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Lituânia e a guerra híbrida

A Lituânia é um Estado Báltico fronteiriço a Letônia, Rússia, Polônia e Bielorrússia, com população de 2,929 milhões de habitantes, e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,839, em 2014. O país é membro da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), desde 2004, e completa, em 2016, 25 anos de independência.

Os lituanos fizeram considerável progresso político-econômico e social, após o desmantelamento soviético, tanto com o seu ingresso no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), na qualidade de membro não permanente, como na abertura de negociações para a aderência do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), iniciativas que constituem um grande privilégio para uma nação jovem e pequena em extensão territorial.

Apesar do crescimento e conquistas expressivas da Lituânia, existe uma preocupação latente em alguns grupos sociais com a guerra híbrida e com o receio de uma suposta invasão russa ao país, na tentativa de retomar o controle da região Báltica. Conforme palavras do especialista militar da Jamestown Foundation, Glen Howard, Vilnius não estaria em condições de garantir sua segurança e, na hipótese de um conflito com Moscou, a Rússia “poderia ocupar todos os três países bálticos em cerca de 36 horas”.

O argumento central que pesa contra os lituanos é a baixa precaução contra ataques estrangeiros, pois os mesmos possuem apenas 15 mil soldados e 4.500 reservistas, o que constitui uma carência de forças militares e forte possibilidade de dependência das tropas da OTAN na região. Diante de uma tropa russa de 85 mil soldados que realizaram exercícios na área, em 2013, observa-se uma desproporção em relação ao contingente lituano. Sabe-se que a geopolítica não é favorável ao Estado, especialmente por causa do enclave de Kaliningrado, por isso, seria útil uma revisão estratégica na sua defesa nacional.   

Consoante os analistas, entende-se que, embora o contingente de minorias russas seja ínfimo na Lituânia, em comparação com a Letônia e a Estônia, para o uso de estratégias de caráter ideológico e de guerra híbrida, observa-se que o considerado desleixo do Governo lituano com sua segurança pode ocasionar uma cultura de medo entre seus cidadãos, por isso, é inconcebível a manutenção de um quantitativo de forças inferior ao ideal para uma população de aproximadamente 3 milhões de habitantes e compreende-se que, nesta questão, existe falha grave de gestão, ou excesso de idealismo.

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ImagemMapa da Lituânia  (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ab/Un-lithuania.png

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Leituras Adicionais:

* Especialista norteamericano: Rússia ocuparia os Estados bálticos, dentro de 36 horas:

http://pasaulis.lrytas.lt/rytai-vakarai/jav-ekspertas-rusija-uzimtu-baltijos-valstybes-per-36-valandas.htm  

** As provocações russas e a presença da OTAN poderiam levar a um conflito no Mar Báltico afirma o Comandante sueco das Forças Armadas:

http://www.baltictimes.com/russian_provocations_and_nato_presence_could_lead_to_conflict_in_baltic_sea_-_swedish_armed_forces_commander/

*** ViceMinistro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia e ViceMinistro Tcheco discutem a situação de segurança da região e cooperação bilateral:

https://www.urm.lt/default/en/news/lithuanias-foreign-vice-minister-and-czech-deputy-minister-discuss-bilateral-and-regional-cooperation-regions-security-situation

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Líderes europeus discutem as fronteiras e a rota migratória nos Bálcãs

A profunda crise migratória em que o continente europeu vem passando – e aqui colocando o foco nos países balcânicos, os quais recebem o maior fluxo da chegada de refugiados do Oriente Médio –, tem levantado uma série de políticas controversas e permeadas de polêmicas. Para exemplificar, uma das primeiras medidas adotadas por um país da União Europeia, visando conter o avanço dos migrantes, foi a estratégia húngara de cercar a área fronteiriça com a Sérvia e a Croácia, ação posteriormente copiada por outros países da região, como Áustria, Eslovênia e Romênia. No ano de 2015, 1 milhão e 300 mil migrantes adentraram na Europa, especialmente através da Turquia e, conforme a Europol, o fluxo têm elevado as rendas de contrabandistas e traficantes de pessoas, com estimativas de 8 milhões de euros.

A situação calamitosa levou a que, na segunda-feira passada, 7 de março, em Bruxelas, ocorresse uma reunião em caráter emergencial de todos os membros da União Europeia, adicionados dos líderes turcos e dos Bálcãs Ocidentais. Situações extremas, como têm acontecido no norte da Macedônia, provocaram a drástica medida nos países supracitados em “encerrar a rota dos Bálcãs Ocidentais”.

Espera-se que o anúncio de medidas, discutidas pelo corpo de embaixadores europeus no último sábado, 5 de março, contemple o fim de fluxos irregulares de migrantes nos Bálcãs. Uma das preocupações remetem ao espaço do Acordo de Schengen de livre circulação, que, devido às ações emergenciais, têm retomado o controle fronteiriço entre os países signatários do mesmo. Um plano de centralização de fiscalização policial europeu é tido como esperado para o ano de 2016, agregando Guardas Costeiras e Polícias de Fronteira unificadas.

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Imagem (Fonte):

http://www.thestar.com/content/dam/thestar/news/world/2016/03/06/eu-to-focus-on-greek-aid-closing-balkan-migrant-route-at-summit/eu-migrants.jpg.size.xxlarge.letterbox.jpg

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Um pedido feito aos EUA pela Rússia prevê intervenção à instalação de sistema antimíssil na península coreana

Na última quinta-feira (3 de março), conforme disseminado pela Agência EBC, a Federação Russa pediu aos Estados Unidos da América (EUA) que renuncie a sua decisão em investir na instalação de sistemas de defesa antimísseis…

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A Europa e os muros do século XXI

O muro de Berlim foi um marco na história da humanidade, representando, em cada um dos seus tijolos, as divergências e o extremismo que dividiram o mundo e que até hoje permeiam nossa realidade. Quase 30 anos após sua queda, assistimos inertes a construção de novas barreiras e vemos que o discurso de segregação e divisão continua ecoando no panorama internacional. Seja nos discursos do pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, seja em território palestino, o mundo continua levantando suas barreiras e gerando divisões.

Na Europa, o passado volta a se repetir, mas, desta vez, em uma escala e proporção continentais. A diferença é que, agora, a barreira é construída para isolar o continente do fluxo de imigrantes e refugiados vindos da sua periferia, sendo, esta, uma tentativa de criar uma ilha de bem-estar e prosperidade, rodeada pelo insucesso das nações vizinhas do norte da África, Oriente Médio e do leste Europeu.

A instabilidade da zona periférica da Europa começou com a Primavera Árabe e se intensificou após o início dos conflitos na Síria, gerando um fluxo massivo de imigrantes e refugiados que arriscam suas vidas diariamente tentando entrar por um dos pontos de acesso ao continente. A sociedade europeia divide-se entre os solidários aos refugiados e os contrários a sua recepção.

Um fator importante para compreender a problemática dos refugiados e imigrantes na Europa é que os países que atuam como fronteira em sua maioria foram afetados duramente pela crise econômica que se alastrou pelo mediterrâneo nos últimos anos, de modo que não conseguiriam absorver esse fluxo de pessoas e o impacto das mesmas em suas debilitadas economias.

Por outro lado, a distribuição e absorção dos refugiados pelos demais países do Bloco é muito deficiente e o sistema de cotas proposto pela União Europeia gera mais discussões que consensos, principalmente em países presididos por partidos mais à direita. Dessa forma, um refugiado deve transpassar diversos territórios com políticas diferentes sobre o processo de asilo e migração, antes de chegar ao idílico coração da União Europeia, ficando muitos deles pelo caminho.

Frente a essa situação, a solução encontrada pelos países fronteiriços foi cercar a Europa e, dessa forma, reduzir o número de pessoas que entram em território europeu. Desde o início da crise migratória, mais de 235 km de cercas e muros foram construídos: 175 Km ao longo da fronteira entre Hungria e Sérvia; 30 Km ao longo da fronteira entre Bulgária e Turquia, que será ampliado para 130 km; 18,7 Km nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla; e 10 km na região de Evros (Grécia), próximo à fronteira com a Turquia.

Diariamente ocorrem enfrentamentos nos muros e cercas da União, representando isto uma luta entre o sonho de uma vida melhor e o desespero por não ter nada a perder, frente ao temor ao desconhecido e a falta de empatia das autoridades fronteiriças. 

Mesmo com o inverno, o número de refugiados não para de aumentar, para desespero dos países que atuam como portas da União (e para o incômodo daqueles que se localizam em seu seio, longe das cenas chocantes registradas todos os dias), que afirmam estar dispostos a receber um determinado número de pessoas, sabendo que, a cada passo, e em cada país por onde passa um refugiado, as chances dele chegar ao coração da União vai diminuindo, pois são muitas as barreiras que devem transpor.

Paradoxalmente, a União Europeia, criada com o intuito de integrar seus povos e sua economia, levanta barreiras que lhe separa do resto do mundo e da realidade de milhões de pessoas que clamam todos os dias as suas portas.

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Imagem (Fonte):

http://www.doralnewsonline.com/doralfinal/wp-content/uploads/2015/10/1184593.jpg

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A política externa sueca e a construção de uma nova ordem de segurança global

A atual política externa sueca é feita pela Ministra dos Negócios Estrangeiros, Margot Wallström, e, especificamente, pauta-se em duas linhas de ação: a linha pragmática e a linha ideológica. A linha pragmática representa a preocupação de Estocolmo com sua própria sobrevivência, e em segundo plano com a política de paz e segurança global. A linha ideológica representa o empenho sueco na promoção de seus valores sociais, ou seja, em ações a partir da ênfase em políticas ambientais, feministas e de gênero.

A política externa representa uma das faces do corpo político de um Estado e uma das preocupações que recaem sobre a Suécia é a questão da geopolítica, ou seja, a preocupação com a sua segurança, observada dentro da perspectiva do espaço e da posição que ocupa, mais especificamente, tendo como base de orientação a segurança na região Nórdica e Báltica.

O receio centra-se em especulações sobre possíveis incursões russas e a instabilidade que estas supostas ações poderiam acarretar, sobretudo após a anexação da Criméia pela Rússia, ato que os suecos consideram constituir-se em ilícito, diante do Direito Internacional. O cenário é visto com atenção, pois os vizinhos da Suécia são membros União Europeia (UE), com exceção da Noruega e Islândia, e todos, com exceção da própria Suécia, compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

A nível global, os suecos aderem a uma ordem internacional que privilegia o respeito às instituições e normas internacionais e sua política externa busca influenciar a segurança por meio de ações ativas, destemidas e construtivas, tais como as que operam na crise síria, no combate ao Estado Islâmico, na busca de uma solução para o caso de Israel e Palestina, no apoio à União Africana de Nações, no que tange a segurança e o desenvolvimento regionais, e na aproximação com a China sobre a temática dos direitos humanos.

Dentro da perspectiva de sua política externa é importante frisar a existência de compreensões realistas e idealistas no jogo político, contudo, nenhuma decisão é feita ao acaso, pois, no tocante ao interesse, observam-se esforços construtivistas com o intuito de provocar mudanças pontuais em escala mundial.

Percebe-se o impacto dessas posturas por meio da cooperação ambiental internacional, sobretudo, em parcerias chaves com países Latinos, Caribenhos e do Pacífico, e na inclusão do feminismo na política externa da Ministra Wallström, que incentiva a participação de mulheres em negociações de paz.

Consoante a opinião de analistas, considera-se que a política externa sueca é eficaz, à medida que almeja robustez em suas ações na defesa da segurança dos inocentes, e na reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para o qual Estocolmo faz campanha neste momento em busca de conseguir um assento, porém, entende-se que certas afirmações no âmbito de políticas feministas e de gênero, como o envio de mediadoras à Síria, refletem uma posição idealista que pode conter carência de crítica, de cálculo político e irrealismo diplomático, podendo colocar a perder oportunidades estratégicas por conta de equívocos antropológicos ou de exageros ideológicos.

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ImagemMinistra dos Negócios Estrangeiros da Suécia Margot Wallström” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/Margot_Wahlstrom_Sveriges_EU-kommissionar.jpg

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Leitura Adicional:

* Apresentado por Margot Wallström, Ministra dos Negócios Estrangeiros, no Debate Parlamentar dos Assuntos Externos (quarta-feira, 24 de fevereiro 24 de 2016):

http://www.government.se/speeches/2016/02/statement-of-government-policy-in-the-parliamentary-debate-on-foreign-affairs-2016/

** Debate de Política Externa:

http://www.riksdagen.se/sv/Debatter–beslut/Ovriga-debatter/Utrikespolitiska-debatter/Utrikespolitisk-debatt/?did=H3C120160224ud

*** Wallström estabelece a linha de política externa:

http://www.aftonbladet.se/nyheter/samhalle/article22321236.ab

 

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Em nome do Rei e da Espanha

Desde as eleições presidências, no dia 20 de dezembro do ano passado (2015), a Espanha continua sem um Presidente instituído. O candidato à reeleição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, venceu as eleições, mas não conseguiu formar Governo, após diversas tentativas de estabelecer alianças políticas capazes de lhe fornecer a necessária maioria no plenário.

O Partido sofreu com os reflexos da já superada crise econômica e por uma série de escândalos políticos comparáveis ao Mensalão Brasileiro, onde até mesmo a ex-princesa Cristiana – pois seu irmão, o atual rei Felipe VI lhe retirou o título – se viu implicada em uma trama de desvios e tráfico de influências.

O Monarca espanhol, reforçando seu papel na Monarquia Parlamentar espanhola, teve que interferir no processo presidencial e indicar um candidato para formar o novo Governo. Seu escolhido foi o representante de esquerda, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que já presidiu o país antes do início da crise financeira. A Pedro Sachez lhe foi imbuída esta árdua tarefa. E, para isso, teve que se reunir com todos os líderes dos Partidos que compõe a Câmara espanhola, sendo o mais cotado para uma coalizão o líder do novo partido de esquerda: o Podemos.

Para formar tal aliança é necessário existir sinergia dos diferentes planos de Governo de cada agremiação partidária em prol de um plano comum, sendo o mesmo pautado nas questões que mais preocupam a sociedade espanhola, as quais são: o desemprego, que ainda supera 20%, e persiste, mesmo o país superando a crise; a questão da Catalunha e o impacto do processo separatista; o alinhamento Europeu e o papel da Espanha dentro da União Europeia; as políticas para reduzir a crescente desigualdade social e recuperar o estado de bem-estar; o combate à corrupção; por último, mas relacionado aos anteriores, uma possível mudança na formação política e tributária espanhola, sem descartar uma provável mudança na Constituição.

As negociações com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, não foram frutíferas o bastante para estabelecer um pacto, já que não houve consenso em relação à possível divisão de cargos e à formação da equipe de Governo, além das políticas orçamentárias. O novo Partido de centro-direita, o Cidadãos, liderado por Albert Rivera, por outro lado, se mostrou disponível a negociar, chegando a um acordo histórico na Espanha.

A Espanha, assim como a grande maioria dos países desenvolvidos, sempre se caracterizou por um panorama bipartidário e pendular, com o revezamento entre a esquerda e a direita, no comando do país. Esta, por sua vez, será a primeira situação em que uma aliança central tenta governar o país Ibérico.

Apesar da aliança, a Espanha continua em um turbilhão político. Este novo pacto não compõe maioria absoluta no plenário, pelo que o candidato Pedro Sanchez deve negociar com parcelas de políticos dos demais partidos, buscando apoio na votação, ou, ao menos, abstenção de votos e, dessa forma, ser instituído como Presidente do Reino da Espanha.

Com essa aliança estratégica, o Partido Socialista Obreiro Espanhol deseja atrair um número de políticos frustrados após os escândalos que enfrentam o Partido Popular e, ao mesmo tempo, atrair parte dos votos da nova esquerda espanhola – Podemos – e dos partidos nacionalistas que veem no candidato um caminho para o diálogo regional.

O candidato do Partido Popular e vencedor das eleições, Mariano Rajoy, ofereceu seu apoio a Albert Rivera, ainda que seu papel no Governo irá oscilar, pois o mesmo não compactua com o Plano de Governo do PSOE. Ainda assim, a Espanha parece, aos poucos, encontrar uma solução para o impasse presidencial e Pedro Sanchez, nomeado pelo Rei, para a formação do Governo, pode ser transformar em uma espécie de Artur com seus cavaleiros da Távola Redonda, unindo a Espanha em um complexo pacto em nome do Rei e da Coroa.

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Imagem (Fonte):                                                                                                                      

http://www.periodistadigital.com/imagenes/2015/12/01/albert-rivera-ciudadanos-pedro-sanchez-psoe-y-pablo-iglesias-podemos.jpg

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Eleições na Espanha e o alinhamento europeu

No dia 20 de dezembro de 2015, a Espanha celebrará as eleições presidenciais mais acirrada desde a restauração da democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.  O pais Ibérico foi um dos mais afetados pela Crise Financeira Internacional de 2008, que se alastrou pela região mediterrânea, resultando em uma profunda recessão econômica, acompanhada de elevadas taxas de desemprego – A Espanha chegou a registrar mais de 25% de desemprego – e somente voltou a crescer em 2014, após implementar uma série de políticas de austeridade ditadas pela União Europeia e de reduzir ao máximo os gastos e investimentos públicos.

O PP (Partido Popular) foi o responsável por implementar as medidas desde sua vitória em 2011, substituindo ao PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) que fora por grande parte da população responsabilizado pela fragilidade econômica da Espanha no início da crise.

Embora as medidas de austeridade tenham obtido o resultado desejado na economia espanhola – cujo PIB voltou a crescer e deve aumentar entre 2,5 a 2,7% em 2015 – o desgaste social promovido pela aplicação da mesma abalou a popularidade do PP, que perdeu grande parte do apoio popular nas eleições municipais e autonômicas realizadas ao longo de 2015.

Outro efeito do desgaste na população espanhola e dos reflexos da crise econômica, foi o surgimento e/ou fortalecimento de novos partidos políticos, dentre os quais se destacam: Podemos e Cidadãos, sendo o primeiro muito parecido ao Syriza, da Grécia, e movido por ideais socialistas e revolucionários, e o segundo uma nova opção conservadora, que se considera centro-direita.

O debate político na Espanha se concentra em dois assuntos: por um lado a recuperação do estado de bem-estar e a redução do desemprego; por outro, o projeto nacionalista da Catalunha e a necessidade de defender a integridade territorial e a legitimidade do Estado espanhol.

Com os resultados positivos da economia, a ameaça de uma cisão territorial promovida pela Catalunha assim como os reflexos dos atentados de 13 de novembro em Paris, a população aos poucos se decanta pelos partidos de direita. O PP lidera as intenções de voto e pode voltar a governar, mas vai precisar de uma aliança com o Cidadãos para obter maioria absoluta no Congresso. Já o partido de oposição PSOE permanece como segunda maior força política da Espanha, porém com menos expressão, já que muitos dos seus eleitores mudaram seu voto para o Podemos, não havendo no horizonte a possibilidade de uma aliança entre ambos.

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.com

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.com

À diferença de Portugal e Grécia, a Espanha parece se alinhar aos interesses da União Europeia e ao crescimento da centro-direita no continente. O país é a 4ª maior economia do Bloco e possui uma considerável participação na Eurocâmara (a mesma usa o critério populacional para distribuir o número de eurodeputados), sendo importante seu apoio para a aprovação e consecução de projetos da União.

Com o aumento do discurso de integração entre os países membros e a recuperação gradual do Bloco, a Espanha pode sair fortalecida após 6 anos de crise e participar de forma mais ativa na política da região.

Estas eleições são decisivas para o futuro da Espanha, pois não somente ditará o caminho a seguir em relação a preservação da unidade territorial do Estado e uma possível mudança na Constituição para resolver o embate, como também o alinhamento do país com as mudanças geopolíticas na Europa, orientando-se em direção ao eixo Paris-Berlim e se consolidando como um player importante na formulação política e na tomada de decisão da União Europeia.

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Imagem 1 – “Barômetro realizado pelo jornal  Elpais.com” (Fonte):

http://estaticos01.expansion.com/assets/multimedia/imagenes/2015/12/03/14491564466977.jpg

Imagem 2 (Fonte):

http://elpais.com/elpais/2015/12/03/media/1449142505_535753.html