EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Nigel Farage, líder do Brexit Party, não será candidato em eleições no Reino Unido

Em entrevista ao programa Andrew Marr Show da BBC, Nigel Farage, líder do Brexit Party, anunciou que não irá se candidatar para as eleições gerais do dia 12 de dezembro de 2019. Ele afirmou que dessa maneira poderá melhor servir o Partido dando suporte aos mais de 600 candidatos espalhados pelo Reino Unido.

Jeremy Corbyn, líder dos Trabalhistas, declarou que “é um pouco estranho dirigir um Partido político que aparentemente está brigando por todas ou a maioria das cadeiras [do Parlamento] em uma eleição, e ele mesmo [Farage] não se candidatar”. Steve Baker, parlamentar Conservador e presidente do grupo pró-Brexit European Research Group*, criticou o dirigente do Brexit Party, dizendo que a sua decisão em não se candidatar demonstra a falta de seriedade do político em relação ao país.

Logotipo do Brexit Party

Na sexta feira, dia 1o de novembro de 2019, Boris Johnson rejeitou a sugestão de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, de que ele e Farage deveriam criar uma aliança. Representantes dos Conservadores afirmaram que não há possibilidade de os dois partidos trabalharem em conjunto. Do outro lado, o líder do Brexit Party demonstrou uma maior disposição em formar uma aliança, porém, com a condição de que Boris desista do “horrível” Acordo sobre a saída da União Europeia (UE).

Não é a primeira vez que Nigel promete apoiar os Conservadores. A rusga entre o Brexit Party e o Partido do atual Primeiro-Ministro, contudo, pode dividir o voto dos eleitores favoráveis à saída da UE. Nigel Farage, atualmente, é membro do Parlamento Europeu e é uma figura importante na política do país. Por muitos anos ele foi uma das principais lideranças do UKIP (United Kingdom Independence Party – Partido pela Independência do Reino Unido), que, desde seu início, em 1993, advoga pela desvinculação do Bloco Europeu. Em 2019 ele lançou o Brexit Party, que em pouco tempo obteve votação recorde nas eleições ao Parlamento Europeu.

———————————————————————————————–

Nota:

* O European Research Group é uma aliança formada por deputados do Partido Conservador para pressionar o governo, em favor à saída do país da União Europeia.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nigel Farage, líder do Brexit Party / foto de Gage Skidmore” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/gageskidmore/40542055821

Imagem 2 Logotipo do Brexit Party” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brexit_Party.svg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

UE concede nova prorrogação para saída do Reino Unido, enquanto Parlamento britânico decide data de novas eleições gerais

Na segunda-feira, dia 28 de outubro de 2019, Donald Tusk, o Presidente do Conselho Europeu*, confirmou a concessão de uma nova data para a saída do Reino Unido da UE. Agora marcado para o dia 31 de janeiro de 2020, Tusk apelidou a concessão de “flextensão” (derivado de “extensão flexível”), já que os britânicos terão a oportunidade de sair previamente, caso o Parlamento aprove em tempo o acordo sobre a nova relação com o Bloco europeu.

https://platform.twitter.com/widgets.js
Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit

Esta é a segunda vez que a data é alterada. Inicialmente, a saída estava marcada para março de 2019. Porém, ela foi prorrogada para o dia 31 de outubro de 2019, devido à incapacidade de o governo de Theresa May aprovar os termos negociados com a UE. Em publicação oficial, os europeus anunciaram que não permitirão a reabertura do acordo de saída, que recentemente sofreu mudanças importantes em relação à questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico

A prorrogação convenceu os parlamentares da oposição a aprovar uma nova eleição geral, que ocorrerá no dia 12 de dezembro de 2019. Certa resistência foi apresentada por parte de alguns partidos, como o SNP (Partido Nacional Escocês) e os Liberais Democratas, que queriam que as eleições ocorressem no dia 9 de dezembro de 2019, data que facilitaria a participação dos estudantes no pleito eleitoral, principalmente nas cidades universitárias. Já os Trabalhistas esperavam a garantia de que um “não-acordo” estivesse totalmente fora de cogitação

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição – UK Parliament

Houve também uma tentativa de adicionar Emendas importantes ao Projeto de Lei, que estabeleceria a nova data para as eleições. Dentre elas, estavam os planos de estender o direito de votação aos jovens de 16 a 17 anos e aos cidadãos europeus residentes permanentes no país. Contudo, as Emendas foram rejeitadas por Lindsay Hoyle, o Vice-Presidente da House of Commons (equivalente à Câmara de Deputados no Brasil). Contudo, Boris Johnson conseguiu convencer a maioria dos Trabalhistas para que a legislação necessária fosse aprovada com 420 votos a favor, 20 contras e 191 abstenções. A Lei agora irá passar pela House of Lords (Câmara dos Lordes, ou Câmara Alta, que, com as devidas proporções, pode ser vista como uma espécie de Senado), mas não deverá sofrer resistências. As atividades parlamentares estão previstas para se encerrarem na próxima quarta-feira, dia 6 de novembro de 2019, para que os partidos possam se concentrar na campanha eleitoral.

Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários

As eleições no Reino Unido tradicionalmente acontecem nos meses de maio ou junho. Esta será, desde 1923, a primeira a ocorrer em dezembro. Existem algumas preocupações em relação à logística do evento. Uma delas é de que não haverá tempo suficiente para disponibilizar espaços em escolas, igrejas e centros comunitários, onde geralmente se encontram as urnas. Próximo à esta data, muito desses lugares já estão reservados para festividades natalinas. O clima úmido e frio, desta época do ano, também pode afugentar alguns eleitores. Além disso, o período coincide com o fim do trimestre escolar, que pode afastar jovens estudantes em época de exames.

———————————————————————————————–

Nota:

* O Conselho Europeu é o órgão da União Europeia que reúne os Chefes de Estado ou Governo dos países membros. O polonês Donald Tusk é o atual Presidente do órgão.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ônibus com a bandeira da UE, em frente ao Parlamento britânico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:EU_Bus_(46963682851).jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit” (Fonte): https://twitter.com/eucopresident/status/1188748108764721152

Imagem 3 Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 4 Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição UK Parliament” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/uk_parliament/25743557291

Imagem 5 Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Polling_Station,_Minster-in-Thanet,_Kent,_England,_2015-05-07-5156.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Semana agitada põe em risco “Halloween Brexit” de Boris Johnson

Dia 31 de outubro de 2019, a data atualmente marcada para a saída oficial do Reino Unido da União Europeia (UE), é a mesma em que se comemora o Halloween (chamado de Dia das Bruxas no Brasil) nos países anglo-saxônicos. Coincidência à parte, os últimos dias foram tensos com os recentes acontecimentos sobre o Brexit – processo que se arrasta desde o referendo de 23 de junho de 2016, que decidiu pela saída do país da UE.

Boris Johnson, Primeiro-Ministro britânico – Chatham House

O primeiro-ministro Boris Johnson declarou várias vezes que o Reino Unido sairá, com ou sem um acordo, no dia 31 de outubro de 2019, e inclusive que preferiria “morrer em uma vala” (“die in a ditch”, em inglês) do que pedir um novo adiamento. O fato de o Brexit acontecer no dia do Halloween, porém, pode estar ameaçado. Apesar de o governo de Boris Johnson ter conseguido modificações importantes em relação ao acerto chegado entre ambas as partes, ainda sob a direção de Theresa May, o Parlamento britânico votou uma Emenda que, na prática, pode forçar à uma nova prorrogação do prazo de saída.

Abaixo, o Ceiri News faz um resumo dos principais acontecimentos da semana, para entender um pouco melhor o que está ocorrendo com o Brexit:

Quinta-feira, dia 17 de outubro de 2019Reino Unido e países membros da UE oficializam mudanças no acordo sobre o Brexit. Substancialmente, há pouca diferença em relação ao negociado durante o Governo de Theresa May, que foi rejeitado diversas vezes pelo Parlamento. A mudança principal ocorreu com o chamado Irish Backstop” (“Salvaguarda Irlandesa”), um mecanismo que manteria a Irlanda do Norte debaixo das regras do Mercado Comum Europeu e o Reino Unido como um todo dentro do território europeu de tarifa única (União Aduaneira). Dessa maneira, seria evitada a construção de uma barreira física com a República da Irlanda*.

Boris Johnson e Donald Tusk (Presidente do Conselho Europeu) durante reunião da cúpula dos países membros da UE – dia 17 de Outubro de 2019 – que selou mudanças no acordo de saída do Reino Unido

De acordo com a nova revisão do Tratado, a Irlanda do Norte permaneceria no território tarifário do Reino Unido e estaria inclusa em quaisquer negociações comerciais feitas com outros países. Produtos vindos da UE teriam tarifas aplicadas somente quando cruzassem o mar em direção à ilha da Grã-Bretanha. Os produtos de origem na Grã-Bretanha, por sua vez, serão avaliados por um comitê conjunto entre a UE e o Reino Unido, que decidirá se o produto se destina ou não ao Mercado Europeu, e estará ou não sujeito às taxas aduaneiras. Além disso, o novo Tratado dá à Assembléia Nacional da Irlanda do Norte o direito de ser consultada a cada 4 anos para aprovar ou rejeitar a continuação do esquema.

Sábado, dia 19 de outubro de 2019 –Apelidado de “Super-Sábado” (“Super-Saturday”) pela mídia britânica, a data ficou marcada pela sessão extraordinária do Parlamento, ocorrida pela última vez em 1982, em decorrência da Guerra das Malvinas. A urgência se deu pelo fato de que, em setembro, uma lei chamada “Benn Act (nomeada, por ter sido proposta pelo deputado trabalhista Hilary Benn) decretou que, caso até o dia 19 de setembro de 2019 um acordo não tivesse sido aprovado, o Governo seria obrigado a escrever para a UE requerendo um novo adiamento da data de saída. Enquanto se aguardava a aprovação do Tratado revisado, milhares de manifestantes a favor de um novo referendo tomavam conta das ruas de Londres.

Manifestantes, nas ruas do centro de Londres, pedem um novo referendo – Sábado dia 19/10/2019

Porém, o “Super-Saturday” acabou frustrando os planos de Boris Johnson de ter seu acordo aprovado. Oliver Letwin, deputado que foi expulso recentemente do Partido Conservador por tentar bloquear o Brexit, propôs uma Emenda que obriga o Governo a primeiro apresentar as leis necessária para implementar o Tratado. Somente depois de tal legislação ser aprovada o Parlamento poderia votar para ratificar ou não o acordo com a UE. A Emenda foi aprovada com 322 votos a favor e 306 contra, uma derrota árdua para o Primeiro-Ministro.

Carta assinada por Boris Johnson. O Primeiro-Ministro diz que o adiamento do Brexit ‘poderá prejudicar os interesses do Reino Unido e de seus parceiros da EU

A aprovação obrigou o Governo, à contragosto, a escrever oficialmente para a Presidência do Conselho Europeu** requerendo um novo adiamento da data de saída. A carta foi enviada, contudo, sem assinatura, solicitando a prorrogação para o dia 31 de Janeiro de 2020. Logo em seguida, Boris enviou outra carta, desta vez assinada, expressando sua insatisfação em relação à nova prorrogação.

Segundafeira, dia 21 de Outubro de 2019 – O Governo tenta mais uma vez a ratificação do acordo junto ao Parlamento. Porém, John Bercow, o Speaker of the House of Commons (cargo equivalente ao de Presidente da Câmara dos Deputados no Brasil), barrou nova votação. O Speaker justificou que a Emenda de Letwin “explicitamente especificou que a legislação deveria vir primeiro”, desta maneira, confirmando que uma nova votação sobre o Acordo só seria possível se as leis necessárias para a saída fossem implementadas. Na mesma noite, porém, o Gabinete de Johnson apresentou uma proposta de lei de 110 páginas, para que fosse submetida à avaliação dos Deputados.

John Bercow, o Speaker do Parlamento Britânico, é quem tem poder para decidir quais propostas podem ser votadas, segundo as regras da Casa – UK Parliament

Terça feira dia 22 de outubro – Correndo contra o relógio, o Governo levou ao Parlamento a lei para a implementação do Brexit (EU Withdrawal Agreement Bill). A proposta foi acatada pelos legisladores com uma maioria de 329 votos a favor e 299 contra. Porém, logo em seguida uma nova votação estremeceu as intenções governistas. Com 322 votos contra e 302 a favor, o cronograma planejado por Boris Johnson, que permitiria uma aprovação em tempo hábil, foi rejeitado. 

O que poderá acontecer agora?

As chances de o Primeiro-Ministro comemorar o Halloween, com a saída no dia 31 de outubro, estão cada vez mais remotas. A posição natural do Reino Unido seria de automaticamente se desligar da UE, sem um acordo, caso um não fosse aceito. Mas, a legislação atual (Benn Act, mencionada acima), obriga legalmente o governante a pedir uma nova prorrogação.

A alternativa, seria torcer para que, pelo menos, um dos países membros da UE vetasse uma nova extensão. Porém, a tendência é de que o Bloco aprove a prorrogação com unanimidade. Tudo indica que, caso uma nova data para o Brexit seja aceita (provavelmente o dia 31 de Janeiro de 2020), os britânicos poderão ter uma eleição para um novo Governo, ainda antes de dezembro. Caso algum Partido consiga a maioria, o mesmo obterá maior controle sobre o processo. O Brexit, em janeiro, poderia também facilitar a ocorrência de um novo referendo, já que Partidos como os Liberais Democratas e os Trabalhistas apoiam essa opção. 

———————————————————————————————–

Notas:

* A Irlanda do Norte é localizada no norte da ilha da Irlanda. O país é parte do Reino Unido e faz divisa ao sul com a República da Irlanda. Apesar de o Reino Unido e a República da Irlanda serem dois países distintos, não há fronteiras físicas entre os dois, fato possível por ambos fazerem parte do Mercado Comum Europeu, o que permite a livre circulação de bens e pessoas. A região, contudo, historicamente, sofre com conflitos entre aqueles que advogam pela unificação da ilha, e aqueles que querem se manter como parte do Reino britânico. Para maiores informações: http://ceiri.news/irlanda-do-norte-e-a-questao-da-fronteira-com-a-republica-da-irlanda-diante-do-brexit/

** O Conselho Europeu é o órgão da União Europeia que reúne os Chefes de Estado ou Governo dos países membros. O polonês Donald Tusk é o atual Presidente do órgão.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestantes durante marcha em favor novo referendo20 de Outubro de 2018 / autor Mary E Carson” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brexit_March_Death_among_the_demonstrators.jpg

Imagem 2Boris Johnson, PrimeiroMinistro britânicoChatham House” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/chathamhouse/26147764939

Imagem 3Boris Johnson e Donald Tusk (Presidente do Conselho Europeu) durante reunião da cúpula dos países membros da UE dia 17 de Outubro de 2019 que selou mudanças no acordo de saída do Reino Unido © European Union” (Fonte): https://newsroom.consilium.europa.eu/permalink/p91861

Imagem 4Manifestantes, nas ruas do centro de Londres, pedem um novo referendo Sábado dia 19/10/2019” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/threefishsleeping/48928157071

Imagem 5Carta assinada por Boris Johnson. O PrimeiroMinistro diz que o adiamento do Brexit poderá prejudicar os interesses do Reino Unido e de seus parceiros da EU” (Fonte): https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/840660/PM_to_Donald_Tusk_19_October_2019.pdf

Imagem 6John Bercow, o Speaker do Parlamento Britânico, é quem tem poder para decidir quais propostas podem ser votadas, segundo as regras da Casa UK Parliament” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/uk_parliament/48710692842/

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os dinamarqueses têm Mette Frederiksen como nova Primeira-Ministra

Nas últimas semanas emergiu na Dinamarca nova Chefe de Governo para liderar o país e substituir Lars Rasmussen, do Venstre – V (Partido Liberal), que ocupou o cargo de 2015 a 2019. A função de Premiê dinamarquês caberá agora a Mette Frederiksen, da Socialdemokraten – A (Partido Social-Democrata), a qual já serviu como Ministra da Justiça e Ministra do Emprego entre os anos de 2011 e 2015.

Frederiksen é a segunda mulher a ser Premiê no Estado escandinavo, e a Primeira-Ministra (PM) mais jovem do país. Ela foi escolhida pela rainha Margarida II para liderar as negociações de formação do novo governo, e apresentou seus planos enfatizando o clima, o bem-estar e a imigração.

Em relação aos desafios climáticos à política danesa*, mencionou a elaboração de uma lei específica sobre a temática, com prazo anterior ao Natal. Frederiksen deseja envolver mais a sociedade nessa luta, sobretudo o setor comercial (em especial o transporte marítimo) e o setor público. Dentro dessa perspectiva, ela abordou sua intenção de auxílio no combate a abusos e negligências infantis na Groenlândia, e suas motivações de trabalhar visando resolver questões sobre o Ártico.

Mette Frederiksen discursando como PrimeiraMinistra

Na pauta do bem-estar, a PM trouxe seu comprometimento na reintrodução da pensão antecipada e injeção de recursos financeiros, à fim de buscar melhorar as condições de vida das crianças, policiais e idosos, mesmo que alguns deles talvez não sejam beneficiados rapidamente. No tocante à imigração, Frederiksen prometeu combate rigoroso contra a atuação de gangues e crimes praticados por imigrantes. Ela defendeu a responsabilidade e confiança para as pessoas que solicitaram permanência no país.

O jornal Copenhagen Post trouxe algumas afirmações da primeira-ministra Frederiksen, a qual frisou: “Precisamos fortalecer tudo o que define a Dinamarca. Estou ansiosa para trabalhar com todos vocês aqui no Parlamento. Temos de cumprir as esperanças que geramos: uma Dinamarca mais segura, mais justa e mais verde”.

Os analistas observam com atenção os planos políticos da Premiê danesa, que são bastante incisivos e aguardam os acontecimentos futuros. A ampliação da pressão sobre a política ambiental, os maiores arranjos no bem-estar populacional e o cerco maior contra os criminosos de origem estrangeira serão desafios importantes a serem vencidos em tempos de sensibilidade verde e social.

———————————————————————————————–

Nota:

* Danês: adjetivo pátrio de cidadão nacional do Reino da Dinamarca.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeiraMinistra da Dinamarca, Mette Frederiksen” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/Mette_Frederiksen_%287008164667%29.jpg/1280px-Mette_Frederiksen_%287008164667%29.jpg

Imagem 2 Mette Frederiksen discursando como PrimeiraMinistra” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ab/20190614_Folkemodet_Bornholm_Mette_Frederiksen_0040_%2848068776296%29.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Letônia investe na mediação de conflitos

Diversos conflitos ocorrem ao redor do mundo e a maioria das pessoas sequer conhece a realidade das problemáticas, ounem imagina que temas simples em suas nações podem ser objeto de tensões políticas. A área de mediação de conflitos éfundamental para a costura dos arranjos de paz, pois, é nela que as partes se juntam para discutir suas queixas.

A Letônia é um Estado que historicamente não possui tradição em mediação, todavia, o país ingressou no Grupo de Amigosda Mediação da Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente sob liderança da Finlândia e da Turquia. Durante a 10ªReunião Ministerial do Grupo, realizada em Nova York, o Estado báltico defendeu o tema anual da Reunião: Novastecnologias para a paz e a mediação como ferramentas de inclusão.

Na ONU, os letões advogaram que as novas tecnologias contribuem para a prevenção de desinformações e no combate aosdiscursos de ódio que circulam pela internet. As falsas notícias possuem tendência nos dias de hoje para influenciar aopinião de diferentes grupos sociais. Diante disso, a Letônia concorda que a eliminação destas falsas ideias evoluiupositivamente com o uso da tecnologia da informação e das comunicações.

Ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics

Jornal The Baltic Times trouxe a declaração do Ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, o qualdiscursou sobre o papel prático do país em relação a mediação de conflitos: “No nível prático, a Letônia estará envolvida napromoção do diálogo e na prevenção da escalada de conflitosPor exemplo, a Letônia participará com especialistas civisna Missão de Monitoramento Especial da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europana Ucrânia e naMissão de Monitoramento da UE (União Europeiana GeórgiaTambém contribuímos para a missão da ONU no Mali”.

Os analistas observam com admiração a atitude letã de buscar a prevenção de conflitos e seu envolvimento em missõesespecíficas sobre a pauta, todavia, salientam o entendimento de que a luta contra a desinformação pode ter umainterpretação política de caráter regional, visto que, vez por outra, os Estados bálticos e a Federação Russa trocamafirmações sobre o tema, pois, os bálticos receiam que os russos venham a invadir seus territórios, e os russos queixam-seda aproximação da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na circunvizinhança de suafronteira.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Discurso de Edgars Rinkevics” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2c/Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Ds.jpg/1280px-Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Ds.jpg

Imagem 2 Ministro das Relações Exteriores da LetôniaEdgars Rinkevics” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/V%C3%A4lisminister_Urmas_Paet_kohtus_t%C3%A4na_Tallinnas_L%C3%A4ti_uue_v%C3%A4lisministri_Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Dsega.31._oktoober_2011%286298112439%29.jpg/1280px-V%C3%A4lisminister_Urmas_Paet_kohtus_t%C3%A4na_Tallinnas_L%C3%A4ti_uue_v%C3%A4lisministri_Edgars_Rink%C4%93vi%C4%8Dsega.31._oktoober_2011%286298112439%29.jpg

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

União Europeia e Japão desafiarão a Iniciativa do Cinturão e Rota da China

A União Europeia (UE) e o Japão estão tomando medidas para fazer frente à Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), da China. Discursando em Bruxelas, na Bélgica, na sexta-feira (20 de setembro de 2019), o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, apontou que seu país pretende trabalhar com a UE para fortalecer os seus laços nas áreas de transportes, energia e tecnologia com a África e os Bálcãs, regiões importantes para a ICR, informa o jornal South China Morning Post.

Em um fórum para celebrar o primeiro aniversário do programa Conectividade UE-Ásia, Abe e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, assinaram um acordo formalizando o envolvimento do Japão no plano Europa-Ásia, que receberá um financiamento da UE de 60 bilhões de euros (aproximadamente 273 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 27 de setembro de 2019), de Bancos de Investimentos e de investidores privados.

Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019

Abe afirmou que o Japão trabalhará para que oficiais de 30 países africanos sejam treinados em gerenciamento de dívida soberana nos próximos três anos. E relembrou: “A UE e o Japão estão conectados. A infraestrutura que nós construirmos a partir de agora deve ser uma de alta qualidade. Seja uma única estrada ou um único porto, quando a UE e o Japão tomarem a responsabilidade de algum projeto, nós seremos capazes de construir uma conexão sustentável, ampla e baseada em regras, do Indo-Pacífico aos Bálcãs ocidentais e à África”.

Juncker ressaltou que “uma das bases da conectividade de sucesso é o respeito a regras básicas e ao senso comum” e indicou que a cooperação UE-Japão se foca no “comprometimento com a democracia, o Estado de direito, a liberdade e a dignidade humana”.    

Em 2018, quando a Comissão propôs a melhoria da infraestrutura de conexão digital, de transportes e de energia com a Ásia, negou que estava procurando conter as ambições chinesas. O plano da UE, que será apoiado por fundos adicionais do orçamento comum da UE a partir de 2021, por empréstimos do setor privado e por Bancos de Desenvolvimento, configurou-se como uma resposta à forte presença da China na Ásia Central e nos Bálcãs, onde Pequim investiu bilhões de dólares.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o PrimeiroMinistro do Japão, Shinzo Abe, e o Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker (2018)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=ABE+JUNCKER&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:EU-Japan_EPA_Signing_(4).jpg

Imagem 2 Países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota, em abril de 2019”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Belt_and_Road_Initiative_participant_map.svg