EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]A Campanha Militar Turca na Síria[:]

[:pt]

A Guerra Civil da Síria, palco dos confrontos entre diferentes atores estatais e não-estatais, coloca a população local e o mundo ante uma complexa rede de conexões que dificulta, cada vez mais, o caminho em direção a um cessar-fogo definitivo, na medida em que a cada dia a situação se torna mais complexa. Entre os países vizinhos, a Turquia aumentou a ofensiva transfronteiriça com a finalidade de aniquilar as forças curdas, nomeadamente, as Unidades de Proteção Popular (YPG)[1], que combatem na Síria. Na luta contra as YPG, a cidade síria de Jarablus e a aldeia de Jeb al-Kusa transformaram-se em alvos turcos e hoje contabilizam-se aproximadamente 35 vítimas mortais e 85 feridos, em consequência de ataques aéreos turcos. Neste momento, a incursão turca tem elevado as preocupações em torno de um possível confronto total, visto que os “rebeldes sírios e as forças curdas” são aliados dos EUA. A operação “Escudo do Eufrates”, iniciada no passado dia 24 de agosto, registra, pela primeira vez, após cinco anos de conflito, a incursão terrestre de tropas, oficialmente enviadas por um país estrangeiro. A Turquia afirma que a ação desencadeada se destina a combater o Estado Islâmico e as Forças Democráticas Sírias (SDF)[2], lideradas pelas YPG, no enfrentamento contra os insurgentes de Abu Bakr al-Baghdadi. No entanto, o Governo sírio interpretou a ofensiva turca como uma “flagrante violação da soberania” nacional.

O equilíbrio entre as forças presentes na Síria é cada vez mais difícil, pois agentes internos e externos têm tentado marcar posições que, geralmente, provocam a desconfiança entre as partes e fazem balançar a estabilidade regional. A intervenção militar unilateral da Turquia, conforme o Presidente Recep Tayyip Erdoğan, que já havia ameaçado com uma operação deste tipo meses atrás, abre espaço para maiores embates. Analistas advertem que isto poderá colocar o país em “confrontos […] com os seus rivais e arrastá-lo para a prolongada guerra civil do país vizinho”. Murat Bilhan, Vice-Presidente do think tank Centro Asiático Turco para Estudos Estratégicos, com sede em Istambul, há algum tempo já havia advertido que, em situação de intervenção, a Turquia irá “encontrar-se em um confronto armado com os russos, o regime sírio, o Irã, assim como outros grupos em conflito”. O empenho do Governo turco centra-se em impedir que os curdos tenham sucesso na busca pela autonomia no norte da Síria, o que representaria, dentro da Turquia, o aumento do ideal separatista.

A Síria tem se transformado em catalizadora de energias entre países e grupos rivais e tem mobilizado para as suas fronteiras e para o seu território, os anseios daqueles que pretendem conquistar e defender posições que, hoje em dia, convergem num mesmo solo. A Turquia tem argumentado que as YPG estão ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)[3], o qual vem travando uma guerra sem quartel contra o país. Esta justificativa reforça a ideia de que é necessária a criação de uma zona de proteção, mas para isto seria indispensável, de acordo com informações, que a Turquia “introduzisse uma profundidade de 20 Km a 30 Km no interior da Síria”. Para o Governo turco, a campanha militar na Síria significa uma medida protetiva. No entanto, esta atitude poderá causar, para aquele Governo, um pesado ônus em termos econômicos e de descontentamentos com atores globais contrários à intervenção do país na Síria. Do mesmo modo, os soldados turcos serão os novos alvos de grupos insurgentes e demais beligerantes que lutam no conflito sírio, que poderá se tornar mais inflamado e provocar um maior desequilíbrio regional.

———————————————————————————————–                    

ImagemUm blindado do Exército turco se dirige para a Síria a partir da cidade fronteiriça turca de Karkamis (24 de agosto de 2016)” (Fonte):

http://media1.s-nbcnews.com/j/newscms/2016_34/1682201/afp_fk5jk_909e682ce3b57428b3252bd3ec3ae519.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

———————————————————————————————–                    

Notas e Fontes Consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] As Unidades de Proteção Popular [sigla: YPG] são uma milícia criada em 2011. Elas atuam sob o comando do Comitê Supremo Curdo na região de Rojava (Curdistão sírio, ao norte do país, na fronteira com a Turquia e o Iraque). Elas são um movimento de esquerda conhecido pela ampla participação de mulheres, tanto no partido quanto no seu braço armado. As Unidades de Proteção Popular recebem treinamento militar e armamentos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão da Turquia (PKK), assim como dos EUA. Apesar dos crescentes enfrentamentos com o Exército sírio, colaboraram com ele na luta contra o Estado Islâmico em regiões como Hassake, no nordeste da Síria. Elas são a força militar das Forças Democráticas Sírias, criadas em outubro de 2015 para expulsar o Estado Islâmico e que reúnem, também, combatentes árabes sunitas e cristãos, bem como assírios e turcomanos. São, igualmente, aliados do Conselho Militar Assírio, criado em 2013 para proteger áreas assírias de Hassake contra os jihadistas. As Unidades de Proteção Popular têm, como ativos, entre quarenta e cinquenta combatentes. Desde outubro de 2014, cerca de quatrocentos combatentes internacionais teriam se somado ao YPG, na brigada internacional Os Leões de Rojava. Em março de 2016, membros das Forças de Segurança das Unidades de Proteção Popular cercaram as posições do regime sírio em Qamishli, tendo detido oitenta soldados do regime de Bashar al-Assad e capturado sete dos seus veículos. O comandante geral das Unidades de Proteção Popular é Sîpan Hemo.

[2] As Forças Democráticas Sírias [siglas SDF ou QSD], uma coligação contrária ao presidente Bashar al-Assad, estando presentes na Guerra Civil da Síria. Elas foram criadas em Outubro de 2015 para criar, na Síria, um Estado secular, democrático e federal, e para expulsar o Estado Islâmico. Elas reúnem, também, combatentes árabes sunitas e cristãos, bem como assírios e turcomanos. As Forças Democráticas Sírias têm a suas sede em al-Qamishli, operando nas províncias de Aleppo, Hasakah, al-Raqqa e Deir ez-Zor. Os aliados das Forças Democráticas Sírias são os EUA, a França, a Rússia, o Reino Unido, a Alemanha, e alguns grupos do Exército Livre da Síria. Integram as Forças Democráticas Sírias, as Unidades de Proteção Popular, as Unidades de Proteção das Mulheres, Liwa Thuwwar al-Raqqa, a Brigada Seljuq, o Exército dos Revolucionários, o Batalhão do Sol do Norte, Jabhat al-Akrad, Brigada Seljuk, o Batalhão Rebelde Tel Rifaat, Liwa Thuwar al-Raqqa, Lîwai 99 Muşat, a Brigada dos Grupos de al-Jazira, as Novas Forças Síras, Jaish al-Salam, as Brigadas Jarabulus do Eufrates, al-Sanadid, as Milícias Tribais de al-Shaitat, Liwa Siqur el-Badiye, o Conselho Militar Siríaco, as Forças de Proteção das Mulheres Bethnahrin, o Conselho Militar de Mabij, o Conselho Militar al-Bab, o Conselho Militar de Jarablus, as Brigadas Livres de Jarablus e as Brigadas dos Falcões de Jarablus.

[3] O Partido dos Trabalhadores do Curdistão [sigla: PKK] é um partido defensor da independência do Curdistão, fundado em 1978, por Abdullah Öcalan. O partido, que tem raízes marxistas-leninistas, iniciou a luta armada contra o Governo turco em 1984. Na sua assembleia fundacional, realizada em 27 de Outubro de 1978, o PKK adoptou, como princípio, a formação de um partido, uma frente e um exército. O PKK é considerado, por diversos Estados e organizações, como uma organização terrorista internacional. A Turquia rotula o PKK como uma organização étnica separatista, que usa o terrorismo e a ameaça da força contra civis e alvos militares, com a finalidade de alcançar os seus objetivos políticos.

[:]

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Letônia e Rússia: a questão dos cidadãos e não-cidadãos[:]

[:pt]

Os países da região do Báltico constituem-se de etnias diferentes que tiveram formação ao longo da construção de suas identidades nacionais. Todavia, suas trajetórias políticas não foram alvo de tamanha diversidade no decorrer de suas histórias, pois a conjuntura internacional não permitiu a consolidação de suas independências por causa da anexação soviética. Logo, percebe-se não somente a mitigação de seus anseios, como também o incremento da cultura russo-soviética no âmago das sociedades dos três Estados bálticos.

Na atualidade, observa-se o reflexo negativo que a teia social da Letônia experimenta, visto que, após o retorno de sua soberania, os aspectos pretéritos não tiveram uma solução eficaz e, hoje, atingem o cotidiano da população, pois a minoria russa que passou a maior parte de suas vidas no país agora é vista como não-cidadã, simplesmente por não serem letões, ou pelas não aprovações nos exames linguísticos de naturalização.

A problemática pode ser vista no relato de 15 de agosto, segundo o qual, um estudante da Letônia não teve permissão de ingresso no território russo pela falta de visto, pois, ao desembarcar em Moscou, os agentes de imigração informaram que houve uma modificação legislativa 5 dias antes, a qual declarava a negação de entrada para não-cidadãos sem visto, aplicando-se aos que nasceram no período anterior a 1992. O cidadão letão não entrou na Rússia, mas conseguiu um visto de trânsito com auxílio da Embaixada da Letônia em Moscou, para retornar ao seu país. Pode-se perceber que o caso do estudante letão transparece mera falta de informação e de fato é um equívoco do mesmo, porém faz-se necessária a compreensão das resoluções normativas de ambos os atores para melhor entendimento da questão da cidadania e da não-cidadania na Letônia.

Em 15 de outubro de 1991, os letões estabeleceram a regra da não-cidadania, a qual deixou distante da esfera legislativa e política 700 mil habitantes. A posteriori, a Rússia instituiu, em 6 de fevereiro de 1992, a regra, já dita, acerca dos não-cidadãos letões que apenas poderiam entrar no país sem visto, até os seus 18 anos, desde que um de seus pais fosse não-cidadão da Letônia. Porém, em 2008, os russos alteraram esta regra e permitiram o ingresso de não-cidadãos letões, sem visto, durante o período de 90 a 180 dias.

Conforme a opinião dos analistas, é preciso urgentemente que Riga modifique sua posição em relação aos 232 mil não-cidadãos presentes em seu território, pois uma carência de ética na questão praticamente empurra estas pessoas a uma condição de apátrida, e remonta a situações drásticas na história humana, nas quais o nacionalismo hipérbole e o totalitarismo são tristes exemplos de empenho. É preciso apontar que a miscigenação apenas contribui para o crescimento e desenvolvimento de qualquer nação que deseja alcançar um grau de solidariedade e de influência satisfatória no mundo global, seja com seus vizinhos ou com países longínquos, visto que o Estado-nação é uma mera artificialidade dos homens e o importante nesta equação é a garantia dos direitos básicos das pessoas.

———————————————————————————————–

ImagemBandeira da Letônia sobre o território do país” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/27/Flag-map_of_Latvia.svg/1000px-Flag-map_of_Latvia.svg.png

 [:]

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]Diálogo Intercultural na Europa e a Burka[:]

[:pt]

No dia 24 de agosto, uma imagem chocou o mundo: a polícia francesa obrigou duas mulheres a retirar parte de sua vestimenta, por estarem usando o chamado burkini – uma adaptação da burka que permite o banho para algumas muçulmanas –, gerando o constrangimento de ambas e uma forte reação da comunidade islâmica.

O burkini está proibido em algumas praias do litoral francês, região que registrou o último atentado perpetrado na França, quando um caminhão matou dezenas de pessoas e feriu outras durante a celebração do “14 de Julho” (Dia da Bastilha), em Nice.

A proibição abriu um profundo debate na França, mas também ecoa em outros países da Europa, não sendo esta a primeira vez que uma mulher muçulmana é obrigada a retirar o véu ou a abandonar o local. Casos em Madrid, Berlim e Zurique já foram registrados diversas vezes, além da aplicação de multas em algumas ocasiões.

A Europa entrou em guerra contra a vestimenta típica da religião islâmica, principalmente a Burka, ainda que exista também resistência para outras peças femininas (hijab, chador, nikab etc.), alegando que as mesmas inibem a integração social das mulheres islâmicas, além de gerar tensões ou serem usadas para promover atos violentos. Ressalte-se que, no entanto, roupas típicas de outras culturas e religiões, tais como o sari da Índia, os ponchos das comunidades andinas, ou o véu das religiosas cristãs parecem não causar o mesmo constrangimento e impacto social.

O que muitos também parecem não levar em consideração é a dimensão da comunidade muçulmana que existe dentro da União Europeia, que soma mais de 20 milhões de pessoas, superando a população de países como Portugal, Áustria, Holanda, dentre outras nações do Bloco, e o fato de a União Europeia já negociar com países da região dos Balcãs, onde a comunidade muçulmana é maioria, ou está fortemente representada, tais como Albânia, Bósnia Herzegovina ou Kosovo. Isso, além do impasse turco, das relações com o norte da África e o contínuo fluxo migratório dessa região, fortalecido pela questão dos refugiados.

Desde a fundação da União Europeia, um dos preceitos que rege o Bloco é o respeito aos direitos humanos, às liberdades individuais e à diversidade de culturas que existe na região, de modo que a questão do véu não é somente uma discussão da comunidade local da Costa Azul e sim um tema que afeta diretamente a escala de valores nos quais se fundamenta a própria União Europeia, colocando em evidência suas assimetrias e mazelas.

O assunto já foi até mesmo discutido diversas vezes pelo Tribunal de Direitos Humanos de Estrasburgo, levantando questões importantes não somente para Europa, como também para o resto do mundo, tais como: até onde chega o poder do Estado em legislar os costumes e regras que pertencem ao nosso âmbito privado e que são intrínsecos a nossa escala de valores; ou, como podemos gerar uma sociedade democrática quando, por um lado, pregamos a liberdade em suas diversas vertentes, mas, por outro, limitamos a livre expressão de elementos fundamentais da vida humana, tais como a fé e a cultura.

Encontrar resposta a essas questões é a única forma de promover uma real integração dentro da União Europeia e, assim, conseguir superar as tensões sociais que existem no continente, as quais são cada vez mais intensas, e, finalmente, gerar uma identidade europeia formada pelas múltiplas dimensões que compõem a realidade do Bloco e de sua sociedade. Ou seja: que um europeu seja cidadão europeu e possa ser muçulmano e alemão, ou cristão e espanhol.

Caso a Europa não consiga promover esse diálogo intercultural, os processos demográficos e sociais que moldam sua sociedade impactará na legitimação dos Estados que formam o Bloco, reduzindo progressivamente a governabilidade, além de gerar o aumento das tensões internas e externas, configurando a União Europeia como um possível palco do atrito intercultural, ao invés de exemplo de integração entre as nações.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

http://www.europeanfinancialreview.com/wp-content/uploads/2014/06/muslim_eu_blue-537×350.png

[:]

BLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Em busca do Espírito da Europa[:]

[:pt]

Em encontro repleto de simbolismos, Matteo Renzi (Primeiro-Ministro italiano), François Hollande (Presidente francês) e Angela Merkel (Chanceler alemã) reuniram-se no último dia 22, na ilha italiana de Ventotene, para marcar o passo da discussão dos principais temas da agenda da União Europeia após o referendo que selou a saída do Reino Unido do Bloco Europeu (Brexit).

A ilha, localizada no Mar Tirreno nas proximidades da cidade de Nápoles, habita o imaginário integracionista europeu como palco do nascimento das ideias federalistas e integracionistas a favor de uma Europa unida. Lá, entre 1941 e 1944, Altiero Spinelli, considerado um dos “Pais Fundadores” da União Europeia, e seus correligionários escreveram o Manifesto de Ventotene, no qual delimitaram os fundamentos da sua visão federalista e o futuro da Europa.

Como não poderia deixar de ser, a reunião teve como pano de fundo um ambiente europeu ainda perplexo pelo resultado do referendo de 23 de junho de 2016, ocasião em que os britânicos optaram por sair do Bloco. Acerca deste ponto, o encontro em Ventotene enquadrou-se como uma pequena reunião de cúpula para as três maiores economias da Europa alinharem suas posições, com vistas à reunião informal que será realizada no dia 16 de setembro, em Bratislava, capital da Eslováquia, com os 27 membros do Bloco. A reunião terá como pauta o futuro da União Europeia em face à saída do Reino Unido do Bloco Europeu.

Adicionalmente a essa pauta, o encontro abordou ainda assuntos de caráter mais imediato que afligem o Bloco, tais como segurança, terrorismo, fronteiras externas da União Europeia e migrações. Acerca destes tópicos, a imprensa europeia noticiou recentemente movimentações pontuais como a possibilidade de criação de uma guarda costeira europeia, necessidade de reforçar a defesa coletiva da União e, principalmente, como enfrentar a questão migratória e suas consequências internas.

O encontro foi marcado por um tom europeísta afinado entre as chancelarias dos três países. Durante a coletiva de imprensa no porta-aviões Garibaldi, navio italiano símbolo de operações humanitárias e de vigilância no Mar Mediterrâneo, Renzi, Hollande e Merkel não pouparam menções ao legado de Spinelli na tentativa de retomar o espírito da Europa unida.

Inspirados no passado, mas projetando o futuro, os líderes europeus reconheceram a existência de deficiências na União Europeia. Contudo, indicaram que o Bloco desempenhou, e ainda desempenha, um papel catalisador importante para o desenvolvimento harmônico do continente. Nesta linha, as três personalidades se esforçaram para sinalizar que a União Europeia continua sendo uma opção sólida para que os europeus possam articular o enfrentamento dos seus dilemas internos com seus desafios no cenário internacional.

No geral, a Cúpula teve caráter eminentemente político, em alguma medida até ontológico, visando passar uma mensagem otimista sobre o futuro da União Europeia e esboçar os primeiros alinhamentos para a árdua negociação do Brexit. Processo que ainda está aguardando definições para ser iniciado, principalmente do Reino Unido, e deve continuar movimentando o noticiário pelos próximos anos.

———————————————————————————————–                    

ImagemMatteo Renzi, François Hollande e Angela Merkel em coletiva de imprensa concedida a bordo do portaaviões Garibaldi após visita à ilha de Ventotene” (Fonte):

http://www.governo.it/media/ventotene-vertice-italia-francia-germania/5597

[:]

DEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Lituânia e Bielorrússia: a violação do espaço aéreo[:]

[:pt]

No dia 11 de agosto às 10:37 h da manhã as autoridades lituanas registraram em seus radares duas violações no espaço aéreo do país próximo à fronteira com a Bielorrússia. A ação teve duração de 10 minutos e as aeronaves possuíam uma tipologia sem identificação, ou seja, não foi possível especificar as características dos aviões, e os aviões de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que realizam missão de patrulha na região de Siauliai, não puderam fazer a interceptação.

O clima político na região do Báltico não é dos mais favoráveis por causa de tensões entre os respectivos países e a Rússia, no tocante a questão da anexação da Criméia, e para intensificar os ânimos, emerge no cenário à violação do espaço aéreo da Lituânia, supostamente feita pela Bielorrússia, a qual possui a figura de Alexander Lukashenko na qualidade de Presidente, desde 1994, a quem atribui-se o título de ditador.

A etnia Bielorrussa (bela (bielo) rus, isto é, dos russos brancos) é a predominante no país cuja capital é Minsk, e constitui-se numa de três etnias formadoras do eslavo oriental (russos, ucranianos e bielorrussos). Sua história remonta ao Grão-Ducado da Lituânia, no século XII, e, na atualidade, tornou-se independente em 1991, após o desmantelamento da União Soviética, cujo modelo de administração aparenta imitar atualmente, conforme se observa por artigos de analistas e notícias disseminadas na mídia na qual constam acusações de desrespeito aos direitos humanos e fraude eleitoral.

O Ministério das Relações Exteriores da Lituânia reportou uma nota diplomática sobre o episódio na Bielorrússia e afirmou: “De acordo com serviços de monitoramento do espaço aéreo da Lituânia, o espaço aéreo foi violado por duas vezes em 11 de agosto em 10:37, (hora lituana), por um tipo não identificado de aeronaves, que entrou no espaço aéreo perto do Distrito Municipal de Lazdijai. A violação da espaço aéreo lituano durou até as 10:47”. O Ministério também convidou o embaixador bielorrusso a dar uma explicação sobre a situação e a garantir medidas de precaução contra ocorrências futuras. O Gerente e Chefe de Informação do Ministério da Defesa da Bielorrússia, Vladimir Makarov, apenas declarou: “A informação não é confirmada”, mas os bielorrussos comprometeram-se a compartilhar informações com a Lituânia.

Segundo os analistas é preciso apontar duas variáveis: a primeira é a investigação dos fatos de forma realista e transparente em estreita cooperação entre as autoridades de ambos os Estados, com o objetivo de evitar um mal-estar diplomático, sobretudo a partir da atenção com o clima o qual poderia causar baixa visibilidade a olhos nus e terminar por confundir o observador quanto ao tipo de aeronave que cruzou o radar. A segunda remete ao caráter geopolítico, o qual requer a atenção da Lituânia, visto que a Bielorrússia não apresenta o perfil genérico de Estado democrático e possui uma parceria muito forte com Moscou, cujo relacionamento poderia advir em prejuízos, no tangente as apurações do caso.

———————————————————————————————–                    

ImagemDistrito de Lazdijai Lituânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Lazdijai_in_Lithuania.svg/1000px-Lazdijai_in_Lithuania.svg.png

———————————————————————————————–                    

Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1]Lituânia acusa a Bielorrússia de violação do espaço aéreo” (Acesso: 12.08.2016):

http://lietuvosdiena.lrytas.lt/aktualijos/lietuva-kaltina-baltarusija-pazeidus-oro-erdve.htm

[2]Lituânia acusa Bielorrússia de violar seu espaço aéreo” (Acesso: 12.08.2016):

http://www.baltictimes.com/lithuania_accuses_belarus_of_violating_its_airspace/

[3]O Ministério de Defesa da Bielorrússia não confirma a informação sobre a violação do espaço aéreo da Lituânia” (Acesso: 17.08.2016):

http://www.interfax.by/news/belarus/1210843

[:]

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Pacote anticorrupção da Espanha[:]

[:pt]

Desde as últimas eleições na Espanha, no dia 26 de junho deste ano (2016), Mariano Rajoy, líder do Partido Popular e vencedor das duas últimas eleições, tenta pactuar com os demais partidos no intuito de obter a maioria necessária no Parlamento e, assim, assumir o cargo de Presidente, o qual, mesmo após suas duas vitória, nunca chegou a ocupar, devido à falta de consenso dos políticos espanhóis e ao sistema parlamentar que rege o país, não havendo maioria de votos que apoiem a sua investidura.

Por um lado, a Espanha superou a crise econômica que pairava sobre sua economia desde 2008, havendo ainda alguns resquícios dela, tais como o aumento da pobreza e o elevado índice de desemprego, mas o PIB do país cresce desde 2015, acima da média da Zona Euro, principalmente graças às medidas de austeridade implementadas pelo Governo de Mariano Rajoy. Por outro lado, os problemas derivados dessas medidas gerou uma profunda crise política, marcada por diversos casos de corrupção protagonizadas pelo partido da Presidência, fazendo com o que o país permaneça sem Presidente instituído, desde dezembro de 2015, sendo Mariano Rajoy apenas o Presidente em funções.

O Rei Felipe VI teve de intervir em diversos momentos durante as negociações, tanto após o resultado das eleições de dezembro de 2015, como após as segundas eleições, realizadas em junho de 2016, com o intuito de gerar o consenso necessário para a aprovação do Presidente espanhol no Parlamento. Ainda assim, o processo tem sido lento e difícil.

Em uma tentativa de evitar uma terceira eleição, o líder de direita do Partido Popular negocia com os demais partidos a criação de uma aliança focada na restauração da Espanha, motivada, principalmente, pelo projeto separatista da Catalunha e pelo desgaste das instituições espanholas.

Seu maior desafio é convencer ao segundo e terceiro colocados nas eleições (Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, e Pablo Iglesias, do Partido Podemos, ambos líderes de esquerda, que, juntos, somam mais votos que o próprio Partido Popular) a liberar os votos no Parlamento ou a se absterem durante a votação. Por outro lado, tenta convencer ao partido Cidadãos – quarto colocado nas eleições e representante da nova direita espanhola – a formar uma aliança e, juntos, somarem 169 dos 176 votos necessários para a investidura de Mariano.

O líder do partido Cidadãos, Albert Rivera, finalmente cedeu nas negociações e formou uma aliança com o Partido Popular, mas com a condição de que um pacote anticorrupção fosse assinado e colocado em prática o mais rápido possível.

Este pacote anticorrupção espanhol contempla medidas importantes, tais como:

– Fim do Foro Privilegiado.

– Afastamento imediato de qualquer político sob investigação até a conclusão da mesma.

– Possibilidade de apenas 2 mandatos.

– Eliminar indultos para políticos acusados de corrupção ou crimes públicos.

– Criação de uma CPI para investigar o financiamento do Partido Popular.

– Fim do voto secreto e das listas parlamentares secretas.

O Documento, na íntegra, foi assinado no Congresso de deputados de Madrid e disponibilizado para o público. Ainda assim, somente entrará em vigor quando Mariano Rajoy for investido no cargo de Presidente.

A Espanha, assim como muitos países na América Latina, enfrenta o reflexo das crises dos últimos anos e o desgaste político causado pela corrupção e pelas medidas de contenção do gasto público, que afetaram a qualidade de vida das pessoas, criando um impasse entre a ação política e as reivindicações sociais.

Independentemente disso, a posição dos analistas converge para a convicção de que as políticas de luta contra a corrupção são, sem dúvidas, a principal pauta para garantir a volta da estabilidade social, o fortalecimento das instituições e a governabilidade do país.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

http://4.bp.blogspot.com/-9OFJnGoUMtw/VqvoxCATRcI/AAAAAAAABOw/eJdIu4HgP9M/s1600/1417204848_980203_1417301374_noticia_normal.png

[:]