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Kosovo estabelece criação de Forças Armadas próprias

No dia 18 de outubro de 2018, a Assembleia do Kosovo aprovou a transformação das atuais Forças de Segurança em Forças Armadas, a ser efetivada dentro do período de 10 anos. O Parlamento decidiu com 98 votos, dos 120 deputados (cerca de 82%), para que a proposta fosse aceita. Este movimento é importante, já que o país busca afirmação no cenário internacional a fim de legitimar o seu processo de independência da Sérvia.

População Sérvia do Kosovo (em 2011)

O Kosovo é um dos Estados que se fragmentou da antiga República Iugoslava, mas que, ao contrário dos outros países – Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Montenegro –, não conseguiu a ampla legitimação de seu pleito de soberania da Sérvia, onde ficou a principal região que compunha a Iugoslávia, inclusive a capital do país, Belgrado. Atualmente, o Kosovo é reconhecido por 116 países das Nações Unidas (ONU), sendo que o Brasil não é um deles.

Desde 1999 existe uma missão da ONU no país para a manutenção de paz, após forças sérvias tentarem minar o processo de separação kosovar. A partir de então, outras missões foram instaladas com a prerrogativa de garantir a segurança interna, como foram os casos da OTAN (KFOR) e União Europeia (EULEX). Com a criação de Forças Armadas próprias, a preocupação reside na minoria sérvia que vive no norte do país. O fato pode gerar aumento na tensão da região, visto que a Sérvia não reconhece o Kosovo como Estado independente e que não irá aceitar forças armadas que não sejam as que já se encontram ali.

Cerca de 4.000 militares estão alocados no Kosovo a partir das missões já estabelecidas. A ideia das Forças Armadas é formar um corpo de 5.000 soldados, o que, em termos de números, substituiria o atual contingente no país. A partir desse cenário, é preciso observar os próximos acontecimentos no que diz respeito à região para identificar se, de fato, os kosovares conseguirão implementar essa política de defesa ou se a Sérvia irá tomar medidas mais enérgicas para evitar que aconteça.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Forças Armadas do Kosovo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kosovo_Armed_Forces.jpg

Imagem 2População Sérvia do Kosovo (em 2011)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kosovo_Serb_population_in_2011.png

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Rússia e a nova “Crise dos Mísseis”

Logo após o anúncio da retirada dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Federação Russa, proferida pelo presidente Donald Trump, em 20 de outubro de 2018, a comunidade internacional ingressou em uma nova “Crise dos Mísseis”*, de acordo com a visão de analistas, e que, desta vez, não envolveria somente a bipolaridade entre EUA e a Rússia, mas, também, a inserção de novos agentes geopolíticos dentro desse conflito.

Míssil russo RS 24 Yars

O desequilíbrio político-militar se deu sob a alegação por parte dos EUA de que a Rússia apresentou desrespeito ao acordo de redução de mísseis de médio alcance, ao mesmo tempo que apresenta uma disposição baseada na Revisão da Postura Nuclear da administração Trump em investir pesadamente no desenvolvimento de arsenal que faça frente à suposta ameaça russa, e também coloca a China como potencial inimigo na questão de fabricação e disposição de mísseis de médio e longo alcance, já que esta nação não está incluída no Tratado e vem se destacando no cenário mundial com avanços significativos em desenvolvimento de mísseis convencionais e nucleares, alterando sua estratégia de dissuasão** e passando para uma estratégia chamada de “retaliação garantida”, pela qual uma resposta nuclear seria efetiva e danosa ao seu oponente em caso de confronto.

Outro ponto crítico nesse desequilíbrio sistêmico seria a demonstração de poder bélico por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aumentando a intensidade de treinamentos operacionais e de combate nas regiões fronteiriças da Federação Russa e da República de Belarus (Bielorrúsia), incluindo também exercícios relacionados ao uso de armas nucleares. Por sua vez, a Federação Russa, apesar de demonstrar o desejo de não ser “arrastada” para um conflito militar com o Ocidente, já informou que essas ações prejudicam sua estabilidade estratégica, o que obrigaria o país a tomar medidas de retaliação.

Segundo o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já que os norte-americanos decidiram sair do Tratado INF, eles devem revelar seus futuros planos no controle de armamentos, acrescentando que a falta de transparência é inadmissível e estendeu essa preocupação ao conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, quando este estava em visita à Moscou, em 22 de outubro (2018).

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Notas:

* Crise dos mísseis de Cuba, também conhecida como a Crise de Outubro, foi um confronto de 13 dias (16-28 outubro de 1962) entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba e que levaria o mundo à beira de uma guerra nuclear.

** A estratégia de dissuasão nuclear, muito utilizada no período da Guerra Fria entre EUA e União Soviética, é baseada num equilíbrio induzido pelo perigo do holocausto nuclear (Destruição Mútua Assegurada). Esta relação de forças traduzia-se num verdadeiro paradigma em que o equilíbrio do terror funcionava como a garantia da estabilidade e paz mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Silo com míssil nuclear R36 russo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Dnepr_inside_silo.jpg/330px-Dnepr_inside_silo.jpg

Imagem 2Míssil russo RS 24 Yars” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG/1200px-PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG

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Portugal aumenta gastos em Defesa, seguindo tendência da OTAN

O Governo de Portugal anunciou a proposta de Orçamento de Estado para o ano de 2019, com um aumento de 17,5% nos gastos de Defesa. O esforço português demonstra-se uma tendência dos países pertencentes à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em alcançar o mínimo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste setor. Outros exemplos que seguem essa tendência são a Polônia e a Turquia.

Países-Membros da OTAN (Europa): por data de afiliação

No caso polonês, o intuito é de adotar os planos de modernização das Forças Armadas previstos na Revisão Estratégica de Defesa. Também projeta o gasto na área em 2,2% do PIB até 2020 e 2,5% até 2030, o que, em números atuais, significaria o segundo maior orçamento da OTAN, atrás somente dos Estados Unidos da América (EUA). Já a Turquia, por sua vez, se comprometeu a adotar os 2% do PIB estipulados no Congresso da OTAN em Gales, em 2014. O objetivo, segundo o governo turco, é de que o país passe dos atuais 1,68% para o valor mínimo até 2024.

O fato é que os EUA vêm pressionando os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, sobretudo na administração do presidente Donald Trump, quanto ao mínimo de gastos em Defesa, sugerindo, inclusive, diminuir os seus próprios gastos nessa pasta. O evidente interesse demonstrado na China durante a campanha presidencial, em 2016, e agora na conhecida Guerra Comercial com o país do leste asiático indicam que Trump está mais preocupado com esta última do que com a Rússia.

Retornando a Portugal, vale lembrar que passou por uma forte crise econômica nos últimos 10 anos, recuperando-se recentemente. Isto posto, considerando que a realidade europeia não foge à regra portuguesa, uma vez que esta crise assolou todo o continente, é difícil imaginar que os EUA consigam fazer com que os membros da OTAN adotem o mínimo estabelecido no curto prazo. Portanto, é interessante notar os esforços da Organização em aumentar os gastos em Defesa, mas, na prática, é muito mais simbólico do que impactante.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Brasão Militar de Portugal” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Military_CoA_of_Portugal.svg

Imagem 2PaísesMembros da OTAN (Europa): por data de afiliação” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:History_of_NATO_enlargement.svg

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A Estônia almeja vaga no Conselho de Segurança

O Estado estoniano está investindo pesado no sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), pois pretende submeter sua candidatura a Membro Não Permanente do Conselho de Segurança da instituição. Diante dessa postura, Tallinn* reservou cerca de 800.000 euros** para apoiar as atividades da ONU e de outras organizações internacionais relacionadas ao desenvolvimento e ajuda humanitária.

Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser

O jornal The Baltic Times apresenta uma relação de organismos e os valores que serão doados pela Estônia como contribuição. Dentre os principais se destacam: o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com alocação de 150.000 euros; o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com 75.000 euros; e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), com a doação de 60.000 euros. Em programas com doações menores tem-se: a Equipe de Peritos da ONU sobre o Estado de Direito e Violência Sexual em Conflito, que receberá 50.000 euros; o Fundo Voluntário da ONU para Povos Indígenas (UNVFIP), para o qual irão 20.000 euros; e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime que obterá a quantia de 5.000 euros**.

O empenho estoniano em auxiliar os programas da ONU é coerente com o discurso do Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser, o qual defendeu que os países devem ter voz ativa nas temáticas importantes da instituição.

No tangente a essa pauta, o jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Ministro:  A Estônia acredita que todos os países, independentemente de sua localização geográfica e tamanho, devem ter voz ativa em temas importantes da ONU. Queremos tornar o mundo um lugar mais seguro e tornar-se membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU é o nosso próximo objetivo”.

Os analistas atentam para a movimentação do país sobre as atividades da ONU e compreendem que não é coincidência a relação entre as contribuições financeiras e o propósito de concorrer a uma cadeira no Conselho de Segurança. Observa-se que o Estado estoniano está realizando o esperado para um ator que almeja ter maior posição no cenário internacional, visto que sem atuação na direção que vem seguindo não existe perspectiva de ganho de votos.

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Nota:

* Tallinn: capital da Estônia utilizada no contexto para representar o Estado.

** A cotação do Euro em relação ao Real Brasileiro, em 18 de outubro de 2018, é:

1 EUR (Euro) = 4,23943 BRL (Real Brasileiro).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Conselho de Segurança da ONU” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/United_Nations_Security_Council_4-3-crop.jpeg

Imagem 2 Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/20/SDE_Sven_Mikser.jpg/519px-SDE_Sven_Mikser.jpg

                                                                                             

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A crise política no governo da Groelândia

A Groelândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca, desde 1979, localizada nas proximidades da costa leste do Canadá. A Ilha possui pouco mais de 55.000 habitantes e um Parlamento unicameral (Inatsisartut), composto por 31 membros eleitos.

A atual crise política se deve aos desentendimentos partidários na região, quando, em 9 de setembro deste ano (2018), o Partii Naleraq (Partido da Independência) deixou o governo após discordar sobre o modelo de financiamento de 3 edifícios aeroportuários.

Kim Kielsen, Presidente do governo autônomo da Groelândia

O Presidente do governo autônomo, Kim Kielsen, do Siumut (Partido Social-Democrata) costurou alianças políticas nas últimas semanas para encerrar a situação de inércia do Inatsisartut. O resultado foi a composição de um governo com o Siumut, o Atassut (Partido da Comunidade) de tendência conservadora, e o Nunatta Qitornai (Partido Independentista), com inclinação separatista.

O objetivo do novo acordo é possibilitar que os partidos tenham pontos de convergência como a pesca, a extração de matérias-primas, e a economia, e desta forma dificultar a queda da nova administração. O jornal Jyllands Posten trouxe algumas palavras de Kielsen sobre o tema: “É um acordo de coalizão mais curto comparado ao último acordo”.

Os analistas destacam a rapidez com que a crise política foi resolvida, sem prejuízos à população e à economia, e também sinalizam o dinamismo democrático presente na sociedade groelandesa, que conseguiu reunir perspectivas comuns apesar da saída da maioria do Inatsisartut.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nuuk, capital da Groelândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5a/Nuuk_city_below_Sermitsiaq.JPG/1024px-Nuuk_city_below_Sermitsiaq.JPG

Imagem 2 Kim Kielsen, Presidente do governo autônomo da Groelândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b7/Kim_Kielsen%2C_Siumut_%28S%29_Gronland._Nordiska_radets_session_i_Reykjavik_2010.jpg/640px-Kim_Kielsen%2C_Siumut_%28S%29_Gronland._Nordiska_radets_session_i_Reykjavik_2010.jpg

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O Papa visita a Lituânia

O Papa Francisco iniciou sua viagem pelos Estados bálticos na Lituânia, onde permaneceu por 2 dias, sendo recebido pela Presidente do país, Dalia Grybauskaitė, pelo chanceler Linas Linkevicius, pelo representante lituano junto a Santa Sé, Peter Zapolskas, e por representantes do governo e da sociedade na capital Vilnius.

Catedral de Vilnius

A visita apostólica é feita em momento especial para os bálticos e para os lituanos, pois, em 2018, os povos comemoram o centenário de restauração da independência. Ao contrário das datas oficiais, que se dão em relação ao ano de 1991, os Estados desta região rememoram o dia pátrio a partir da declaração original de independência, em 1918, visto que depois foram ocupados e anexados pelos soviéticos, em 1940.

No dia 22 deste mês (setembro) Francisco, no Palácio Presidencial, estimulou a nação lituana a ser aberta e compreensiva, de forma a se tornar uma ponte entre a Europa Oriental e a Ocidental. As palavras do Papa vão ao encontro da capacidade de acomodação da Lituânia em respeitar as diferenças, pois a mesma abriga pessoas de diversas nacionalidades e religiões.

O jornal Delfi trouxe a afirmação papal sobre suas expectativas em relação à sociedade do país: “encontrar uma solução para os problemas de hoje e olhar para o futuro no espírito de diálogo e união com todos os que vivem aqui, esforçando-se para garantir que ninguém seja rejeitado”. Olhar as raízes que moldaram na Lituânia a tolerância e a solidariedade se constituem marcos significativos para a promoção da paz.

Os analistas veem a visita de Francisco a Vilnius como um fator estratégico regional, visto que a população do país é majoritariamente cristã, o que contribui para a propagação de discursos acolhedores. Ainda é pertinente salientar a discordância que surge de tempos em tempos entre os Estados bálticos e a Rússia, e que uma nação como a Lituânia poderia vir a acrescentar pontos positivos nas suas relações com seus vizinhos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Papa Francisco” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/22/Despedida_a_S.S._Papa_Francisco_-_24807441200.jpg/1280px-Despedida_a_S.S._Papa_Francisco_-_24807441200.jpg

Imagem 2 Catedral de Vilnius” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/45/Vilnius_%28Wilno%29_-_cathedral.jpg/640px-Vilnius_%28Wilno%29_-_cathedral.jpg