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Terror em Barcelona

Barcelona é uma das cidades mais visitadas do mundo. A cada ano mais de 10 milhões de turistas visitam seus monumentos, museus e praias. A cidade é reconhecida mundialmente pelo colorido de seus artistas, pela cultura do seu povo, seu idioma peculiar e por aquele ambiente típico de cidade litorânea que vive de braços abertos.

Rambla em Barcelona – Mural do artista Miró, onde o furgão parou sua letal trajetória

Mas todo seu colorido foi coberto por um véu cinza e pesaroso no passado dia 17 de agosto, quinta-feira, quando um furgão invadiu o calçadão mais famoso da cidade – As Ramblas – e atropelou 13 pessoas, deixando a mais 80 feridos.

O caos tomou conta de uma das principais artérias da cidade, turistas corriam desesperados e as autoridades perseguiam o responsável, que abandonou o local sem fazer nenhum tipo de reivindicação jihadista.

Barcelona entrou em estado de alerta. Metrô, trens, ônibus e demais serviços foram afetados e bloqueios foram instalados em diversos pontos da Catalunha. O terror, aos poucos, foi aprofundando suas raízes. Em poucas horas o Estado Islâmico reivindicou o atentado. A Espanha já havia sido ameaçada pelo ISIS e sofreu em 2004 o maior ataque realizado pela Al-Qaeda na Europa.

O país com um longo histórico de atentados terroristas de diferentes origens, mostrou estar preparado para agir rapidamente. Em pouco tempo os “Mossos d’esquadra”, em cooperação com a Guarda Civil, conseguiram localizar os autores graças a chamada “Operação Jaula”, pela qual todas as saídas da cidade são fechadas.

Relação dos acontecimentos na Catalunha após atentados em Barcelona

Um dos terroristas furou um desses bloqueios e atropelou um dos guardas dando início a perseguição que terminou em localidade próxima de Barcelona. Outro grupo foi localizado nas cercanias de Barcelona e houve intenso tiroteio na cidade de Cambrils, provocando a morte de 5 terroristas.

Dentre os fatos que ajudaram as autoridades, destacasse ter detectado a propriedade dos carros usados tanto no atentado como na fuga. Eram veículos alugados pelo grupo, formado por cidadãos de origem marroquina e espanhola.

O Governo da Espanha e o Governo da Catalunha se reuniram para trabalhar a questão em conjunto, e ambos receberam apoio de toda comunidade internacional e da União Europeia. O impacto que esse tipo de evento provoca em uma cidade é difícil de quantificar, pois existem fatores políticos, sociais e culturais cuja reação pode ser imediata ou de logo prazo. A Espanha já decretou estado de alerta e aumentou o nível de segurança em todo o país; a Catalunha, por outro lado, busca manter os serviços operativos e ajudar no controle.

Os catalães mostraram ao mundo sua união, com vários hospitais ficando colapsados devido a pessoas que foram doar sangue; com hotéis da região oferecendo quartos gratuitos para as famílias dos afetados; além disso, psicólogos e profissionais da saúde se apresentaram voluntariamente para auxiliar o povo. Uma onda de solidariedade e compaixão invadiu Barcelona, sendo talvez estes sentimentos os únicos capazes de frear o avanço do terror no mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Save Barcelona” (Fonte):

http://www.pressdigital.es/imagenes/SAVEBARCELONA.jpg

Imagem 2 Rambla em Barcelona Mural do artista Miró, onde o furgão parou sua letal trajetória” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/98_Paviment_de_Mir%C3%B3%2C_pla_de_la_Boqueria.jpg/1024px-98_Paviment_de_Mir%C3%B3%2C_pla_de_la_Boqueria.jpg

Imagem 3 Relação dos acontecimentos na Catalunha após atentados em Barcelona” (Fonte – La Vanguardia.com):

http://www.lavanguardia.com/r/GODO/LV/p4/WebSite/2017/08/17/Recortada/img_avived_20170818-111856_imagenes_lv_terceros_sucesos_en-torno-atentado-992×558-2-ka7G-U43615086952XPF-992×[email protected]

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A Lituânia e a Bielorrússia na ZAPAD 2017

No fim do último mês (julho), o Governo da Bielorrússia enviou convites para uma série de Estados regionais e instituições internacionais com o propósito de estimular a participação de adidos militares estrangeiros na ZAPAD 2017.

Esses exercícios militares, a serem realizados pela Rússia e Bielorrússia, em setembro de 2017, são de caráter defensivo e despertam atenção pelo acesso recíproco que os atores terão em seus territórios, assim como pela grande mobilização de soldados e equipamentos.

Mapa da Bielorrússia

Os Estados bálticos, particularmente a Lituânia, afirmam que os exercícios da ZAPAD não têm fins pacíficos e temem que os mesmos possam ser utilizados num ataque surpresa, sobretudo pela movimentação de aproximadamente 100.000 militares na localidade.

No tangente a questão, o Jornal Baltictimes noticiou a posição do Ministério da Defesa lituano, o qual frisou: “A Lituânia espera que a Bielorrússia convide representantes de todos os Estados vizinhos e forneça informações completas durante o exercício”. Em contrapartida, o Jornal Haɯa Hiba apresentou a fala do Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, sobre o fato, o qual declarou: “Os exercícios estão abertos […] já convidamos um grande número de observadores. Venham e vejam”.

Analisa-se a situação mediante duas variáveis: pela primeira, percebe-se a preocupação de Vilnius* com uma programação que abrangerá mais de 2,5% de sua população; e, pela segunda, entende-se a disposição de Minsk** como um ato de transparência. Apesar das diferenças, a ZAPAD 2017 pode representar um meio de aproximação diplomática entre a Lituânia e a Bielorrússia, e não aparenta constituir-se em exercício bélico ofensivo.

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Notas:

* Capital da Lituânia, logo é uma referência ao Estado lituano.

** * Capital da Bielorrússia, logo é uma referência ao Estado bielorrusso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Lituânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4a/Lithuania_-_Location_Map_%282013%29_-_LTU_-_UNOCHA.svg/1024px-Lithuania_-_Location_Map_%282013%29_-_LTU_-_UNOCHA.svg.png

Imagem 2 Mapa da Bielorrússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8c/Belarus_-_Location_Map_%282013%29_-_BLR_-_UNOCHA.svg/1024px-Belarus_-_Location_Map_%282013%29_-_BLR_-_UNOCHA.svg.png

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A violação do espaço aéreo finlandês pela OTAN

No último dia 1o de agosto, terça-feira passada, as autoridades finlandesas detectaram uma violação em seu espaço aéreo feita por 2 caças F-18 espanhóis, a serviço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O voo sem autorização ocorreu na cidade de Kirkkonummi, nas proximidades da região de Upinniemi, local da sede do Comando Naval Finlandês, no Golfo da Finlândia, por volta das 9:00h da manhã.

O Jornal Iltalehti noticiou que os caças fazem parte da equipe internacional de militares que contribuem no patrulhamento do Mar Báltico no âmbito da OTAN, e que utilizam a base aérea de Ämari, na Estônia, como suporte operacional.

Força Aérea Espanhola EF – 18A Hornet

A Organização informou que os F-18 ingressaram acidentalmente no espaço finlandês, enquanto acompanhavam aeronaves russas que voavam na localidade, dois aviões MIG-31 e um Antonov An–26. Após reconhecer o equívoco, a Instituição militar explicou a razão para os responsáveis finlandeses, com o objetivo de melhorar futuras cooperações.

O Chefe da investigação do caso, Jan Sundell, não apresentou nenhum estranhamento, conforme publicação do Jornal Baltic Times, e afirmou: “Não houve nada para contradizer a informação fornecida pela OTAN. Isso não parece um caso muito extraordinário, nada fora do comum foi revelado”.

Conforme vem sendo observado nas manifestações pela mídia, a questão, se vista a partir de uma lógica de reciprocidade, leva à indagação das razões que levam a uma aparente tranquilidade quanto a situação por parte dos finlandeses, visto que a Finlândia não demonstra sinais de negatividade contra o ato, que para analistas pode ser considerado uma ação de desrespeito à soberania finlandesa, e, além disso, poderia tornar-se frequente. Por essa razão, começam a surgir indícios de que a política de neutralidade de Helsinque está sendo flexibilizada, algo que poderia gerar prejuízos ao país na esfera diplomática.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Golfo da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8a/Finnischer_Meerbusen.png/1280px-Finnischer_Meerbusen.png

Imagem 2 Força Aérea Espanhola EF 18A Hornet” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/31/Spanish_Air_Force_EF-18_DD-SD-00-02833_cropped.jpg/1024px-Spanish_Air_Force_EF-18_DD-SD-00-02833_cropped.jpg

 

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Alemanha se opõe às sanções estadunidenses contra a Rússia

Em entrevista concedida a um jornal alemão, no dia 31 de julho de 2017, a Ministra para Assuntos Econômicos e da Energia da Alemanha, Brigite Zyprie, externou críticas substantivas em relação à um projeto de lei aprovado pelo Congresso estadunidense que prevê sanções contra a Rússia. De acordo com a Ministra, as previsões da lei violariam o Direito Internacional e causariam prejuízos diretos aos interesses das empresas alemãs. Zypries declarou também que a Alemanha reivindicará que a Comissão Europeia adote contramedidas às sanções.

Mapa do projeto Nordstream

A Lei aprovada pelos parlamentares estadunidenses, que necessita ainda da aprovação do presidente Donald Trump, estabelece sanções contra a Rússia, mais especificamente nos setores de inteligência, defesa e energia. A principal motivação para a adoção de tais medidas seria a intervenção militar russa na Ucrânia e interferências nas eleições dos Estados Unidos, em 2016. No entanto, representantes de alto nível do Governo alemão sugerem que estas ações se tratam de uma estratégia dos EUA para beneficiar as suas empresas energéticas, ao impor barreiras para que companhias europeias realizem negócios com os russos.

Como as sanções estabelecem previsões para impedir que empresas em geral atuem em projetos enérgicos em que haja uma participação russa significativa, os empreendimentos europeus seriam prejudicados de forma considerável. Para ilustrar uma das principais fontes de preocupação dos alemães, pode-se mencionar o projeto Nord Stream 2. A iniciativa visa a construção de um gasoduto iniciado na Rússia que cruzaria o Mar Báltico até a Alemanha. As obras estão sendo lideradas pela gigante russa Gazprom, porém envolvem também um número significativo de empresas europeias.

A declaração da ministra Brigite Zyprie demonstra suporte ao Governo russo, no entanto, tem como foco a defesa do interesse alemão. Ademais, o pronunciamento demonstra a predisposição da Alemanha de adotar contramedidas em relação aos Estados Unidos, discutindo sanções contra o país no âmbito da Comissão Europeia. Em resposta à lei aprovada pelo Congresso estadunidense, o presidente russo Vladimir Putin solicitou que os EUA retornem 755 de seus diplomatas baseados em Moscou.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ministra Alemã para Assuntos Econômicos e Energia, Brigite Zyprie” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/682883616

Imagem 2 Mapa do projeto Nordstream” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nord_Stream#/media/File:Nordstream.png

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O avanço da tensão diplomática entre Alemanha e Turquia

A tensão diplomática entre os governos alemão e turco tem escalado consideravelmente. Em declaração divulgada no dia 20 de julho de 2017, o Vice-Chanceler da Alemanha, Sigmar Gabriel, também responsável pelas relações exteriores, realizou recomendações severas contra a Turquia. O pronunciamento ocorreu um dia após o embaixador alemão em Ankara ter sido convocado para consulta, medida de caráter simbólico negativo na diplomacia.

O Vice-Chanceler orientou aos cidadãos alemães a não viajarem para o território turco e sugeriu que a assistência econômica fornecida ao país pela União Europeia deverá ser interrompida. Além disso, declarou que as garantias de crédito para exportação conferidas às empresas operando negócios na Turquia poderão ser suspensas. Gabriel afirmou ainda que o Governo não deve continuar oferecendo incentivos à uma nação onde não há certeza legal, em que pese o Governo turco ter acusado a Alemanha de espionagem e as suas empresas de envolvimento com grupos terroristas.

Desde a tentativa de golpe na Turquia, em julho de 2016, ações consideradas autoritárias no país têm avançado progressivamente. Vinte e dois alemães foram presos em Ankara desde então, sendo que 9 permanecem na prisão. O posicionamento alemão era de externada preocupação, porém as relações entre os países se mantinham. O estopim da mudança de abordagem foi a ordem de uma Corte turca condenando à prisão seis ativistas dos direitos humanos, incluindo uma alemã, diretora da Anistia Internacional, que foi detida durante um workshop conduzido pela organização.

A União Europeia parece apoiar o posicionamento alemão. Oficiais do Bloco europeu declararam que o diálogo com a Turquia será afetado e que as negociações sobre o ingresso turco à União não terão continuidade até que seja tomada alguma medida no que concerne ao autoritarismo. No entanto, as decisões tomadas pelo país têm seguido na direção contrária. 

A perspectiva é de que as relações entre Alemanha e Turquia se deteriorem cada vez mais. Deve-se considerar que ambas as nações, parceiras na Organização do Tratado do Atlântico do Norte (OTAN), possuem laços comerciais e diplomáticas significativos. Por exemplo, o maior parceiro comercial turco é a Alemanha, que possui aproximadamente 6.800 empresas com transações na região. Ademais, no ano passado (2016), o Governo alemão havia negociado um acordo com a Turquia, para que o país contivesse o seu fluxo de imigrantes em direção à Europa, em troca de 3 bilhões de euros em auxílios financeiros a serem gastos com refugiados. Apresenta-se também o risco de que o acordo seja dissolvido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre o presidente turco e o ViceChanceler alemão” (Fonte):

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EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os túneis subterrâneos finlandeses e a Rússia

A Finlândia iniciou a construção de uma rede de túneis subterrâneos na década de 1960, com o objetivo de proporcionar uma conexão entre a área central de sua capital e a infraestrutura em ascensão. Posteriormente, o Plano Diretor de Helsinque contribuiu para a organização dos 9 milhões de metros cúbicos que abrigam 400 instalações diversas abertas ao público.

Os túneis no subsolo finlandês despertaram debates sobre a segurança do Estado e, novamente, emerge no cenário o receio por uma suposta invasão russa no país. A principal razão finlandesa é a realização da ZAPAD 2017, que se constitui em exercícios militares anuais feitos pela Rússia e a Bielorrússia, durante a qual se contemplará grande movimentação militar nos territórios dos atores em questão.

Muro do Kremlin, em Moscou

A politização da questão dos túneis recorre a argumentos de que os mesmos poderiam abrigar toda a população de Helsinque, cerca de 600 mil habitantes, em caso de conflito bélico, e possibilitaria aos militares finlandeses opções vantajosas de garantir a defesa do país. O Jornal Daily Mail trouxe o comentário do especialista de segurança cibernética da Universidade de Aalto, Jarno Limnell, o qual afirmou: “Mais do que olhar para o que acontecerá durante o exercício, estamos mais interessados ​​no que acontecerá depois e teremos certeza de que as tropas realmente se vão embora. 

Em contrapartida, os russos mantêm o discurso de que o Estado não possui planos de ofensiva contra seus vizinhos. Nesta perspectiva, o Jornal Sputnik News trouxe o comentário do especialista militar do Jornal Komsomolskaya Pravda, Viktor Barenets, o qual salientou: “A ativa e total propaganda ocidental de ‘agressão militar russa’ nos últimos tempos gerou uma espécie de ‘esquizofrenia social’ na Noruega e na Suécia, e, hoje, está sendo espalhada pela Finlândia. Faz-me rir as declarações dos políticos e generais finlandeses de que a Rússia, supostamente, tem planos de bombardear Helsinque”.

No que tange a pauta, analisa-se que a rede de túneis subterrâneos em Helsinque é um grande feito que muito contribui para o desenvolvimento da capital finlandesa e para o próprio treinamento de seus militares, a partir da lógica de guerrilha urbana. Entretanto, a persistência na crença de uma possível invasão da Rússia à Finlândia e o uso dos túneis para proteção de civis parece ser irreal, seja pela carência de razões sólidas de Moscou na ação, seja pela potência de armamentos atuais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A praça do Senado, Helsinque” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Senate_Square_-_Senaatintori_-_Senatstorget%2C_Helsinki%2C_Finland.jpg

Imagem 2 Muro do Kremlin, em Moscou” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/04/Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg/1280px-Moscou_-_Kremlin_wall_on_Moscova_%2801%29.jpg