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Ataque com faca, em ponte de Londres, agita campanha eleitoral

A London Bridge, ponte localizada próxima ao centro financeiro de Londres, foi mais uma vez palco de um ataque*, considerado como um atentado terrorista pela polícia local. Na tarde do dia 29 de Novembro de 2019, Usman Khan, de 28 anos, esfaqueou e levou a morte Jack Merritt, de 25 anos, e Saskia Jones, 23. Ambos eram ex-alunos de Direito da renomada Universidade de Cambridge e trabalhavam juntos em um programa de reabilitação de prisioneiros. Usman Khan havia sido condenado, em 2012, por conspirar ataques terroristas à cidade de Stoke-on-Trent e à Bolsa de Valores londrina. O assassino havia sido liberado em 2018, com o uso de tornozeleira eletrônica, ao cumprir metade da sua sentença.

Barreiras foram colocadas na ponte para protegerem os pedestres, após os ataques de 2017

O ataque fez com que o tema da Segurança e Terrorismo ganhasse destaque na campanha pelas eleições parlamentares. O atual Primeiro-Ministro, Boris Johnson, candidato para permanecer no cargo, prometeu sentenças mais duras para os acusados de terrorismo e declarou que “é um erro deixar que criminosos violentos saiam da cadeia com antecedência”. Além disso, Boris quis eximir seu Partido da culpa pela soltura de Khan, e acusou o “Governo esquerdista” do Partido Trabalhista** (Labour Party) como responsável pela libertação prévia do assassino.

Jeremy Corbyn, líder do Labour Party, disse que é necessário “investigar detalhadamente todos os aspectos de como opera o sistema de justiça criminal” e julgou o ataque como um “completo desastre”. Corbyn, porém, ao ser entrevistado pelo canal Sky News, afirmou que os acusados de terrorismo não deveriam necessariamente cumprir suas sentenças completas automaticamente. Segundo ele, “isto depende das circunstâncias e do tipo da sentença, mas, crucialmente, depende do que eles [condenados] têm feito na prisão”, além disso, o líder afirmou que as cadeias devem ser “um lugar que possibilite a reabilitação dos presos”. O pai de Jack Merritt, uma das vítimas, lembrou à mídia que seu filho “acreditava apaixonadamente na reabilitação e na justiça transformativa”.

Partidos estão na disputa pelo controle do Parlamento

Ambos os partidos foram duramente criticados por se aproveitarem do ataque para politizar o assunto. A discussão ocorre a poucos dias das eleições marcadas para o dia 12 de Dezembro de 2019. Uma recente pesquisa demonstrou que a questão da Segurança é a terceira maior preocupação dos eleitores britânicos na atualidade, perdendo para a Saúde Pública, em segundo lugar, e para o Brexit, na primeira colocação.

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Notas:

* Em 2017, um ataque terrorista na ponte e seus arredores deixou 7 mortos e 48 feridos.

** O Labour Party governou o país entre maio de 1997 e maio de 2009, durante os governos de Tony Blair e Gordon Brown.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Homenagens às vítimas dos ataques na London Bridge em 2017” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:London_Bridge_floral_tributes.jpg

Imagem 2Barreiras foram colocadas na ponte para protegerem os pedestres, após os ataques de 2017” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:London_Bridge_security_barriers.jpg

Imagem 3Partidos estão na disputa pelo controle do Parlamento” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Prime_Minister%27s_Questions_(Full_Chamber).jpg

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A cooperação báltica em Defesa

Nas últimas semanas, os Chefes do Estado-Maior da área de Defesa da Estônia, Letônia, e Lituânia reuniram-se em Tallinn, Estônia, para tratarem sobre cooperação e desenvolvimento conjunto na pauta de Defesa. Diante da proximidade e histórico comum dos países bálticos, é natural que ambos os Estados compartilhem informações e busquem aumentar suas capacidades operacionais.

Em relação às questões discutidas durante a reunião destacam-se os exercícios conjuntos, atividades do Colégio de Defesa do Báltico, contribuições em operações externas, vigilância aérea na área dos três Estados, sistema de gestão Balnet e cooperações diversas em ramos de Defesa. As autoridades militares dos Estados bálticos compreendem que essas são medidas viáveis para aperfeiçoar a contribuição coletiva e demais atividades regionais.

Os países do Báltico são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a qual é de grande valia para o planejamento da defesa dos atores locais, todavia, isso não significa dependência do aparato da OTAN para a defesa de suas soberanias. O organismo internacional é um aliado importante, mas, os países bálticos buscam intensificar seu diálogo entre si na hipótese de terem que responder com seus próprios esforços.

Brig. General da Estônia Veiko-Vello Palm

No tangente à reunião, o jornal The Baltic Times trouxe a fala do chefe de gabinete das Forças de Defesa da Estônia, o Brig. General Veiko-Vello Palm, o qual afirmou: “O objetivo de tais reuniões é principalmente aumentar a consciência comum da situação, mas também lidamos com questões muito práticas – seja o desenvolvimento da Baltnet, mas também questões relacionadas ao desenvolvimento operacional ou de capacidade. Isso não é simplesmente troca de informações, mas estamos tentando entender como poderíamos proteger melhor nossos países e regiões no presente e no futuro”.

Os analistas entendem a situação como parte rotineira de países interessados em cooperação regional na área de Defesa, os quais devem ter o provimento próprio para a garantia de suas necessidades militares. Todavia, também é compreendida a possibilidade de uma hipotética ameaça da Federação Russa às repúblicas bálticas, seja pela hipótese do avanço de uma política externa mais agressiva por parte dos russos, seja por conta do passado soviético comum a todos os atores.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa dos Países bálticos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7d/Baltic_states_regions_map%28pt%29.png

Imagem 2 Brig. General da Estônia VeikoVello Palm” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/77/Veiko-Vello_Palm.jpg

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Esperanças para a Ucrânia na Cúpula “Normandy Four”, a ser presidida em Paris

O presidente da França, Emmanuel Macron, convidou seus confrades do Normandy Four (“Os quatro da Normandia”, em tradução livre) a se reunirem em Paris no dia 9 de Dezembro deste ano (2019), para dar continuidade aos diálogos conhecidos como “Normandy Format” (formato normando), sobretudo para discutir os conflitos na região de Donbass. Rússia, Alemanha, França e Ucrânia participarão da cúpula, cujas negociações serão retomadas após três anos de recesso.

Os líderes das nações comprometidas a resolverem os conflitos que iniciaram em 2014 no leste da Ucrânia possuem diferentes expectativas quanto ao resultado do encontro. De acordo com Steven Pifer, ex-embaixador americano na Ucrânia, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pende para um acordo de paz, Moscou parece interessada em sustentar a guerra.

Neste contexto, o Atlantic Council aponta que o Kremlin afirma abertamente sua vontade de ter reconhecidas as auto-proclamadas “repúblicas” russas criadas em Donbass e que o governo ucraniano as incorpore numa Ucrânia federalizada de-facto. Após os incidentes com a Crimeia, a influência russa na região traz sentimentos de um restabelecimento da União Soviética, de modo que analistas inferem que, caso Zelensky não seja fortemente interpelado pela França e pela Alemanha frente a Putin, é tempo de abandonar ou de expandir o formato normando. Pifer acredita que, caso falhem as negociações, os Estados Unidos devem intervir junto aos países europeus, tornando o engajamento militar da Rússia mais oneroso, ou mesmo criando um plano próprio de paz.

Visita Oficial de Zelensky à Alemanha

A maneira como Macron e Merkel vão se portar na cúpula não é clara. A chanceler alemã apoia o controverso projeto Nord Stream 2 de passagem de gás da Rússia para a Alemanha pelo Norte, no Mar Báltico. Macron, por sua vez, tem se destacado pelas críticas à OTAN e pelo bloqueio da Macedônia para se unir à União Europeia, movimentos que condizem com posicionamentos políticos russos. 

Zelensky tem adotado uma posição conciliatória, porém, firme. Tal como o caso em que Kiev recusou-se a negociar diretamente com as administrações em Donetsk e Luhansk e a garantir anistia a quem cometeu crimes no leste ucraniano. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vadym Prystaiko, destacou que Kiev está disposta a assumir compromissos, mas não irá mexer em questões fundamentais. O governo de Zelensky surpreendeu desde o início ao mostrar resiliência e vontade de cooperar: um cessar fogo de que interveio “durou mais que os anteriores”, “houve troca de prisioneiros de alto escalão e uma retirada parcial de tropas foi acordada e implementada”.

Gwendolyn Sasse, pesquisadora na Carnegie Europe, afirma que os países negociadores devem manter em mente que “os residentes dos territórios não controlados pelo governo expressam preferência por permanecer no Estado ucraniano”. Entre os tópicos levantados por Kiev a serem discutidos, a lei sobre o status especial de Donbass, projetada nos acordos de Minsk, é crucial, mas Moscou rebate dizendo ser “inadmissível” a revisão dos protocolos. Para a próxima Normandy Four, apenas é certo que Putin e Zelensky concordam que a expectativa maior é que a cúpula produza “acordos de ferro”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Diálogos Normandos em Minsk 2015” (FonteKremlin.ru): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Normandy_format_talks_in_Minsk_(February_2015)_03.jpeg

Imagem 2Visita Oficial de Zelensky à Alemanha” (FonteАдміністрація Президента України [CC BY 4.0): https://creativecommons.org/licenses/by/4.0); https://www.president.gov.ua/en/photos/oficijnij-vizit-prezidenta-ukrayini-do-federativnoyi-respubl-2981

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Possíveis sanções norte-americanas ao Egito por compra de caças russos

Entre os dias 17 e 21 de novembro ocorreu o evento em Dubai para demonstração de tecnologias aeroespaciais, com presença de especialistas na área. Durante o encontro, René Clarke Cooper, Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Político-Militares dos Estados Unidos, comentou sobre o risco de possíveis sanções ao Egito e o impedimento de futuras aquisições de produtos militares pelo país. No início do ano (2019), o Egito realizou um acordo de 2 bilhões de dólares (aproximadamente, 8,39 bilhões de reais, conforme cotação e 22 de novembro de 2019) com a Rússia para a compra de mais de 20 aeronaves Sukhoi Su-35, com previsão de entrega para 2020-2021. O Secretário também afirmou que a compra de aeronaves e sistemas de armas russas afeta a capacidade de operar conjuntamente com as Forças Armadas dos EUA e países da OTAN.

O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o Secretário de Defesa, Mark Esper, alertaram o Ministro da Defesa egípcio, Mohamed Ahmed Zaki Mohamed, sobre a possível resposta dos Estados Unidos. A ação norte-americana estaria amparada na Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act (CAATSA) (Lei de Combate aos Adversários da América por Sanções). Aprovada no dia 27 de julho de 2017, impôs sanções ao Irã, Coréia do Norte e Rússia. Dessa forma, os países que realizam transações com esses Estados podem receber sanções secundárias. No caso russo, relaciona-se aos setores de Defesa e Inteligência e teve sua justificativa pela sua contínua participação nos conflitos com a Ucrânia e Síria, e acusações de interferência na eleição de 2016.

O Egito é tradicionalmente um aliado dos EUA, sendo beneficiado pelo auxílio militar e econômico norte-americano de cerca de 1,3 bilhão de dólares anualmente e consumidor de seus produtos, como blindados Abrams, helicópteros Apache e aeronaves F-16. Pela falta de resposta dos EUA sobre a compra de por volta de 24 aeronaves F-35, o acordo do Egito com a Rússia seria uma maneira de diversificar sua rede de fornecedores de bens militares. Durante o governo de Abdel Fattah al-Sissi, Presidente do Egito, a partir de 2014 foram realizados acordos com França e Alemanha para compra de ativos como fragatas, aeronaves, submarinos e helicópteros, além de nutrir relações econômicas e políticas com China, Rússia, Europa Ocidental e África Subsaariana, numa tentativa de obter uma política externa mais balanceada.

Sukhoi Su-35

Nos últimos anos também ocorreu interrupção da assistência militar ao Egito pelas preocupações dos EUA sobre violações de direitos humanos no país. Assim, há uma maior aproximação entre Egito e Rússia. Em 2017 foi autorizada a utilização de bases aéreas por aeronaves militares russas e, no decorrer dos dias 1 a 8 de novembro, ocorreu exercício militar entre os países. O Ministro da Defesa da Federação Russa, Sergei Shoigu, em visita a Cairo, no dia 12 de novembro, para a sexta sessão da Comissão de Cooperação em Defesa, concentrou-se em debates sobre segurança regional e maior cooperação em Defesa. Também comentou sobre a disposição para auxiliar no fortalecimento das Forças Armadas egípcias, assim como em sua capacidade defensiva.

Mas, apesar dessa aproximação, segundo Eugene Rumer, especialista da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, a Rússia não tem os recursos que o Egito necessita e o segundo não tem o orçamento para arcar as propostas russas. Assim, a dependência egípcia com os EUA previne que o mesmo ofereça o acesso estratégico e influência geopolítica à Rússia na região. De acordo com Michael Hanna, pesquisador da Fundação Century, em Nova Iorque, é provável que haja sanções, pois, a compra de Su-35 pode ser um grande problema na relação entre Egito e EUA. No entanto, não é claro o que acontecerá e se a lei CAATSA será utilizada como no caso da Turquia*.

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Nota:

* A Turquia realizou a compra do sistema de mísseis de defesa anti-aérea S-400 da Rússia no início do ano (2019), levando a uma resposta dos EUA. O presidente norte-americano Donald Trump parou de impor sanções à Turquia, mas declarou ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan que, para manter a relação entre os países, seria necessário que o sistema fosse destruído, compartimentado ou devolvido a Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente dos EUA, Donald Trump, e Presidente do Egito, Abd ElFattah ElSisi” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Egypt–United_States_relations#/media/File:Donald_Trump_greets_the_President_of_Egypt,_Abdel_Fattah_Al_Sisi,_May_2017.jpg

Imagem 2Sukhoi Su35” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sukhoi_Su-35#/media/Ficheiro:MAKS_Airshow_2015_(20615630784).jpg

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O aditivo para a redução de metano e o setor agropecuário danês

A questão climática é uma causa política de destaque para os Estados da atualidade, seja pela construção de uma sociedade sustentável, seja pela preservação dos biomas, e, para a Dinamarca, essa é uma pauta de grande significado, visto que o país escandinavo possui ambiciosas metas ambientais para as próximas décadas.

As mudanças climáticas afetam o cotidiano de todas as pessoas e influem diretamente nas atividades produtivas de muitos setores econômicos. O setor agropecuário é o mais tradicional para qualquer Estado, pois ele é responsável por grande parte do abastecimento interno e pela exportação de produtos do gênero para milhões em todo o mundo.

Uma das razões de preocupação dos ativistas é a emissão de metano produzida pelo gado, a qual contribuiria para aumento do aquecimento global. Todavia, pesquisadores dinamarqueses da indústria de laticínios Arla desenvolveram uma substância capaz de neutralizar as emissões de metano das vacas.

Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios

O Jornal The Copenhagen Post trouxe a opinião da professora Mette Olafsen Nielsen da Universidade de Aarhus, a qual afirmou sobre o assunto: “Em um laboratório da Universidade de Copenhague, conseguimos documentar que, quando essa substância é adicionada à alimentação, simplesmente não há em emissões de metano, como em zero”.

A medida animou o mercado do setor, que já tem a aprovação da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Essa substância pode ser adicionada na alimentação dos animais e promete efeitos positivos. A professora Nielsen acredita que o produto esteja no mercado em 2020 e 2021 e que inicialmente reduza as emissões em cerca de um terço.

Os analistas observam a notícia com alegria, pois beneficia agropecuaristas e o clima à medida que tende a contribuir para uma vida sustentável. Todavia, o principal termômetro dessa inovação é o consumidor, o qual determinará a importância econômica da ação, pois estimulará a compra de produtos de origem verde ou não.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Raça dinamarquesa de gado RDM” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/R%C3%B8d_dansk_malkerace_RDM.jpg

Imagem 2 Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG/1280px-Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG

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Adoção de crianças na Rússia pode ser a chave para salvar complexos rurais

Vilarejos ao norte da Rússia, em áreas remotas entre as grandes metrópoles de Moscou e São Petersburgo, estão sofrendo uma crise demográfica, inerente aos efeitos da globalização, qual seja o intenso fluxo de pessoas e informação e a procura de novas oportunidades. A expansão iminente da Rússia como ator global e regional após as reformas iniciadas com o presidente Mikhail Gorbachev (Glasnost e Perestroika) vulnerabilizou as áreas rurais, que, agora, sofrem com déficit de população economicamente ativa.

Após a dissolução da União Soviética, a demografia russa entrou em declínio. De acordo com a Radio Free Liberty, a população da Rússia diminuiu em 5 milhões de habitantes desde 1991 e cerca de 26.000 escolas fecharam suas portas nas últimas duas décadas, sendo 22.000 delas na zona rural. Neste contexto, muitas crianças são entregues para adoção (relembrando que na época soviética não havia o termo “acolhimento” e “adoção” era o termo generalizado, o que ainda hoje ocorre), porque seus tutores já não podem mantê-las ou foram incapazes de levá-las consigo na jornada em busca de trabalho.

Crianças de Kitezh e Orion

Em Brodi, 500 quilômetros ao norte de Moscou, esses jovens são acolhidos por famílias que desejam compartilhar seu lar e manter vivas as tradições do lugar onde nasceram. Os lares permitem às crianças viver uma juventude saudável, ao mesmo tempo que evitam o desaparecimento gradual do vilarejo e despertam esperança em seus conterrâneos. O vilarejo, que hoje conta com apenas três escolas, credita a sobrevivência das instituições aos esforços dos “pais adotivos”. Gennady Chistyakov, um dos diretores de escola, crê que os arranjos beneficiam as crianças e o mecanismo de sobrevivência das vilas, pois, enquanto o Estado suporta as pessoas que cuidam dos órfãos”, elas não saem em busca de trabalho em outros lugares. Em contrapartida, os jovens não precisam crescer em orfanatos.

A professora Yekaterina Solovyova já acolheu 11 crianças desde 1998. Uma sanção imposta pela Federação Russa aos Estados Unidos em 2012, proibindo a adoção de crianças russas por americanos, agravou a crise de órfãos e obrigou o país a estimular internamente a adoção/acolhimento, o que ajudou pessoas como a professora Yekaterina. Hoje, ela conta com uma ajuda mensal do governo equivalente a US$ 94.00 (aproximadamente R$386,0, na cotação de 19/11/2019) por criança. Solovyova diz que não o faz pelo dinheiro, e explica que “Quando há crianças na vila, quando há uma escola, o vilarejo vive (…) significa que a vila não vai morrer”.

Família russa com filhos sem distinção

Contudo, embora Brodi conte com a ajuda de moradores e professores para manter a cidadela viva por ora, há uma preocupação legítima com a nova geração de docentes e profissionais em geral. Talvez, a resposta para este desafio esteja em outros projetos similares, como, por exemplo, a Vila Orion, fundada em 2004 por Dmitry Morozov, o qual recebeu uma Ordem de Honra do próprio presidente Putin em 2007.

Com um conceito um pouco distinto, a vila é composta por famílias de acolhimento que vivem com seus rebentos de sangue e ainda com seus filhos acolhidos em casas individuais. Conforme retratado pela BBC News, os órfãos são convidados a se juntarem às famílias, e todas as atividades desenvolvidas no âmbito das comunidades do complexo são centradas no desenvolvimento das crianças.

Por tratarem os jovens acolhidos com respeito e carinho, as pequenas comunidades russas podem contar com aliados para manter o legado de gerações que se foram e ainda estão por vir.    

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Comunidade para Crianças Orion” (Fonte): https://www.ecologia.org.uk/kitezh-orion/

Imagem 2 Crianças de Kitezh e Orion” (Fonte): https://www.ecologia.org.uk/wp-content/uploads/2014/06/Kids-Band-1140×460.jpg

Imagem 3Família russa com filhos sem distinção” (Fonte): https://files.globalgiving.org/pfil/14787/ph_14787_70850.jpg?m=1425332832000