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O Papa Francisco em Turim

A Diocese de Turim acolheu, nos dias 21 e 22 de junho, o Papa Francisco. Nas palavras do próprio Santo Padre, a visita pastoral à capital da região do Piemonte teve, como objetivo principal, “venerar o Santo Sudário” e homenagear “São João Bosco, na celebração do bicentenário de seu nascimento[1]. Realizada alguns dias após a publicação da segunda Encíclica de seu Pontificado, Laudato, Si[2], a viagem de Francisco a Turim foi guiada pelo lema da ostentação do Santo Sudário para 2015: “O amor maior[3].

O Arcebispo de Turim, Dom Cesare Nosiglia, no anúncio da confirmação da ida do Papa, em novembro do ano passado, salientou que a “visita do Papa Francisco ocorre em um momento em que nossa região e cidade sofrem uma situação econômica e social de grande dificuldade por causa da falta de trabalho e de famílias na pobreza, que afetam fortemente os idosos e os jovens. A vinda do Papa é, portanto, um sinal de grande esperança e encorajamento para encontrar as raízes cristãs da fé e da fraternidade, tão bem testemunhadas pelo exemplo de nossos santos e beatos, a vontade comum de lutar nas ruas pela recuperação moral e social da nossa região[4].

Dois temas congregaram as atenções desta visita papal: o Sudário de Turim e, como já referimos, a crise laboral que assola toda a Itália, com ênfase para o norte do país, sua região mais industrializada. O Sudário, que muitos consideram ter sido a mortalha de Jesus Cristo, é uma das mais conhecidas relíquias relacionadas com a Paixão. Ele pertenceu à Real Casa de Saboia desde 1357, tendo sido doado ao Vaticano em 1983. Apesar de, “em 1988, o pano da mortalha ter sido datado por radiocarbono em três laboratórios diferentes (em Zurique, em Oxford e na Universidade do Arizona) […] e de os resultados terem dado um intervalo de datas entre 1260 e 1390[5], a Igreja Católica não tomou posição pública sobre a autenticidade da relíquia, embora a Enciclopédia Católica afirme que o Sudário está além da capacidade de qualquer falsário medieval[6].

O Sudário, que estará aberto à visitação pública, este ano, entre 19 de abril e 24 de junho, acolheu as orações de Francisco na manhã de domingo, 21 de junho. Ante a relíquia, que se conserva na Catedral de São João Batista, o Papa declarou: “O Sudário nos atrai através da face e corpo martirizado de Jesus[7]. Por outro lado, Francisco sublinhou, durante a oração do Angelus, que o Sudárionos empurra em direção ao rosto de cada pessoa que sofre e que é injustamente perseguida. Ele nos empurra na mesma direção, como presente do amor de Jesus[8].

O mundo do trabalho acolheu a primeira das reuniões do Papa Francisco, em Turim. O trabalho, considerado como fonte para a realização da pessoa, foi abordado nesta oportunidade. “O trabalho não é necessário somente para a economia, mas para a pessoa humana, para sua dignidade, para sua cidadania e, também, para a inclusão social[9], sublinhou o Papa. Considerando o papel das classes laboriosas para a construção da Itália, assim como a crise de emprego que assola o país – a taxa oficial de desemprego é superior a 12%, enquanto entre os jovens ela supera os 40%[10]Francisco frisou nesta oportunidade: “Turim é historicamente um polo de atração laboral, mas hoje se ressente fortemente da crise: falta trabalho, aumentaram as desigualdades econômicas e sociais, muitas pessoas empobreceram e têm problemas com a casa, a saúde, a instrução e outros bens primários. A imigração aumenta a competição, mas os migrantes não devem ser responsabilizados, porque eles são vítimas da iniquidade, desta economia que descarta e das guerras. Faz chorar ver o espetáculo destes dias, nos quais os seres humanos são tratados como mercadorias[11]. Daí, a proposta feita pelo Papa, aos turineses, no sentido de fomentarem a “via da solidariedade entre gerações, que se realiza antes de tudo na família[12].

O segundo centenário do nascimento de São João Bosco serviu para Sua Santidade realizar, junto com a comunidade salesiana, aquilo que especialistas consideraram ter sido uma MiniJornada Mundial da Juventude. Referindo-se ao fundador da Congregação Salesiana, Francisco destacou a importância da ação social para ajudar os jovens: “Dom Bosco nos ensina que o melhor caminho é o da prevenção: até o conflito social deve ser evitado e isso se faz com justiça[13].

É de referir, também, que a vida daqueles que sofrem mereceu, por parte do Sumo Pontífice, especial atenção ao longo desta viagem. Reunido com os doentes e pessoas com deficiência, na Piccola Casa della Divina Provvidenza, o Papa retomou o exposto em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium[14]: “A exclusão dos pobres e da dificuldade para os indigentes receberem a assistência e o tratamento necessário, é uma situação que, infelizmente, ainda hoje existe. Houve grandes avanços na medicina e na assistência social, mas se espalhou uma cultura de desperdício, como resultado de uma crise antropológica que não coloca no centro as pessoas, mas o consumo e os interesses econômicos[15].

À visão técnica dos problemas sociais, Francisco contrapôs seu entendimento holístico, das pessoas e do mundo: “A razão de ser desta Piccola Casa não é o assistencialismo, ou a filantropia, mas o Evangelho: o Evangelho do amor de Cristo é a força que a fez nascer e que a faz andar adiante: o amor da predileção de Jesus pelos mais frágeis e os mais débeis. Este é o centro[16]. Anteriormente, ao proferir a homilia da missa concelebrada na Praça Vittorio, ante dezenas de milhares de fiéis, o Papa enfatizara: “O espírito do mundo está sempre à procura de novidade, mas somente a fidelidade de Jesus é capaz da verdadeira novidade de fazer-nos homens[17].

A viagem pastoral a Turim – cidade na qual o Papa tem algumas de suas raízes familiares, onde seu pai, Mario Giuseppe Bergoglio Vasallo, foi batizado, e seus avós casaram – reafirma algumas das traves-mestras do seu Pontificado: o empenho por uma cultura de paz, a denúncia da coisificação da vida humana a partir do individualismo e do relativismo imperantes no mundo atual, a crítica veemente ao capitalismo global e, também, a reafirmação da Igreja Católica nas suas vertentes eclesiológica e pastoral[18].

Profundamente inspirado por São Francisco – “manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal[19] – é de supor que o primeiro Papa argentino e integrante da Companhia de Jesus se deixe penetrar, crescentemente, pelo amor gêmeo, tal como ele foi formulado por Santo Antônio de Lisboa[20].

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Imagem O Papa Francisco reza ante o Santo Sudário (Catedral de São João Batista, de Turim, 21 de junho de 2015)” (Fonte):

http://www.telemundo.com/sites/nbcutelemundo/files/styles/article_cover_image/public/images/article/cover/2015/06/21/papa-visita-sudario.jpg?itok=aTaMwGKP

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.diocesi.torino.it/diocesi_di_torino/in_primo_piano/00051667_21_giugno_2015__il_Papa_a_Torino_per_Ostensione_Sindone__Preghiera_di_ringraziamento_nelle_parrocchie_il_9_novembre_2014.html

[2] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

[3] Ver:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/o-amor-maior

[4] Ver:

http://www.diocesi.torino.it/diocesi_di_torino/in_primo_piano/00051667_21_giugno_2015__il_Papa_a_Torino_per_Ostensione_Sindone__Preghiera_di_ringraziamento_nelle_parrocchie_il_9_novembre_2014.html

[5] Ver:

http://www.livescience.com/6912-voice-reason-truth-shroud-turin.html

[6] Ver:

http://www.newadvent.org/cathen/13762a.htm

[7] Ver:

http://www.catholicnewsagency.com/news/shroud-of-turin-reminds-us-of-all-human-suffering-pope-francis-says-29925/

[8] Ver:

http://www.catholicnewsagency.com/news/shroud-of-turin-reminds-us-of-all-human-suffering-pope-francis-says-29925/

[9] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/june/documents/papa-francesco_20150621_torino-mondo-lavoro.html

[10] Ver:

http://www.catholicnewsagency.com/news/pope-francis-speaks-up-for-italys-unemployed-youth-61827/

[11] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/june/documents/papa-francesco_20150621_torino-mondo-lavoro.html

[12] Ver:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/das-raizes-ao-futuro

[13] Ver:

http://www.catholicnewsagency.com/news/pope-francis-asks-workers-give-immigrants-compassion-not-blame-22432/

[14] Ver:

Cf. PAPA FRANCISCO, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – A Alegria do Evangelho, 2.ª ed., São Paulo, Paulus Editora – Edições Loyola Jesuítas, 2014, trad. do italiano, págs. 40-41 [52-53].

[15] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/june/documents/papa-francesco_20150621_torino-malati-disabili.html

[16] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/june/documents/papa-francesco_20150621_torino-malati-disabili.html

[17] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/homilies/2015/documents/papa-francesco_20150621_omelia-torino.html

[18] Ao celebrar sua primeira missa, como Papa, Francisco alertou os Cardeais: “Se não professarmos Jesus Cristo, nos converteremos em uma organização não-governamental piedosa, não em uma esposa do Senhor”. Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/ultimas_noticias/2013/03/130313_papa_ong_lk_rn

[19] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

[20] Santo António de Lisboa enfatiza o papel do amor gêmeo nos seus Sermões, tanto os Dominicais, quanto os Festivos. O franciscano, pregador in universum, não se cansa de falar no amor a Deus e ao Próximo, sentimento total e retributivo que consiste na paga do Amor dispensado aos homens na Criação e na Redenção. Tal Amor é, a um tempo, atitude de doação caritativa entre semelhantes: “Amor, no étimo latino, significa ligar dois entre si. O amor, na verdade, começa por dois: o amor de Deus e o do próximo. O amor só nos bons costuma existir. Amar significa ligar dois.”, ver: SANTO ANTÓNIO DE LISBOA (Introdução, tradução e notas de Henrique Pinto Rema), Obras Completas, Porto, Lello & Irmão – Editores, 1987, Vol. II (Sermões Dominicais), pág. 20.

Prosseguindo, o Santo escreve, agora no plano dialógico: Deus, “no princípio antes de existires, deu-te a ti, no segundo momento, sendo tu mau, deu-se a ti, para que fosses bom, e quando se te deu, restituiu-te a ti. Dado, portanto, e restituído, de­ves-te duas vezes e deves-te todo.”, Id., ib., pág., pág. 22.

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Grécia evitará calote no caso de seguir as reformas econômicas prometidas aos “Credores”

A Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, acredita que ainda é possível um acordo com a Grécia se o Governo Grego seguir as “reformas econômicas” prometidas aos Credores. Em discurso na Câmara Baixa, em Berlim, ela não ofereceu concessões. Em vez disso, comparou a experiência na Grécia com países resgatados da Zona do Euro que “aproveitaram a oportunidade[1] para ajustar suas economias.

Lendo o Acordo assinado pelo premiê grego Aléxis Tsípras com os credores da Zona do Euro, em 20 de fevereiro de 2015, a Chanceler alemã afirmou que a Grécia se comprometeu com “uma ampla reforma estrutural[1], grande parte dela ainda por executar.  “A Grécia recebeu solidariedade sem precedentes nos últimos cinco anos[1], disse Merkel. “O princípio básico ainda se aplica: ajuda em troca de reformas[1], acrescentou.

A visão de Merkel tem peso, uma vez que a Alemanha é o principal financiador do resgate de 240 bilhões de euros para a Grécia. As observações da Chanceler foram feitas no mesmo dia em que os Ministros das Finanças da Zona do Euro tiveram reunião em Luxemburgo para tentar resolver o impasse com os gregos, que persiste desde fevereiro. Nesta semana, por ora, o índice da Bolsa de Valores de Atenas perdeu mais de 15%[2].

No próximo dia 30, a Grécia deve pagar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) 1,6 bilhão de euros – dinheiro que não tem em caixa. Para fazer o pagamento, o país depende de ajuda financeira. Porém, 7,2 bilhões de euros em ajuda estão bloqueados, sob a condição de que a Grécia realize reformas econômicas. O Governo, no entanto, não concorda com as reformas propostas. As medidas cobradas pela União Europeia (UE) e pelo FMI como reformas à economia grega incluem mudanças, como aumento de impostos e reduções no sistema de aposentadoria[3].

Simultaneamente, milhares de manifestantes se reuniram em frente ao Parlamento Grego na quinta-feira, dia 18 de junho de 2015, para defender que o país se mantenha na Zona Euro[4]. Na quarta-feira, dia 17 de junho, houve um protesto contrário em Atenas, para pedir “o fim dos sacrifícios[4] e apoiar o Governo. O protesto da quinta foi acompanhado por alguns membros do Governo conservador anterior.

Pesquisas de opinião mostram forte apoio entre os gregos para a permanência do país na Zona do Euro, apesar do ressentimento generalizado em relação às políticas de austeridade impostas pelos credores. Com os políticos europeus já discutindo abertamente a polêmica questão da saída da Grécia, a Cúpula de Líderes da Zona do Euro, hoje, segunda-feira, dia 22 de junho,  poderá ser a última chance de alcançar um acordo em tempo, depois que os Ministros das Finanças não conseguiram avançar nas discussões de quinta-feira passada[5].

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Imagem (Fonte):

http://www.forumnews.bg/post/34348/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-06-18/merkel-says-greece-deal-still-possible-if-it-meets-reform-pledge

[2] Ver:

http://www.bbc.com/news/business-33195732

[3] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11685004/IMF-chief-Christine-Lagarde-Greece-must-pay-up.html

[4] Ver:

http://news.sky.com/story/1504115/greeks-protest-against-eu-blackmailers

[5] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/greece/11682338/Desperation-forces-Greeks-back-out-on-to-the-streets-in-Athens-anti-austerity-protests.html

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Ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha em visita ao Brasil

De acordo com nota oficial do Itamaraty[1], entre os dias 17 e 19 de junho, o Ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, José Manuel GarcíaMargallo, realizará visita ao Brasil, cumprindo agenda em Brasília, São Paulo e Salvador.

Hoje, dia 17 de junho, em Brasília, GarcíaMargallo manterá encontro com o Ministro das Relações Exteriores Brasileiro, Embaixador Mauro Vieira, no âmbito da II Reunião da Comissão Ministerial de Diálogo Político BrasilEspanha[1]. Nesta reunião os Ministros tratarão de temas bilaterais como comércio, investimentos e cooperação educacional, bem como científica e tecnológica, além de temas regionais e multilaterais de mútuo interesse, como cooperação humanitária e a atuação dos dois países nas Operações de Paz das Nações Unidas no Haiti e no Líbano.

Brasil e Espanha são importantes parceiros estratégicos, tendo o Brasil o segundo maior montante de investimentos diretos espanhóis no mundo, e sendo a Espanha o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil.

Em matéria de cooperação internacional, o Itamaraty também informou[1] que serão abordados os projetos humanitários conjuntos de Brasil e Espanha nos últimos anos para a doação de alimentos a países da África e América Central.

Em Brasília, após a reunião com Vieira, GarcíaMargallo será recebido pelo vicepresidente Michel Temer e depois embarcará em direção a São Paulo, onde no dia 18 de junho participará de um café da manhã da Agência Efe e receberá representantes da Câmara de Comércio BrasilEspanha[2].

De São Paulo, o Ministro espanhol viajará para Salvador, onde se reunirá com autoridades locais e com empresários espanhóis.

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Imagem (Fonte):

http://static.wixstatic.com/media/1426b3_23cf344bc828463bbd4b711d55502329.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10203:visita-do-ministro-de-assuntos-exteriores-e-cooperacao-da&catid=42:notas&lang=pt-BR&Itemid=280

[2] Ver:

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/chanceleres-de-brasil-e-espanha-debatem-fortalecimento-do-comercio-bilateral,3d0e592aa913c3f0b1cdb89c95c0e970je2kRCRD.html

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA e Rússia podem se aproximar para resolver questão síria: a Síria como denominador geopolítico

Do esplendor de uma Síria, rica em história, protetora de sítios arqueológicos que ajudam a contar a evolução civilizacional, para uma Síria sob ruínas na contemporaneidade. De Alleppo a Homs, de Damasco a Palmira, de Deir ezZor a Al Qaim restam apenas poeira, sedimentos, caos e desgoverno.

Neste processo de degradação e, por muitas vezes, de esperança, uma ideia presente na obra “Cadernos do Cárcere” de Antonio Gramsci, o conceito de Crise Orgânica, pode trazer luz para tentar entender esta realidade, não apenas de sírios e iraquianos, mas do sempre complexo contexto internacional. Esta ideia se expressa numa citação sua: “A crise consiste precisamente no fato do antigo estar a morrer e do novo ainda não poder nascer; neste interregno uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece…”[1]. Deixemos de lado a teoria e a corrente na qual ela se baseia, que não se deseja aplicá-la, e fiquemos apenas com essa imagem que ressalta aos olhos, dos sintomas mórbidos que aparecem enquanto o novo não se impõe diante do antigo que chegou ao seu limite.

A última semana trouxe muita especulação sobre os rumos da Síria, com a intensificação das ações do Estado Islâmico (Daesh, nas iniciais árabes, ou Islamic State of Iraq and alSham ISIS, na sigla em inglês) além-fronteiras de seu autoproclamado Califado. As grandes potenciais ocidentais e a Rússia, ao fundo, movimentam-se diplomaticamente no fomento de uma nova estratégia militar e política para “resgatar” a dignidade síria, principalmente após uma possível queda de Bashar Al Assad, que, para especialistas em Oriente Médio, pode estar próxima.

Esses novos movimentos especulativos trazidos pelos meios de comunicação internacionais, por think tanks e também por autoridades em condição de anonimato revelam uma aproximação estratégica protagonizada por Estados Unidos e Rússia. De acordo com fontes pesquisadas, Moscou que possui uma frota no Mar Negro, como único baluarte naval fora dos domínios fronteiriços russos, incluindo antigas repúblicas soviéticas, retirou aproximadamente cem de seus nacionais de Latakia, porto situado na costa síria.

No Oriente Médio, essa movimentação tem sido interpretada como uma manobra do Kremlim para se afastar do regime ditatorial do presidente Bashar Al Assad, por acreditar não ser mais sustentável a aliança devido o grau de profundidade em que a Guerra Civil se encontra, sendo necessário, portanto, uma reengenharia política com pensamento no futuro de Damasco após a queda de Assad.

Nesse sentido, acredita-se que, se confirmado esse distanciamento de Moscou para com o atual regime sírio, o Oriente Médio terá uma oportunidade de reinvenção, já que os rumores indicam uma aliança entre Estados Unidos e Rússia, discutida com empenho no encontro entre o secretário de estado norteamericano John Kerry com o presidente Vladimir Putin, em Sochi, na costa do Mar Negro. Para especialistas e pessoas próximas de ambos os Governos, o diálogo teria evocado o pós-regime do presidente Assad e a união de esforços das grandes potências para eliminar uma ameaça que começa a preocupar alguns países da Ásia Central, sob influência russa, especificamente.

O Ministro das Relações Exteriores da Federação Rússia, Sergei Lavrov, em visita à capital do Tajiquistão, Duchambe, fez um alerta ao presidente Emomali Rakhmov sobre a deterioração da situação no Afeganistão, país com quem faz fronteira ao sul, e a necessidade de enviar destacamentos militares para prover segurança naquilo que fora considerado uma fronteira porosa e pertinente para ingresso de combatentes do Estado Islâmico que já atuam em terreno afegão.

De acordo com International Crisis Group, organização independente de amparo à preservação e resolução de conflitos, há cerca de 400 cidadãos Tajiquis do montante de aproximadamente 4.000 mil indivíduos da Ásia Central que viajaram à Síria e ao Iraque, supostamente para ingressar nas fileiras dos insurgentes sunitas.

Esse fluxo de pessoas fez com que o presidente Putin prometesse ajuda militar de US$ 1,2 bilhão ao Governo de Duchambe para combater a eventual ameaça de talibãs e demais organizações terroristas.

Entretanto, há entendimentos de que a Província de Kunduz, norte do Afeganistão, é foco considerável de presença militar russa, com um destacamento de 6.000 homens estacionados, com planejamento para mais 3.000 até 2020, tornando-se, assim, uma base estratégica dentro de uma zona de influência norte-americana, justificada nos mesmos moldes feitos pela Casa Branca há tempos atrás, ou seja, para proteger seu território contra eventuais incursões de insurgentes islâmicos.

Observa-se que a reestruturação geopolítica ocidental e russa é idealizada com base em manobras finais do Governo de Bashar Al Assad. Por exemplo, os US$ 37 e uma refeição quente por dia oferecidos para suas tropas e a contratação de mercenários afegãos, iraquianos e iranianos são entendidos por seus conselheiros como um “último suspiro”, diante dos reveses recorrentes sofridos contra a Jabhat alNusra, ISIS, bem como outros pequenos grupos opositores. Na visão de muitos no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos, um acordo político pode surgir diante dessa janela de oportunidade aberta pelo enfraquecimento militar das forças governamentais.

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Imagem (Fonte):

http://blogs.e-rockford.com/applesauce/files/2013/09/assad-obama-putin.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/inedito-o-triplo-desafio/

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Ver Também:

http://www.aawsat.net/2015/06/article55343923/opinion-defending-assad-for-37

Ver Também:

http://www.nationofchange.org/our-invisible-revolution-1383056375

Ver Também:

http://www.politico.eu/article/the-middle-east-is-falling-apart/

Ver Também:

http://www.nationalinterest.org/feature/russia-america-toward-new-detente-13077

Ver Também:

http://carnegie-mec.org/publications/?fa=59941

Ver Também:

http://foreignpolicy.com/2015/06/11/russia-is-exploiting-fears-of-the-islamic-state-to-grow-its-military-influence-central-asia-isis/

Ver Também:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,russia-longe-da-siria-imp-,1703313

Ver Também:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/em-um-ano-estado-islamico-transforma-mossul-em-seu-bastiao-7143.html

Ver Também:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-nova-geopolitica-do-petroleo/6/33705

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http://www.cartacapital.com.br/internacional/em-um-ano-estado-islamico-transforma-mossul-em-seu-bastiao-7143.html

Ver Também:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1876

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A viagem do Papa Francisco a Sarajevo

O Papa Francisco realizou, no dia 6 de junho, uma viagem apostólica a Sarajevo, capital da Federação da Bósnia e Herzegovina, país que procura a unidade para enfrentar as elevadas taxas de desemprego, a corrupção e a polarização política. A visita papal coincidiu com o 20.º aniversário da assinatura do Acordo de Paz de Dayton[1], que pôs termo à Guerra Civil nos Balcãs. A viagem àquele país do sudeste da Europa teve como objetivo, nas palavras do próprio Papa, “encorajar a convivência pacífica[2] entre os bósnios.

Fundada pelos Otomanos em 1461, Sarajevo era, em finais do século XVII, a cidade mais importante dos Balcãs. Ocupada pelo Império AustroHúngaro, em 1878, Sarajevo assistiu, algumas décadas mais tarde, em 28 de junho de 1914, ao assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando e de sua mulher, a Duquesa de Hohenberg, Sofia Chotek, acontecimento que constituiu o pretexto para o início da I Guerra Mundial. No século XX, Sarajevo foi um dos centros industriais da antiga Iugoslávia e sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, em 1984.

A cidade mergulhou no nacionalismo extremo que envolveu os Balcãs, na sequência do colapso dos regimes políticos marxistas-leninistas na Europa, quando foi cercada pelos sérvios da Bósnia, em 6 de abril de 1992, num conflito que se arrastou por mais de três anos e causou mais de 100 mil mortos. Hoje, dos 800 mil fiéis católicos do período anterior à Guerra Civil, restam 400 mil, com uma tendência contínua para o decréscimo[3].

Sábado, em sua visita de um dia a Sarajevo, o Papa Francisco teve a oportunidade de se reunir com o Presidente de turno, Mladen Ivanić, com membros do Corpo Diplomático e, também, com os sacerdotes, religiosas, religiosos e seminaristas, na Catedral, mantendo um encontro ecumênico e inter-religioso no Centro Internacional Franciscano de Sarajevo.

A viagem a este país predominantemente islâmico, que assistiu a violentos motins anti-governamentais no mês de fevereiro do ano passado[4], foi a primeira efetuada pelo Papa após a viagem à Jordânia, aos Territórios Palestinos e a Israel[5] e desde que, no Oriente Médio, tiveram início as perseguições maciças aos cristãos[6]. Por outro lado, a ida do Sumo Pontífice a Sarajevo também marcou o regresso de um máximo representante da Igreja Católica à capital da Bósnia e Herzegovina, desde que, em 1997, João Paulo II, ignorando as ameaças de assassinato, urgiu um maior diálogo entre os bósnios muçulmanos, os católicos croatas e os sérvios ortodoxos[7].

Na homilia proferida no Estádio Koševo, de Sarajevo, na presença de 65 mil pessoas, o Papa Francisco exortou os bósnios, mas também o mundo ao desenvolvimento de um esforço coletivo pela paz: “A guerra significa crianças, mulheres e idosos nos campos de refugiados; significa deslocamentos forçados; significa casas, estradas, fábricas destruídas; significa sobretudo tantas vidas destroçadas[8]. Prosseguindo, Francisco apelou aos habitantes de Sarajevo: “Bem o sabeis vós, que experimentastes isto mesmo precisamente aqui: quanto sofrimento, quanta destruição, quanta tribulação! Hoje, amados irmãos e irmãs, desta cidade ergue-se mais uma vez o grito do povo de Deus e de todos os homens e mulheres de boa vontade: Nunca mais a guerra![9].

Apesar de ter tido um caráter religioso, a visita papal levantou um conjunto de questões políticas. As fortes relações do Vaticano com a Igreja Católica bósnia têm suscitado discussões em torno da posição da Santa Sé acerca da criação de uma terceira entidade política, que represente a minoria de croatas-bósnios[10] na Bósnia e Herzegovina[11]. Por outro lado, o anúncio do estatuto das polêmicas aparições marianas de Medjugorje[12], que estava previsto para finais de 2014, ainda não foi publicamente divulgado[13].

O Vaticano comunicou que a investigação havia sido concluída, estando os resultados em mãos do Papa desde janeiro de 2014[14]. Em entrevista coletiva concedida aos jornalistas que acompanhavam o Papa Francisco no voo de regresso a Roma, após a visita a Sarajevo, o Sumo Pontífice teve a oportunidade de esclarecer: “nós estamos no momento de tomar decisões… e então elas serão anunciadas… mas apenas algumas diretrizes serão dadas aos Bispos acerca das decisões que eles irão tomar[15].

Para lá das questões políticas e religiosas, a visita do Papa Francisco a Sarajevo teve alto significado, contribuindo para reafirmar as ligações do Vaticano com a região. Analistas da Igreja Católica na Bósnia tiveram o ensejo de enfatizar que a presença do Papa foi socialmente relevante no âmbito do cuidado e preocupação para com os socialmente mais desfavorecidos. A presença de Francisco na cidade-mártir de Sarajevo constituiu, portanto, um clamor contra a apatia social e, também, um “olhar para o futuro com esperança[16].

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Imagem O Papa Francisco durante a missa no estádio Koševo, de Sarajevo” (Fonte):

http://static2.businessinsider.com/image/5572d275eab8eab11259c283/pope-francis-says-he-senses-an-atmosphere-of-war-in-the-world.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.ohr.int/dpa/default.asp?content_id=380

[2] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/it/messages/pont-messages/2015/documents/papa-francesco_20150602_videomessaggio-sarajevo.html

[3] Em 2013, o Bispo Auxiliar de Sarajevo, Dom Pero Sudar, “apelou aos católicos americanos para pedirem ao Governo dos Estados Unidos para repensar o formato imposto em 1995 pelos Acordos de Dayton. Com efeito, o entendimento de Dayton sancionou a divisão da Bósnia em duas entidades separadas: a República Srpska, dominada pelos ortodoxos sérvios, e a Federação da Bósnia e Herzegovina, agora sob controle dos muçulmanos bósnios. Studar afirma que a mensagem básica de Dayton é a de que ‘há espaço no país unicamente para dois povos, não para três’ – excluindo os católicos. O impacto foi dramático. Em 1992, existia quase 1 milhão de católicos na Bósnia e Herzegovina […]. Hoje, Dom Pedro Sudar afirma que sobram unicamente 460 mil, o que significa que a presença católica foi cortada pela metade, na qual a maioria que ficou considera estratégias de saída”. Ver:

http://ncronline.org/blogs/ncr-today/bosnian-bishop-says-us-policy-fueling-catholic-exodus

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/feb/07/bosnia-herzegovina-wave-violent-protests

[5] Ver:

https://ceiri.news/o-papa-na-terra-santa-visita-pastoral-com-significado-politico/

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/02/01/us-pope-bosnia-idUSKBN0L51HD20150201

[7] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/02/01/us-pope-bosnia-idUSKBN0L51HD20150201

[8] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20150606_omelia-sarajevo.html

[9] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20150606_omelia-sarajevo.html

[10] O movimento nacionalista croata emergiu na Bósnia em agosto de 1990, com a formação da União Democrata Croata da Bósnia e Herzegovina (Hrvatska Demokratska Zajednica Bosne i Hercegovine, HDZBiH). Na Croácia, um partido com o mesmo nome foi criado em junho de 1989, tendo ganho as primeiras eleições multipartidárias de abril-maio de 1990; seu líder, Franjo Tudjman, se tornou o primeiro Presidente da Croácia. As ligações entre os dois partidos eram fortes e Zagreb desempenhou, frequentemente, um papel proativo na política interna do HDZ bósnio”. Ver:

http://pesd.princeton.edu/?q=node/241

[11] A República Croata da HerzegBósnia foi uma entidade não-reconhecida na República da Bósnia e Herzegovina,  que existiu entre 1991 e 1994, durante a Guerra Civil da Bósnia. Ela foi proclamada em 18 de novembro de 1991 com o nome Comunidade Croata de HerzegBósnia, alegando ser distinta “política, cultural, econômica e territorialmente” do território da Bósnia e Herzegovina. A HerzegBósnia deixou de existir em 1994, quando foi remetida para a Federação da Bósnia e Herzegovina, após a assinatura do Acordo de Washington pelas autoridades da Croácia e da Bósnia e Herzegovina. (Cf. AAVV, Judgement of Julgamento de Mladen Naletilic, aka “TUTA”, And Vinko Martinovic, aka “ŠTELA”, s. l., United Nations International Tribunal for the Prosecution of Persons Responsible for Serious Violations of International Humanitarian Law Commited in the Territory Former Yugoslavia Since 1991, 31.03.2003):

http://www.icty.org/x/cases/naletilic_martinovic/tjug/en/nal-tj030331-e.pdf

Ver, também, INA VUKIC, “Towards A Croatian Entity In Bosnia And Herzegovina”, Croatia, The War, And The Future. Disponível online:

http://inavukic.com/2014/07/13/towards-a-croatian-entity-in-bosnia-and-herzegovina/

[12] Ver:

http://medjugorje.ie/files/DECLARATION-OF-THE-EX.pdf

[13] Ver:

http://www.balkanalysis.com/bosnia/2015/02/09/bosnians-await-pope-francis-june-2015-visit/

[14] Ver:

http://www.news.va/en/news/commission-to-submit-study-on-medjugorje

[15] Ver:

http://www.catholicnewsagency.com/news/pope-talks-medjugorje-coming-encyclical-on-return-from-bosnia-36240/

[16] Ver:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/do-confronto-ao-encontro

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Partido de Erdogan vence as eleições legislativas, mas perde maioria no Parlamento da Turquia

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) irá esgotar todas as opções para formar um novo Governo antes de considerar antecipar as eleições, disse o primeiroministro Ahmet Davutoglu, nesta quarta-feira, dia 10 de junho de 2015. Ele pareceu alertar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan a não interferir[1]. Davutoglu afirmou que Erdogan não se envolverá nas negociações para a formação de uma coalizão depois que o AKP, ao qual pertence, perdeu sua maioria parlamentar na eleição do fim de semana, e que ele só intervirá no caso de uma crise[2].

A votação pôs fim a mais de uma década de governo de partido único no país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e candidato a se filiar à União Europeia, prejudicando as ambições de Erdogan de estabelecer uma Presidência de grandes poderes, ao estilo norte-americano, e mergulhando a Turquia em uma incerteza política que não era vista desde os anos 1990. Novamente, em aparente alerta a Erdogan,  Davutoglu declarou: “O presidente Erdogan não faz parte das negociações da coalizão, mas irá comparecer para ajudar a superar impasses. (…). Se todos cumprirem suas tarefas e responsabilidades dentro dos limites constitucionais, uma cultura de reconciliação irá emergir[3].

Partidos de oposição vêm acusando Erdogan, que fundou o AKP mais de uma década atrás e continua sendo sua figura predominante, de continuar influenciando seus assuntos, apesar da existência de um veto constitucional que o impede de se envolver na política partidária como Chefe de Estado. Contrastando com sua quase onipresença nos meios de comunicação, Erdogan ainda não fez nenhum comentário público desde a eleição, a não ser por uma breve declaração de seu gabinete pedindo um período de reflexão para todos os partidos[3].

O Partido da Justiça e Desenvolvimento perdeu pela primeira vez em 13 anos sua maioria parlamentar. Este resultado foi considerado surpreendente, junto com o fato da legenda de “esquerda pró-curdos”, o Partido Democrático do Povo (HDP), ter obtido mais de 10% dos votos, garantindo assentos no Parlamento pela primeira vez na história.  O AKP teve resultados piores do que esperava e perdeu a maioria, o que impedirá Erdogan de mudar a Constituição. Isso contrasta com o HDP, que concorreu sob uma legenda única pela primeira vez, na esperança de conseguir mais de 10% dos votos, e a aposta valeu a pena, pois obteve uma voz significativa para a minoria curda no cenário nacional. Este resultado se deveu ao apoio que o HDP buscou além dos cidadãos curdos, apelando para integrantes da esquerda e a oponentes de Erdogan, ao enviar uma mensagem de defesa da igualdade de direitos para gays e preocupações com o meio ambiente.

No volátil Oriente Médio, a Turquia tem uma grande importância. Por isso, a direção que o país toma, a natureza de sua democracia e os líderes que produz têm implicações que vão além de suas fronteiras. O AKP terá dificuldades para formar um Governo. Provavelmente, o partido terá 258 assentos no Parlamento, 18 a menos que o necessário para ter a maioria, algo que o força a formar um Governo de Minoria, ou uma Coalização. “Esta foi uma vitória da democracia sobre a corrupção política, da paz sobre a guerra[4], disse Sirri Sureyya Onde, líder nacional do HDP. Ele negou que formará uma coalização com o AKP, indicando que as eleições haviam dado fim ao debate sobre a adoção do sistema presidencial no país[4].

O Partido Republicano do Povo (CHP / Cumhuriyet Halk Partisi, na sigla em turco) se manterá como a segunda maior força política, após obter cerca de 25% dos votos. Segundo seu líder em Istambul, Murat Karayalcin, os resultados das eleições demonstram claramente a rejeição de eleitores à busca de Erdogan por mais poder. “Os eleitores disseram não ao sistema presidencial[5], afirmou Karayalcin.

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Imagem (Fonte):

http://novinite.bg/articles/94556/Turciya-pred-novi-izbori

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.trthaber.com/haber/gundem/basbakan-secim-sonrasi-ilk-kez-konustu-189381.html

[2] Ver:

http://www.trthaber.com/haber/gundem/cumhurbaskani-mit-mustesari-fidani-kabul-etti-189388.html

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/08/turkey-election-2015-erdogan-ak-party-what-happens-next

[4] Ver:

http://www.independent.co.uk/voices/comment/turkey-elections-after-13-years-of-sleepwalking-towards-dystopia-my-country-has-finally-woken-up-10307297.html

[5] Ver:

http://www.ensonhaber.com/murat-karayalcin-koalisyonu-chp-kuracak-dedi-2015-06-07.html