo russa firmou um acordo de US$ 4 bilhões. Já a Gazprom e a Rosneft estão em tratativas com o Ministro do Petróleo do Irã para negociar um contrato de US$ 10 bilhões. De acordo com declarações do Kremlin, “a discussão centrou-se em questões de cooperação russo-iraniana, bem como a situação na região, incluindo suas atuações na Síria. As partes reafirmaram seu compromisso com o Plano de Ação Integral Conjunto sobre o Acordo Nuclear do Irã (JCPOA)”.

Considera-se que encontros como este são uma das estratégias do governo de Rouhani para atrair novos investimentos e fortalecer suas relações com aliados chaves na compra de petróleo, após a saída unilateral dos Estados Unidos do JCPOA, do reestabelecimento de sanções ao Irã e da provável desaceleração dos negócios com a União Europeia. Segundo alguns analistas no tema, o Governo persa enxerga a Rússia e a China como possíveis substitutos das empresas europeias que estão deixando o país.

Além da já realizada reunião na Rússia, Velayati irá a Pequim, em data ainda não confirmada. Outros emissários serão enviados à América Latina, em visita aos governos do Brasil, Bolívia, Chile e Venezuela; à Malásia, no Sudeste Asiático; e à Tunísia, na África Mediterrânea.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reunião entre presidente russo Vladmir Putin e o Aiatolá Ali Khamenei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hassan_Rouhani_and_Vladimir_Putin_(1).jpg

Imagem 2Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57984

ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Avanço do diálogo entre a China e a Europa Oriental

A presença chinesa está crescendo em várias partes do mundo. A Europa Oriental apresenta um interesse renovado para o país asiático, devido a sua localização estratégica e por ser uma ponte em direção a relações melhores com a União Europeia. Apesar de ser um ator que busca contribuir para o desenvolvimento dos países da área, no âmbito do projeto da Nova Rota da Seda*, o governo chinês é percebido com desconfiança por analistas europeus de relações internacionais. Essas suspeitas voltam à tona no momento da realização da Cúpula 16+1.

A Cúpula 16+1 foi instituída em 2012, com o objetivo de criar um foro de diálogo entre a China e 16 países da Europa Oriental e Central. Desde o começo, analistas suspeitam das razões que levaram à escolha dos 16 membros europeus, por causa da possível falta de transparência no processo. A realidade é que os convites se baseiam no interesse estratégico chinês. Recentemente, a Grécia estaria interessada em participar e a Ucrânia busca ser um dos países da iniciativa há algum tempo. O governo chinês, portanto, decide com cautela, já que incluir países mais próximos da Europa Ocidental ou envolvidos com a Rússia pode gerar consequências para a relação bilateral com a União Europeia e com os russos.

A Cúpula de 2018 ocorre em Sofia, em julho deste ano (2018), cercada de expectativas em relação a temas econômicos. Apesar de a iniciativa ter como um de seus objetivos facilitar o desenvolvimento da Europa Oriental, os resultados concretos ainda são tímidos. O comércio está praticamente estagnado nos mesmos níveis de 2012, e os investimentos chineses não cresceram em grande proporção, diferente do que ocorreu em outras áreas do globo, como a América Latina. Pelo fato de a região ser importante para a Nova Rota da Seda, contudo, é possível que esse panorama mude nos próximos anos.

Sede da Comissão Europeia

Analistas europeus preocupam-se com o impacto da Cúpula 16+1 para as relações entre a China e a União Europeia. Segundo eles, Berlim e Bruxelas** já estariam preocupadas com o crescimento da influência chinesa na região, por considerarem que essa presença seria prejudicial para a unidade dos europeus. Há quem atribua a melhora do relacionamento da região com o país asiático à tendência de crescimento de governos populistas no leste europeu, que seriam entusiastas do modelo estatocêntrico de governança chinês. No entanto, não existem evidências concretas dessa admiração, nem faria tanto sentido, dado que os governantes desses países buscam minimizar a influência estrangeira no processo de tomada de decisões. A aproximação à China é pragmática e busca maximizar laços de comércio.

O Premiê chinês, Li Keqiang, chega à Bulgária para mostrar o compromisso de seu país com a iniciativa 16+1.  Ele afirma ao periódico China Daily que “a China e as 16 nações visam a aumentar a cooperação pragmática, o desenvolvimento comum, transformações econômicas e melhorias”. O Premiê também ressaltou a necessidade de um comércio balanceado e a disposição chinesa de importar alguns produtos da região, como vinho e carnes.

Observadores apontam que crescimento da influência da China na Europa Oriental não deve ser motivo de pânico para Bruxelas. O objetivo primordial do país asiático é colaborar para o desenvolvimento da infraestrutura da região, de modo a possibilitar o êxito da Nova Rota da Seda. Em contrapartida, o crescimento das ligações físicas entre os países do continente europeu aumenta os vínculos entre eles e pode beneficiar a integração continental. Desse modo, a presença chinesa pode contribuir para uma Europa unida.

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Notas:

* Projeto que busca integrar os mercados asiáticos e prover conexão física até a Europa. É, segundo analistas, a principal iniciativa da política externa do presidente Xi Jinping e expande a área de influência da China. 

** Cidade onde fica a sede de grande parte das instituições da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro de Sofia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sofia

Imagem 2 Sede da Comissão Europeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Institutions_of_the_European_Union

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/what-to-expect-at-the-2018-china-cee-161-summit/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/07/whats-next-for-chinas-161-platform-in-central-and-eastern-europe/

[3] Ver:

http://www.china-ceec.org/eng/zyxw_4/t1574412.htm

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Cúpula de Helsinque reunirá Rússia e EUA

Em meio à um momento crítico nas relações entre Rússia e Estados Unidos, que não se vê desde a Guerra Fria*, foi confirmado, tanto pela Casa Branca, quanto pelo Kremlin, a cúpula bilateral entre estas nações, que ocorrerá em Helsinque, capital da Finlândia, no próximo dia 16 de julho.

Ataque de mísseis em Damasco

A chamada Cúpula de Helsinque colocará frente à frente Donald Trump e Vladimir Putin para discutirem questões inerentes aos diversos acontecimentos que minaram as relações diplomáticas entre seus países nos últimos anos, no intuito de direcionar conversações para a garantia da estabilidade estratégica entre ambos.

Segundo especialistas em política internacional, a lista de eventos que culminaram neste mal-estar entre as partes já se faz longa. Nas últimas duas décadas, tiveram início com as intervenções da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo, em 1999; posteriormente recebe destaque a adesão de ex-repúblicas soviéticas** à Aliança Atlântica, em 2004; vindo depois a ofensiva militar russa contra a Geórgia, em 2008; e, em seguida, a anexação da Crimeia ao território da Federação Russa, em 2014.

Ataque de mísseis em Damasco

Dos vários assuntos que poderão ser abordados nesta reunião, analistas internacionais colocam como mais importantes: 1) a questão da corrida armamentista a ser evitada devido ao fato da modernização dos arsenais russos e hipótese de possível confronto nuclear, já que os antigos instrumentos de controle de conflitos utilizados na época da Guerra Fria não funcionam nos dias atuais; 2) a minimização dos impactos negativos sobre ações diplomáticas, em que, num exemplo recente, o recrudescimento político entre as duas nações foi potencializado pelo evento do bombardeio de Damasco, na Síria, em abril de 2018, pela coalizão formada por EUA, França e Reino Unido, em retaliação ao suposto ataque químico realizado em Duma, região de Ghouta Oriental, por forças militares sírias, alegadamente apoiadas pela Rússia; 3) a questão do futuro das sanções internacionais impostas contra a Federação Russa, por conta das ações militares na Ucrânia e pela anexação da Crimeia, segundo as quais, num primeiro momento, vários  agentes de alto escalão do governo russo foram vítimas de intervenções políticas e, secundariamente, o próprio país se viu isolado economicamente diante de tal processo.

O mais provável, segundo esses observadores, é que existirão críticos a esse encontro, principalmente países aliados aos Estados Unidos que querem isolar Putin, como é o caso do Reino Unido, e aqueles que questionam o comprometimento de Trump com a OTAN e se preocupam com uma possível retomada de laços diplomáticos entre Washington e Moscou. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, a reunião terá enorme importância não só para os dois países, mas também para toda a situação internacional pela qual o mundo passa.

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Notas:

Guerra Fria é a designação de um período histórico de disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a extinção da União Soviética em 1991. A guerra é chamada de fria porque não houve uma guerra ou conflitos diretos entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

** A partir de 29 de março de 2004, ex-países comunistas ampliaram o quadro da OTAN sendo, Eslovênia, Eslováquia, Romênia, Bulgária e as ex-repúblicas soviéticas bálticas Estônia, Letônia e Lituânia

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Putin” (Fonte):

https://ukranews.com/upload/publication/2018/06/09/5a0544c70e16e———————-_1200.jpg

Imagem 1 Ataque de mísseis em Damasco” (Fonte):

https://s.hdnux.com/photos/72/56/12/15393432/627/core_breaking_now.jpg

Imagem 3 Trump e Putin no encontro de líderes da Ásia e do Pacífico (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/7e/62/3e/7e623ecab0baa1f01725cb883f1406ca.jpg

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