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OTAN completa 70 anos* e tem Rússia como principal preocupação

Criada em 4 de abril de 1949, ao término da Segunda Guerra Mundial, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) teve como principal objetivo a unificação de determinados países do hemisfério setentrional para combater o possível expansionismo soviético. Após 70 anos de existência, tendo ao longo dessas décadas mudado de “inimigos”, alterado sua estratégia e expandido o número de membros, a Aliança se prepara para uma nova era com desafios que muito provavelmente poderão determinar sua continuidade como a maior aliança militar do planeta.

Jens Stoltenberg – Secretário-Geral da OTAN

Em seu discurso proclamado em Washington, para a comemoração do aniversário da Organização, o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, deixou claro que as bases de responsabilidades do grupo deixaram de utilizar há muito tempo a fórmula do seu primeiro Secretário-Geral, Lorde Hasting, de “manter a Rússia out (fora), os EUA in (dentro) e a Alemanha down (controlada)”,pois, após o episódio histórico conhecido como Guerra Fria, o desmantelamento da União Soviética e o alargamento das democracias no território europeu, a Organização se viu envolvida em outras missões que ultrapassam suas fronteiras de atuação, como foi o caso de sua intervenção nos conflitos da Bósnia, no intuito de estabelecer a paz entre grupos étnicos, e de sua inserção tática no Afeganistão em apoio a um dos membros, alvo de um ataque externo, sendo que a resposta ao 11 de Setembro foi a primeira e única vez em que se invocou o seu Artigo 5º**.

Bandeiras de membros da OTAN

Hoje, a OTAN enfrenta não só a complexidade dos desafios à segurança internacional inerentes de um mundo multilateralista, que envolvem ataques cibernéticos, a inteligência artificial, a computação quântica ou a gestão dos gigantescos arquivos online que guardam informações importantes sobre os cidadãos, mas, também, o retorno de um “fantasma” da Guerra Fria, a Rússia.

Essa ressureição teve início em 2014, quando ocorreram os conflitos militares entre Rússia e Ucrânia na região de Donbass e o processo de anexação da Península da Criméia pela Federação Russa, quando, mesmo que no âmbito militar, as relações transatlânticas não sofreram qualquer penalização e os membros da Aliança, principalmente os EUA, aumentaram sua presença militar em territórios da Polônia e países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), mantendo operações de vigilância e dissuasão na fronteira com a Rússia para evitar um possível confronto entre as nações.

No encontro realizado, levantou-se a questão do deslocamento de armamento pesado para estruturar um escudo protetivo da Europa e o Secretário-Geral da Aliança declarou: “A OTAN não tem nenhuma intenção de deslocar mísseis nucleares para a Europa. Mas irá sempre dar os passos necessários para proporcionar uma dissuasão credível e eficaz”. E complementou que “A força de uma nação não se mede apenas pela dimensão da sua economia, nem pelo número dos seus soldados. (…). Mede-se também pela quantidade de amigos que tem”, numa clara alusão aos EUA.

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Nota:

* Vídeo comemorativo do 70º aniversário da OTAN: https://youtu.be/yI9uTpFq7zI

** O Artigo 5º é a pedra angular da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e afirma que um ataque a um membro da OTAN é um ataque a todos os seus membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cerimônia de 70º aniversário da OTAN em Washington” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165252.htm

Imagem 2 Jens Stoltenberg SecretárioGeral da OTAN” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165254.htm

Imagem 3 Bandeiras de membros da OTAN” (Fonte): http://www.nato.int/cps/en/natohq/68147.htm#intro

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Relatório aponta que a Finlândia é o país mais feliz para se viver

A Finlândia é um Estado nórdico que adquiriu a independência em 1917, dos soviéticos, e iniciou seu processo de industrialização tardiamente. Apesar das possibilidades negativas, o país, de belas florestas e lagos, superou dificuldades e se tornou uma das maiores economias da Europa. Esses fatores contribuíram para que os finlandeses ascendessem em escala na qualidade de vida, sendo também referência internacional no setor de educação.

Segundo o Relatório Mundial da Felicidade (WHR – World Happiness Report) realizado por um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU), a Finlândia foi classificada como o país mais feliz do mundo deste ano (2019). E as razões refletem elementos gerais, como a expectativa de vida, o grau de liberdade da população para fazer escolhas, a percepção de corrupção social e a generosidade, que aufeririam aos finlandeses o título simbólico de os mais felizes.

Eles seguem com a honraria do relatório, porém ainda amargam realidades que contradizem a pesquisa contida no WHR, visto que o país possui uma taxa expressiva de suicídios, milhares de pessoas fazem uso de medicamentos antidepressivos, a violência doméstica, sobretudo contra a mulher, é imensa, e a situação da aposentadoria do cidadão não aspira fortes ânimos.

Emoji triste

O jornal Kainnunsanomat trouxe a crítica da filósofa da Faculdade de Economia de Rotterdam, Ilona Suojanen, sobre o relatório da felicidade, a qual vê equívocos nas conclusões, pois, segundo ela, “os fundamentos da pesquisa sobre felicidade são muito ocidentais. Ao mesmo tempo, ela se perguntou o quão sensato é colocar os países do mundo em ordem com base nisso”.

Os analistas concordam com os questionamentos críticos ao WHR e entendem que os mesmos ignoram variáveis importantes, à medida que tentam igualar todas as realidades e observá-las sob uma perspectiva única. Conforme afirmam especialistas, em relação a Finlândia, é notório que existem problemáticas sociais a serem vencidas, as quais não desaparecerão simplesmente pela emissão de um estudo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aurora boreal na Lapônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg/1280px-Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg

Imagem 2 Emoji triste” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/87/Emojione_1F641.svg/600px-Emojione_1F641.svg.png

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

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Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

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Candidato à Presidência lituana apresenta programa de Política Externa

Nos últimos anos, a Lituânia demonstra interesse em ser um Estado cada vez mais independente e estimula seus cidadãos a escolherem o futuro de sua nação sem considerar as possíveis influências externas. Após a saída da antiga União Soviética, os lituanos, assim como os Estados bálticos da Letônia e Estônia, lutam pela autoafirmação de seus países no cenário internacional, e, para isso, ingressaram na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), buscando conquistar espaços políticos.

No momento, a Lituânia está em fase de campanha eleitoral para o cargo de Presidente, com uma disputa acirrada entre 17 candidatos: Vytenis Andriukatis, Petras Auštrevičius, Alfonsas Butė, Raimonda Daunienė, Petras Gražulis, Vitas Gudiškis, Arvydas Juozaitis, Camimier Juraitis, Aušra Maldeikienė, Valentin Mazuron, Mindaugas Puidokas, Naglis Puteikis, Saulius Skvernelis, Toms Simple, Ingrida Šimonytė, Valdemar Tomaševski e Gitana Nausėda.

O candidato Gitana Nausėda, ciente da importância da política externa para o país, apresentou suas propostas no último dia 15 deste mês (março), e enfatiza um maior foco na diplomacia econômica, um diálogo com a Rússia, um olhar mais aberto aos investimentos da China, maior destaque para a OTAN e ter a UE como uma confederação.

A valorização do fator comercial na política externa lituana contribuiria para facilitar o acesso dos empresários daquele país ao mercado internacional, e uma maior parceria com a China seria fundamental para ramificar os negócios, conforme afirma o próprio Nausėda no jornal The Baltic Times: “Sou a favor do desenvolvimento da cooperação econômica com a China, já que não há grandes riscos relacionados ao comércio. Sinto falta do elemento econômico em nossa política externa. Acho difícil entender por que estamos cortando a parte do financiamento para a política externa, fechando representações e posições de adido comercial”.

Gitanas Nausėda

Em matéria de política, o candidato Nausėda entende que a UE deveria ser menos centralizadora, pois os países menores tendem a arcar com grandes responsabilidades, enquanto os países maiores tendem a não se arriscarem muito; em relação a OTAN compreende que a Lituânia deve dar maior ênfase discursiva e financeira ao Bloco, pois o mesmo faz parte de seu apoio externo na área de defesa; e, sobre a Rússia, Nausėda acredita que se não houver problemáticas acerca dos princípios lituanos, o diálogo deve ser mantido, e focalizando a perspectiva econômica e cultural.

O próprio candidato Nausėda tornou a afirmar no jornal The Baltic Times:

A OTAN é o mais importante e praticamente o nosso único escudo que a Lituânia pode usar para deter qualquer inimigo externo. Devemos reforçar a OTAN não apenas através de palavras, mas também através de compromissos”. Em relação a Rússia ele afirma: “Mas estes são nossos países vizinhos e se não renunciarmos aos nossos princípios, podemos tentar falar com eles, talvez partindo da alavanca política mais baixa e, antes de tudo, focalizando a cooperação econômica e cultural”.

Os analistas compreendem que a região do báltico possui uma sensibilidade política que deve ser considerada no tocante a expansão das fronteiras da UE e da OTAN em direção à Rússia, e da afirmação política da Lituânia no plano regional. Todavia, a ascensão de um Presidente lituano capaz de entender as questões centrais que rodeiam a política interna e externa da Lituânia poderia contribuir para maior progresso e menos tensões para as nações locais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio Presidencial da Lituânia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Wilno_-_Pa%C5%82ac_prezydencki.jpg

Imagem 2 Gitanas Nausėda” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Gitanas_Nauseda.jpg/1024px-Gitanas_Nauseda.jpg

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UKROBORONPROM: acusações de corrupção no setor de defesa da Ucrânia

Em pleno conflito com os rebeldes separatistas das regiões de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, leste da Ucrânia, o presidente Petro Poroshenko é acusado de participar de um esquema de corrupção envolvendo a estatal do setor de Defesa, a UkrOboronProm (UOP).

Em 2017, funcionários da estatal de Defesa ucraniana foram acusados de terem se apropriado ilegalmente de xxxxxxxx (aproximadamente, 22,8 milhões de reais, conforme a cotação de 25 de março de 2019), em um acordo para fornecer peças de aviões ao Ministério de Defesa do Iraque, além de adquirir motores velhos para quarenta tanques com preço de novos para a Ucrânia.

Tanque ucraniano em parada do Dia da Independência

A UkrOboronProm é um sistema com 80.000 funcionários e 130 empresas independentes, das quais 42 estão endividadas e inativas e 30 na fila para serem privatizadas. Além destas medidas, seu diretor geral, Pavlo Bukin, quer agilizar suas exportações e importações reduzindo a centralização de comando sobre o setor e adaptar os seus salários aos do mercado, isto é, elevá-los, para combater a corrupção. Mas, para que a credibilidade internacional e os financiamentos decorrentes ocorram, as auditorias contra a corrupção necessitam deixar de ser proteladas.

O escândalo de corrupção se tornou público após a divulgação de um relatório pelo site Bihus.info, no dia 25 de fevereiro. Nele, o filho do vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança e Defesa (já demitido do cargo), Ihor Hladkovskyy, é acusado de organizar um círculo de contrabandistas de peças sobressalentes de equipamentos militares russos em 2015, um ano após a Rússia ter invadido a Crimeia, e apoiado militantes separatistas no leste do país.

O relatório ainda afirma que Ihor e seus sócios teriam ganho 250 milhões de grívnias (moeda ucraniana), aproximadamente, 34,56 milhões de reais, de acordo com a cotação de 25 de março de 2019, contrabandeando o material russo através de três empresas privadas, uma das quais pertencia ao presidente Poroshenko.

Os protestos contra a corrupção se avolumam no país. No dia 9 de março, o partido de direita “NATIONAL CORPS” realizou uma manifestação em frente à administração presidencial no centro de Kiev e em Cherkasy, cidade a sudeste, onde discursava o Presidente. E no sábado retrasado, dia 17, cerca de 10.000 pessoas foram novamente às ruas protestar contra o atual governo e seu envolvimento na compra de material deteriorado e superfaturado. O tom das manifestações já passou de ser contra a corrupção e a máquina administrativa, envolvendo o setor de Defesa, para uma crítica ao atual governo. Intitulado Svinarchuks (“porcos”) de Poroshenko, o protesto exigia a prisão de todos os envolvidos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da UkrOboronPromempresa estatal do setor de defesa da Ucrânia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:UkrOboronProm.svg

Imagem 2 Tanque ucraniano em parada do Dia da Independência” (Fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:T-64BM_pre_parade.jpg

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia aprova lei contra Fake News

Termo muito conhecido de quem trabalha com jornalismo e afins, as Fake News (traduzindo do inglês, “noticias falsas”) ganharam notoriedade em 2016, quando o então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, foi acusado de ter utilizado deste recurso em contraponto a diversos meios de comunicação que faziam frente à sua candidatura, e, assim, ajudou a popularizar esse conceito em todo o globo como meio utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas que são publicadas principalmente por meios digitais como a Internet, onde a velocidade de propagação permite potencializar seu impacto sobre a opinião pública.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

Atualmente, vista como uma “arma” de desinformação em massa, que possivelmente poderia desestruturar a credibilidade de indivíduos, órgãos públicos e privados e até mesmo de governos, as Fake News estão começando a ser tratadas como crime passível de punição. Foi assim que a Duma (a Câmara Baixa, que corresponderia à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou, em 7 de março de 2019, projetos de lei contra essa pratica, e que, posteriormente, em 13 de março, também foram aprovados pelo Soviete da Federação (a Câmara Alta russa, que corresponderia, guardadas as diferenças específicas, ao Senado no Brasil), aguardando, agora, a assinatura do presidente Vladimir Putin.

As medidas se aplicarão a quem “fizer publicações online indecentes que demonstrem desrespeito pela sociedade, o país, os símbolos oficiais de Estado, a Constituição e as autoridades”, e definem a notícia falsa como: “não verificar qualquer informação apresentada como fato que ameaça a vida, saúde ou propriedade de alguém, ameaça a ordem pública, interfira ou comprometa infraestruturas, transporte e serviços sociais, sistema bancário, comunicações e outros setores econômicos”.

Os projetos também dão àqueles que publicarem tais informações a liberdade para corrigí-las ou removê-las e, caso não o façam, serão direcionadas punições pelos respectivos órgãos fiscalizadores que aplicarão, além do possível bloqueio da notícia, multas escalonadas para pessoas físicas que oscilarão entre US$ 460 e US$ 6,1 mil*,  e, para pessoas jurídicas, entre US$ 3,06 mil e US$ 23 mil**, enquanto a penalidade para funcionários com cargos de responsabilidade ficará entre US$ 920 e US$ 13,8 mil***. Em caso de reincidência, os infratores poderão ser multados em até o dobro do valor estipulado da multa ou mesmo serem detidos pelo prazo de 15 dias.

Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português

O Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu previamente ao Soviete da Federação (o Senado) que revise tais projetos, ao considerar que nenhum corresponde aos critérios que estabelecem os direitos e as liberdades referendadas na Constituição russa. O órgão também destacou o excesso das limitações à liberdade de expressão e considerou que as normativas deixam a porta aberta à sua interpretação arbitrária. Sergei Boyarsky, Chefe Adjunto do Comitê da Duma para Políticas de Informação, disse que “não há nenhuma conversa sobre a censura, e que não haverá proibição à crítica de funcionários ou à expressão de visões e opiniões que diferem da linha oficial”. Já os críticos reiteram que a legislação proposta faz parte dos esforços do Kremlin para reprimir as manifestações contrárias ao governo de Vladimir Putin e apertar o controle sobre a opinião pública.

Além da Rússia, outros países estão implantando leis severas sobre a divulgação premeditada de notícias falsas,como foi o caso da Malásia, que promulgou, em 2 de abril de 2018, Projeto de Lei Anti-Notícias Falsas que estabelece multas equivalentes a até US$ 123 mil (em torno de 468,95 mil reais, também conforme a cotação de 15 de março de 2019) e penas de até 6 anos de prisão.

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Notas:

* Tomando como base a cotação do dia 16 de março de 2019, aproximadamente 1.754 reais e 23.260 reais, respectivamente.

** Conforme a mesma cotação, aproximadamente 11.670 reais e 87.670 reais, respectivamente

*** Também de acordo com esta cotação, próximos de 3.508 reais e 52.614 reais, respectivamente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fake News” (Fonte): https://netzpolitik.org/2017/heute-podiumsdiskussion-zu-fake-news-und-luegenpresse/

Imagem 3 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_falsa#/media/File:Como_identificar_not%C3%ADcias_falsas_(How_To_Spot_Fake_News).jpg