EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Desemprego na Europa e sinais de uma nova crise mundial

Segundo dados da Organização Mundial do Trabalho, ao longo do ano de 2016, o desemprego continuará aumentando em quase todos os países emergentes e na União Europeia.  A desigualdade salarial e a instabilidade econômica são apontadas como os principais fatores para o aumento do desemprego e mais de 210 milhões de pessoas podem perder suas vagas de trabalho, até 2019.

Embora economias como a dos Estados Unidos e Japão tenham demonstrado uma melhoria nos índices de emprego, outros países sofrem com a incapacidade do sistema internacional alcançar seu ponto de equilíbrio, o que gera o riscos de uma nova recessão, algo que, aos poucos, pode contaminar todo o panorama internacional.

Na Europa, países do Mediterrâneo continuam com elevados índices de desemprego. Grécia e Espanha lideram a lista, com uma taxa superior a 20%, destacando-se que o indicador geral do Bloco se aproxima dos 10%, com o desemprego começando a avançar em economias mais consolidadas da União.

A instabilidade nas economias latinas e a redução do crescimento da economia chinesa podem agravar essa situação na Europa, já que grandes multinacionais enfrentam problemas em suas filiais e o aumento das perdas de postos de trabalho nas economias emergentes gera uma redução na demanda de produtos de maior valor agregado, impactando diretamente na recuperação dos fluxos comerciais e econômicos do Bloco Europeu.

Durante a Crise Financeira de 2008, os mercados emergentes mantiveram parte expressiva da atividade econômica internacional e as remessas de divisas foram responsáveis por manter grande parte das sedes, localizadas em países afetados pela crise. Empresas como o Grupo Santander, Volkswagen, Telefônica, Accor, entre outras, sobreviveram, em significativa medida, graças às economias aquecidas da América Latina e da Ásia, mas sua recuperação não foi plena.

Com a redução do crescimento da China e o colapso das economias produtoras da América Latina, a Europa enfrenta um futuro incerto, já que a recuperação dos países mais afetados está longe da conclusão e a instabilidade política da região é crescente. Fatores econômicos, sociais e políticos parecem, aos poucos, confluírem e estão desenhando o preâmbulo de uma grande crise mundial.

Os países latinos, que sofrem com a queda do preço das commodities, e a redução da demanda internacional enfrentam profundas mudanças políticas que podem dificultar a sonhada integração regional e até mesmo o alinhamento das economias locais, promovendo novos obstáculos para a recuperação econômica da área.

A China deve aos poucos equilibrar sua economia e buscar novas fórmulas para manter seus rendimentos, ainda que alterando seus sócios e parceiros e dando prioridade a novos Tratados, tais como o Tratado TransPacifico (TTP), algo que, sem dúvidas, gera impacto nas economias dependentes, como é o caso da brasileira.

Por último, a Europa atua como um prisma que reflete todas essas mudanças, pois não somente sofre com a crescente tensão regional, tanto na área social, como nas áreas política e econômica, como, também, o impacto da atividade chinesa e os problemas nos países latinos. Tal situação vem deixando o Velho Continente em uma situação com alto grau de imprevisibilidade.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://atr.org.es/wp-content/uploads/2016/01/desempleo-en-espa_a.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A importância russa na geopolítica internacional: o caso da Síria

A Rússia é um país com população de 143,8 milhões de habitantes; Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,798 pontos; e Produto Interno Bruto (PIB), em 2014, no valor de 1,4 trilhão de euros (aproximadamente, 1,584 trilhão de dólares), com crescimento de 0,6%, registrado neste ano, posicionando-a como a 10a economia do mundo.

A Federação Russa adquiriu a responsabilidade de atuar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após o fim da União Soviética, em 1991, por ser considerada a sua herdeira, contudo, sofreu pressões políticas e econômicas ao longo dos anos por causa do processo de reestruturação estatal. Com o advento do ataque terrorista de “11 de Setembro de 2001”, os russos passaram a ter maior projeção no sistema internacional e fragilizou-se a ideia de um mundo unipolar.

Atualmente, os russos demonstram sua influência na geopolítica global, por meio do envio de forças militares à Síria, sendo esta uma ação realizada em resposta ao pedido de apoio do presidente Bashar al-Assad, pois, desde 2011, a Síria permanece em guerra civil devido a revoltas populares que objetivam a mudança do Regime e a defesa da Democracia, as quais culminaram na fragmentação social, de modo a dividir o país em duas forças gerais: o Governo e os Rebeldes, que envolvem grupos diversos. A Este apoio ao Governo Assad, soma-se o enfrentamento dos problemas que a Síria e toda a área enfrentam com a atuação do grupo Estado Islâmico (EI), o qual assola a região com a intenção de formar um Califado, razão pela qual os russos também combatem diretamente os militantes fundamentalistas do EI.

Em sua atuação em território sírio, a Rússia realizou quase 9.000 missões, libertou 400 assentamentos e tornou-se ator importante no estímulo de acordos de cessar-fogo, por meio de uma série de ataques aéreos no país, que contribuíram para a diminuição do poderio do EI e para a manutenção da estabilidade do Regime de Assad, logo, do seu Governo. Conforme destacou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin: “Estas ações retratam fundamentalmente a situação. Passamos uma grande quantidade de trabalho para fortalecer a autoridade legítima e soberana da Síria. O mesmo acrescenta: “Espero que a decisão de hoje seja um bom sinal para todos os lados do conflito, e que aumentará significativamente a confiança dos envolvidos neste processo”.  

No tocante as relações entre Rússia e Estados Unidos, as opiniões sobre o caso sírio tendem a divergência, porém o cenário apresenta-se otimista quanto ao futuro. Como afirma o especialista do Instituto de Países da Comunidade de Estados Independentes (CEI), Vladimir Ievseiev: “A Rússia realizou consultas com os Estados Unidos e começou a retirada depois de ter a promessa de que o envolvimento turco na Síria seria reduzido”. Complementarmente, para o editor-chefe da revista Russia in Global Affairs, Fiódor Lukiánov, “O principal objetivo da operação das tropas aéreas russas não foi só lutar contra militantes do EI, mas também virar a maré da guerra civil”.

Conforme se pode apreender de analistas, observadores internacionais e disseminações na mídia, existem dois fatores relevantes na questão síria: a resolução do conflito e o futuro do Estado. No primeiro fator observa-se o papel russo, cuja diretriz visa a estabilidade de Damasco e a desestabilização do EI, o que se considera viável, no tangente a extinção da dor de milhares de pessoas contra o flagelo da guerra; no segundo fator, entende-se que é possível um acordo político com o Estado Sírio no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, em busca de uma solução pragmática que respeite a soberania do país e a vontade da população.

———————————————————————————————–

ImagemPutin e Assad” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ab/Bashar_al-Assad_in_Russia_%282015-10-21%29_09.jpg

———————————————————————————————–

Leituras Adicionais:

[1] Putin expressou os custos da operação na Síria à Rússia (17.03.2016):

http://www.pravda.ru/news/world/17-03-2016/1295428-cost_syria-0/

[2] Relatório do Centro Russo Para a Reconciliação de Lados Opostos na República Árabe Síria (17.03.2016):

http://eng.mil.ru/en/news_page/country/[email protected]

[3] Putin ordena retirada de Forças Armadas russas da Síria (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/politica/2016/03/14/putin-ordena-retirada-de-forcas-armadas-russas-da-siria_575633

[4] Rússia inicia retirada de suas tropas aéreas da Síria (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/siria/2016/03/15/russia-inicia-retirada-de-tropas-aereas-da-siria_575879

[5] Caminho livre para o golpe final contra o EI (17.03.2016):

http://gazetarussa.com.br/siria/2016/03/16/caminho-livre-para-o-golpe-final-contra-o-ei_576247

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Alemanha registra chegada recorde de 2 milhões de estrangeiros em 2015

De acordo com o Escritório Federal de Estatísticas, em relatório publicado no último dia 21 de março de 2016, a Alemanha registrou no ano de 2015 a chegada de 2 milhões de estrangeiros, um número recorde na história pós-guerra do país. Embora a publicação não especifique quantos destes são refugiados, estima-se que haja, atualmente, 1,2 milhão de fugitivos de conflitos em solo alemão, a maioria tendo chegado entre 2014 e 2015. As cifras indicam que a imigração líquida aumentou 49% em 2015, em comparação ao ano de 2014. E, pela primeira vez, imigrantes de países não europeus superaram àqueles advindos da Europa.

De acordo com dados reproduzidos pela Folha de São Paulo, no ano passado, 860 mil estrangeiros deixaram a Alemanha, o que resultou num aumento líquido de 1,14 milhão de pessoas desse contingente na população total. Um comunicado do Statistisches Bundesamt (Serviço de Estatística Federal) informou que esta foi “a maior imigração líquida de estrangeiros já registrada na história da república federal alemã”. Mas a mídia local apontou que estes números ainda não incluem nem mesmo todos os refugiados do ano passado. O serviço de notícias Foco indicou que “os números reais são ainda maiores” vez que os estatísticos presumiram que “nem todos os requerentes de asilo são rapidamente detectados pelas autoridades registradoras”, e que os números, portanto, “continuam a aumentar”.

No ano de 2014, chegaram à Alemanha 1,343 milhão e saíram do país 766 mil, com saldo líquido de 577 mil. Assim, o saldo de estrangeiros em 2015 foi quase o dobro do registrado em 2014. Com os dados de 2015, o número de estrangeiros residentes na Alemanha passou de 8,15 milhões para 9,11 milhões, o equivalente a 11,1% da população total de 81,5 milhões.

Durante o ano de 2015, a Síria, com 428 mil pessoas registradas, foi o país de origem do maior número de refugiados na Alemanha. Em seguida, o Afeganistão, com 154 mil; o Iraque, com 122 mil; a Albânia, com 69 mil; e o Kosovo, com 33 mil. Em 2015 foram ainda registrados 477 mil pedidos de asilo, o maior número da história do país europeu. A Alemanha é o principal destino dos refugiados e imigrantes que chegam à Europa que são, em sua maioria, sírios. A maior parte chega ao continente através do Mar Egeu, em viagem do oeste da Turquia às ilhas gregas.

Somente na segunda-feira, 21 de março o Governo grego informou que 1.662 pessoas desembarcaram nas ilhas de Lesbos e Chios, no Mar Egeu, desde o domingo anterior, 20 de março. O desembarque foi registrado mesmo após a entrada em vigor do Acordo entre União Europeia e Turquia, selado em 18 de março de 2016, que prevê o retorno de todos aqueles que fizerem a travessia ilegal à Turquia. O controverso Acordo com Ankara permite às autoridades europeias “devolverem” todos os imigrantes que entraram ilegalmente, via Turquia, no bloco de 28 nações. Merkel e autoridades turcas afirmam que o Acordo visa controlar o influxo caótico de imigrantes ilegais e desmantelar a rede de tráfico ilegal de pessoas, mas os críticos ao plano acusam-no de ser “míope” e “desumano”, e que o envio de pessoas vulneráveis de volta poderia violar o Direito Internacional.

O Acordo foi condenado pela Anistia Internacional e por advogados suecos: “Os requerentes de asilo têm o direito fundamental de ter seus pedidos de asilo individuais revistos em um país seguro. Nos termos deste acordo, há risco real de que as pessoas tenham seu direito negado a uma avaliação individual, pois trata todos os refugiados sob um acordo de massa”, declarou à agência de notícias sueca TT, Louise Gunvén, advogado e membro do Conselho dos Advogados Sem Fronteiras. A lei de asilo proíbe o regresso a um país que não é seguro, onde há risco das pessoas serem submetidas a tratos desumanos e degradantes ou à tortura. “Nossa experiência extensiva da Turquia demonstra que as pessoas correm risco de serem expostas a esse tipo de tratamento no país”, afirmou Guvén.

Todos os anos, milhares de pessoas fugidas da violência, insegurança e perseguição doméstica tentam uma perigosa viagem através do Norte de África e em todo o Mediterrâneo para chegar à Europa. E, todos os anos, inúmeras mortes são registradas nestas jornadas. Para a organização Médicos Sem Fronteiras, a maioria dos deslocados no mundo vivem em outras regiões, dentro de seus próprios países de origem (deslocados internos), ou nos país vizinhos a seus países natais e, a relativamente poucos deles, é concedido asilo alhures.

Doze milhões de sírios (50% da população nacional) foram deslocadas pelo conflito em curso. Oito milhões fugiram para outras partes da Síria. Quatro milhões vivem como refugiados nos países que cercam a Síria – muitos desses países estão agora sobrecarregados (atualmente, uma em cada quatro pessoas vivendo no Líbano é refugiada síria). Em cinco anos de guerra civil síria, somente um milhão de sírios alcançou a Europa – o que representa menos de 2% do total da população europeia.

———————————————————————————————–

ImagemRefugiados esperam para atravessar a fronteira grecomacedônia no campo de Idomeni, na Grécia” (Fonte Reuters):

http://www.independent.co.uk/news/world/europe/eu-turkey-refugee-deal-un-and-amnesty-attack-short-sighted-and-inhumane-plan-a6919966.html

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A perspectiva estoniana sobre a segurança do Báltico

A atual conjuntura geopolítica no Mar Báltico possui três atores específicos, dos quais depende a maioria das relações políticas e econômicas. São eles: a União Europeia (UE), a Estônia e a Rússia, que se debruçam a exercerem suas influências na região e a produzirem efeitos na comunidade internacional.

O primeiro ator, a UE, abriga em seu íntimo valores próprios, cuja centralidade evoca o princípio Kantiano de Paz Perpétua, o qual se alicerça no cosmopolitismo contra o flagelo da guerra. Nesta visão de sociedade, existe um forte direcionamento que estimula os Estados-membros a respeitarem a autodeterminação dos povos, o Direito Internacional, e o livre-comércio.

O segundo ator, a Estônia, apresenta uma perspectiva de aproximação junto ao modo de vida da UE e pode-se afirmar que os estonianos são tão próximos politicamente de Bruxelas, quanto o são da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), logo compreende-se a declaração da Ministra de Relações Exteriores da Estônia, Marina Kaljurand, na Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, ao dizer: “Dada a natureza agressiva da política externa da Rússia e a discrepância nos nossos valores, a política europeia atual deve continuar”. Sob a questão da OTAN, a chanceler Kaljurand afirma: “Foi dito de forma eficaz pelos representantes russos que tinham atingido a fase de uma nova Guerra Fria, eu simplesmente não posso ver como esse tipo de diálogo poderia ter lugar no âmbito do Conselho OTAN-Rússia”.

O terceiro ator, a Rússia, ressente-se das atividades da OTAN no mundo e alega que o belicismo da instituição representa um perigo para a paz global. Na Conferência de Segurança de Munique, o Primeiro-Ministro russo, Dmitry Medvedev, afirmou que se vive hoje uma Guerra Fria, em referência a um suposto ataque aberto da Turquia em território sírio. A expansão da OTAN na Europa Oriental, sobretudo, na região do Báltico é preocupante aos russos que percebem seu país como um alvo principal num sistema de natureza hegemônico, cujo fundamento anseia por se tornar unipolar.

Consoante aos analistas, percebe-se que Tallinn sente-se em ameaça no que tange aos fatos da crise ucraniana e, sobretudo, após a declaração do primeiro-ministro Medvedev sobre o mergulho do mundo em uma nova Guerra Fria. Contudo, é imprescindível a formação de diálogos transparentes e desestímulos à militarização no Báltico, de forma a não criar tensões e desarmonias internacionais.

———————————————————————————————–

Imagem  “Mapa da Estônia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/76/Estonia_1999_CIA_map.jpg

———————————————————————————————–

Leituras Adicionais:

[1] Estônia vê improvável melhoria nas relações NATORússia, após comentários de Medvedev sobre Nova Guerra Fria” (17.02.2016). Ver:

http://www.baltictimes.com/estonian_fomin_sees_unlikely_improvement_in_nato-russia_relations_after_medvedev__new_cold_war__comments/

[2] A Ministra do Exterior Marina Kaljurand: “a atual política da União Europeia continuará nas relações com a Rússia” (17.03.2016). Ver:

http://www.vm.ee/en/news/foreign-minister-marina-kaljurand-current-policy-european-union-relations-russia-will-continue

[3] NATO na Guerra sobre o mundo (19.03.2016). Ver:

http://sputniknews.com/columnists/20160216/1034827634/munich-security-conference-nato-cold-war.html

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

União Europeia e Turquia firmam Acordo para o retorno de imigrantes

A Cúpula do dia 7 de março retomou o diálogo entre Bruxelas e Ancara para apaziguar os efeitos dos fluxos migratórios nos 28 países da União Europeia. A proposta, levantada neste Fórum, pactuou com o fechamento da “rota migratória dos Bálcãs”, medida que implicará em drásticas mudanças em relação ao tratamento recebido pelos requerentes de refúgio em solo europeu. Além do fechamento da rota, o Acordo proposto prevê que a Turquia receberá, novamente, todos os migrantes que atravessarem irregularmente as suas fronteiras com a Grécia. Tal medida ocorre a partir do dia 18 de março.

O Primeiro-Ministro turco, Ahmed Davutoglu, classificou o Acordo como um movimento “humanitário”, além de afirmar que a “União Europeia e a Turquia tem o mesmo destino e futuro”. O Primeiro-Ministro acredita que a medida reduzirá o tráfico humano, concomitantemente, encorajará a travessia por meios legais, mas é de consenso que a crise migratória somente terá um ponto final, ou uma estabilização da situação, quando os conflitos na Síria forem encerrados.

Parte do Acordo negociado na última sexta-feira (18 de março) é de que, para cada refugiado sírio que esteja em processo de retorno à Turquia, a UE reassentará outro dentro de seu território. Em contrapartida, a UE cessará a obrigatoriedade de visto de entrada para cidadãos turcos, a partir de junho de 2016, e aumentará a verba de auxílio para lidar com a crise, de 3 para 6 bilhões de euros.

Um ponto de atrito que o novo Acordo gerou foi no quesito dos Direitos Humanos. O regresso forçado de migrantes é uma prática ilegal, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. As garantias estabelecidas pela Convenção das Nações Unidas para os Refugiados também serão violadas, pois, em certas ocasiões, se permite contornar a burocracia migratória em vias da busca por asilo. Organizações internacionais de proteção aos Direitos Humanos e políticos europeus, como o Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, afirmam que o Acordo está no limiar da lei internacional. No entanto, para a União Europeia, ele está dentro da legalidade e em conformidade com a legislação do Bloco.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://foreignpolicyblogs.com/wp-content/uploads/eu-turkey.jpg

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Impasse entre a direita e a esquerda e a instabilidade ibero-americana

Longe das Colaborações Premiadas e das articulações do Governo brasileiro, líderes de diversos países latinos – Tanto da América como da Europa – enfrentam a crescente instabilidade política e econômica, além da crescente divisão social, fruto da insatisfação popular para com seus líderes e a polarização da sociedade, levada ao extremo das paixões partidárias e ideológicas.

A Espanha continua em sua cruzada na busca de um Presidente que possa liderar o país e de conciliar o crescimento de sua economia com a estabilização dos índices econômicos e sociais, que são cada vez mais precários. O desemprego continua acima dos 20% e a pobreza ameaça grande parte de sua população, havendo casos extremos, como mais de 2 milhões de criança que sofrem os efeitos da pobreza e somente possuem uma fonte de alimentação, que é a merenda escolar; ou o caso dos aposentados, pressionados pela redução dos benefícios sanitários e pelas mudanças nas leis de previdência e seguridade social.

Por outro lado, e não muito diferente do que acontece em diversos países latino-americanos, os casos de corrupção proliferam e afetam a credibilidade dos principais partidos políticos e políticos consagrados, tais como o ex-vice-presidente Rodrigo Rato, que também foi diretor do Fundo Monetário Internacional, assim como personalidades de Estado, tais como a princesa Cristina, irmã do atual monarca Felipe VI,  e a ex-governadora de Madrid, Esperanza Aguirre, que estão entre os investigados por crimes de corrupção.

A dificuldade de instituir o Presidente eleito, Mariano Rajoy (direita), e, posteriormente, a tentativa de instituir o indicado pelo Rei, Pedro Sanchez (esquerda), para assumir a Presidência, indica claramente a crescente divisão social e a fratura entre as ações do Governo espanhol e sua população, havendo um bloqueio administrativo e político, algo semelhante ao que ocorre em diversos países da América Latina.

No Chile, por exemplo, aumentam as tensões em torno da presidente Michele Bachelet, havendo uma crescente divisão social entre os que apoiam suas medidas socialistas e os opositores, que apoiam medidas liberais, para promover o crescimento da economia. Na Argentina, apesar da vitória de Mauricio Macri, as tensões entre os que apoiam o Presidente liberal e os seguidores do antigo Governo Kirchner continuam dificultando o processo de transição e alinhamento da economia argentina. No Peru, Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, cresce nas intenções de voto, o que pode alinhar o país a essa transição que já ocorre na região. Até mesmo nos Estados Unidos, onde a população latina é uma minoria bastante expressiva, existe uma polarização entre direita versus esquerda, cada dia mais acirrada.

O problema desse impasse registrado em muitos países é que, até o momento, o mesmo não parece promover uma maior maturidade do processo e do diálogo democrático, mas, sim, o bloqueio da atividade política, bem como a fragmentação e divisão social, levados ao extremismo.

———————————————————————————————–

Imagem (FonteDivulgación PP/Divulgación PSOE):