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O significado das eleições parlamentares na Ucrânia

A Ucrânia realizou suas eleições parlamentares no dia 21 de julho (2019). Seu Parlamento, a Verkhovna Rada, é eleito sob o regime de voto misto, no qual metade das 450 vagas são distribuídas em listas de partidos* e a outra em distritos eleitorais de um único membro**. Nestas eleições, o presidente Zelenski teve sua segunda grande vitória no ano, com seu partido – o Servo do Povo – obtendo a maioria das cadeiras do Parlamento, mais de 43%. Com o Poder Executivo e Legislativo em suas mãos haverá pouca dificuldade para aprovar sua pauta de reformas.

Observa-se que apesar da guerra travada no leste do país há cinco anos, a Ucrânia deu mostras de sua resiliência na defesa do regime democrático. Com a menor participação (49,8%) da população na história ucraniana, a eleição parlamentar referendou a eleição presidencial que levou Vladimir Zelenski ao poder, obtendo 254 cadeiras das 450 disponíveis no Parlamento.

Diagrama do Parlamento formado em julho de 2019

Em um segundo lugar, afastado, tivemos o Plataforma de Oposição – Pela Vida, de Yuriy Boiko, do qual já se aventava uma representação razoável, mas bem menor do que a que já houve dentre os partidos pró-russos. Em terceiro e quarto lugares tivemos os partidos União PanUcraniana Pátria”, de Yulia Tymoshenko, e o Solidariedade Europeia, de Petro Poroshenko, respectivamente, de centro-direita e centro-esquerda. Interessante notar que suas participações nos resultados são muito próximas. Ambos os partidos são liderados por políticos tradicionais que, inclusive, já ocuparam altos postos no escalão da política nacional, Tymoshenko como Primeira-Ministra (2005; 2007-2010) e Poroshenko como Presidente (2014-2019).

Logo atrás desses partidos, a surpresa, o partido Voice, do músico Sviatoslav Vakarchuk (que já fora deputado em 2007), fundado em maio de 2019 e de orientação pró-europeia. Trata-se de um fenômeno similar ao que levou Zelenski e o seu Servo do Povo ao poder, pautado na busca de novos rostos para política e com um discurso de renovação para fortalecimento do Estado: “Devemos destruir o inimigo interno e nos tornar fortes diante do inimigo externo”.

Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Lista de Partidos

Grupos considerados como de extrema-direita, por sua vez, reduziram sua participação. Em 2014, dois candidatos às eleições presidenciais de partidos como Svoboda e Setor da Direita, respectivamente, Oleh Tiahnybok e Dmytro Yarosh, obtiveram 1,2% e 0,7% dos votos do eleitorado. Juntamente ao National Corps, tais partidos obtiveram apenas nove cadeiras nas eleições parlamentares. Já na eleição presidencial deste ano (2019), outro candidato desta linha política, Ruslan Koshulynskyi, alcançou apenas 1,6% dos votos. Nas eleições parlamentares de julho de 2019, o único partido concorrente deste grupo, o Svoboda, apoiado pelo National Corps e pelo Setor da Direita, alcançou 2,2% com apenas um candidato ganhando a votação.

Outro dado interessante na política ucraniana é a participação feminina em ascensão. Apesar do novo Código Eleitoral estabelecer cotas de participação feminina, ele entrará em vigor somente em 1º de dezembro de 2023. Nestas eleições, a presença de mulheres entre os candidatos eleitos passou de 12% para 19%, tanto no partido do ex-presidente Poroshenko (o Solidariedade Europeia), quanto no do atual mandatário (o Servo do Povo), e no estreante (o Voice), com 40%, 27% e 44,4% dos eleitos, respectivamente.

Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Candidato Único por Distrito Eleitoral

Vladimir Zelenski e seu Servo do Povo foram os grandes vitoriosos este ano. Eles obtiveram ampla aceitação, referendada pela participação popular nas urnas. Eles poderão formar todo o governo e aprovar qualquer indicação presidencial para os cargos de Procurador Geral, Chefe de Serviço de Segurança, Ministro das Relações Exteriores, entre outros. Política externa e interna serão controladas com fácil consenso. Além disto, a aprovação de leis sofrerá pequena oposição, exceto para Emendas Constitucionais, para as quais são necessários um mínimo de 300 legisladores. Neste ponto, sim, o poder de articulação terá de entrar em ação.

O voto no Servo do Povo foi um voto em prol de uma agenda reformista, mesmo que se considere que os apoiadores financeiros do Partido possam sair beneficiados. No entanto, o incomum são as propostas contra vantagens destinadas ao sistema político. O Partido quer tirar a imunidade dos parlamentares e introduzir um mecanismo para removê-los do cargo, além de Referendos sobre questões cruciais de importância pública. Sua proposta mais controversa visa criar um Projeto de Lei que proíbe qualquer funcionário do ex-governo Poroshenko ocupar cargos públicos.

Observadores consideram que a luta contra a corrupção na Ucrânia é tão importante, se não mais, que a luta contra inimigos externos. Mas, apontam que a ansiedade em a travar pode levar à introdução de mecanismos autoritários que tornem o Estado Ucraniano uma arena política onde o Legislativo se sobreponha ao Judiciário. No país, as mudanças são vistas como bem-vindas, mas requerendo debate e transparência.

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Notas:

* Representação Proporcional por Lista de Partidos corresponde ao sistema de votação que favorece a representação proporcional em eleições, nas quais vários candidatos são eleitos através de uma lista eleitoral.

** Distritos Eleitorais com Membro Único corresponde ao sistema eleitoral que indica o candidato de sua escolha em uma cédula. Apesar de comum, não é um sistema universal e é praticado em cerca de um 1/3 dos países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fachada do Verkhovna Rada (Parlamento da Ucrânia)” (Fonte): https://web.archive.org/web/20071005120059/http://portal.rada.gov.ua/control/uk/publish/category/system?cat_id=46656

Imagem 2 Diagrama do Parlamento formado em julho de 2019” (Fonte adaptado): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Verkhovna_Rada_2019.svg

Imagem 3 Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Lista de Partidos”(FonteBy TohaomgOwn work [based on data from the website of State voters register], CC BYSA 4.0): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=77631482

Imagem 4Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Candidato Único por Distrito Eleitoral” (FonteBy TohaomgOwn work [based on data from the website of State voters register], CC BYSA 4.0): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=80705720

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A Estônia e a EXPO Dubai

A EXPO é uma exposição internacional com o propósito de estimular a organização das atividades e apresentação de temáticas específicas. A EXPO ocorre anualmente e é gerenciada pelo Escritório Internacional de Exposições (BIE – sigla em inglês para Bureau International de Exposições).

A BIE, por sua vez, é uma organização internacional com sede em Paris, França, e se encontra responsável pela vigilância e aplicação da Convenção Relativa às Exposições Internacionais, que nasceu em 22 de novembro de 1928 e estabeleceu a antiga Oficina Internacional de Exposições. Ela ficou sob administração da Sociedade das Nações (SN) até a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), quando se tornou autônoma. A gestão da BIE recai sobre as exposições que possuam duração superior a 3 semanas e com limites de até 6 meses.

Diante do exposto, a cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi a escolhida por votação para a realização da EXPO 2020, a qual acontecerá de 20 de outubro de 2020 a 10 de abril de 2021. O evento possui como tema central “Conectando Mentes, Criando o Futuro”, e reúne empresas privadas e organizações governamentais e não-governamentais (ONGs) com o objetivo de discutir negócios, tecnologia, sustentabilidade, ciências, cultura, gastronomia, urbanismo e economia.

EXPO Dubai 2020

A importância da participação estoniana na EXPO Dubai 2020 envolve a possibilidade de apresentar ao mundo o que o país pode oferecer. Diante disso, as empresas de tecnologia de Tallinn* observam uma oportunidade de inserção e de demonstrarem seus potenciais. Dentro dessa perspectiva, as empresas da Estônia ganharam um fundo do Programa Expo Live na cifra de US$ 100 milhões (em torno de 368,62 milhões de reais, conforme a cotação de 31 de julho de 2019) dados a instituições que tenham desenvolvido produtos com implicações sociais, humanitárias e ambientais.

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Chefe da representação da Estônia na EXPO, Andres Kask, sobre a pauta a qual vê com entusiasmo: “Até à data, o fundo EXPO Live de 100 milhões de dólares financiou 121 projetos de 65 países. Empresas letãs e finlandesas já receberam apoio, pelo que vale a pena agarrar a oportunidade e apresentar uma candidatura. O apoio financeiro é uma coisa, mas outro é ser um membro do clube de inovação da EXPO – a Comunidade de Inovadores Globais da Expo Live –, que oferece uma excelente oportunidade para estabelecer contatos em todo o mundo”.

Os analistas compreendem que a EXPO Dubai será um meio bom para a expansão do networking das empresas estonianas, as quais, em sua maioria, são da área de tecnologia, e o acesso aos recursos da EXPO Live muito podem contribuir para ampliar as possibilidades de exposição de novas ideias e produtos de pequenas empresas estonianas.

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Nota:

* Tallinn: capital da Estônia; utilizada como referência ao Estado e seu governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Riigikogu Parlamento da Estônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Riigikogu_Parliament_of_Estonia.JPG

Imagem 2 “EXPO Dubai 2020” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/Logo_expo_2020.gif

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Tensão entre a Turquia e o Ocidente após aquisição de armamento russo

A Turquia anunciou a compra de um sistema de defesa antiaérea S-400, como parte de um programa de aquisição de equipamento da Rússia. As primeiras baterias foram entregues em Ankara no dia 12 de julho de 2019.

O país é um parceiro estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Desde sua entrada na OTAN, em 1952, três anos após o surgimento do Bloco, a Turquia tem atuado de maneira presente para a consolidação dos objetivos estratégicos que este possui.

Como retaliação, em vista da compra do sistema S-400, os Estados Unidos decidiram suspender a cooperação com a Turquia em programas de defesa. Na quarta-feira, dia 17 de julho, foi anunciado que o tradicional aliado estava suspenso da sua participação no programa F-35.

De acordo com a Casa Branca, a associação de equipamento russo é incompatível e põe em risco o desenvolvimento do programa de caças. O sistema de defesa antiaérea requer o uso combinado de radares, lançadores de projeteis e outros equipamentos, dentre estes as aeronaves. Caso a Turquia fizesse uso de ambos sistemas, isso iria requerer que estes atuassem de forma integrada.

Tendo em vista que o objetivo do F-35 é ser um caça “invisível”*, a associação a um sistema de defesa controlado por terceiros poderia comprometer sua principal característica. O governo turco argumenta que os equipamentos não seriam integrados ao sistema da OTAN, não colocando riscos aos interesses da Aliança

Protótipo do caça F-35

O governo de Ankara reagiu imediatamente à decisão e conversas diplomáticas de alto nível foram estabelecidas já no dia 18 de julho para tentar mitigar os efeitos desta suspensão. Esta representaria perdas em distintos aspectos. Para além dos efeitos que a suspensão do repasse de 30 aeronaves ao país causaria em sua capacidade militar, a Turquia sofreria pesados efeitos econômicos, pois, a indústria local produz 900 componentes destinados ao novo jato de combate. No entanto, o país iniciou conversas para produzir componentes do sistema de defesa russo.

A busca do governo turco por uma aquisição deste porte com um rival global da OTAN representa uma mudança na postura diplomática, que não privilegia exclusivamente os aliados Ocidentais, refletindo, também, uma série de descontentamentos turcos com seus tradicionais aliados.

Políticas como o armamento pelos Estados Unidos das Forças Democráticas da Síria (grupo curdo atuando na fronteira do país com a Turquia) desagradaram a Ankara. O Porta-Voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, declarou em artigo a Bloomberg que uma aliança não significa que “alguns membros são livres para impor suas agendas a outros”; declarou também que os repetidos pedidos para combater forças curdas e o movimento de Gulen nunca foram correspondidas e que a aquisição de tais sistemas se fez uma “necessidade”.

Nesta segunda-feira, dia 22 de julho, uma missão diplomática dos Estados Unidos desembarcou em Ankara para discutir possibilidades para a superação dos entraves. O Secretário-Geral da OTAN, Jen Stoltenberg, afirmou que a Turquia ainda pode ser inserida no sistema do Bloco, apesar do uso de armamento russo, afirmando que o país é um aliado importante e sua saída seria danosa à Organização.

O temor existe de que eventuais embargos levariam a Turquia a buscar uma posição mais isolada, ou alinhada com países com interesses distintos dos Estados Unidos e Bloco Europeu. Neste caso, a posição estratégica turca poderia ser usada de forma prejudicial ao grupo europeu. Também há o temor de que o país deixe de respeitar certas medidas, como não avançar militarmente sobre a região curda na Síria, ou não se comprometa com a criação de uma zona de contenção na região.

O chanceler turco Hulusi Akar afirmou que a decisão estadunidense é “unilateral e injusta” e que espera que os Estados Unidos possam “evitar passos que produzam danos a ambos países, preservando direitos da Turquia enquanto aliado”.

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Nota:

* Convencionou-se chamar de “invisíveis” aeronaves que possuem uma série de tecnologias que permitem reduzir emissão de frequências de radar, de rádio, elétricas, entre outras que tornem as aeronaves detectáveis. Estes elementos constituem técnicas singulares para evitar deixar traços detectáveis por equipamentos, por conta disso possuem grande valor estratégico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Lançadores de mísseis do sistema de defesa russo, S400” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:%D0%A1-400_%C2%AB%D0%A2%D1%80%D0%B8%D1%83%D0%BC%D1%84%C2%BB.JPG

Imagem 2Protótipo do caça F35” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_Martin_F-35_Lightning_II#/media/File:F-35A_-_Inauguration_Towing.jpg

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Presidentes Putin e Lukashenko discutem sobre a União da Rússia e Bielorrússia

Nos dias 17 e 18 de julho, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente da Bielorrússia (ou Belarus), Alexander Lukashenko, realizaram reuniões informais às margens do Fórum das Regiões Russas e Bielorrussas, em São Petersburgo. As expectativas eram positivas, esperava-se que os dois líderes discutissem sobre questões estratégicas e de integração entre os dois países, principalmente referente ao Tratado firmado no final da década de 1990.

Em 1999, a Belarus e a Federação Russa acordaram a criação da União da Rússia e Bielorrússia, uma entidade supranacional em semelhança com a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Entretanto, a União não se realizou por completo, com cada Estado ainda seguindo soberano e independente, porém, mais próximos economicamente.

A reunião de Putin com Lukashenko, portanto, foi uma oportunidade para alinhar as demandas necessárias para que a Entidade prossiga em pleno funcionamento. De acordo com o Presidente da Bielorrússia, “nosso Tratado da União completará 20 anos em dezembro e eu acho que nem uma única questão deve ir além dessa data. Estamos pressionados pelo tempo. O que devemos dizer quando celebramos o aniversário? Não teremos nada a dizer se não conseguirmos resolver todas as questões pendentes e assinar um programa que determine nossas atividades futuras”.

Em vista do prazo curto, algumas decisões já foram colocadas na pauta da conversa entre os dois líderes. Ambos concordaram em vários pontos referentes às áreas de desenvolvimento do processo de integração da União e aprovam a implementação de um documento que planeje ações futuras e soluções para possíveis problemas.

Uma das propostas de confecção de bandeira que representaria a entidade supranacional, a União da Rússia e da Bielorrússia

Há ainda muito a ser discutido para que a Entidade esteja totalmente implantada, como questões econômicas, comerciais e até políticas. Por exemplo, o Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Oreshnkin, afirmou que é preciso cautela em relação à possibilidade de unir a moeda e política monetária dos dois países. Não há pressa para resolver esse assunto, visto que para implementar um programa desses é preciso estudo detalhado sobre as implicações futuras na economia.

Em contrapartida, ambos os países concordaram na criação de um mercado industrial comum até 2021. Segundo o Ministro da Economia da Belarus, Dmitry Krutoy, espera-se a unificação dos mercados não só de gás natural e petróleo, como também das indústrias, da agricultura e do transporte. Assim, “independentemente de estar registrado na Rússia ou na Bielorrússia, uma empresa trabalhará de acordo com regras comuns, com base na administração unificada, sistemas unificados de controle, sistemas informativos integrados e unificados”.

A perspectiva é que, nos próximos meses, Bielorrússia e Federação Russa realizem encontros oficiais entre suas delegações e Presidentes para resolver as questões pendentes. O caminho não será fácil. De acordo com Kirill Koktysh, especialista em Teoria Política, ambos os países “precisam estabelecer os novos objetivos da União Rússia-Belarus. A agenda anterior já foi implementada em grande parte, é imprescindível trabalhar em um novo documento para orientar as metas”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin”(Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/Jd9q7KfhD8weOCkd4zpv4sKJIctMd24Y.jpg

Imagem 2 “Uma das propostas de confecção de bandeira que representaria a entidade supranacionala União da Rússia e da Bielorrússia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_the_Union_State.svg

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Sistema russo de defesa antiaérea começa a ser entregue à Turquia

No dia 12 de julho, a Turquia começou a receber da Rússia os primeiros equipamentos para a instalação do S-400 Triumf, sistema de mísseis antiaéreos de longo alcance. Seu objetivo é defender de ataques de aeronaves, mísseis cruzeiros ou balísticos, inclusive aqueles de médio-alcance, e também impedir ofensivas terrestres. Seu alcance chega a 400km de distância e a 35km de altitude. O Acordo entre Turquia e Federação Russa sobre a venda desse aparato militar foi anunciado, primeiramente, em 2016, e a assinatura do contrato foi realizada oficialmente em 2017, o qual detém o valor de 2,5 bilhões de dólares*.

O Presidente da Turquia, Recep Erdogan, relatou que o S-400 da Rússia é o melhor sistema de defesa de mísseis do mundo e que esse é o maior tratado entre Moscou e Ancara. Conforme aponta Erdogan, “hoje, o acordo mais importante em nossa história moderna é o acordo S-400. Com a aquisição de sistemas S-400, a Turquia não está se preparando para uma guerra. Esses sistemas de defesa antimísseis devem garantir a paz e a segurança em nosso país”.

O S-400 russo

O líder, então, garantiu que a implantação desses aparatos militares servem unicamente para garantir a segurança do país. Em suas palavras, “se a necessidade surgir, teremos o direito de usá-lo [o sistema antimísseis S-400]. Caso nos ataquem, nós iremos lançar os sistemas de defesa antiaéreos”. Erdogan também comentou sobre a possibilidade de realizar uma produção do S-400 em parceria com a Rússia. Embora não haja nenhum acerto concreto sobre o assunto, os Presidentes não descartam a possibilidade de que essa colaboração ocorra futuramente.

Em contrapartida, membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizaram críticas sobre a venda e entrega do S-400, em especial os EUA. Como integrante da OTAN, a Turquia estaria sujeita ao chamado CAATSA, um ato implantado na Organização, em 2017, que penaliza com sanções os aliados que realizarem transações com o setor de defesa russo.

Caça norte-americano F-35 Lightning 2

Não houve ainda nenhum informe indicando que tais sanções serão aplicadas. Entretanto, o Governo norte-americano ameaçou retirar a Turquia do programa de desenvolvimento e de uso dos aviões de caça F-35, pois eles não são compatíveis com os sistemas russos S-400, podendo esse comprometer o funcionamento daquele. Além disso, Washington tem o receio de que os russos tenham acesso ao sistema de defesa dos caças, o que se colocaria como um risco às operações militares.

Embora haja tal perigo, a Turquia seguiu em frente com o Acordo fechado com a Rússia e espera que até abril de 2020 o S-400 esteja totalmente implantado no país. Especula-se, no entanto, que Ancara e Washington já dialogaram e chegaram a um consentimento sobre o assunto. Segundo Yuri Netkachvev, especialista militar, “as sanções relacionadas à participação do regime de Erdogan no projeto do F-35 podem ser amenizadas em troca de esforços para promover os interesses dos Estados Unidos na região”.

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Nota:

* 2,5 bilhões de dólares equivalem a aproximadamente 9,4 bilhões de reais, pela cotação do dia 16 de julho de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante o G20 em Osaka, no Japão, em 29 de junho de 2019” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/lNGvarqaa5YfW8OUm8q5GrtOQf4MGXMb.jpg

Imagem 2O S400 russo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/%D0%A1-400_%C2%AB%D0%A2%D1%80%D0%B8%D1%83%D0%BC%D1%84%C2%BB.JPG/300px-%D0%A1-400_%C2%AB%D0%A2%D1%80%D0%B8%D1%83%D0%BC%D1%84%C2%BB.JPG

Imagem 3Caça norteamericano F35 Lightning 2” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:F-35A_flight_(cropped).jpg

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Ampliação do mercado de trabalho feminino na Rússia

Considerada como uma nação baseada em preceitos patriarcais, a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) tinha como imagem tradicional das mulheres a figura subserviente aos homens, que, como os principais provedores da família, tomavam decisões para todos. Essa imagem com o tempo mudou, pelo menos superficialmente, por conta da ideologia do Estado que prescreveu a igualdade de gênero, e o Governo soviético se utilizou de subsídios para incentivar as mulheres a ocuparem o papel duplo ideal, não só cuidando do seio da família, mas, também, se inserindo no mercado de trabalho para tentar diminuir o problema da escassez de mão-de-obra masculina, a qual foi decorrida da morte de milhões de russos durante a Segunda Guerra Mundial, o que fez delas trabalhadoras em fábricas, motoristas em linhas de bonde, entre outros trabalhos.

Trabalhadora russa – década de 1940

Embora a Constituição russa determine que homens e mulheres tenham direitos iguais, em 1974 o Partido Comunista soviético lançou uma lista com profissões proibidas de serem executadas por mulheres por se tratarem de trabalhos que “poderiam prejudicar sua saúde reprodutiva” e, portanto, a “saúde da próxima geração”, o que levou ao repúdio das Organizações das Nações Unidas (ONU), considerando esse ato como processo discriminatório dentro do mercado de trabalho do país. À época, foram elencadas cerca de 450 posições de trabalhos consideradas nocivas à saúde das mulheres, proibindo seu acesso a cargos em indústrias química, metalúrgica, de petróleo, gás e mineração, na construção de túneis, mecânica aeronáutica, extinção direta de incêndios, manutenção de tubulações, entre outras, sendo que estas restrições estão em vigor até os dias atuais, mesmo sendo ignoradas por muitos empregadores.

Trabalhadora russa montando fuzil Kalashnikov

Essa lista de proibições poderá ser futuramente encurtada graças a um projeto do Ministério do Trabalho russo, segundo os meios de comunicação. Na nova versão, elaborada a partir de propostas de sindicatos e entidades patronais e apresentada à comissão encarregada de regular as relações sociais e profissionais, apenas 98 profissões teriam acesso limitado às mulheres, o que, de certa forma, poderia ampliar o mercado de trabalho feminino na Federação Russa.

A atualização dos regulamentos poderá entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021, dando oportunidades de carreira para as mulheres em empregos como motoristas de caminhão (com mais de 2,5 toneladas de carga), tripulação de convés, paraquedistas, maquinistas de trens elétricos, mecânicas de automóveis, condutoras de tratores agrícolas, ou pescadoras em barcos costeiros com redes manuais.

Atualmente, segundo informações do Vice-Ministro do Trabalho russo, Aleksêi Vóvtchenko, mesmo com estas dificuldades, das quase 79 milhões de mulheres russas (mais da metade da população), a taxa de atividade laboral entre elas chega a 63,3%, ou seja, 49,9 milhões de mulheres estão inseridas no mercado de trabalho, o que representa um índice maior do que a taxa global de 2018, que ficou em 48,5%, de acordo com o estudo “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências para Mulheres 2018”, realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em março de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trabalhadoras russas em linha de montagem” (Fonte): http://gdb.rferl.org/2AF5DC71-CB58-4091-8D22-8C23D5DE992F_w1023_r1_s.jpg

Imagem 2 Trabalhadora russa década de 1940” (Fonte): https://i.pinimg.com/originals/f5/bc/b2/f5bcb270060c85376b452ff405276fb7.jpg

Imagem 3 Trabalhadora russa montando fuzil Kalashnikov” (Fonte): https://politicalhotwire.com/threads/women-fight-for-banned-jobs.143827/