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Eleições Reino Unido 2019: Brexit é a principal, mas não a única preocupação dos eleitores

Uma recente pesquisa* da empresa Yougov revelou que o Brexit, acompanhado dos temas Saúde e Segurança, são as principais preocupações do eleitorado britânico e terão um peso significativo nas eleições do dia 12 de dezembro de 2019. Perguntados sobre as três maiores aflições que atingem o país no momento, 68% dos entrevistados citaram o processo de saída da UE, 40% a saúde pública e 28% a criminalidade.

Cartaz produzido durante um protesto organizado por médicos assistentes em 2015. O NHS é considerado um patrimônio nacional para os britânicos

Quando o tópico é a Saúde, o que assusta o eleitorado britânico é a situação do Serviço Nacional (National Health Service, geralmente conhecido pela sigla NHS). Fundado no período após o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1948, seu intuito sempre foi de prover aos residentes do Reino Unido acesso universal e gratuito aos serviços de saúde, pagos com o dinheiro financiado pela arrecadação dos impostos em geral. O NHS é para os britânicos fonte de orgulho nacional, porém, tem sofrido com o aumento dos custos de mão de obra, remédios e novas tecnologias. No ano fiscal de 2016-2017, os gastos com o sistema público representaram cerca de 30% das despesas totais. Devido ao peso significativo no orçamento, o assunto apresenta um grande desafio para qualquer Partido que pretenda chegar ao Governo.

Policial londrino em serviço

Apesar de ser considerado um país com baixo nível de delinquência**, segundo o Órgão de Estatística Nacional (Office for National Statistics), em 2018 houve um aumento de 18% dos crimes sem violência e 8% de crimes com violência. No mesmo ano foi muito divulgado através da mídia britânica os dados de que, então, pela primeira vez na história recente, o número de assassinatos em Londres ultrapassou o da cidade de Nova York. O fato também foi alvo de críticas pelo presidente Donald Trump, já que no Reino Unido o porte de armas de fogo é proibido e a maioria dos assassinatos são causados com o uso de facas.

Atrás dos três temas acima, as preocupações com a Economia e o Meio-Ambiente aparecem empatadas na 4º colocação, sendo citadas por 25% dos entrevistados. Em quinto vêm a questão da Imigração, mencionada em 22% das entrevistas.

Esta será a primeira vez que as eleições ocorrem no mês de dezembro desde 1923. Apelidada de “eleição Brexit” pela mídia do país, ela foi convocada justamente na tentativa de dar continuidade ao processo de saída da União Europeia, que tem enfrentado grandes barreiras no Parlamento.     

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Notas:

* Pesquisa realizada entre os dias 30 e 31 de outubro de 2019, com 1.606 adultos entrevistados em todo o país.

** Apesar da dificuldade de encontrar dados precisos sobre os níveis de criminalidade a nível internacional, o site Numbeo organizou um banco de dados com informações de vários países, criando um índice que compara a criminalidade e a violência. No ranking, o Brasil aparece em 7º lugar como país com mais crimes cometidos. O Reino Unido figura na 59ª posição atrás de nações desenvolvidas como Estados Unidos (48º), França (50a) e Itália (57a).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Polling Station é o local onde se realizam as votações nas eleições no Reino Unido, geralmente em espaços alugados em escolas, igrejas e centro comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:London_polling_station.jpg

Imagem 2Cartaz produzido durante um protesto organizado por médicos assistentes em 2015. O NHS é considerado um patrimônio nacional para os britânicos” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/birmingham_eastside/22421035083

Imagem 3Policial londrino em serviço” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/hillview7/30934142341

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O aditivo para a redução de metano e o setor agropecuário danês

A questão climática é uma causa política de destaque para os Estados da atualidade, seja pela construção de uma sociedade sustentável, seja pela preservação dos biomas, e, para a Dinamarca, essa é uma pauta de grande significado, visto que o país escandinavo possui ambiciosas metas ambientais para as próximas décadas.

As mudanças climáticas afetam o cotidiano de todas as pessoas e influem diretamente nas atividades produtivas de muitos setores econômicos. O setor agropecuário é o mais tradicional para qualquer Estado, pois ele é responsável por grande parte do abastecimento interno e pela exportação de produtos do gênero para milhões em todo o mundo.

Uma das razões de preocupação dos ativistas é a emissão de metano produzida pelo gado, a qual contribuiria para aumento do aquecimento global. Todavia, pesquisadores dinamarqueses da indústria de laticínios Arla desenvolveram uma substância capaz de neutralizar as emissões de metano das vacas.

Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios

O Jornal The Copenhagen Post trouxe a opinião da professora Mette Olafsen Nielsen da Universidade de Aarhus, a qual afirmou sobre o assunto: “Em um laboratório da Universidade de Copenhague, conseguimos documentar que, quando essa substância é adicionada à alimentação, simplesmente não há em emissões de metano, como em zero”.

A medida animou o mercado do setor, que já tem a aprovação da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Essa substância pode ser adicionada na alimentação dos animais e promete efeitos positivos. A professora Nielsen acredita que o produto esteja no mercado em 2020 e 2021 e que inicialmente reduza as emissões em cerca de um terço.

Os analistas observam a notícia com alegria, pois beneficia agropecuaristas e o clima à medida que tende a contribuir para uma vida sustentável. Todavia, o principal termômetro dessa inovação é o consumidor, o qual determinará a importância econômica da ação, pois estimulará a compra de produtos de origem verde ou não.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Raça dinamarquesa de gado RDM” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/R%C3%B8d_dansk_malkerace_RDM.jpg

Imagem 2 Bandeiras da Indústria Arla de Laticínios” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG/1280px-Arlaflag_ved_Arla_Friskvareterminal_Ish%C3%B8j.JPG

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A Dinamarca aprova a construção do gasoduto russo

O Nord Stream 2 é um projeto subsidiado pela companhia russa Gazprom, a qual já opera um gasoduto semelhante que faz a ligação entre a cidade eslava de Vyborg e a cidade alemã de Greifswald. O objetivo da nova linha Nord Stream é aumentar o volume de gás natural para a União Europeia (UE), possuindo potencial de acréscimo de 55 bilhões de metros cúbicos.

A questão da construção estava nebulosa, pois a Dinamarca não permitia o avanço da obra em direção a seu território, porém, a controvérsia ganhou uma resolução, pois os dinamarqueses autorizaram que a estrutura ingresse perto da ilha de Bornholm, pertencente a Copenhague*, a qual localiza-se nas proximidades com a Suécia e a caminho do Mar Báltico.

A licença veio da Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa), que legitimou suas ações a partir das obrigações internacionais do Estado escandinavo com a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar, que ocorreu em Montego Bay, Jamaica, em 1982.

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O jornal Copenhagen Post trouxe a declaração da Energistyrelsen sobre o assunto, a qual afirmou: “A Dinamarca é obrigada a permitir a construção de gasodutos de trânsito com relação aos recursos e ao meio ambiente e, se necessário, atribuir a rota onde esses gasodutos devem ser instalados”.Apesar da resposta positiva de Copenhague, a medida foi concebida em meio a pequenas polêmicas geopolíticas, pois os mandatários dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e da Federação Russa, Vladimir Putin, respectivamente, comentaram a hipótese de aplicação de sanções contra a Alemanha, e que a Dinamarca estava sob pressão do exterior em relação à temática.

Os analistas compreendem como sendo sensata a decisão pela aprovação do gasoduto, que representa não apenas maior incidência de energia na Europa, como também a oportunidade de incremento das relações comerciais entre a Dinamarca e a Federação Russa. O risco europeu de dependência do gás russo é uma realidade provável, todavia, isso não significa que ele se torne exclusivo para o Velho Continente, que caminha com uma política conjunta de incentivo à energia renovável, algo que também inclui a Dinamarca.

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Nota:

* Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; referente no texto em alusão à soberania do Estado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Dinamarca e Ilha de Bornholm à direita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Denmark-es.svg/1280px-Denmark-es.svg.png

Imagem 2 Energistyrelsen Agência de Energia Dinamarquesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e3/Amaliegade_44_from_the_water.jpg
EUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A política dinamarquesa e a nova lei climática

A Dinamarca possui altas metas climáticas e prepara a sociedade e os meios produtivos para uma drástica mudança. O país escandinavo acompanha diversos Estados europeus na luta contra a emissão de poluentes, e espera a redução de 70% dos gases de efeito estufa até 2030.

Diante da sensibilidade eleitoral com as questões climáticas e sobre qual seria o futuro da Dinamarca, a proposta da atual primeira-ministra Mette Frederiksen ganhou maior lastro político. Hoje, o governo dinamarquês busca construir uma nova legislação climática com o objetivo de dar mais solidez ao Estado e garantir o alcance da meta de 2030.

O atual reflexo político da Dinamarca perpassa a importância do fator climático e ambiental, assim como do fator social e imigrante, os quais são pautas do governo Frederiksen e, respectivamente, existe a expectativa de aumento do emprego de recursos para os serviços públicos e a intensificação do combate a crimes cometidos por imigrantes.

Diante disso, o Chefe do Venstre (Partido Liberal da Dinamarca), a principal oposição ao governo, Jakob Ellemann-Jensen, sinalizou sua disposição para realizar negociações e um acordo político com o governo. O parlamentar salientou que as propostas de diminuição de emissões não poderiam trazer malefícios ao bem-estar, ao crescimento e à geração de empregos.

Jakob Ellemann-Jensen, líder do Venstre

O jornal Copenhagen Post trouxe a afirmação de Ellemann-Jensen sobre o assunto: “Isso é algo que pode ser tão intrusivo e abrangente para toda a sociedade que é preciso haver uma ampla maioria por trás disso. Não será apenas uma coisa sozinha em um bloco vermelho ou azul. A grande preocupação do político é comentar que mudanças grandes precisam ser feitas ao nível de nação, ou seja, envolvendo todos os partidos, e não apenas oriunda de blocos partidários de inclinações socialistas (vermelho) ou liberais (azul).

Os analistas observam com interesse os efeitos políticos, sociais e ambientais que uma nova lei climática viesse a produzir na Dinamarca, e também compreendem o desejo de participação do Venstre nos debates e sua intenção de não perder credibilidade política com a ascensão do Bloco Vermelho. Todavia, somente o tempo poderá nos dizer se o governo Frederiksen aglutinará apoio para seus projetos apenas do fortalecido Bloco Vermelho ou se também incluirá o Bloco Azul.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Selo do Parlamento Dinamarquês (Folketing)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/Seal_of_the_Folketing_of_Denmark.svg/1024px-Seal_of_the_Folketing_of_Denmark.svg.png

Imagem 2 Jakob EllemannJensen, líder do Venstre”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f9/Jakob_Ellemann-Jensen_1.jpg/1181px-Jakob_Ellemann-Jensen_1.jpg

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UE concede nova prorrogação para saída do Reino Unido, enquanto Parlamento britânico decide data de novas eleições gerais

Na segunda-feira, dia 28 de outubro de 2019, Donald Tusk, o Presidente do Conselho Europeu*, confirmou a concessão de uma nova data para a saída do Reino Unido da UE. Agora marcado para o dia 31 de janeiro de 2020, Tusk apelidou a concessão de “flextensão” (derivado de “extensão flexível”), já que os britânicos terão a oportunidade de sair previamente, caso o Parlamento aprove em tempo o acordo sobre a nova relação com o Bloco europeu.

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Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit

Esta é a segunda vez que a data é alterada. Inicialmente, a saída estava marcada para março de 2019. Porém, ela foi prorrogada para o dia 31 de outubro de 2019, devido à incapacidade de o governo de Theresa May aprovar os termos negociados com a UE. Em publicação oficial, os europeus anunciaram que não permitirão a reabertura do acordo de saída, que recentemente sofreu mudanças importantes em relação à questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico

A prorrogação convenceu os parlamentares da oposição a aprovar uma nova eleição geral, que ocorrerá no dia 12 de dezembro de 2019. Certa resistência foi apresentada por parte de alguns partidos, como o SNP (Partido Nacional Escocês) e os Liberais Democratas, que queriam que as eleições ocorressem no dia 9 de dezembro de 2019, data que facilitaria a participação dos estudantes no pleito eleitoral, principalmente nas cidades universitárias. Já os Trabalhistas esperavam a garantia de que um “não-acordo” estivesse totalmente fora de cogitação

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição – UK Parliament

Houve também uma tentativa de adicionar Emendas importantes ao Projeto de Lei, que estabeleceria a nova data para as eleições. Dentre elas, estavam os planos de estender o direito de votação aos jovens de 16 a 17 anos e aos cidadãos europeus residentes permanentes no país. Contudo, as Emendas foram rejeitadas por Lindsay Hoyle, o Vice-Presidente da House of Commons (equivalente à Câmara de Deputados no Brasil). Contudo, Boris Johnson conseguiu convencer a maioria dos Trabalhistas para que a legislação necessária fosse aprovada com 420 votos a favor, 20 contras e 191 abstenções. A Lei agora irá passar pela House of Lords (Câmara dos Lordes, ou Câmara Alta, que, com as devidas proporções, pode ser vista como uma espécie de Senado), mas não deverá sofrer resistências. As atividades parlamentares estão previstas para se encerrarem na próxima quarta-feira, dia 6 de novembro de 2019, para que os partidos possam se concentrar na campanha eleitoral.

Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários

As eleições no Reino Unido tradicionalmente acontecem nos meses de maio ou junho. Esta será, desde 1923, a primeira a ocorrer em dezembro. Existem algumas preocupações em relação à logística do evento. Uma delas é de que não haverá tempo suficiente para disponibilizar espaços em escolas, igrejas e centros comunitários, onde geralmente se encontram as urnas. Próximo à esta data, muito desses lugares já estão reservados para festividades natalinas. O clima úmido e frio, desta época do ano, também pode afugentar alguns eleitores. Além disso, o período coincide com o fim do trimestre escolar, que pode afastar jovens estudantes em época de exames.

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Nota:

* O Conselho Europeu é o órgão da União Europeia que reúne os Chefes de Estado ou Governo dos países membros. O polonês Donald Tusk é o atual Presidente do órgão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ônibus com a bandeira da UE, em frente ao Parlamento britânico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:EU_Bus_(46963682851).jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit” (Fonte): https://twitter.com/eucopresident/status/1188748108764721152

Imagem 3 Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 4 Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição UK Parliament” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/uk_parliament/25743557291

Imagem 5 Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Polling_Station,_Minster-in-Thanet,_Kent,_England,_2015-05-07-5156.jpg

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A Estônia pede à Turquia que cesse os ataques unilaterais na Síria

A guerra civil na Síria já dura alguns anos e iniciou por ocasião da Primavera Árabe, na qual diversas pessoas protestaram em seus países a favor de democracia e maior liberdade de expressão. Todavia, a situação síria deteriorou-se e parcela da população entrou em conflito com o regime do presidente Bashar al-Assad.

O maior fator de agravo na guerra civil síria ocorreu com a ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), o qual buscava a instauração de um Califado no entorno da Síria e do Iraque. A escalada militar intensificou-se na região com o ingresso de tropas dos Estados Unidos (EUA) e da Federação Russa, as quais combateram o EI até seu enfraquecimento.

Nas últimas semanas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retirada da força militar estadunidense na Síria. Esta medida foi duramente criticada pelos curdos, aliados locais de Washington*, e diversos Estados europeus, pois ressente-se que o EI possa retomar forças, e que os curdos fiquem sem proteção contra possíveis ataques da Turquia.

Felizmente, o EI não retornou a exercer o controle nos territórios sírios, todavia, os turcos iniciaram uma série de ataques terrestres e aéreos contra o nordeste da Síria. O alvo de Ancara** eram os curdos, os quais são considerados como terroristas pelos turcos, pois eles desejam criar um Estado próprio.

A Estônia expressou preocupação com os atos unilaterais da Turquia contra o território sírio e pediu aos turcos que cessem sua operação militar. Os estonianos desejam evitar as baixas de civis e a deterioração da estabilidade regional em um Estado em crise humanitária. Outra razão para Tallinn*** manifestar-se sobre a questão é que a Estônia é Membro Não-Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), criado para zelar pela paz e segurança internacional. 

Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu

O jornal The Baltic Times trouxe a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu, sobre a pauta, o qual afirmou: “A Turquia, nossa aliada da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], sem dúvida tem preocupações de segurança com relação ao terrorismo; no entanto, soluções políticas e diplomáticas devem ser buscadas para as tensões na região. A operação que começou, no entanto, pode prejudicar gravemente esses esforços e dar um novo impulso ao Daesh [EI]. Estamos preocupados com a operação militar da Turquia no nordeste da Síria, que prejudica ainda mais a estabilidade em toda a região. Pedimos a Turquia que pare sua ação militar unilateral e evite baixas civis e deterioração da situação humanitária”.

Os analistas observam com atenção as ações turcas na Síria, as quais, diante do Direito Internacional (DI), são compreendidas como violação da soberania síria. Em relação ao ataque unilateral turco aos curdos, que na atual situação nada fizeram contra Ancara, ainda existe, perante o DI, a questão de um possível genocídio. Diante da problemática, aguarda-se que a Turquia venha a optar pelo diálogo político e pela resolução de suas diferenças mediante o respeito ao DI e à autodeterminação dos povos.

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Notas:

* Washington: capital dos Estados Unidos; seu uso no texto representa a ação política do Estado norte-americano.  

** Ancara: capital da Turquia; seu uso no texto representa a ação política do Estado turco.

*** Tallinn: capital da Estônia; seu uso no texto representa a ação política do Estado estoniano.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 Combatente curdo” (fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f3/IRPGF_fighters_in_Tabqa_1.jpg

Imagem 2 Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Urmas_Reinsalu_2017-05-25.jpg