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[:pt]Rússia e Finlândia: relações bilaterais[:]

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Em 2017 a Finlândia completa 100 anos de independência da Rússia e, apesar das tensões vividas ao longo do período da União Soviética, o país manteve uma política pragmática. Na atualidade, Helsínque possui boas relações com a Federação Russa, mesmo sendo parceiro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), tendo por parte de seus vizinhos russos a obtenção de uma postura de reciprocidade.

No início deste mês (maio), em nome da cooperação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, reuniu-se com seu homônimo finlandês, Timo Soini, para tratarem de questões econômicas e de natureza política regional. De acordo com o Jornal Ria Novosti, na pauta econômica, o fluxo comercial em 2014 declinou entre os atores, mas demonstra crescimento considerável a partir do início de 2017, auferindo a cifra de US$ 1,8 bilhão.

O Jornal Tass noticiou que a razão para a dinâmica econômica bilateral envolve a construção das usinas nucleares Hanhikivi-1 pela empresa finlandesa Fennovoima com participação da empresa russa SC Rosatom, estimada em 5 bilhões de euros, com projeção de geração de eletricidade para 2024. Além disso, diz respeito também a atuação dos setores empresariais em ambos os Estados e do fluxo turístico entre os dois países, pois, embora apresente uma queda, ele correspondeu a 2,8 milhões de visitantes russos na Finlândia e 1,3 milhão de finlandeses na Rússia. Em referência à esfera econômica, o ministro Timo Soini afirmou: “O volume de comércio cresceu, e as expectativas das empresas finlandesas estão novamente um pouco mais brilhantes. O número de pedidos de visto e de passagem de fronteiras começou a aumentar após um longo período de declínio. Russos são muito bem-vindos para visitar o nosso país”.

No âmbito político sobressaíram as questões envolvendo a segurança do Báltico. Elas foram encabeçadas pela anterior proposta feitas aos russos pelo Presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, no tocante a proibição de voos militares com transponders deficientes; além disso, no que diz respeito à interação russo-finlandesa nos diálogos das organizações internacionais sobre o ártico, em especial, pela recente Presidência finlandesa no Conselho do Ártico; e, é, claro, também no tocante ao embate em torno da crise ucraniana, especificamente a implementação dos Acordos de Minsk, que influi diretamente no relacionamento entre a Rússia, a União Europeia (UE) e a OTAN. Em relação a Finlândia, o Ministro Lavrov afirmou: “A Finlândia é nosso vizinho e um país amigo. Estamos ligados por uma história centenária. É claro que, como em outros países, valorizamos muito a reputação internacional da Finlândia, que ganhou devido à sua consistente política de neutralidade”.

Consoante os analistas, entende-se que a política de boa vizinhança entre Moscou e Helsínque está constituída em proveito mútuo e representa um elo de confiança que, a nível regional, poderia ter grande proveito nas negociações de aproximação entre Federação Russa, Bloco Europeu e OTAN, nas quais a Finlândia poderia obter uma vantagem “soft” no jogo político. Observa-se também que o desejo de manutenção de relações com os finlandeses possui um grau alto de interesse não só pela proximidade, mas, sobretudo, pelas possibilidades estratégicas, frente a neutralidade finlandesa na geopolítica local.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5f/Merikasarmi_2008.jpg

Imagem 2 Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7b/Ministry_of_Foreign_Affairs_Russia-2.jpg/1071px-Ministry_of_Foreign_Affairs_Russia-2.jpg

Imagem 3 Sauli Niinistö 12o Presidente da Finlândia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sauli_Niinistö

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EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A aprovação da reforma política na Turquia[:]

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O presidente da República da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, sancionou no dia 10 de fevereiro deste ano (2017) uma proposta de reforma política que introduz o Presidencialismo no país, o qual, até então, funcionava sob as bases de uma República Parlamentarista. A proposta foi aprovada em 20 de janeiro pelo Parlamento Turco, tendo sido introduzida pelo governista Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), liderado pelo Primeiro-Ministro do país, Binali Yildririm. Tal remodelação se trata de uma promessa antiga de Erdogan, que atuou como Chefe de Governo entre 2003 e 2014 e obteve êxito em sua aprovação em razão da maioria absoluta que o AKP adquiriu no Parlamento, após as eleições de novembro de 2015. Nos últimos anos, o AKP tem adquirido presença cada vez mais significativa no cenário político turco, tendo se convertido no único partido da Turquia, após a Segunda Guerra Mundial, a ter conseguido governar durante quatro legislaturas consecutivas, colocando em questão os limites entre o Partido e o Estado.

No dia 16 de abril, a reforma foi legitimada por meio de Referendo popular, contando com o apoio de 51,4% da população contra 48,7%, de um total de aproximadamente 58 milhões de votos de eleitores turcos. De acordo com a agência turca Anadolu, as mudanças resultarão na unificação dos cargos de Chefe de Estado e Chefe de Governo na figura do Presidente, conferindo ao Chefe do Executivo o poder de promulgar Decretos, nomear Ministros e autoridades públicas e exercer maior influência na proposição de novos referendos populares, orientados para alterar a Constituição do país. O novo sistema também conferirá ao Presidente a faculdade de exercer funções partidárias, prerrogativa anteriormente vedada pela Constituição, o poder de dissolver o Parlamento, bem como abolir o cargo de Primeiro-Ministro.

Erdogan defende que a reforma promoverá uma maior eficiência do país, em que a divisão de poderes entre o Primeiro-Ministro, responsável pela administração, e o Chefe de Estado, responsável pelo Executivo, logo pela governança política, estaria limitando o desenvolvimento turco. Além disso, tal reforma vai ao encontro da plataforma do AKP que tem difundido a ideia da criação de uma nova Turquia, em que o partido teria um papel de vanguarda e promoção de mudanças econômicas, políticas e sociais.

Os críticos argumentam que Erdogan estaria visando se manter no poder até 2029 e impor, através da reforma, um regime ainda mais duro ao país, pois, conforme afirmam esses críticos, ele já apresenta tendências conservadoras e autoritárias, tendo, por exemplo, utilizado do sistema judicial para silenciar seus oponentes políticos. Cabe lembrar que, em 2013, no caso conhecido como Ergenekon, 17 pessoas acusadas de conspirar contra a derrubada do governista AKP foram condenadas à prisão perpetua, dentre elas vários oficiais de alto escalão do Exército. O líder do Partido Social Democrata e principal opositor do Presidente do Partido Republicano do Povo (CHP), Kemal Kilicdaroglu, tem questionado em diversos momentos o compromisso de Erdogan com a democracia no país.

Os resultados da reforma constitucional apresentam elevado grau de relevância, não apenas para o cenário doméstico turco, mas também para a comunidade internacional. A Turquia é um ator chave na região, tendo uma localização geográfica estratégica, posicionada entre a Europa e a Ásia, além de ser um membro de peso na Otan. O Ocidente encara a Turquia como parte da solução das principais questões que permeiam o Oriente Médio, além disso ela é vista pela União Europeia como parte vital dos esforços para controlar o fluxo de migrantes, acrescentando-se que o Governo dos Estados Unidos tem dado sinais de aproximação com o Governo turco.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Recep Tayyip Erdogan” (Fonte):

http://pncp.net/news/turkey-reform-proposals-include-changes-use-kurdish-language-and-islamic-headscarves

Imagem 2Apoiadores do Partido da Justiça e Desenvolvimento AKP” (Fonte):

https://www.pri.org/stories/2015-10-31/whats-stake-turkeys-upcoming-election

Imagem 3Conflito entre manifestantes e as forças de Segurança em frente à corte no julgamento do caso Ergenekon” (Fonte):

http://www.nationalturk.com/en/clash-between-the-security-forces-protesters-in-front-of-the-ergenekon-court-turkey-news-36413/

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COOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Missão Especial de Monitoramento para a Ucrânia e o desafio das minas terrestres[:]

[:pt] No último dia 23 de abril, a Missão Especial de Monitoramento (MEM)* para a Ucrânia sofreu sua primeira baixa. O incidente ocorreu quando um veículo da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, responsável…

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AMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Acordo entre Rússia, Irã e Turquia em relação a Síria preocupa o Governo dos EUA[:]

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Na última quinta-feira, dia 4, foi firmado entre Rússia, Irã e Turquia um acordo  chamado “zonas de descalcificação, que visa cessar os conflitos na Síria, começando em quatro áreas: a província de Idlib; Ghouta Oriental; um distrito sitiado da cidade controlada pelo Governo de Homs, 100 milhas ao norte de Damasco; e a região que fica ao sul da fronteira da Síria com a Jordânia, onde os Estados Unidos (EUA) estão apoiando as forças rebeldes contra militantes do Estado Islâmico.

O acordo entre as três potências foi realizado em Astana, capital do Cazaquistão, e propôs um cessar-fogo entre o Governo e as forças rebeldes a partir do sábado passado, dia 6. Dado isso, os métodos de demarcação do território seriam por intermédio de postos de controle supervisionados pelos três países.

Antes do acerto, na terça-feira, 2 de maio, o presidente Donald Trump e Vladimir Putin conversaram pela primeira vez ao telefone após o lançamento de misseis dos EUA à Síria no início do mês de abril, em reposta ao ataque químico naquele país. Durante o telefonema, ambos os presidentes concordaram que “o sofrimento na Síria durou muito tempo e que todas as partes envolvidas devem fazer tudo o que puderem para acabar com a violência”. A informação foi fornecida por meio de um comunicado da Casa Branca.

A Porta-Voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, afirmou que os EUA, mesmo não tendo participação direta com o que foi combinado, apoiam qualquer esforço em favor do fim da violência  e da guerra na Síria, no entanto, o envolvimento do Irã ainda é uma preocupação para os norte-americanos, visto que, conforme foi divulgado no The Washington Post, “As atividades do Irã na Síria só contribuíram para a violência e não para o impedimento da mesma”. Além disso, a Porta-Voz completou dizendo que o apoio incondicional do Irã ao regime de Assad “perpetuou a miséria dos sírios comuns”.

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do enviado especial Staffan de Mistura, também saudou o acordo entre os três países, e declarou que este é mais um passo para a trégua na Síria. Contudo, analistas internacionais alertam para um possível intuito subjacente a este acerto, baseados nas provisões de garantia dos próprios interesses do Irã, Rússia e Turquia no território Sírio.

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Imagem 1 O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente da Síria, Bashar alAssad” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Vladimir_Putin_and_Bashar_al-Assad_%282015-10-21%29.jpg

Imagem 2 O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente do Irã, Hassan Rouhani” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Ir%C3%A3_e_R%C3%BAssia#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_28.jpg

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

O caso das Testemunhas de Jeová na Rússia

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Em 2016, o Parlamento russo aprovou o Projeto de Lei 1039149 – 6, o qual foi introduzido no âmbito do Código Penal, que visa proteger o país contra as ameaças terroristas.

Recentemente, o Estado russo enquadrou a seita Testemunhas de Jeová como organização extremista, bem como proibiu seu funcionamento, realizando o confisco de seus bens, com base na nova legislação que declara no seu Artigo 282.2, Parte 2 que: “a participação na atividade de uma associação social ou religiosa ou outra organização, em relação as quais o juiz aceitou a decisão de liquidação ou a proibição de atividades relacionadas com o exercício da atividade extremista, será punido com multa de trezentos mil a seis mil rublos […], ou prisão por um período de dois a seis anos”.

As Testemunhas de Jeová são uma instituição religiosa que possui como fundamento de fé a rejeição de uma série de ações consideradas corriqueiras pelos não membros da instituição, como a prática de não votar e ser votado, a recusa em prestar serviço militar e fazer transfusões sanguíneas. Para os adeptos, esta última significa respeitar o texto bíblico de não ingerir o sangue, porque acreditam que a vida está no sangue. Esta é uma forma de interpretação textual da Bíblia, a qual é seguida pelos crentes da seita, mas que é vista de modo diferente, por exemplo, pelos cristãos e judeus que compartilham de valores similares.

O Jornal RIA Novosti noticiou o caso de Sergei Podlozhevich, um menino de 5 anos, cuja mãe Kogalym Podlozhevich recusou a transfusão de sangue, e um similar ocorrido, em 2010, quando uma mãe também não permitiu a transfusão para seu filho Vanya Orlukovicha, de 10 anos, que estava na mesa de operação, após ser vítima de um acidente de carro. No que tange a questão, o Presidente da Associação Russa de Centros de Estudo das Religiões e Seitas (RATSIRS) e perito religioso do Ministério da Justiça, Alexander Dvorkin, declarou: “Se um cidadão se recusa ao procedimento médico por conta própria é uma coisa. Mas se a organização proíbe (neste caso é) então é diferente”.

A tensão entre as Testemunhas de Jeová e o Estado russo levaram este último a declarar a religião como extremista. Ela já passou por diversas batalhas jurídicas internas e, neste momento, encaminha denúncia no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos* (CEDH) com o objetivo de fazer pressão internacional contra Moscou.

A situação da liberdade religiosa na Rússia sofreu um grande revés com a aprovação da legislação antiterrorista, a qual restringiu de modo considerável a atuação de instituições e grupos religiosos de diversos credos sob o argumento de proteção da população russa, se estas instituições adotarem condutas que possam ser consideradas pelo Governo como ofensivas e/ou secretas, pois, conforme apresentam autoridades do país, devido a crise internacional, estão ocorrendo infiltrações para haver confrontação e levar grupos a atuarem contra o Estado, o Governo e a Sociedade.

Consoante os analistas, nos últimos anos, a Rússia do presidente Vladimir Putin vem seguindo uma linha política que privilegia amplamente o nacionalismo e isto inclui ações com ênfase no fortalecimento do poder estatal frente a ameaças externas originárias de terceiros Estados, ou mesmo internas, devido a este momento de crise e ações internacionais contra o seu país. Neste último caso, tem-se o exemplo da fiscalização de instituições religiosas, quando estas adotam comportamento que podem levá-las a serem consideradas como confrontadoras ao Estado, à sociedade russa e a valores de preservação da vida.

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* O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos foi criado, em 1959, com sede na cidade de Estrasburgo, França. Sua jurisdição abrange os Estados que fazem parte do Conselho de Europa o que neste caso inclui tanto a Rússia como os demais da União Europeia (UE).

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Imagem 1 Praça Vermelha Moscou, capital da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/25/Moscow_July_2011-49.jpg/1280px-Moscow_July_2011-49.jpg

Imagem 2 Proibição de religião” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1c/No_Religion.svg/768px-No_Religion.svg.png

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Aumentam as tensões nas relações entre EUA e Rússia

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Na penúltima semana, foi noticiada a intervenção dos Estados Unidos (EUA) na Síria, após o Governo de Donald Trump ter interpretado o ataque químico naquele território, no dia 4 de abril (2017), como sendo responsabilidade de Bashar al-Assad, Presidente sírio. Contudo, além das fortes tensões entre esses dois países, os EUA ainda criaram um mal-estar nas relações com a Rússia, devido ao fato de este país ser um forte aliado do Governo Assad.

Durante uma coletiva apresentada no canal de notícias russo Mir 24, na quarta-feira passada, 12 de abril, o presidente Vladimir Putin afirmou que as relações com os EUA após a posse do presidente Trump pioraram em vários setores. Declarou: “Pode-se dizer que o grau de confiança em nossas relações, especialmente na área militar, não melhorou, mas, pelo contrário, deteriorou-se”.

No mesmo dia da coletiva, Putin reuniu-se com o Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, no Palácio do Kremlin, residência oficial dos presidentes russos, para tentar um apaziguamento nas relações entre ambos os países. Durante a longa conversa com duração de cerca de três horas entre os representantes de Estado, o resultado não mostrou alteração. A Rússia reforçou o apoio ao governo de Bashar al-Assad e Tillerson, apesar de apoderar-se de um tom mais brando, reiterou que o Presidente sírio deveria ser retirado do poder.

No dia seguinte a reunião, dia 13, o Porta-Voz do Kremillin, Dmitry Peskov, foi questionado sobre a reunião e se esta teve qualquer mudança positiva entre os países, ao que foi respondido: “Muito cedo ainda para afirmar”. No entanto, deixou claro que a reunião serviu para mostrar a necessidade de manter o diálogo em busca de possíveis soluções.

A posição de Trump quanto a reunião foi divulgada por meio de sua conta pessoal no Twitter, na qual disse que as relações entre ambos os países será resolvida e terá como resultado “uma paz duradoura”, adotando um tom conciliador em meio a uma crise que foi agravada no início deste mês, na noite de 6 de abril, quando os EUA realizaram o ataque com misseis Tomahawk contra a Base Aérea do Exército sírio, em resposta ao ataque do Governo que resultou na morte de 92 pessoas, entre elas 20 crianças.

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Imagem 1 Tillerson, em 2012, com o presidente russo Wladimir Putin” (Fonte):

https://de.wikipedia.org/wiki/Rex_Tillerson#/media/File:2012-04-16_%D0%92%D0%BB%D0%B0%D0%B4%D0%B8%D0%BC%D0%B8%D1%80_%D0%9F%D1%83%D1%82%D0%B8%D0%BD,_%D0%A0%D0%B5%D0%BA%D1%81_%D0%A2%D0%B8%D0%BB%D0%BB%D0%B5%D1%80%D1%81%D0%BE%D0%BD_(1).jpeg

Imagem 2 Um míssil Tomahawk sendo disparado pelo navio USS Arleigh Burke contra alvos do Estado Islâmico na Síria, em 2014” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Interven%C3%A7%C3%A3o_militar_na_S%C3%ADria#/media/File:Tomahawk_launch_from_USS_Arleigh_Burke_(DDG-51)_in_September_2014.JPG

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[:pt]Sobre o ataque químico a Idlib: O posicionamento norte-americano[:]

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A cidade de Khan Sheikhoun, na província de Idlib, na Síria, foi palco de mais um capítulo do conflito civil que entra em seu sexto ano, produzindo mais de cinco milhões de refugiados e 400 mil mortos.

As suspeitas e acusações de uso recorrente de artefatos químicos nas ofensivas do Governo de Bashar al-Assad contra a população síria sempre foi classificado pela comunidade internacional como crime de guerra e visto uma linha tênue que pressiona para intervenções mais estruturadas por parte da coalizão liderada por países ocidentais e seus aliados árabes. Contudo, conforme vem sendo relatado por entidades internacionais, este ataque é apenas o último dos já produzidos pelo regime Assad, desde 2014.

De acordo com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) e o Mecanismo Conjunto de Investigações da Organização das Nações Unidas (JIM, na sigla em inglês), as Forças Armadas da Síria foram responsáveis por três ataques com armas químicas em 2014 e 2015. Em parte, essas ofensivas envolveram o uso de helicópteros, equipamentos que apenas o regime sírio possui e servem para despejar munições carregadas com barris de cloro.

A organização humanitária Human Rights Watch, em recente documento verificado, também concluiu que houve ao menos oito outros ataques químicos entre novembro e dezembro de 2016, associados, em sua maioria, aos ataques do Governo à região de Aleppo. Da mesma forma, a Missão de Investigação da OPCW na Síria, também registrou os mesmos supostos oito ataques.

Na perspectiva humanitária, o cenário se torna mais alarmante, segundo especialistas em segurança internacional, pois as vítimas destes ataques concentram grandes traumas psicológicos e outros riscos adicionais devastadores, principalmente para crianças e idosos. Em complemento, ainda de acordo com especialistas, o ataque químico costuma suceder uma ofensiva de cunho convencional, haja vista que a expulsão de civis de áreas abrigadas os torna vulneráveis aos bombardeios. Essa tática de duas pontas, que também não poupa alvos em hospitais, garante que os civis sitiados sintam que não há regiões seguras para se protegerem.

No que tange a esfera político-diplomática, o complexo xadrez geopolítico com diversos atores participando direta ou indiretamente do conflito possivelmente gerará desdobramentos que ampliarão os limites e criará bases que culminarão em maior esforço bélico.

Apesar da administração Trump, próxima de completar 100 dias, destacar seu pouco interesse em matéria de segurança internacional, priorizando restabelecer o papel comercial e econômico dos EUA no sistema internacional, a ofensiva contra a Base Aérea de Shayrat em Homs poderá mudar o panorama do conflito, em especial sobre os desdobramentos que Moscou poderá dar, após a intervenção estadunidense contra um aliado seu e em Zona de Influência russa.

Nesse sentido, como parte dos passos futuros a serem dados pelo presidente Trump, alguns especialistas em política e membros do alto escalão governamental em Washington acreditam que um esforço integrado com o uso de Forças Especiais em solo, ataques aéreos em instalações de infraestrutura e instalações militares, e com a inserção de investigadores no terreno para reunir provas físicas e entrevistar testemunhas e vítimas, será fundamental para que o Conselho de Segurança pressione a Síria e limite o papel de proteção de Moscou ao Governo Assad no conflito.

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* Assegurando que o registro completo desses crimes não seja perdido.

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Imagem 1 Míssil Tomahawk sendo lançado do USS Philippine Sea e do USS Arleigh Burke em alvos do Estado Islâmico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/American-led_intervention_in_Syria#/media/File:Tomahawk_Missile_fired_from_US_Destroyers.jpg

Imagem 2 Mapa que ilustra todas as regiões já bombardeadas pela Força Aérea dos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/American-led_intervention_in_Syria#/media/File:Strikes_in_Syria_and_Iraq_2014-09-23.jpg

Imagem 3 Mapa que ilustra todas as regiões que são afetadas pelo conflito civil sírio” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_Civil_War#/media/File:Syrian_Civil_War_map.svg

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